domingo, 23 de março de 2008

Fisioterapia Neurologia

A Fisioterapia Neurofuncional, como é chamada nos dias de hoje, é bastante difundida em nosso meio e surgiu no fim da década de 40 com alguns pesquisadores como Rood, Kabat e Knott, Brunnstrom e Bobath.

Antigamente, baseava-se apenas em informações empíricas e experiências clínicas. Entretanto, atua hoje com base nos conceitos neurofisiológicos obtidos após condutas bem sucedidas, pesquisas intensas e árduo trabalho, direcionando-se o tratamento para a recuperação funcional mais rápida possível para o paciente seja ele pediátrico, adulto ou geriátrico.

Hoje, com as modernas técnicas e com o aprimoramento constante dos profissionais com cursos de aperfeiçoamento, essa área da fisioterapia obtém grandes resultados.

A fisioterapia neurofuncional no IGF também compartilha desse aprimoramento e pode minimizar as deficiências advindas das doenças que acometem o sistema nervoso como: Paralisia Cerebral, Esclerose Múltipla, Acidente Vascular Encefálico (derrame cerebral) dentre outras.

A reabilitação tem como intuito restaurar a identidade pessoal e social dos pacientes que sofreram lesões no córtex, tronco cerebral, medula espinhal, nervo periférico, junção neuromuscular e no músculo, buscando o bem estar físico e emocional do indivíduo.

O tratamento é globalizado e tem como objetivos principais:

  • Prevenir deformidades, orientar a família e o paciente seja ele adulto ou criança,

  • Normalizar o tônus postural,

  • Melhorar habilidades cognitivas e de memória,

  • Reintegrar o paciente a sociedade,

  • Diminuir padrões patológicos,

  • Prevenir instalação de doenças pulmonares ou qualquer outra intercorrência,

  • Manter ou aumentar a amplitude de movimento,

  • Reduzir a espasticidade,

  • Estimular as atividades de vida diária, a alimentação, o retreinamento da bexiga e intestinos, a exploração vocacional e de lazer;

  • Otimizar a qualidade de vida do paciente.

Diversas são as patologias neurológicas que podem ser tratadas pela fisioterapia. Dentre elas, discorreremos sobre as mais comuns:

Hemiplegia: Ocorre geralmente após um acidente vascular encefálico (Derrame Cerebral) onde o individuo geralmente fica com um lado do corpo paralisado.

Tratamento Fisioterápico: A reabilitação na hemiplegia é iniciada logo após o acidente vascular para fazer com que o paciente saia da cama e consiga realizar suas atividades mais independentemente possível.

A participação ativa do paciente é fundamental com o fisioterapeuta, para que ele possa aprender a controlar sua musculatura e movimentos anormais.

Doença de Parkinson: O paciente apresenta: tremor, bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez muscular, alterações posturais e quedas freqüentes.

Tratamento Fisioterápico: O principal objetivo nesta patologia é trabalhar alongamento para melhorar amplitude do movimento, alinhar e melhorar a postura, treinar a marcha (com oscilação dos membros superiores), estimular reações de equilíbrio, treinar sentar e levantar de cadeiras, extensão e rotação do tronco. Os exercícios específicos e regulares são de fundamental importância para manter o paciente forte, flexível e funcional.

Polineuropatia: Refere-se aos obstáculos em que os nervos periféricos são afetados por um ou mais processos patológicos, levando-os á incapacidade motora.

Tratamento Fisioterápico: Na polineuropatia iniciaremos com cuidados respiratórios, controle de dor, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e adaptações às possíveis incapacidades do paciente.

Traumatismo Craniano: Depois de algum trauma, o cérebro quando lesado pode levar o paciente ao coma, déficits físicos e incapacidade.

Tratamento Fisioterápico: A prevenção de contraturas, a manutenção da função respiratória, a diminuição da elasticidade, a melhora da amplitude de movimento, a normalização de movimento e do tônus postural e o reforço das habilidades remanescentes serão as prioridades neste caso.

Paralisia cerebral: O paciente, em geral pediátrico, apresenta variações no tônus, problemas na coordenação da postura e nos movimentos. Suas atividades são baseadas no uso da mobilidade anormal, tornando-se cada vez mais limitadas.

Tratamento Fisioterápico: Usaremos aqui o desenvolvimento dos padrões de coordenação de movimento da criança normal. Facilitaremos o movimento combinado com inibição em situações funcionais em sua vida diária. Através dessas atividades, a criança tem a experiência de sensação de um movimento.

Vale acrescentar que os métodos de fisioterapia são cada vez mais valorizados pelos pacientes e por profissionais de saúde em geral. Na prática, a Fisioterapia Neurofuncional é aplicada com base em vários dos métodos de tratamento. É comum que o fisioterapeuta selecione técnicas específicas de diversos métodos de tratamento aplicando-as de acordo com as necessidades de seus pacientes.

Também se observa um enorme grau de liberdade criativa baseado nos conceitos gerais de cada método e na competência e profissionalismo de cada fisioterapeuta. Considerando-se que, seja qual for o método, o objetivo geral é promover o aprendizado ou reaprendizado motor desenvolvendo nos pacientes a capacidade de executar atividades motoras o mais próximo possível do normal.

De qualquer forma, não se pode esquecer que um fisioterapeuta sensível, capaz de estabelecer uma boa relação terapeuta X paciente, pode operar milagres no processo de recuperação de seu doente neurológico e é isso que você encontrará no IGF.



Hoje, com as modernas técnicas e com o aprimoramento constante dos profissionais com cursos de aperfeiçoamento, essa área da fisioterapia obtém grandes resultados.

A fisioterapia neurofuncional no IGF também compartilha desse aprimoramento e pode minimizar as deficiências advindas das doenças que acometem o sistema nervoso como: Paralisia Cerebral, Esclerose Múltipla, Acidente Vascular Encefálico (derrame cerebral) dentre outras.

A reabilitação tem como intuito restaurar a identidade pessoal e social dos pacientes que sofreram lesões no córtex, tronco cerebral, medula espinhal, nervo periférico, junção neuromuscular e no músculo, buscando o bem estar físico e emocional do indivíduo.

O tratamento é globalizado e tem como objetivos principais:

  • Prevenir deformidades, orientar a família e o paciente seja ele adulto ou criança,

  • Normalizar o tônus postural,

  • Melhorar habilidades cognitivas e de memória,

  • Reintegrar o paciente a sociedade,

  • Diminuir padrões patológicos,

  • Prevenir instalação de doenças pulmonares ou qualquer outra intercorrência,

  • Manter ou aumentar a amplitude de movimento,

  • Reduzir a espasticidade,

  • Estimular as atividades de vida diária, a alimentação, o retreinamento da bexiga e intestinos, a exploração vocacional e de lazer;

  • Otimizar a qualidade de vida do paciente.

Diversas são as patologias neurológicas que podem ser tratadas pela fisioterapia. Dentre elas, discorreremos sobre as mais comuns:

Hemiplegia: Ocorre geralmente após um acidente vascular encefálico (Derrame Cerebral) onde o individuo geralmente fica com um lado do corpo paralisado.

Tratamento Fisioterápico: A reabilitação na hemiplegia é iniciada logo após o acidente vascular para fazer com que o paciente saia da cama e consiga realizar suas atividades mais independentemente possível.

A participação ativa do paciente é fundamental com o fisioterapeuta, para que ele possa aprender a controlar sua musculatura e movimentos anormais.

Doença de Parkinson: O paciente apresenta: tremor, bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez muscular, alterações posturais e quedas freqüentes.

Tratamento Fisioterápico: O principal objetivo nesta patologia é trabalhar alongamento para melhorar amplitude do movimento, alinhar e melhorar a postura, treinar a marcha (com oscilação dos membros superiores), estimular reações de equilíbrio, treinar sentar e levantar de cadeiras, extensão e rotação do tronco. Os exercícios específicos e regulares são de fundamental importância para manter o paciente forte, flexível e funcional.

Polineuropatia: Refere-se aos obstáculos em que os nervos periféricos são afetados por um ou mais processos patológicos, levando-os á incapacidade motora.

Tratamento Fisioterápico: Na polineuropatia iniciaremos com cuidados respiratórios, controle de dor, fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e adaptações às possíveis incapacidades do paciente.

Traumatismo Craniano: Depois de algum trauma, o cérebro quando lesado pode levar o paciente ao coma, déficits físicos e incapacidade.

Tratamento Fisioterápico: A prevenção de contraturas, a manutenção da função respiratória, a diminuição da elasticidade, a melhora da amplitude de movimento, a normalização de movimento e do tônus postural e o reforço das habilidades remanescentes serão as prioridades neste caso.

Paralisia cerebral: O paciente, em geral pediátrico, apresenta variações no tônus, problemas na coordenação da postura e nos movimentos. Suas atividades são baseadas no uso da mobilidade anormal, tornando-se cada vez mais limitadas.

Tratamento Fisioterápico: Usaremos aqui o desenvolvimento dos padrões de coordenação de movimento da criança normal. Facilitaremos o movimento combinado com inibição em situações funcionais em sua vida diária. Através dessas atividades, a criança tem a experiência de sensação de um movimento.

Vale acrescentar que os métodos de fisioterapia são cada vez mais valorizados pelos pacientes e por profissionais de saúde em geral. Na prática, a Fisioterapia Neurofuncional é aplicada com base em vários dos métodos de tratamento. É comum que o fisioterapeuta selecione técnicas específicas de diversos métodos de tratamento aplicando-as de acordo com as necessidades de seus pacientes.

Também se observa um enorme grau de liberdade criativa baseado nos conceitos gerais de cada método e na competência e profissionalismo de cada fisioterapeuta. Considerando-se que, seja qual for o método, o objetivo geral é promover o aprendizado ou reaprendizado motor desenvolvendo nos pacientes a capacidade de executar atividades motoras o mais próximo possível do normal.

De qualquer forma, não se pode esquecer que um fisioterapeuta sensível, capaz de estabelecer uma boa relação terapeuta X paciente, pode operar milagres no processo de recuperação de seu doente neurológico e é isso que você encontrará no IGF.

domingo, 16 de março de 2008

Games auxiliam a medicina



O game Nintendo Wii tem dado uma tremenda ajuda para a pesquisa na medicina. Por ser mais interativo que os outros consoles, ele permite a utilização em estudos de motricidade, fisioterapia e geriatria.

Uma pesquisa da Universidade de Memphis, publicada no site PLoS ONE, demonstrou um novo uso para o console. O doutor Rick Dale e seus colaboradores puderam acompanhar os movimentos de uma pessoa ao aprender uma tarefa. E conseguiram provar que um processo mental, como o aprendizado, interfere também no ajuste motor. Para tanto, apenas um computador foi necessário para medir a velocidade e a amplitude dos movimentos. E o sensor utilizado, presente nos jogos da Nintendo, é muito mais barato que os scanners que medem os movimentos em 3D.

Para os autores, o processo mental exigido no jogo, com os movimentos naturais, cria uma atmosfera de total envolvimento do jogador. E isso pode ser aproveitado em pesquisas, com a vantagem de a ferramenta de estudo poder ser encontrada em qualquer loja de eletrônicos.

Na Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, foi apresentado recentemente um sensor gravitacional que consegue reproduzir, na tela do computador, movimentos em três dimensões muito mais realistas, eliminando trancos, fricção e outras interferências.

Esse sensor parece uma saladeira com um palito flutuando no meio. A movimentação do palito é mostrada na tela do computador com o deslocamento de um objeto, dando uma impressão bastante realista da sua ação tridimensional. Dez cópias desses  quipamentos serão distribuídas para grupos de pesquisa que utilizam campos gravitacionais para ler os movimentos, em vez de cabos e leitores ópticos.

A interatividade com movimentos naturais é um dos maiores avanços em prol da medicina na área dos jogos eletrônicos. É um caminho para maior aceitação do jogo como uma ferramenta de aprendizado, e que pode compensar parte dos efeitos psíquicos negativos dos jogos eletrônicos.

domingo, 9 de março de 2008

Procedimento fisioterapêutico em indivíduos com sinusite.

Pesquisadores brasileiros avaliaram os efeitos da aplicação do tratamento fisioterapêutico em indivíduos com sinusite submetidos ou não à terapia medicamentosa.


