quarta-feira, 30 de abril de 2008

As tendinites que incomodam o tenista...

As tendinites que incomodam o tenista...

Por definição, tendinites são inflamações que ocorrem nos tendões do organismo, decorrentes de esforços repetitivos ou de eventos traumáticos (como uma torção por exemplo). Mas este conceito ultimamente vem sendo modificado, e falaremos aqui sobre o que existe de novo neste tema com relação ao tênis.

Tendões são estruturas anatômicas que unem os músculos aos ossos, para que a ação muscular possa se fazer de maneira efetiva e adequada . Como qualquer outra estrutura do organismo, pode ser acometida por lesões, e entre elas as tendinites correspondem a algumas das mais frequentes no tênis.

Hoje existem escolas médicas que não classificam somente estas lesões como tendinites. Pode-se ter somente a inflamação da bainha que reveste o tendão, e então a patologia é conhecida como peritendinite. Quando existe um processo de desgaste crônico do tendão, pode-se caracterizar a tendinose, que basicamente pode ser traduzida como um envelhecimento de algumas fibras de colágeno (estrutura básica que compõe o tendão) pelo uso excessivo ou pelo próprio envelhecimento da estrutura tendinosa, ou ambos.

O sintoma principal das tendinites é a dor, que no caso do tênis (dependendo de qual região do organismo está acometida) pode ser exacerbada pelos movimentos de saque, direita e esquerda. O punho é a principal região afetada nos tenistas, e sempre que você tem um caso deste você deve investigar a empunhadura utilizada. Nos dias de hoje, principalmente entre as mulheres e os juvenis (para dar mais potência e efeito às jogadas) é comum o uso da empunhadura tipo Western. Na ocasião do contato com a bola, durante os golpes de direita, o punho se encontra muito rodado e ocorre um choque entre o final do cabo da raquete e uma região chamada eminência hipotenar. Isto faz com que as estruturas mediais da mão e do punho fiquem submetidas a sobrecarga, como mostra o desenho ao lado. Com o passar do tempo, e com a carga sempre presente, o tendão se desgasta e a dor ocorre.

Outra jogada que costuma causar tendinites no punho é o backhand com duas mãos, pois o punho (neste caso da mão oposta a mão dominante) se encontra desviado e ligeiramente extendido (figura 3), e na hora do impacto fica submetido a sobrecarga.

O tratamento pode ser feito com uso de anti-inflamatórios e imobilizações temporárias, seguido de um tratamento fisioterápico adequado aliado a um retorno progressivo ao esporte. Os casos que necessitam de correção cirúrgica são extremamente raros. Antes das cirurgias o médico pode dispor de infiltrações do local afetado, evitando que a medicação seja colocada diretamente na estrutura interna do tendão.

Outras articulações também estão sujeitas a sobrecarga, porém falaremos delas em outra oportunidade.

domingo, 27 de abril de 2008

A Importância do Método dos Anéis de Bad Ragaz na Reabilitação Pós-artroplastia Total do Quadril

O termo hidroterapia é derivado das palavras gregas hydor (água) e therapia (cura). Não há clara evidência sobre quando a água foi utilizada pela primeira vez para finalidades curativas, mas é sabido que Hipócrates (c. 460 -375 AC) empregava água quente e fria para o tratamento de doenças (SKINNER & THOMSON, 1985).


Mesmo sendo utilizada com finalidades terapêuticas há vários séculos, foi a partir da segunda guerra mundial, que a água passou a ocupar um lugar importante dentro do arsenal de técnicas de reabilitação. Desde bolsas de gelo e bolsas de água quente, a piscinas de hidromassagem ou a tanques de Hubbard, a terapia aquática vem se desenvolvendo nos últimos cinqüenta anos. No Brasil, a hidroterapia científica teve início na Santa Casa do Rio de Janeiro em 1922 (BATES, 1998; CUNHA, 2001).

Através de toda a história, o conceito empregado para denotar o uso da água em piscina terapêutica mudou várias vezes. Alguns desses "títulos" foram usados como sinônimos: hidroterapia, hidrologia, hidrática, hidroginástica, terapia pela água, piscina terapêutica, exercício na água. Os termos mais comumente usados hoje em dia são: reabilitação aquática ou Fisioterapia Aquática (RUOTI, 2000).

A Fisioterapia Aquática pode ser definida como a utilização do meio aquático com temperatura adaptada para alcançar objetivos fisioterapêuticos, tais como: manutenção ou ganho de amplitude de movimento (ADM) e força muscular (FM), analgesia, relaxamento, redução do espasmo muscular, promoção de independência funcional, treino de marcha, reeducação dos movimentos comprometidos por alguma disfunção. Além destes objetivos, a água também pode ser utilizada como forma de promover a melhora da socialização, autoconfiança e qualidade de vida do paciente.

O método dos anéis de Bad Ragaz é uma das técnicas da Fisioterapia Aquática que utiliza exercícios de flutuação sustentada, nos quais o terapeuta oferece estabilização e comando, e que foi desenvolvido através dos anos nas águas termais da cidade de Bad Ragaz, Suíça. Este método utiliza as propriedades físicas da água e ao mesmo tempo possibilita a função anatômica e fisiológica normal das articulações e músculos, contribuindo, conseqüentemente, para o aumento da amplitude de movimento da articulação afetada.

Diversas condições em toda a extremidade inferior do corpo resultam em limitação da amplitude de movimento e restrições à sustentação de peso, dentre elas, o pós-operatório de cirurgia de prótese total de quadril. A descarga parcial de peso no ambiente aquático, utilizando-se a flutuação (profundidade adequada), pode ser iniciada precocemente para prevenir atrofia, perda dos movimentos e desenvolvimento anormal da marcha.

As alterações anátomo-funcionais que ocorrem na articulação do quadril do paciente após uma cirurgia de artroplastia total levam a alterações dos movimentos do membro inferior acometido e a um comprometimento da marcha. Tal situação pode ser favorecida e/ou revertida através da reabilitação aquática, considerando-se os efeitos fisiológicos e terapêuticos da água.

Como os pacientes são capazes de se mover mais facilmente e com menos dor, a progressão dos exercícios se torna mais simples e a reabilitação mais eficaz e menos frustrante. Sendo assim, o indivíduo pode voltar mais rapidamente às suas atividades e inserir-se novamente na sociedade.

A Reabilitação Aquática significa, portanto, uma opção segura e eficaz para pacientes que estejam incapacitados de realizar exercícios no solo com descarga de peso em razão de cirurgia recente. Os movimentos realizados se tornam mais fáceis na água e menos dolorosos, tornando a reabilitação mais rápida (KOURY, 2000).

Dessa forma, torna-se importante pesquisar na literatura dados recentes que identifiquem a importância do método dos anéis de Bad Ragaz, dentro da Fisioterapia Aquática, na reabilitação pós artroplastia total do quadril.

Método

Este estudo trata de uma discussão teórica sobre os possíveis efeitos do método dos anéis de Bad Ragaz, dentro da Fisioterapia Aquática, na reabilitação pós artroplastia total do quadril (ATQ). Foram selecionados e avaliados materiais com base na literatura especializada em Ortopedia e Fisioterapia (livros, monografias, trabalhos acadêmicos, teses, enciclopédias e periódicos), consultados em bibliotecas de Universidades em Salvador e em bases de dados informatizados (Medline, Scielo e Lilacs) e sites da área de saúde que disponibilizam artigos científicos.

As palavras chaves usadas para tal pesquisa foram: fisioterapia aquática, artroplastia total do quadril, método dos anéis, Bad Ragaz, reabilitação, hidroterapia, quadril, piscina terapêutica, exercício aquático.

Foram incluídos apenas materiais publicados em inglês, espanhol e português, e que abordaram sobre a artroplastia total do quadril e sua forma de reabilitação através da Fisioterapia Aquática. Incluiram-se também artigos que abordaram sobre os efeitos da Fisioterapia Aquática e artigos que discorreram sobre o método dos anéis de Bad Ragaz. Foram excluídos os materiais que não obedeceram aos critérios de metodologia científica e que não tiveram uma relação direta com a fisioterapia aquática ou com a ATQ.

Foram selecionados principalmente artigos publicados nos últimos cinco (05) anos. O presente estudo de revisão se baseou em um roteiro abordando a articulação do quadril, a artroplastia total do quadril, a fisioterapia aquática na reabilitação ortopédica, as propriedades da água e suas aplicações e o método Bad Ragaz.

O material coletado foi avaliado quanto ao conteúdo, descrevendo as informações obtidas relacionando com o tema em questão. Devido à dificuldade de encontrar material relacionado diretamente com o assunto abordado neste artigo, foi realizada uma revisão sobre o tema objetivando uma ligação entre a Fisioterapia Aquática, mais especificamente o método Bad Ragaz, e a reabilitação ortopédica, mais especificamente a artroplastia total do quadril.

A Artroplastia Total de Quadril (ATQ)

A articulação coxofemoral, constituída pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo da pelve, é uma enartrose com função muito importante tanto no que se refere aos movimentos, como ao suporte do peso corporal. Suas funções primárias são: apoiar o peso da cabeça, dos MMSS e do tronco durante as posturas eretas e atividades dinâmicas com sustentação do peso corporal, como caminhar, correr e subir escadas, além de proporcionar uma via de transmissão das forças entre as extremidades inferiores e a cintura pélvica (HALL, 2001). Sendo assim, ela precisa ser móvel, mas estável, o que faz com que seja sem dúvida uma articulação complexa.

A articulação do quadril consegue ter uma amplitude de movimento maior do que o joelho, propiciando ao corpo humano uma orientação e posição no espaço. Não é tão móvel quanto à articulação do ombro, mas tem uma função de movimento de igual importância e eficácia, acrescida de uma função de sustentação e estabilidade (HEBERT, 1998).

As doenças que acometem o quadril são inúmeras, sejam congênitas ou adquiridas, e costumam provocar alterações significativas na marcha, fazendo com que essa articulação mereça atenção adequada. A falta de mobilidade na articulação do quadril pode resultar em aumento compensatório na movimentação proximal ou distal da cadeia cinética (articulação sacroilíaca, coluna lombar e joelhos) (HALL, 2001).

A marcha para ser funcional e com baixo custo energético deve ser capaz de resolver alguns problemas motores fundamentais: geração de energia mecânica para progressão anterior controlada, absorção de energia do corpo, manutenção da estabilidade da posição ortostática, suporte da parte superior do corpo durante a fase de apoio, controle da trajetória do pé, oferecer superfície de suporte na fase de apoio e facilitar a passagem do pé na fase de balanço (GREVE & AMATUZZI, 1999).

Em condições normais, uma marcha confortável corresponde à velocidade na qual o custo energético por unidade de distância é mínimo, sendo que esta eficiência depende de condições articulares e musculares adequadas. Qualquer alteração biomecânica aumenta o gasto energético, diminui a velocidade e torna a marcha anormal.

Uma substituição total do quadril se torna necessária se essa articulação estiver degenerada a ponto de as atividades da vida diária (especialmente andar) se tornarem muito dolorosas e se todas as condutas conservadoras não conseguirem melhorar a função e qualidade de vida do paciente (BATES, 1998).

A degeneração artrósica pode ser causada por desgaste natural com a idade ou ser secundária a uma lesão prévia. Neste tipo de cirurgia, a articulação do quadril é substituída por uma articulação artificial. O alívio da dor pode ser conseguido em mais de 95% dos pacientes e dura aproximadamente 15 anos ou mais (HALL, 2001).

