segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Saiba como a RPG pode previnir lesões durante seus treinos

Nos últimos anos, o treinamento de um atleta de alto rendimento ganhou mais um aliado para a melhora de sua performance.

A fisioterapia iniciou dentro do esporte com o objetivo de tratar lesões adquiridas pelos atletas durante os treinamentos e competições. Porém, com o desenvolvimento de novas técnicas e protocolos, a fisioterapia passou a ter um papel fundamental na prevenção dessas lesões.

De acordo com a minha experiência na clínica Dr. Fisio com atletas de diferentes modalidades, a RPG (Reeducação Postural Global) é muito utilizada como uma forma de prevenção de lesões e conscientização corporal de atletas, que apresentam em comum uma carga de treinamento acentuada. Entre eles temos, nadadores, triatletas e maratonistas principalmente.

A maioria dos atletas que procuram os serviços de um fisioterapeuta, relata alguma dor que limita o treinamento. Geralmente a dor pode ser tratada e o atleta volta ao treinamento. Porém em um curto espaço de tempo esse mesmo atleta retornava ao consultório com a mesma queixa.

Dessa forma, a RPG possibilita um trabalho onde ao mesmo tempo que a dor é tratada, o corpo também ganha um cuidado especial.

A RPG é uma ferramenta importante na prevenção das dores e lesões musculoesqueléticas, pois a maioria dessas lesões ocorrem por uma biomecânica irregular.

As principais alterações posturais são: anteriorização de cabeça, protusão de ombros, hiperlordose lombar, rotação interna ou externa de membros inferiores, encurtamento de musculatura posterior de membros inferiores e tornozelo valgo ou varo.

Essas alterações são analisadas durante avaliação no consultório e treinamento de cada atleta. Depois de coletados os dados, é traçado um perfil de cada atleta e iniciado um trabalho com segurança.

O atleta aprende a utilizar toda a sua capacidade pulmonar e manter uma postura mais próxima do ideal, para que durante seus treinos, diferentes grupos musculares trabalhem em harmonia evitando assim desvios posturais e desgastes articulares.

O tratamento leva em média 6 meses dependendo da capacidade de aprendizado de cada atleta e tem como objetivo proporcionar uma melhora na qualidade de treinamento e vida.

Crioterapia nas lesões ortopédicas: revisão


Knight [1], define crioterapia como "terapia com frio" a aplicação terapêutica de qualquer substância ao corpo que resulte em remoção do calor corporal, diminuindo, assim a temperatura dos tecidos.

    As primeiras utilizações de frio com neve e gelo natural foram feitas pelos antigos Gregos e Romanos para tratar uma variedade de problemas médicos. Muitos livros antigos foram escritos sobre a crioterapia no inicio do século XIX e, em 1835, a aplicação de compressas geladas em ferimentos inflamados era bastante popular.

    Segundo Knight [1], hoje a crioterapia é utilizada por vários profissionais da área da saúde na prevenção e reabilitação de várias patologias.

    Prentice [2], relata que a crioterapia é mais eficiente na fase aguda do processo de cura, imediatamente após a lesão, causando uma diminuição de temperatura do tecido que é a meta terapêutica.

    Low & Reed [3], Andrews et al. [4] e Starkey [5], relatam que as modalidades frias terapêuticas produzem seus efeitos conduzindo moléculas mais quentes e de energia mais alta dos tecidos corpóreos para as moléculas mais frias e de energia mais baixa da modalidade, para a qual transferem sua energia. Isso remove energia térmica dos tecidos corporais, esfriando dessa forma os tecidos.

    De acordo com Low & Reed [3], Andrews et al. [4], Starkey [5] e Rodrigues [6], para que esta troca de energia ocorra, deverá estar relacionada com os diferentes métodos de aplicação, tempo de aplicação do resfriamento, temperatura inicial da técnica utilizada, diferença de temperatura entre o agente de resfriamento e os tecidos, localização do tecido e a profundidade do músculo com relação a superfície.

    Starkey [5], relata que para obter os benefícios terapêuticos, a temperatura da pele deve cair para aproximadamente 13,8º C para que ocorra a redução ideal do fluxo sangüíneo local, e para cerca de 14,4º C para que ocorra a analgesia.

    Andrews et al. [4], relatam que água, músculo e osso possuem condutividade térmica que permitem o esfriamento dos tecidos após uma aplicação fria tópica. Entretanto, a gordura é um excelente isolante, com uma condutividade térmica, menor que a metade daquela do músculo ou do osso e quase um terço daquela da água.

    Segundo Gould III [7], o esfriamento prolongado diminui a sensibilidade nas fibras nervosas rápidas e lentas. A sensação da temperatura é transmitida pelas terminações nervosas encapsuladas da pele para a medula espinhal principalmente pelas fibras nervosas não mielinizadas para os receptores do frio. A sensação da temperatura é a seguir transmitida pelo trato espinotalâmico lateral até os centros superiores. Existem duas partes do hipotálamo que estão envolvidos com a termorregulação. O hipotálamo anterior inicia a sudorese e a vasodilatação cutânea quando a temperatura está elevada. A diminuição da temperatura corporal leva a um estímulo no hipotálamo, que inicia a vasoconstrição periférica, produzindo calafrios e o aumento das atividades viscerais.

    Guirro & Guirro [8], salientam que com a utilização da crioterapia é possível notar uma onda de sensações como, formigamento, cócegas, frio, dor e a perda da sensação tátil.

    A crioterapia quando aplicada no corpo humano desencadeia inúmeras respostas fisiológicas. Essas respostas variam bastante de acordo com a situação na qual está sendo usadas, podendo apresentar aumento da rigidez tecidual, melhora da propriocepção, vasoconstrição, diminuição da taxa de metabolismo celular, diminuição da produção dos resíduos celulares, diminuição da inflamação, diminuição da dor, diminuição do espasmo muscular, diminuição no sangramento e/ou edema no local do trauma, diminuição da espasticidade, alterações na fibra muscular, estimulação da rigidez articular, diminuição da temperatura intra-articular, redução do metabolismo articular e da atividade das enzimas degradantes da cartilagem, diminuição na velocidade de condução nervosa, liberação de endorfinas, diminuição na atividade do fuso muscular, diminuição na habilidade para realizar movimentos rápidos, o tecido conjuntivo torna-se mais firme, a força tênsil diminui, relaxamento, permite a mobilização precoce, aumenta a ADM, redução da inflamação, redução da circulação e quebra do ciclo dor-espasmo-dor [4,5,6,9].

    De acordo com Kitchen & Bazin [10], a redução da dor que acompanha o resfriamento, pode dever-se a fatores diretos ou indiretos, como a redução do edema e uma diminuição do espasmo muscular. A elevação do limiar da dor ocorre imediatamente em seguida ao tratamento, mas declina dentro de 30 minutos, esta elevação de limiar pode dever-se a um efeito direto sobre as terminações nervosas sensitivas e as alterações na ação dos receptores e fibras da dor. A condução pelos nervos periféricos fica retardada pelo frio e as fibras variam em sua sensibilidade, de acordo com seu diâmetro e pela sua mielinização. O frio também pode ser utilizado como contra-irritante, funcionando através do mecanismo de portão da dor.

    Cailliet [11], descreve os três possíveis mecanismos da eficácia do frio local que são a adaptação do receptor, um efeito contra-irritante e um efeito neurogênico.

    Low & Reed [3], relatam que a dor pode ser aliviada pela aplicação do frio de diversas maneiras. A redução do edema e diminuição na liberação de irritantes que induzem a dor é uma delas. Outra é um efeito direto na condução dos receptores e neurônios da dor, reduzindo a velocidade e o número dos impulsos que ocorre apenas na pele e então somente se a temperatura for muito reduzida. É impossível que as fibras C não mielinizadas possam ser afetadas já que se tem mostrado que continuam a conduzir sob temperatura bem baixas. As fibras A delta pouco mielinizadas que conduzem a dor "rápida" bem delineada da pele poderiam ser mais suscetíveis. Contudo, a dor decorrente de lesão dos tecidos poderia ser transmitida pelas fibras C e essa é a dor que geralmente está sendo tratada.

    Low & Reed [3], mostram que a rapidez do efeito do frio sobre a dor sugere que esse pode agir como outro estímulo sensorial no mecanismo de comporta da dor e como os estímulos de frio são bastante intensos eles podem levar à liberação de endorfinas e encefalinas com o mesmo mecanismo.

    Prentice [2], relata que é possível também que o gelo bombardeie as áreas dos receptores centrais de dor com tantos impulsos frios que aquele de dor são inibidos conforme a teoria das comportas para controle da dor.

    De acordo com Andrews et al. [4], foi especulado também que o frio alivia a dor através do mecanismo de controle das comportas por interferir na transmissão dos impulsos dolorosos ao nível dos neurônios de segunda ordem localizados no gânglio da raiz dorsal da medula espinhal. As modalidades frias aliviam a dor por tornarem mais lentos e reduzirem o número de impulsos dolorosos enviados pelos nervos periféricos e por interferirem na transmissão desses impulsos para o cérebro.

    O gelo reduz a dor ao estimular os termorreceptores, que transmitem proximamente a mensagem para o corno dorsal e podem agir inibindo a transmissão de impulsos dolorosos pela teoria do controle das portas [12].

    Delisa [13], relata que a analgesia pode ser conseguida em sete a dez minutos com a maioria dos pacientes relatando sucessivas sensações de frio, queimação, algia e dormência. Embora os agentes químicos e refrigeradores possam ter temperatura, inferiores a 0º C, e possam produzir queimaduras pelo frio, tratamentos pelo frio de pessoas saudáveis por períodos de menos de 30 minutos parecem não causar lesões.

    O efeito analgésico do frio é provavelmente um dos seus maiores benefícios, isto, ocorre devido a diminuição da velocidade de condução do nervo, embora não elimine totalmente [2].

    Podendo levar a neuropraxia e a axoniotmese, a transmissão pode ser reduzida em até 29,4% após uma aplicação fria de 20 minutos, com a condução continuando deteriorada até certo ponto por 30 minutos após ter sido removido a modalidade fria [5,6].

    O frio deprime a excitabilidade das terminações nervosas livres e das fibras dos nervos periféricos que aumenta o limiar de dor. Aplicações frias podem também aumentar o controle voluntário em condições espasmódicas, e em condições traumáticas agudas elas podem diminuir os espasmos dolorosos que resultam da irritabilidade local dos músculos [2].

    Segundo Starkey [5], ao estimular os neurônios de grande diâmetro, o frio inibe a transmissão da dor, atuando como um contra-irritante. Os eventos sensoriais associados com a aplicação de uma modalidade de frio estimulam os nervos de grande diâmetro a reduzir a transmissão e percepção da dor. Fisiologicamente, a transmissão de impulsos nocivos é reduzida quando diminui a excitabilidade das terminações nervosas livres, resultando em aumento do limiar da dor, os nervos mielinizados de pequeno diâmetro são os primeiros a apresentar uma mudança na sua velocidade de condução os últimos a responder a temperaturas frias são os nervos amielinizados de pequeno diâmetro. Em tratamento com período de duração e intensidade normais, a velocidade de condução nervosa exibe a maior redução imediatamente após a aplicação de gelo. Se a temperatura do tecido continuar a diminuir, ou se o tratamento continuar por períodos de tempo prolongado a velocidade de condução nervosa cairá a tal ponto que os nervos não podem mais transmitir impulsos.

    As lesões dos tecidos moles nos estágios iniciais ocorrem alterações inflamatórias em uma seqüência bem identificada. A gravidade depende da lesão. A quantidade de dor está relacionada com a velocidade com que ocorrem o edema e a irritação química. O resfriamento diminui a taxa de edema e a produção de irritantes e desse modo alivia a dor. A compressão e a elevação do segmento também limitam a formação do edema [3].

