sábado, 25 de agosto de 2007

Fisio Respiratoria ajudando idosos

Treinamento respiratório melhora a memória e a qualidade de vida do idoso.



O simples hábito de respirar corretamente pode nos garantir umas lembranças a mais depois de velhos. A descoberta inédita foi feita pela professora Marisa Pereira Gonçalves, autora da tese de doutorado Influência de um programa de treinamento muscular respiratório no desempenho cognitivo e na qualidade de vida do idoso. O trabalho, orientado pelo professor Carlos Alberto Bezerra Tomaz, foi defendido em junho de 2007, no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB).

Marisa investigou a influência de um programa de treinamento na melhoria da qualidade de vida do idoso. A pesquisadora selecionou 32 voluntários da região de Santa Maria, cidade do DF, e submeteu metade deles ao programa durante três meses. Ao final dos testes, o grupo que exercitou os músculos respiratórios registrou queda em níveis de depressão e ansiedade e aumento da memória episódica e da qualidade de vida.

O treinamento consistia em exercícios com halteres, direcionados para os membros superiores. Marisa também utilizou um equipamento chamando Threshold (que serve para fortalecer a força muscular inspiratória e expiratória). O indivíduo usava o aparelho para inspirar e soprar. A resistência interna do Threshold ajuda a melhorar a força respiratória de quem o utiliza.

Segundo a pesquisadora, seu trabalho é o primeiro a associar o teste de memória emocional (relativa à lembrança de conteúdos emocionais e neutros) com a prática de um treinamento muscular respiratório. Em um dos testes utilizados para avaliar a efetividade do programa de treinamento, exibia-se um filme para os voluntários. A intenção era saber se eles conseguiam lembrar mais da história depois dos exercícios. A metade do grupo (16 pessoas) que assistiu ao vídeo depois de fazer os exercícios se lembrou de mais detalhes da história do que a outra metade que apenas viu o filme.

Plasticidade

O grupo que assistiu à exibição depois do treinamento conseguiu lembrar não apenas da história, mas de detalhes visuais, como a presença de uma árvore em cena, ou a cor do sapato de um personagem. "Esse tipo de exercício produz vários benefícios para o cérebro, e pode desenvolver mudanças na plasticidade cerebral", analisa Marisa.

Plasticidade cerebral é a capacidade de o organismo alterar estrutural e funcionalmente suas sinapses (conexões entre os neurônios). É um processo de adaptação para suprir áreas danificadas do sistema nervoso. Uma das sugestões de Marisa é que os programas de treinamento muscular respiratório talvez possam ser úteis, também, no tratamento de doenças cerebrais que causam demência, como o mal de Alzheimer. Isso porque uma boa respiração favorece a oxigenação do cérebro.

Os idosos que participaram da pesquisa eram "sedentários, normotensos (sem problemas de pressão arterial) e saudáveis. Não tinham nenhuma deficiência cognitiva, patologias pulmonares ou cardiovasculares prévias e estavam aptos à prática de atividade física", descreve a pesquisadora na tese. Os participantes, de ambos os sexos, tinham idades entre 60 e 78 anos.

Além de beneficiar a memória, os exercícios diminuíram os sinais de depressão e ansiedade, aumentaram a vitalidade e a saúde mental, e melhoraram aspectos sociais e emocionais dos idosos.

Músculos

Uma avaliação prévia do grupo tinha mostrado à pesquisadora que a força muscular respiratória dos idosos estava diminuída. "A maioria das pessoas respira superficialmente", comenta Marisa. "Não utilizam a musculatura de forma adequada, e a mesma vai enfraquecendo, diminuindo a performance", explica. Segundo Marisa, é errado encolher a barriga durante a inspiração (respiração denominada "paradoxal"). Ela comenta, ainda, que é muito saudável preocupar-se em realizar respirações profundas de forma rotineira, além de praticar atividades físicas, colaborando para a melhora da própria condição respiratória.

Como a maioria das pessoas não tem o costume de cuidar da respiração, é comum chegar à terceira idade com a musculatura respiratória debilitada. Somando-se a isso, Marisa diz que os próprios declínios fisiológicos que acometem o sistema respiratório, decorrentes do envelhecimento e de hábitos de vida dos idosos (como o fumo), colaboram para tal debilidade.

Texto: Apoena Pinheiro
Fonte: UnB Agência

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Profissionais previnindo doenças

A cada três horas, um trabalhador sofre acidente em seu ambiente de trabalho. A estatística mostra a realidade brasileira segundo dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Para evitá-la, no entanto, é preciso que os profissionais exijam da empresa um ambiente mais seguro e adequado para as tarefas.

Muitos se enganam ao pensar que os computadores e tarefas de escritório são os vilões da saúde do trabalhador, já que causam a doença mais comum: LER (lesão por esforço repetitivo). Segundo o fisioterapeuta do trabalho, Alison Klein, todos os ambientes podem apresentar riscos ou favorecer o aparecimento de doenças ocupacionais.

No escritório
E, para garantir um ambiente de trabalho saudável, o fisioterapeuta orienta os profissionais a usar suporte de documentos, apoiar os punhos ao digitar, abafar o ruído para impressoras matriciais, utilizar persianas para reduzir claridade excessiva e bordas arredondadas para as mesas e retirar as gavetas que atrapalham o espaço das pernas sob a mesa.

No escritório, ele ainda orienta que é necessário aparelhos telefônicos com fones de ouvido adequado para as pessoas que precisam falar ao telefone e usar o teclado ao mesmo tempo. Para uso do computador, é preciso verificar a boa condição do aparelho e deixar o monitor na altura dos olhos, além de usar teclado ergonômico.

Na indústria
Neste caso, exija da empresa regulagem da altura de mesas e bancadas de trabalho, sendo estas últimas com tecido emborrachado e bordas arredondadas. Quem trabalha muito tempo de pé deve pedir um tapete antifadiga, piso não escorregadio, sapatos e botas com palmilha almofadada, carrinho para transporte de material, local fixo para ferramentas e objetos fáceis de manusear.

Algumas telhas translúcidas podem melhorar a iluminação e biombos devem separar o trabalhador de fontes de calor. Estrados devem ser colocados para acesso de pessoas mais baixas e alças e correias em caixas para melhor manuseio.

Manutenção e almoxarifado
Além destas dicas, os profissionais podem seguir regras simples, mas que fazem a diferença, quando o assunto é saúde e segurança do trabalhador. Veja abaixo:
No almoxarifado: exija estrados metálicos para ajudar na inspeção de materiais recém-chegados; coloque itens pesados na altura da cintura e os mais leves em estandes mais altos; peça prateleiras projetadas, de forma que não seja preciso se curvar para pegar materiais, e alinhadas à altura de carrinhos;


Manutenção de equipamentos: revise teclados de computadores, mobília, pisos e paredes da empresa e exija ambientes sempre limpos, bem iluminados e com pouco ruído.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Dor Miofascial

Histórico e definição

Em 1943 FRORIEP descreveu a existência de áreas dolorosas e tensas sobre os músculos e em 1898, STRAUSS relatou que nenhum estudo anatômico obteve sucesso em documentar a presença de um depósito de tecido conjuntivo que viria a explicar os "cordões" tensos e palpáveis encontrados nos músculos. Em 1931, LANGE descreveu detalhadamente a distribuição, origem e patologia do que mais tarde, em 1959, foi denominado por STEIDER como ponto-gatilho, um dos componentes desta síndrome. (TEIXEIRA, 1995).

Em 1939, o conceito de dor referida, começa a surgir através das observações clínicas de KELLGREN, que encontrou áreas dolorosas distantes dos pontos sensíveis. Outros autores, GUTSTEIN e KELLY, conceituaram e descreveram os pontos gatilho, a reação do paciente à palpação e a dor referida (PULLEN, 1992a).

Conceito:
A síndrome dolorosa miofascial é definida como uma disfunção neuromuscular regional que tem como característica a presença de regiões sensíveis em bandas musculares contraturadas/tensas que produzem dor referida em áreas distantes ou adjacentes. Esta dor miofascial pode se originar em um único músculo ou pode envolver vários músculos, gerando padrões complexos e variáveis de dor (WOLENS, 1998).

Etiologia
Vários fatores são precipitantes: traumas (macro e micro traumas), infecção ou inflamação devido a uma patologia de base, alterações biomecânicas apendiculares (discrepância de membros, aumento acentuado dos seios) e axiais posturais, distensões crônicas, esfriamento de músculos fatigados, miosite aguda, isquemia visceral (ZOHN, 1988). Outras causas incluem: lesões localizadas de músculos, ligamentos, cápsulas articulares, doenças viscerais, desequilíbrios endócrinos, exposição prolongada ao frio, deficiência de vitaminas C, complexo B, estrógeno, K+ e Ca+ , anemia, baixa taxa metabólica, hipotireoidismo, creatinúria, estress emocional, tensão fadiga, inflamação, deficiência muscular (MANNHEIMER E LAMPE, 1984; FISHER, 1986). Estes fatores não corrigidos, podem perpetuar a dor miofascial (ZOHN, 1988).

Componentes da Sindrome Miofascial
A síndrome miofascial tem componentes essenciais: ponto-gatilho, espasmo muscular segmentar, dor referida e o envolvimento de partes moles.

SIMONS (1990) apud MUSSE (1995) estabeleceu cinco componentes que podem ser usados como critério diagnóstico:

1. Queixa de dor regional
2. Queixa dolorosa ou alteração sensorial na distribuição de dor referida esperada
3. Banda muscular tensa palpável
4. Ponto dolorido na banda muscular
5. Restrição de alguns graus de amplitude de movimento (ADM)

Há três critérios menores:

1. Reprodução de queixa durante pressão no ponto
2. Contração durante inserção de agulha ou palpação transversal do ponto na banda
3. Alívio da dor pelo estiramento do músculo.

Pontos-gatilho
As zonas de pontos-gatilhos foram primeiramente descritas em 1936 com a reprodução de dor referida para ombro e braço por pressão na área superior da escápula. Travel relata estudos sobre estes pontos desde 1942.

O ponto gatilho é um lugar irritável, localizado em uma estrutura de tecido mole, mais freqüentemente no músculo, caracterizado por baixa resistência e pela alta sensibilidade em relação a outras áreas (FISHER, 1995a). Quando se estimula esse ponto por 30 segundos com uma pressão moderada, surge uma dor referida.

Um ponto gatilho é dito ativo quando é um foco de hiperirritabilidade sintomática no músculo ou fáscia com padrão de dor referida (dor espontânea ou ao movimento, diminuição da ADM, diminuição de força, dor à palpação e bandas tensas). O ponto em forma latente não causa dor, mas pode tornar-se ativo por qualquer evento (trauma, estresse), gerando a dor referida.

Fisiopatologia do ponto-gatilho
Há várias teorias: liberação de Ca +2, Inflamação neurogênica, abertura das comportas, desfacilitação do fuso, modificação no SNC, reflexos viscerossomáticos e somatoviscerais e dor referida e Sinais de SNA e memória.

Das teorias referidas a mais aceita é a liberação de Ca +2 e afirma que os pontos ativos podem ser iniciados por um trauma que localmente abre o retículo sarcoplasmático, liberando Ca +2. Este Ca +2 combina-se com o ATP para continuamente ativar os mecanismos locais de contração, gerando deslizamento e interação de actina e miosina com encurtamento do feixe muscular afetado. Isto causa uma contratura local (banda tensa), ou seja, a ativação de miofilamentos sem atividade elétrica e controle neurogênico. Esta atividade gera alto gasto energético e colapso da microcirculação local. O consumo energético sob condições de isquemia leva à depleção de ATP o que impede a recaptação do Ca +2 pelo retículo - ciclo vicioso autosustentado (Musse, 1995).

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA

Utiliza-se a história clínica onde são obtidos dados gerais do paciente e o exame físico.
Como as queixas principais são dor, limitação de movimento e fraqueza muscular, é importante avaliar estes aspectos para serem avaliados inicialmente e reavaliados ao longo do tratamento.

* Anamnese
* Avaliação da dor - escala analógica visual de dor, Questionário de dor da McGill e dolorimetria
* Avaliação da amplitude de movimento - goniometria
* Avaliação funcional - o HAQ tem sido utilizado em outras patologias reumáticas como por exemplo a artrite reumatóide.