Segundo ALENCAR (1997), artroplastia é o remodelamento cirúrgico de uma articulação, objetivando o alívio da dor e a restauração dos movimentos com estabilidade para uma biomecânica eficiente e suporte muscular adequado. É o termo designado a um dos mais comuns procedimentos cirúrgicos reconstrutivos em adultos com afecções do quadril. Trata-se da substituição de articulações deterioradas, com o objetivo de fornecer uma melhor mobilidade, conforto e vida independente a pacientes que poderiam, outrora, estar efetivamente incapacitados.

O componente femoral da prótese consiste de uma bola de metal conectada a uma haste que se encaixa no canal medular femoral. O componente pélvico consiste de uma taça de material plástico de alta densidade. Estes componentes podem ser cimentados no lugar ou podem ser de um tipo desenvolvido para terem crescimento ósseo ocorrendo em volta deles e fixando a prótese (não-cimentada) (BATES, 1998).

O suporte do peso corporal pode acontecer mais cedo se for utilizada uma prótese cimentada, mas ainda é um assunto discutível qual tipo de prótese tem maior durabilidade. Algumas das restrições comuns abordadas nesse paciente incluem nenhuma adução que ultrapasse a linha média, nenhuma flexão de quadril acima de 90º, nenhuma rotação externa e nenhum cruzamento das pernas (BATES, 1998).

A artroplastia total do quadril (ATQ) é mais comumente recomendada para os casos de falência da articulação do quadril causada pela osteoartrite. Outras indicações incluem, mas não apenas estas, artrite reumatóide, necrose avascular da cabeça femoral, artrites traumáticas, fraturas de quadril, tumores ósseos benignos e malignos, espondilite anquilosante, luxação congênita de quadril e doença de Legg-Perthes Calvé.

O Método dos anéis de Bad Ragaz (MABR)

Atualmente, a Fisioterapia Aquática tem apresentado grande prestígio no tratamento de inúmeras disfunções, dentre estas, as de causas ortopédicas. As propriedades ímpares de flutuação e de resistência da água fazem dela um importante recurso para o Fisioterapeuta, proporcionando ao mesmo numerosas opções para a elaboração de um programa de reabilitação individual. As vantagens da redução do peso corporal e da imersão em um meio com resistência são bem conhecidas, razão pela qual foi estimulada a utilização da água como meio de reabilitação (BRODY, 2001).

As propriedades físicas mais importantes da água na reabilitação de pacientes com disfunções músculo-esqueléticas são: força empuxo ou força de flutuação (força vertical e oposta à gravidade que permite que um corpo se mantenha à superfície da água); pressão hidrostática (pressão que o líquido exerce igualmente sobre cada partícula da superfície de um corpo imerso em repouso, a uma dada profundidade); densidade relativa ou gravidade específica (relação entre a massa de um certo volume de substância e a massa do mesmo volume de água); viscosidade (atrito que ocorre entre as moléculas de um líquido e causa resistência ao fluxo deste); turbulência (redução da pressão sobre o corpo pela movimentação do líquido); tensão superficial (força exercida entre as moléculas da superfície de um líquido); temperatura termoneutra (DEGANI, 1998).

Para BECKER (2000), "Todos os princípios físicos são clinicamente úteis, sem modificação adicional, embora possam ser ampliados para uma variedade de situações clínicas, mediante equipamentos adicionais".

A força de flutuação reduz o peso corpóreo, diminuindo o impacto sobre as articulações e o risco de lesões. A flutuabilidade é a propriedade física usada mais freqüentemente para facilitar a amplitude de movimento. As limitações funcionais relacionadas a padrões específicos de movimento respondem satisfatoriamente à reabilitação aquática, visto que a redução das cargas suportadas pela coluna vertebral ou pelos MMII auxilia a normalização dos movimentos e da mecânica da marcha (BRODY, 2001).

A temperatura (termoneutra) favorece o êxito da terapia, aliviando a dor, diminuindo os espasmos, promovendo o relaxamento muscular, facilitando dessa forma, a transferência e marcha de pacientes com déficit muscular, explorando de forma eficaz os movimentos e proporcionado a esses pacientes o preparo para os exercícios em terra (BATES, 1998; CAMPION, 2000; KOURY, 2000; KONLIAN, 1999).

As propriedades únicas da água como: flutuabilidade, turbulência, pressão hidrostática, tensão superficial e capacidade térmica são usadas para facilitar a reabilitação aquática e diferenciá-la do trabalho realizado em terra (RUOTI, 2000).

O aumento da circulação periférica melhora a condição da pele que foi afetada pela cirurgia e acelera a cura ao implementar a nutrição na área lesada. A movimentação precoce restaura a função muscular por meio da melhora da circulação e da amplitude de movimento, diminui a atrofia muscular e a formação de tecido cicatricial fibroso (KOURY, 2000).

Durante uma sessão de Fisioterapia Aquática direcionada a um paciente pós artroplastia total do quadril, a pressão hidrostática age favorecendo a diminuição do edema ao redor do local da cirurgia no membro distal, ao mesmo tempo em que o paciente move o membro através de uma amplitude maior de movimento, enquanto há solicitação de força muscular ao redor da articulação do quadril, preservando, dessa forma, a força em outras regiões. O paciente começa a andar com a ação da força da gravidade reduzida pela flutuabilidade da água, trabalhando sua marcha e atividades de equilíbrio (BECKER, 2000).

Os efeitos buscados com a fisioterapia aquática aplicando-se o método dos anéis de Bad Ragaz visam, principalmente, o apoio parcial e progressivo de carga, maior mobilidade articular, facilitação dos movimentos, relaxamento muscular, analgesia e trabalho proprioceptivo. É importante que o terapeuta juntamente com o seu paciente definam claramente os objetivos de qualquer exercício específico na piscina, para dessa forma, garantir o progresso na direção dos objetivos funcionais globais.

Desenvolvido através dos anos, nas estações termais da cidade de Bad Ragaz, Suíça, o método teve sua origem na Alemanha pelo Dr. Knupfer, sendo trazida para Bad Ragaz por Nele Ipsen em 1957. A proposta inicial desta técnica foi promover a estabilização do tronco e extremidades, além de trabalhar com exercícios resistidos. Os exercícios foram primeiramente executados no plano horizontal, onde o paciente era auxiliado por flutuadores (anéis) ao redor do pescoço, quadril e tornozelos. Por isso, a técnica ficou conhecida como método dos anéis de Bad Ragaz (CUNHA, 2001).

Em 1967, três diagonais de movimento foram desenvolvidas e adicionadas ao modelo original dos exercícios de Knupfer. Incorporaram-se os padrões da facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP), ou seja, utilizou os padrões de movimentos, que podem ser usados em terra, mas difere das técnicas da FNP, porque não é aplicada resistência pelo fisioterapeuta. Em vez disso, a resistência é fornecida na medida em que o corpo se move através da água, quanto mais rápido é o movimento maior é a resistência (FIORELLI, 2002).

A flutuação atua como suporte às articulações enfraquecidas e é capaz de proporcionar assistência e, progressivamente resistência ao movimento na água, enquanto a pressão hidrostática ajuda na estabilização dessas articulações, além de favorecer a diminuição do edema e melhorar a circulação.

O método dos anéis de Bad Ragaz utilizado em piscina terapêutica tem como objetivos a redução do tônus muscular, relaxamento, aumento da amplitude articular, reeducação muscular, fortalecimento muscular, restauração de padrões normais de movimento, além da melhora da resistência geral (RUOTI, 2000). Neste método, o terapeuta fornece estabilidade para o paciente e a posição de suas mãos influencia na movimentação do paciente e na quantidade de trabalho isométrico e isotônico realizado. Pode-se conseguir a irradiação dos músculos mais fortes para os que se encontram mais fracos (SKINNER e THOMSON, 1985).

Os padrões de movimentos podem ser divididos em padrões de membro superior, tronco e membro inferior. Salientando a necessidade do terapeuta estabilizar o paciente e ainda ser flexível com a aplicação, foram descritos três modos pelos quais o terapeuta atua em relação ao paciente: isocineticamente (o terapeuta fornece fixação enquanto o paciente move-se através da água), isotonicamente (o terapeuta atua como um ponto de fixação "móvel"), isometricamente (o paciente mantém uma posição fixa enquanto está sendo empurrado através da água pelo terapeuta). Além disso, o terapeuta pode mover o paciente passivamente através da água para conseguir relaxamento (RUOTI, 2000).

Discissão

BASMAJIAN, 1987, considerou a hidrocinesioterapia como exercícios realizados no meio aquático que dão ao paciente a oportunidade de executar movimentos num meio que não só proporciona a flutuação do corpo, mas que permite também que esses movimentos sejam executados com muito menos esforço, de tal maneira que os segmentos do corpo enfraquecidos podem ser movidos e exercitados de um modo que não seria possível sem apoio. Outra razão para a utilização dos exercícios na água seria o efeito de relaxamento, possibilitado pela temperatura da água (aquecida).

Segundo BATES (1998), durante a imersão e exercício do paciente na água aquecida verifica-se, por exemplo, um aumento na temperatura corporal, aumento da freqüência cardíaca e respiratória, diminuição do tônus muscular, aumento do suprimento sangüíneo para os músculos, proporcionando alívio da dor, diminuição do edema e espasmo, relaxamento muscular, aumento da amplitude de movimento, melhora de alguns padrões de marcha e equilíbrio, fortalecimento entre outros.

A realização dos exercícios na água poderá ter melhor tolerância se comparado aos exercícios realizados em terra, visto que existe um menor gasto de oxigênio, uma vez que menos massa muscular é exigida, diminuindo também dessa forma a freqüência cardíaca.

Segundo BATES (1998), a reeducação da marcha é muito importante para corrigir anormalidades no seu padrão, pois se incorreta pode desenvolver condições patológicas com o passar do tempo. O treino de marcha precoce ajuda a melhorar o equilíbrio e aumentar o tônus muscular. Tal situação pode ser favorecida posteriormente através da realização dos exercícios em supino do MABR no momento da reabilitação pós ATQ.

O MABR proporciona relaxamento, auxilia no fortalecimento muscular e no ganho de amplitude de movimento, na normalização do tônus muscular, proporciona melhor liberdade de movimento, sem a resistência do atrito que ocorre com os exercícios realizados em terra, favorece a circulação (diminuição do edema), melhora a autoimagem, confiança e independência do paciente. Conclui-se, portanto que o MABR pode trazer inúmeras vantagens auxiliando a reabilitação da ATQ.

O método dos anéis de Bad Ragaz diferencia-se das outras técnicas da Fisioterapia Aquática, pois utiliza as propriedades físicas da água, ao mesmo tempo em que possibilita a função anatômica e fisiológica normal de músculos e articulações (SKINNER, 1985). Sendo assim, o fisioterapeuta que desejar trabalhar nessa área deverá estar ciente dos efeitos da água no organismo do paciente, para então adequar as diversas possibilidades de tratamento em piscina terapêutica, objetivando um atendimento o mais individualizado e especializado possível.

