quinta-feira, 31 de julho de 2008

“DOENÇA DO PRESIDENTE”, A BURSITE DEVE SER TRATADA EM FASE INICIAL

 

Um certo incomodo no ombro, dor nas juntas, inchaço e restrição dos movimentos são sintomas que já atormentaram Luiz Inácio Lula da Silva e promoveram a fama instantânea da bursite, que de desconhecida passou a ser chamada de 'doença do presidente'. "Trata-se do inchaço da bursa, bolsa que contém os líquidos que envolvem as articulações e funciona como amortecedor dos ossos, tendões e tecidos musculares", explica Dr. Antonio Borja, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.

 Com pouca informação disponível, a população desconhece os sintomas e o tratamento da patologia que, na maioria dos casos, pode ser resolvida com a administração de medicamentos prescritos por um ortopedista e algumas sessões de fisioterapia. "Quanto mais cedo é detectada, melhor. Isso porque se trata de um processo degenerativo", ressalta o especialista. O diagnóstico é realizado a partir de criteriosa avaliação clínica seguida de exames complementares. 

A doença, que se manifesta principalmente nos ombros pela grande quantidade de bursas contidas na região, também pode acometer cotovelos, quadris e joelhos. "Pessoas com sobrepeso, acima dos 60 anos de idade e diabéticos correm mais risco, mas isso não é regra", comenta Dr. Borja.

 Tratamento - A fisioterapia pode ser a solução, com exercícios que consistem no alinhamento da coluna, no fortalecimento muscular e no relaxamento da área atingida. "Além dos exercícios, avaliar a causa da bursite, que pode não estar exatamente na região da dor, e ensinar o paciente a não sobrecarregar a área lesionada são medidas importantes", explica Fabíola Andrade, fisioterapeuta do Instituto Patrícia Lacombe, com sede em São Paulo.  A cirurgia só é recomendada nos casos em que a dor permanece ou existe dificuldade nos movimentos, mesmo após o tratamento e acompanhamento com o especialista. O tempo médio para avaliar a melhora do paciente é de aproximadamente três meses. "Quando o tendão é rompido por conta da doença, a intervenção cirúrgica age na retirada do tecido que não é viável e regulariza a borda do tendão, através de sutura e reposicionamento dessa estrutura tendinosa, na perspectiva de diminuir a compressão", esclarece Dr. Borja.  Célia Yoko, 50 anos, apresentava boa saúde e praticava atividade física quando sentiu dores no ombro. Como procurou assistência médica no estágio inicial, a bursite foi detectada e tratada com sucesso. "Em menos de dois meses não sinto mais nada", afirma. O ortopedista é enfático: "o que devolveu à paciente a condição de levar uma vida normal foi a agilidade no diagnóstico. Deve-se desconfiar de dores que não passam".  
 

terça-feira, 29 de julho de 2008

Especialistas alertam para riscos da atividade física sem preparo

Marilia Montich/Diário OnLineAquele futebol aos sábados com os amigos, uma 'corridinha' no parque de vez em quando ou aquela série de exercícios aeróbicos que você mesmo preparou. Fazer atividades físicas é sempre bom, certo? Errado. Muitas vezes, os chamados "atletas de fim de semana" - pessoas que não praticam atividades físicas com freqüência - podem estar correndo sérios riscos sem ao menos ter conhecimento disso.

O caso do humorista Bussunda, que faleceu em 2006 em decorrência de um ataque cardíaco um dia após disputar uma partida de futebol com os colegas, é um exemplo. Se fatalidades acontecem com verdadeiros atletas, como o jogador Serginho, do São Caetano, morto em 2004 durante um jogo, é bom ficar atento ao preparo físico adequado.

"Exercícios físicos tem de ser feitos com freqüência. Quando a pessoa faz só de fim de semana e ainda por cima acaba cometendo alguma extravagância, o organismo pode não agüentar", afirma o professor de cardiologia da Faculdade de Medicina do ABC e presidente da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) da região do ABC, José Luis Aziz.

Fadiga, distensão ou rompimento muscular, lesão em tendão (desde tendinites até rompimento), bursite, dores de coluna e contratura muscular são apenas alguns problemas que podem surgir quando não se tem um preparo adequado para se iniciar uma atividade física esporádica.

O promotor de merchandising Paulo dos Santos, 27 anos, sofreu uma torção no tornozelo direito durante uma partida de futebol com os amigos. Mesmo sem ter ido ao médico antes de começar a praticar o esporte duas vezes por semana, ele reconhece a importância de um acompanhamento. "Tem que fazer exames, saber até onde se pode ir. O médico fala o que você tem que fazer. Nós (sem orientação) acabamos forçando mais do que deveríamos", afirma.

Segundo Santos, os atletas de fim de semana conhecem os riscos e sabem como preveni-los. No entanto, um fator "mais forte" entra na história. "Algumas pessoas têm vergonha de fazer alongamento, apesar de saber que é necessário", revela. "Eu mesmo não faço aquecimento antes do jogo por preguiça".

Mais riscos - Os perigos do esporte "sem responsabilidade" vão além. "O primeiro risco é o cardiológico. Primeiramente, é necessário fazer uma avaliação com um clínico geral, depois passar por um cardiologista e, ainda, por uma avaliação muscular", afirma Antonio Marcos Augusto, fisioterapeuta especializado na área esportiva, traumatologia, fisiologia e treinamento. "O ideal é que se passe por uma equipe multidisciplinar: clínico-geral, cardiologista, ortopedista, fisioterapeuta e professore de educação física", recomenda.

A partir dessa bateria de médicos e exames, o atleta de fim de semana pode começar seu treinamento sossegado. "Vão ser prescritos exercícios específicos de acordo com o resultado dos testes", afirma o fisioterapeuta. "É arriscadíssimo fazer atividades sem acompanhamento médico", completa, ressaltando que é importante pegar o ritmo dos exercícios antes de sair exagerando por aí.

O coordenador de Recursos Humanos Daniel Arouca, 27 anos, segue à risca essas recomendações. Ele faz caminhada três vezes por semana e duas vezes por ano passa um "check-up" completo. "É importante fazer acompanhamento médico", reconhece.

O operador logístico Marcos da Silva, 42 anos, também não deixa de lado os cuidados com a saúde. Ele, que pedala três vezes por semana, diz passar por exames periódicos na empresa todo ano.

Sem alarde - Apesar dos cuidados que devem ser tomados com a saúde, o cardiologista José Luis Aziz afirma que não é necessário se apavorar na prática de atividades leves, como a caminhada. "Nesse caso, não é necessário procurar um médico, ao menos que a pessoa esteja sentindo alguma coisa ou se ela apresentar fatores de risco".