    Eventos que danificam as estruturas ou função do tecido, alterando a capacidade da célula de realizar seus mecanismos homeostáticos normais, ocasionam a resposta inflamatória. O trauma é uma das causas desse dano tecidual [14].

    Portanto o tratamento inicial de lesões traumáticas pode ser definido pelo acrônimo: proteção, repouso, gelo, compressão e elevação [3,7,15].

    A aplicação deste acrônimo favorece a diminuição da dor, limita o edema e evita o agravamento da lesão. Cada componente exerce um papel no aumento do conforto e na aceleração da recuperação do local lesionado [15].

    Segundo Rosa et al. [14], os estágios iniciais da inflamação são caracterizados por mudanças vasculares. Imediatamente após a lesão, ocorre uma vasoconstrição local, que dura de 5 a 10 minutos. A vasoconstrição é seguida por vasodilatação ativa de todos os vasos locais pequenos e por fluxo sangüíneo aumentado. Este fenômeno possibilita o processo de diapedese dos neutrófilos para os espaços teciduais, porém junto com essa vasodilatação para a diapedese extravasa mais líquido, o que caracteriza o aumento do edema. A ação do frio durante o tratamento imediato nas lesões agudas reduz o tempo de reabilitação e promovem um retorno mais rápido as atividades físicas. Estes efeitos são denominados pelas variáveis, redução da inflamação, redução da hipóxia secundária, diminuição do edema e hematoma, redução do limiar de transmissão nervosa e redução do metabolismo podendo dar início ao processo de reparação mais rapidamente e com um menor tempo para a reabilitação.

    O gelo ou o frio aplicados aos tecidos inflamados, intervêem no ciclo transudato exsudato, reduzindo os níveis de fluido do transudato e de taxa metabólica, o frio também diminui a sensibilidade dos tecidos, permitindo os exercícios ativos e passivos que retiram mecanicamente o exsudato e o transudato dos tecidos [11].

    A inflamação pode ser dividida em aguda ou crônica, dependendo da duração, tendo a inflamação aguda uma redução desde poucos minutos até poucos dias, e a crônica duração de semanas ou meses. Com isso a quantidade total de tecido danificado pode aumentar e como o principal objetivo na fase inflamatória aguda é minimizar a hemorragia e tumefação, o uso da crioterapia é justificado [6].

    O frio é preferível durante o estágio agudo da inflamação, para o alivio da dor e, possivelmente, redução do edema. Devemos nos lembrar que o frio retarda o processo básico de cicatrização [10].

    Segundo Rosa et al. [14], inflamação caracteriza-se por vasodilatação dos vasos sangüíneos com conseqüente aumento do fluxo sangüíneo local, aumento da permeabilidade dos capilares com extravasamento de líquido para os espaços intersticiais, muitas vezes coagulação do líquido nos espaços intersticiais devido as quantidades excessivas de fibrinogênio e monócitos, edema tecidual. A intensidade do processo inflamatório é comumente proporcional ao grau de lesão tecidual.

    Estudos sobre a inflamação mostraram que a crioterapia mitiga, ativa ou prejudica o processo em diferentes situações. O frio pode estimular a inflamação mediada pelas prostaglandinas e inibir a inflamação que é considerada semelhante àquela induzida por meios traumáticos [4].

    Durante a resposta inflamatória aguda, após a lesão ao tecido, o frio reduz a dor e minimiza uma lesão secundária ao tecido. O alivio da dor se deve mais provavelmente a uma redução da velocidade de condução nervosa. A observação clinica e a investigação sugere que o frio diminui a lesão secundária que é a morte celular por hipóxia [15].

    Durante uma resposta inflamatória aguda, a perturbação dos capilares e a congestão devido a um edema diminuem a oxigenação de células saudáveis próximo ao tecido danificado. A hipóxia leva a morte celular. Assim, após a lesão músculo-esquelética, existe um período de dano tecidual adicional, ou lesão secundária devido a hipóxia [15].

    Starkey [5], relata que as alterações na função celular e na dinâmica sangüínea servem para controlar os efeitos da inflamação aguda. A aplicação de frio suprime a resposta inflamatória ao reduzir a liberação de mediadores inflamatórios, reduzir a síntese de prostaglandina e diminuir a permeabilidade capilar. A formação secundária do edema e hemorragia é reduzida em função de um efeito inibitório sobre os mediadores e da permeabilidade capilar reduzida.

    Limitando-se o grau de inflamação, inibem-se os efeitos dos componentes remanescentes quando se limitam os mediadores inflamatórios, reduz o grau de hemorragia e de edema, quando se diminui a pressão mecânica sobre os nervos, reduz a dor. A medida que o espasmo muscular e o edema são reduzidos existe menos congestão na área e a quantidade de morte celular secundária por hipóxia é limitada [5].

    Embora a crioterapia venha prestando inestimável auxílio, principalmente na presença dos característicos sinais e sintomas de uma inflamação aguda e processo álgico, nem sempre sua aplicação tem ocorrido de maneira adequada, o que pode ser em parte, por falta de pesquisas nessa área. Este trabalho tem por objetivo realizar um levantamento bibliográfico dos benefícios da crioterapia contribuindo assim para o seu melhor uso.


Método

    Foram pesquisados artigos e experimentos científicos, livros e sites com referencias no assunto, enfatizando a crioterapia no processo álgico e inflamatório. Utilizando como bases de dados: definição, objetivos, efeitos fisiológicos, mecanismos e técnicas de atuação e como descritores: crioterapia, analgesia, dor e processo inflamatório.


Discussão

    Enquanto a temperatura da pele pode ser mudada abrupta e acentuadamente com aplicação de frio, os tecidos mais profundos são resfriados bem menos e muito mais lentamente. Leva-se cerca de 30 minutos para baixar 3,5º C da temperatura de um músculo a uma profundidade de 4 cm. O tecido muscular localizado 2,5 cm pode levar até 20 minutos ou mais para cair 5º C [3].

    Guirro et al. [16], em sua revisão também concluíram que o gelo poderia ser útil para uma variedade de dores musculoesqueléticas, ainda que as evidências sobre sua eficácia precisem ser estabelecidas de forma mais convincente. Kitchen & Bazin [10], do mesmo modo constataram que apesar do gelo ser comumente aplicado e das evidências de seu efeito analgésico de curta duração, há uma completa ausência de experimentos que comparem gelo/frio com um grupo controle ou sem tratamento.

    Bolsas de gelo promovem uma queda de 20,3ºC, numa temperatura de contato de 0 a 3º C, após 3 minutos. Enquanto a massagem com gelo uma queda de 26,6ºC na temperatura do gelo de 2º C, após 10 minutos de aplicação [10].

    De acordo com Guirro et al. [17], recomenda-se aplicação do frio durante 20 a 30 minutos com intervalo de duas horas nos tecidos moles lesados. Aplicação deve ser realizada durante as primeiras 24 a 48 horas após a lesão para minimizar o edema, espasmo muscular e dor.

    Corrigan & Maitland [18], constataram que a temperatura intra-articular do joelho caía em média 4,9º C devido a uma aplicação de flocos de gelo aplicados por 30 minutos na frente do joelho. Esta temperatura intra-articular notavelmente baixa está associada com uma queda de 16,4º C da temperatura do joelho dessas pessoas normais. A escassez de gordura subcutânea sobre a articulação do joelho pode ser responsável pela temperatura intra-articulares mais baixa do que o esperado.

    Foi demonstrado que a temperatura intramuscular pode chegar até a atingir 2º C. As temperaturas intramusculares continuam a declinar depois da remoção do agente, e o resfriamento persiste por várias horas. A temperatura das articulações parece permanecer baixa em seguida a aplicação do frio, embora alguns pesquisadores tenham comunicado uma breve elevação inicial na temperatura [10].

    A diminuição da dor ocorre através da redução na velocidade de condução nervosa após a aplicação da crioterapia. A transmissão pode ser reduzida até em 29,4% após uma aplicação fria de 20 minutos, com a condução continuando deteriorada por até 30 minutos após ter sido removida a modalidade fria [4].

    Gould III [7], descreve que a bolsa de gelo é colocada sobre a região alvo e recoberta com uma toalha. Esta bolsa é aplicada por 10 a 20 minutos ou até que seja percebida uma leve dormência. O resfriamento local é aplicado de uma a quatro vezes por dia. Durante a fase aguda que tem sido definida como sendo 24 horas após a lesão até 72 horas, ou enquanto persistir o edema e o aumento de temperatura.

    Delisa [13], fala que com a aplicação do gelo a temperatura da pele inicialmente diminui rapidamente e em seguida mais lentamente aproximando-se de um equilíbrio em cerca de 12 a 13º C em 10 minutos. As temperaturas subcutâneas declinam mais lentamente e diminuem de 3 a 5º C em 10 minutos. Profundamente as temperaturas intramusculares diminuem menos e após 10 minutos tem perda de 1º C ou menos. Resfriamento por longos períodos geram resfriamento mais pronunciado com temperaturas intramusculares do antebraço diminuindo de 6 a 16º C após 20 minutos à 3 horas de resfriamento. Após decorrido as primeiras 48 horas o uso da crioterapia é de preferência, após esse período a utilização do gelo por 10 a 20 minutos pode ser utilizada para a diminuir a dor associada a exercícios ativos.

    Se o resfriamento for intenso 20 a 70º C negativos, o tecido é destruído como na criocirurgia. Durante as aplicações da medicina esportiva, o tecido em geral é resfriado a uma temperatura superficial de 1 a 10º C, a diminuição do metabolismo é o efeito mais importante da aplicação do frio no tratamento imediato porque limita hipóxia secundária da lesão. Outros efeitos são a diminuição do espaço muscular e dor [1].

    A aplicação de frio durante 20 a 30 minutos, repetida a cada duas horas é um uso eficiente e bem tolerado do frio no manejo das lesões musculoesqueléticas agudas [15].

    A aplicação do frio diminui a permeabilidade celular, o metabolismo celular e o acúmulo do edema e deveria ser continuada em aplicações de 5 a 45 minutos durante pelo menos 72 horas após o trauma inicial [2].

    A duração do tratamento varia de 15 a 30 minutos e ele pode ser repetido, se necessário. Em virtude dos efeitos duradouros com o frio as aplicações devem ser feitas com no mínimo duas horas de intervalo sendo utilizadas por 24 a 72 horas após a lesão aguda [5].

    Segundo Placzek & Boyce [12], a temperatura ideal para se obter os efeitos fisiológicos da crioterapia é de 15 a 25º C as mudanças de temperatura foram registradas até uma profundidade de 4 cm. Onde os pacientes com pouco tecido subcutâneo mostraram resfriamento mais significativo com um tempo de tratamento muito mais curto. Um tratamento de 5 minutos com massagem de gelo na extremidade inferior diminui a temperatura da pele em 20º C e a do tecido subcutâneo em 15º C. Já a temperatura muscular a uma profundidade a 2 cm é diminuída em 5º C e, a uma profundidade de 4 cm , em 4º C. O gelo utilizado na fase subaguda ou crônica tem como finalidade diminuir a dor e espasmo muscular o que pode permitir alcançar objetivos com mobilização articular, alongamento ou exercícios de reforço.


Conclusão

    Após a realização deste trabalho foi possível verificar que a crioterapia tem seus benefícios alcançados quando utilizada logo após a lesão sendo mantida durante a fase aguda, entre 24 a 72 horas. Após este período outros recursos são mais indicados e mais eficazes. O tempo de aplicação deverá variar de 15 a 30 minutos dependendo da situação e da técnica utilizada, oferecendo um intervalo de 2 horas entre cada aplicação.