O estudo foi desenvolvido no Instituto de Previdência do Estado da Paraíba com participação de 13 indivíduos, selecionados ao acaso, com idade entre 18 e 50 anos, sendo 11 mulheres (84,6%) e 2 homens (15,4%). Os indivíduos foram avaliados quanto à presença de alergias respiratórias, sinais e sintomas respiratórios nas vias aéreas superiores (V.A.S.), associação da sinusite com outras doenças de V.A.S., uso de medicamentos e evolução clínica dos sinais e sintomas de V.A.S., após tratamento fisioterapêutico (ultra-som e lavagem nasal).


Observou-se quanto às doenças de V.A.S., uma prevalência para a sinusite (61,5%), onde 100% dos indivíduos referiram coriza e alergia. Em relação ao comportamento dos sinais e sintomas respiratórios (V.A.S.) antes e após o tratamento fisioterapêutico, observou-se uma prevalência para o sintoma dor de cabeça (84,6%). A variável dor facial, apresentou diferença estatisticamente significante e a variável dor de cabeça, aproximou-se da significância fixada.



Os resultados mostraram que os sintomas decorrentes de sinusopatias como dor de cabeça e dor facial, reduziram respondendo adequadamente ao tratamento fisioterapêutico.



Fonte: Procedimento fisioterapêutico em indivíduos com sinusite submetidos ou não à Terapia medicamentosa.

Terapia Cranio Sacral

Introdução

Terapia corporal holística que visa o diagnóstico e tratamento do Sistema Craniosacral através de toques suaves e precisos nos ossos da cabeça, coluna vertebral e sacro, melhorando o funcionamento do sistema nervoso central e conseqüentemente ativando a capacidade de auto cura do corpo, promovendo um profundo relaxamento e sensação de bem-estar em todos os níveis: físico, emocional e mental.

A terapia crânio-sacral é um entre muitos termos usados para descrever uma variedade de métodos baseados em alegações fantásticas de que:

. O cérebro humano faz movimentos rítmicos em uma taxa de 10 a 14 ciclos por minuto, uma periodicidade não relacionada com a respiração ou batimentos cardíacos. 

. Pequenas pulsações cranianas podem ser sentidas através das pontas dos dedos. 

. A restrição de movimento das suturas do crânio (região aonde os ossos do crânio se unem) interfere com o fluxo normal do fluido cerebrospinal (o fluido que envolve o cérebro e a medula espinhal) e causa doenças. 

. Doenças podem ser diagnosticadas detectando aberrações neste ritmo. 

. Dor (especialmente da articulação da mandíbula) e muitas outras doenças podem ser curadas pressionando-se os ossos do crânio. 

*A maioria dos praticantes é formada por osteopatas, massoterapêutas, quiropráticos, dentistas ou fisioterapeutas. Os outros termos usados para descrever o que fazem incluem osteopatia cranial, terapia cranial, terapia bio cranial e duas variantes quiropráticas chamadas craniopatia e técnica sacro occipital.


Equilíbrio Craniosacral 

Equilíbrio Craniosacral é um dos mais gentis e, porém profundos sistemas de cura que existem para o ser humano. Na sua profundidade, ele trabalha com as suaves correntes de energia vital, que se manifestam por si próprias dentro de nós, como fluidos e também nos tecidos do corpo. Com o cliente deitado numa mesa de massagem, o praticante utiliza-se de toques delicados para perceber o fluxo da força vital dentro do sistema craniosacral, que carrega o sutil fluxo do líquido que envolve o cérebro e a coluna vertebral. Com o treinamento e a prática, os diferentes níveis de manifestações do sistema craniosacral podem ser percebidos como a flutuação das ondas e marés do oceano. 

Este líquido, o fluido cérebro-espinhal, possui uma qualidade quase mágica de cura. Ele protege e alimenta o sistema nervoso central. O movimento sutil desse líquido pode ser percebido em todos os tecidos do corpo. Isto é similar a uma suave inalação e exalação; que é chamado de Respiração da Vida, porque é o sistema primário da respiração do corpo, mais sutil e mais profundo do que a nossa respiração. Ele carrega o brilho da força vital dentro dele. 


Quando aplicar a técnica?

Respostas positivas no tratamento de disfunções corporais, stress, dores crônicas e outras desordens ligadas ao Sistema Nervoso Central. É um excelente recurso adicional às terapias convencionais.

O Crâniosacro é baseado em um sistema existente nos seres humanos, envolvendo as estruturas localizadas a partir do crânio, seguindo pela coluna vertebral até a região sacral. Contém um sistema de meninges (membranas), por onde flui o líquor ou líquido cérebro-espinhal. Uma membrana rígida e impermeável, chamada Dura Máter, impede a dispersão deste líquido indiscriminadamente pelo corpo.

Tradicionalmente, o líquido cérebroespinhal - LCE - tem como papéis principais absorver choques e promover proteção biológica, distribuindo elementos de defesa ao longo das estruturas que são banhadas por ele. O Sistema Nervoso Central contém uma média de 125 ml de LCE que é composto, quimicamente, por proteínas, glicose, uréia e sais.

A produção de LCE pelo organismo se dá a partir da filtragem do sangue através do plexo coróide, fluindo através dos ventrículos, até sua distribuição pelo sistema. Esta produção provoca um aumento da pressão interna no Sistema crâniosacro. Em contrapartida, sua absorção faz com que esta mesma pressão diminua. Este esvaziamento se processa através de determinadas estruturas, localizadas no seio sagital superior, retornando então ao sangue. Todo este movimento, de produção e absorção de líquido, se configura como um pulsar rítmico.

Quando o fluido se move, as membranas que contém o fluido também se movem, normalmente, a uma média de 6 a 12 ciclos por minuto. Este ritmo está acontecendo neste momento em cada um de nós e persiste, desde o início, até o fim da vida. O próprio corpo determina, em intervalos irregulares, um momento de parada neste pulsar rítmico, chamado de StillPoint.

No StillPoint, o movimento rítmico cessa, pelo tempo correspondente a alguns ciclos. Esta parada é uma necessidade própria e marca o momento onde as forças auto corretivas do corpo são ativadas: "O corpo cura a si mesmo". Após este momento de parada, há uma nítida melhora no movimento, restrições superficiais são relaxadas e o espaço para a movimentação do fluido é ampliado. O Stillpoint pode ser induzido pelo praticante e os seus efeitos vão desde aumento de vitalidade e energia, até relaxamento, entrada em espaço meditativo e maior silêncio interior.

O equilíbrio do sistema crâniosacro é de fundamental importância para o organismo. O seu desequilíbrio pode, de várias formas, afetar o desenvolvimento e as funções do cérebro e da medula espinhal, podendo resultar em mau funcionamento motor, sensorial e intelectual. Isto ocorre devido à sua íntima ligação com o Sistema Nervoso.

As determinações de equilíbrio devem observar variáveis como, por exemplo, freqüência, amplitude e qualidade do ritmo de pulsação. 


Ajudando o corpo a curar-se

O praticante no seu espaço interno de silêncio, e com suas mãos ouvindo as manifestações do sistema, dá suporte para encontrar o seu equilíbrio natural.

Isto é muito relaxante e ao mesmo tempo estimula a força da cura do corpo que está sempre presente. Esta equipe apóia o sistema craniosacral para que o indivíduo encontre um novo equilíbrio entre seus recursos de saúde e qualquer restrição que exista nos tecidos do corpo. Dessa maneira, o corpo pode curar a si mesmo e a potência dos fluidos penetra em todas as células e órgãos novamente. 

O praticante aprende a suportar o sistema do corpo através das mãos assim como verbalmente direciona o cliente para criar mais espaço e novos estados de equilíbrio. 


Quais condições são mais beneficiadas pelo Sistema Craniosacral?

Equilíbrio Craniosacral, trabalhando no mais profundo centro do corpo, trata com sucesso uma ampla variedade de condições e sintomas, como dores de cabeça, enxaqueca, dores crônicas das costas e do pescoço, desequilíbrios hormonais, stress, desordens do sono, traumas de nascimento, PMS e desordens do stress pós-traumáticos. E também é percebido como particularmente eficaz nas condições de cura em doenças crônicas. Numa grande abrangência trata-se de uma técnica completamente segura e útil.


Terapia Crânio-Sacral: Pediatria Flexível 

A Administração da terapia craniosacral pode ajudar crianças com vários tipos de problemas...

O trauma experienciado pelo recém nascido durante seu nascimento costuma não ser notado devido à duração e à dor do parto experienciados pela mãe.Considere as mudanças extremas de ambiente - do útero quente, escuro e confortável para uma sala de operações fria, ofuscante e cheia de gente. Sem falar da nova sensação do toque humano e de ser manipulado por várias pessoas.

Alguns profissionais médicos acreditam que estas experiências traumáticas ficam guardadas nos tecidos do recém nascido durante anos e podem gerar uma enorme quantidade de problemas que vêm à tona com o tempo. Algumas destas recordações "ruins" podem converter-se em síndromes e sintomas emocionais e /ou físicos.Para evitar algumas das condições que podem ocorrer como resultado do processo de nascimento, uma técnica denominada terapia craniosacral (TCS).

Estabelecida no início do século pelo Dr. William Sutherland, a TCS é uma técnica feita com as mãos que avalia e melhora a função do sistema craniosacral. Este sistema consiste de membranas e fluido cérebro-espinhal que envolve e protege o cérebro e a medula espinhal. Estende-se desde os ossos do crânio, face, e boca descendo até ao sacro. Sutherland explorou o conceito de que os ossos do crânio foram estruturados para movimento e a partir daí desenvolveu a osteopatia craniana.Em meados de 1970, o médico osteopata John Upledger partiu para confirmação científica da existência do sistema craniosacral. O que eventualmente levou ao desenvolvimento da terapia craniosacral.

Os terapeutas de craniosacral usam um toque leve para ajudar no fluxo natural de fluido cérebro-espinhal dentro do sistema. A força necessária é muito pequena - semelhante à força usada para levantar uma moeda com um dedo (5 gramas) - para testar se há restrições nas várias partes do sistema craniosacral. Em essência o terapeuta facilita a autocorreção do corpo.

Artigo Importante

"Um menino de 15 anos, cego e autista, tinha as articulações muito presas. Dificuldade com mobilidade; de abaixar e levantar do chão e de usar o andador, tinha uma extensão de movimento muito limitada nas extremidades superior e inferior. Passava por sessões de fisioterapia com alongamentos. Com o passar dos anos ele ficava cada vez mais rígido.
Então ficou provado que a terapia tradicional não estava ajudando tanto. Aplicar no rapaz uma sessão de terapia craniosacral seria uma das possibilidades de cura. Após um ano e com a ajuda de outro terapeuta de TCS, este jovem caminhava com uma bengala. Eventualmente, sua mobilidade e extensão de movimentos também aumentaram.

A técnica pode ser adaptada aos diferentes tipos de paciente, principalmente ao trabalho pediátrico. "O trabalho craniano harmoniza-se facilmente com outras técnicas".


Quem são os pacientes que devem ou podem receber este tratamento?

Profissionais médicos têm trabalhado com terapia craniosacral desde 1950.

As técnicas de TCS utilizadas em pediatria não são as mesmas utilizadas com adultos. Principalmente o toque é diferente e é essencial que o terapeuta perceba bem os ossos do crânio da criança, os quais ainda estão em desenvolvimento e formação. "Alguns ossos só acabam de formar-se com 7 a 8 anos de idade." Estes ossos muitas vezes estão mais para membrana do que ossificados. "Um terapeuta precisa ter as técnicas manuais para poder usar a medida certa de força e ser capaz de perceber o que o corpo da criança precisa".

Além disso, as crianças não dão as mesmas respostas verbais (feedback) que os adultos. Devido a isto, os terapeutas pediátricos precisam tomar mais decisões durante o tratamento. As crianças emitem mensagens mais sutis e se mexem muito mais que os adultos. Os terapeutas precisam adaptar-se a isto.

Ficou comprovado que cada recém nascido recebendo o tratamento de TCS antes de ir para casa, diminui a incidência de doenças que precisam de hospitalização.Testes feitos em crianças com apenas 45 minutos de nascidas e bebês com poucas semanas de idade regularmente, também têm muito bom êxito.

A TCS pediátrica pode ser utilizada para tratar várias condições, inclusive deficiências de aprendizagem, dificuldade de concentração, hiperatividade, atraso geral de desenvolvimento, e autismos. Todas as crianças "normais" deveriam fazer "uma avaliação do equilíbrio do seu sistema craniosacral".