Devido à escassez de literatura científica especializada no assunto, evidencia-se a importância no crescimento de pesquisas nessa área, no intuito de ampliar o leque de possibilidades na área da reabilitação. Conclui-se que a reabilitação da artroplastia total do quadril através do método Bad Ragaz necessita de mais evidências científicas que comprovem não empiricamente a eficácia da aplicação do método.

escrito por:Isabela Dantas Zimmermann, Patricia Martins Carvalho

fonte:http://www.interfisio.com.br/index.asp?fid=157&ac=1&id=1

A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA CIENTÍFICA PARA O PROFISSIONAL

RESUMO

O fisioterapeuta é o profissional da área da saúde de nível superior que tem por atividade privativa executar métodos e técnicas fisioterápicos com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente.(Decreto-Lei nº 938 - de 13 de Outubro de 1969, Citado por REBELATO & BOTOMÉ, 1999).

Entre as várias áreas de atuação deste profissional a pesquisa científica destacase a cada dia mais, pois se faz necessário à criação de novos protocolos para a evolução técnica e tecnológica da profissão.(RICIERI, 2003). Este estudo tem por objetivo, através de uma revisão bibliográfica, enfatizar a relevância da pesquisa científica para os profissionais e acadêmicos de fisioterapia. E como resultado deste estudo espera-se que estes profissionais possam consolidar a fisioterapia baseada em evidências e cientificidade.

1. A FORMAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO EM FISIOTERAPIA

No universo da pesquisa é preciso errar para que outros possam acertar, o erro é um constante companheiro do pesquisador, ele o incentiva a progredir em seus estudos gerando assim um mecanismo de motivação interna e tornando as muitas adversidades do processo de elaboração da pesquisa científica mais desafiadoras do que já são. Em fisioterapia, através do processo "tentativa-erroacerto" novos protocolos estão sendo criados compondo assim um grande arsenal de recursos e técnicas fisioterápicas (RICIERI, 2003).

Rebellato & Botomé (1999), afirmam que nos diferentes momentos de sua constituição, a fisioterapia sofreu várias alterações na concepção do objeto de seu trabalho, desenvolvendo-se por caminhos que não
 
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A atuação do fisioterapeuta em obstetrícia

Desde o início da gestação a mulher passa por transformações físicas, psíquicas e sociais, diante destas mudanças o profissional fisioterapeuta pode colaborar diretamente desde o começo deste período até o nascimento do bebê, informando, orientando, prevenindo e se necessário tratando a gestante, caso apareça alguma dor ou desconforto neste período. Desde o inicio da gravidez, a mulher recebe orientações e informações para melhorar a sua qualidade de vida, além de realizar exercícios respiratórios, alongamentos e exercícios ativos para membros superiores, inferiores e coluna, exercícios para o assoalho pélvico (períneo), orientações sobre a maneira correta de realizar suas atividades de vida diária e hábitos cotidianos, como, por exemplo, se levantar da cama, além dos cuidados com sua postura, acompanhada sempre pelo profissional.
Imediatamente após o parto, a mulher pode continuar recebendo assistência com orientações gerais e tratamento voltado para as alterações músculo-esqueléticas, respiratórias, circulatórias, entre outras que podem ocorrer. Após o nascimento do bebê, a mulher é acompanhada para realizar a amamentação e utilizar seu corpo da maneira correta, evitando sobrecargas, retornando assim às suas atividades o mais rápido possível.

O profissional fisioterapeuta atua positivamente no período da gestação, parto e pós-parto. Seus conhecimentos se cruzam eficazmente com aqueles dos demais membros da equipe, salientando que é de suma importância a atuação multidisciplinar diante da mulher neste momento tão importante e complexo de sua vida.

NEUMATOCELE EM CRIANÇAS: relato de caso


NEUMATOCELE EM CRIANÇAS: relato de caso

Carine Ferreira Moya Bono - e-mail: carinemoya@yahoo.com.br

Fisioterapeuta, Graduada pelo Centro Universitário São Camilo (UNISC) – São Paulo e Especialista em Fisioterapia Intensiva pelo Hospital Santa Cruz.

Resumo

As pneumatoceles geralmente são seqüelas de pneumonia bacteriana, onde o agente causador de maior incidência é o Estafilococos aureus. Estas pneumatoceles são formações císticas, onde em seu interior há presença de ar, não possuindo paredes próprias e sendo circundadas por pleura visceral e parênquima colabado. Elas podem evoluir de maneira rápida e ocupar um pulmão inteiro, desaparecendo rapidamente por completo, sem deixar seqüelas clínicas ou radiológicas. Em alguns casos pode haver, quando não tratadas, ruptura da pleura visceral com pneumotórax e empiema pleural. Essas complicações são graves e exigem cuidados especiais do Pediatra e Fisioterapeuta.

Palavras-Chave: Pneumonia, Pneumatocele e Estafilococos aureus.

Introdução

A pneumonia é uma inflamação do parênquima pulmonar, causada por infecções das vias respiratórias inferiores, comprometendo alvéolos, bronquíolos e espaço intersticial (5). A infecção bacteriana que leva a pneumonia torna-se rapidamente progressiva evoluindo com complicações.

A ocorrência de complicações varia conforme o agente etiológico, no caso do Staphylococcus aureus (S. aureus), é bem mais freqüente o aparecimento de derrame pleural (50%), pneumatocele (30%), abscesso pulmonar (6%) e comprometimento da pleura: pneumotórax, empiema ou piopneumotórax (3;12).

As pneumatoceles são cavidades cheias de ar, sem paredes próprias, circundadas por pleura visceral e parênquima colabado (8;9), podendo estar presentes no início ou no decorrer do processo ou então aparecer evolutivamente, de maneira rápida. As pneumatoceles podem tornar-se muito grandes e inclusive ocupar um pulmão inteiro, desaparecendo espontaneamente por completo, em média, após um a seis meses. Sua característica radiológica consiste em mudanças súbitas de forma e tamanho em exames sucessivos.

Este artigo traz um relato de caso, levantamentos bibliográficos, demonstrações da fisiopatologia, sua evolução e possíveis complicações da pneumatocele.

Relato de caso

Paciente de 1 ano e 8 meses de idade, sexo feminino, deu entrada no hospital com história de tosse produtiva (secreção amarelada) e dispnéia há 1 semana. A mãe referiu que há 6 dias a criança apresentava saída de secreção purulenta dos dois ouvidos, sendo então medicada com amoxacilina, também apresentava quadros de febre (38ºC e 39ºC) diários. Com a piora do quadro, a mãe procurou serviço médico, sendo orientada a utilizar sintomáticos. Pela persistência do quadro, voltou a procurar o serviço médico, onde utilizou despacilina (1 dose) e solbutamol. Não resolvendo o quadro clínico, a mãe voltou ao serviço médico onde então foi solicitada a internação. No primeiro dia de internação o exame clínico era regular estado geral (REG), pálida, taquidispneica, com ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído em base do hemitórax direito e respirações soprosa e broncofonica. Feito raio-x de tórax constatou-se Pneumonia, linha de Derrame Pleural e Pneumatocele em hemitórax direito. Foi optado pelos médicos, punção de tórax em linha axilar posterior com agulha, com saída de ar [mais ou menos 20 militros (ml)], sem saída de líquidos. LMMS fazia uso de clorafenicol [100 miligrama (mg) por kilograma (kg) ao dia], oxacilina (200mg/Kg/dia), cateter de oxigênio, inalação com soro fisiológico, berotec e atrovent e começava com tratamento fisioterapêutico (manobras de higiene brônquica associada à drenagem postural e estimulo de fúrcula onde apresentava tosse produtiva com deglutição). No 5º dia de internação a criança foi encaminhada à cirurgia para colocação de dreno de tórax à direita onde este oscilava pouco, porém sem débito. Após, este dia o dreno apresentava-se sem oscilação e sem débito. No 11º dia de internação e 6º pós-operatório de cirurgia para colocação de dreno torácico, era feito a retirada do dreno de tórax. O RX mostrava pneumatocele á direita com extensão no parênquima, havendo assim um aumento no tamanho da pneumatocele. No 13º dia de internação, foram trocados Oxacilina por Targocid 10mg/Kg e Cloranfenicol por Rocefin 1 grama 1 vez ao dia, os dois intramuscular. No 14º de internação, ao exame clínico em bom estado geral (BEG), eupneica, respirando espontaneamente em ar ambiente. À ausculta pulmonar murmúrio vesicular presente diminuído em base de hemitórax direito com roncos esparsos, porém já mostrava melhora radiológica. No 17º dia de internação, a ausculta pulmonar apresentava-se com murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios. Mantendo o quadro clínico bom, a criança teve alta hospitalar e voltando posteriormente para novo controle de RX, devido a presença de pneumatocele.

Discussão

O estafilococo atinge o pulmão, a partir da parte superior do aparelho respiratório, pela via traqueobrônquica (1). Ao alcançar brônquios ou bronquíolos, produz lesão na parede brônquica, formando microabscessos. A drenagem espontânea destes microabscessos pode ocorrer para dentro de um brônquio, vaso, pleura ou parênquima. Desta forma, ocorrerá múltiplos focos no pulmão. Se a lesão for de brônquio ou parede bronquiolar, através de mecanismo valvular, o ar pode entrar no interstício pulmonar e dissecar as estruturas frouxas, até atingir o espaço subpleural. (O mecanismo valvular permite a entrada de ar na pneumatocele, mas impede seu retorno). Tal condição gera cavidade cheia de ar, denominada pneumatocele (8;7;5).

Em outras palavras, o estafilococo graças às suas enzimas e toxinas tem capacidade de disseminar-se tão rapidamente através dos tecidos vizinhos, como de provocar necrose. Após atravessar a parede do bronquíolo terminal, o germe produz um microabscesso peribronquiolar, que mais cedo ou mais tarde perfura o bronquíolo e nele esvazia seu conteúdo, enchendo-o de ar. O orifício bronquiolar funciona como uma válvula, insuflando os espaços aéreos e transformando-os em vesículas com aspectos de grandes imagens aéreas, conhecidas como pneumatoceles (12).

Evolução e Complicação

As pneumatoceles podem ser observadas durante a evolução das pneumonias agudas, principalmente de origem estafilocócica, embora possam ser vistas associadas a qualquer agente etiológico (4;6).

Segundo Shen (13), as pneumatoceles aparecem normalmente na primeira semana de pneumonia e desaparecem no prazo de 6 semanas.

As pneumatoceles evoluem lenta e favoravelmente, podendo atingir grandes tamanhos em poucas horas e inclusive ocupar um pulmão inteiro, persistindo por tempo prolongado ou desaparecendo rapidamente (desde que seja desfeito o mecanismo valvular) por completo, em média um a quatro meses. A recuperação da função pulmonar é total após o desaparecimento das pneumatoceles, não deixando seqüelas clínicas ou radiológicas (14; 8; 13).

Silva (6), relata que a dimensão das pneumatoceles pode ser considerável e sua evolução deve ser acompanhada até completa resolução, que pode estender-se até por 6 a 12 meses.

Embora elas sejam assintomáticas, quando instaladas podem aumentar consideravelmente e comprimir o pulmão, causando insuficiência respiratória e complicação cardiovascular (4;10).

Lima (7), explica que as cavidades (pneumatoceles) tendem a confluir formando lesões que podem ganhar a pleura causando o empiema (coleções purulenta entre os folhetos pleurais), pneumotórax (ar entre os folhetos pleurais) ou piopneumotórax (ar e pus no espaço pleural), ocorrendo concomitantemente colapso pulmonar parcial ou total, acompanhado de desvio de mediastino, para o lado sadio, nos processos hipertensivos.