TRATAMENTO

O tratamento pode ser dividido em três fases:

* inativação do ponto gatilho
* reabilitação muscular
* remoção preventiva de fatores perpetuantes
* Inativação dos pontos gatilho - feitas através de injeção com anestésicos ou solução fisiológica salina seguida por alongamento e calor. Esta técnica produz alivio rápido. O spray tem-se mostrado efetivo associado com alongamento. A terapia manual também é citada através da pressão nos pontos gatilhos, fricção profunda e alongamento muscular.
* Restauração da amplitude de movimento e força muscular - alongamento Analgesia - Além das citadas o TENS, ultrasom, laser (a mais popular), acupuntura, manipulação com agulha, calor seco e úmido e biofeedback.
* Remoção preventiva de fatores perpetuantes - A educação do paciente de modo a previnir e lidar com as possíveis crises e também bloquear os fatores perpetuantes ou precipitantes.

Conclusão
O ponto gatilho miofascial é a causa, o sintoma e o diagnóstico-padrão para a patologia, sendo também a resposta terapêutica das diferentes modalidades e não tem sido apropriadamente avaliada. O exame desta síndrome é difícil e o diagnóstico é basicamente clínico.

Tabagismo e doenças pulmonares

O tabaco é uma droga lícita largamente utilizada em todo o mundo. Atualmente, nos países desenvolvidos, é a principal causa de mortes prematuras (ROEMER, 1995; LESHNER, 1997; JHA, 1999). Considera-se que a nicotina, substância própria do cigarro, causa adição e tabaco-dependência (ROSEMBERG, 1997; JHA, 1999).

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta sejam fumantes. (WHO, 2003; GOMES, 2003). O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia (WHO, 2003). No ano de 2030, estima-se que o fumo deverá ser a maior causa isolada de mortalidade (MENEZES, 2002; WHO, 2003a).

O tabagismo tem sido relacionado com a prevalência de várias doenças ou distúrbios. Assim, este tem sido citado como responsável por 1/5 das mortes por doenças cardíacas (SABRY et al., 1999). O hábito de fumar tem sido ainda relacionado com maior prevalência de hipertensão arterial (JOINT NATIONAL COMMITTEE, 1997), bem como tem sido citado como fator de risco para doenças pulmonares e neoplasias de diferentes sítios anatômicos, como pulmão, esôfago e estômago (MOREIRA et al, 1995; NEUGUT et al., 1996).

Moreira et al. (1995) e Sabry et al. (1999) citam maior consumo médio de cigarros no sexo masculino. O consumo de 1 a 20 cigarros por dia tem sido associado ao aumento do risco de câncer de estômago. Andre et al. (1995) mencionam que consumo maior que um maço por dia (> 20 cigarros/dia) aumenta em 13 vezes o risco de ter câncer de cabeça e pescoço, e que fumantes de menos de 7 cigarros/dia poderiam ter risco semelhante ao de não fumantes.

Extrapolando para o Brasil, os dados dos países com bioestatísticas confiáveis, fazendo os ajustes da constituição etária da população, da prevalência do tabagismo e do número de cigarros consumidos per capita, calcula-se que temos, em conseqüência, de 80 a 100 mil óbitos anuais. Os óbitos devidos ao tabagismo são provocados preponderantemente por quatro processos; de acordos com dados reunidos pela Organização Mundial de Saúde, ele concorre para estes com os seguintes percentuais: 80% na bronquite crônica e no enfisema pulmonar, 90% no câncer de pulmão e 25% no infarto do miocárdio. Devido à estreita vinculação dessas doenças respiratória com o cigarro, elas são hoje consideradas tabaco-associadas (ROSEMBERG, 1997).

A revisão bibliográfica da literatura aqui apresentada teve como objetivo delinear o panorama do tabagismo, bem como reunir informações atuais sobre este tema, dando-se ênfase a prevalência e fatores de risco para tabagismo, bem como as principais patologias pulmonares associadas ao tabagismo.

2. METODOLOGIA
Para realização deste artigo foi realizada vasta revisão bibliográfica em artigos publicados no período de 1995 a 2005 nas bases eletrônicas da MEDLINE, PUBMED e do SCIELO. Além de consulta manual em referências de livros e periódicos do acervo da Biblioteca da Faculdade Integrada do Recife - FIR (Recife-PE). A revisão foi ampliada através de busca em outras fontes, tais como documentos governamentais e não governamentais, estatísticas de saúde, sites na Internet sobre tabagismo e referências citadas nos artigos obtidos.

3. GENERALIDADES
O tabaco é encontrado na natureza em folhas (Nicotiana Tabacum). A nicotina é extraída das folhas de tabaco. O cigarro existente no mercado (90% do consumo) é produzido com a mistura das folhas de tabaco (VIEGAS, 2002).

Outros dispositivos de nicotina, além do cigarro, são o charuto, o cachimbo, a goma de mascar e o rapé. Podem também ser encontrados no mercado, para fins terapêuticos, a goma da nicotina, os adesivos de nicotina e o spray (McCRADY et al., 1999).

O tabaco já era usado há cinco mil anos, primeiramente na China e depois na América Central, em rituais religiosos. Nativos da América do Sul já fumavam o tabaco em charutos, como estimulante para vencer a fome e o cansaço. Na América do Norte, o tabaco era mastigado ou usado como ungüento. Era oferecido aos deuses para afastar maus espíritos (FOCCHI, 2003).

Os colonizadores europeus, no século XVI, ao travarem contato com os indígenas americanos, levaram o tabaco para a Europa, quem se tornou grande importador desse produto. Até o século XIX, a Europa assistiu à popularização do tabaco, sobretudo em forma de rapé e seu uso como tônico e remédio para mais de sessenta doenças existentes na época. Em 1828, Jean Nicot, isolou o principal alcalóide do tabaco, a nicotina (FOCCHI, 2003).

Com o advento das máquinas de fabricação de cigarros, nos Estados Unidos, o consumo disparou, havendo uma verdadeira epidemia de uso no início do século XX e, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial. Paralelamente a isso, realizaram-se as primeiras pesquisas sistêmicas sobre doenças associadas ao tabagismo, o que colaborou pra um declínio e estabilização do consumo (HUGHES, 2000; FOCCHI, 2003).

Aquilo que era prerrogativa dos países ricos passou a atingir com mais impacto os países em desenvolvimento. A indústria do fumo voltou-se para aqueles menos privilegiados econômica e socialmente (WHO, 1997; MENEZES, 2002).

Ao contrário do que a indústria do fumo acreditava, a ciência, apesar de alguma lentidão, avançou; uma enormidade de conhecimentos até então obscuros é atualmente revelada ao mundo. Finalmente, o hábito de fumar é tratado como doença, dependência e morbidade que demandam tratamento (MENEZES, 2002).

Lotufo et al. (1995) citam que há mais de 50 mil artigos científicos associando hábito de fumar e tabagismo passivo com várias doenças. A abolição do fumo deveria, portanto, ser recomendada para todos os indivíduos, segundo vários autores.

4. EPIDEMIOLOGIA
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o mapeamento e as diretrizes de enfrentamento da epidemia do fumo são desafiadores. Os problemas do fumo para a saúde são descritos em inúmeros estudos (KROEFF et al., 2004).

Sabe-se que o hábito de fumar varia de acordo com gênero, idade, aspectos socioculturais e sociogeográficos. Portanto, há uma necessidade de se conhecer o comportamento detalhado das populações diante do hábito de fumar, a fim de se planejar ações preventivas mais efetivas (KROEFF et al., 2004).

Muitos estudos epidemiológicos têm associado hábitos e comportamentos a diversas doenças crônicas, tais como, a doença isquêmica do coração e vários tipos de neoplasias. O sedentarismo, o excessivo consumo de gorduras saturadas e baixo consumo de vegetais e especialmente o fumo estão entre estes hábitos. Há comprovadas evidências do efeito dose resposta do uso do tabaco e o incremento de doenças, sendo que três fatores influenciam diretamente no aumento do risco de adoecer: a precocidade do início do uso, a quantidade de cigarros fumados ao dia e a profundidade da tragada (GRIEP et al., 1998).

Chor (1997) identificou que grandes fumantes (mais de 20 cigarros diários) apresentavam maior probabilidade de consumirem álcool diariamente, serem sedentários e terem dieta rica em gordura saturada, colesterol e sal.

Dados recentes da OMS apontam altas freqüências de tabagismo na população. Há cerca de um bilhão de homens fumantes no mundo, sendo que 50% deles estão em países em desenvolvimento (WHO, 2003b). As tendências das prevalências de fumo no sexo masculino mostram uma mínima e lenta redução, tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento. No sexo feminino, ao contrário, encontram-se prevalências em elevação, principalmente em países em desenvolvimento (COSTA e SILVA, 1998; WHO, 2003c).

A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Estima-se que aproximadamente 47% dos homens e 12% das mulheres fumem (WHO, 2003; GOMES, 2003).

O total de mortes devido ao uso do tabaco atingiu a cifra de 4,9 milhões de mortes anuais, o que corresponde a mais de 10 mil mortes por dia (WHO, 2003). Mantidas as tendências atuais de expansão do uso do tabaco nos países em desenvolvimento, esses números chegarão a 8,4 milhões em 2020 e a 10 milhões de mortes anuais em 2030, sendo metade delas em indivíduos em idade produtiva (entre 35 e 69 anos) (MENEZES, 2002; WHO, 2003a).

O relatório da Saúde da OMS (2002) atribuiu ao uso do tabaco: 88% das mortes/ano no mundo, 41% dos anos de vida perdidos ajustados por incapacidade, 12% das doenças vasculares, 66% das neoplasias de traquéia, brônquios e pulmão e 38% das doenças respiratórias crônicas (WHO, 2003a).

Gomes (2003) e Araújo et al. (2004) relatam que no Brasil, um terço da população adulta fuma, 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Noventa por cento dos fumantes ficam dependentes da nicotina entre os 5 e os 19 anos de idade. Atualmente, existem no país 2,8 milhões de fumantes nessa faixa etária. Apesar do homem fumar mais que a mulher, esta última vem aumentando sua participação no uso do tabaco, sobretudo na faixa etária mais jovem.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2003) do Ministério da Saúde (MS) informa que o percentual de fumantes no país é alto quando comparado com outros países, principalmente da América Latina. Fuma-se mais na região Sul (42% dos habitantes da região), sendo Porto Alegre a detentora dos maiores índices conhecidos de câncer de pulmão no país. Embora se fume menos na região Nordeste (31% da população), este percentual ainda é considerado muito alto.

Estudos em diversas localidades, com diferentes grupos populacionais, têm encontrado prevalência variada de tabagismo. Assim, Sobaszek et al. (1998), investigando doenças ocupacionais, levantaram hábito de fumo entre trabalhadores de indústria de aço, encontrando 44,6% de fumantes. Lerman et al. (1996) avaliaram militares, partindo do pressuposto de que indivíduos que participam de programas de incentivo à saúde possuem menor prevalência de fatores de risco. Realmente, após convite para integrar as atividades de um programa de saúde, esses autores encontraram menor proporção de fumantes entre os participantes (20,4%) do que no segmento que não aderiu ao programa (55,2%). Zuskin et al. (1996), investigando funcionários de limpeza pública, também verificando risco ocupacional, encontraram 55,5% de fumantes. Na mesma linha de estudo, Hessel et al. (1998) encontraram 25% de fumantes entre eletricistas e 23% em trabalhadores de companhias telefônicas.

Apesar de todos os esforços médicos para avisar a população sobre os malefícios do tabagismo, é fato que as pessoas continuam fumando (MARQUES, 2001). Os progressos no controle do tabagismo são ínfimos, apesar do grande desenvolvimento de pesquisas na área, sobretudo nos últimos trinta anos (VIEGAS, 2002). É fator de risco para várias doenças e constitui um grave problema de Saúde Pública, sendo que os serviços para o atendimento de fumantes são insuficientes para acolher a enorme demanda de pacientes tabagistas (MALBERGIER, 2001).