    É necessário que estudos mais aprofundados sobre o tema sejam desenvolvidos para que se possa aproveitar ainda mais dos seus benefícios, principalmente em relação a temperatura e a técnica ideais. Com isso, os profissionais da área poderão proporcionar a seus pacientes melhor qualidade no tratamento e uma reabilitação mais precoce, possibilitando o retorno dos mesmos para suas atividades diárias e esportivas.

A relação entre alteração postural e lesões esportivas em crianças e adolescentes obesos


Resumo:

A prevalência da obesidade na infância e na adolescência é uma preocupação na área da saúde pública por

promover malefícios à qualidade de vida. Nesse contexto a atividade física e esportiva torna-se ainda mais importante

para a saúde desses jovens. No entanto, necessita de alguns cuidados ao ser administrada em crianças e adolescentes

obesos, uma vez que são mais suscetíveis a sobrecargas no sistema músculo-esquelético e, conseqüentemente, a lesões

osteomioarticulares. Dessa forma, esta revisão tem como objetivo abordar os desvios posturais na criança e no

adolescente obeso e suas possíveis relações com as lesões nas atividades físicas e esportivas.

Palavras-chave:
Obesidade, infância e adolescência, desvios posturais, lesões esportivas.
 
 

Fisioterapia e RPG na Barra

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Ciclismo como fisioterapia

O ciclismo pode ser uma excelente terapia para trabalhar certas lesões provocadas pela prática de algum outro tipo de modalidade esportiva, pois ajuda a manter o condicionamento físico e a tornar a musculatura mais forte.

A prática de andar de bicicleta trabalha os seguintes músculos: quadríceps, panturrilha, glúteos, posteriores da coxa (isquitibiais), entre outros.

Quando o desportista sofre alguma lesão, a primeira atitude é diminuir o impacto durante os treinamentos. Como no ciclismo não há impacto, o praticante pode trabalhar bem as articulações.

Além disso, pode-se melhorar a postura ao andar de bicicleta e também ajuda a aprimorar a capacidade do sistema cardiovascular.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Fisioterapia nos esportes

A área desportiva é, sem dúvida alguma, uma das especializações que mais crescem na área da fisioterapia. Hoje em dia, o esporte movimenta milhões de dólares e o cuidado com o atleta se tornou ferramenta de grande valia para clubes e agremiações.

Conseqüentemente, o investimento em profissionais altamente qualificados e especializados é inevitável. Atualmente, o fisioterapeuta da área desportiva deve ter conhecimento nas três áreas de atuação fisioterapêutica: primária, secundária e terciária.

Na fase primária, que envolve a prevenção de lesões, o fisioterapeuta deve ter conhecimento específico em Anatomia e Histologia Esportiva, Fisiologia do Exercício, bem como a Biomecânica e a Cinesiologia Desportiva, nas quais se estudam movimentos e forças atuantes nas estruturas osteomioarticulares do corpo humano; além de conhecimentos básicos de Farmacologia e Nutrição Esportiva, os quais são essenciais para conseguir identificar fatores que possam contribuir para trabalho preventivo.

O estudo das principais lesões esportivas e suas respectivas etiologias se torna imprescindível, tanto para um trabalho na fase primária, como na secundária, a qual atua no tratamento das afecções esportivas. Na fase terciária, objetiva-se a manutenção da performance atlética e a prevenção de recidivas de lesões. O uso de técnicas adequadas, aprimoramento tecnológico e a busca de conhecimentos científicos aliados à prática clínica devem ser os objetivos do fisioterapeuta atuante na área desportiva.

Assim sendo, o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Fisioterapia Desportiva da Unimep (um dos mais antigos, em funcionamento desde 1986) permanece como excelência no meio desportivo atual. A cada ano, são incorporados à sua grade curricular módulos importantes que suprem a necessidade do fisioterapeuta que ingressará em exigente e competitivo mercado de trabalho.

Nosso corpo docente é dotado de renomados professores, todos mestres ou doutores na área específica de cada módulo. Também como diferencial em nosso curso, o discente tem a oportunidade de estágio prático em Fisioterapia Desportiva, além de atuar no atendimento a atletas nos jogos regionais e abertos, por meio de um convênio firmado entre a Unimep e a Prefeitura Municipal de Piracicaba.

[vb]Sérgio Henrique Borin[/b] é coordenador do Curso de Especialização em Fisioterapia Desportiva da Unimep. E-mail: atendimentopos@unimep.br.

Doenças osteomusculares são as que mais afastam trabalhadores

 

As doenças osteomusculares e as de transtornos de humor são as que mais causam afastamentos do trabalho. Os dados foram levantados pelo Laboratório de Saúde do Trabalhador da Universidade de Brasília (UnB), que analisou 26 milhões de registros de trabalhadores ao INSS. De acordo com o ranking das doenças com mais afastamentos entre os anos de 2000 e 2004, as dorsopatias estão em primeiro lugar, em segundo os traumatismos do punho e da mão, em terceiro as tendinites e tenossinovites, em quarto os traumatismos de joelho e perna e em quinto, os transtornos de humor.

Os fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais têm papel fundamental na redução dessas doenças, já que atuam principalmente com a prevenção e a reabilitação. É comprovado que os atendimentos de fisioterapia e terapia ocupacional diminuem significativamente o absenteísmo, melhorando a produtividade do trabalhador, além de contribuir para a redução de gastos com internação e medicamentos e proporcionar qualidade de vida e bem-estar.

Os gastos do governo com auxílio-doença foram de mais de R$ 12 bilhões em 2005. Segundo o presidente do Crefito-3, Prof. Dr. Gil Lúcio Almeida, se o governo oferecesse meia hora de atendimento de fisioterapia e terapia ocupacional por ano a cada um dos brasileiros, pagando o piso salarial, ele gastaria R$ 2 bilhões, um valor muito menor do que os gastos com auxílio-doença. "Não temos a menor dúvida quanto à redução significativa da demanda por esses recursos de auxílio-doença se o governo implementar uma política ampla de oferta dos serviços dos profissionais da saúde", diz Prof. Dr. Gil.

O Crefito-3 tem recebido diversas denúncias de lesões ocorridas em funcionários que foram submetidos aos exercícios 'por atacado', conhecidos como ginástica laboral. Dr. Gil alerta os empresários para que façam avaliações fisioterapêuticas em seus funcionários antes de submetê-los a exercícios coletivos. "Primeiro é necessário fazer uma avaliação das condições neuro-músculo-esquelética de cada funcionário e avaliação ergométrica do espaço físico – mobiliários e equipamentos – onde ele exerce o seu trabalho. Somente a partir da análise desses dados é que os exercícios físicos devem ser prescritos e implementados", ressalta. O presidente do Crefito-3 garante que o fisioterapeuta com especialidade em ergonomia é o profissional melhor qualificado no mercado para efetuar essas avaliações, análises e intervenções.

A fisioterapia laboral possibilita uma intervenção individualizada, respeitando as necessidades de cada funcionário

A Acupuntura Como Recurso Para o Tratamento da Artrite

A artrite, um tipo de doença reumática, afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e é considerada uma das principais desordens de saúde da terceira idade, podendo mesmo incapacitar uma pessoa. Trata-se de um processo de inflamação das articulações que atinge com freqüência a terceira idade.

Existem mais de 100 tipos diferentes de artrite, todos relacionados com algum distúrbio ou inflamação, podendo atingir uma ou várias articulações. Freqüentemente, ocorre depois de um traumatismo.

Dois dos tipos mais comuns são a osteoartrite e a artrite reumática.

Uma terceira forma, também comum, é a gota, causada por depósitos de cristais de um catabolismo do organismo, o ácido úrico, nas articulações do doente.

A artrite reumatóide, a mais comum entre os pacientes da terceira idade, é acompanhada, normalmente, de muita dor. Como na velhice há uma diminuição da sensibilidade à dor, qualquer tipo de dor deve ser sempre valorizada.

Sintomas

Entre os sintomas da osteoartrite, podemos citar, principalmente, a inchação, dor, rigidez articular e, às vezes, a deformação das articulações, pele vermelha e brilhante sobre as articulações e limitação dos movimentos.

Por vezes, ocorre dormência nas mãos, perda de peso ou de apetite, febre ou uma sensação de mal-estar. Os quadris, os joelhos, a coluna vertebral e as mãos são as partes mais afetadas.

As cartilagens que revestem as extremidades ósseas que formam as articulações degeneram-se, tornando-se rugosas e estratificadas, fazendo com que os ossos rocem entre si e se desgastem quando as articulações se dobram. Os músculos e os ligamentos também ficam enfraquecidos.

Durante uma crise, os tecidos moles, os tendões e os ligamentos das articulações ficam inflamados. Geralmente, os pés e os dedos das mãos são os primeiros a ser afetados; depois, são os punhos, os joelhos, os ombros, os tornozelos e os cotovelos.

Causas

A maioria das causas da artrite é desconhecida, mas vários fatores, tais como hereditariedade, lesão e esforço nas articulações, podem favorecer o aparecimento dos sintomas. Sabe-se que as mulheres correm maior risco que os homens.

A artrite reumática também afeta mais as mulheres que os homens. Muitos terapeutas acreditam que certas formas podem estar associadas a um enfraquecimento do sistema imunológico, possivelmente desencadeado por uma alergia ou por infecções provocadas por vírus.

De acordo com especialistas em Homeopatia, Medicina Chinesa e Acupuntura, dores nas articulações geralmente representam a energia dos rins, e mesmo que o paciente apresente exames que sugerem atividade inflamatória, como é o caso da artrite e do reumatismo, no tratamento é necessário fortalecer este órgão.

Tratamentos

Os médicos convencionais do ocidente apenas podem tratar os sintomas da artrite. Suas receitas são de medicamentos para aliviar a dor e a inchação e fisioterapia para conservar as articulações flexíveis e fortalecer os músculos fracos. Em alguns casos, mais graves, as articulações artríticas podem muitas vezes ser substituídas por artificiais.

As substituições dos quadris são particularmente bem sucedidas. Também são receitados, em grande variedade, instrumentos auxiliares e aparelhos para ajudar as pessoas que têm artrite a manter sua independência, quando nenhum tratamento foi capaz de reverter o processo de desenvolvimento da doença.

Tratamento pela Acupuntura

São vários os tratamentos possíveis para a artrite na medicina convencional ocidental. No entanto, destacam-se os benefícios que a acupuntura pode trazer a esses pacientes, principalmente no que diz respeito ao alívio da dor e dos outros sintomas.

O fato de não haver efeitos secundários no tratamento com acupuntura, faz com que este método milenar seja preferido por muitos que estão cansados das medicações orais, cheios de contra-indicações e efeitos colaterais.

Há uma lista de doenças tratáveis pela Acupuntura, segundo a organização mundial de saúde publicada na revista A Saúde do Mundo, de dezembro de 1979, e a artrite está entre elas.

A acupuntura, além de atuar sobre a dor, também melhora a rigidez da articulação, o que produz ganhos para a função articular, onde é normalmente usada com eficácia.

Normalmente, após o diagnóstico, o médico especializado tratará os canais em desequilíbrio, via de regra concentrando-se nos meridianos do abdome, vesícula biliar, fígado, baço e estômago.

Pode-se aplicar moxibustão (queima de seda ou ervas aplicadas a pele) nos meridianos do abdome, bexiga, vesícula biliar e fígado.