Há casos em que podem ocorrer exsudato purulento (abscesso pulmonar) pela forte tendência supurativa do processo. A ruptura de um pequeno abscesso subpleural pode resultar em piopneumotórax, que por sua vez pode provocar a erosão de um brônquio, produzindo uma fístula broncopleural (7; 10).

Evolução radiológica

Segundo Lima (7), a radiologia convencional pode-se transformar em valioso aliado para a proposta terapêutica ou para a indicação de internação do paciente.

A radiografia de tórax é o exame mais freqüentemente usado no diagnóstico e acompanhamento das pneumatoceles, podendo estas ser únicas ou múltiplas (9;6).

A pneumonia estafilocócica quando produz danos intensos no pulmão, tal como pneumatoceles, apresenta uma evolução radiológica muito lenta. A evolução esperada para as pneumatoceles é de aproximadamente 6 meses. Neste caso, não indicam atividade infecciosa. (11;3).

Sua característica radiológica consiste em mudanças súbitas de forma e tamanho em exames sucessivos (8). (Fig. 1 e 2)

As pneumatoceles podem atingir grandes volumes ocupando todo o hemitórax. Por conterem liquido, assumem nas radiografias aspecto de imagem hidroaérea, como um cisto de paredes finas e bem delimitadas o que as confundem radiologicamente com abscesso. Quando localizadas próximas à pleura, ao se romperem provocam pneumotórax e empiema (12).

     Fig 1. Radiografia de tórax póstero-anterior. Criança de 1 ano e 8 meses de idade, apresentando pequenas e múltiplas pneumatoceles em lobo médio direito.

     Fig 2. Radiografia de tórax póstero-anterior, 120 horas  após.  Observar o aumento das pneumatoceles em lobo médio direito.

Segundo Tarantino (12) e Behrman (2), as pneumatoceles isoladas, assintomáticas, podem permanecer durante semanas ou meses. São fáceis de reconhecer como bolhas aéreas de parede fina, rodeadas de parênquima normal. Não requerem nenhum tratamento e não impedem a alta. Apenas deve-se proceder a controle radiológico com intervalo de 1 a 2 meses.

Conclusão

As pneumatoceles fazem parte da evolução das pneumonias bacterianas não sendo consideradas como complicação das mesmas. Por serem, bolhas cheias de ar em seu interior e possuírem paredes finas tornam-se uma doença de muitos cuidados, pois podem levar a complicações, onde estas devem ser diagnosticadas pelo pediatra e assim ser tratadas. Por outro lado, pneumatoceles assintomáticas não exigem tratamentos, pois podem desaparecer sem deixar seqüelas clínicas ou radiológicas.

Referências Bibliográficas

1. Bethlem, N. Pneumologia. 4ª ed. São Paulo: Guanabara Koogan, 2001; 928.
2. Behrman RE, Kliegman RM, Jenson HB. Tratado de Pediatria. 16º ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002; 756-757.
3. Bourroul MLM, Bricks LF, Cocozza AM. Pneumonias Agudas. In: Sucupira ACSL, Bricks LF, Kobinger MEBA, et al. Pediatria em Consultório. 4º ed. São Paulo: Sarvier, 2000;256-63.
4. Fonseca CB, Rodrigues JC. Pneumonias Agudas e Complicações. In: Reis AG., Grisi S. Manual de Pronto-socorro em Pediatria Clínica. São Paulo: Atheneu; 1998; 213-24.
5. Grisi SJEF. Pneumonias Bacterianas. in: Rosov T. Doenças Pulmonares em Pediatria- diagnóstico e tratamento. São Paulo: Atheneu, 1999; 205-13.
6. Hoffmann A, Scattolin I. Pneumonias. In: Silva LCC. Condutas em Pneumologia. Vol. 2. Rio de Janeiro: Revinter, 2001; 942-49.
7. Lima AJ. Pediatria Essencial. 5º ed. São Paulo: Atheneu, 1999; 344-46.
8. Marcondes E. Pediatria Básica. 8º ed. Vol 2. São Paulo: Sarvier, 1996.
9. Mastroti RA, Chiara NV. Clínica Cirúrgica e Urológica em Pediatria- diagnóstico e conduta. São Paulo: Robe, 1997.
10. Mcgarry T, Giosa R, Rohman M. et al. Pneumatocele formation in adult pneumonia. Chest 1987; v.92, n.4: 717-19.
11. MURAHOVSCHI J. Emergências em Pediatria. 7º edição. São Paulo: Sarvier, 1997.
12. Sant´Anna CC , Pernetta C, March MFBP. Pneumonias na Infância. In: Tarantino AB. Doenças Pulmonares. 5º ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2002; 251-56.
13. Shen H-N, Lu, FL, Wu, H-D, et al. Management of tension pneumatocele with high-frequency oscilatory ventilation. Chest 2002;v.121, n1: 284-86.
14. Zuhdi MK, Spear RM, Worthen H M, et al. Percutaneous catheter drainage of tension pneumatocele, secondarily infected pneumatocele, and lung abscess in children. Crit care med 1996; v.24, n.2: 330- 33.

O que é um fisioterapeuta?

Não fala, coordena vibrações nas cordas vocais,..
Não pensa, faz sinapse…
Não toma susto, recebe respostas galvânicas incoerentes…
Não chora, produz secreções lacrimais…
Não espera retorno de e-mail, espera feed back…
Não perde energia, gasta ATP…
Não divide, faz meiose…
Não beija, permuta microorganismos…
Não se olha no espelho, faz avaliação postural…
Não tem pigarro, tem tosse improdutiva…
Não sofre fratura, tem descontinuidade abruta e traumática do osso…
Não dança, faz cinésio…
Não se apaixona, tem comportamento de padrão motor ativado pelas reações químicas induzidas pelas respostas emocionais…
Não respira, faz troca gasosa…
Não sente dor, tem estímulos nociceptivos…
Não se espreguiça, faz alongamento…
Não "malha", faz movimentos de ação concêntrica e excêntrica…
Não caminha pela praia, deambula…
Não leva a colher � boca, faz movimento cinésio-funcional…
Não corre, executa ação de força explosiva..
Não tem estresse, tem arritmia sinusal
(T. Yung)

Sindrome de Wilson-Mikity


O síndrome de Wilson-Mikity é uma causa pouco comum de distress respiratório no recém-nascido. A sua etiologia e patogenia continuam desconhecidas. Radiologicamente, manifesta-se por áreas focais de hiperinsulflação e espessamento do interstício pulmonar. O atingimento é bilateral.

Tuberculose Pulmonar

É uma infecção causada por um microorganismo chamado Mycobacterium tuberculosis, também conhecido por bacilo de Koch.


A doença costuma afetar os pulmões mas pode, também, ocorrer em outros órgãos do corpo, mesmo sem causar dano pulmonar.

Esta doença ocorre em todo mundo. A Organização Mundial de Saúde estimou a presença de 8 milhões de novos casos de tuberculose ativa no mundo somente no ano de 1990, com aproximadamente 2,6 milhões de mortes naquele ano. Com o surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Humana (SIDA) no início da década de 80, o número de casos da doença aumentou bastante.

A tuberculose é mais comum nas áreas do mundo onde há muita pobreza, promiscuidade, desnutrição, má condição de higiene e uma saúde pública deficitária. Os paises com maior incidência da doença são a Índia, China, Indonésia, Bangladesh, Nigéria, Paquistão, Filipinas, Congo, Rússia e Brasil.

No Brasil, em 1996, 5.928 mortes foram oficialmente atribuídas a tuberculose - valor este, certamente, subestimado. Em 1998, ocorreram no Brasil 51,3 casos de tuberculose para cada 100 mil habitantes. A situação no norte e nordeste do país é mais grave, por serem regiões socioeconomicamente desfavorecidas. Esta doença tem incidência elevada em áreas confinadas como prisões, lares de idosos e quartéis.

Como se adquire ?

Geralmente, pega-se a doença pelo ar contaminado eliminado pelo indivíduo com a tuberculose nos pulmões. A pessoa sadia inala gotículas, dispersas no ar, de secreção respiratória do indivíduo doente. Este, ao tossir, espirrar ou falar, espalha no ambiente as gotículas contaminadas, que podem sobreviver, dispersas no ar, por horas, desde que não tenham contato com a luz solar. A pessoa sadia, respirando no ambiente contaminado, acaba inalando esta micobactéria que se implantará num local do pulmão. Em poucas semanas, uma pequena inflamação ocorrerá na zona de implantação. Não é ainda uma doença. É o primeiro contato do germe com o organismo (primoinfecção). Depois disso, esta bactéria pode se espalhar e se alojar em vários locais do corpo.

Se o sistema de defesa do organismo estiver com uma boa vigilância, na maioria dos casos, a bactéria não causará doença, ficará sem atividade (período latente). Se, em algum momento da vida, este sistema de defesa diminuir, a bactéria que estava no período latente poderá entrar em atividade e vir a causar doença. Mas, também há a possibilidade da pessoa adquirir a doença no primeiro contato com o germe.

Então, após a transmissão do bacilo de Koch pela via inalatória, quatro situações podem ocorrer:

1.O indivíduo, através de suas defesas, elimina o bacilo;

2.A bactéria se desenvolve, mas não causa a doença;

3.A tuberculose se desenvolve, causando a doença – chamada de tuberculose primária;

4.A ativação da doença vários anos depois – chamada de tuberculose pós-primária (por reativação endógena).

Existe também a tuberculose pós-primária a partir de um novo contágio que ocorre, usualmente, por um germe mais virulento (agressivo).

A contagiosidade da doença depende:

da extensão da doença – por exemplo, pessoas com "cavernas" no pulmão ou nos pulmões, tem maior chance de contaminar outras pessoas. As "cavernas" são lesões como cavidades causadas pelo bacilo da tuberculose no doente. Dentro destas lesões existem muitos bacilos;
da liberação de secreções respiratórias no ambiente através do ato de tossir, falar, cantar ou espirrar;
das condições do ambiente – locais com pouca luz e mal ventilados favorecem o contágio;
do tempo de exposição do indivíduo sadio com o doente.

Devemos lembrar que a intensidade do contato é importante. A pessoa de baixa renda que vive no mesmo quarto de uma casa pequena e mal ventilada com uma pessoa com tuberculose pulmonar, está mais propensa a adquirir a doença do que outra que tem contato eventual ou ao ar livre com um doente.

Por outro lado, os bacilos que são depositados pelo doente em toalhas, roupas, copos, pratos e outros não representam um risco para transmissão da doença.

Que fatores facilitam o surgimento da doença ?

Morar em região de grande prevalência da doença;
Ser profissional da área da saúde;
Confinamento em asilos, presídios, manicômios ou quartéis;
Ser negro – a raça negra parece ser mais suscetível à infecção pelo bacilo da tuberculose;
Predisposição genética;
Idade avançada;
Desnutrição;
Alcoolismo;
Uso de drogas ilícitas;
Uso crônico de medicações como os que transplantados de órgãos usam, como corticóides ou outras que também diminuam a defesa do organismo;
Doenças como SIDA, diabete, insuficiência crônica dos rins, silicose (doença crônica pulmonar) ou tumores.