Segundo ele, entre os fatores de riscos estão pressão e colesterol altos, diabetes e histórico de familiares que sofreram infarto ou morte súbita com menos de 55 anos. "Essas pessoas, antes de fazer atividade física, têm de procurar um médico", afirma.

O cardiologista explica ainda que os riscos de ser um atleta de fim de semana estão relacionados com a idade. "Jovens apresentam um risco menor. Já uma pessoa acima dos 40 anos tem um risco maior de ter uma doença. Aí é necessário uma avaliação prévia com o cardiologista, que vai fazer exames como eletrocardiograma e teste ergométrico", explica.

domingo, 20 de julho de 2008

Dores nas costas? Como a fisioterapia pode ajudar você.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) todas as pessoas em algum momento de suas vidas, sofrerão de dores nas costas em diferentes graus, ou seja, umas mais intensamente e outras nem tanto. A origem destas dores têm diversos motivos, dentre os principais: má postura, desgaste de uma articulação, movimentos bruscos, inflamações, carregar peso em excesso, obesidade, falta ou excesso de atividade física, atitudes repetitivas entre outros tantos que, se não tratados de maneira adequada, podem agravar ainda mais a situação.

O tratamento destas dores consiste, primeiramente, em uma consulta a um profissional especializado, médico ou fisioterapeuta que realizarão testes, e solicitarão exames para detectar a causa, o grau de acometimento e a localização exata da dor. Em seguida irão estabelecer um programa de reabilitação adequado a cada pessoa visando a diminuição da dor e o aumento da flexibilidade e da força dos músculos responsáveis pela manutenção da boa postura.

A fisioterapia age como coadjuvante no tratamento dessas dores, inclusive com foco na prevenção. Alongamento e fortalecimento da musculatura responsável pelo sustento da coluna, realinhando assim as estruturas que podem estar comprometidas, diminuindo aquela sensação de "queimação" e "pinçada".

Além disso, a fisioterapia leva a uma reeducação da postura, sendo que o fisioterapeuta ensina ao paciente exercícios e alongamentos de fácil execução – que podem ser realizados em casa pelo próprio paciente – e ainda dá sugestões importantes quanto a execução adequada das atividades diárias como melhores posturas para trabalhar, sentar, carregar peso, dormir e até a maneira ideal para se exercitar.

As dores nas costas são um problema comum entre as pessoas. Solucioná-la ou amenizá-la requer persistência e disciplina de quem sofre com ela e, depende também, de uma boa orientação dos profissionais da saúde.

Estudo mostra que terapia manual é o tratamento mais efetivo para dores no pescoço

Embora não seja tão comum quanto a dor lombar, dores na região do pescoço são uma queixa freqüente em nossos consultórios. Calcula-se que 10 a 15% da população em geral está, a cada momento, sofrendo de algum tipo de dor ou endurecimento no pescoço. Dores no pescoço podem ser causadas por uma série de fatores: estresse, acidentes, pinçamento de nervos, alterações no disco intervertebral. Embora doenças mais sérias sejam raras, a dor no pescoço pode causar muito desconforto e prejudicar dramaticamente a qualidade de vida.

Dor no pescoço também pode levar a perda de produtividade no trabalho. Uma pesquisa feita em 1996 por Louis Harris & Associates mostrou que cerca de 20 milhões de trabalhadores norte-americanos sofrem de dor de pescoço não relacionada ao trabalho. A mesma pesquisa mostrou que quase 70 por cento dos empregadores acredita que a dor influencia no desempenho do trabalhador, e 61 por cento acredita que ela afeta negativamente sua moral.

As terapias mais populares para tratar das dores de pescoço são a terapia manual (ajuste quiroprático e osteopático, massagem), fisioterapia e o uso de analgésicos e relaxantes musculares (prescritos ou não por médicos). Um novo estudo publicado em 26 de abril no British Medical Journal comparou a eficácia e o custo-benefício destas formas de tratamento, e concluiu que a terapia manual é "mais efetiva e mais barata" que a fisioterapia e o tratamento médico convencional.

Resultados
A terapia manual foi considerado "o mais efetivo tratamento" no estudo. Depois de sete semanas, a taxa de melhora no grupo de terapia manual era de 68 por cento, comparado a 51 por cento e 36 por cento com a fisioterapia e tratamento medicamentoso, respectivamente.

O uso de medicamentos para aliviar a dor foi mais baixo no grupo que recebeu terapia manual. Durante o período de acompanhamento - 52 semanas -, 37 por cento de pacientes tratados com terapia manual precisaram tomar algum tipo de remédio, comparados a quase 50 por cento nos grupos de fisioterapia e médico.

Além disso, os pacientes de terapia manuais informaram menos tempo perdido no trabalho devido a dor de pescoço. Pacientes no grupo de terapia manual perderam uma média de 1.3 dias de trabalho devido a dor no pescoço no espaço de um ano que se seguiu o tratamento. Já os pacientes aos cuidados de um médico geral perderam uma média de 10.4 dias.

Também foram vistas diferenças notáveis entre tratamentos na área de custo-benefício. A terapia manual foi a forma mais barata de tratamento; em média, os custos diretos totais de tratar dor de pescoço com terapia manual durante um ano foram 119 a 246 Euros ($137 - $283) menores por paciente comparado à fisioterapia e ao cuidado médico. Quando os custos diretos e indiretos são computados juntos a diferença foi até maior. O custo total para tratar uma pessoa com dor no pescoço durante um ano que usa terapia manual foi €447 ($514). Tratando um paciente durante o mesmo tempo com fisioterapia valeram €1,297 ($1,492); o cuidado médico custou €1,379 ($1,586).

Mas não foi só isso. Os investigadores anotaram ainda na sua conclusão: "As mensurações mostraram que a terapia manual resultou numa recuperação mais rápida do que a fisioterapia e o cuidado médico geral".