5. FARMACOLOGIA
O cigarro tem cerca de quatro a cinco mil substâncias, entre elas o monóxido de carbono (CO), o alcatrão e a nicotina (tabela 01). Muitas substâncias do cigarro seriam responsáveis pelas doenças clínicas relacionadas ao tabagismo. A nicotina, por sua vez, é substância psicoativa, de alto poder aditivo, e que reforçaria o hábito de fumar (BENOWITZ, 1996). Sabe-se que o potencial de abuso da nicotina é tão grande quanto o da cocaína e o da heroína (HUGHES, 2000).

A nicotina é alcalóide líquido de cor clara, tornando-se marrom se exposta ao ar. É substância volátil, e representa 1,5% do peso do tabaco, sendo seu principal alcalóide (FOCCHI, 2003).

O pK da nicotina é igual a 8,0, significando que em pH de 8,0, metade da nicotina é ionizada. Em estado ácido, a nicotina, ionizada, não passa pelas barreiras biológicas. Com o aumento do pH, parte da substância que não é ionizada passa pelas barreiras biológicas. Então, no caso do cigarro, cuja fumaça é mais ácida, há maior inalação. O charuto, o cachimbo e a goma de nicotina, mais básicos, são menos inalados e têm maior absorção oral (FOCCHI, 2003).

Após a inalação, há rápida absorção pulmonar, e a nicotina chega rapidamente ao Sistema Nervoso Central via sistema arterial pulmonar. A nicotina é extensamente metabolizada no fígado, em cotinina (pelo sistema P450 hepático, por oxidação) e em óxido nicotínico. Cerca de 70% da nicotina inalada é metabolizada no fígado. Essa substância tem rápida distribuição nos tecidos, tendo efeito cumulativo no organismo. A meia - vida da nicotina é de 120 minutos. A cotinina tem meia vida maior, de cerca de 20 horas, podendo por isso ser útil como marcador do uso de nicotina (McCRADY et al, 1999; MICO et al., 2000).

No Sistema Nervoso Central, a nicotina liga-se a receptores centrais e periféricos, atravessando a Barreira Hemato - Encefálica, onde tem efeitos sobre vários neuromediadores (noradrenalina, acetilcolina, serotonina, dopamina), aumentando sua produção. O aumento da produção de noradrenalina provoca aumento da freqüência cardíaca, da atenção, náuseas e piloereção; o aumento da acetilcolina leva ao incremento da memória; o aumento da serotonina leva à piora da ansiedade, e o aumento da dopamina leva à euforia, que reforça o uso da nicotina, levando a uma neuroadaptação com o uso crônico (MARQUES et al, 2001).

Nos gânglios periféricos autonômicos, a nicotina atua como agonista colinérgico em baixa dose e como antagonista em alta dose. Além disso, a nicotina estimula a produção de acetilcolina no plexo mioentérico e de catecolaminas na adrenal. A estimulação dos gânglios autonômicos leva ao aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial e à vasoconstricção periférica. O efeito parassimpático no plexo mioentérico leva a diarréia, náuseas e vômitos (ROSE et al., 1997; McCRADY et al., 1999; LAVIOLETTE et al., 2003; TUCCI et al., 2003).

A interrupção abrupta do consumo de tabaco pode desencadear síndrome de abstinência, caracterizada por irritabilidade, agressividade, hostilidade, depressão e ânsia de fumar entre grandes fumantes (GRIEP et al., 1998).

6. DOENÇAS PULMONARES ASSOCIADAS AO USO DO TABACO
A fumaça do cigarro exerce diversos efeitos no trato respiratório; os dois principais são inflamação e os efeitos mutagênicos/carcinogênicos, porém nesta sessão não iremos nos deter ao segundo efeito (ARAÚJO et al., 2004).

Alguns componentes da fumaça são irritantes, outros exercem efeitos tóxicos na via aérea e, assim, podem causar lesão ou morte celular e também inflamação local. Estas substâncias podem ainda causar diminuição da capacidade de limpeza das vias aéreas, devido aos efeitos tóxicos nos cílios, e hiperplasia das células mucosas, que resulta em aumento da produção de muco. Estas últimas alterações podem levar à retenção de muco, predispor a colonização e infecção das vias aéreas e resultar em exacerbações das inflamações (KUSCHNER et al., 1996; BEHR, 2002).

A inflamação das vias aéreas é considerada o principal mecanismo envolvido na gênese da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) (Figura 01). O tabagismo induz alterações nas vias aéreas caracterizadas por aumento de neutrófilos, linfócitos CD8+, da concentração de IL-8 e diminuição de IL-10, sugerindo desequilíbrio entre as citocinas pró e antiinflamatórias (KUSCHNER et al., 1996; TAKAHASHI, et al., 1999; RUTGERS, et al., 2000; CALVERLY, et al., 2003).

Além dos efeitos irritativos ou tóxicos causados pelos componentes da fumaça do cigarro, lesão específica ocorre devido à inalação de grande quantidade de radicais livres derivados do oxigênio, peroxidases e peroxinitritos, que estão presentes na fumaça ou produzidos após a interação da fumaça com o líquido epitelial. A lesão oxidativa está associada com seqüestro de neutrófilos e monócitos nos pulmões, aumentando a produção de substâncias oxidantes. Estes podem causar lesão em vários substratos e resultar em alteração ou destruição de células e constituintes da matriz extracelular do pulmão (SIAFAKAS, et al., 2002; NHLBI/WHO, 2003).

Os oxidantes podem também interferir no equilíbrio protease/anteprotease dentro dos pulmões; inativação de antiproteases importantes, como α1-antitripsina, e ativação de proteases. Ocorre, assim, predomínio da atividade proteolítica induzindo à lesão tecidual e inflamação. Além disso, a lesão oxidativa induzida pela fumaça pode reduzir a defesa antioxidante pulmonar, resultando em meio mais oxidativo. A fumaça do cigarro e os oxidantes iniciam o ciclo vicioso que pode promover resposta antiinflamatória anormal (Figura 01). Oxidantes promovem inflamação por meio da ativação do fator nuclear-kB, o qual estimula a produção de múltiplos genes inflamatórios (KUSCHNER et al., 1996; NHLBI/WHO, 2003).

6.1 Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

A DPOC é condição que se caracteriza por limitação ao fluxo aéreo, não totalmente reversível, usualmente progressiva associada à resposta inflamatória do pulmão a partículas ou gases nocivos. Em 2000, a DPOC era a quarta causa mais comum de morte no mundo e há previsão de que será a terceira causa no ano de 2020. Além disso, a DPOC foi reconhecida como a 12ª maior causa de morbidade crônica, no ano de 1990. Há previsão de que a DPOC será a quarta causa mais importante de doença, que leva à incapacidade física, no ano de 2020. A prevalência, morbidade e mortalidade da DPOC são variáveis em diferentes países; entretanto, geralmente estão associadas à prevalência do tabagismo e a doença resulta em sobrecarga econômica e social que está aumentando continuamente (BEHR, 2002; CALVERLY, et al., 2003; NHLBI/WHO, 2003).

Estudos realizados em outros países apresentam, com confirmação por espirometria, estimativa de prevalência na população acima de 40 anos de 12,7% (17,9% nos homens e 9,1% nas mulheres) e para tabagistas entre 14% (entre homens) e 9,1% (para mulheres). No Brasil, estima-se a existência de 6,1 a 7,4 milhões de pacientes com DPOC (PENA et al., 2000; JARDIM et al., 2003).

O tabagismo é, de longe, o fator de risco mais importante para DPOC. Fumantes têm maior prevalência de sintomas respiratórios e a obstrução das vias aéreas é mais comum entre fumantes que não fumantes. O declínio acentuado do volume expiratório forçado no primeiro segundo em fumantes pode ser diminuído de forma considerável pela cessação do tabagismo, mesmo quando DPOC leve/moderada está presente. A idade de início do tabagismo, o número de anos/maço e o estado em relação à dependência são preditores da mortalidade por DPOC. Em termos populacionais, a contribuição do tabagismo para o desenvolvimento da DPOC foi estimada em 70-80% para homens e 70% para mulheres (MALARCHER et al., 2000; BEHR, 2002; CALVERLY, et al., 2003; NHLBI/WHO, 2003).

A patogênese da DPOC, relacionada ao tabagismo, inclui as hipóteses da protease/antiproteases e oxidante/antioxidante e o processo anormal de regeneração (Figura 02) descritas previamente. O mecanismo mais estudado de lesão tecidual na DPOC é o desequilíbrio protease/antiproease (elastase/antielastase). Proteases são enzimas que degradam a matriz protéica do pulmão; a elastina é um alvo importante. Entretanto, colágeno, proteoglicanos, lamina e fibronectina são também degradados. As elastases mais potentes são as derivadas dos neutrófilos. A atividade elastolítica das proteinases é balanceada pelas antiproteinases como alfa1-antitripsina (ARAÚJO et al., 2004).

A lesão tecidual é seguida do processo de reparo tecidual e parenquimatoso. Tem sido mostrado que a fumaça prejudica o mecanismo de reparo tecidual e interrompe os processos que são capazes de restaurar a estrutura tecidual (ARAÚJO et al., 2004).

Nem todos os tabagistas desenvolvem DPOC, o que sugere que os fatores genéticos podem modificar o risco individual. Assim, o fumante passivo pode desenvolver DPOC e o fumante pesado não (NHLBI/WHO, 2000; SIAFAKAS et al., 2002).

6.2 Doenças Intersticiais Pulmonares

As doenças intersticiais pulmonares representam um grupo heterogêneo de doenças pulmonares caracterizadas por dispnéia, tosse seca, infiltrados intersticiais difusos, padrão restritivo na função pulmonar e alteração da troca gasosa. Algumas destas podem estar relacionadas ao tabagismo: fibrose pulmonar idiopática (FPI), pneumonia intersticial descamativa (DIP), bronquiolite respiratória associada doenças intersticiais (RBILD), doenças intersticiais associadas à colagenases, histiocitose x doenças das células Langherans (BEHR, 2002; ARAÚJO et al., 2004).

O papel do tabagismo na FPI não é conhecido e não há evidências de que ele cause a doença. O mesmo ocorre na DIP, embora a cessação do tabagismo seja recomendada. A RBILD ocorre em fumantes e ex-fumantes e é chamada de doença intersticial relacionada ao tabaco; apresenta bom prognóstico, especialmente, com cessação do tabagismo (ARAÚJO et al., 2004).

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão da bibliografia permite traçar reflexões sobre alguns aspectos dessa ampla temática. Apesar de muitos desses trabalhos apresentarem um desenho do tipo epidemiológico, as pesquisas efetuadas até o momento foram norteadas, predominantemente, por abordagens de cunho quantitativo/estatístico de importantes ângulos deste assunto.
Observamos também que as estatísticas são elevadas e os malefícios do tabagismo são inúmeros, podendo causar diversas patologias crônicas e difícil resolução sendo, portanto, a implementação de mais campanhas preventivas, enfocando os malefícios do tabagismo, necessárias, assim como a monitorização periódica do efeito de tais campanhas através de pesquisas de base populacional. As entidades médicas e os órgãos de saúde devem garantir a aplicação das leis antitabaco.

Fonte: http://www.fisioterapeutasonline.com/artigos-de-fisioterapia/fisioterapia-aplicada-cardio-e-pneumo/tabagismo-e-doencas-pulmonares-uma-revisao-de-literatura.html

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Neuroma de Morton

METARSALGIA, NEUROMA DE MORTON E SÍNDROME DE MORTON

Sobrecarga e biomecânica inadequada pode ser a causa do problema

(neuroma de morton) (metatarsalgia)



Nesta matéria, estaremos discutindo, distúrbios musculoesqueléticos que acometem os pés. Trataremos aqui de diferenciar Metatarsalgia, Síndrome de Morton e Neuroma de Morton. Recentemente, o jogador Scheidt do Botafogo do Rio de Janeiro, sofreu intervenção cirúrgica, para retirada de neuroma, que já o incomodava a bastante tempo, e vinha sendo um impeditivo para seu melhor rendimento dentro do campo.

A título de informação e para que o leitor compreenda o processo de origem das patologias, observaremos a divisão anatômica, dos ossos do pé. Anatomicamente divide-se em: Tarso ( talus, calcâneo, navicular, cuneiformes e cubóide ), Metatarso ( meio do pé e terço final) e Falanges (dedos). Estes ossos justapostos formam as articulações: Talocrural, Subtalar, Médio-Társica, Tarso-Metatársica e Metatársicas.