Cabe lembrar, no entanto, que segundo estudos publicados pela Clínica Hong, a acupuntura funciona em cerca de 70 a 80% dos humanos e animais em que é utilizada. Já o efeito placebo é observado em aproximadamente 30% dos casos.

No entanto, alguns estudos científicos repudiam o uso da acupuntura, que é citada como "charlatanismo" em um artigo de Stephen Barret, MD. Ele cita um estudo realizado em 1990 por três epidemiologistas holandeses, que observaram 51 casos controlados de acupuntura para dor crônica e concluíram que "a qualidade mesmo dos melhores estudos provou ser medíocre... A eficácia da acupuntura no tratamento da dor crônica permanece incerta".

Riscos

Stephen alerta também para alguns riscos, que considera bastante significativos, do uso da acupuntura.

De acordo com o especialista, a acupuntura pode causar tonturas, hematoma local (devido ao sangramento por um vaso sangüíneo perfurado, perfuração no pulmão, convulsões, infecções locais, hepatite B (por agulhas não esterelizadas), endocardite bacteriana, dermatite de contato e dano a nervos.

"As ervas usadas pelos praticantes da acupuntura não são regularizadas quanto a segurança, potência ou eficácia. Também existe o risco que um acupunturista, cuja abordagem diagnóstica não seja baseada em conceitos científicos, falhe em diagnosticar um problema perigoso".

Entretanto, um estudo de cinco anos envolvendo 76 acupunturistas em instalações médicas japonesas tabulou somente 64 relatos de eventos adversos (incluindo 16 agulhas esquecidas e 13 casos de queda passageira da pressão arterial) associados com 55.591 tratamentos de acupuntura. Nenhuma complicação grave foi relatada.

Diante destes dados, os pesquisadores concluíram que reações adversas graves são incomuns entre os acupunturistas que receberam treinamento médico, o que leva à recomendação de que, na hora de buscar um tratamento com base na acupuntura, deve-se ter o cuidado de escolher um profissional que também seja graduado em uma boa faculdade de medicina

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL!!!

FELIZ NATAL PARA TODOS VOCÊS!

MUITA PAZ E AMOR!!!!

Sobre o Alzheimer

Sobre o Alzheimer
Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor


Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que....', frase que me dá arrepios.

Há trinta anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita... Hoje, precisaria ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos relatados por amigos e clientes em suas famílias.

O que está acontecendo?

Estamos diante de um surto de Alzheimer?Finalmente nossos hábitos de vida 'moderna' estão enviando a conta?

O que os pesquisadores sabem de verdade sobre a doença?

Qual é o lado oculto dessa manifestação tão dolorosa?

Lendo o material disponível, chega-se a uma conclusão: essa é uma doença extremamente complexa, camaleônica, de muitas faces e ainda carregada de mistérios.

Sabe-se, por exemplo, que há um componente genético. Por outro lado, o Dr. William Grant fez uma pesquisa que complicou um pouco as coisas. Ele comparou a incidência da doença em descendentes de japoneses e de africanos que vivem nos EUA, e com japoneses e nigerianos que ainda vivem em seus respectivos países. Ele encontrou uma incidência da doença da ordem de 4,1para os descendentes de japoneses que vivem na América, contra apenas 1,8 de japoneses do Japão.

Os afro-americanos vão mais longe: 6,2 desenvolvem a doença, enquanto apenas 1,4 dos nigerianos são atingidos por ela.

Hábitos alimentares? Stress das pressões do Primeiro Mundo? Mas o Japão não é Primeiro Mundo? Não tem stress?

A alimentação parece ser sem dúvida um elo nessa corrente, e mais ainda o alumínio. Segundo algumas pesquisas, a incidência de alumínio encontrada nos cérebros de portadores da doença é assustadoramente alta.. Pesquisas feitas na Austrália e em alguns países da Europa mostraram que, em atos alimentados com uma dieta rica, o sulfato de alumínio (comumente colocado na água potável para matar bactérias) danificou os cérebros dos roedores de forma muito similar à causada nos humanos pelo Alzheimer.

Pesquisas do Dr. Joseph Sobel, da Universidade da Califórnia do Sul, mostraram que a incidência da doença é três vezes maior em pessoas expostas à radiação elétrica(trabalhadores que ficavam próximos a redes de alta tensão ou a máquinas elétricas). Mas não param por aí as pesquisas, que apontam à arma em todas as direções.

Porém, a que mais me chocou e me motivou a fazer minhas próprias elucubrações
foi o estudo das freiras. Esse estudo, citado no livro A Saúde do Cérebro, do Dr. Robert Goldman, Ed. Campus foi feito pelo Dr. Snowdon, da Universidade de Kentucky. Eles estudaram 700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade, eles leram e analisaram as redações autobiográficas que cada freira era obrigada a escrever logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas tinham em média 20 anos.
 Essas freiras (um dos grupos mais homogêneos possíveis, o que reduz muito as variáveis que deveriam ser
controladas) foram examinadas regularmente e seus cérebros investigados após suas mortes.

O que se constatou foi surpreendente. As que melhor se saíram nos testes cognitivos e nas redações - em termos de clareza de raciocínio, objetividade, vocabulário, capacidade de expressar suas idéias, mesmo
apresentando os acidentes neurológicos típicos do Alzheimer (placas e massas fibrosas de tecido morto) não desenvolveram a demência característica da doença. Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as outras freiras com Alzheimer diagnosticado (e que tiveram baixos escores em testes cognitivos e na redação), mas não os sintomas clássicos, como os do meu pai. A minha interpretação de tudo isso: não temos muito como controlar todos os fatores de risco apontados como os vilões - alimentação, pressão alta, contaminação ambiental, stress, e a genética (por enquanto). Mas podemos colocar o nosso cérebro para trabalhar.

COMO?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida 'bandida'.

Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo nunca, pois dali, só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Não existem estudos provando que o Alzheimer é a moléstia preferida dos arrogantes, autoritários e auto-suficientes, mas a minha experiência mostra que pode haver alguma coisa nesse mato.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.
Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (nãogosta de ir para a cozinha? Hum... Preocupante.) Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que
contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional. Tente fazer um teste:

- use o relógio de pulso no braço direito;

- escove os dentes com a mão contrária da de costume;

- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);

- vista-se de olhos fechados;

- estimule o paladar, coma coisas diferentes;

- veja fotos de cabeça para baixo;

- veja as horas num espelho;

- faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro.

Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro. Vale a pena tentar!

Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?

Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o mouse com a mão esquerda?



FAÇA ESTE TESTE E PASSE ADIANTE PARA SEUS (SUAS) AMIGOS (AS). 

 

domingo, 23 de dezembro de 2007

Entenda sobre a pronação dolorosa

Entenda sobre a pronação dolorosa


• O QUE É?

É um pequeno deslocamento da cabeça do rádio em relação ao ligamento anular. O rádio é um dos ossos do antebraço e cabeça do rádio é a porção deste osso que participa da articulação do cotovelo. O ligamento anular envolve a cabeça do rádio como um anel. Esta lesão ocorre em crianças menores de cinco anos, devido à consistência mais elástica dos ligamentos e ao desenvolvimento ósseo incompleto.

A história é quase sempre a mesma. A criança é puxada pela mão ou pelo antebraço; por exemplo, quando a mãe segura a criança para que esta não saia correndo pela rua, ou quando a criança é balançada pelos braços.


• SINAIS E SINTOMAS:

Eventualmente pode-se ouvir um pequeno estalo quando ocorre a lesão. A criança começa a chorar imediatamente e permanece com o braço imóvel ao lado do corpo, com o cotovelo dobrado. Normalmente após algum tempo a criança para de reclamar, desde que não movimente o braço ou toquem em seu cotovelo. Algumas vezes é possível que a criança com pronação dolorosa se queixe de dor no ombro ou punho.

• COMO TRATAR?

Leve a criança para o hospital o mais rápido possível. O ortopedista irá colocar o osso de volta em seu lugar, normalmente sem a necessidade de nenhum tipo de anestesia. Este procedimento é bastante simples, mas deverá ser realizado apenas por pessoas treinadas. Algumas vezes é possível que o problema se resolva espontaneamente antes da chegada ao hospital.

Logo depois do procedimento os sintomas desaparecem e a criança volta a mexer o braço normalmente, sem dor. Habitualmente não há necessidade de nenhum tipo de tratamento depois da redução. Porém, em alguns poucos casos, o ligamento pode ter um


pequeno rompimento e a criança continua com sintomas mesmo após a redução. Nestas situações deve-se usar uma tala para imobilizar o cotovelo até a cicatrização do ligamento, usualmente 1 semana ou pouco mais.

Algumas crianças têm maior predisposição a esta lesão e os episódios podem ser recorrentes. Isto não é motivo para preocupação, pois as lesões devem cessar com o crescimento da criança, não deixando nenhuma seqüela.

• PREVEÇÃO:

Evite puxar a criança pelas mãos conforme explicado anteriormente, especialmente se esta já tem história de pronação dolorosa. Neste caso oriente também a babá, os parentes e as outras pessoas que terão contato com a criança.

Fonte: http://www.sbot.org.br/

Dupuytren


Apresenta-se como uma doença hereditária comum onde um ou mais dedos se contraem, isto é, ficam dobrados para dentro da palma da mão. A causa dessa contração permanece ainda desconhecida.
Os homens são mais afetados do que as mulheres e, normalmente, após os 40 anos. Quando as crianças são acometidas, apresentam a forma grave da doença.
Indivíduos fumantes, alcoólatras, que apresentam Diabetes e que usam drogas anticonvulsivantes apresentam maior chance de desenvolver a doença.
• Quais são os sinais e sintomas?
Geralmente, o primeiro sinal da doença começa com um nódulo na palma da mão, próximo ao dedo da aliança ou do menor dedo. O nódulo pode ser confundido com um calo e, normalmente, não apresenta dor. Com a evolução da doença, outros nódulos aparecem, levando a contração dos tendões dos dedos, flexionando-os. O dedo da aliança é, normalmente, o primeiro a ser acometido, evoluindo para o mínimo e depois para o médio.
• Quando procurar um Ortopedista?
Quando observar a presença de nódulos na palma da mão deverá visitar o seu Ortopedista para que ele faça o diagnóstico e tratamento correto.
• Qual o tratamento?
A maioria dos nódulos não cresce a ponto de fazer a contratura dos dedos e por serem indolores, o tratamento conservador é o mais comumente aplicado.
Quando o paciente não consegue colocar a palma da mão toda aberta sobre uma superfície lisa é sinal de que há contratura dos dedos. Neste caso, para corrigir a deformidade, o tratamento de escolha é o cirúrgico. Recorrências da doença após a cirurgia são conhecidas  

     

Contra a celulite, vale até tomar choque


Quando a celulite passa dos limites e atinge camadas profundas da pele, os furos e depressões se tornam perceptíveis à distância. Resistentes aos tratamentos tópicos, esses casos - classificados pelos médicos como graus 3 e 4 - podem ser tratados com um furinho. O da subincisão.

A técnica, um tratamento cirúrgico feito com anestesia local, consiste em cortar as traves de fibrose da celulite e pode ser feita com agulha, cânula ou fio de aço. "A vantagem do fio de aço é que, por ser muito fino, corta tudo por onde passa. Com a agulha nem sempre é assim. Além disso, deixa menos hematomas", explica a médica Celia Bheatriz David, da clínica Unique System Moema.

Após o procedimento, é preciso usar uma cinta e evitar tomar sol por um mês. O local pode ficar roxo por aproximadamente 15 dias e dolorido. O resultado final é visível depois de três meses.