Tuberculose e AIDS

Desde o seu surgimento no início da década de 80, o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Humana (HIV) tornou-se um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da tuberculose nas pessoas infectadas ("portadoras") pelo Mycobacterium tuberculosis. A chance do indivíduo infectado pelo HIV adoecer de tuberculose é de aproximadamente 10% ao ano, enquanto que no indivíduo imunocompetente é de 10% ao longo de toda a sua vida.

No Brasil, conforme a faixa etária, a co-infecção tuberculose-HIV pode chegar até em torno de 25%.

Quais são os sinais e sintomas?

tosse persistente que pode estar associada à produção de escarro
pode ter sangue no escarro ou tosse com sangue puro
febre
suor excessivo à noite
perda de peso
perda do apetite
fraqueza

Como o médico faz o diagnóstico ?

O diagnóstico presuntivo é feito baseado nos sinais e sintomas relatados pelo paciente, associados a uma radiografia do tórax que mostre alterações compatíveis com tuberculose pulmonar. O exame físico pode ser de pouco auxílio para o médico.

Já o diagnóstico de certeza é feito através da coleta de secreção do pulmão. O escarro (catarro) pode ser coletado (de preferência, pela manhã) ao tossir. Devem ser avaliadas, inicialmente, duas amostras colhidas em dias consecutivos. Podem ser necessárias amostras adicionais para obtenção do diagnóstico. Encontrando o Mycobacterium tuberculosis está confirmada a doença.

Outro teste utilizado é o teste de Mantoux, que pode auxiliar no diagnóstico da doença. É feito injetando-se tuberculina (uma substância extraída da bactéria) debaixo da pele. Se, após 72-96h, houver uma grande reação de pele, significa que pode haver uma infecção ativa ou uma hipersensibilidade pela vacinação prévia com BCG feita na infância. Então, este exame não confirma o diagnóstico, mas pode auxiliar o médico.

Existem outros recursos para a confirmação da doença. Dentre eles está o aspirado gástrico – é aspirado conteúdo do estômago à procura do bacilo contido no escarro deglutido. É mais usado em crianças. Já a fibrobroncoscopia é muito utilizada nos casos em que não há expectoração. Neste exame, um aparelho flexível entra no pulmão e coleta material que deve ser encaminhado para a pesquisa do bacilo da tuberculose. Em poucos casos, a biópsia pulmonar, através de cirurgia, pode ser necessária. Existem ainda outros métodos diagnósticos para auxiliar o médico.

Como se trata ?

O tratamento da tuberculose é padronizado no Brasil. As medicações são distribuídas pelo sistema de saúde, através de seus postos municipais de atendimento. O tratamento inicial (preferencial), chama-se RHZ e inclui três medicações: rifampicina(R), isoniazida(H) e pirazinamida(Z). É muito eficaz. A cura usando o esquema RHZ por 6 meses, que é preconizado pelo sistema público de saúde, aproxima-se de 100% quando a medicação é utilizada de forma regular, ou seja, todos os dias.

Antes da existência de medicamentos efetivos para o combate da doença, 50% dos indivíduos morriam sem tratamento, 25% tinham cura espontânea e 25% tornavam-se doentes crônicos.

Geralmente, o tratamento dura seis meses, mas, em casos especiais, pode ser mais longo. Nos primeiros dois meses, são utilizadas as três medicações juntas. Já nos últimos quatro meses, são utilizadas a rifampicina associada a isoniazida. O motivo da utilização de mais de uma medicação contra o mesmo germe é que a taxa de resistência do microorganismo a este esquema tríplice é baixa. Os medicamentos agem em lugares diferentes, de maneira sinérgica. No caso de gestação, o tratamento não deve ser alterado. Deve ser realizado o esquema RHZ com duração de seis meses.

Dentre os efeitos indesejáveis mais frequentes causados pelas medicações contra tuberculose estão a náusea, vômitos e dor abdominal. Nestes casos, o paciente deverá comunicar seu médico.

Além do esquema de tratamento RHZ, existem outros esquemas (com outras combinações de medicações) que podem ser utilizados em situações especiais ou nos casos de falência com o tratamento de primeira linha (preferencial).

Como se previne ?

Para uma boa prevenção, o mais importante é detectar e tratar todos os pacientes bacilíferos, ou seja, todos aqueles com o bacilo de Koch nos pulmões (doentes).

Para isso, é muito importante um bom sistema público de controle da doença, para identificar precocemente os doentes, evitando que novos casos apareçam.

O doente durante as duas primeiras semanas de tratamento pode contagiar ainda outros indivíduos. Portanto, deve proteger a boca com a mão ao tossir ou espirrar. Também deverá procurar não ficar próximo, principalmente em lugares fechados, às pessoas sadias. Estes são cuidados simples para que a doença não contamine outros indivíduos.

Outra conduta importante é o controle dos comunicantes. Comunicantes são aquelas pessoas que têm contato íntimo com o doente (vivem na mesma casa, por exemplo). Estes devem ser investigados pelo médico assistente através de exames solicitados na consulta médica.

Se for indicado, os comunicantes devem iniciar a quimioprofilaxia, um tratamento feito com isoniazida com o intuito de prevenir a doença nos comunicantes. Ela é realizada durante seis meses. Em alguns casos especiais, podem durar mais tempo.

Além disso, a vacinação com BCG no recém-nascido, protege as crianças e os adultos jovens contra as formas graves de tuberculose primária como a miliar (disseminada nos pulmões e outros órgãos) e a meningite tuberculosa. A eficácia da vacina está entre 75 e 85%.

Fonte: www.abcdasaude.com.br

O que é a síndrome respiratória aguda grave (SARS)

A síndrome é uma doença respiratória, também denominada pneumonia asiática, ou pneumonia atípica, que foi descrita na Ásia, América do Norte e Europa. Foi descrita pela primeira vez em 26 de fevereiro de 2003, em Hanói, Vietnam, em um paciente proveniente de Hong Kong.

Quais os sinais e sintomas da síndrome respiratória aguda grave?

O período de incubação tem variado entre 2 a 10 dias (na maioria dos casos entre 2 a 7 dias). As primeiras manifestações da doença incluem febre alta (> 38.0°C) de início súbito, calafrios, dor muscular e tosse seca. Em 3 a 4 dias os pacientes evoluem com dispnéia, sendo comum achados radiológicos de infiltrado intersticial bilateral. Em 80 a 90% dos casos há significativa melhora dos sintomas a partir do 6º dia. Em 10 a 20% dos casos os pacientes têm evolução para um quadro clínico mais grave, progredindo para insuficiência respiratória aguda, desenvolvendo um quadro de Síndrome da Angústia Respiratória (hipoxemia grave, refratária ao uso de oxigenoterapia), exigindo entubação e ventilação mecânica. A letalidade neste grupo de pacientes tende a ser elevada. Os fatores associados à gravidade têm sido idade acima de 40 anos e presença de co-fatores de morbidade.

Como a SARS é transmitida?

A forma de transmissãoprincipal parece ser através de gotículas, isto é, quando algum doente de SARS tosse ou espirra, libera gotículas no ar e outra pessoa próxima respira essas gotículas. É possível que a SARS seja também transmitida através do ar de forma mais ampla ou de objetos contaminados.

Qual o agente causador da SARS?

Cientistas no CDC (Center for Disease Control, nos Estados Unidos) e outros laboratórios descobriram um coronavirus em pacientes com SARS. Por enquanto, este novo coronavírus ainda é a hipótese principal para a causa da SARS, mas outros vírus ainda estão sendo investigados como causas em potencial.


O que são coronavírus?

Coronavirus são um grupo de vírus que, à microscopia eletrônica, assemelham-se à coroa solar e por isso têm esse nome (clique para ver a foto de microscopia eletrônica). Estes vírus são uma causa comum de doenças respiratórias leves e moderadas em humanos e são associados com doenças respiratórias, gastrointestinais, do fígado e neurológicas em animais. Os coronavirus pode sobreviver por até três horas no meio ambiente. Veja as principais características dos coronavírus clicando aqui.

Quais as evidências que sugerem que os coronavírus estão relacionados à SARS?

Os cientistas do CDC e outros laboratórios da rede da OMS isolaram um vírus a partir de tecidos de pacientes com SARS e utilizaram vários métodos laboratoriais para caracterizar o agente. O exame por microscopia eletrônica revelou que o vírus tem uma morfologia distinta, semelhante aos coronavírus. Testes de amostras de soros dos pacientes com SARS mostraram que os pacientes foram infectados recentemente com um coronavírus. Outros testes demonstraram que os coronavírus estavam presentes em várias amostras clínicas dos pacientes, incluindo swabs nasais e de garganta. Além disso, análises genéticas sugerem que este novo vírus pertence à Família Coronaviridae, mas é diferente de outros coronavírus. Esses resultados de laboratório não são conclusivos para afirmar que os coronavírus são os causadores da SARS. Outras amostras estão sendo testadas, para a aquisição de outras informações sobre coronavírus e sua ligação com a SARS. Foram publicados alguns tra balhos científicos que afirmam o coronavírus como agente etiológico da SARS (ver aqui)

Pesquisas de laboratório

O único laboratório autorizado para diagnóstico do agente etiológico da SARS no Estado de São Paulo é o Instituto Adolfo Lutz da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, cujo Serviço de Virologia é um Centro Colaborador de Organização Mundial de Saúde/Organização Panamericana de Saúde. Esse laboratório está procendendo ao isolamento do agente etiológico em culturas celulares, de acordo com o protocolo do CDC, EUA, com todos as precauções de segurança nível 3.

Esforços estão em andamento para caracterizar melhor o papel de um coronavírus na SARS. A reação em cadeia pela polimerase (PCR), isolamento do vírus, estudos de microscopia eletrônica e estudos histológicos estão em desenvolvimento para detecção do vírus em amostras de pacientes com suspeita de SARS. Já foram desenvolvidos e estão sendo aplicados em pacientes com suspeita de SARS testes de imunofluorescência indireta (veja um exemplo clicando aqui) e ensaios imunoenzimáticos para detectar anticorpos anti-coronavírus, como indicador da infecção. Os estudos de laboratório no CDC e da rede de laboratórios da Organização Mundial de Saúde detectaram este novo coronavírus em pacientes de SARS, o que é consistente com o papel etiológico na doença.O CDC detectou um metapneumovírus humano (paramixovírus) em um dos pacientes de SARS e outros laboratórios também detectaram esse vírus. O papel destes víru s na patogênese da SARS não está esclarecido.

Resultados de laboratório

Conteúdo: SARS: Disponibilidade e uso de testes de laboratório (08 de abril de 2003)
Atualização sobre os testes diagnósticos (07 de abril de 2003)
Resumo dos principais resultados laboratoriais da Rede de Colaboração Multicêntrica da Organização Mundial da Saúde para estudar a etiologia e diagnóstico da SARS
Resultados laboratoriais do CDC até o dia 5 de abril.


Qual o tratamento médico recomendado para pacientes com SARS?

O CDC recomenda que o paciente com SARS receba o mesmo tratamento que seria utilizado para pacientes com pneumonia atípica grave de causa desconhecida, em hospitais. Vários tratamentos tem sido utilizados mas não há informação suficiente para determinar se eles têm efeito benéfico. Tem sido utilizados antibióticos, para tratar agentes bacterianos conhecidos de pneumonis atípicas. Alguns tratamentos também incluem o uso dos antivirais ribavirina e oseltamivir, com ou sem o uso de esteróides. A terapia mais apropriada tem sido as medidas de suporte geral do paciente, assegurando a hidratação e o tratamento de infecções subseqüentes.