Fonte: Núcleo Quiropráxis RJ

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Lesões na Coluna Vertebral Associadas á Prática Esportiva


Ginástica, body jump, halterofilismo, musculação, corrida e uma série de esportes, inclusive os radicais, são o que a maioria das pessoas está praticando, seja por vício ou pelo próprio benefício que a prática esportiva pode trazer para a sua saúde. O culto ao corpo ou o aperfeiçoamento de um determinado tipo de esporte pode causar danos a sua coluna.
O alerta é do ortopedista do Nicholas Institute of Sports Medicine and Athletic Trauma no Hospital Lenox Hill em Nova York, Dr. Alexandre Paiva Coura, que explica a importância dos cuidados com a coluna, além de ressaltar a moderação como palavra de ordem na tentativa de evitar problemas mais sérios na coluna.
Segundo o médico, a coluna se divide didaticamente em três regiões, cervical com sete vértebras, torácica com doze vértebras e lombar com cinco vértebras, sendo que a coluna cervical e a lombar são as que mais são lesadas em atividades esportivas. Cada região tem características anatômicas completamente diferentes das outras, assim como os sinais e sintomas das lesões nessas regiões. Outro aspecto importante é que cada vez mais pessoas com idade superior aos quarenta anos de idade praticam mais esporte do que há vinte anos atrás, e que os problemas degenerativos (desgastes) e osteoporose na coluna também contribuem em alguns tipos de lesões.
Distensão Cervical, consiste por um estiramento simples ou ruptura completa que ocorre em tecidos moles de sustentação da coluna cervical como os tendões, ligamentos e músculos. A distensão pode ainda envolver discos intervertebrais, os chamados amortecedores, a cartilagem e até mesmo fratura de vértebra. Basicamente o mecanismo pode ser de hiperflexão ou hiperextensão da coluna cervical, explica o médico.
Outra conseqüência comum de agressão à coluna, segundo Dr. Alexandre, é a lesão dos discos cervicais. Eles são os chamados amortecedores situados entre as vértebras e próximos as raízes nervosas que na coluna cervical são relativamente mais fixas, do que no restante da coluna. Quando estes mecanismos promovem a lesão do disco cervical, a hérnia (abaulamento) provocada é do tamanho de uma ervilha, porém suficiente para provocar compressão nervosa. 95% delas ocorre no intervalo da quarta até a sétima vértebra cervical e o mecanismo mais freqüente é uma compressão da cabeça para baixo, com uma hiperflexão, que por exemplo, ocorre quando se bate com a cabeça no teto do automóvel ou no fundo em mergulhos.
O médico esclarece que o tratamento também é conservador e é feito através do uso de colar cervical para imobilização, uso de analgésicos, antiinflamatórios não hormonais, relaxantes musculares, calor local e fisioterapia. O tratamento cirúrgico já é reservado quando persistem os sintomas de compressão de raiz, como dormência, formigamento, perda de força. Nestes casos, acontece a retirada do fragmento de disco que está mecanicamente comprimindo e concomitante fusão das vértebras no local da retirada do disco.Com relação às fraturas cervicais, o ortopedista explica que são os casos onde as lesões são provocadas por alta velocidade e energia cinética. São considerados os mais graves, podendo levar a tetraplegia - imobilização definitiva de braços e pernas. O tratamento é a redução da fratura e descompressão do nervo, que pode ser feito com método de halo-colete ou até mesmo cirúrgico.
A Coluna Lombar é outro segmento também bastante lesado na prática de vários esportes e, em especial, aqueles ligados ao peso, como halterofilismo, fisiculturismo e os com impacto axial repetitivo, como o vôlei, basquete e pára-quedismo que podem levar a fraturas por fadiga. Eles ocorrem principalmente entre quarta e quinta vértebras lombares e a quinta lombar e a primeira vértebra sacral, levando as chamadas espondilolises e espondilolisteses (escorregamento vagaroso de uma vértebra sobre a outra). As lombalgias mais simples são provocadas por distensão na musculatura e ligamentos lombares, principalmente se o esforço é muito grande, e se o atleta não estiver devidamente condicionado e alongado, adverte o médico. As hérnias de disco são mais comuns entre a quarta e quinta vértebra lombar e a quinta lombar e primeira sacral que podem ser agudas ou crônicas. Elas acontecem como conseqüência de um esforço excessivo em flexão, rotação e carga, comuns em halterofilistas, arremessadores de disco e de martelo, boliche e handball. Cada disco vertebral fica interposto entre duas vértebras, ele tem uma parte central semilíquida (núcleo pulposo) e duas placas cartilaginosas que separam os núcleos dos corpos vertebrais. Ele serve como uma articulação que fornece mobilidade à coluna e age como colchão ou absorvedor de choques. Com a sobrecarga o núcleo pulposo é forçado posteriormente para o canal medular, em direção a raiz nervosa comprimindo-a, levando a sinais neurológicos em um ou os dois membros inferiores, como a dor, dormência, formigamento e perda de força, com sensação de "choque" no membro afetado. O diagnóstico é feito através do exame clínico, raios X simples, tomografia computadorizada e ressonância magnética. As fraturas que ocorrem na coluna lombar são associadas à alta energia cinética, como a queda de altura, quedas assentadas, principalmente no atleta mais velho com o comprometimento degenerativo e de osteoporose da coluna. O tratamento das espondilolise e espondilolistese pode ser conservador ou cirúrgico, mas a interrupção temporária do esporte é necessária. As lombalgias simples respondem ao tratamento com analgésico, antiinflamatório, relaxante muscular, fisioterapia e em alguns casos cinta abdominal. As hérnias de disco respondem na grande maioria com tratamento conservador que seria um repouso maior, as medicações acima descritas e fisioterapia.


"Pega leve com a vida, que a vida pega leve com você"

domingo, 13 de julho de 2008

Neuropatias de ulnar

ANATOMIA

►O nervo ulnar origina-se do cordão medial do plexo braquial (C8-T1). Desce pelo braço sem emitir nenhum ramo, tornando-se superficial no cotovelo, onde passa pelo sulco retroepicondilar ou ulnar, formado pelo epicôndilo medial do úmero e pelo olécrano da ulna.

►Após passar pelo sulco ulnar do cotovelo, segue trajeto em direção à mão passando embaixo do túnel cubital (arcada aponeurótica húmero-ulnar), formado pelo arco tendinoso que liga o úmero com a cabeça do músculo flexor ulnar do carpo. No túnel cubital o nervo ulnar emite ramos motores para os músculos flexor ulnar do carpo e flexor profundo do IV e V dedos.

►Aproximadamente 5 a 8 cm proximal ao punho o nervo ulnar emite um ramo sensorial conhecido como ramo cutâneo ulnar dorsal que é responsável pela sensibilidade da região medial e dorsal da mão, porção medial do dedo anelar e dedo mínimo.

►Um pouco antes de entrar no punho, próximo ao processo estilóide da ulna, o nervo ulnar emite outro ramo sensorial chamado de nervo cutâneo palmar, que supre a sensibilidade cutânea da eminência hipotenar.