Ultra-som com choquinhos

Leves choquinhos, que não chegam a incomodar, percorrem por no máximo 20 minutos a área afetada pela celulite. Massagem, esfoliação e substâncias que ajudam na queima da gordura também fazem parte do processo. Assim funciona o tratamento com o Manthus, um aparelho que combina ultra-som com três cabeças - e que promove a quebra das células adiposas em partículas menores - e corrente polarizada - que possibilita a eliminação dessas partículas pela urina.

O local em que o Manthus é aplicado fica ligeiramente quente e a pele, macia e lisinha. O aparelho pode ser aplicado em qualquer região do corpo, sem efeitos colaterais como dor, inchaço ou picadas. Em média, são necessárias dez sessões.

Gesso vitaminado

Envolver o bumbum em gesso e deixar que ingredientes como cafeína, acerola e abacaxi deixem a região no ponto certo para o verão. Assim funciona a terapia com bandagens de gesso.

Na primeira sessão, é feita drenagem linfática corporal e esfoliação, que elimina as células mortas e permite melhor penetração das substâncias ativas. Embora todas tratem em conjunto celulite, flacidez e gordura localizada, é preciso avaliação da terapeuta, que vai designar a bandagem ideal, já que cada uma tem um princípio ativo mais acentuado.

"No bumbum, as que mais utilizo são as de cafeína e elastina, e alterno com crioterapia, bandagens frias de mentol e eucalipto", diz a terapeuta Cassia Proença, da Clínica Loriti Breuel. "A elastina estimula a formação de fibras elásticas, melhorando o tônus e dando firmeza ao bumbum. A cafeína tem extrato de centella asiática, ginko biloba e é antiinflamatória".

Fototerapia

Fototerapia é utilizada para tratar uma grande variedade de dermatoses. Desde o século passado a fototerapia tem sido utilizada em várias modalidades, com irradiação UVA ou UVB. Está indicada para todos os tipo de dermatoses inflamatórias e com período crônico de evolução, como vitiligo, pasoríase, parapsoríase, linfomas cutâneos de células T, eczemas crônicos, demonstrando bons resultados terapêuticos. Pode ser utilizada como monoterapia ou associada a outras drogas, como retinóides, metotrexate, ciclosporina, com objetivo de diminuir o tempo de tratamento e as doses das medicações mencionadas. Como os demais tipos de tratamento, a fototerapia apresenta algumas limitações, como a necessidade de equipamentos específicos, a adesão do paciente, a possibilidade de indicação ao paciente e a dose cumulativa de irradiação UV. A fototerapia deve ser conduzida com seguimento criterioso para a obtenção de resposta efetiva com poucos efeitos colaterais.


INTRODUÇÃO

A fototerapia é uma modalidade terapêutica empregada para tratamento de várias dermatoses. O início de sua utilização data da Antigüidade, e sua classificação é feita segundo o tipo de irradiação utilizada (UVA ou UVB), variável de acordo com os comprimentos de onda.

Trata-se de opção terapêutica para várias dermatoses de evolução crônica, como a psoríase, o vitiligo, o linfoma cutâneo de células T, a parapsoríase, os eczemas, entre outras, trazendo resultados muito satisfatórios.

Além disso, a fototerapia pode ser utilizada associada a vários outros medicamentos sistêmicos, como os retinóides, o metotrexate, a ciclosporina, visando à obtenção de rápido controle das dermatoses com doses menores de medicamentos.

Assim como qualquer outra modalidade terapêutica a fototerapia apresenta limitações, como o equipamento necessário, a disponibilidade do paciente em aderir ao tratamento e considerações clínicas como a dose cumulativa total dos raios UV e suas conseqüências.

A fototerapia demanda alguns cuidados e acompanhamento criterioso para que se tenha a resposta terapêutica efetiva e não apresente efeitos indesejados que eventualmente possam ocorrer.



HISTÓRICO

As primeiras descrições do uso da fototerapia datam de 1400 e dizem respeito à prática dos hindus e emprego de plantas medicinais associado à exposição ao sol para tratamento de vitiligo. Foi, porém, a partir de 1903, quando Niels Finsen recebeu o prêmio Nobel pelo sucesso do tratamento de lúpus vulgar com a radiação UV, que a fototerapia começou a ser realmente estudada e praticada para tratamento de várias dermatoses.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) iniciou-se o tratamento de úlceras traumáticas com o uso de fototerapia e luz solar, observando-se bons resultados.

Em 1925 Goeckerman introduziu a combinação de coaltar e irradiação ultravioleta para tratamento da psoríase, que foi utilizada por muito tempo.

Em 1948 Mofty relatou os efeitos conseguidos com 8-MOP na terapia do vitiligo, sendo seguido por Lener, que mostrou a possibilidade de tal substância ter seus efeitos potencializados pela radiação UV, compreendida entre 320-400nm, constituindo o tratamento denominado PUVA. Em 1974, alguns autores (Parrish, Fitzpatrick, Tannenbaum e colaboradores) relataram os efeitos benéficos dessa modalidade terapêutica na psoríase. Desde então, surgiu outra série de doenças descritas como responsivas à terapia com radiação UV.

O maior passo foi dado quando se descobriu, em 1988, que a pequena faixa de UVB entre 311 e 313nm, denominada UVB de banda estreita (narrow band) seria mais eficaz que a UVB para tratamento de psoríase.



FOTOBIOLOGIA

Os raios ultravioleta correspondem a 5% da luz solar terrestre e representam uma pequena parte do espectro eletromagnético. Outras regiões desse espectro incluem: microondas, ondas de rádio, radiação infravermelha, luz visível, raios-x e radiação gama. O comprimento de onda de cada tipo de radiação é o que define suas características.

Os raios ultravioletas são divididos em: UVA: 400-320 nanômetros (nm), UVB: 320-290nm, UVC: 290- 200nm.

UVA é subdividida em UVA I (340-400nm) e UVA II (320-340nm), e a faixa de UVB entre 311-312nm é denominada UVB narrow-band.

A radiação UVA atinge a epiderme, derme superficial e média, e o UVB atinge principalmente a epiderme.

Tanto UVB como UVA agem sobre os queratinócitos. A partir da absorção da luz UV pelos nucleotídeos há formação de fotoprodutos do DNA, sobretudo as bases pirimidínicas. Iniciam-se então as reações fotoquímicas que levam às alterações bioquímicas nos tecidos, como a indução da atividade de algumas enzimas, secreção de citoquinas e reparo de estruturas. Isso vai depender do comprimento de onda da luz utilizada.

As moléculas que absorvem a luz na pele são chamadas de cromóforos.O cromóforo mais importante é a melanina que absorve tanto UVA como UVB. O DNA é o mais importante cromóforo para resposta fotobiológica na escala UVB. Triptofano, 7-deidrocoslesterol, ácido urocânico, piridolina (colágeno) e desmosina (elastina) também são cromóforos para UVB. Co-fatores NAD e FAD são cromóforos para UVA. Não são todos os cromóforos que são capazes de iniciar uma reação fotoquímica na pele.

As principais respostas induzidas pela radiação ultravioleta sobre a pele são:

1- Efeito antiinflamatório / imunossupressor

a) Alterando a produção de citocinas como Interleucina 10 (IL-10), Interferon-gama (INF-g).) interleucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF-a).

b) Indução na produção de prostaglandina E pelos queratinócitos, levando à diminuição da expressão molecular na superfície das células apresentadoras de antígeno, e, por conseqüência, diminuindo a ativação dos LT.

c) Ação nos receptores de superfície dos queratinócitos e nas células apresentadoras de antígeno, alterando a liberação das moléculas de adesão (ICAM-1).

2- Efeito antiproliferativo

a) UVB e UVA levam à formação de fotoprodutos de DNA, acarretando redução da síntese de DNA e, em conseqüência, diminuição da proliferação celular.

b) Outro mecanismo pela qual UVB e UVA têm ação antiproliferativa é a indução de apoptose dos queratinócitos.



TIPOS DE FOTOTERAPIA

Fototerapia com UVB

As lâmpadas de UVB emitem ondas de 290 a 320nm de comprimento.

Existem dois tipos de lâmpadas UVB, sendo uma de largo espectro, e a outra que emite ondas de 311 a 312nm de comprimento, denominada UVB de banda estreita (narrow-band).

UVB geralmente é a primeira opção antes do PUVA, pelo menor risco, pela não-utilização de psoralênicos, e pode ser mais efetivo que o PUVA nas peles tipo I e II.8 UVB é menos efetivo em pacientes melanodérmicos.

A dose eritematosa mínima (DEM) do paciente deve ser estabelecida antes do tratamento. (DEM é a mínima energia necessária para produzir resposta eritematosa uniforme em até 24 horas.). Inicia-se o tratamento do paciente com 75 a 90% dessa dose, e isso varia de acordo com o fototipo do paciente. O eritema pós-UVB aparece 12 horas depois da sessão. Aumenta-se gradativamente a dose para minimizar as reações de queimadura pelo UV .

Existem vários protocolos de tratamento com UVB, podendo variar de três a cinco vezes por semana. Normalmente dois a três meses de tratamento são necessárias até que se alcance resposta significativa. Manutenção de uma a duas vezes por mês pode ajudar a remissão prolongada.


Fototerapia com PUVA

O tratamento com PUVA é realizado pela associação de um psoralênico e irradiação de UVA originária de lâmpadas que emitem comprimentos de ondas entre 320 e 400nm.

Psoralênicos é o termo usado genericamente para descrever compostos chamados furocumarínicos, encontrados em plantas. São substâncias que, quando estimuladas pelo UV, se ligam às bases pirimidínicas do DNA celular, iniciando as reações fotoquímicas na pele.

Os psoralênicos mais utilizados na dermatologia são: 8-Methoxypsoralen (8-MOP, methoxalen), 5-methoxypsoralen (5-MOP, bergapten) e 4,5,8-trimethoxypsoralen (4,5,8 TMP, trioxalem).

Os psoralênicos orais são metabolizados no fígado, com concentração sangüínea máxima entre uma e três horas. Drogas que ativam as enzimas do citocromo P-450 aceleram e aumentam seu metabolismo.A eliminação é renal e ocorre em 12-24 horas.

O 8-MOP e o 4,5,8 TMP podem ser usados tanto na forma sistêmica como na tópica, enquanto o 5-MOP só na primeira.

O 8-MOP geralmente é usado na dose de 0,4mg/kg de peso, uma hora e meia antes da fototerapia quando estiver na forma líquida ou de duas a três horas antes se estiver na forma cristalina, e na dose de 0,6mg/kg de peso duas horas antes da fototerapia, quando na forma de comprimidos.

O PUVA tópico de rotina é realizado com a associação do Trioxalen com a luz UVA, aplicado na pele, meia hora antes da realização da fototerapia. A dose varia de 0,1%, em locais de pele mais fina, até 1%, como nas regiões plantares, e o PUVA tópico é manipulado em loções cremosas ou alcoólicas.

Para o PUVA sistêmico, a dose inicial de UVA normalmente é baseada na cor da pele do paciente e na doença que vai ser tratada, e geralmente inicia-se com 0,5 a 1 J/cm2

Com relação ao PUVA tópico, a dose inicial da UVA é de 0,12 a 0,5 J/cm2.

Sabe-se que o eritema pós-PUVA pode ocorrer entre 48 e 72 horas após a sessão, e por isso o esquema do tratamento pode ser feito duas a três vezes por semana.

O aumento da dose da luz irradiada é determinado pela intensidade do eritema provocado na sessão anterior, e seu máximo também varia de acordo com o tipo de pele e da doença.


Os valores absolutos necessários para completar a dose total (em Joules/cm2) são mais de 1.000 vezes maior para UVA comparado com UVB; por isso a necessidade dos psoralênicos para facilitar a absorção da UVA e não prolongar demais o tratamento do paciente.