Existem casos no Brasil?

Baseando-se nas definições de caso apresentadas abaixo, permanecem até o momento, dois casos suspeitos no Brasil. O primeiro caso notificado ao CENEPI no dia 02.04.2003, trata-se de uma paciente procedente da Malásia, que realizou conexão em Cingapura há 08 dias. A paciente evoluiu com quadro clinico satisfatório, já recebeu alta hospitalar e a avaliação radiológica está sendo conduzida conjuntamente com a Organização Mundial de Saúde. O segundo caso suspeito foi uma criança de 04 anos, residente em Sorocaba e internada no Hospital da Universidade de Campinas. Esta criança esteve em Guangdong e Hong Kong, até a noite do dia 23.03.03, quando iniciou viagem com destino ao Brasil. No dia 03.04.03, iniciou com tosse, progredindo nos dias seguintes com febre e dispneia. Desde os últimos dias vem evoluindo sem sintomologia. Apesar de ter sido recentemente divulgado que este não seria um caso suspeito, o Centro Nacional de Epidemiologia e a Secretaria Estadual de Saúde d e São Paulo, baseado no fato de que o caso preenche a definição estabelecida internacionalmente, mantém a classificação atual. A Organização Mundial de Saúde incluiu o Brasil na lista de países com casos: 1 caso, a partir de 3 de abril e 2 casos a partir de 10 de abril. Os casos foram excluídos, pela OMS, do mapa de casos prováveis atuais no dia 01/05/2003.


Esse vírus pode ser o resultado de bioterrorismo?

Não há indicação da ligação da SARS com o bioterrorismo.

RMA - A Terapia do Esparadrapo


Parece mágica. O terapeuta cola tiras de esparadrapo sobre a pele do paciente e, em pouco tempo, surge alívio para dores musculares e problemas de articulação. A técnica chamada de RMA – Reprogramação Músculo-Articular, desenvolvida pelos Fisioterapeutas Dr. Ricardo Giglio e Dr. Tho Chieng Chu, apresenta respostas imediatas e reduz consideravelmente o tempo de tratamento.


Essa técnica consiste na colagem de fitas adesivas, ou células programadoras, sem medicamentos, sobre lugares específicos do corpo. De acordo com o local de colagem, será provocado um estímulo que vai ativar o sistema nervoso, havendo a liberação de substâncias que, além de relaxar os músculos, proporcionarão efeitos analgésico e antiinflamatório. Por isso, a RMA é indicada principalmente para doenças como tendinites, distensões, cãibras, reumatismo, artrite, lesões originadas por práticas esportivas ou decorrentes de esforço repetitivo (LER), além de outros distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.

A Técnica é uma prática curativa, e não meramente paliativa. Pode, também, ser usada como um método preventivo por atletas ou pessoas que desejam evitar problemas de saúde decorrentes de práticas esportivas ou profissionais.

Por se tratar de uma técnica relativamente nova, ainda não se sabe exatamente como ela funciona. Sabe-se, no entanto, que os princípios são os mesmos da acupuntura. Ou seja: o toque do esparadrapo sobre a pele estimula pontos pelos quais flui a energia vital, redirecionando-a e equilibrando seu fluxo. É interessante notar que as fitas adesivas não comprimem a pele; trata-se, na verdade, de um estímulo bastante suave, de efeitos tão rápidos e intensos quanto os da acupuntura. Outra característica que diferencia a RMA da maioria das terapias é o fato de mesclar os conhecimentos das medicinas oriental e ocidental. Isso porque trata a parte física (músculos, articulações, inervações) e a energética, utilizando pontos e teorias de acupuntura para reequilibrar o fluxo de energia vital.

A RMA é uma técnica indolor e não invasiva, aplicada duas vezes por semana, em sessões rápidas. O paciente fica com os movimentos livres. O tempo ideal de permanência das fitas é de três dias; após esse período, a pessoa deverá retornar à clínica para ser reavaliada pelo terapeuta. "É importante que o paciente respeite as orientações do terapeuta, pois se as células ficarem mais tempo do que o necessário, poderão causar efeitos adversos", alerta a Dra. Andréa Lannes.

O método não possui contra-indicações: deve-se ter cautela somente quando for utilizado durante os primeiros meses de gestação, sobre lesões cutâneas e em pessoas que apresentem qualquer tipo de câncer. Os idosos podem receber as fitas adesivas sem problemas; na verdade, nas clínicas japonesas eles são maioria, já que, com a idade avançada, problemas ósseos, musculares e de articulação tornam-se bastante comuns.

Pode-se utilizar a RMA como uma terapia de base ou associada a outras técnicas, como acupuntura, massagem e fisioterapia.

Ainda não se consegue esclarecer por completo quais os mecanismos acionados pelas células de esparadrapo que possibilitam o alívio ou a cura dos sintomas das doenças, mas que a técnica funciona, ninguém tem dúvida.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Síndrome de Williams

Síndrome de Williams também conhecida como síndrome Williams-Beuren é uma desordem genética que, talvez, por ser rara, freqüentemente não é diagnosticada. Sua transmissão não é genética. O nome desta síndrome vem do médico, Dr. J.C.P. Williams que a descreveu em 1961 na Nova Zelândia e pelo Dr. A. J. Beuren da Alemanha em 1962 .

 

Acometendo ambos os sexos, na maioria dos casos infantis (primeiro ano de vida), as crianças têm dificuldade de se alimentar, ficam irritadas facilmente e choram muito.

 

A síndrome de Williams é uma doença caracterizada por "face de gnomo ou fadinha", nariz pequeno e empinado, cabelos encaracolados, lábios cheios, dentes pequenos e sorriso freqüente. Estas crianças normalmente têm problemas de coordenação e equilíbrio, apresentando um atraso psicomotor. Seu comportamento é sociável e comunicativo embora utilizem expressões faciais, contatos visuais e gestos em sua comunicação.

 

Embora comecem a falar tarde, por volta dos 18 meses, demonstram facilidade para aprender rimas e canções, demonstrando muita sensibilidade musical e concomitantemente boa memória auditiva.

 

Seu desenvolvimento motor é mais lento. Demoram a andar, e tem grande dificuldade em executar tarefas que necessitem de coordenação motora tais como: cortar papel, desenhar, andar de bicicleta, amarrar o sapato etc.

 

Tratamento e Prevenção das Complicações

 

É muito importante identificar portadores desta síndrome logo na primeira infância, pois, tem influência em diversas partes do desenvolvimento cognitivo, comportamental e motor.

 

As medidas preventivas devem-se iniciar logo após o diagnóstico com um estudo minucioso para descarte de anomalias do coração e rins. É necessário monitorar freqüentemente a hipertensão arterial, incluindo a avaliação da tensão arterial nos quatro membros.

 

A otite crônica exige avaliações auditivas freqüentes e quando necessário o envio para uma consulta de otorrinolaringologia. O tratamento de problemas dentários necessita da profilaxia da endocardite. Face às infecções urinárias freqüentes torna-se necessário avaliar a função renal periodicamente e realizar um estudo minucioso na infância e na adolescência.

 

Na adolescência, para além de se manter a vigilância dos sistemas já descritos, deve-se pesquisar a presença de escoliose e contratura das articulações. Os problemas alimentares observados nos mais novos são ultrapassados, sendo a obesidade encontrada em 29% dos adultos. O comportamento e aproveitamento escolar, quando problemáticos carecem de medidas de apoio. A ansiedade pode estar associada à úlcera péptica e a litíase biliar é um diagnóstico possível em doentes com dores abdominais.

 

Personalidade e comportamento

 

Nas crianças portadoras desta síndrome é grande a sociabilidade, entusiasmo, grande sensibilidade, tem uma memória fantástica para pessoas, nomes e local; ansiedade medo de alturas, preocupação excessiva com determinados assuntos ou objetos, distúrbios do sono, controle do esfíncter É normal crianças com esta síndrome serem amigas de adultos e procurarem a companhia deles ao mesmo tempo tem dificuldade em fazer amizades outras crianças da sua idade. Muitas crianças com esta síndrome demonstram medo ao escutarem ruídos de bater palmas, liquidificador, avião, etc., por serem hipersensíveis ao som.

Distrofia Simpático Reflexa (DSR) / Distrofia de Sudeck


A distrofia simpático-reflexa (DSR) é um distúrbio doloroso complexo, que se apresenta com uma dor intensa e persistente, em um dos braços. A dor é associada à queimação, disestesia, parestesia e hiperalgesia ao frio e sinais clínicos de disfunção do sistema nervoso autonômo (cianose, edema, frio e alteração de transpiração local).

Esta doença complexa vem recebendo diversas denominações, tais como, algodistrofia, causalgia, atrofia de Sudeck, síndrome ombro-mão, neuroalgodistrofia, distrofia simpática pós-traumática ou síndrome dolorosa regional complexa tipo 1.

Atualmente, há grande controvérsia a respeito da origem da DSR. Alguns autores acreditam que esta doença é decorrente de um mecanismo neuronal reflexo após um evento de trauma físico (batida, acidente etc), levando à percepção anormal da dor. Em mais de 60% dos casos, descritos em adultos, há história efetiva de um trauma. Mas a DSR ocorre também mais freqüentemente em adultos, que sofrem um trauma psicológico, mas já tinham uma instabilidade emocional, depressão, mania e insegurança. Esse quadro de DSR pode surgir em crianças que apresentam um perfil de perfeccionista e empreendedora, e o quadro pode ser precedido ou agravado por fatores estressantes, próprios da idade, como desavenças entre os pais ou morte de familiares, início na escola, etc.

O quadro de DSR pode não vir sozinho, mas, pode estar associado a outras dores com disfunção do sistema nervoso autônomo, tais como: enxaqueca, síncope, fibromialgia e dor abdominal. O envolvimento de membros inferiores se bem que mais raro, também pode ocorrer com as mesmas características dos membros superiores associado, porém, à incapacitação de deambulação. Também existe o trauma físico e o emocional e a presença de um inchaço que dificulta o diagnóstico vasomotor, que se manifestou como aumento de temperatura em dois membros acometidos, diminuição de temperatura em um, eritema fixo em dois, cianose e sudorese em um. Três pacientes apresentavam também dormência e parestesia no local afetado. Assim, como na maioria das síndromes dolorosas os exames laboratoriais geralmente são normais. O tratamento é feito com antiinflamatórios não-hormonais (AINH) (ácido acetilsalicílico, endometacina, ibuprofeno ou naproxeno) associados a sessões de fisioterapia. Quando necessário é recomendado o uso de anti-depressivo para aliviar a dor que é muito semelhante à fibromialgia.

I. Karacan e colaboradores, fisiatras, da Universidade de Istanbul, Turquia, estudaram 32 pacientes adultos, com a DSR, sendo que 20 pacientes (62,5%) tinham perda de massa óssea na mão afetada e 11 pacientes (34,4%) somente na mão afetada do lado da dor e 9 pacientes (28,1%) nos dois lados. Os autores observaram que no lado não afetado o grau de osteoporose é menor e a osteoporose nos ossos da bacia e da coluna desses pacientes tem perdas ósseas correspondentes ao tempo de queixas da dor da DSR.