Desenvolvimento da Técnica


Conclusão


Quanto à relutância de alguns terapeutas ao abordar a TCS, a equipe que desenvolve este trabalho tem em comum a opinião que esta relutância deve-se à falta de compreensão dos profissionais. Experiências profissionais anteriores convencem ao leitor de que quando os terapeutas testemunham os resultados e compreendem a técnica (assim como a Elisa presenciou) ficam mais interessados.A técnica pode ser mal compreendida por ser tão adaptável a inúmeras situações, que acreditamos ser esta própria adaptabilidade o que torna a TCS tão eficaz.

A TCS permite que os profissionais olhem o sistema craniosacral e a fascia mais profunda do corpo. "Há a fascia em torno dos músculos, fascia em torno dos órgãos, e há fascia em torno do sistema nervoso. Com pacientes que sofrem de dor crônica ou crianças, a TCS permite que o profissional trabalhe com as restrições profundas no corpo. Embora o paciente esteja recebendo tipos de movimento e exercícios, o profissional precisa ir lá dentro" e liberar aquele sistema ". Uma vez que o sistema é"descongestionado", o movimento do paciente aumenta e ele poderá melhor executar os exercícios e progredir mais nas diferentes modalidades de tratamento tradicional. Ficou provado também que não funciona com todo mundo, pois a TCS é uma ferramenta eficaz que permite chegar a um sistema considerado por poucos profissionais.

ELETROESTIMULAÇÃO NO TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO EM IDOSAS

1. INTRODUÇÃO

1.1 INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO

A incontinência urinária de esforço na mulher (IUE) é definida, segundo a Sociedade Internacional de Continência ("International Continence Society"), como a perda involuntária de urina pela uretra, secundária ao aumento da pressão abdominal na ausência de contração do detrusor, e que acarreta problemas sociais à paciente (01).
.
A presente pesquisa caracteriza-se como sendo bibliográfica, sendo realizada utilizando-se livros, periódicos e revistas indexadas utilizando como base de dados Medline, Capes e Lilacs. O período a ser pesquisado foi de 1953 a 2005. Pretende-se focar a respeito do uso da eletroestimulação no tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas.

1.2 OBJETIVO GERAL

Evidenciar através dos diversos estudos existentes os efeitos da eletroestimulação em pacientes com incontinência urinária, ressaltando as vantagens e desvantagens apresentadas por este recurso fisioterápico.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Descrever a anatomo-fisiologia do aparelho urinário feminino normal;
- Analisar as causas e sintomas mais comuns da incontinência urinária de esforço em idosas;
- Relatar os recursos fisioterápicos utilizados no tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas;
- Descrever o efeito da eletroestimulação na incontinência urinária de esforço em idosas.

1.3 QUESTÕES DE ESTUDO

- Como é a anatomo-fisiologia do aparelho urinário feminino normal?
- Quais as causas e sintomas mais comuns da incontinência urinária de esforço em idosas?
- Que recursos fisioterápicos são utilizados no tratamento da incontinência urinária de esforço em idosas?
- Qual o efeito da eletroestimulação na incontinência urinária de esforço em idosas?

1.4 JUSTIFICATIVA

A incontinência urinária é um problema comum que pode afetar mulheres de todas as idades. O impacto psicossocial da incontinência urinária na mulher reflete-se na incidência significativamente maior de depressão, neurose e disfunção sexual (109). Observou-se também maior incidência de hipocondria, depressão, histeria, dispareunia e menor freqüência de atividade sexual (138). A incontinência urinária afeta dez milhões de indivíduos nos Estados Unidos, acarretando gastos da ordem de 10,8 bilhões de dólares por ano. Do exposto – e considerando-se que a incontinência urinária é um sintoma cuja prevalência é maior na população idosa, que tende a crescer na maioria dos países, tanto evoluídos quanto em desenvolvimento –, é lícito supor que este problema venha a se agravar (03).

Devido ao estigma social e ao fato de muitos acreditarem ser esta condição um processo natural do envelhecimento, alguns deles não relatam o fato ao médico, estimando-se que menos da metade dos indivíduos com incontinência urinária procura serviço médico pela queixa (aproximadamente 10,7% das mulheres brasileiras procuram atendimento ginecológico queixando-se de perda urinária) (58, 99). Evidências recentes indicam que o tratamento adequado diminui a morbidade e seus custos, particularmente em pacientes institucionalizados(98).

A abordagem da incontinência urinária de esforço, ainda hoje, apresenta dificuldades relativas ao diagnóstico e conduta terapêutica, pois, apesar de novas modalidades propedêuticas e distintas técnicas cirúrgicas descritas, os índices de insucesso alcançam entre 15% a 20% nos cinco anos subseqüentes à cirurgia, independentemente do tipo de procedimento e/ou da habilidade do cirurgião (103, 111). Por esta razão, nos últimos anos, o tratamento não – cirúrgico da incontinência urinária de esforço vem ganhando maior projeção, apresentando bons resultados com baixo índice de efeitos colaterais, além de custo reduzido, por isto, a fisioterapia, de modo especial, vem a cada dia ampliando seu espaço de trabalho nesta área e associa seus esforços a outros profissionais da saúde no sentido de integrar com dignidade, pessoas à sociedade (23, 24).

2. INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO


2.1 ANATOMIA


A parede da cavidade pélvica inclui (1) os músculos superficiais, como os glúteos; (2) os ossos dos quadris, o sacro e o cóccix e seus ligamentos associados; e (3) os músculos profundos. Vasos sanguíneos, nervos e o peritônio (49).
O assoalho pélvico (uma expressão diversamente definida) pode ser convenientemente considerado como as principais estruturas que suportam as vísceras abdominais e pélvicas, o peritônio e os diafragmas da pelve e urogenital (136). O peritônio desce para se refletir da frente do reto para a bexiga (escavação retovesical no homem) ou para o útero e vagina (escavação retouterina ou retovaginal na mulher) (87). As escavações são limitadas, lateralmente, por elevações peritoneais que são freqüentemente chamadas de pregas sacrogenitais (137). Na frente, o peritônio é refletido do útero para a bexiga (escavação vesicouterina). Os vasos sanguíneos e os plexos neurais para as vísceras (assim como para o ureter e os ductos deferentes) estão situados no tecido conectivo entre o peritônio e o diafragma da pelve. Espessamentos localizados deste tecido extraperitoneal formam ligamentos. O assoalho pélvico possui duas aberturas medianas, uma para o reto e a outra para a uretra (e vagina) (107).


2.2 FISIOLOGIA DA MICÇÃO

Antes de falar sobre a incontinência, é preciso entender que o controle da urina é dito "normal", ou seja, a palavra "continência" é usada para descrever a capacidade normal de uma pessoa acumular urina, com controle consciente sobre o tempo e lugar para urinar. Uma mistura sutil de fatores contribui para a continência, de modo que ela não depende apenas do estado e da integridade dos órgãos específicos incluídos e dos tecidos mais vizinhos que são importantes, mas também, da saúde geral – tanto física como mental – da pessoa integral (39).

O controle neurológico da micção se dá pela ação harmoniosa da medula espinhal, da ponte e do córtex cerebral de vias autônomas e somáticas da seguinte forma: quando a bexiga começa a encher, receptores de estiramento da sua parede são excitados e as fibras aferentes parassimpáticas conduzem esse estímulo até o centro de micção sacral (níveis S2 – S4 da medula espinhal) (134).

Os tratos espinotalâmicos laterais conduzem o estímulo até a ponte, onde existem áreas capazes de inibir ou excitar o centro de micção. Nesse primeiro instante, impulsos inibitórios são enviados ao centro de micção para inibir a contração do músculo detrusor e ativar a ação do esfíncter (133,135).

Quando o volume de urina aumenta, essas descargas elétricas na parede da bexiga chegam ao córtex cerebral (lobo frontal). Sendo assim, agora o ato de conter a urina ocorre voluntariamente, já que foi percebido o desejo de urinar (59).

Outro fator que influencia na continência da urina é a estimulação de vias aferentes simpáticas que reduzem a contractilidade do músculo detrusor e aumentam a pressão uretral (130). Essa condução se dá através dos nervos hipogástricos, localizados entre os níveis T11-L3, da parede da bexiga e musculatura lisa da uretra (isso acontece quando a vontade de urinar é alta e ainda não foi achado um local adequado para a micção. A contração voluntária do assoalho pélvico ajuda nessa retenção) (113).

Quando o indivíduo decide urinar, impulsos eferentes descendentes iniciam a atividade preparatória inibindo a ação dos nervos pélvico e pudendo, que provocam o relaxamento do assoalho pélvico e do esfíncter externo (132,132).

Logo após, o córtex e o centro pontino não mais inibem o centro miccional e estimulam a excitação dos nervos parassimpáticos eferentes que provocam a contração do músculo detrusor (101, 102).

Quando se cessarem os estímulos simpáticos o detrusor se contrai e o esfíncter externo relaxa. Ou seja, ocorre a queda da pressão de fechamento uretral já que a pressão do detrusor e do fluxo de urina estão aumentadas (140).

Após o esvaziamento, as paredes da bexiga não estão sendo mais estiradas e o ciclo pode reiniciar-se (127,129).


2.3 FISIOPATOLOGIA DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO

Existem situações transitórias e definitivas que podem levar à incontinência urinária. Dentre as transitórias, responsáveis por cerca de 50% dos casos de incontinência urinária nas mulheres idosas, podemos citar:

• Drogas - Existem vários medicamentos que interferem tanto na função vesical como na uretral. Algumas drogas contra hipertensão arterial, por exemplo, podem levar à incontinência.

• Problemas mentais - Alterações mentais graves que acarretam perda do sentido de orientação podem levar à perda da consciência da plenitude vesical.

• Infecção urinária - As cistites agudas são muito comuns em pacientes idosas e podem levar à urge-incontinência.

• Deficiência hormonal - A função uretral relacionada à contenção urinária está intimamente relacionada à produção hormonal ovariana (estrógeno), que é também fundamental para a menstruação. Após a menopausa, a produção de estrógeno diminui, e em algumas mulheres o tecido uretral torna-se mais frágil e sujeito a lesões e infecções (128).

Dentre as situações definitivas que levam à incontinência podemos citar:

• Gravidez - A gestação aumenta a tensão sobre a musculatura da pelve feminina. Além disso, durante o parto pode haver o estiramento e rotura das fibras musculares do períneo, deslocando a bexiga e a uretra de suas posições normais, causando a Incontinência urinária de esforço (126).

• Cirurgias abdominais ou pélvicas - Destacam-se a histerectomia, as falhas das cirurgias para incontinência e as cirurgias para tratamento de tumores do cólon ou do reto, dentre outras (76,79).

• Acidente vascular cerebral, traumas e tumores medulares

- São situações nas quais pode haver comprometimento do controle do sistema nervoso sobre a micção (95,97).

A incontinência urinária de esforço ocorre em duas situações distintas (80,94). Na primeira, que corresponde à grande maioria dos casos, a uretra conserva a função de esfíncter. Em repouso, a pressão uretral é maior que a pressão vesical, mantendo a continência (96). No entanto, durante os esforços há um aumento da pressão abdominal que não é transmitido igualmente para a uretra e para a bexiga, de maneira que a pressão vesical torna-se maior que a pressão uretral, ocorrendo perda urinária. A transmissão desigual da pressão abdominal é devida à hipermobilidade do colo vesical e da uretra proximal, que decorre do relaxamento do assoalho pélvico. Essa situação é conhecida como incontinência urinária de esforço anatômica. Na segunda condição ocorre a lesão do mecanismo esfincteriano próprio da uretra. A pressão uretral é constantemente baixa, e a perda urinária se dá geralmente aos mínimos esforços (75,78,81) .

Nesta situação, pode não existir hipermobilidade do colo vesical, que em geral se encontra fixo com a uretra fibrosada. A lesão do mecanismo esfincteriano intrínseco da uretra, conhecida como incontinência urinária de esforço esfincteriana, pode decorrer de cirurgias prévias, trauma, mielodisplasias e hipoestrogenismo, dentre outras causas. Nesses casos, a correção por técnicas de suspensão do colo vesical (uretrocistopexias) tem um alto índice de falha, estando indicadas técnicas para o aumento da resistência uretral, como os "slings" e as injeções periuretrais (74,77,87).