Então vejamos, METATARSALGIA, a dor é sentida nas “cabeças” dos metatarsianos, mas precisamente nos quatro metatarsos laterais, no ante pé (parte da frente do pé). A dor e a formação de calo sob as cabeças metatársicas mediais decorrem da alteração da biomecânica da sustentação de peso. Dentre as causas da metatarsalgia destacamos: uma artropatia inflamatória que pode provocar sinovite (inflamatória) nas articulações metatarsofalangeanas e os processos mecânicos dentre os quais: sobrecarga e calçados inadequados.

Os sintomas característicos são: dor tipo mecânica que aparecerá tanto em pé como na marcha, inchaço na planta do pé, poderão aparecer calosidades na superfície plantar em todas as cabeças dos metatarsos. E por fim, existirá alteração significativa da marcha pela dor provocada pela carga no ante pé

( dedos), sendo assim, o paciente caminhará apoiando no retropé ( calcanhares).



NEUROMA DE MORTON OU NEURITE INTERDIGITAL, este é uma pequena massa que se forma ao redor do nervo plantar comum que passa em baixo do pé, no ponto em que este se divide em dois ramos que vão para os dedos. Localiza-se entre a terceira e quarta cabeça dos metatarsos. De causa desconhecida , acredita-se que a sobrecarga, o uso de calçados inadequados e biomecânica ineficiente, levam aos sintomas. São sintomas comuns que se apresentam: dor severa e intermitente que irradia para as pontas dos dedos, apresentando queimação no ante pé, e as vezes adormecimento dos dedos. A hiperextensão dos dedos durante a descarga de peso, como ocorre no agachamento, na subida das escadas ou na corrida podem aumentar os sintomas.




Já na SÍNDROME DE MORTON OU SÍNDROME DOLOROSA DO ESPAÇO INTERMETATÁRSICO é uma metatarsalgia da segunda cabeça metatarsiana, que em função de o primeiro osso metatarsiano ser curto demais, e o segundo mais longo, passa a sustentar o peso, provocando espessamento do osso e conseqüentemente dor. A clínica característica consiste em dor aguda que piora com a marcha ou quando se fica na ponta dos pés.

Importante salientar que estas patologias acometem mais o sexo feminino do que o masculino. .Entretanto, na prática clínica, devido hoje o ritmo intenso das atividades físicas muitas das vezes sem orientação, não se tem observado uma prevalência por este ou aquele sexo. Se ocorrer sobrecarga e há alteração mecânica, vemos que poderá aparecer um desses sintomas característicos das patologias descritas.



CONSIDERAÇÕES PARA O TRATAMENTO.


Tratamos de especificar cada lesão para mostrar a importância do diagnóstico clínico. Também poderá ser solicitada radiografia para exclusão de outras patologias como fratura por estresse dos metatarsos ou até mesmo o Ultra-Som diagnóstico e a Ressonância Nuclear Magnética.

Basicamente não se diferencia muito um tratamento do outro, mas a qualificação da lesão determinará uma recuperação sem dúvida mais rápida. Sendo assim, destacamos:

Uso de antiinflamatórios orais na fase aguda.
Alterações na biomecânica: Uso de almofadas metatársicas específicas facilmente encontradas no mercado, para distribuição do peso aliviando a sobrecarga na região afetada.
A escolha do calçado também é uma medida eficaz. Importante lembrar de avaliar sua pisada: neutra (pisada normal) , supinada ( pisada para fora) e pronada ( pisada para dentro). Sendo supinada você precisa de um tênis mais flexível e com mais amortecimento. Sendo pronada um tênis que lhe dê maior estabilidade e seja menos flexível.
Ainda como recurso para reduzir o processo inflamatório podemos utilizar a fonoforese, medida física utilizada com ultra-som onde se acrescenta ao gel de acoplamento, substância química para redução do quadro álgico e inflamatorio.
Se houver calosidades nas cabeças metatarsianas (pela metatarsalgia ) pode reduzir com água morna, removendo-os com raspagem em pedra-pome.
Outra medida importante é a manipulação e mobilização dos metatarsos e dos dedos, para aumentar mobilidade na área afetada.
Massagem transversa é um bom recurso, bem como a vibração.
Exercícios de fortalecimento podem ser utilizados: Flexão dos dedos do pé (abaixar os dedos), bem como extensão dos dedos (dedos para cima ), com e sem resistência, acompanhados de flexão plantar
( pés para baixo) e flexão dorsal ( pés para cima).

Exercícios proprioceptivos: sendo aqueles que provocam desequilíbrios, gerando estabilidade Cama elástica, andar em linha reta, giroplano, balancinho, etc.
O treinamento deve ser mantido, observando mudança na atividade, ou seja, prefira a bicicleta ergométrica nos estágios iniciais, natação ou hidroterapia, avançando para corrida na grama, sempre usando almofadas metatársicas.
Exercícios de musculação para grandes e pequenos grupos musculares.
Tão logo tenhamos a redução dos sintomas o retorno à atividade poderá ser rápida sem maiores conseqüências.
O reparo cirúrgico às vezes e eficiente se a Fisioterapia não obtiver o resultado esperado. Para isso seu médico irá avaliar desta necessidade. Mas em geral o paciente responde bem ao tratamento com fisioterapia.
Importante lembrar que, uma avaliação clínica é sempre importante e dará ao atleta uma segurança e melhor eficácia na condução de seu tratamento.

sábado, 18 de agosto de 2007

Testes para coluna vertebral

> Testes para Região Cervical

O exame motor da musculatura intrínseca da coluna cervical indicam qualquer hipotonia muscular e determina a integridade do suprimento nervoso. O exame neurológico testa todo membro superior por níveis neurológicos.

- Flexão: paciente sentado, fixe a parte superior do tórax (esterno) do paciente, com uma das mãos de modo a impedir a substituição a flexão do pescoço por flexão do tórax. Coloque a palma de sua mão que imprimirá resistência de encontro a testa do paciente, mantendo-a fixa de modo a estabelecer uma firme base de suporte. Em seguida peça ao paciente para fletir o pescoço vagarosamente. Quando ele o fizer, aumente gradativamente a pressão até determinar o máximo de resistência que ele é capaz de suportar. Correlacione seus achados com a tabela de eficiência muscular.



Grau de Eficiência Muscular
Grau de Força Muscular Descrição

0 - zero
Não há evidência de contratilidade

1 – Dificultado
Evidência de pouca contratilidade, não havendo mobilidade articular

2 – Sofrível
Movimento completo eliminando a gravidade

3 – Mediano
Movimento completo contra a gravidade

4 – Bom
Movimento completo contra a gravidade e uma pequena resistência

5 – Normal
Movimentação completa contra a gravidade e contra resistência



- Extensão: paciente sentado, antes de testar a extensão do pescoço, coloque sua mão estabilizadora sobre a linha média da face súpero posterior do tórax e da escápula para impedir uma falsa impressão de extensão. Espalme a mão que imprimirá resistência sob a região occipital, promovendo-a assim de uma firme base de suporte. Peça ao paciente para estender o pescoço. Enquanto ele o faz, aumente gradativamente a resistência até determinar o máximo de resistência que ele é capaz de vencer. Para avaliar o tônus do trapézio durante a construção, palpar com a mão destinada a fixação.

- Rotação Lateral: ficamos de pé frente ao paciente e coloque sua mão estabilizadora sobre o ombro esquerdo do paciente, o que ira impedi-lo de substituir a rotação da coluna cervical por rotação da coluna toracolombar. Espalme a mão que oferecerá resistência ao longo da margem direita da mandíbula. Peça ao paciente para rodar a cabeça em direção a sua mão que impõem-se resistência máxima que ele é capaz de suportar. P/ examina ECM (D) e mandíbula contra. Lavoral, compare os resultados.

- Inclinação Lateral: sua mão estabilizadora sobre o ombro direito do paciente, impedindo desta forma a substituição do movimento que se quer avaliar por elevação da escápula. Espalme a mão que imporá resistência por sobre a face direita da cabeça do paciente. Para obter uma firme base de resistência, a palma do examinador deverá se sobrepor à têmpora do paciente, com os dedos se estendendo posteriormente. Peça para o paciente inclinar a cabeça lateralmente em direção a sua palma, tentando encostar a orelha no ombro. Quando ele começar a inclinar a cabeça, vá gradativamente aumentando a pressão até determinar o máximo de resistência que ele é capaz de vencer.

- Tração: a tração alivia a dor causada por estreitamento do forâme neural (o que resulta na compressão nervosa), é capaz de ampliar o forâme e alivia o espasmo muscular pois obtem o relaxamento da musculatura contraída. Coloque a mão espalmada sob o queixo do paciente, enquanto que a outra mão será colocada no occipital. Em seguida eleve (tracione) a cabeça removendo o peso que ela exerce sobre o pescoço.

- Compressão: poderá auxiliar a localizar o nível neurológico da patologia que por ventura exista. Mas pode agravar a dor causada por estreitamento do forâme neural, pressão sobre e as superfícies articulares das vértebras ao a espasmo musculares. Pressione para baixo o topo da cabeça do paciente, que pode estar sentado ou deitado. Observara-se a dor é circunscrita a algum dos dermatomos.

- Teste de Valsalva: este teste aumenta a pressão intratecal. Se o canal cervical estiver tomado por alguma lesão que ocupe espaço, como os tumores e hérnia de disco cervical, mo aumento da pressão fará com que o paciente se queixe de dor. A dor poderá se irradiar pela distribuição do dermatomo correspondente a nível neurológico da patologia da coluna cervical. Peça ao paciente para prender a respiração e fazer força como se quisesse evacuar em seguida, pergunta-se se houve agravamento da dor, e em caso afirmativo peça-lhe para descrever a localização. É um teste subjetivo, que requer do paciente respostas precisas.

- Teste de Adson: serve para determinar a permeabilidade da artéria subclávia, que pode estar comprimida ou por contratura dos músculos escalenos. Não pode fazer tração. Palpe o pulso radial do paciente, continue palpando e abduza, estenda e rode externamente o braço do paciente. Em seguida, peça-lhe para prender a respiração e volver a cabeça em direção ao braço que está sendo examinado. No caso de houver compressão da artéria subclávia, o pulso radial diminuirá de amplitude, podendo até não ser mais percebido( síndrome do desfiladeiro cervical).

- Teste para Avaliar Artéria Carótida: com os seus dedos indicador e médio, pressionar ligeiramente sobre a artéria carótida de encontro ao processo transverso da vértebra cervical. Palpar cada artéria individualmente e avaliar igualdade de amplitude. Uma diferença na força dos pulsos pode indicar estenose (estreitamento de qualquer canal ou orifício) ou compressão da artéria carótida.

- Entorse X Distensão: Entorse é uma série de lesões variáveis segundo o tipo de articulação e a intensidade do traumatismo, é um mau que não chega a ocasionar luxação, resultando em traumatismo ligamentar. Distensão é uma tração excessiva e/ou violenta que provoca deslocamento ou repuxo.

Com o paciente na posição sentada, o paciente irá realizar todos os movimentos da coluna cervical em toda sua amplitude de movimentos ativamente com o terapeuta impondo-lhe uma resistência, e a seguir os movimentos serão realizados de forma passiva.
Dor durante os movimentos contra a resistência ou contração muscular isométrica significa distensão muscular. Dor durante a movimentação passiva pode indicar uma entorse de ligamentos.

Obs.: esta manobra pode ser aplicada a qualquer articulação para determinar comprometimento ligamentar ou muscular. Lembrando-se de que durante um movimento contra a resistência a principal estrutura a ser testada é o músculo, e de que durante o movimento passivo a principal estrutura a ser testada é o ligamento. Deve-se conseguir determinar entre Distensão Muscular ou Entorse Ligamentar, ou uma combinação destas.

> Testes para Região Lombar

Dá mobilidade as costas, fornece sustentação a porção superior do corpo e transmite o peso a pelve e aos MMII.

O paciente deve despir-se. A presença de sinais pilosos nas costas pode traduzir algum distúrbio na coluna. Observar se o paciente evita se curvar, torcer e promover outros movimentos.