►O nervo ulnar finalmente entra no punho através do canal de Guyon onde se divide em ramos terminais motores e sensoriais. O ramo terminal sensorial deixa o nervo ulnar dentro do canal de Guyon para suprir a sensibilidade cutânea da face palmar do V dedo e a metade medial do IV dedo. O ramo terminal motor inerva os músculos interósseos dorsais e palmares, o III e o IV lumbricais, o abdutor do quinto dedo e o músculo adutor do polegar.

►No quadro abaixo resumimos os músculos inervados pelo nervo ulnar e seus ramos:

Músculo

Nervo

Cordão

Tronco

Raiz

Flexor Ulnar do Carpo

Ulnar

Medial

Inferior

C7-C8-T1

Flexor Profundo do IV e V Dedos

Ulnar

Medial

Inferior

C7-C8-T1

Interósseos dorsais

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Interósseos palmares

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

III e IV Lumbricais

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Abdutor do quinto dedo

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Oponente do quinto dedo

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Flexor do quinto dedo

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Abdutor do polegar

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Cabeça profunda do flexor curto do polegar

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

Palmar curto

Ulnar

Medial

Inferior

C8-T1

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LOCAIS DE COMPRESSÃO

►Os dois principais locais de compressão do nervo ulnar são o cotovelo e o punho.

► Lesões da axila são difíceis de diferenciar das lesões no braço ou cotovelo, pois o nervo ulnar não emite nenhum ramo nesse trajeto. O envolvimento concomitante do nervo mediano sugere que a lesão encontra-se acima do cotovelo.

► Lesões do nervo ulnar no antebraço são raras e difíceis de diferenciar de lesões no cotovelo.

► O cotovelo é o local mais comum de compressão do nervo ulnar e a neuropatia ulnar no cotovelo é a segunda mononeuropatia mais freqüente na prática, atrás apenas da síndrome do túnel do carpo. Não é infreqüente que a compressão seja bilateral.

►Ela pode ocorrer tanto no sulco ulnar do cotovelo (paralisia ulnar tardia) como no túnel cubital (síndrome do túnel cubital).

►Os sintomas sensoriais de compressão do nervo ulnar no cotovelo incluem parestesias e formigamentos da porção medial da mão (lado ulnar), principalmente na ponta dos dedos e dor no cotovelo que pode se irradiar para a porção medial da mão.

►A neuropatia ulnar não causa sintomas na porção medial do antebraço, pois essa área é inervada pelo tronco inferior do plexo braquial, e não pelo nervo ulnar.

►Os sintomas motores incluem dificuldade para adução do V dedo (sinal precoce), além de fraqueza e atrofia dos músculos intrínsecos da mão. Essa abdução do quinto dedo causada pela fraqueza da adução é conhecida como sinal de Wartenberg. Os pacientes queixam-se que precisam segurar seu quinto dedo para colocá-los no bolso.

►Fraqueza do primeiro interósseo dorsal é mais freqüente que do abdutor do quinto dedo. Os músculos flexor ulnar do carpo e flexor profundo do IV e V dedos geralmente estão acometidos, mas podem estar normais.

►Como os músculos intrínsecos da mão estão fracos, os pacientes usam os flexores longos do polegar e do indicador (inervados pelo interósseo anterior – ramo do mediano) para segurar objetos com a mão (Sinal de Froment).

►Nos casos severos ocorre a característica mão em garra. Isso ocorre pela fraqueza do III e IV lumbricais.

►Muitos pacientes são assintomáticos. O exame neurológico pode ser normal, principalmente em pacientes com sintomas sensoriais isolados.

►A diferenciação clínica entre compressão no sulco ulnar e no túnel cubital é extremamente difícil. Mesmo a exploração cirúrgica algumas vezes não consegue definir o local correto da compressão.

►As principais causas de neuropatia ulnar no cotovelo são:

  • Fraturas do cotovelo com deformidade articular
  • Trauma de cotovelo sem fratura
  • Flexão habitual do cotovelo durante o sono
  • Movimentos ocupacionais repetidos do cotovelo
  • Diabetes
  • Hanseníase
  • Artrite Reumatóide
  • Artrose do Cotovelo
  • Compressão externa durante cirurgias
  • Injeção de esteróide para cotovelo de tenista
  • Compressão crônica por apoio freqüente do cotovelo contra superfícies rígidas (Paralisia Ulnar Tardia)
  • Síndrome do túnel cubital
  • Neuropatia hereditária com predisposição a paralisia por pressão.
  • Neuropatia motora multifocal
  • Shunt AV para hemodiálise

►O tratamento depende da severidade dos sintomas. Pacientes assintomáticos ou com déficits sensoriais leves e intermitentes devem ser tratados de forma conservadora, apenas com aconselhamento de não apoiar o cotovelo contra superfícies rígidas (repousar o cotovelo sempre sobre almofadas) e evitar flexão prolongada do cotovelo durante o sono (uso de tala para manter o cotovelo extendido). 

►Pacientes com sintomas mais severos necessitam tratamento cirúrgico. Se a compressão for no sulco retroepicondilar ou ulnar, a transposição cirúrgica do nervo ulnar é o procedimento de escolha. Se a compressão for no túnel cubital, a simples descompressão do nervo é o tratamento mais adequado.

►A recuperação dos sintomas após a cirurgia pode ser demorada e dependendo da severidade da lesão, pode não ocorrer.

►O punho e a palma são o segundo local mais comum de compressão do nervo ulnar. Entretanto existem quatro diferentes sítios de lesão no punho, a saber:

   - dentro do canal de Guyon

   - logo após a saída do canal de Guyon

   - na palma lesando o ramo distal motor

   - na palma lesando o ramo distal sensorial

►Lesões dentro do canal de Guyon causam fraqueza dos músculos da mão inervados pelo ulnar e perda sensorial na superfície palmar do dedo mínimo e na metade ulnar do dedo anelar, correspondendo ao território do ramo terminal sensorial do nervo ulnar. A região dorsal geralmente é preservada, pois o ramo cutâneo ulnar dorsal não passa pelo canal de Guyon.

►Lesões logo após a saída do canal de Guyon preservam o ramo terminal sensorial e não causam sintomas sensoriais. Portanto, esses pacientes apresentam déficit motor de todos os músculos da mão inervados pelo ulnar.

►Lesões do ramo terminal motor na palma (distal ao osso hamato) causam fraqueza dos músculos tênares inervados pelo ulnar, preservando os músculos hipotenares.

►Lesões do ramo terminal sensorial na palma são raras e apresentam apenas sintomas sensoriais na superfície palmar do dedo mínimo e na metade ulnar do dedo anelar.