OUTRAS FORMAS DE FOTOTERAPIA

A fotoforese extracorpórea para linfoma cutâneo de células T11 é também utilizada para dermatite atópica grave e resistente a outros tratamentos. Após a ingestão do psoralênico, as células mononucleares circulantes são submetidas a PUVA por um sistema de exposição extracorpóreo e depois retornam ao paciente.

A fototerapia com UVA de comprimento de onda entre 340 - 400nm (UVA-1) não utiliza o psoralênico. A dose inicial de UVA-1 é de 50J/cm2, em média. Esse método está indicado principalmente para o tratamento da dermatite atópica. Trabalhos publicados apresentam bons resultados com doses variando entre 20 a 130J/cm2, com cerca de três a cinco aplicações por semana, durante 10 dias para dermatite atópica e 20 dias para disidrose. Por ser modalidade terapêutica recentemente introduzida, seus efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos. Dessa forma, sugere-se que seu uso seja limitado a períodos de exacerbação aguda e severa, com apenas um ciclo ao ano, não excedendo 10 a 15 sessões.

PUVA imersão ou "bath PUVA"

Essa modalidade de terapia foi idealizada para casos em que há indicação de PUVA sistêmico, com o intuito de diminuir a dose de exposição à UVA. É particularmente útil para pacientes que tomam outras medicações sistêmicas ou com intolerância aos psoralênicos. Os efeitos colaterais oculares e no trato gastrointestinal são minimizados, pois não ocorre fotossensibilização sistêmica. A concentração do psoralênico na pele é maior que no PUVA sistêmico, proporcionando menor exposição à RUV. Utiliza-se o 8-MOP diluído em água morna, imergindo o local a ser tratado durante 15 a 20 minutos antes da irradiação UVA. A concentração de 8-MOP corresponde a 1mg/l, obtido a partir da diluição de 20ml de 8-MOP a 0,5% em álcool a 96° em 100 litros de água. Pode-se também usar o trioxalem (4,5,8 TMP), porém em doses menores.

A dose de UVA é a mesma para PUVA tópico, iniciando-se com 0,12-0,5 J/cm.



INDICAÇÕES DA FOTOTERAPIA

A fototerapia é método de tratamento que pode ser utilizado em várias doenças de pele, cujas principais indicações são as dermatoses inflamatórias e o linfoma cutâneo de células T. Entre as diversas dermatoses, estão:

Psoríase

A psoríase é uma das principais indicações da fototerapia. Todos os tipos de psoríase podem ser tratados com essa metodologia. O mecanismo de ação da fototerapia se faz por meio da atividade antiproliferativa, antiinflamatória e imunossupressora.

A fotoquimioterapia sistêmica (PUVA sistêmico) é indicada em casos de acometimento extenso da dermatose ou em indivíduos com lesões espessas. Também é indicada em pacientes com pele tipo III ou mais, segundo a classificação de Fitzpatrick.

A fotoquimioterapia tópica (PUVA tópico) é indicada em quadros localizados, como, por exemplo, a psoríase palmoplantar ou o acometimento do couro cabeludo.

Em indivíduos de pele clara apresentando lesões com placas finas de psoríase pode ser utilizada a radiação UVB para o tratamento.

A radiação UVB narrow-band é considerada por vários autores primeira escolha para o tratamento da psoríase. Segura e efetiva, apresenta resultados comparáveis ao PUVA sistêmico.

Tratamentos combinados podem ser utilizados em casos de difícil manejo, como, por exemplo, em formas eritrodérmicas ou quadros que não respondem bem à fototerapia apenas.São associados medicamentos ao tratamento fototerápico com o objetivo de aumentar a eficácia, bem como diminuir o tempo de tratamento e os efeitos colaterais das terapêuticas adotadas isoladamente. A finalidade dessa combinação é expor o paciente ao menor tempo possível tanto à droga, quanto à radiação ultravioleta. Assim que se inicia o controle da dermatose, a dose da medicação é reduzida progressivamente, mantendo-se a fototerapia como manutenção. A combinação mais potente para o tratamento da psoríase é o Re-PUVA - Retinóides sistêmicos (etretinato ou acitretin) com PUVA. A dose varia de 0,5 a 1mg/kg/dia durante intervalo de duas a três semanas. Associa-se PUVA até o clareamento das lesões, quando se inicia a redução da dose do retinóide. Essa combinação promove a regressão rápida da dermatose e, segundo alguns autores, diminui o potencial carcinogênico do PUVA. Outras combinações podem ser utilizadas, como a fototerapia associada ao metotrexate ou à ciclosporina. Algumas desvantagens desses métodos seriam o sinergismo em relação à imunossupressão, risco de indução de câncer cutâneo e a fotossensibilidade.

As combinações de medicamentos tópicos com PUVA auxiliam a diminuição do tempo total de tratamento.Podem ser utilizados antralina, derivados do coaltar, derivados da vitamina D (calcipotriol, calcitriol), retinóides e corticoesteróides. O uso de radiação UVB associado aos corticoesteróides tópicos mostra diminuição do tempo de remissão da doença. Pode-se também associar ceratolíticos em áreas com hiperceratose, como, por exemplo, região palmoplantar, com a finalidade de melhorar a penetração da luz.

A radiação UVB associada ao coaltar representa o método de Goeckerman, já conhecido, assim como o método de Ingram, que associa UVB com antralina.

Os lubrificantes devem ser aplicados após as sessões de fototerapia para não prejudicar a absorção da luz.

As sessões são realizadas duas ou três vezes por semana até controle total ou quase completo da dermatose, quando então o número de sessões é reduzido, fase denominada tratamento de manutenção.

Vitiligo

A principal indicação de tratamento para o vitiligo é a fotoquimioterapia (PUVA). A radiação UVA, assim como a radiação UVB, estimula a melanogênese e interfere no processo inflamatório da dermatose. Quando o comprometimento é extenso realiza-se PUVA sistêmico. Em quadros localizados ou lesões em áreas de difícil acesso à radiação da cabina é indicado PUVA tópico. O tratamento com radiação UVB narrow-band tem-se mostrado efetivo, com resposta satisfatória, em pacientes com contra-indicação do PUVA.

O padrão de repigmentação é menor em extremidades. Lesões em mãos, quirodáctilos, pés e pododáctilos apresentam resposta pouco satisfatória.

Alguns autores descrevem resposta melhor após associação do PUVA com o calcipotriol, devido a seu efeito nos melanócitos e nos mediadores inflamatórios. Outros autores associam radiação UVB com ácido fólico e vitamina B12 (cianocobalamina) acreditando em repigmentação mais rápida. Essas metodologias precisam ser mais bem estudadas.

As sessões são realizadas duas vezes por semana. Protocolos mais recentes indicam apenas uma sessão por semana, pois melhora a adesão do paciente e diminui seus efeitos colaterais. A desvantagem é o prolongamento do tempo de tratamento.

Dermatite atópica

A fototerapia é indicada para o controle da dermatite atópica mediante seus mecanismos antinflamatórios e imunossupressores. Ocorre a inibição das citoquinas produzidas pelos linfócitos T, que medeiam a resposta imunológica para o desenvolvimento das lesões eczematosas.

O tratamento com a radiação UVB e UVB narrow-band mostram bons resultados, sendo indicado para pacientes com curso crônico da dermatose e na manutenção terapêutica. A UVB narrow-band é considerada por alguns autores indicação de escolha para induzir a melhora em longo prazo da dermatite atópica, além de ser segura a aplicação em crianças.

O PUVA sistêmico é indicado na fase aguda da dermatite atópica, nos casos de formas graves com comprometimento extenso da superfície cutânea. Essa modalidade terapêutica pode ser utilizada durante a regressão e retirada da corticoterapia nos pacientes corticodependentes.

O tratamento com altas doses de radiação UVA-1 com aplicações freqüentes em curto período pode ser alternativa aos corticoesteróides, não interferindo no desenvolvimento da criança.

O PUVA tópico está indicado em lesões eczematosas localizadas, como, por exemplo, em região palmoplantar.

As sessões são realizadas duas ou três vezes por semana, com diminuição da freqüência após controle do quadro clínico.

Linfoma cutâneo de células T (LCCT)

A fototerapia está indicada nos estadios iniciais da doença como monoterapia com a finalidade de evitar a disseminação extracutânea e determinar longos períodos de remissão. Atua principalmente como agente antiproliferativo sobre os linfócitos T.

Nos estadios mais avançados do linfoma, a fototerapia isolada apresenta resultados parciais, sendo necessária a combinação com outros tratamentos. Os medicamentos normalmente associados são o interferon-a ou os retinóides. Essa abordagem terapêutica visa à melhora da qualidade de vida do paciente e ao aumento da sobrevida.

O PUVA sistêmico é a primeira opção, com três sessões por semana. O tempo médio total de tratamento é de três a seis meses, sendo necessário sempre o tratamento de manutenção. O número de sessões é reduzido chegando a quinzenais ou mensais.

Em lesões tumorais o tratamento com PUVA tem demonstrado eficácia, devido ao epidermotropismo do infiltrado. A destruição das células superficiais favorece a superficialização do infiltrado mais profundo, facilitando o controle das lesões tumorais.

O tratamento com radiação UVB narrow-band apresenta vantagens em relação ao PUVA, pois tem menor risco de carcinogênese e de efeitos colaterais, com boa resposta. Alguns autores sugerem iniciar o tratamento com essa opção e, de acordo com a evolução, substituir por PUVA se necessário.

Parapsoríase

A fototerapia está indicada para todos os tipos de parapsoríase e suas variantes clínicas. O intuito é suprimir a doença por seu efeito antiinflamatório e imunossupressor, prevenindo a evolução para o linfoma cutâneo de células T.

Alguns autores consideram a fototerapia com PUVA sistêmico tratamento de cura para a parapsoríase. A UVB narrow-band também tem-se mostrado efetiva no controle da dermatose. Assim como no linfoma cutâneo de células T, a manutenção do tratamento deve ser prolongada para sustentar a remissão do quadro.

Esclerodermia

O tratamento com PUVA está indicado tanto em formas generalizadas de esclerodermia como em formas localizadas, utilizando PUVA sistêmico ou PUVA tópico, respectivamente.

A radiação ultravioleta induz a síntese de colagenase. A fototerapia promove a liberação de citocinas que induzem a formação da colagenase e inibem a síntese de colágeno, além de seu efeito imunossupressor.

Segundo alguns autores a fototerapia seria uma contribuição valiosa às poucas opções terapêuticas para as formas localizadas e sistêmicas de esclerodermia.

GVHD (Doença enxerto versus hospedeiro)

A fototerapia tem indicação de uso na GVHD aguda como nas formas crônicas, liquenóide e esclerodermiforme. A fototerapia tipo PUVA foi a primeira a ser utilizada para essa doença, associada a outras drogas convencionalmente utilizadas. Trabalhos atuais mostram também bons resultados do tratamento da GVHD com UVB de banda estreita.

Fotodermatoses idiopáticas (Erupção polimorfa à luz, Hidroa vaciniforme, Urticária solar, Prurigo actínico, Dermatite crônica actínica)

A fototerapia está indicada para indivíduos acometidos por essas anormalidades com a finalidade de aumentar a tolerância à luz solar.

O tratamento pode ser realizado de duas maneiras: utilizando o comprimento de luz que induz a dermatose, em baixas doses, para dessensibilizar o paciente; ou utilizar o comprimento de onda incapaz de desencadear a dermatose, como agente terapêutico, aumentando a tolerância à luz. As doses de PUVA ou UVB são mais baixas do que as indicadas para outras dermatoses.