Se o paciente apresentar-se com lombalgia localizada sem nenhum componente radicular, então espasmo muscular lombar ou capsulite facetária poderá ser suspeitada.

- Região Ciática: para avaliar se tem hérnia de disco ou uma lesão que ocupa espaço capaz de comprimir as raízes nervosas podendo sensibilizar o nervo. Ocorre verticalmente em direção descendente na linha media da coxa e seus ramos para o músculo tendinosos da coxa e divide-se em ramos terminais tíbial e fibulares. O examinador deve fletir o quadril do paciente e localizar o ponto médio entre as tuberosidades isquiaticas e os grandes trocanteres. Então irá pressionar firmemente, palpando o nervo que é de fácil palpação.

- Flexão lateral : movimento contralateral, com dor no outro lado, tratar a cápsula articular.

- Inclinação: detecta lesão ligamentar. Fixe a crista ilíaca do paciente e pede-se para que ele incline o tronco para direita e/ou para esquerda. Compare os dois lados. Para realizar o teste passivo de inclinação fixe a pelve do paciente e segure o ombro e inclina-o para direita e depois para a esquerda. Verificar os dois lados.

- Rotação: coloque-se atrás do paciente e fixe a pelve colocando a mão sobre a crista ilíaca e outra sobre o ombro, em seguida fixe o tronco o que será conseguido rodando a pelve e o ombro posteriormente. Verificar os dois lados.

- Teste de Lasegue modificado: flexão + adução + rot. int.( inversão) + elevação da perna. Se o paciente sentir dor, suspeitar-se-á de lombociatalgia (dor ciática verdadeira).


> Stress Neural

* Nervo Femural (L2, L3 e L4): paciente em pé apóia um dos joelhos (flexionado à 90o) em uma cadeira, então pede-se que faça a inclinação lateral do tronco. Dar-se- a positivo se houver dor. Se for local o problema é na cápsula; se for irradiada para o membro inferior o problema é no nervo.

* Nervo Ciático (L4-S3): pode-se usar os testes de Lasegue (verdadeiro), Slump e Calço (paciente em pé e com o ante pé apoiado sobre um calço como por exemplo um livro, o terapeuta pede para que o paciente faça flexão do tronco. Caso positivo haverá dor).

* Nervo Mediano (C5 à T1): paciente em DD, com flexão de cotovelo e extensão de punho e obro abduzido. O terapeuta ira realizar uma extensão total de cotovelo e punho. O teste deve ser realizado primeiramente de forma passiva e depois feito ativamente. A cabeça deve estar rodada para o lado oposto ao teste.

* Nervo Radial (C5 à T1): paciente em DD, com flexão de cotovelo e flexão de punho e obro abduzido. O terapeuta ira realizar uma extensão total de cotovelo e flexão total de punho. O teste deve ser realizado primeiramente de forma passiva e depois feito ativamente. A cabeça deve estar rodada para o lado oposto ao teste.

* Nervo Ulnar (C7 à T1): paciente em DD, com extensão de cotovelo e extensão de punho e obro abduzido. O terapeuta ira realizar abdução total de ombro, uma flexão total de cotovelo e extensão total de punho. O teste deve ser realizado primeiramente de forma passiva e depois feito ativamente. A cabeça deve estar rodada para o lado oposto ao teste.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Alongamento por estimulacao eletrica

Na literatura existem poucas indicações para promover o alongamento muscular através de correntes elétricas.

No entanto, estudos científicos comprovam que o comportamento do tecido conjuntivo e dos componentes neuromusculares respondem bem a esta forma de alongamento muscular comparado aos métodos clássicos de alongamentos.

A vantagem desse método é a obtenção dos resultados num curto período de tempo.

SELEÇÃO DO TIPO DE CORRENTE

- corrente alternada de média nula (despolarizada)

- média frequência ou TENS (média = 4000 Hz)

- corrente mais suave

- não provoca efeitos eletrolíticos sobre a pele

- permite a aplicação de altas amperagens

INTENSIDADE DA CORRENTE

- é determinada de acordo com a sensação do paciente, o qual referirá uma sensação de alongamento

- o término do tratamento se dá quando a sensação de alongamento não mais ocorrer durante o aumento da intensidade da corrente utilizada.

DURAÇÃO DO TRATAMENTO

O tratamento estará concluído quando o resultado objetivado for atingido, ou quando a sensação de alongamento não for percebida ao ser aumentada a intensidade da corrente elétrica.

TÉCNICA/MÉTODO

Faz-se a aplicação dos eletrodos no ventre muscular com a técnica mioenergética. Seleciona-se a corrente de uma forma suave, como as de média freqüência de portadora de 4000 Hz e uma AMF de 100 Hz.

O músculo é alongado até obter-se uma sensação final de flexibilidade e elasticidade; logo aumenta-se a intensidade da corrente elétrica até que ocorra uma contração do seu antagonista; não deve-se aplicar nenhuma força externa passivamente para não ocorrer o risco de rupturas do tecido conjuntivo.

O alongamento continua até que o paciente sinta de maneira bem intensa o alongamento; neste momento aumenta-se a intensidade da corrente até o desaparecimento da sensação de estiramento do músculo estimulado.

Repete-se o procedimento até obter o resultado desejado ou quando a sensação de estiramento não estiver mais sendo percebida durante o aumento da intensidade da corrente; então foi alcançado o limite da elasticidade do tecido conjuntivo.

FREQÜÊNCIA DO TRATAMENTO

É determinada principalmente pelos efeitos obtidos pelo primeiro tratamento realizado e pode se diferenciar entre várias situações:

1- o músculo alonga-se até a amplitude desejada em uma única sessão e não volta a encurtar-se;

2 - o músculo alonga-se até a amplitude deesejada porém volta a encurtar-se. Se o encurtamento ocorre logo após a realização da técnica, no intervalo de uma hora é sugestivo que trata-se de um encurtamento muscular funcional; e isto constitui uma contra-indicação reletiva.

3 - o músculo não atinge o grau de alongammento desejado em uma sessão. Neste caso necessita mais tratamento e uma condição que não ocorram efeitos secundários. A freqüência do tratamento será determinada pelo paciente. A sessão seguinte poderá ser iniciada logo que os sintomas de rigidez tenham desaparecido.

INDICAÇÕES

- encurtamento muscular causado por hipertonia

- encurtamento muscular causado por rigidez do tecido conjuntivo

- tendinites

- epicondilite lateral do úmero

- tendinite calcaneana

CONTRA-INDICAÇÕES RELATIVAS

- lesões musculares tendinosas agudas

- lesões articulares acompanhadas de processos inflamatórios agudos (artrites - bursites)

- tecidos não consolidados (fraturas, rupturas musculares e ligamentares)

- lesões centrais

- formas de miopatias

- encurtamento muscular funcional

Tecido Conjuntivo e Fascia

O órgão que transmite os movimentos no corpo, que cria toda a nossa estrutura espacial, é o tecido conjuntivo. Este tecido, ao mesmo tempo macio e duro, forma o que Ida Rolf chamava de órgão da estrutura. Cada músculo, cada fibra muscular e também os organismos viscerais e neurológicos são envolvidos pelo tecido conjuntivo, chamado também de fascia.

As fascias se estendem pelo corpo desde os ossos, recobrindo e entranhando todas as estruturas, até "envelopar" todo o corpo em uma camada contínua, logo abaixo da pele, que é chamada de fascia superficial.

Mudanças tanto físicas quanto químicas, em qualquer parte desta extensa rede miofascial, serão sentidas de alguma forma em toda a rede, através de sua organização continuada.
Recorrendo a uma forma muito precisa e especial de tocar a estrutura, os rolfistas se utilizam dessa rede miofascial como uma via pela qual são produzidas mudanças espaciais e funcionais em todo o corpo.

O Método Rolf de Integração Estrutural é um processo de reeducação corporal através da manipulação do tecido conjuntivo. Em uma série de dez sessões, cada uma com objetivos estruturais específicos, o corpo é liberado dos padrões de stress causados por problemas físicos e emocionais. A Integração Estrutural pode ser traduzida como a arte de esculpir o relacionamento ideal entre a gravidade e o corpo humano, organizando os músculos ao redor de um eixo vertical. À medida em que essa relação evolui, os desconfortos físicos crônicos diminuem. Como o comportamento e as emoções estão diretamente ligados à estrutura, a experiência da Integração Estrutural atinge todas as áreas da vida: física, mental e emocional.



TECIDO CONJUNTIVO E FÁSCIA

O óvulo fecundado diferencia-se em três sistemas funcionais, ectoderma, endoderma e mesoderma, nessa mesma ordem cronológica.

Na chamada Integração Estrutural a preocupação é relativa aos desvios das estruturas derivadas do mesoderma. Em qualquer corpo humano, a posição do espaço físico é determinada por elementos derivados do mesênquima (uma subdivisão do mesoderma), especificamente osso, músculo, ligamento, tendão e fáscia.

A fáscia é uma lâmina de tecido conjuntivo contínua que se espalha como uma teia tridimensional , sem interrupção , através do corpo . A maioria de suas fibras são arranjadas longitudinalmente da cabeça ao pé. Existem também fibras em orientação transversal na base do crânio , no hióide , na abertura superior do tórax e no diafragma respiratório e pélvico , que agem para suportar o corpo .

Funcionalmente , a fáscia está em volta de todas as estruturas do corpo e então ajuda a suportar e proteger todas essas estruturas . Ela cria uma separação entre órgãos , ossos , vasos condutores e músculos. A fáscia também cria espaço para estruturas delicadas como nervos e vasos condutores do sangue e linfa.

Quando submetida a um esforço contínuo e excessivo, a fáscia se adensa, engrossa e perde a elasticidade, tornando-se mais curta ao se recuperar. Com o adensamento do tecido, as relações entre os músculos ficam prejudicadas e o corpo adota um novo padrão postural para se adaptar à nova situação, visto que as áreas mais espessas transmitem tensão em muitas direções, e sua influência é sentida em pontos distantes, assim como o nó em uma malha pode distorcer a malha inteira.

À luz da Integração Estrutural, a fáscia forma um tecido intrincado coextensivo ao corpo, fundamental para o corpo, fundamental para seu bem-estar e fundamental para o seu desempenho.

Há vários tipos de camadas fásciais. A fáscia superficial é um tecido fibroareolar que contém a maior parte das gorduras do corpo. Ela pode esticar-se em qualquer direção e ajustar-se rapidamente a tensões de todos os tipos. A fáscia profunda é uma camada mais densa. No corpo saudável, sua cobertura lisa permite que as estruturas vizinhas deslizem umas sobre as outras. Todavia, depois de doenças inflamatórias ou processos traumáticos, as camadas aderem umas às outras, como se estivessem "coladas". Tendo ocorrido isso, elas não deslizam mais, mas fazem com que as camadas adjacentes sejam repuxadas umas sobre as outras, contribuindo assim para a exaustão geral e tensão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Complicação em Lipoaspiração

Contornos Irregulares
GARGAN e COURTISS (1984) definem os contornos irregulares do pós-operatório como seqüelas indesejáveis da lipoaspiração,pouco menores do que uma complicação verdadeira. Para NING CHANG (1994), os contornos irregulares pós-lipoaspiração são efeitos indesejáveis de superfície, incluindo depressões, ondulações, chanfros, excesso de pele e protuberâncias no contorno que podem distinguir-se visualmente e que não se misturam facilmente à superfície próxima.

A lipoaspiração por se constituir em uma técnica invasiva, representa uma agressão que provoca uma reação em cadeia em todo o sistema de defesa do corpo. O organismo entra em ação, enviando para o local agredido, células especializadas para combater a infecção, como leucócitos, linfócitos, macrófagos, entre outros. Vão para o local também as plaquetas, cuja função é vedar os locais que foram invadidos pela cânula. O organismo libera fibrina, que é uma proteína polimerizada insolúvel, que forma uma rede de fibras ao redor das plaquetas que se fixaram nas bordas do ferimento umas as outras. A rede envolve-se nas células sangüíneas e se contrai, expulsando o soro e deixando o coágulo mais ou menos sólido (nódulos). Desta forma, quanto maior a quantidade de gordura retirada, maior será a agressão e, conseqüentemente, maior será a reação do organismo. Neste caso, tem início um processo de cicatrização irregular, que tende a formar uma fibrose subcutânea, fazendo aderências que prendem a pele ao músculo. As depressões, ondulações e assimetrias, em alguns pacientes, ficam visíveis logo na primeira semana, em outros, após duas ou três semanas devido ao edema. À medida que este vai sendo eliminado, as irregularidades da cicatrização começam a aparecer. Poucos são os casos de cicatrização irregular, e para estes podem ser empregadas técnicas corretivas que vão desde a correção cirúrgica até a utilização de recursos estéticos como a drenagem linfática, entre outros.