► As principais causas de neuropatia ulnar no punho e palma são:

   - trauma

     - compressões por cistos

     - hanseníase

     - artrite reumatóide

     - anomalias congênitas

     - neuropatia hereditária com susceptibilidade a paralisia por compressão

     - ciclismo

► O tratamento depende da severidade dos sintomas. Se houver sintomas motores recomenda-se a descompressão cirúrgica do canal de Guyon.

DIAGNÓTICO DIFERENCIAL

- Neuropatia ulnar na axila

- Neuropatia ulnar no braço

- Neuropatia ulnar no sulco ulnar (Paralisia Ulnar Tardia)

- Neuropatia ulnar no túnel cubital (Síndrome do Túnel Cubital)

- Neuropatia ulnar no antebraço

- Neuropatia ulnar no punho (Canal de Guyon)

- Neuropatia ulnar na palma

- Radiculopatia C8 e T1

- Síndrome do desfiladeiro torácico

- Lesão de tronco inferior ou cordão medial do plexo braquial

- Doença do neurônio motor inicial

- Siringomielia

DIAGNÓSTICO ELETROFISIOLÓGICO

►O exame de escolha para o diagnóstico das neuropatias ulnares é a eletroneuromiografia. Ela é capaz de localizar a lesão na maioria dos casos, além de definir a severidade.

► A condução motora do nervo ulnar é realizada de rotina registrando o músculo abdutor do quinto dedo. Entretanto, em casos suspeitos de neuropatia ulnar o estudo deve incluir estímulos registrando os potenciais no primeiro interósseo dorsal, pois as fibras para o abdutor do quinto dedo e para o primeiro interósseo dorsal podem ser acometidas seletivamente.

► O estudo da condução nervosa motora é parte importante da avaliação eletrofisiológica. Alentecimentos no segmento do cotovelo ou bloqueio de condução no cotovelo indicam desmielinização focal e que a compressão está nesse nível.

► Se a lesão puder ser localizada no cotovelo pelos critérios acima, é importante tentar diferenciar entre compressão no sulco ulnar ou no túnel cubital, tendo em vista as diferentes abordagens cirúrgicas.

► A técnica de estimulação de curtos segmentos (Inching Technique) é a mais utilizada para essa diferenciação. Nela o nervo ulnar é estimulado a cada 2 cm em cinco diferentes pontos de seu trajeto pelo cotovelo. Quando a diferença de latência entre dois pontos de estimulação for maior que 1 ms sugere que a compressão possa estar naquele ponto. Se isso ocorre no sulco ulnar sugere paralisia ulnar tardia e se ocorre distalmente sugere síndrome do túnel cubital.

► Entretanto, na maioria dos pacientes a lesão é axonal e as amplitudes dos potenciais motores são difusamente diminuídas, sem uma diminuição focal importante da velocidade. Nesses casos é impossível localizar a lesão no cotovelo ou em outros locais do nervo.

► Nesses casos o estudo da condução sensorial do ramo cutâneo dorsal deve ser realizado bilateralmente. Como esse ramo sai do nervo ulnar antes do punho, se ele estiver anormal descarta lesão no punho. Entretanto, se ele estiver normal não necessariamente indica que a lesão é no punho, pois devido ao acometimento fascicular das fibras no cotovelo, alguns pacientes com compressão nesse ponto podem ter preservadas as fibras do ramo cutâneo dorsal.

► Em lesões no punho ou na palma devemos comparar as amplitudes do PAMC registradas do primeiro interósseo dorsal e do abdutor do quinto dedo. Se a amplitude for normal registrando o abdutor do quinto dedo e baixa registrando o primeiro interósseo dorsal sugere que a lesão foi na palma afetando exclusivamente o ramo motor distal. Se ambos forem diminuídos sugere lesão dentro do canal de Guyon ou em sua saída.

►Para diferenciar entre lesão dentro do canal de Guyon ou em sua saída devemos fazer o estudo de condução sensorial entre o V dígito e a palma, sempre comparando os dois lados. Se ele for anormal indica lesão dentro do canal de Guyon. Se for normal sugere lesão na saída do canal.

►Entretanto, sempre que uma lesão no punho preserva as fibras sensoriais é difícil excluir completamente a possibilidade de radiculopatia C8 ou doença do neurônio motor em fase inicial. Correlação clínica e exame evolutivo são recomendados.

► Se apenas o estudo sensorial entre o V dígito e o punho for anormal e os estudos motores registrando o abdutor do quinto dedo e o primeiro interósseo dorsal forem normais a lesão provavelmente está no ramo sensorial distal na palma (rara).

► Quando o estudo da condução nervosa sensorial do nervo ulnar for anormal, devemos estudar o nervo cutâneo antebraquial medial para descartar envolvimento do tronco inferior do plexo braquial, já que esse nervo é ramo direto do plexo braquial e é responsável pela inervação do porção medial do antebraço.

►A EMG de agulha deve estudar pelo menos dois músculos distais ao punho inervados pelo ulnar. Nós estudamos o primeiro interósseo dorsal na região tenar e o abdutor do quinto dedo na região hipotenar. Pelo menos um músculo inervado pelo ulnar no antebraço também deve ser estudado (flexor ulnar do carpo ou flexor profundo do IV e V dedos).

► Se os músculos inervados pelo ulnar no antebraço forem anormais indica que a lesão está acima do punho, entretanto não localiza a lesão necessariamente no cotovelo. Se a condução nervosa não localizar a lesão no cotovelo, a única conclusão que o estudo eletrofisiológico pode tirar é que a lesão encontra-se acima do ramo para o flexor ulnar do carpo ou para o flexor profundo do IV e V dedos.

►Algumas vezes o músculo flexor ulnar do carpo pode estar normal mesmo nas lesões no cotovelo devido à acometimento fascicular das fibras para esse músculo. Portanto, se o flexor ulnar do carpo estiver normal não descarta completamente a possibilidade de lesão no cotovelo.

► Se os músculos inervados pelo ulnar forem anormais, devemos estudar músculos não inervados pelo ulnar e inervados por C8-T1 e tronco inferior do plexo braquial (abdutor curto do polegar, extensor próprio do indicador, flexor longo do polegar) para descartar a possibilidade de lesões nesses pontos.

► Se qualquer músculo não inervado pelo ulnar e inervado por C8-T1 ou tronco inferior do plexo braquial for anormal, devemos estudar os músculos paraespinhais para diferenciar entre plexopatia e radiculopatia.