Os autores chamam a DSR como síndrome de Sudeck ou como recomenda a Associação Internacional de Estudo da Dor de síndrome dolorosa regional complexa tipo 1.

Fonte: Revista de Atualização Médica

Principais tipos de tratamento fisioterápicos

Principais tipos de tratamento fisioterápicos
por Dra. Kaori Nakano

Os recursos de tratamento fisioterápico variam conforme o objetivo (tratamento analgésico, antiinflamatório, diagnóstico, hipertrofia muscular, etc.), condições do paciente e estágio em que a lesão se encontra, e podem ser classificados principalmente em:

Cinesioterapia: terapia realizada por meio de exercícios de alongamento e fortalecimento, mobilizações, etc., visando a movimentação. Esta é a terapia mais utilizada, sozinha ou associada a outras formas de tratamento (eletroterapia, crioterapia, mecanoterapia, etc.)

Crioterapia: terapia realizada com o uso de frio nas mais variadas formas: compressas, imersão, varredura, dentre outras, para obtenção de analgesia, redução da inflamação e edema, estimulação neuromuscular, etc.

Eletroterapia: – terapia realizada por meio de equipamentos que fazem uso da corrente elétrica em vários parâmetros físicos (intensidade, freqüência, etc.) conforme o objetivo a ser atingido. As principais ações terapêuticas incluem a analgesia, excitação neuromuscular, regeneração de tecidos vasculares, iontoforese – introdução de medicamentos e diagnósticos de condições neuromusculares e órgãos internos. São os famosos "choquinhos": TENS, eletroacupuntura, correntes diadinâmicas, interferenciais, FES, etc.

Fototerapia: Terapia realizada por meio de luz (parâmetros físicos variáveis) para promoção de analgesia, reparo tecidual, redução da inflamação, dentre outros. Ex.: infravermelho, laser, etc.

Hidroterapia: Terapia por meio de exercícios realizados na água (fria ou morna) com imersão parcial ou total do corpo, visando relaxamento muscular, mobilidade articular, etc.

Massoterapia: Terapia realizada por meio de massagens como a drenagem linfática, massagens clássica e reflexa, etc. Os principais objetivos variam conforme a técnica utilizada: relaxamento muscular, drenagem de membros, estimulação de vísceras, etc.

Mecanoterapia: Terapia realizada por meio de agentes mecânicos com parâmetros variáveis como as demais com finalidade analgésica, antiinflamatória, sonoforese – introdução de medicamentos pelo ultra-som, etc. Ex.: ultra-som.

Respiratória: Terapia que inclui variadas formas de tratamento para reabilitação e promoção de saúde do sistema respiratório. Ex.: vibração manual, tosse assistida, pressão expiratória, drenagem postural, uso de incentivadores respiratórios, etc.

Terapia Manual: Terapia realizada por meio de técnicas manuais. Geralmente confundida com a massoterapia, distingue-se pela finalidade de restabelecer os movimentos e funções fisiológicas através de manipulações articulares e tecidos moles, alongamentos de fáscias e músculos, etc.

Termoterapia: Terapia realizada por meio de calor seco ou úmido com parâmetros físicos variáveis conforme o objetivo. Aqui entram as terapias por meio de ondas curtas e bolsas de água quente dentre outros, e visam a analgesia, relaxamento muscular, etc.

Antes de determinar qual o tipo de terapia mais adequada ao paciente/atleta, é importante ressaltar a necessidade de submeter-se a uma avaliação completa do quadro em que este se encontra: dados pessoais, queixa principal, dados que remetem ao mecanismo de lesão, estágio em que se encontra a lesão, realizar testes gerais de mobilidade e postura, testes específicos da região acometida e traçar um plano de tratamento/condicionamento em conjunto com demais profissionais para uma maior efetivação da terapia.

sábado, 19 de abril de 2008

Novo site sobre corridas

Indico um site muito legal para quem gosta de correr e ficar ligado nas corridas que estão aocntecendo em todo o país.
 
Acessem:
 
 
As colunas também são interessantes com profissionais gabaritados.

Seu corpo fala...

Existem problemas psicológicos que podem influências na postura corporal de uma pessoa? Quais são eles e por que ocasionam tal modificação física?


A postura física de uma pessoa, já pressupõe uma atitude que ela tem diante da vida, portanto psicologicamente ou melhor emocionalmente ela também está se expressando.

Podemos ver isto com facilidade quando olhamos para os olhos de alguém que está feliz ou triste.

Alguém que está com medo - geralmente fica encolhido, ou alguém que carrega muita responsabilidade pode apresentar-se um pouco encurvado.

Como pode ver tudo que sentimos é expresso diretamente e conjuntamente com o nosso organismo.

Quando estas emoções são "permanentes" tomamos está expressão por uma modificação física. Geralmente esta modificação leva bastante tempo para acontecer, podemos mesmo falar em anos, devido a pouca percepção que temos do nosso organismo isto vai passando despercebido.

Quando a modificação se instala, nós ficamos com aquela expressão, ou melhor, esta expressão se cristaliza.

Quando você pergunta quais são os problemas psicológicos que podem ocasionar tal modificação - é difícil de responder diretamente porque tudo que vivemos traz modificações - tanto vivências positivas ou negativas, não precisando necessariamente ser problemas.

Por quê?
Nosso organismo é vivo e está em constante movimento - tanto psicologicamente quanto fisicamente, qualquer situação que fique permanente irá impedir este movimento em direção ao amadurecimento natural deste organismo vivo e irá com certeza trazer danos.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Doar sangue: um ato de amor à vida

A cada dois segundos um paciente precisa de transfusão de sangue no Brasil, de acordo com a Fundação Pró-sangue. Doe você também!

Pacientes de câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou de seus derivados. É, por exemplo, o caso dos hemofílicos, que necessitam de transfusão para minimizar a o comprometimento do sistema de coagulação.

O procedimento começa com a doação de sangue, que deve ser feita de maneira absolutamente voluntária. A Constituição Federal veda qualquer tipo de comercialização envolvendo o sangue, que deve sempre ser doado com fim altruístico.

Também garantido por lei é o sigilo acerca das declarações prestadas pelo doador na entrevista que precede a coleta.

O questionário é o primeiro passo para garantir que a doação seja de pessoas saudáveis e não ofereça riscos nem ao receptor nem ao doador. Após esta triagem inicial, o sangue passa por uma série de testes para comprovar sua qualidade. De acordo com recomendação do Ministério da Saúde, o sangue doado deve ser submetido a testes que confirmem a ausência de doenças diversas, como malária, sífilis, doença de Chagas, hepatites B e C e até mesmo a AIDS. No caso de o doador ser portador de algum destes males, eles podem ser transmitidos em uma transfusão.

Passado esse processo, o sangue é estocado à espera de receptor compatível. Pode também ser armazenado para uso próprio, situação em que o indivíduo doa para si mesmo meses antes de ser submetido a uma cirurgia.

Existem determinados tipos de sangue incompatíveis com outros, impedindo a transfusão. No universo das combinações, o portador do sangue AB positivo é considerado receptor universal, já que pode receber qualquer tipo sanguíneo. O de tipo O negativo é classificado como doador universal, pois seu sangue pode ser recebido por todos os indivíduos. É o tipo ideal para casos de acidentes ou emergências, quando não há tempo de realizar o estudo do sangue do receptor. Aliás, por este motivo, os bancos de sangue geralmente focam suas campanhas de doação nos portadores do sangue tipo O negativo.

Como ainda não existe nenhum substituto para o sangue humano, seja qual for o seu tipo, fazer da doação uma rotina é um ato de cidadania. É seguro doar sangue a cada seis meses. Qualquer pessoa com boa saúde, entre 18 e 65 anos de idade e com mais de 50 kg de peso, é um doador potencial. Além de salvar inúmeras vidas, a doação não traz qualquer revés ao doador, demora cerca de uma hora e pode ser útil para até três pessoas.

Todos devem conhecer os locais de coleta mais próximos. Além do benefício evidente da doação, pois pode salvar vidas, quem doa tem gratuitamente vários exames realizados. Frequentemente pacientes portadores de hepatite B ou C e sífilis, que não tinham diagnóstico estabelecido, são identificados durante a doação de sangue e passam a ter a oportunidade de receber o tratamento adequado.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Derrame Pleural - Tratamento em Fisioterapia

Depois de avaliação do paciente, traçamos objectivos mediante a situação clínica apresentada. Apesar disso, existem alguns objectivos comuns a quase todos os pacientes, e estes passam por:
 aliviar a dor;
 aumentar a amplitude respiratória;
 readquirir a coordenação respiratória diafragmo-toracica;
 restabelecer uma postura correcta;
 reeducação ao esforço.

- A diminuição da dor é conseguida através da nossa própria mobilização na grelha costal;

- reeducação respiratória: numa primeira fase mais aguda devem prevalecer respirações diafragmáticas (evitando a formação de aderências), trabalhar os decúbitos em que o movimento entre os folhetos da pleura seja menor (posições antálgicas) bem como os exercícios activos que causem pouca expansibilidade do tórax mas que levem a um deslizamento dos folhetos parietais (como rodar o tórax). A reeducação deve visar, à medida que o derrame vai diminuindo, a capacidade de expansibilidade do tórax lesado (homo ou bilateral). Podem ser utilizadas técnicas como: contracções repetidas, estiramento inicial, respiração contra-resistência (progressiva), efectuar apneia em inspiração (realizar o EDIC - para o efeito pneumático actuar sobre possíveis aderências) e associar movimentos à respiração – todos visam (re) ensinar a dinâmica respiratória.

- podemos efectuar diversos exercícios, não tornando o tratamento muito monótono. Podemos fazer uma massagem nos tecidos moles afectados e associar estiramentos dos músculos respiratórios e posturais afectados e depois pedir exercícios que provoquem movimento entre a expansibilidade e encurtamento do tórax lesado evitando a dor – numa fase aguda começar com movimentos de pequena amplitude com a flexão e extensão da coluna cervical, rotações e inclinações laterais do tronco; numa fase mais avançada utilizar movimentos mais extremos associados sempre a uma respiração correcta recorrendo a movimentos de flexão e extensão associada a inspiração e expiração respectivamente. Podemos pedir para executar exercícios de auto-correcção nas várias posições, como o sentar e o deitar. Nos exercícios realizados activamente pelo paciente devemos ser imaginativos para assim podermos cativar a motivação e participação do paciente no tratamento.

- o uso de ortóteses é bastante indicado. Como exemplo, a espirometria incitativa com recurso a inspirações lentas e prolongados para promover o efeito pneumático.
- reeducação ao esforço: deve ser feito gradualmente e, se possível, de acordo com a ocupação/profissão do paciente. O tapete rolante ou o cicloergometro podem ser indicados.

Quando alongar não é recomendado

O alongamento para corredores continua sendo um assunto muito discutido. Quando, como e para que alongar são questões extremamente controversas. Muitos atletas e profissionais que trabalham com corredores acreditam na capacidade que os exercícios de alongamento têm de diminuir risco de lesões. Muitos atletas se sentem bem quando alongam, enquanto outros acreditam que o alongamento diminui a performance, ou ainda acham que estes exercícios não mudam nada e por este motivo não vão "gastar tempo com isso".