Outras indicações de fototerapia

A fototerapia está indicada para todas as doenças inflamatórias da pele. Relacionam-se abaixo outras dermatoses para as quais se tem utilizado essa opção terapêutica nos últimos anos:
l Líquen plano

l Dermatite seborréica

l Eczema crônico

l Pitiríase liquenóide crônica e aguda

l Pitiríase rósea

l Pruridos (autotóxico / relacionado ao HIV)

l Mastocitose

l Granuloma anular

l Doença de Grover

l Dermatose pustulosa subcórnea

l Urticária crônica idiopática

l Púrpura pigmentar progressiva crônica

l Necrobiose lipoídica

l Protoporfiria eritropoiética

l Papulose linfomatóide

l Pustulose palmoplantar

l Vasculite livedóide



FOTOTERAPIA E VÍRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA (HIV)

A indicação de fototerapia para pacientes com HIV demanda algumas preocupações. A UV alterando o DNA celular poderia favorecer a inclusão do gene viral ao DNA celular, induzindo a proliferação do HIV. Além disso, a fototerapia é um tratamento imunossupressor. Entretanto, não foi demonstrada a presença de HIV na pele, e a ação imunossupressora da fototerapia não diminuiu o número de linfócitos T CD4+, como demonstrado em alguns trabalhos publicados. A fototerapia em pacientes HIV portadores de prurido e foliculite eosinofílica mostrou-se efetiva e não levou à alteração imunológica nesses pacientes.

Assim, a fototerapia é segura nesse grupo, recomendando-se aos pacientes HIV-positivos que serão submetidos a UVB ou PUVA monitorização do CD4 e carga viral antes, durante e um mês após o tratamento.

A opção pelo tratamento com RUV deve avaliar os seguintes itens:

- se as lesões de pele são responsivas à radiação ultravioleta;

- se o beneficio obtido após a fototerapia é suficiente para justificar os possíveis riscos potenciais;

- se as medicações antiretrovirais e outros medicamentos de que o paciente faz uso não causam fotossensibilidade.



FOTOTERAPIA E OUTROS TRATAMENTOS ASSOCIADOS

Alguns trabalhos na literatura demonstram a associação de PUVA com medicamentos sistêmicos. Comparando o uso do acitretin ou PUVA separadamente e associados entre si, observou-se que o tratamento combinado é mais eficaz, limita o tempo do tratamento, a freqüência e a dose total acumulada de UVA.15 Geralmente inicia-se etretinato duas semanas antes da associação etretinato-PUVA.

UVB narrow-band pode associar-se a outras terapias sistêmicas, como retinóides, antralina e calcipotriol. Com os retinóides sistêmicos, pode reduzir o potencial carcinogênico do UVB por diminuir a dose total final de UV. Ditranol e fototerapia também são descritos para tratamento da psoríase, oferecendo período menor de remissão da doença. Coaltar associado à fototerapia é conhecido desde Goerckerman,mas em comparação com a monoterapia não parece ser tão mais efetivo. A eficácia do tratamento com o uso de corticóides tópicos com UVB parece não ser diferente quando se usa um emoliente com UVB. Umectantes utilizados antes da exposição ao UVB podem diminuir a quantidade de luz que penetra a pele, prejudicando a eficácia do tratamento.



EXAMES COMPLEMENTARES E CONTRA-INDICAÇÕES DA FOTOTERAPIA

Para iniciar o tratamento com PUVA, sugere-se solicitar alguns exames, como TGO, TGP, Fosfatase alcalina, GamaGT, Uréia e Creatinina, FAN e Beta HCG, além de avaliação oftalmológica, para que se possa fazer o tratamento com segurança.

A fototerapia está contra-indicada nos pacientes com:36

- xeroderma pigmentoso

- albinismo

- dermatoses fotossensíveis, como lúpus eritematoso

- pênfigo e penfigóide bolhoso

- antecedentes pessoais e/ou familiares de câncer de pele (melanoma e não-melanoma). Deve-se também ter cuidado naqueles que já realizaram tratamentos anteriores com imunossupressores, pois é sabido que, nesses casos, tais medicamentos potencializam os efeitos carcinogênicos da fototerapia

- uso prévio de arsênico ou exposição à radiação ionizante

- história prévia de intensa exposição solar

- antecedentes pessoais de catarata ou afaquia

- alterações hepáticas ou renais

- marca-passo (essa contra-indicação está relacionada em vários artigos, mas não se tem uma explicação para tal).

Em mulheres grávidas, o método PUVA está contra-indicado devido aos possíveis efeitos teratogênicos do psoralênico (Categoria C), e, em crianças, só se permite a utilização de PUVA em situações especiais.



EFEITOS COLATERAIS

Os efeitos colaterais são divididos em agudos e crônicos. Os sintomas agudos podem estar relacionados aos psoralênicos ou à própria luz ultravioleta.

Sintomas agudos:

1. sintomas gastrointestinais, como náuseas (que podem ser atenuadas com a ingestão de alimentos antes da medicação), cefaléia, tontura, insônia e depressão;

2. efeitos fototóxicos: eritema, onicolise, hemorragia subungueal;

3. taquicardia, hipertricose e herpes simples.

Sintomas crônicos

1. carcinogênese e fotoenvelhecimento;

2. catarata;

3. xerose;

4. alterações do pigmento da pele, formação de lentigos.

Durante a exposição à UVA, a região genital e a face devem ser protegidas. Em homens já foi descrito o aumento do risco de aparecimento do câncer da região genital. A face, por ser área já fotoexposta, com mais possibilidades de dano solar, deve ser protegida a menos que seja a área a ser tratada.

Lentigos também são descritos após tratamento com PUVA, e geralmente seu aparecimento é observado entre seis e 15 meses depois do início do tratamento.

Os olhos devem ser protegidos com óculos contra UV pelo risco de o paciente vir a apresentar catarata, sendo que o cuidado deve se estender durante todo o dia em que for feita a sessão.

É preciso ter cuidado com os remédios de uso prévio, para que não interfiram na absorção dos psoralênicos, como ocorre com a fenitoína, que diminui sua absorção, ou medicamentos que são sabidamente fotossensibilizantes.



FOTOTERAPIA E CÂNCER DA PELE

No início do século XX, assim como os raios UV se tornavam reconhecidos como forma terapêutica eficaz para algumas doenças de pele, começaram a surgir relatos dos efeitos nocivos da luz solar, como desencadeante de algumas doenças, como xeroderma pigmentoso, hidroa vaciniforme, prurigo estival e alguns tipos de câncer de pele. Paul German Unna foi o primeiro dermatologista que associou a exposição solar prolongada com aparecimento de lesões na pele de marinheiros.

O tratamento tanto com PUVA como com UVB é considerado carcinogênico, pois ambos agem no DNA celular, podendo provocar mutações na pele.

Vários estudos demonstram a indução de carcinoma espinocelular pela fototerapia. Entretanto não se deve esquecer a maior predisposição em pacientes submetidos a outros tratamentos imunossupressores, como metotrexate, ciclosporina. Nesses casos, torna-se difícil quantificar a influência da fototerapia na indução de câncer de pele.

Alguns trabalhos demonstram que o PUVA é mais carcinogênico que o UVB.5 O fato de a PUVA terapia ser carcinogênica está relacionado à UVA, que pode produzir por si só mutações nas células, mas também dos psoralênicos utilizados, que também poderiam apresentar esses efeitos.

O risco relativo de carcinoma espinocelular na pele se eleva em pacientes expostos a altas dosagens de UV, definidas como pelo menos 200 sessões ou 2000J/cm2 de PUVA ou 300 sessões de UVB, 2,10 e esse risco continua elevado mesmo na década posterior à descontinuação do tratamento. Ao contrário, o risco de CBC não se eleva.

Em trabalho publicado em 1990, a incidência de carcinoma espinocelular de pênis e escroto foi 286 vezes mais alta do que o esperado na população geral, naqueles pacientes que fizeram tratamento com PUVA.

Ciclosporina e metotrexate apresentam propriedades imunomoduladoras e podem aumentar a ocorrência de lesões malignas decorrentes do UVB e PUVA.

A associação de ciclosporina e PUVA pode aumentar o risco de carcinoma espinocelular, mas a de UVB e ciclosporina não foi ainda bem avaliada, assim como a de metotrexate UVB e PUVA. Ambas as associações PUVA acitretin e UVB acitretin trazem bons resultados, e esta última pode ainda reduzir o risco de malignidades induzidas pela fototerapia.

A queimadura solar é causada pelo UVB, e este é absorvido pelo DNA celular que causa danos nos cromossomos e por isso é considerado o maior fator para o aparecimento do melanoma.

O papel do UVA na patogênese do melanoma é controverso. A capacidade de produzir danos no DNA celular pelo UVA está sendo cada vez mais demonstrada, por meio de observações in vitro, de reações fotossensíveis que resultam na formação de substâncias oxidantes, o que levaria a mutações até a formação do câncer, ou da demonstração em laboratório de imunossupressão nos homens e animais.

O risco de melanoma em pacientes que fazem UVB parece ser 2,5 a 7,5% mais alto do que o da população em geral, e pacientes que fizeram PUVA parecem apresentar risco cinco vezes maior em desenvolver melanoma.

A indução de melanoma maligno pela fototerapia está relatada.38 A opção por tratamentos mais agressivos com mais de três sessões por semana favorece a presença de melanoma maligno em pacientes predispostos, principalmente naqueles submetidos a mais de 250 sessões de fototerapia. Nos casos de tratamento prolongado recomenda-se exame dermatológico periódico nos pacientes. Deve-se também educar os pacientes para que realizem auto-exame regularmente.

Esses efeitos não devem influenciar a escolha da fototerapia para o tratamento de várias dermatoses com indicação precisa. Na verdade, não há nenhum estudo demonstrando a indução de câncer de pele, tanto melanoma quanto não-melanoma relacionados a outros tratamentos imunossupressores. Desse ponto de vista, a fototerapia é tratamento até mais seguro do que outras terapêuticas, pois nenhuma outra já foi tão estudada.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O risco de trombose venosa profunda é proporcional ao período de imobilidade...

Trabalhar sentado todo o tempo nunca foi receita de boa saúde para ninguém. Por isso, especialistas não se cansam em recomendar intervalos para rápidos passeios ao longo dia pelo local de trabalho. Uma pesquisa feita na Nova Zelândia acaba de revelar que a imobilidade aumenta os riscos de trombose, ou seja, da formação de um coágulo sangüíneo em uma veia profunda, obstruindo-a.

Embora possa atingir vasos de qualquer segmento do organismo, a trombose venosa profunda, também assim denominada, acomete principalmente as extremidades inferiores (coxas e pernas). No entanto, os coágulos podem chegar até o coração, pulmões ou cérebro, causando dores no peito, respiração difícil ou, possivelmente, embolia pulmonar, incluindo riscos de morte por ataque cardíaco ou derrame.