2.4 DIAGNÓSTICO

O sucesso do tratamento da incontinência urinária depende do diagnóstico correto, objetivando-se a correção da disfunção ou alteração que causa a perda de urina. A história clínica e o exame físico completo são fundamentais na avaliação desses casos (84,85).

O diagnóstico da IUE é fundamentalmente clínico. Além da anamnese detalhada, que inclui um diário miccional (registro da hora, volume urinado e dos episódios de perda), procura-se também demonstrar objetivamente a perda urinária através do teste de Bonney. O teste de Bonney consiste na elevação do colo vesical pelo examinador introduzindo os dedos indicador e médio na vagina da paciente. O teste é considerado positivo quando a elevação do colo vesical durante o esforço impede a perda urinária percebida anteriormente. Nos casos cuja história não é típica e naqueles em que houve insucesso cirúrgico, podemos lançar mão de métodos auxiliares (124).

Pacientes com imperiosidade miccional, urge-incontinência, enurese noturna ou que foram submetidas a tratamento cirúrgico prévio devem ter sua avaliação complementada com estudo urodinâmico (88,89,90).

A importância do estudo urodinâmico nestas pacientes está em orientar o diagnóstico, auxiliar na escolha da forma de tratamento e fornecer informações complementares para o seguimento pós-cirúrgico (38,76).

Atualmente têm sido propostas diversas técnicas simplificadas para realização do estudo urodinâmico capazes de reduzir sua complexidade e eliminar a necessidade do emprego de alta tecnologia (139). Uma vez constatada sua reprodutibilidade e confiabilidade, tais modalidades permitiriam uma redução do custo final do exame, sem prejuízo na qualidade de seus resultados (37,69). Pushkar et al.12 avaliaram o potencial diagnóstico de testes urodinâmicos combinados em diferentes formas de incontinência urinária, demonstrando que a cistometria foi mais eficiente no diagnóstico da instabilidade do detrusor (60,61).

Avaliações preliminares sugerem que a propedêutica uroginecológica, associada à cistometria, é opção a ser considerada na avaliação clínica e pré-operatória de pacientes com Incontinência Urinária de Esforço em substituição à urodinâmica convencional, particularmente onde esta última não se encontra disponível (26). Trata-se de exame acessível e de considerável sensibilidade para a detecção de contrações vesicais involuntárias, além de proporcionar ao examinador noções fidedignas da complacência vesical e da atividade vesical (71,72).

Existe ainda uma associação com métodos de imagem - A observação da abertura e mobilidade do colo vesical utilizando a fluoroscopia ou o ultra-som durante as medidas pressóricas constitui o estudo videourodinâmico, que permite a obtenção de informações adicionais e é de importância nos casos complexos, principalmente em serviços universitários de referência (14, 73).


2.5 TRATAMENTO DA INCONTINÊNCIA URINÁRIA DE ESFORÇO


2.5.1 TRATAMENTO MEDICAMENTOSO


O emprego da desmopressina, de diuréticos, de alfa-bloqueadores e a terapia de reposição hormonal nas mulheres são as opções farmacológicas mais utilizadas (101).

A alteração do ritmo de liberação da desmopressina verificada em pessoas idosas e a sensibiidade dos túbulos renais a esse hormônio, levou-nos ao emprego de formas sintéticas do mesmo (DDVAP), visando reduzir a produção de urina e a frequência urinária noturnas. Os resultados obtidos até hoje nos permitem concluir que o emprego do DDVAP não deve ser rotineiro nos pacientes idosos portadores de noctúria. Embora existam indícios de melhora da sintomatologia, os efeitos colaterais de retenção hídrica e hiponatremia, observados com o emprego da apresentação em forma de "spray" nasal, podem ser perigosos em pacientes idosos portadores de outras doenças. Logo, é recomendado o uso do DDVAO em sua apresentação oral nos pacientes idosos que estejam em boas condições de saúde (125).

Os diuréticos são boa opção terapêutica, principalmente para aqueles pacientes que apresentam edema periférico. Os diuréticos de alça podem ser usados a qualquer hora do dia, desde que sejam monitorados os efeitos colaterais de hipotensão postural e distúrbios hidroeletrolíticos (121).

O uso de alfa-bloqueadores deve ser reservado para pacientes do sexo masculino, nos quais acreditamos ser o componente prostático a causa mais importante do quadro de noctúria. Devemos advertir os pacientes dos efeitos hipotensores dessa medicação, que ocorrem em 18% dos pacientes hipertensos (120,123).

Com relação a reposição hormonal, no último século houve considerável aumento da expectativa de vida das mulheres, as quais passaram a viver mais de um terço de suas vidas após a menopausa. Assim, a mulher fica cada vez mais exposta às conseqüências deletérias do hipoestrogenismo (119).

As alterações decorrentes da ação de hormônios e de outros fármacos, no trato urinário inferior da mulher têm grande importância. De fato a reposição hormonal na pós-menopausa contribui de modo decisivo no tratamento de diversos distúrbios urinários, dentre eles a incontinência urinária de esforço (105,108).

O uso de hormônios na terapêutica da incontinência urinária na pós-menopausa fundamenta-se em dados embriológicos e na fisiologia do trato genito – urinário (116). Como se sabe, a genitália feminina e o trato urinário desenvolvem-se a partir de um precursor embriológico comum, o seio urogenital. Portanto, pode-se pressupor que o trato urinário baixo, assim como o genital, sejam sensíveis à ação hormonal (64).

Sabe-se que os vasos periuretrais são responsáveis por 33% da pressão de fechamento uretral, e que a mucosa uretral desempenha importante papel na continência urinária, pela coaptação da uretra (101).

Em nosso meio, Endo et al (45), em estudo experimental em ratas castradas, observaram aumento da vascularização vesical e periuretral no grupo de animais tratados com estrogênio (2,57).

Os corticosteróides, por sua vez, são amplamente utilizados na prática clínica pelo seu efeito antiinflamatório. Possuem capacidade de impedir ou suprimir o desenvolvimento de calor, rubor, intumescimento e sensibilidade locais, pelas quais a inflamação é reconhecida. Porém, pouco o quase nada se sabe a respeito do seu efeito nos tratos urinário e genital, muito menos sobre suas interações com os hormônios sexuais (82).


2.5.2 TRATAMENTO CIRÚRGICO

O tratamento cirúrgico da Incontinência urinária de esforço baseia-se na correção da hipermobilidade do colo vesical quando houver alteração anatômica do soalho pélvico, ou no aumento da resistência uretral quando houver lesão esfincteriana intrínseca da uretra. Pode haver também a associação de ambos, exigindo o uso de técnicas para a correção conjunta dos dois componentes da incontinência (111).

Correção da hipermobilidade do colo vesical - O objetivo é manter o colo vesical em posição intra-abdominal, seja através de sua suspensão ou através do reforço do soalho pélvico (112).
Podemos distinguir três abordagens diferentes:

• Via vaginal - A correção de distopias através da via vaginal pela cirurgia de Kelly-Kennedy é largamente difundida e baseia-se na plicatura do tecido parauretral, com índices de sucesso progressivamente menores durante o seguimento. Atualmente admite-se que o suporte do soalho pélvico torna-se novamente inadequado em médio prazo após a utilização desta técnica (43,44).

• Via suprapúbica - Representada por duas técnicas. Na técnica de Marshall-Marchetti-Krantz realiza-se a sutura do tecido periuretral e da bexiga ao periósteo do púbis. O sucesso referido é da ordem de 85% durante seguimento prolongado, admitindo-se como principais inconvenientes a possibilidade de angulação e a conseqüente obstrução uretral, e, mais raramente, o comprometimento do mecanismo esfincteriano pelas suturas periuretrais e a osteíte do púbis (45,46,47). A outra técnica é representado pela Colpossuspensão a Burch, que se baseia na realização de suturas envolvendo a fáscia perivaginal e a parede vaginal distante da uretra, as quais são ancoradas no ligamento de Cooper. Dessa forma, as complicações potenciais descritas com a técnica anterior seriam evitadas. De maneira geral, os índices de sucesso obtidos são semelhantes (40,48).

• Via combinada sob controle endoscópico - Baseia-se na confecção de suturas de apoio envolvendo seja a parede vaginal ou os tecidos periuretrais, seguidas de ancoragem em nível da aponeurose do músculo reto abdominal, utilizando-se agulhas especiais para a tração dos fios. Assim, obtêm-se o alongamento da uretra e a suspensão do colo vesical, que é mantido fixo durante o esforço abdominal. O controle endoscópico permite a identificação de perfurações vesicais inadvertidas, além da avaliação da tração ideal sobre o colo vesical (42,116,117).

Representantes dessa modalidade de correção são as técnicas de Stamey, Raz e Gittes. Todas têm em comum a ancoragem da suspensão na parede vaginal sujeita a lacerações na dependência de alterações tróficas hormônio-dependentes ou secundárias a cirurgias anteriores. Apesar de satisfatórios no início, os resultados se mostraram desapontadores no seguimento com prazos entre cinco e sete anos, com índices de cura por volta de 50% (50,51,52).

Correção da insuficiência esfincteriana - O objetivo é aumentar a resistência uretral, o que pode ser obtido através de injeções periuretrais ou de "slings" (118).

• Injeções periuretrais - Podem ser utilizadas no tratamento da incontinência urinária de esforço esfincteriana sem hipermobilidade do colo vesical associada. O objetivo do tratamento é a injeção de substâncias biocompatíveis entre a submucosa uretral e o envelope muscular da uretra a fim de produzir coaptação uretral. As substâncias mais utilizadas para esse fim são a pasta de teflon, o colágeno bovino purificado e estabilizado, a lipoinjeção autóloga e, mais recentemente, os balões periuretrais (34,35,36).

• "Slings" -  Os "slings" pubovaginais foram descritos há muito tempo como alternativa para o aumento da resistência uretral. A tensão, propositadamente colocada ao nível da uretra, foi responsável pela alta incidência de retenção urinária pós-operatória. Recentemente, a utilização de retalhos mais longos de aponeurose, bem como a utilização de materiais sintéticos ou absorvíveis, permitiu a abordagem combinada por via abdominal e vaginal, simplificando o procedimento e melhorando os resultados (86). Com essa técnica, obtêm-se uma alça pubovaginal ou "sling" que dará apoio posterior e coaptará a mucosa uretral quando da sua descida fisiológica durante o esforço. É importante não tracionar a alça para evitar retenção urinária no pós-operatório devido à compressão da junção uretrovesical, melhorando assim os resultados obtidos (33).

Tendo em vista os bons resultados obtidos com os "slings" aponeuróticos nos casos complexos de incontinência urinária de esforço, acreditamos que deva ser essa a conduta de escolha nos de incontinência urinária de esforço por lesão esfincteriana intrínseca, bem como naqueles casos cujo risco de insucesso é grande, como nas pacientes obesas, com doença pulmonar obstrutiva crônica e radioterapia pélvica (122).

Recentemente simplificações dos "slings" têm sido realizadas, destacando-se o suporte tendíneo vagianal (STV), no qual uma fita aponeurótica sintética é ancorada aos arcos tendíneos bilateralmente, sem necessidade de perfurar a fáscia endopélvica. Outra opção de procedimento microinvasivo e passível de ser realizada com anestesia local e em nível ambulatorial é o TVT ("Tension-free vaginal tape"). Trata-se de uma fita de prolen que possui uma agulha em cada extremidade passada da região vaginal para a suprabúbica ao nível do terço médio da uretra, deixando livre o colo vesical para se abrir durante a micção (114,115).
Não há necessidade de se fixar à fita na aponeurose dos retos e tampouco de cateter uretral no pós-operatório. Trata-se de um procedimento inovador com bons resultados no seguimento inicial (112).