Nesta matéria deixaremos de lado a questão se o alongamento faz bem ou não para os corredores e abordaremos um assunto pouco discutido: quando não se deve alongar. Citaremos quatro casos que apresentam o alongamento como contra-indicação absoluta; nos três primeiros o alongamento é contra-indicado devido ao risco de criar uma lesão e no quarto devido ao risco de aumentar a lesão.

Nunca alongue músculos frios.Antes de iniciar qualquer alongamento você deve estar com a musculatura aquecida. Para um aquecimento adequado é necessário que você aumente a sua freqüência cardíaca para aumentar o aporte sanguíneo nos músculos a serem alongados.

Você pode trotar por 5 a 10 minutos, pedalar ou fazer uma caminhada rápida se isso é suficiente para aumentar a sua freqüência cardíaca. Se você corre maratona, a caminhada rápida não será suficiente; portanto, o aquecimento adequado para você está diretamente relacionado ao seu condicionamento. Após o trote, bicicleta ou caminhada podem ser realizados agachamentos ou movimentos circulares nas articulações dos tornozelos, quadris e ombros principalmente. Após a sua rotina de aquecimento, que deve durar aproximadamente 10 minutos, fazendo você transpirar, você pode iniciar a sua série de alongamento.

O músculo aquecido apresenta uma capacidade elástica maior do que o músculo frio, resultando na facilitação do alongamento e ganho de flexibilidade com um menor risco de lesão ou estiramento muscular. Imagine que o músculo é como uma banda elástica, coloque a banda elástica no freezer e depois estique as duas pontas... Provavelmente você rasgará o elástico. O mesmo pode acontecer com os seus músculos se alongados quando frios.

Os corredores que treinam cedo pela manhã devem gastar mais tempo no aquecimento e ter cuidado redobrado ao alongar, pois, além da freqüência cardíaca ser menor pela manhã (o que diminui o suporte sanguíneo no músculo), a temperatura também é mais baixa, principalmente no inverno. Em dias frios as chances de lesão muscular são 30% maiores que em dias quentes. No frio, as respostas das articulações e músculos ao alongamento estão mais lentas, o suporte sanguíneo diminuído e o músculo menos elástico. Por isso, é necessário fazer um bom aquecimento para elevar a temperatura corporal e preparar os músculos para o alongamento e para a corrida. Caso contrário, o risco de lesão é grande.

Não alongue músculos extremamente aquecidos. Neste caso o risco é você não sentir o quanto pode alongar um músculo sem machucá-lo, já que a tolerância para dor estará alterada, devido à liberação de endorfinas, circulação extremamente aumentada, aumento da mobilidade articular e diminuição da tensão muscular.

Após terminar um treino ou competição, o melhor a fazer é caminhar, esperar os seus músculos esfriarem um pouco e então alongar gentilmente. Outra e importante razão que torna o alongamento contra-indicado logo após a chegada é a importância de caminhar primeiro para possibilitar o retorno sanguíneo da musculatura para os órgãos internos.

Não inicie o alongamento durante a cãibra. A cãibra é uma contração muscular involuntária que não consegue ser interrompida. A primeira coisa a fazer é facilitar a contração completa do músculo aproximando suas duas pontas (origem e inserção), manter por alguns segundos até que a dor diminua, massagear a musculatura por mais alguns segundos e então iniciar um alongamento suave.

Se você iniciar o alongamento durante a cãibra você pode provocar um reflexo de contração. Isso ocorre porque uma fibra muscular ou se contrái por completo, ou não sofre nenhuma contração, o que chamamos de "sistema tudo ou nada". Dessa forma, um músculo nunca interrompe uma contração no meio. Então, se for alongado durante a cãibra, o músculo já em espasmo tentará se contrair ainda mais, o que resultará em aumento da dor e possível lesão de fibras musculares.

Não alongue logo após lesões ou estiramentos musculares. Num período que pode variar de 2 a 15 dias, dependendo do grau de lesão muscular, deve-se evitar o alongamento do músculo lesado.

Após a lesão muscular, num período de 6 a 24 horas ocorre o início da regeneração tecidual. Após 3 dias começa o processo de cicatrização, o que se es tabiliza em 2 semanas. A cicatrização completa pode levar de 15 dias até 2 meses, dependendo do grau da lesão. Por isso, é necessária orientação profissional para que sejam avaliados o grau de lesão e a fase correta para se iniciar o alongamento. Dependendo da fase da cicatrização que se encontra a lesão, o alongamento pode ser prejudicial e agravante da lesão.

Como enfrentar e conviver com o joanete

Um problema muito comum nos pés é o hálux valgo, mais conhecido como joanete, que aparece relacionado ou não à atividade esportiva. Porém, alguns fatores podem aumentar a predisposição do atleta à essa alteração, o que pode comprometer a performance na corrida. Uma maior freqüência dessa deformidade entre os corredores está relacionada à participação crescente em atividades esportivas, principalmente de pessoas com mais de 40 anos, o que resulta num aumento considerável do número de lesões ligadas ao joanete.

O tratamento mais divulgado para o joanete é a cirurgia, contudo, como fisioterapeutas, além de informar o que é e porque acontece, vamos focar nesta matéria a possibilidade de um tratamento conservador, pouco explorado no meio ortopédico.

O hálux valgo é um desvio lateral do dedão do pé com o desvio medial do primeiro osso do metatarso (osso longo do "peito" do pé), como ilustrado na figura 1. Essa deformidade pode progredir para uma subluxação da articulação metatarsofalangeana, ou seja, resulta na perda do contato articular desses dois ossos que sofrem o desvio.

Muitas causas possíveis. O joanete ocorre quase que exclusivamente nas sociedades que usam sapato, o que historicamente é evidenciado com um grande aumento na incidência dessa doença após a Segunda Guerra Mundial, quando foram introduzidos modelos de sapatos mais modernos, principalmente com bicos mais finos. Isso também explica a alta prevalência de joanetes em mulheres entre quarenta e sessenta anos.

Apesar do uso de sapatos inapropriados parecer ser a principal causa, fatores intrínsecos têm um papel muito importante na formação do joanete. As principais alterações músculo esqueléticas que causam essa deformidade são: pé plano, pé pronador, contratura (tensão exagerada) do tendão de Aquiles, frouxidão ligamentar, genu valgo (joelho em "x") e hereditariedade.

Exame físico. A principal queixa do atleta com joanete é dor na articulação metatarsofalangeana do dedão, que é a articulação do dedão com o pé. Com a alteração do alinhamento ósseo, forma-se uma bursa (bolsa de líquido) na lateral dessa articulação, que facilmente se inflama (observe a localização dela na figura 1). Essa bursa sofre irritação e inflamação devido ao trauma direto e a pressão repetitiva decorrente da corrida e do uso de sapato estreito. A pressão exercida pelo sapato pode causar o pinçamento do nervo do dedão, resultando em dor e adormecimento. O adormecimento é muito comum em corredores e pode envolver todos os dedos do pé.

O exame físico deve ser realizado com o atleta sentado e em pé, já que ao colocar o peso do corpo sobre o pé a deformidade, tanto do dedão como qualquer outra alteração biomecânica (de alinhamento), será acentuada. O exame minucioso da musculatura do pé e dos nervos dessa região deve ser realizado.

Em corredores é importante observar a caminhada e a corrida. A observação detalhada da caminhada e corrida na esteira pode revelar alterações mecânicas (músculo-esqueléticas) importantes para a escolha do tratamento adequado. Na nossa experiência, pacientes com joanete comumente apresentam fraqueza do músculo tibial posterior, pé plano (chato) e hiperpronado.

Além do exame físico e da análise da caminhada e corrida, o raio-X pode auxiliar na identificação de outras anormalidades, como dedos em martelo (figura 2) ou em garra (figura 3), subluxações e luxações do segundo dedo decorrente da gravidade do joanete. O raio-X também esclarece o quanto severo é o joanete.

A formação do joanete resulta na limitação do movimento da articulação do dedão. Se levarmos em consideração que a corrida acarreta em uma sobrecarga (250% do peso corporal) sobre os ossos da parte da frente do pé, enquanto que a caminhada resulta em apenas 80% do peso corporal, fica claro o quanto a limitação funcional do movimento do dedão pode comprometer a performance do atleta.

Tratamento conservador. O tratamento conservador deve ser a primeira alternativa, principalmente no caso de corredores, já que a cirurgia de correção do hálux valgo tem como principal conseqüência a rigidez ou diminuição do movimento da articulação metatarsofalangeana. Conseqüência essa que pode prejudicar o rendimento do corredor e principalmente alterar a pisada, formando um mecanismo compensador que pode levar a outros problemas ortopédicos.

O tratamento do hálux valgo deve focar não apenas a deformidade do dedão, mas também as alterações biomecânicas que, associadas, podem causar essa deformidade.

O tratamento inicial tem como objetivo diminuir a dor e a inflamação. Para atingir esses objetivos a fisioterapia pode fazer uso da aplicação do ultra-som, gelo e mobilização articular do hálux. A utilização de medicação antiinflamatória auxilia o tratamento fisioterápico e deve ser prescrita por um especialista (ortopedista). É de extrema importância que as atividades atléticas sejam modificadas para reduzir o stress causado no joanete. Deve-se evitar corrida em terrenos irregulares (principalmente com subidas), treinos de tiro e atividades que envolvam chutes (futebol e lutas marciais) ou posturas ajoelhadas. As atividades mais indicadas para essa fase são: ciclismo, natação, remo e deep running (corrida dentro da água com uso de flutuadores).

Com a redução da dor o fisioterapeuta deve focar na restauração da mecânica normal da marcha, o que envolve equilíbrio muscular e adequado alinhamento das articulações do membro inferior. Assim que o atleta referir melhora da dor, devem ser iniciados o relaxamento e alongamento dos músculos e tendões da perna e pé que se apresentam encurtados, para que se evite qualquer limitação do movimento nestas regiões.

Os principais músculos a serem alongados são: os músculos da panturrilha (gastrocnêmio e sóleo) e o músculo que dobra o dedão (flexor longo do hálux). O alongamento do músculo do dedão deve ser realizado e instruído pelo fisioterapeuta, que ao aplicar suave tração na articulação buscará primeiramente o alinhamento da articulação, já que deformidade deve ser corrigida manualmente antes da aplicação de força na direção que se deseja alongar. O fisioterapeuta deve ensinar e treinar o atleta para que este repita o alongamento três a quatro vezes ao dia.

Simultaneamente com os exercícios de alongamento deve ser iniciado um programa de fortalecimento para a musculatura intrínseca do pé e músculos da perna. Os músculos mais importantes a serem fortalecidos são: músculos abdutores e rotadores externos do quadril, tibial posterior (este músculo ajuda no suporte do arco do pé, controlando a pronação) e os músculos da sola do pé.

A progressão do número de repetição e resistência indicada para cada exercício depende da força inicial de cada músculo e da presença de dor um dia após os exercícios. Portanto, deve ser definida pelo fisioterapeuta que está guiando o seu tratamento.

O programa de fisioterapia dura em média duas a cinco semanas. Ao retornar à corrida o atleta deve manter os exercícios de alongamento e fortalecimento duas a três vezes por semana.

Cirurgia. Alguns corredores po­dem não obter sucesso com o tratamento conservador, principalmente nos casos em que a alteração da articulação é mais acentuada. Para estes casos a cirurgia pode ser uma boa opção, já que atualmente a correção do alinhamento do dedão é menos agressiva, permitindo uma recuperação mais rápida e com menos seqüelas.

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