Na maioria das vezes (até 60%) a trombose é assintomática. Em outros casos, surgem sinais e sintomas clássicos, como aumento da temperatura local, edema (inchaço), dor e empastamento (rigidez da musculatura da panturrilha) que ajudam no diagnóstico. Para o tratamento, utilizam-se medicamentos anticoagulantes (que diminuem a chance do sangue coagular) em doses altas e injetáveis. Mas o ideal mesmo é prevenir. O simples fato de caminhar já é uma forma de prevenção

domingo, 16 de dezembro de 2007

Estar cansado é normal, mas estar

A fadiga é universal e é, para o ser humano, uma reação normal, como são a fome e o sono. Além disso, forma parte de uma sensação imediata que cada um de nós é capaz de perceber e verbalizar. Todo esforço constitui um gasto que tem de ser reposto, e desde o momento em que experimentamos a sensação de cansaço, nossas reservas metabólicas manifestam a necessidade de recuperar-se. O cansaço faz parte da inteligência do corpo na medida em que desenvolve seu papel, dando sinal vermelho como um alerta para que não deixemos que nossa reserva se esgote.Cabe a nós saber interpretá-la como tal.
Porém, neste exato momento, milhões de pessoas podem estar sentindo cansaço excessivo, sem causa aparente e irreversível ao repouso, associados à outros tipos de sintomas que podem se manifestar em todos os níveis, desde os psicoemocionais aos fisiológicos biomecânicos e não são identificados diretamente em nenhum exame clínico ou ambulatorial. Esses indivíduos podem estar com a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC), considerada em 1994 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como condição estressante, debilitante e de sintomatologia complexa a ponto de confundir os médicos de várias especialidades.
A SFC foi referida inicialmente em 1750, quando Sir Richard Manning observou uma doença pós-infecção, que denominou febrícula, sendo posteriormente classificada nos Estados Unidos como neuromiastenia endêmica. Atualmente, foi rebatizada como encefalomielite miálgica. A causa não é conhecida, embora muitos acreditem que ela é devida à infecção crônica pela família do grupo dos herpes-vírus, que inclui Herpes simplex, Herpes zoster, Citomegalovírus e Epstein Baar vírus. Esta infecção viral "mal-curada" é decorrente de um aspecto comum a essas viroses: sua capacidade de estabelecer uma infecção latente durante toda a vida, podendo persistir por meses a anos, e sua ocorrência parece ser crescente.

Sinais e Sintomas da SFC

O primeiro sinal da SFC é uma fadiga que chega de forma inesperada e sem razão aparente: pode aparecer depois de doença na família, morte, insegurança, solidão, estresse, e apresenta evolução lenta e que atinge um nível de cansaço e exaustão profunda. Geralmente, o problema é acompanhado de alterações do sistema imune (dores de garganta, diarréias ou constipação, alergias, resfriados, herpes); psicológicas (ansiedade, depressão, alterações do sono, irritabilidade, letargia mental, impossibilidade de concentração); além de fadiga, que não tem alívio com o repouso (dores e fraquezas musculares, dores de cabeça recorrentes, tonturas e/ou náuseas, dores articulares migratórias, alterações do apetite).
A Nutrologia, como especialidade clínica, comumente recebe muitos pacientes em busca de respostas para esses sintomas, que após perambularem por vários consultórios, ouvem dos profissionais que não têm doença alguma e sentem-se desvalorizados ao serem tratados como quadros psiquiátricos.


Sinais e Sintomas da Síndrome de Fadiga Crônica

· Comportamentais
Fadiga é a principal queixa, variando a intensidade
porém sempre freqüente e persistente
Letargia e/ou Depressão associados
Dificuldade de concentrar-se
Ansiedade, Irritabilidade, estresse
Necessidade recorrente de descansar
· Gastrointestinais
Diarréia e/ou Constipação
Dor de estômago, às vezes náuseas
Alterações no apetite e do peso
· Gerais
Cefaléias e/ou enxaquecas recorrentes
Dores musculares e /ou articulares migratórias, mialgias
Dor de garganta e/ou faringites associadas
Febres baixas podem ou não estar presentes
Inchaços, retenção hídrica
História de alergias
Resfriados, infecções e/ou herpes recorrentes

Diagnóstico

A SFC, estando relacionada diretamente ao sistema imunológico, que por sua vez tem relação com o sistema endócrino e com o cérebro, forma um ciclo vicioso que afeta glândulas endócrinas, como as supra-renais e a tireóide - hoje alvo de pesquisas na área de psiconeuroendocrinoimunologia. Para facilitar o diagnóstico, foi estabelecido critério que prevê quatro ou mais desses sintomas por período superior a seis meses. Uma boa anamnese (história clínica) aliada às sorologias (exames de sangue) que detectam anticorpos para as viroses da família do grupo herpes-vírus podem auxiliar na confirmação do diagnóstico, além de avaliar os possíveis diagnósticos diferenciais para exclusão de outras doenças.

Tratamento

O tratamento da SFC baseia-se principalmente na estimulação da saúde e imunidade em geral. A hipótese de que a Fadiga Crônica é indicativa de um sistema imune perturbado ou deprimido cronicamente, faz com que a Nutrologia tenha uma abordagem que se apóia na ampliação da função do sistema imune (defesa), aumentando a resistência do organismo. O nutrólogo focaliza três processos básicos :
1. Reeducação alimentar incluindo dieta para desintoxicação e revitalização do organismo.
2. Exercícios físicos visando à redução do estresse e condicionamento físico.
3. Suplementos nutricionais específicos compostos por fitoterápicos, vitaminas, minerais e aminoácidos que objetivam estimular as defesas naturais, promovendo melhor resistência e vitalidade do organismo

A fisioterapia na paralisia facial idiopática

Introdução

A expressão facial é nosso principal meio de comunicação não verbal. É como nos apresentamos ao mundo e como os outros distinguem nossas emoções. Uma pessoa com paralisia da face fica desprovida de certas emoções e, à medida que começa a restabelecer sua mobilidade fisionômica, essas emoções começam a ressurgir.

A Paralisia Facial Periférica Idiopática, ou mais conhecida como Paralisia de Bell, apresenta sinais e sintomas dependentes do acometimento do VII par craniano. A compressão desta estrutura, por uma inflamação sem procedência aparente, pode trazer consigo, principalmente, a privação completa dos movimentos faciais ipsolateral à lesão.

Esta patologia apresenta uma instalação súbita e unilateral, não escolhe raça, sexo ou condição social, sendo que indivíduos entre 30 - 40 anos de idade são mais sensível à agressão.

Por tratar-se de uma estrutura formada por dois nervos, o facial e o intermédio de Wrisberg, o paciente apresentará também uma sensibilidade dolorosa a sons agudos (hiperacusia), perda parcial da sensibilidade gustatória (ageusia), além de alterações na secreção das glândulas salivares e lacrimais.

A sintomatologia oriunda da Paralisia Facial Periférica Idiopática leva o indivíduo não só a uma limitação física, com a ausência de sua expressão facial, mas principalmente a uma privação de sua expressão interior tornado-o psicossocialmente desamparado.

Metodologia operacional

A pesquisa realizada, caracteriza-se como sendo uma revisão bibliográfica, a qual teve como objetivos anatomizar o sétimo par craniano, sua relação com músculos faciais e outras estruturas

O conhecimento do seu funcionamento natural foi fundamental para compreender os futuros acometimentos causados pela lesão. Sendo assim, a fisiologia de uma contração natural, formada por um fibra muscular estriado e uma nervosa mielinizada, foi descrita desde a origem de um potencial de ação até a contração muscular propriamente dita.

Desta forma, a lesão foi exposta com seus prejuízos e tornou-se claro as técnica e recursos que poderiam estar se interrelacionando com o tratamento da patologia. A partir daí, foi elaborada uma proposta de tratamento, sustentada pelas idéias dos autores, com a finalidade de minimizar o tempo de lesão e as prováveis complicações decorrentes da patologia.

O desenvolvimento da pesquisa se deu na cidade de Campo Grande, MS. Destinou-se aquele profissional que deseja prosseguir pela prática fisioterapêutica de reintegrar o cidadão, devolvendo-lhe a apresentação simétrica da face sem a máscara da paralisia. Seu objeto é o paciente portador desta mesma afecção.

O presente trabalho visou responder o seguinte problema: Quais as propostas fisioterapêuticas que visam a reabilitação das implicações funcionais da Paralisia Facial Periférica Idiopática?

Os dados foram coletados mediante revisão bibliográfica e a análise foi do tipo comparativa, em relação ao pensamento dos autores consultados.

Atuação da Fisioterapia

Se levar em consideração a paralisia da face como um sintoma, um sinal de alarme de que algo não vai bem, deve-se ver além da face assimétrica. O doente passa por dificuldade de expressar-se naturalmente e não reconhece sua imagem no espelho e, à medida que começa a restabelecer sua mobilidade fisionômica, as emoções começam a ressurgir.

O sucesso do tratamento dependerá do diagnóstico correto da natureza da lesão e, de uma identificação precisa das estruturas afetadas.

No momento de instalação da patologia, uma inflamação sem procedência deve ser tratada, visto que este processo comprimirá o VII par craniano levando as alterações subseqüentes. O laser de arseniato de gálio com técnica pontual, aplicado por todo o trajeto do canal facial é a abordagem mais efetiva, atuando diretamente na síntese da prostaglandina do processo inflamatório.

Através de uma reabilitação programada, as melhoras da expressão facial são significativas, indiferente de etiologia e abordagens empregadas. O tratamento deve sempre conter a correlação dos fatores de assimetria facial envolvidos, assim como auxiliar na prevenção de seqüelas.

No tratamento da paralisia facial periférica idiopática, os principais objetivos são: eliminar o quadro inflamatório; normalizar biletarelmente o tônus da musculatura facial e; fortalecer os músculos agredidos.

As demais abordagens fisioterapêuticas são eleitas no processo de recuperação das implicações funcionais. A termoterapia pelo calor prepara a terapia, relaxando a musculatura da hemiface sã e promovendo analgesia em um possível quadro álgico na hemiface acometida. Em seguida, a massagem visa a preparação para a cinesioterapia, buscando principalmente o relaxamento da hemiface sã. Como forma de abordagem cinesioterapêutica, a facilitação neuromuscular proprioceptiva é a mais indicada, uma vez que fora criada para lesões de neurônios periféricos. Em formas mais avançadas de lesão, com ausência de melhora do quadro nos dois primeiros meses, a eletroterapia torna-se necessária. Esta modalidade terapêutica utiliza a corrente elétrica com finalidade de manter o trofismo muscular e, promover um treinamento proprioceptivo e cinestésico.

As orientações domiciliares serão coadjuvantes ao tratamento ambulatorial. O paciente deve estar ciente principalmente dos cuidados com a exposição corneana e, a realização de alguns exercícios simples em frente ao espelho, visto que estes diminuição o tempo de cura.

Conclusão

Segundo os autores pesquisados, dependendo do estágio da lesão, pode-se optar por dois tipos de tratamento. Na maioria dos casos, com resolução do quadro patológico em quatro a oito semanas, o atendimento não deve ser realizado com eletroterapia. A literatura aponta as seguintes técnicas e recursos eficazes no tratamento: termoterapia pelo calor, massoterapia, cinesioterapia e crioterapia.

A abordagem eletroterápica poderia ser prejudicial, levando a um quadro de alteração neuromuscular e consequentemente aparecimento de complicações. De forma oposta, após dois meses da instalação da patologia com melhora insignificante do quadro, a eletroterapia é importante para a recuperação do paciente, propondo a manutenção do trofismo muscular e realizando a propriocepção ausente.

É fundamental elucidar que a inflamação deve ser devidamente tratada, visto que a sua perseverança torna-se um fator preponderante para o aparecimento de complicações. A fisioterapia utiliza da modalidade de laserterapia de baixa intensidade, pois outras terapias anti-inflamatórias são contra-indicadas na região do crânio ou próximas ao globo ocular.

Autores: Luiz Gustavo Bergamo, Sohailla Cristina Hammoud El Kadri

Orientação: Prof. Nelson Kian, Prof. Serginaldo José dos Santos

Orientação Metodológica: Prof. Ms. Heitor Romero Marques

Universidade Católica Dom Bosco - Campo Grande - MS

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