2.5.3 TRATAMENTO CONSERVADOR COMPORTAMENTAL E FISIOTERÁPICO

A reabilitação fisioterápica tem importante potencial no tratamento, objetivando, fortalecer os músculos do assoalho pélvico, prevenindo o surgimento de futura incontinência, ou mesmo, de prolapso uterino; cistocele (queda da bexiga); uretrocele (queda de uretra); retrocele (queda de reto) e enterocele (descida da vagina fazendo-a cair, inchar ou ficar saliente). A fisioterapia também como objetivo, reeducar a bexiga; intervir no pré e pós-operatório intensificando os resultados cirúrgicos obtidos e melhorar a qualidade psicológica, inclusive sua auto-estima, e a qualidade de vida desses pacientes. A fisioterapia atua através de:

- TREINAMENTO VESICAL: Funciona em diversos casos de urge-incontinência e de incontinência reflexa, ou seja, aquela que ocorre subitamente "sem sensação prévia ou aviso". Por exemplo, vamos considerar o caso de uma paciente cujo diário miccional mostrava períodos de continência de até duas horas, após o que ocorria urgência miccional de forte intensidade. A paciente foi orientada a urinar a cada duas horas, independentemente do desejo miccional. Após uma semana sem perder urina, a paciente foi orientada a aumentar progressivamente o intervalo entre as micções em meia hora.

- EXERCÍCIOS DA MUSCULATURA PÉLVICA: A cinesioterapia utiliza exercícios para fortalecimento dos músculos perineais e abdominais, baseada no preceito de que os movimentos voluntários repetidos do músculo estriado proporcionam aumento da força muscular, melhorando o tônus do esfíncter periuretral(100) Os exercícios perineais, também conhecidos como Exercícios de Kegel, são úteis tanto para o tratamento da Incontinência Urinária quanto para a urge-incontinência. Trabalhando inicialmente com pacientes idosas, o Dr. Kegel observou que os exercícios melhoravam não só a continência mas também o prazer sexual. Tratando-se de uma opção simples e barata, os exercícios são muito atraentes, porém é preciso salientar a necessidade de motivação para a obtenção de bons resultados, uma vez que os exercícios devem ser realizados constantemente e por toda a vida (92). Assim, o tratamento exige do médico disposição para orientação e apoio constante para conseguir resultados satisfatórios (91,93).

- PESSÁRIOS VAGINAIS: Os mais modernos são feitos de silicone na forma de uma pulseira com duas elevações. Como na maioria dos casos de incontinência urinária a bexiga se encontra prolapsada, a introdução do pessário na vagina eleva a bexiga e a uretra para a posição normal, simulando o efeito de uma cirurgia corretiva. Admite-se que após a adaptação a esse tratamento, 80% das pacientes permaneçam secas ou com melhora da incontinência (31,32).

- USO DE CONES VAGINAIS: O fortalecimento dos músculos do soalho pélvico através da reeducação perineal tem-se revelado apropriada numa série de mulheres com incontinência urinária, constituindo a base da terapêutica conservadora. O uso de cones vaginais permite taxas de sucesso objetivas comparáveis aos exercícios de Kegel standart (17).

O renovado interesse pelos exercícios da musculatura pélvica para o tratamento da incontinência urinária segue a tradição iniciada por Kegel, em que através do exercício voluntário se pretende aumentar o tônus dos músculos do pavimento pélvico, e estriado uretral, e conseqüentemente o aumento da pressão uretral, de modo a resultar superior à pressão vesical, o que em termos urodinâmicos corresponde à continência urinária (15).

Plevnik (1985) introduziu este tipo de exercícios utilizando cones vaginais demonstrando que a mulher ao tentar reter os cones de pesos crescentes na vagina aumentava o tônus da musculatura pélvica. Esta técnica consiste na utilização de um conjunto de cones de tamanhos iguais, mas de peso crescente, com forma anatômica que permite a sua introdução na vagina. A ação reflexa automática da musculatura do pavimento pélvico proporciona uma fisioterapia interna que rapidamente restabelece o tônus muscular interessado. A recuperação será notada ao fim de duas a três semanas, momento este em que se recomenda a utilização de pesos superiores, a fim de poder continuar a melhoria do processo (13).

- BIOFEEDBACK: Este método pode ser utilizado para tratar tanto a incontinência de esforço quanto a urgência miccional (41). A maioria dos equipamentos existentes possui um sensor eletrônico que é introduzido na vagina para registrar a atividade dos músculos pélvicos, e eletrodos colados na parede abdominal para monitorar sua atividade e informar se a musculatura está relaxada (19,110).

Assim, quando a paciente contrair corretamente a musculatura perineal haverá uma representação auditiva ou visual (por exemplo, acender de luzes) informando se os músculos corretos estão se contraindo e também a intensidade das contrações (22,25). Os resultados aparecem depois de cinco semanas, com exercícios realizados uma ou duas vezes por semana (39). Em alguns países existem modelos mais simples e portáteis que podem completar o tratamento em nível domiciliar (16,18).

- OBTURADORES URETRAIS: Têm por objetivo ocluir mecanicamente a uretra. Existem vários modelos no mercado e outros estão em fase de testes. Esse tipo de paliação está indicado para os casos de incontinência urinária mais grave, como nas pacientes que utilizam fraldas ou forros e que não desejam ou não podem ser submetidas ao tratamento cirúrgico. O dispositivo é descartável e não deve ser reutilizado, implicando a troca por um novo obturador a cada micção (20,21).

- ADESIVOS URETRAIS: De maneira semelhante aos obturadores, os adesivos uretrais ocluem a uretra ao nível do meato. A oclusão pode ser obtida tanto por adesivos especiais que aderem à mucosa periuretral (figura 5) quanto por dispositivos plásticos que com o auxílio de um gel apropriado criam vácuo e selam a uretra distalmente (67,68).

- ELETROESTIMULAÇÃO: A terapêutica conservadora é realizada através de técnicas que visam o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, pois a disfunção muscular representa importante fator etiopatogênico da incontinência urinária de esforço (28). O nervo pudendo é um nervo eferente tanto par ao assoalho pélvico como para o esfíncter estriado peri-uretral. Sua lesão pode ocasionar insuficiência dos elementos de sustentação, bem como o relaxamento da musculatura peri-uretral, comprometendo a integridade do assoalho pélvico e determinando, assim, o desencadeamento da incontinência urinária (104,105). Considerando a etiologia neuromuscular da incontinência urinária de esforço, vários tratamentos foram propostos com o intuito de restabelecer a função muscular e nervosa, sendo a eletroestimulação uma dessas alternativas terapêuticas (27,46).

Descrita primeiramente por Caldwell em 1963, a eletroestimulação do assoalho pélvico para tratamento da incontinência urinária de esforço apresenta resultados conflitantes. Os índices de cura variam de 30% a 50%, ocorrendo melhora dos sintomas em 6% a 90% das pacientes. A utilização de distintos critérios na avaliação diagnóstica da incontinência urinária de esforço, nos parâmetros definidos para a eletroestimulação e nos métodos empregados para a análise dos resultados são responsáveis pela diversidade dos resultados obtidos na literatura (29,30).
 
Estudos que avaliam os efeitos da eletroestimulação do assoalho pélvico no tratamento da incontinência urinária de esforço caracterizam-se, muitas vezes, por análises subjetivas e que desconsideram as distintas etiologias da perda urinária. Mesmo com o avanço nos métodos propedêuticos e o surgimento de estudos clínicos controlados, permanece acentuada discrepância com relação à padronização do tempo de tratamento, dos parâmetros definidos para a eletroestimulação e dos métodos utilizados na análise dos resultados (33).

Ao contrário das modalidades descritas, a eletroestimulação é um exercício passivo, ou seja, uma forma de exercitar a musculatura perineal sem "fazer força" (5). O tratamento é realizado introduzindo-se na vagina um eletrodo que se assemelha a um absorvente interno. O eletrodo é ligado a uma fonte geradora de impulsos elétricos que promovem a contração da musculatura perineal, eles aumentam a força de contração do músculo elevador do ânus, o comprimento funcional da uretra e melhora a transmissão da pressão abdominal. É importante salientar que o tratamento não apresenta efeitos indesejáveis e que nos casos de falha não haverá prejuízo para uma eventual cirurgia. Encontra-se em fase final de estudos a estimulação extracorpórea por ressonância magnética, método não-invasivo no qual a paciente senta-se numa cadeira que possui um dispositivo que realiza os exercícios perineais sem que haja nenhum contato direto (53,54).

Os parâmetros da eletroestimulação ainda não estão completamente padronizados mas recomenda-se a utilização do máximo estímulo intermitente tolerado sem dor (mínimo de 15 mA), com razão temporal estímulo/descanso mínima de 1:2, uso de probes via vaginal/anal, em sessões de 15 a 30 minutos, de 1 a 3 vezes por semana. As freqüências de 50 a 100 Hz são sugeridas para a Incontinência de esforço e de 10 a 20 Hz, para os casos de instabilidade do detrusor e Urge-incontinência, e ainda de 20 a 50 Hz, para Incontinência Mista, segundo alguns autores (55,56).

Os efeitos colaterais descritos com a utilização da eletroestimulação transvaginal do assoalho pélvico são raros, destacando-se: dor, irritação vaginal e infecção urinária. A utilização da eletroestimulação por curtos períodos diminui o surgimento de tais efeitos para níveis inferiores a 14%.

As contra-indicações são: gravidez, infecções vaginais, diminuição da percepção sensorial da vagina, infecção urinária, arritmia cardíaca e menstruação (82,83).

Poucos estudos avaliam os efeitos terapêuticos, a longo prazo, da eletroestimulação no tratamento da incontinência urinária. Eriksen e Eik-Nes (1989) relataram cura ou melhora em 68% das mulheres eletroestimuladas, mantendo-se a taxa de sucesso de 56% dois anos após a terapia. Appel (1998) realizou estudo com seguimento de seis anos, demonstrando que apenas 40% das mulheres apresentaram melhora permanente após a eletroestimulação. Ressaltou, entretanto, que a associação de exercícios regulares do assoalho pélvico para fortalecer a musculatura perineal poderá interferir, positivamente, na manutenção dos resultados (62,63).


3. CONCLUSÃO

A incontinência é, evidentemente, mais comum em mulheres e o risco aumenta com a idade. Cabe às mesmas, procurarem um tratamento mais específico com a fisioterapia.

A reeducação períneo-esfincteriana ressurge como uma opção em casos selecionados de incontinência urinária de esforço exigindo disponibilidade e motivação por parte de médicos, e, sobretudo das pacientes.

A eletroestimulação pode ser considerada, quer como abordagem terapêutica inicial, como alternativa ao procedimento cirúrgico, ou ainda como adjuvante a outros métodos de tratamento, respeitadas suas indicações e limitações. Minimamente invasiva, com efeitos colaterais desprezíveis e aceita pela maioria das mulheres, tem se tornado uma terapia atraente, particularmente quando associada à motivação e disciplina, requisitos indispensáveis para que se atinjam e se mantenham os melhores resultados.

A incontinência urinária é erroneamente vista como um processo natural do envelhecimento. As melhorias dos indicadores de saúde, como o aumento da expectativa de vida, assim como o avanço da medicina fazem com que observemos o fenômeno do envelhecimento da população. Cada vez mais devemos estar atentos e aptos a tratar as doenças do idoso, melhorando dessa forma sua qualidade de vida.


Radiação Infravermelha

INTRODUÇÃO

O uso da radiação infravermelha no tratamento de uma série de distúrbios clínicos já possui uma longa historia. Como agente terapêutico moderno, a radiação infravermelha tem uma historia que regride ate o início do século. Por volta de 1950, um pesquisador sugeriu que a radiação infravermelha fosse usada no tratamento de tuberculose, elefantíase, e varias lesões de tecido mole. A radiação infravermelha (RIV) vem continuando a ser empregada na prática clínica para o alivio da dor e da rigidez, no aumento da mobilidade das articulações, e na promoção do reparo das lesões de tecido mole e distúrbios da pele. Contudo, na Inglaterra encontra-se em declínio, juntamente com outros agentes térmicos com a diatermia por ondas curtas continuas e a diatermia por microondas.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

As radiações infravermelhas situam-se dentro daquela porção do espectro eletromagnético que gera calor, ao ocorrer a absorção pela matéria. As radiações caracterizam-se por comprimentos de ondas de 0,78 - 1000
μm, estando num nicho do espectro entre as microondas e a luz visível. É importante observar que muitas fontes emissoras de luz visível ou radiação ultravioleta também emitem IR.

A comissão internacional de iluminação (CIE) descreve a radiação infravermelha em termos de três faixas biologicamente significativas, que diferem no grau em que são absorvidas pelos tecidos, e portanto no seu efeito sobre os tecidos:

>> IR-A: valores espectrais de 0,78-1,4
μm;
>> IR-B: valores espectrais de 1,4-3,0
μm;
>> IR-C: valores espectrais de 3,0mm-1,0mm.