Contorno Irregular - Depressão
A retirada em excesso de gordura no procedimento cirúrgico ocasiona a depressão. Para esta complicação, GINGRASS (1999) explica que o tratamento consiste em enxertar um pouco de gordura na área deprimida, no mesmo momento em que se realiza a cirurgia ou uma lipoaspiração na área em volta da depressão para camuflá-la. Em depressões pequenas pode ser feita a subcisão para soltar a área de retração subcutânea.

Contorno Irregular - Saliência
A saliência é a sobra de gordura detectada após o ato cirúrgico, ou seja, acúmulos adiposos não removidos na cirurgia inicial. GINGRASS (1999) explica que a revisão da lipoaspiração nas áreas com resíduos de gordura deve ser realizada, de preferência, após o inchaço ter desaparecido completamente, em torno de seis meses.

Hiperpigmentação Cutânea Causada Pela Lipoaspiração
Segundo MATEU e HERNANDEZ (1997) as complicações causadas pela lipoaspiração, chamadas equimoses cutâneas, mesmo após desaparecerem, deixam seqüelas que podem piorar com os efeitos do sol sobre a pele na falta de proteção. Os autores enfatizam ainda que a pigmentação anormal pode ser causada por lesões pigmentares; lesões pigmentares adquiridas; dermatoses com hiperpigmentação; administração de drogas enterais ou distúrbios sistêmicos. Afirmam também que a hiperpigmentação pode resultar da longa exposição ao calor, fricção, arranhões, atritos e pressões sobre a pele, ou pela administração intramuscular de ferro cuja conseqüência é um depósito nos tecidos e que eventualmente se estendem através do sistema linfático, mas parece não haver possibilidade de ser causada por ferroterapia oral. Enfim, as causas de hiperpigmentação que decorrem da lipoaspiração são multifatoriais. A mais comum é por depósito de hemossiderina, um pigmento encontrado nas células sangüíneas. O tratamento consiste em peelings com produtos despigmentantes e clareadores.

Discussão
Podem ocorrer inúmeras complicações durante uma lipoaspiração, tais como problemas decorrentes de atos anestésicos tanto nas anestesias geral, peridural, raquidiana ou local com sedação; infecção local ou sistêmica; hemorragia sem hematoma de grande volume; perfuração de tecidos adjacentes como músculos ou tendões; perfuração de órgãos intraabdominais, intratoráxicos, dentre outras. No entanto, como resultado deste estudo, dentre os casos investigados no período de 1993-2002, foram encontradas as seguintes complicações decorrentes da lipoaspiração: contornos irregulares depressão e saliência, hiperpigmentação cutânea, quelóide, flacidez e embolia pulmonar.

Considerações Finais
A partir do advento da lipoaspiração, o contorno do corpo tornou-se um dos procedimentos cirúrgicos estéticos mais comuns. Entende-se por complicação, resultados não satisfatórios obtidos a partir de cirurgia, tanto no plano estético como no funcional. As complicações em lipoaspiração identificadas neste estudo foram os contornos irregulares do tipo saliência e depressão, hiperpigmentação, flacidez e quelóide. Pelas queixas dos pacientes, notou-se que em sua maioria, correspondem a problemas de assimetria.
O contorno irregular – saliência pode ser explicado em razão de que ao proceder a sucção o cirurgião opta pela retirada de uma quantidade menor de gordura, uma vez que é mais fácil realizar a correção, ou retoque através da adoção de um procedimento secundário.

Por meio dos resultados da investigação é possível afirmar que o sucesso da maioria das cirurgias de lipoaspiração se deve à habilidade técnica do cirurgião, ao uso do instrumental adequado e aos cuidados pré e pós-operatórios. Sendo que a relação médico-cirurgião paciente é uma das variáveis que contribuem para o êxito da lipoaspiração.
Detectou-se também, por meio da investigação que os cuidados pré-operatórios, tais como uma criteriosa anamnese seguida de exames físicos e laboratoriais mostraram-se eficientes evitando o risco de complicações no pós-operatório. Com relação à técnica cirúrgica os passos atendidos corresponderam a: demarcação das áreas alvo, sedação endovenosa; antisepsia; infiltração de solução anestésica; posição na mesa cirúrgica, sutura; drenagem linfática e curativo.

De outra forma, a clínica, ofereceu as condições adequadas para realizar cirurgias de lipoaspiração uma vez que adota as normas técnicas de controle de infecção hospitalar as quais reduzem sobremaneira os riscos de infecção. Destaca-se que a cirurgia de lipoaspiração é eficiente para a gordura localizada, portanto, não é um tratamento de obesidade. Assim sendo, a lipoaspiração deve ser evitada em pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30%; nestes casos recomenda-se um regime ou dieta calórica até alcançar o peso ideal. A lipoaspiração é um ato cirúrgico e deve ser vista na sua forma mais complexa para resultar em êxito. Os aspectos importantes a serem considerados são: avaliação do contorno corporal como um todo; planejamento rigoroso da cirurgia, informando o paciente sobre as possibilidades e limitações da lipoaspiração; cuidados que permitam eficiência ao aspirar a gordura, evitando causar depressões (lipoenxertar quando for o caso); tratar a pele como uma estrutura viva que pode ser remodelada, atentando para a sua vascularização; usar de rigor absoluto nos curativos; recomendar e exigir a utilização de cinta com função remodeladora por três meses no pós-operatório; incentivar a paciente a praticar exercícios e promover uma mudança de hábitos Alimentares.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Ergonomia e competitividade no trabalho

1. Introdução

As mudanças tecnológicas e as novas técnicas de gestão dos negócios, têm causado várias alterações nos métodos e processos de produção. Para acompanhar estas mudanças, é necessário proporcionar aos funcionários/colaboradores condições adequadas para que estes possam exercer suas tarefas e atividades com conforto e segurança. Desta forma, é necessário projetar o posto de trabalho e, organizar o sistema de produção com concepção ergonômica.

Tendo como premissa que a conquista da qualidade dos produtos ou serviços e, o aumento produtividade, só será possível com a qualidade de vida no trabalho, o projeto ergonômico do posto de trabalho e do sistema de produção não é mais apenas uma necessidade de conforto e segurança, e sim, uma estratégia para a empresa sobreviver no mundo globalizado.

Os profissionais de Segurança e Medicina do Trabalho, (engenheiros de segurança do trabalho, médicos do trabalho, técnicos de segurança, enfermeiros do trabalho e fisioterapeutas), devem estar plenamente conscientes, capacitados e habilitados para utilizarem a Tecnologia Ergonômica em toda a sua plenitude (multidisciplinaridade e abrangência), para proporcionar as organizações empresarias e governamentais, meios de adequar ergonomicamente as condições de trabalho, como forma de proporcionar qualidade de vida no trabalho tanto em ambientes industriais, quanto em ambientes administrativos.

Neste artigo procuramos mostrar a história e evolução da ergonomia, a importância da ergonomia nos dias atuais e no futuro, bem como, a evolução dos enfoques ergonômicos dos projetos de postos de trabalho, e também, a abrangência específica de cada projeto com seu respectivo enfoque.

2. Considerações Gerais

Tendo em vista o processo de desenvolvimento pelo qual passa os setores industriais e de serviços em nosso país com o processo de automação e informatização, a adequação ergonômica dos postos de trabalho e do sistema de produção são necessidades imediatas.

Com o processo de globalização que estamos vivenciando, a empresa para sobreviver precisa tornar-se competitiva, portanto é necessário que ela modernize seus recursos técnicos (máquinas, equipamentos, ferramentas métodos e processos de produção), qualifique e capacite seus recursos humanos (funcionários / colaboradores) e proporcione boas condições de trabalho aos mesmos.

A produtividade e a qualidade do produto ou do serviço, está diretamente ligada ao posto de trabalho e ao sistema produtivo, e estes, deverão estar ergonomicamente adequados aos funcionários / colaboradores, para que estes possam realizar suas tarefas com conforto, eficiência e eficácia, sem causar danos a saúde física, psicológica e cognitiva.

Tendo como premissas que os profissionais da segurança e saúde do Trabalho, são os responsáveis pela pela gestão da qualidade de vida dos funcionários / colaboradores de uma empresa, portanto, devem interagir e integrar com os profissionais da gestão da produção e da gestão administrativa, para juntos vencerem os desafios do presente e planejar o futuro das organizações.

O futuro das organizações dependerá cada vez mais da criatividade e da participatividade dos funcionários/colaboradores na solução dos problemas e, isto só será possível, se o ambiente de trabalho estiver ergonomicamente adequado.

O que temos observado na maioria das empresas brasileiras, especialmente as empresas do setor industrial, é um total descaso para com as condições de trabalho e, consequentemente, com a qualidade de vida dos funcionários / colaboradores.

Somente em algumas empresas multinacionais ou transnacionais, como estão sendo denominadas atualmente , e em algumas grandes empresas nacionais, a Ergonomia esta sendo utilizada como ferramenta para melhorar a eficiência e eficácia dos funcionários / colaboradores nos postos de trabalho.

Vale salientar que a questão ergonômica em uma empresa não se restringe a realizar a Análise Ergonômica para atender a NR-17 de Ergonomia do Ministério do Trabalho, como muitos profissionais da área de Segurança e Medicina do Trabalho acretidam e conhecem e, muito menos, restrita a prevenção das LER/DORT.

A percepção restritiva e obtusa em relação ao carater multidisciplinar da Ergonomia pode ter contribuido (ou ainda estar contribuindo) para que muitos profissionais de Segurança e Medicina do Trabalho tenham ficado relegados em segundo plano em suas empresas, para as quais, os SESMETS não passam de centros de despesas e custos, portanto, não recebem investimentos e inovações.

Em nossa opinião, os profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho, necessitam conhecer melhor a ciência Ergonomia, e utilizar os recursos da Tecnologia Ergonômica em suas empresas, não só para proporcionar melhores condições de trabalho, mas também, contribuir para melhoria contínua dos novos métodos de gestão da produção e da gestão administrativa.

A Ergonomia deve estar presente nas mais diversas áreas da empresa, especialmente nos SESMETS e que deverá estar interagindo e se integrando na Gestão da Qualidade, pois a busca da Qualidade Total, passa necessariamente pela Qualidade de Vida no Trabalho.

3. Breve Histórico da Concepção Ergonômica de Posto de Trabalho

Historicamente o projeto do posto de trabalho surgiu antes da Ergonomia, ou seja, surgiu com o trabalho, e este, como sabemos, é tão antigo quanto a humanidade.

A Ergonomia como ciência teve suas origens em estudos e pesquisas na área da Fisiologia do Trabalho, mais especificamente na fadiga e no consumo energético provocado pelo trabalho. Estes estudos tiveram como objetivo diagnosticar os problemas que causavam a fadiga no trabalho e, consequentemente, procurar soluções que pudessem eliminar e / ou minimizar a fadiga no trabalho.

Na Inglaterra, durante a I Guerra Mundial (1914 à 1917), fisiologistas e psicólogos foram chamados para colaborar no setor industrial, como recurso para aumentar a produção de armamentos com a criação da Comissão de Saúde dos Trabalhadores na Indústria de Munições, em 1915. Com o fim da guerra, esta comissão foi transformada no Instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que, por sua vez, realizou diversas pesquisas sobre o problema da fadiga na indústria.