PROTOCOLO DE ESTUDO DAS LESÕES DO NERVO ULNAR

HISTÓRIA

- Parestesia da mão?

- Fraqueza da preensão?

- Atrofia de interósseos ou hipotenares?

- Trauma?

- Artrite Reumatóide?

- Hanseníase?

- História familiar de mononeuropatias?

- Hábito de se apoiar no cotovelo?

- Ciclismo?

- Cirurgia?

EXAME FÍSICO

- Força Muscular

   - músculos intrínsecos da mão (Nervo ulnar)

   - abdução do quinto dedo (Nervo ulnar)

Tendinites...


Os tendões correspondem à parte do tecido muscular que tem uma característica
dura, flexível e fibrosa, responsável pela conexão dos músculos aos ossos,
fazendo um sistema de alavanca. Quando os tendões estão inflamados, irritados ou
sofrem lesões microscópicas, leva a uma condição chamada tendinite. Os tendões
podem ser pequenos e delicados, como os dos músculos das mãos, ou grandes e
pesados, como os dos músculos da coxa. Na maioria dos casos, a tendinite
acontece para uma das seguintes razões - por excesso de uso (um movimento do
corpo em particular é repetido muito frequentemente) ou por sobrecarga (o nível
de uma certa actividade, como o carregamento de pesos, tem sua frequência
aumentada muito depressa).

Mais raramente, a tendinite é causada por uma infecção, como a gonorreia.

A tendinite normalmente acontece nos ombros, nos cotovelos, nos joelhos, nos
pulsos e nas solas dos pés, embora possa acontecer em qualquer lugar no corpo.
Por razões incertas, a tendinite é também comum em pessoas com diabetes.


Quadro Clínico

Em geral, a tendinite causa dor nos tecidos que cercam a junta (articulação), especialmente depois que a junta tenha sido muito usada, durante um jogo ou no trabalho. Em alguns casos, a junta pode também se tornar fraca, e a área pode ficar vermelha, inchada ou quente.

Quando tendinite é causada por uma infecção como a gonorreia, pode haver outros sintomas, incluindo erupção cutânea, febre, ou uma secreção na vagina ou no pénis.

Outros sintomas variam de acordo com o tendão afectado:

o Tendinite no ombro - A forma mais comum de tendinite no ombro é aquela que envolve o tendão do músculo supraespinhoso, que prende à porção superior do úmero (osso do braço) na junta do ombro. Menos frequentemente, o tendão do músculo infraespinhoso é afectado. Na maioria dos casos, o tendão do supraespinhoso é lesado por excesso de uso, tipicamente em uma ocupação ou desporto que exige elevar o braço repetidamente. Pessoas que têm maior risco incluem os carpinteiros, os pintores, os soldadores, os nadadores, os jogadores de ténis e os jogadores de beisebol. O paciente comum é o trabalhador do sexo masculino, acima dos 40 anos de idade, e a dor no ombro fica no mesmo lado da mão dominante (por exemplo, ele tem dor no ombro direito se ele for destro).

o Tendinite no cotovelo - Duas formas de tendinite envolvem geralmente o cotovelo: a epicondilite lateral e epicondilite mediana. É causada por excesso de uso, muito comum entre atletas envolvidos em desportos com raquete.

o Epicondilite lateral (cotovelo do tenista) – Causa dor no lado externo da junta do cotovelo. Esta condição afecta 40 a 50% de todos os atletas adultos que praticam desportos de raquete. Também pode ser causada por qualquer actividade repetitiva envolvendo a torção e dobra do pulso, como arrancar ervas daninhas no jardim, usar uma chave de fenda ou até mesmo carregar uma pasta.

o Epicondilite mediana (cotovelo do golfista) – Causa dor no lado interno do cotovelo. É uma lesão menos comum que o "cotovelo do tenista" e, apesar de seu nome, está relacionada uma ocupação que requer movimentos repetidos do cotovelo (como trabalhar na construção civil) do que na prática desportiva.

o Tendinite no joelho (joelho do saltador) – É a forma mais comum de tendinite do joelho, envolve o tendão da patela (rótula) ou o tendão do quadríceps na parte superior do joelho. É uma lesão comum por excesso de uso, especialmente nos jogadores de basquetebol e corredores de distância.

o Tendinite no pulso - No pulso, a tendinite aparece geralmente na forma da doença de Quervain, uma condição que causa dor na parte de trás do pulso, na base do polegar. Embora a doença de Quervain normalmente aconteça em pessoas que repetidamente fazem o movimento de "agarrar" ou "beliscar" com o dedo polegar, às vezes ela se desenvolve, por razões desconhecidas, em mulheres grávidas.

o Tendinite de Aquiles - Esta forma de tendinite afecta o tendão de Aquiles, na parte de trás do pé. A tendinite de Aquiles normalmente é causada por excesso de uso, especialmente em desportistas que fazem corridas ou saltos repetidamente, respondendo por 15% de todas as lesões de corrida. A tendinite de Aquiles também pode estar relacionada má técnica ou por sapatos inadequados para o desporto. Menos frequentemente, a tendinite de Aquiles está relacionada a uma doença inflamatória, como a Espondilite Anquilosante, a Síndrome de Reiter, a Gota (distúrbio do ácido úrico) ou a Artrite Reumatóide.

Diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser feito baseado na história clínica (incluindo perguntas específicas sobre a dor) e nos sintomas, somado às informações da ocupação no trabalho e nos desportos, e os resultados do exame físico. Durante o exame físico, o ortopedista irá procurar locais mais sensíveis, inchaço, vermelhidão, fraqueza muscular e limitação dos movimentos na área do tendão afectado. Ele também pode pedir para o paciente realizar certos movimentos, como elevar o braço sobre a cabeça ou dobrar o punho. Estes movimentos podem doer, mas eles são muito importantes para ajudar o médico a determinar qual tendão específico foi afectado.

Algumas pessoas podem precisar de exames de sangue para eliminar outras causas de inflamação nas juntas, como a gota e a artrite reumatóide. Radiografias também podem ser feitas para confirmar se não há nenhuma fratura, luxação ou doença no osso. Em pessoas com tendinite de Aquiles, um ultra-som ou uma Imagem de Ressonância Magnética (IRM) podem ser usados para ajudar a avaliar a extensão da lesão do tendão.