Os comprimentos de onda principalmente utilizados na pratica clínica situam-se entre 0,7
μm e 1,5 μm, estando pois concentrados na faixa IR-A.

PRODUÇÃO DE CALOR

A radiação infravermelha é produzida como um resultado de movimentos moleculares no interior de matérias aquecidos. Um aumento na temperatura acima de zero absoluto resulta na vibração ou rotação de moléculas no interior da matéria, o que leva à emissão de radiação infravermelha. Assim, todos os corpos e materiais quentes emitem RIV, embora em graus diferentes. A temperatura do corpo afeta o comprimento de onda da radiação emitida, e a freqüência media da radiação emitida eleva-se com uma elevação na temperatura. Portanto, quanto mais elevar a temperatura do corpo, maior será a temperatura media resultante e, conseqüentemente, menor será o comprimento de onda. Contudo, em sua maioria os corpos não emitem RIV de uma única faixa de onda. Podem ser emitidos diversos comprimentos de onda, em decorrência da inter-relação entre a emissão e a absorção das radiações que afetam comportamento das moléculas.

FONTES DE RADIAÇÃO INFRAVERMELHA

As fontes de RIV podem ser naturais ou artificiais. De longe, a fonte natural mais significativa é o sol, que emite vastas quantidades de energia radiante. Contudo, esta fonte não é confiável na Inglaterra, e não é facilmente controlável, e disto resulta que fontes artificiais são utilizadas predominantemente tanto em casa, como na pratica clínica. Estas fontes são os aquecedores ambientais domésticos, secadores de cabelo, fornalhas industriais e fogões.

As fontes artificiais são utilizadas pelos fisioterapeutas na clínica prática, podendo ser divididas em geradores luminosos ou não luminosos. O método mais comum de produção de RIV consiste em passar uma corrente através de um fio metálico espiralado. Os geradores luminosos (também chamados de aquecedores radiantes) consistem em um filamento de tungstênio no interior de um bulbo de vidro que contem um gás inerte sob baixa pressão. Estes geradores emitem radiações infravermelhas e visíveis, tendo um pico de comprimento de onda de 1
μm. Filtros podem ser utilizados na limitação da emissão a determinadas faixas de onda, exemplo: como ocorre quando um filtro vermelho é empregado na filtração das ondas luminosas das faixas do azul e verde.

Geralmente, os geradores não luminosos consistem em de um arame de resistência espiralado, que pode ser enrolado em torno de um objeto isolante de cerâmica, ou pode estar incrustado no objeto. Menos freqüentemente, o fio metálico aquecido pode ser aplicado por detrás ou dentro de um tubo ou proteção metálica. Portanto, a radiação infravermelha será emitida tanto pelo fio metálico como pelos materiais aquecidos que circulam esta resistência, o que resultara na emissão de radiações de diversas freqüências diferentes. Contudo, os geradores não luminosos produzem radiações que fazem um pico no comprimento de onda de 4
μm.

No comercio especializado, podem ser adquiridas lâmpadas com diferentes potencias. As lâmpadas não luminosas são encontradas geralmente com os níveis de potencia entre 250 e 1500 W, e as lâmpadas luminosas variam entre 250 e 1000 W. Tanto a experiência quanto as pesquisas demonstram que devemos permitir que transcorra determinado lapso de tempo para que a lâmpada fique aquecida antes do tratamento, pois a energia emitida pela fonte aumentará durante determinado período de tempo; o tempo necessário irá variar de acordo com o tipo de lâmpada. As lâmpadas não-luminosas demorarão mais que as lâmpadas luminosas para que seja atingido um nível de pico estável de emissão de calor, a medida que a oscilação molecular que causa o aquecimento alastrasse através do corpo do aquecedor.


COMPORTAMENTO FÍSICO DAS RADIAÇÕES INFRAVERMELHAS


As radiações infravermelhas podem ser refletidas, absorvidas, transmitidas, refratadas e difratadas pela matéria. Todos estes parâmetros são importantes, por ocasião da mensuração das RIVs, mas a reflexão e absorção são do maior significado biológico e clínico, ao serem considerados efeitos da RIV sobre os tecidos do paciente. Estes efeitos vão moderar a penetração da energia nos tecidos, e assim irão afetar as alterações biológicas que podem ocorrer nos tecidos.
REFLEXÃO

A reflexividade máxima na pele humana ocorre num comprimento de onda da RIV entre 0,7 e 1,2 μm, que é uma faixa de muitas lâmpadas terapêuticas. A penetração máxima ocorre com os comprimentos de onda de 1,2 μm, enquanto que a pele é virtualmente opaca para os comprimentos de onda de 2μm e mais. Em 1956, foi demonstrado que pelo menos 50% das radiações com um comprimento de onda de 1,2μm penetram ate uma profundidade de 0,8 mm, permitindo a interação com capilares e terminações nervosas. Visto que a penetração da energia decresce exponencialmente com a profundidade, praticamente todo o calor decorrente a RIV ocorrerá superficialmente. Em 1982 foi demonstrado que praticamente toda a energia havia sido absorvida numa profundidade de 2,5 mm.


ABSORÇÃO

A radiação deve ser absorvida, para que sejam facilitadas as alterações no interior dos tecidos do corpo; portanto, quanto maior o nível de penetração, mais extensos provavelmente serão os efeitos.

A penetração da energia num meio depende da intensidade da fonte de RIV, o comprimento de onda, o ângulo no qual a radiação colide com a superfície, e o coeficiente de absorção do material. A pele é um material complexo e conseqüentemente suas características de reflexão e absorção ano são uniformes; elas dependem principalmente da irrigação sanguínea à área e da pigmentação da pele. Os comprimentos de onda curtos são espalhados mais intensamente que os comprimentos de onda longos, e que as diferenças são minimizados à medida que aumenta a espessura da pele, como do grau de espalhamento gerado pela microestrutura da pele.


AQUECIMENTO DECORRENTE DA CONDUÇÃO

Algum aquecimento adicional pode acontecer numa profundidade maior, em decorrência da condução do calor a partir do tecido superficial, em função da condução direta e do aumento da circulação local. Contudo, a RIV deve ser considerada uma modalidade de aquecimento superficial.


DOSE


O grau de aquecimento produzido nos tecidos de um paciente, em resultado da aplicação da RIV, pode ser calculado matematicamente, ou pode ser registrado nos tecidos pelo uso de sensores térmicos de diversos tipos. Embora ambas as modalidades possam ser adequadas nas situações de pesquisa, é pratica clínica normal calcular o nível de aquecimento gerado nos tecidos superficiais pela referencia às sensações percebidas pelos pacientes. A quantidade de energia recebida pelo paciente será governada pela intensidade da emissão da lâmpada (medida em Watts), a distancia entre a lâmpada e o paciente, e a duração do tratamento.


EFEITOS BIOLÓGICOS

Os principais efeitos fisiológicos propalados com relação à RIV são, portanto, resultantes do aquecimento local dos tecidos. Estes efeitos são as alterações no comportamento metabólico e circulatório, na função nervosa, e na atividade celular.


ALTERAÇÕES METABÓLICAS

Uma elevação na temperatura resultará num aumento nas atividades metabólicas nos tecidos superficiais devido ao efeito direto do calor nos processos químicos. A exposição prolongada a radiação (15 minutos, três vezes por semana), pode resultar num aumento das fibras elásticas na parte superior da derme. Esta mesma radiação pode causar também, alterações na composição dos aminoácidos das proteínas, que, depois dessa exposição parecem se tornar mais resistentes ao calor. Esse efeito pode ser revertido caso a área de aplicação "descanse" no mínimo entre 36 e 72 horas entre os tratamentos.


ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS

Foi demonstrado que a radiação que a radiação infravermelha causa um aumento no fluxo sanguíneo da região cutânea. Este aumento se deve à vasodilatação dos vasos sanguíneos da pele, e o efeito pode ser mediado através do efeito direto do calor sobre os próprios vasos, ou através de sua inervação nervosa vasomotora. Níveis elevados de certos metabólicos do sangue – resultantes do aumento da atividade metabólica em decorrência das temperaturas mais elevadas – também tem um efeito direto sobre as paredes vasculares, o que estimula a vasodilatação.

Estas alterações não se refletem nos tecidos mais profundos do corpo, exemplo: o tecido muscular subjacente; e não são observados alterações subseqüentes na temperatura central do corpo e na pressão sanguínea, mesmo quando todo um lado do corpo fica exposto a uma fonte de RIV.


EFEITOS FISIOLÓGICOS

Com o aumento da temperatura, aumenta o consumo de O2, aumenta também a absorção de nutrientes (cada vez que se aumenta 1ºC na temperatura do corpo ou do local, o metabolismo aumenta 10%). A vasodilatação gera um aumento do fluxo sanguíneo para se manter o aumento do metabolismo. Com o aumento da produção de melanina produzida pelos melanócitos, em função da exposição do melanócito a RIV, e com isso altera a pigmentação da pele (bronzeamento), essa alteração ocorre com o intuito de proteger a pele de outra radiação do Ultravioleta. O relaxamento muscular, pois o fuso muscular sofre alterações e modifica o tônus muscular. Diminui a PA, pois a vasodilatação aumenta o calibre e diminui o atrito no vaso, alem de diminuir a viscosidade do sangue. Aumenta da sudorese, pois a RIV estimula a produção da glândula sudorípara e a transpiração ajuda a diminuir a temperatura. Alterações no sangue aumenta as hemácias/hemoglobinas, para poder carrear mais O2.


EFEITOS TERAPÊUTICOS

A RIV é indicada no uso clínico para os seguintes casos:

>> Redução da dor: causa analgesia, eliminação dos catabólicos, pois aumenta o metabolismo;

>> Redução do espasmo muscular: é relaxante muscular (ação direta no fuso muscular);

>> Redução da rigidez articular: o calor atua direto no tecido colagenoso;

>> Melhora da circulação: o calor provoca vasodilatação, que aumenta o fluxo sanguíneo da área;

>> redução de edema: a RIV, causará vasodilatação e incentivará maiores trocas de líquidos e nutrientes no tecido. A aplicação com o intuito de reduzir edema, tem que ser associado a outros recursos, p. ex. cinesioterapia;

>> Bactericida: só pode ser usado após a fase inflamatória aguda, mas normalmente após essa fase, a bactéria já foi controlada, por isso não é muito usado com este fim.

Para que estes efeitos terapêuticos venham efetivamente a ocorrer, foi sugerido haver a necessidade de uma temperatura entre 40 e 45ºC, o que deve ser mantido por no mínimo 5 minutos. Além de ser bastante indicado nos casos de lesão traumato-ortopédica (sempre após 72 horas), artrite, dores musculares, neuralgia e em estética, serve para combater a acne e a queda de cabelo.


PRECAUÇÕES

A RIV pode causar lesões a vários tecidos do corpo, caso seja utilizado em níveis excessivos (tempo e intensidade) do tipo: queimaduras, um aspecto do tipo "eritematoso", pigmentação permanente, formação de bolhas e edema. Deve-se ter cuidado com excesso de sudorese (pode gerar hipotensão) e lesões oculares (pois, a RIV estimula a catarata, por exemplo).


CONTRA INDICAÇÃO

Pacientes portadores de doença cardiovascular avançada, neoplasias, pacientes sofrendo de enfermidade febril aguda, fase aguda de inflamações, áreas isquemiadas (como tem pouco sangue e ocorre aumento do metabolismo, e ele não consegue se manter em função dessa quantidade diminuída, gerando por fim, necrose celular), área com sensibilidade térmica cutânea limitada ou deficiente e testículos.

APLICAÇÃO CLÍNICA

Os procedimentos devem ser seguidos sempre que se esteja aplicando esse tipo de terapia.

>> Aquecimento da lâmpada: a lâmpada de infravermelha de vermelha deve ser ligada durante um determinado tempo, afim de estabilizar para um bom uso. A lâmpada não-luminosa demora em media 15 minutos para ficar no ponto e a lâmpada luminosa necessita apenas de alguns minutos.

>> O paciente: o paciente deve ficar numa posição confortável, que lhe permita ficar quieto durante toda a sessão de terapia. Deve-se averiguar a pele em busca de alguma lesão. A pele deve estar limpa, seca e sem nenhum tipo de creme.