Em 1929, com a reformulação do Instituto de Pesquisa da Fadiga Industrial, que se passou a chamar Instituto de Pesquisa Sobre Saúde no Trabalho, o campo de atuação e abrangência das pesquisas em Ergonomia foi ampliado. Nele foram realizados pesquisas sobre posturas no trabalho e suas conseqüências, carga manual e esforço físico, seleção e treinamento de trabalhadores, bem como, foram analisados as conseqüências das condições ambientais ( iluminação, ventilação e etc.) na saúde e no desempenho do indivíduo no trabalho, delineando deste então a necessidade de agregação de conhecimentos interdisciplinares ao estudo do trabalho.

Na II Guerra Mundial (1939 à 1945), com a utilização de equipamentos e instrumentos bélicos, de concepção complexa e de alta tecnologia, exigia dos operadores habilidades acima de suas capacidades e em condições ambientais desfavoráveis e tensas no campo de batalha.

Em função do elevado número de problemas encontrados decorrentes da inadequação ergonômica nos projetos de design dos equipamentos, instrumentos, painéis e consoles de operação, os esforços foram redobrados para adequar estes produtos as necessidades operacionais, a capacidade e limitações dos usuários (pilotos, controladores e operadores), objetivando a melhoria no desempenho, redução da fadiga e dos acidentes.

Nascia ai as primeiras aplicações práticas da ergonomia na concepção de projetos de design de produtos e postos de trabalho.

O projeto de design do posto de trabalho torna-se ergonômico na medida em que os conhecimentos científicos relativos ao homem são utilizados na concepção do projeto de design, com vistas a reduzir a fadiga física, facilitar a operação dos equipamentos e instrumentos, proporcionar segurança, eficiência e eficácia.

Nos dias atuais o que estamos percebendo é que a maioria dos problemas ergonômicos estão exatamente onde sempre estiveram, ou seja, no projeto das máquinas, dos equipamentos, das ferramentas, do mobiliário e do posto de trabalho e, evidentemente, agravados pelas inadequações relativas a organização do trabalho.

Desta forma, se não houver a adaptação ergonômica do projeto do posto de trabalho os problemas ergonômicos continuarão a existir. Estes problemas podem ser minimizados com ações paleativas (ginástica laborativa, pausas durante a jornada de trabalho, redução da jornada de trabalho, rotatividade de tarefas e etc. ), mas, jamais eliminados em sua totalidade, pois com estas ações, não se combate a causa, e sim o efeito. Por este motivo, é que se deve aplicar os conhecimentos ergonômicos na concepção do projeto dos postos de trabalho, das máquinas, das ferramentas, do mobiliário e, até mesmo no planejamento da organização do trabalho.

4. ERGODESIGN: O Projeto Ergonômico do Posto de Trabalho

Posto de Trabalho: é definido como a menor unidade produtiva em um sistema de produção. O posto de trabalho envolve o homem, seu local de trabalho, e toda ajuda material que o indivíduo necessita para realizar suas tarefas, abrangendo: máquinas, ferramentas, equipamentos, mobiliário, softwares, sistemas de proteção e segurança, EPIs e o próprio sistema de produção. O projeto do posto de trabalho tem basicamente dois enfoques historicamente conhecidos; o enfoque taylorista e o enfoque ergonômico tradicional e, com o advento da automação, informatização e dos novos sistemas de gestão dos negócios, estamos conceituando neste artigo o enfoque ergonômico global. A seguir apresentamos a definição e a abrangência dos enfoques ergonômicos dos postos de trabalho:

Enfoque Taylorista: é baseado no estudo dos movimentos corporais para realizar uma tarefa e no tempo gasto em cada um desses movimentos. O melhor método de trabalho é escolhido pelo menor tempo consumido na realização das tarefas. O enfoque taylorista não leva em consideração as características físicas e psicológicas dos usuários / operadores, muito menos, as necessidades individuais dos mesmos.

Enfoque Ergonômico Tradicional: é baseado no princípio da redução das exigências biomecânicas no intuito de minimizar a fadiga física, ou seja, leva em consideração os limites e capacidades do indivíduo do ponto de vista da biomecânica ocupacional e, as características antropométricas dos usuários / operadores. No enfoque ergonômico tradicional, o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo humano, visto que este trata apenas dos fatores físicos do posto de trabalho. O enfoque ergonômico tradicional é aplicado na concepção e/ou adaptação de postos de trabalhos tradicionais.

Enfoque Ergonômico Global: segue os mesmos princípios do enfoque ergonômico tradicional, abrangendo ainda os aspectos psicológicos e cognitivos do indivíduo, bem como, os sistemas de produção (incluindo os hardwares e softwares). No enfoque ergonômico global, o posto de trabalho é considerado um prolongamento do corpo e da mente humana, pois trata além dos fatores físicos do posto de trabalho, os aspectos cognitivos (na interface homem x máquina e processo de produção ), bem como, as relações pessoais e motivacionais no ambiente de trabalho. O enfoque ergonômico global é aplicado na concepção e / ou adaptação de postos de trabalho e/ou ambientes de trabalho informatizados e automatizados em ambientes industriais e administrativos.

5. O Projeto Ergonômico: Tipos e Abrangência

Apresentamos a seguir, os tipos e abrangência dos projetos tanto no seu enfoque ergonômico tradicional, quanto no seu enfoque ergonômico global.

5.1 Projeto Ergonômico de Posto de Trabalho Tradicionais
Nos postos de trabalho tradicionais considera-se apenas os aspectos antropométricos (dimensões adequadas aos usuários de uma determinada faixa de estatura) e os aspectos biomecânicos (posturas, movimentos corporais, esforços físicos, alcances visuais, etc.).

5.2 Projeto Ergonômico de Posto de Trabalho Global
Nos postos de trabalho informatizados e automatizados considera-se, além dos aspectos antropométricos e biomecânicos, os aspectos psicológicos e cognitivos no trabalho, bem como, os aspectos operacionais (métodos e processos de produção, softwares, etc.), os aspectos organizacionais (normas de produção, horários, pausas, etc.) e ainda os aspectos ambientais ( iluminação, ruído, temperatura, ventilação, qualidade do ar, e etc. ). O enfoque ergonômico global funciona como um processo de engenharia simultânea para desenvolvimento do projeto ergonômico, onde tudo se integra e interage.

6. Objetivos do Projeto Ergonômico

Qualquer que seja a abrangência e enfoque do projeto ergonômico do posto de trabalho, estes devem atingir os seguintes objetivos:

- Adequar o posto de trabalho aos limites e capacidades do indivíduo (física, psicológica e cognitivamente).

- Otimizar as condições de trabalho para conquistar eficácia, eficiência, produtividade e qualidade.

- Proporcionar condições para desenvolvimento da criatividade e participatividade dos funcionários/colaboradores.

- Evitar o erro humano, prevenir acidentes e doenças ocupacionais;

- Proporcionar conforto, segurança, qualidade de vida, bem-estar e satisfação no trabalho.

7. Conclusão

As empresas que tem como meta tornarem-se competitivas para sobreviver no mercado globalizado, devem se utilizar da Ergonomia como estratégia para otimizar as condições de trabalho e diminuir as influências nocivas a saúde física e mental dos funcionários / colaboradores, e também, proporcionar meios para que estes possam ser criativos e participativos em suas organizações.

Os profissionais de segurança e saúde do Trabalho, devem se preparar para os problemas do presente e se capacitar para os desafios do futuro, onde a Ergonomia será sua principal ferramenta para integração e interação com os setores produtivos e administrativos de suas organizações.
O projeto ergonômico do posto de trabalho (tradicional ou global) será uma necessidade do ponto de vista social pois leva em consideração a saúde física, psicológica e cognitiva do indivíduo), portanto de interesse dos governos; e do ponto de vista econômico (pois terá meios de produzir mais e com melhor qualidade), o que é de interesse da empresa e dos empresários.

Com a futura ISO 18.000 que trata de Saúde e Segurança, que em breve estará aportando em nosso país, exigirá das empresas um amplo programa de melhorias de condições de trabalho e de qualidade de vida no trabalho, e a Ergonomia, mais uma vez, será utilizada para suprir esta nova demanda, onde o projeto ergonômico do posto de trabalho será o foco central da questão.

Desta forma, a tecnologia ergonômica e o projeto ergonômico do posto de trabalho, deverá proporcionar uma contribuição importante aos governos e as empresas para harmonizar a relação entre o capital e trabalho, e também, será um ítem de vital importância para a melhoria da qualidade e da competitividade das empresas no mundo globalizado.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Fisioterapia melhorando respiração do pacinete oncologico

Uma complicação freqüente em pacientes acamados é a atelectasia, que é o fechamento parcial ou total do alvéolo com resultado de diminuição da capacidade funcional residual, da respiração superficial e diminuição dos movimentos ativos e mudanças de decúbito.

A atelectasia pode levar a hipoxemia e ao aumento de secreção, e pode ser prevenida com mudanças de decúbitos, incentivo da atividade voluntária e aumento da profundidade da respiração44.

A dispnéia é um sintoma comum, ocorrendo em 45 a 70% dos pacientes com câncer avançado, sendo definida como uma sensação subjetiva e desconfortável de falta de ar quando a demanda de oxigênio é maior que o suprimento. Este sintoma pode ser decorrente de alterações no parênquima pulmonar ou redução da trama vascular com aumento do espaço morto como resultado de quimioterapia, de excesso de secreção, descondicionamento físico, etc39, 45.

A sensação de falta de ar limita as atividades diárias do paciente como caminhar, subir escada, tomar banho, alimentar e se concentrar, dentre outros. Além dos aspectos fisiopatológicos da dispnéia, esta também sofre grande influência de componentes psicossociais, sendo que medidas objetivas como saturação de oxigênio, gasometria arterial, etc. nem sempre se correlacionam com a severidade da dispnéia. Os meios fisioterapêuticos para o manejo da dispnéia são exercícios de controle
respiratório, que auxiliam o paciente na sintomatologia e evitam a ansiedade durante um ataque dispnéico; orientações sobre gasto energético, diminuindo a demanda metabólica; o relaxamento, útil na diminuição da ansiedade e dos aspectos emocionais da dispnéia, e alívio da tensão muscular gerada pelo esforço respiratório45. Quando ocorre a queda da saturação para menos de 85% em ar ambiente, durante o repouso, a oxigenioterapia é indicada, podendo se valer de recursos como ventilação não-invasiva por pressão positiva intermitente (VNPPI), CPAP (pressão positiva contínua) ou BiPAP (pressão positiva com níveis alternados)46.

Outra complicação pulmonar em pacientes acamados é o acúmulo de secreção pulmonar devido à diminuição da movimentação do transporte mucociliar e enfraquecimento da tosse39. A fisioterapia respiratória atua em patologias pulmonares obstrutivas através de percussões, drenagem postural e manobras respiratórias como tosse assistida. Outro método útil para a mobilização de secreção pulmonar é o instrumento de oscilação expiratória (p.ex: Flutter®), que se utilizado
seqüencialmente por quatro semanas há a diminuição da viscoelasticidade do muco47.

O posicionamento é importante para o paciente acamado. A posição sentada aumenta os volumes pulmonares e diminui o trabalho respiratório dos pacientes. A posição em prono aumenta a capacidade residual funcional e a relação ventilação/perfusão, enquanto que as posições laterais, aumentam a ventilação e a mobilização de secreção pela ajuda da gravidade.

Técnicas de vibração e percussão auxiliam na higiene brônquica através da propagação de energia mecânica através da parede torácica48.Um modo de aumentar a efetividade da tosse é a
manobra chamada “huffing”, onde se orienta ao paciente criar uma base de suporte para os abdominais abraçando um travesseiro, solicita-se então a realização de três expirações com a boca aberta e então, segue-se à tosse39.
*Fisioterapia em cuidados paliativos
Revista Brasileira de Cancerologia 2005; 51(1): 67-77.74


Em alguns casos é necessário realizar a aspiração da secreção através de sonda. A realização da aspiração não deve ser sistemática e sim baseada na necessidade individual. A avaliação de ruídos pulmonares, agitação do paciente, diminuição da oximetria e mudanças do padrão respiratório são indicativos de acúmulo de secreção, no entanto nenhum parâmetro foi validado ainda49. Apesar de ser claro que aspiração remove as secreções das vias aéreas, esta também está associada ao desenvolvimento de hypoxemia, instabilidade hemodinâmica, lesões e hemorragias locais49, 48.
O uso de sedação tópica na sonda, pré-oxigenação e preparo profissional minimizam estas ocorrências48.