Prevenção

Em muitos casos, a tendinite pode ser evitada tomando algumas precauções simples. Algumas estratégias úteis incluem:

o Faça aquecimento antes de começar um exercício mais forte.

o Se você quer intensificar seu nível de exercícios, faça gradualmente.

o Cuidado com a frase "sem dor, sem ganho" ("no pain no gain"). É normalmente difícil distinguir entre uma dor que indica o crescimento muscular e uma dor que significa lesão de um tendão.

o Evite actividades que requerem períodos prolongados das mãos acima da cabeça, como pintar o tecto. Se você tiver que fazer este tipo de trabalho, faça intervalos frequentes.

o Use sapatos que se ajustam correctamente, especialmente se você participa de um desporto que requer corrida, como atletismo, ténis ou basquetebol.

o Se sua lesão parece estar relacionada à má técnica, peça orientação a seu treinador. Se ele não puder te ajudar, procure um ortopedista especialista em medicina do desporto para se orientar.

o Para pessoas com epicondilite medial ou lateral relacionada a jogos com raquete, mudar para uma raquete maior pode ajudar a prevenir o retorno da lesão, contanto que a raquete nova não seja mais pesada que a original.

o A tendinite causada pela gonorreia pode ser prevenida com a prática de sexo seguro.

Tratamento

Quanto mais rápido sua tendinite é tratada, mais cedo você recuperará a força completa e a flexibilidade. O médico pode primeiro recomendar que você aplique bolsas de gelo na região dolorosa durante intervalos de 20 minutos, três ou quatro vezes ao dia. Para aliviar a dor e o inchaço, o médico pode prescrever analgésicos anti inflamatórios como o Ibuprofeno (Advil ®), o Diclofenaco Sódico (Voltaren ®), o Cetoprofeno (Profenid ®), Celecoxib (Celebra ®), e o Eterocoxibe (Arcoxia ®), dentre outros, por várias semanas. Você também precisará descansar o local da dor de alguns dias a algumas semanas para permitir seu corpo recuperar. Por exemplo, pessoas com o cotovelo de golfista normalmente precisam descansar o cotovelo afectado durante pelo menos um mês. Se uma infecção estiver causando a tendinite, serão prescritos antibióticos.

Dependendo do local e da severidade da tendinite, você pode precisar de uma imobilização temporária, como uma tala. Porém, é importante manter os movimentos da junta para evitar que ela "congele".

Para casos mais sérios de tendinite não infecciosa, o médico pode fazer uma infiltração (injectar um corticosteróide ou fazer uma anestesia local) no tendão afectado. Ele também pode indicar fisioterapia para tratamentos locais mais especializados, utilizando ultra-som, massagem de fricção ou hidroterapia para melhorar a mobilidade. O (a) fisioterapeuta também irá conduzir um programa de reabilitação que ajudará a recuperar a força, o movimento e a função do membro afectado. A duração da reabilitação varia, dependendo do tipo e da severidade da tendinite. Por exemplo, são necessários pelo menos dois e até seis meses para a recuperação de uma tendinite de Aquiles e pelo menos seis meses para a epicondilite.

Cirurgia raramente é necessária para tratar uma tendinite. Ela é reservada para casos que não respondem a outros tipos de tratamento.

Qual médico procurar?

Procure um ortopedista sempre que você tiver uma dor muscular mais séria, vermelhidão no local, inchaço ou perda da função. Além disso, marque uma consulta se a dor persistir além de uma semana de analgésicos comuns e repouso.

Prognóstico

Dependendo do local e da severidade da tendinite, os sintomas podem durar de alguns dias a várias semanas.

Com o tratamento adequado, o tendão afectado recupera completamente. Porém, a reabilitação incompleta ou um retorno precipitado à actividade pode reduzir a velocidade do processo curativo ou podem conduzir ao retorno do problema.
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Ligamentoplastia do Ligamento Cruzado Anterior

As lesões do LCA ocorrem principalmente durante a prática de desportos como futebol, basquetebol e esqui, nos quais o pé está fixo ao solo e a perna é rodada com o corpo.

A incidência deste tipo de lesões tem vindo a aumentar no sexo feminino, crianças, adolescentes e adultos com idades mais avançadas. Isto ocorre devido ao maior envolvimento desses indivíduos com práticas desportivas colectivas e que implicam a realização de movimentos de desaceleração brusca e mudanças de direcção. Se compararmos homens e mulheres de uma mesma faixa etária que praticam a mesma actividade desportiva, podemos verificar que as mulheres, devido a particularidades anatômicas, hormonais, etc, se tornam mais suscetíveis a apresentar lesão do LCA. Assim, podemos concluir que nem a idade nem o sexo são factores de prognóstico de quem vai desenvolver instabilidade anterior do joelho.

O diagnóstico baseia-se na história e no exame clínico do joelho. Segundo diversos autores o exame físico deve ser iniciado examinando-se em primeiro lugar o joelho sadio dado que assim o doente vai-se sentir mais confiante e seguro quando se partir para a avaliação do joelho lesado.
O exame físico deve compreender manobras de inspecção, nas quais se vai avaliar a marcha, arco de movimento, posições antálgicas, presença de edema, hematoma  e atrofia  muscular (principalmente do quadrícepete). Após a inspecção, passa-se à palpação que tem como objectivo avaliar os pontos de dor, derrames articulares, processos inflamatórios e crepitação local. Depois de concluída a inspecção e a palpação passa-se à execução de testes específicos para avaliação da integridade do cruzado anterior (ex. teste da gaveta anterior).
A ressonância magnética é o exame mais confiável que pode auxiliar no diagnóstico de rupturas ligamentares e de lesões meniscais, no entanto, a sua realização e interpretação necessita de grande experiência.
Em suma, uma boa história com um exame físico completo e detalhado são ainda o melhor método de diagnóstico das lesões do ligamento cruzado anterior, embora os exames complementares auxiliem as informações clínicas.

As lesões do ligamento cruzado anterior ocorrem geralmente após entorses seguidas de derrames, na maior parte das vezes sanguilentos (hemartrose). A sua ruptura é a lesão mais comum nos jogadores de futebol.
O mecanismo clássico de lesão do LCA é de uma torção com o pé fixo no solo (cadeia cinemática fechada), o que provoca uma deslocação da tíbia anteriormente em relação ao fémur. Porém outros tipos de traumatismos também podem levar a lesões do LCA, principalmente durante a pratica desportiva.
O LCA pode ser lesado em toda a sua circunferência ou apenas numa percentagem da mesma. As lesões parciais são frequentes, pois levam a incapacidade temporária podendo ser estáveis e não havendo ruptura na sua evolução.

Fig. 4 -  Mecanismo de Lesão do LCA
Fig. 5 -  Ruptura Parcial e Total do LCA

A ruptura do ligamento cruzado anterior é uma lesão frequente, invalidante e evolutiva, ocupando o tratamento cirúrgico e a fisioterapia um lugar essencial nestes casos.