>> Precauções e segurança: O paciente deve estar ciente do tipo de tratamento a que ele vai ser submetido, deve-se também examiná-lo quanto a sua sensibilidade térmica, para assim poder evitar queimaduras, os olhos do paciente devem estar protegidos e também tem que avisá-los do perigo de qualquer toque inerente durante a aplicação.

>> Posicionamento da lâmpada: a lâmpada deve ser posicionada, de um modo em que a radiação atinja o paciente em um engulo reto. A distancia da lâmpada para o paciente varia em torno de 50 a 75cm.

>> Dose: a intensidade da dose é determinada pela resposta do paciente ao estimulo térmico percebido por ele.

>> Acompanhamento: após o termino do tratamento, a pele deverá ser sentida como leve ou moderadamente quente. Deve ser observado o grau de eritema induzido, e qualquer alteração inesperada deverá ser avaliada.


 

TRATAMENTO DA FASCITE PLANTAR BILATERAL PELA TÉCNICA DA CROCHETAGEM: UM ESTUDO DE CASO


A fascite plantar refere-se a uma dor plantar, no ponto de origem da fascia plantar, na tuberosidade medial do calcâneo. Caracteriza-se por uma inflamação ocasionada por microtraumatismos de repetição na origem da tuberosidade medial do calcâneo. As forças de tração durante o apoio levam ao processo inflamatório, que resulta em fibrose e degeneração das fibras fasciais que se originam no osso (SNIDER, 2000; HEBERT et. al; 2003; CYRIAX ; CYRIAX, 2001). Embora pareça não estar diretamente relacionada a nenhum tipo específico de pé, a fascite plantar surge com maior freqüência em indivíduos obesos (SNIDER, 2000; RIDLE et. al., 2004). Suas manifestações caracterizam-se pela dor local e ao redor da base do calcâneo e no arco plantar, principalmente ao levantar-se da cama, ou após um período de repouso (GRISOGONO, 2000; MEIJA ; KALB, 2000). Para Peterson ; Renström (2002), a pronação excessiva do pé, apresenta maior probabilidade no desenvolvimento desta doença, em virtude do aumento da resultante de força na aponeurose, em conseqüência do alongamento do arco e expansão dos dedos.

O tratamento fisioterapêutico da fascite plantar consiste na utilização de órteses, compradas prontas, para amortecimento do calcanhar, acompanhado de recursos de analgesia e combate ao processo inflamatório, e exercícios que promovam a diminuição da tensão no tendão calcâneo e na fascia plantar, sendo o alongamento, o exercício mais comumente utilizado (SNIDER, 2000).

A crochetagem mioaponeurótica é uma técnica manipulativa, desenvolvida pelo fisioterapeuta sueco Kurt Eeckman, colaborador do Dr. James Cyriax, à partir da limitação palpatória das técnicas convencionais (BAUMGARTH, 2003; BUSSIÈRES, 2004). A técnica baseia-se na utilização de ganchos ou "crochets", que são utilizados na quebra das aderências do sistema músculo-esqueletico (SARAIVA et.al, 2003). Seu objetivo principal é o rompimento de pontos de fibrose, geralmente causados pelo acúmulo de cristais de oxalato de cálcio nos planos aponeuróticos, causando irritação (BAUMGARTH, 2003; VARGAS, 2004; BUSSIÈRES, 2004).

Também conhecida como diafibrólise percutânea, a crochetagem está indicada em qualquer afecção osteomioarticular que leve a uma fibrose ou formação de aderências, assim como nas neuralgias, em especial, aquelas ocasionadas por alterações miofasciais. Tem sido divulgada e difundida entre os fisioterapeutas brasileiros, embora não existam estudos científicos a cerca de seus efeitos em língua portuguesa. A pouca literatura existente, está, em sua maioria, em francês ou alemão (VARGAS et. al, 2004; SARAIVA et. al, 2003; BAUMGARTH, 2003)

O presente estudo objetivou a verificação dos benefícios da crochetagem mioaponeurótica, no tratamento fisioterapêutico de um paciente portador de fascite plantar bilateral. A escolha da técnica se deu pela facilidade no transporte e manuseio do instrumental, bem como pela simplicidade de sua execução e necessidade de pouco tempo de aplicação.

Revisão de literatura

Anatomicamente, a fascia refere-se a uma lâmina ou membrana de tecido conjuntivo que reveste cada músculo, órgão ou conjunto de órgãos, com função de proteção (DÂNGELO ; FATTINI, 2001; BIENFAIT, 1999). Porém, ainda segundo Bienfait (1999), foram os osteopatas que criaram o conceito de fascia como um conjunto membranoso contínuo, representando uma única unidade funcional.

A região plantar do pé é revestida por uma fascia, de forma triangular, denominada aponeurose plantar (FIELD, 2001). Esta faixa extensa de tecido conectivo insere-se proximalmente à superfície do tubérculo medial do calcâneo e distalmente às articulações metatarso-falangianas, onde se fundem aos ligamentos capsulares (PRENTICE, 2002).

Segundo Hebert et. al. (2003); a fascia plantar consiste na principal estrutura estabilizadora passiva do arco longitudinal medial do pé. Filho (2001) afirma que as funções de estabilização e suporte do pé na posição ortostática e durante a locomoção, implicam no seu apoio no solo através da região plantar. Esse apoio se dá através do triângulo de sustentação, que tem como vértices a extremidade
posterior do calcâneo e as cabeças do primeiro e quinto metatarsos. O arco plantar permite uma maior flexibilidade no apoio, assim como um maior amortecimento de impactos. Tanto na posição ortostática quanto durante a marcha, a hiperextensão dos artelhos demanda um tensionamento da fascia plantar e uma pronação do pé (BUSSIÈRES, 2002). Para Starkey ; Ryan (2001), a fascia plantar não só sustenta, como é sustentada por muitos dos músculos intrínsecos e ligamentos do pé.

A fascite plantar pode ser definida como uma afecção caracterizada pela dor na região plantar do calcâneo, que pode se estender por toda a fascia plantar. Sua manifestação é insidiosa, e sua sintomatologia é mais evidente pela manhã, ou após um período de repouso. Geralmente melhora após atividade (primeiros passos), embora em alguns casos, a dor possa persistir por todo o dia (BUSSIÈRES, 2002; HEBERT et. al., 2003; SNIDER, 2000; FILHO, 2001; ALDRIDGE, 2004). Para Hebert et. al. (2003); o aumento no quadro doloroso ao primeiro apoio matutino deve-se ao fato de que durante o sono, a inatividade dos músculos dorsiflexores promove um encurtamento da fascia plantar. O primeiro apoio provoca um estiramento brusco da aponeurose, o que provoca a dor. Segundo o mesmo autor, corridas, saltos e atividades de impacto pioram a dor. Riddle et. al. (2004) afirma que as perdas funcionais decorrentes da fascite plantar, estão relacionadas somente às atividades que envolvem corrida, e atividades profissionais e hobbies que envolvem sustentação de peso; não havendo relação com perda de amplitude de movimento (ADM) e perda de força e trofismo muscular.

Ao exame físico, é verificada marcha antálgica, com apoio sobre a parte lateral ou anterior do pé. Há palpação dolorosa da região medial do calcâneo e a dorsiflexão dos dedos exacerba os sintomas, pela distensão da fascia plantar. A dor produzida pela fascite plantar geralmente não é incapacitante, embora possa limitar algumas atividades (HAMER et. al., 2003; ALDRIGE, 2004). Pontos dolorosos na região medial da panturrilha e do tendão calcâneo podem ser encontrados, o que demonstra uma relação entre a fascite plantar e a rigidez do tendão calcâneo e musculatura posterior da perna (HEBERT et. al., 2003; HAMER et. al., 2003).

Várias podem ser as causas da fascite plantar, como distúrbios anatômicos e biomecânicos. Prentice (2002), cita a diferença entre o comprimento dos membros, a pronação excessiva da subtalar, a falta de flexibilidade do arco longitudinal e a rigidez das musculaturas da panturrilha, assim como o uso de calçados inadequados e o aumento do tamanho do passo durante a corrida. Para Cyriax ; Cyriax (2001) A fascite plantar tem início com um esforço prolongado em posição ortostática, em pacientes com encurtamento dos músculos da panturrilha e com os pés cavos. Huang et. al (2004) demonstraram em seu estudo, uma incidência maior de fascite plantar em indivíduos com pé plano flexível, que em indivíduos com arco plantar normal. Hebert et. al. (2003), afirma que tanto o pé cavo como o pé plano, são fatores pré-disponentes, assim como traumatismos de repetição, associados à intensidade, duração e freqüência da atividade, e a dureza do piso. Entretanto, segundo Peterson ; Renström (2002), embora o alongamento do arco plantar e a expansão dos dedos ocasionados pela pronação, submetam a aponeurose a um aumento de tensão; não há uma ligação explicita entre o pé plano ou o pé cavo com a fascite plantar. O fato de que aproximadamente 60% do peso corporal estejam distribuídos sobre o calcanhar, de 31 a 38% na região da cabeça dos metatarsos e somente cerca de 5% na região medial do pé (MANFIO et. al, 2001), talvez explique essa falta de relação direta com o tipo de pé. Segundo Snider (2000), a fascite plantar ocorre com mais freqüência em indivíduos obesos. Essa afirmação é corroborada pelo estudo de Ridle et. al. (2004) que demonstra uma relação estreita entre o aumento do Índice de Massa Corporal (IMC), e as manifestações clínicas da doença.

Bussières (2002) afirma que a fascite provavelmente seja um processo inflamatório ocasionado por microtraumas, que vêm a acelerar o processo de envelhecimento (degeneração) normal da aponeurose plantar. Essa assertiva corrobora com o pensamento de Herbert et al. (2003); de que as forças de tração que ocorrem durante o apoio desencadeiam o processo inflamatório, resultando em fibrose e degeneração.

A epidemiologia mostra que a maior incidência da doença se dá entre as mulheres, em sua maioria obesa e na faixa etária do climatério. Em homens, a prevalência é maior nos praticantes de esportes, especialmente os que envolvem corridas (HEBERT et. al., 2003; SNIDER, 2000). Em seu estudo, Imamura ; Carvalho Jr. (1996), verificaram que das 29 pessoas estudadas, 26 eram do sexo feminino, representando 90% da amostra. Cavanagh et. al. apud Manfio et al., (2001) não encontraram em seu estudo, relação direta entre o peso corporal, e os picos de pressão plantar, o que indica que embora haja uma grande incidência em pessoas obesas, o excesso de peso não deve ser visto como um fator primário na ocorrência da fascite plantar.

Ainda em seu estudo, Bussières (2002) cita o trauma direto ou indireto, a pronação excessiva do pé, o desabamento do arco plantar, a retração do gastrocnêmio e o aumento da tensão da aponeurose plantar durante a fase de propulsão como possíveis causas da fascite plantar.

Em seu estudo, Tokars et al. (2003) demonstraram que o tipo de calçado pode ocasionar síndromes dolorosas nos pés, joelhos, quadris e coluna, o que pode estabelecer uma relação entre o uso de calçados inadequados e a fascite plantar.

O tratamento da fascite plantar é eminentemente conservador e inclui a administração de antiinflamatórios não esteróides; o uso de palmilhas de material macio para suporte do calcanhar e em alguns casos do arco longitudinal; restrição das atividades que envolvam apoio prolongado, deambulação de longa distância, saltos e corridas; exercícios para alongamento da fascia plantar, tendão calcâneo e gastrocnêmio; assim como recursos que promovam analgesia e diminuição das tensões (SNIDER, 2000; PRENTICE, 2002; HEBERT et. al.,2003). A infiltração de corticóides pode ser utilizada em casos persistentes, porém oferece o risco de atrofia e degeneração do coxim adiposo, assim como a degeneração e ruptura da fascia (BUSSIÈRES, 2002; HEBERT et. al., 2003).

A crochetagem mioaponeurótica, também conhecida como diafibrólise percutânea é uma técnica de tratamento manipulativo do aparelho locomotor, que visa combater as algias pela destruição das aderências e fibroses, através da utilização de ganchos ou "crochets", aplicados sobre a pele (BURNOTTE; DUBY, 1988; BAUMGARTH, 2003; SARAIVA et. al.,2004; BUSSIÈRES, 2004).