*Retirado do artigo: "O papel da fisioterapia nos cuidados paliativos a pacientes com câncer."
Physiotherapy on palliative care with cancer patients.

1 Fisioterapeuta especialista em Biologia Aplicada à Saúde, Universidade Estadual de Londrina.


Fonte: http://www.inca.gov.br/rbc/n_51/v01/pdf/revisao4.pdf( artigo na íntegra nesse endereço)

Uso do Ultrasom na Fisioterapia

O ultrasom é extensivamente utilizado pela fisioterapia americana e é muito popular entre os pacientes. Apesar de ser aparentemente limitado clinicamente e possuir literatura de efetividade clínica inconclusiva, o seu uso terapêutico vem se modificando internacionalmente. O ultrasom é extensivamente utilizado e combinado com outras modalidades de tratamento de lesões de tecidos moles. É creditado ao ultrasom possuir um efeito benéfico na redução da dor e estados inflamatórios, aumentando a mobilidade funcional reduzindo o tempo de recuperação.

Nos tratamentos de tecido mole onde é necessário um trabalho além de 2cm (ele alcança no máximo 5cm)de profundidade o ultrasom ainda é a melhor escolha, pelo seu efeito suavizante dos tecidos moles. Com a vantagem de ser indolor e prazeiroso, ganha das formas de tratamento manuais(compressão isquêmica) nos casos de dor ao toque ou massagem.

São dois tipos de ultrasom:

a. Ultrasom Pulsado.

Beneficios: massagem mecânica, dispersa os fluidos do edema, dispersa toxinas, provoca a quebra de calcificações.

b. Ultrasom Contínuo.

Beneficios: produz calor profundo na interface muscular, aumenta o fluxo de sangue para circular os nutrientes, reduz o espasmo muscular, elimina a formação fibrótica.

Efeitos fisiológicos do ultrasom:

Aumenta a taxa de metabolismo no tecido.

Aumenta a extensibilidade do colageno, aumenta o fluxo sangüíneo, e a cicatrização tecidual, aumenta o AM, diminuiu a sensibilidade de elementos neurais, alivia a dor e o espasmos musculares.

O ultrasom possui indicação nos tratamentos de lesões teciduais não agudas, tratamento de inflamação sub-aguda ou crônica, regeneração tecidual, bursites não agudas, capsulites adesivas, suavizando o tecido cicatricial, miosite e estados de irritação da raiz nervosa.

A sua contraindicação é epecífica para neoplasmas(cancer ativo), desordens circulatórias, útero gravídico ou sobre os ógãos reprodutores, áreas de inflamação aguda, feridas abertas, epifisitis de ossos em crescimento, acima ou sobre marcapasso. Evite usa-lo sobre áreas insensíveis, sobre fraturas não consolidadas, evite tratamentos na área sobre o cérebro, coração, olhos e ouvidos. É recomendado que se faça uso descontínuo do ultrasom após 10 a 12 tratamentos seguidos (um por dia) em uma única área do corpo restrita para evitar prováveis efeitos fisiológicos degenerativos.



Observação:

O ultrasom deve ser sempre aplicado com gel condutor de boa qualidade na face emissora do transdutor. Atualmente terapeutas americanos estão empregando nas clínicas de Fisioterapia e Chiropractic o uso de gel condutor congelante como: BIOFREEZE com ILEX, ANTARCTIC ICE, COOLANT GEL with ALOE VERA nas sindromes dolorosas de tendinites, artrites e dores musculares em geral com boa aceitação.




O Ultrasom no tratamento de tecidos moles.



As condições que melhor respondem ao tratamento através do ultrasom segundo a literatura americana são: distrofia muscular, hipermiotonia, pontos trigger ativos e latentes.



O protocolo para tratamento de pacientes através de ultrasom é observar em primeiro lugar qual a indicação do seu efeito: pulsátil ou contínuo? Em segundo lugar atentar para o grau de tolerância da intensidade do ultrasom no modo contínuo pelo paciente.



Os efeitos do ultrasom no modo contínuo são:

(1)A energia do ultrasom é convertida em calor no tecido superficial devido as ondas que chocam contra a resistência intra e intercelular.

Esta propriedade é única do ultrasom. O maior efeito do tratamento ocorre quando duas estruturas diferentes se encontram.

(2)As finas vibrações do ultrasom perfazem um efeito de micromassagem terapêutica para os tecidos

O ultrasom também pode alterar a estrutura do tecido cicatricial pela quebra das fibras de colageno com ação específica no cimento intersticial realinhando as fibras dobradas e cruzadas.

(3)O ultrasom possui vários efeitos químicos nos tecidos. Por exemplo, o ultrasom estimula extremamente os ions de cálcio das células, aumenta a troca gasosa e a oxidação, e liquefaz algumas células gelatinosas.

(4)As ondas do ultrasom podem induzir a absorção de exudatos e precipitatos assim como drena o edema.

(5)O ultrasom pode inibir o impulso condutivo das fibras nervosas do tipo C.

(6)As ondas de ultrasom podem também causar microdestruição de depósitos tissulares como os hematomas calcificados e suas proliferações ósseas.

E por último mas não menos importante, as ondas de ultrasom podem incentivar a produção de encefalina produzindo um efeito sedativo.



De uma maneira geral internacionalmente a administração do ultrasom no modo contínuo vem sendo preferível ao modo pulsátil quando tratamos de síndromes miofasciais, tendinosas e ligamentares pois os efeitos do ultrasom e sua indução ficam minimizadas quando utilizamos o modo pulsátil.



Pois para garantir um efeito terapêutico com ultrasom utilizando o modo pulsado(exceto no edema) isto requer um prolongado tempo de aplicação.



Outro ponto importante, incluem o posicionamento do paciente confortavelmente para que se possa adotar uma posição de alongamento passivo do tecido mole a ser tratado, entretanto a posição que o paciente assume deve permitir que o músculo a ser tratado esteja relaxado, em posição de leve grau de alongamento acessivel para o ultrasom.

O tempo de exposição ao ultrasom deve ser de 4 a 5 minutos, usando movimentos circulares com o transdutor do ultrasom.

O transdutor não deve ser movido muito rápido, mas na velocidade de 3 a 5 cm/segundo. A intensidade deve ser sempre ajustada de acordo com o conforto do paciente. A sensação de aquecimento local no modo contínuo determina um ótimo efeito.



Se o paciente percebe um excessivo calor, a intensidade do ultrasom deve ser diminuida. As ondas de som quando muito intensas para cada paciente individualmente podem ativar o mecanismo nociceptivo na faixa muscular isto poderá causar um efeito de dor no local e irradiada, então novamente a intensidade deve ser diminuida.

O calor aumenta a circulação sangüínea pela redução dos impulsos vasoconstritivos simpáticos nos tecidos moles.

Revisão:
Observe sempre os principios dos tratamento usando ultrasom no tratamento dos tecidos moles. Se os resultados forem inefetivos, citamos (a reportagem americana) algumas razões comuns:

(1) Uso do ultrasom em modo pulsátil e não contínuo.

(2) Movimento do transdutor(cabeça) muito rapidamente falhando para cobrir a área de tratamento.

(3) falha ao posicionar o paciente em contração muscular(contraindicada) durante a aplicação do ultrasom.

Procure sempre o refinamento de suas técnicas de aplicação do ultrasom.

Ação do Laser na Fisioterapia

A Fisioterapia, assim como várias especialidades médicas, vem mostrando nos últimos anos grandes resultados na utilização do laser como recurso terapêutico. Quando nos referimos à Fisioterapia, o Laser utilizado é o LBP (Laser de Baixa Potência).

A palavra laser é um acrônimo com origem na língua inglesa: Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation (Amplificação de Luz por Emissão Estimulada de Radiação). É uma radiação eletromagnética não ionizante, diferente da luz fluorescente ou da lâmpada comum, promovendo efeitos a partir da interação da luz com o tecido, influenciando as respostas celulares tais como estimulação ou inibição de atividades bioquímicas, fisiológicas e proliferativas, além de ter efeito de biomodulação.

Por meio destes mecanismos, podemos obter respostas terapêuticas como efeitos analgésico, antiinflamatório, antiedematoso e cicatrizante. É importante salientar que todas as respostas citadas dependem do tipo de laser utilizado, do comprimento de onda e da dosimetria empregada, fatores que podem variar de acordo com o processo patológico.

Dessa forma, a utilização do laser de baixa potência em Fisioterapia apresenta várias indicações tais como: traumatismos, tendinites, mialgias, neurites, artrite reumatóide, artralgias, paralisia facial, feridas abertas, úlceras varicosas e dor orofacial, entre outras

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Patologias Respiratórias em Neonatos

Doença da Membrana Hialina
É uma doença relacionada a deficiência de surfactante pulmonar, resultando em atelectasia, redução da capacidade residual funcional, hipóxia e dificuldade respiratória. A medida que a atelectasia aumenta, os pulmões tornam-se cada vez mais difícil de se expandirem e a complacência pulmonar diminui consideravelmente. Em contra partida, como a caixa torácica do RN prematuro é muito complacente, ele tenta superar a complacência reduzida do pulmão com pressões inspiratórias crescentes, gerando retrações na parede do tórax. Isto resulta em troca de ar precária, aumento do espaço morto fisiológico, hipoventilação alveolar e hipercapnia. Um circulo vicioso de hipóxia, hipercapnia e acidose atua sobre as células do tipo II, reduzindo ainda mais a síntese de surfactante em alguns casos agindo sobre as arteríolas pulmonares, produzindo hipertensão pulmonar.

Os sinais e sintomas iniciais compreendem:
- Dificuldade de iniciar a respiração normal
- Gemido respiratório, quando o RN não está chorando
- Retrações esternais e intercostais
- Cianose em ar ambiente
- Batimentos de asas de nariz
- Taquipnéia
- Ausculta pulmonar com diminuição da entrada de ar
- RX aspecto retículo granuloso, em vidro fosco, com broncongramas aéreos

O tratamento consistem em:
- Colocar o RN em ambiente termoneutro para reduzir as necessidades de oxigênio e a produção de CO2
- Providenciar o acesso venoso para satisfazer as necessidades hídricas e calóricas
- Iniciar nutrição parenteral precoce para evitar desnutrição
- Adequada assistência respiratória
- Controle gasométrico e monitorização da saturação de O2
- Uso de surfactante quando necessário


Bronquite Obliterante
Essa doença consiste em obstrução das vias aéreas determinada pela grande quantidades de tecido de granulação que é produzido através de mecanismos de reparo de quando os bronquíolos e vias aéreas menores são lesados. No decorrer do tempo, as luzes das vias aéreas são obliteradas com massas nodulares de granulação e fibrose. A síndrome também esteve associadas às doenças dos tecidos conjuntivo, e relatou-se que algumas drogas também poderiam desencadear. Em crianças a maioria dos casos está temporariamente relacionadas a uma infecção pulmonar.
Inicia-se com tosse, dificuldade respiratória e uma possível cianose . Estes sintomas ocorrem más, podem se seguidos pôr breve período de melhor aparência. A radiografia de tórax, freqüentemente, sugere tuberculose miliar. Pode-se observar um infiltrado difuso mais inespecífico.

Não existe nenhum tratamento específico. A anatomopatologia sugere um quadro fibrótico progressivo que teoricamente poderia ser retardado pela terapia com corticosteróides.

Taquipneia Transitória do Recém Nascido
Uma taquipnéia inexplicável, ou desconforto respiratório, ocorre freqüentemente em recém nascido a termo e prematuros. Na radiografia do tórax, quase sempre se observa uma densidade peri-hilar aumentada, com líquido o espaço pleural ou na pequena cissura. A absorção retardada do líquido pulmonar fetal foi sugerida como um fator etiológico. È possível que outros fatores tais como: aspiração de líquido aminiótico e muco, possam responder pela evolução clínica e radiológica.

Não há tratamento específico e o desconforto respiratório é auto limitado, quase sempre resolvendo-se em 24 a 72 horas. A conduta consiste em monitorizar as freqüências cardíacas e respiratórias e suspender alimentação a fim de evitar a aspiração, até que melhore a taquipnéia.

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