A técnica foi desenvolvida pelo fisioterapeuta sueco Kurt Eeckman, o qual foi assistente do Dr. James Cyriax, no período pós-segunda guerra mundial. As limitações palpatórias na execução das técnicas convencionais de terapias manuais, dentre elas a massagem profunda de Cyriax, o levaram a desenvolver uma série de ganchos, que tiveram sua forma, material e técnica de aplicação desenvolvida progressivamente.

Após ganhar notoriedade com o sucesso no tratamento da Nevralgia de Arnold, Kurt Eeckcman ensinou o método a vários colegas, dentre eles, P. Duby e J. Burnotte, que passaram a desenvolver uma abordagem menos agressiva e dolorosa, baseada nos conceito de cadeias musculares e da osteopatia (BAUMGARTH, 2003, BURNOTTE; DUBY, 1988).

Ainda segundo Baumgarth (2003); Burnotte; Duby (1988) a diafibrólise possui três efeitos básicos: o efeito mecânico, o efeito circulatório e o efeito reflexo. Suas principais indicações são as aderências consecutivas a um traumatismo ou a uma fibrose cicatricial, as algias do aparelho locomotor (inflamatórias ou não), as nevralgias em conseqüência da irritação mecânica dos nervos periféricos, e por fim, as síndromes tróficas dos membros.

Embora seja um método com poucas contra-indicações, é importante considerar a agressividade ou imperícia do terapeuta, os maus estados cutâneos e circulatórios, assim como sua aplicação direta sobre processos inflamatórios.

O gancho é constituído de aço e possui duas extremidades, com curvaturas diferentes, para um melhor contato com as diferentes estruturas e acidentes anatômicos. Cada curvatura termina em forma de espátula, que reduz a pressão exercida sobre a pele, tornando o contato pouco doloroso. A referida espátula apresenta uma convexidade na face externa, e uma superfície plana na parte interna, o que facilita sua interposição entre os planos tissulares profundos.

Segundo Baumgarth (2003); Burnotte; Duby (1988), O princípio do tratamento se baseia numa abordagem do tipo "centrípeta". Na presença de uma dor localizada num local específico, o terapeuta inicia sua busca palpatória manual das regiões afastadas (proximais e distais) do foco doloroso. Esta busca palpatória segue cadeias lesionais que estão em relação anatômica (mecânica, circulatória e neurológica) com a lesão. Esta concepção permite evitar o aumento da dor, chamado de efeito rebote, conseqüência de um tratamento exclusivamente sintomático.

A técnica da crochetagem divide-se em três fases sucessivas: Palpação digital, palpação instrumental e fibrólise. Há ainda, a técnica perióstea a drenagem.

A palpação digital consiste em uma espécie de amassamento digital, realizado com a mão esquerda, que permite um delineamento da área a ser tratada. A palpação instrumental, realizada com o gancho que melhor se adapte a estrutura a ser tratada, serve para a localização precisa das fibras conjuntivas aderentes e os corpúsculos fibrosos, e é realizada colocando-se a espátula do gancho junto ao dedo indicador da mão esquerda.

A fibrólise consiste em uma tração complementar, realizada com a mão que segura o gancho, ao final da fase de tração instrumental. Essa fase corresponde ao tempo terapêutico.

A técnica perióstea se caracteriza por uma raspagem superficial da estrutura anatômica a ser tratada, com uma associação entre a utilização do gancho e uma mobilização manual do tecido periósteo. É indicada para descolamento de áreas de inserções ligamentares e tendíneas.

A drenagem consiste no deslizamento superficial da superfície convexa do gancho maior sobre as estruturas miofasciais, a fim de promover relaxamento e aumento do aporte sanguíneo.

Embora seja um recurso manipulativo de tecidos corpóreos e, portanto, esteja no âmbito da Fisioterapia, esta técnica não é de domínio exclusivo dela. Por ser recente, existe pouca bibliografia a respeito, sendo na maioria em francês e alemão (BAUMGARTH, 2003).

O tratamento da fascite plantar, através da crochetagem, não objetiva somente o pé e a fascia plantar. A musculatura posterior da perna deve ser abordada, em função de sua ligação com a etiologia da doença (BAUMGARTH, 2004; NATIVIDADE, 2004).

O tratamento começa por um alongamento da musculatura do tríceps sural, que pode ser substituído pela fibrólise (tração), seguido de uma raspagem da fascia plantar com o bordo menor do gancho, para que ocorra uma hiperemia do tecido. Em seguida, é realizada uma drenagem, com o lado maior do gancho, sempre no sentido distal para proximal, objetivando melhorar a irrigação, através da irritação da fascia plantar. O tratamento segue no tendão calcâneo, que é tracionado com o bordo menor do gancho, objetivando diminuir a tensão causada pelo tensionamento da musculatura do tríceps sural. Por último, a musculatura do tríceps sural será ganchada com o lado maior do gancho, e em seguida será drenada no sentido distal para proximal. Após todo o procedimento com o gancho, uma nova seqüência de alongamentos pode ser realizada, a fim de melhorar a resposta do corpo ao tratamento (BAUMGARTH, 2004; NATIVIDADE, 2004).

Os resultados práticos observados na utilização da crochetagem no tratamento da fascite plantar estão de acordo com os objetivos gerais do tratamento desta afecção, por demonstrarem diminuição da tenção da musculatura posterior da perna e tendão calcâneo, bem como a diminuição do processo inflamatório na fascia plantar e analgesia (JORDÃO, 2004).

Materiais e Métodos

O presente estudo avaliou a técnica da crochetagem em um paciente de 35 anos de idade, músico profissional, sedentário, portador de fascite plantar bilateral há aproximadamente quatro anos, sem ter se submetido a tratamento clínico ou fisioterapêutico; apenas utilizando recursos paliativos como alongamentos esporádicos e massagens. O tratamento foi realizado em domicilio do próprio paciente, durante cinco semanas, com duas sessões semanais, totalizando dez sessões. Foram utilizadas como parâmetros de avaliação, as dores referidas pelo paciente em região medial do calcâneo, ao ficar em posição ortostática e à palpação da tuberosidade medial do calcâneo, antes e depois do tratamento. Para quantificação da dor, foi utilizada uma escala de graduação, onde o paciente quantifica visualmente sua dor ao longo de uma linha continua de 10cm, sendo zero ausência total de dor, e 10 dor mais grave (MAGEE, 2OO2). A avaliação limitou-se à quantificação visual da dor, uma vez que a perda funcional decorrente da fascite limita-se à dificuldade de realizar atividades que incluem corridas e apoio ortostático (HEBERT et. al.. 2003; RIDDLE et, al. 2004). As sessões tiveram duração média de 30 minutos, e constaram somente da utilização da crochetagem, devido à praticidade no transporte do instrumental e aplicação da técnica. Durante o tratamento, o paciente não foi orientado a utilizar nenhum outro tipo de recurso.

O tratamento foi realizado em uma maca, com o paciente em posição prona e supina, de acordo com a técnica utilizada.
Inicialmente, com o paciente em decúbito ventral, foi realizada a fibrólise da musculatura da panturrilha, com ênfase na porção medial do gastrocnêmio, e do tendão calcâneo, tracionando todo o trajeto da musculatura com a parte côncava do gancho maior (Figura1) e o tendão com a parte côncava do gancho menor. Em seguida, ainda com o paciente em decúbito ventral, foi realizada a técnica perióstea, raspando com a espátula do gancho menor, orientada pela ponta do dedo indicador, os bordos medial, posterior e lateral do calcâneo e a fascia plantar; seguido da fibrólise (tração) da aponeurose plantar, com o gancho menor (Figura 2). Na seqüência, a drenagem da região plantar, no sentido disto proximal, em decúbito dorsal (Figura 3). Por ultimo, novamente em decúbito ventral, foi realizada a drenagem da musculatura da panturrilha. O procedimento de drenagem, tanto da fascia plantar, quando da musculatura, foi realizado com a parte convexa do gancho maior.


Figura 1 – Fibrólise da musculatura da panturrilha


Figura 2 – Fibrólise da aponeurose plantar


Figura 3 – Drenagem da região plantar

Resultados e discussão

Na avaliação inicial, o paciente quantificou sua dor como grau 8 em posição ortostática e grau 9 à palpação em pé direito; e grau 6 em posição ortostática e grau 6 à palpação em pé esquerdo (figura 4). Após as dez sessões, quantificou em grau 4 em posição ortostática e grau 4 à palpação em pé direito; e ausência de dor (grau zero) em posição ortostática e grau 2 à palpação em pé direito (figura 5). Relatou também melhora considerável em suas atividades da vida diária, uma vez que as mesmas eram significativamente limitadas pela dor. A ausência total de dor no pé esquerdo e a importante diminuição no pé direito, quando em ortostatismo, permitiram ao paciente um melhor rendimento em suas atividades profissionais, uma vez que necessita passar horas em pé.


Figura 4 – Avaliação da dor antes do tratamento


Figura 4 – Avaliação da dor após o tratamento

Os resultados deste estudo não podem ser considerados generalizados a uma população, haja vista, que o mesmo foi realizado sobre um único caso. Entretanto, vale a pena ressaltar a importância de se investigar novos recursos no tratamento desta afecção que se não incapacita, leva ao menos à limitação das atividades diárias e desportivas (HAMER et. al.,2003). No caso em questão, o paciente tinha suas atividades profissionais restritas pela dor, e evitava o engajamento em atividades físicas pelo mesmo motivo. De acordo com esta investigação, a crochetagem parece ser um recurso eficiente no tratamento sintomático da fascite plantar, uma vez que reduziu consideravelmente a sintomatologia do paciente, promovendo assim uma maior funcionalidade e bem estar. Isso se deu pela diminuição da tensão sobre a aponeurose plantar, diminuição da rigidez e aderências do tendão calcâneo e músculo gastrocnêmio, e aumento do aporte sangüíneo, auxiliando no combate ao processo inflamatório e na analgesia, atingindo dessa forma, de maneira direta, os objetivos gerais do tratamento desta infecção, preconizados pelos autores estudados. A diminuição da dor referida, principalmente em posição ortostática, onde ouve ausência total de dor no pé esquerdo, após o tratamento; permitiu ao paciente uma maior funcionalidade, principalmente no que diz respeito à deambulação e ao ortostatismo por tempo prolongado, que são as atividades diretamente prejudicadas pela fascite plantar, de acordo com Hebert et. al. (2003). Para Jordão (2003), ao comprometer a deambulação e o ortostatismo do indivíduo, a fascite plantar pode afetar sua saúde em seu aspecto social. Ainda segundo este autor, a crochetagem pode promover um retorno rápido às atividades diárias e profissionais, o que pôde ser verificado neste estudo de caso. Cabe, no entanto, observar que o tratamento efetivo da fascite plantar envolve não só o tratamento sintomático, mas também o combate às causas da doença, que podem estar associadas a causas intrínsecas como obesidade e características biomecânicas; e a causas extrínsecas, como tipo de vida, atividades repetitivas que podem levar a microtraumatismos, e até mesmo, calçados inadequados (BUSSIÈRES, 2002; TOKARS et. al., 2003).

Conclusão

Apesar da praticamente inexistente referencia sobre a crochetagem, que nos permitam uma melhor fundamentação, o presente estudo de caso demonstrou que foi possível reduzir consideravelmente os sintomas no pé direito, e praticamente eliminá-los no pé esquerdo do paciente, permitindo que o mesmo retornasse às suas atividades diárias e profissionais, dependentes da deambulação e da permanência em posição ortostática. Cabe observar que a praticidade no transporte e utilização do instrumento (gancho), a inexistência de custos adicionais; bem como a facilidade na aplicação da técnica, tornam a crochetagem bastante atraente como recurso terapêutico no tratamento da fascite plantar. Maiores estudos se fazem necessários, utilizando uma amostragem maior, e parâmetros de controle mais específicos, assim como outras modalidades terapêuticas, para que a influência da técnica seja realmente verificada. Por ser uma técnica ainda pouco conhecida no Brasil, e sem publicações científicas, maior investigação sobre a crochetagem devem ser feitas, para uma maior compreensão de seus efeitos e aplicabilidades, oferecendo aos fisioterapeutas, alternativas nos tratamentos das afecções do aparelho locomotor.

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