O tratamento cirúrgico tem apresentado um grande desenvolvimento nos últimos anos, devido ao avanço tecnológico nas alternativas de enxerto e métodos de fixação. O tratamento é realizado através da substituição do ligamento lesado por um enxerto substituto. Este enxerto pode ser uma parte do tendão rotuliano, ou tendões dos isquiotibiais, do próprio paciente ou enxertos de cadáveres (ex.: tendão calcâneano). A sutura directa do ligamento rompido não apresenta bons resultados. O objectivo na cirurgia é colocar o enxerto substituto na localização e tensão do ligamento original. O enxerto pode ser fixado através de parafusos, fios, pinos e arruelas.

Fig. 6 e 7 -  Fixadores usados no tratamento cirúrgico.
Fig. 8 -  Tratamento Cirúrgico

Quando se está perante uma ruptura do ligamento cruzado anterior a prática de desporto não é aconselhada, dado que o joelho encontra-se instável.
O tratamento conservador (não cirúrgico) é executado em pacientes mais idosos, sem a ambição de praticar desporto, e é realizado através da fisioterapia, com fortalecimento dos músculos que ajudam a impedir a anteriorização da tíbia.
A ruptura do ligamento muitas vezes favorece as lesões meniscais, sendo necessário recorrer-se à reconstrução do ligamento antes destas aparecerem. Nestes casos, se possível, o tratamento cirúrgico visa uma sutura da lesão meniscal associada a uma reconstrução ligamentar.
A evolução de uma lesão não tratada do LCA num jovem desportista traduz-se no aparecimento de Artroses (desgaste da cartilagem) vinte a trinta anos mais tarde após a lesão inicial. 

Nas lesões agudas, o exame é difícil devido à dor (de intensidade variável devido à tensão que o edema provoca na cápsula) e ao espasmo muscular. A presença de hemartrose leva à grande suspeita de lesão do ligamento cruzado. Nestes casos, o melhor tratamento é a cirurgia, onde se vai proceder à reconstrução do ligamento. No entanto, após reconstrução do ligamento é fundamental a fisioterapia, actuando com o objectivo de diminuir a sintomatologia apresentada pelo doente. Assim, uma vez que o utente apresenta inflamação, o nosso primeiro passo a dar vai ser no sentido de diminuir essa inflamação, e para tal pode-se utilizar como meio de tratamento o gelo, a drenagem linfática e a elevação. Durante este estádio também podem ser realizados movimentos passivos e activos dentro da amplitude não dolorosa (grau A) e o treino proprioceptivo. Como consequência da intervenção cirúrgica muitas vezes surgem atrofias musculares do quadricipete, isquiotibiais, adutores e abdutores da coxa e por vezes dos gémeos. Quando estas atrofias estão presentes é necessário o fortalecimento desses músculos, assumindo aqui a electroterapia um papel fundamental. Durante o processo inflamatório e enquanto não se restabelece completamente a amplitude de movimento, o uso de muletas torna-se essencial para a descarga parcial do peso. 

Na etapa do tratamento correspondente à lesão crónica, e depois de atingidas as metas anteriores, a actuação da fisioterapia vai ter por base o trabalho muscular, o treino proprioceptivo e a reeducação desportiva.

  1. Fortalecimento Muscular:

O início de um trabalho muscular mais intenso após a fase aguda, visa aumentar a resistência e força dos grupos musculares que cruzam o joelho. Um ênfase maior deve ser dado às estruturas que posteriorizam a tíbia (isquiotibiais e gastrocnémios).
Os exercícios em cadeia cinemática aberta e fechada são excelentes para aumentar a resistência e força dos músculos trabalhados, no entanto, não nos podemos esquecer que os exercícios em cadeia cinemática aberta devem ser executados com muita cautela dado que podem ser agressivos para a articulação fémur patelar. Os exercícios em cadeia cinemática fechada são os mais indicados dado que não provocam a anteriorização da tíbia.

  1. Treino Proprioceptivo:

A propriocepção pode ser definida como a capacidade inconsciente de sentir o movimento e a posição de uma articulação no espaço. No joelho ela é mediada por mecano-receptores situados nas suas principais estruturas como LCA, LCP, ligamentos colaterais, cápsula articular, tendão patelar ,meniscos etc. No paciente com lesão de LCA ao qual se institui um tratamento conservador , deve-se "treinar" o mesmo a usar os mecanoreceptores íntegros, principalmente os capsulares que seriam aqueles, segundo Solomonov, os responsáveis pela co-contraçao dos isquiotibiais e gastrocnêmicos levando a uma proteção do joelho contra os ¨falseios¨.
A propriocepção é inicialmente trabalhada de uma maneira consciente por meio de exercícios de equilíbrio, de postura do joelho no espaço e tempo correcto de atuação dos músculos flexores, etc. A repetição exaustiva deste treino consciente fará com que o mesmo se torne automático, e inconsciente preparando o paciente a usar seus músculos flexores antes de chocar o pé contra qualquer obstáculo, mesmo que com o solo. Existem várias técnicas (como o uso da tábua de freeman, por exemplo) para se trabalhar a proprioceptividade do joelho.  

  1. Reeducação Desportiva:

Todas as actividades desportivas que envolvem saltos, mudanças bruscas de direcção e velocidade provocam um grande stress sobre o joelho com deficiência de LCA, proporcionando com isso oportunidades de aparecimento dos "falseios" de repetição. A mudança de hábitos desportivos competitivos ou não, é talvez o factor mais importante no bom resultado do tratamento conservador da lesão do LCA, para tal, deve-se estimular a prática de actividades desportivas de baixo risco para o joelho como natação, ciclismo, jogging, ou mesmo de médio risco não competitivo como tênis, esqui aquático, etc.
No caso da reeducação desportiva não ser possível de ser executada, as ortóteses também podem fazer parte do tratamento dos indivíduos com lesão do LCA ligados ao desporto, dado que estas bloqueiam a anteriorização da tíbia apenas quando são submetidas a grandes esforços e não quando são submetidas a esforços funcionais.
A possível acção da órtese seria aumentar e melhorar a propriocepção do joelho através da estimulação de mecanoreceptores cutâneos, situados nas suas áreas de apoio. Os pacientes em sua maioria, relatam melhoras funcionais com o uso das órteses, que consciente ou inconscientemente aumentam a atenção do paciente para com o seu joelho, diminuindo assim as oportunidades de novos "falseios".
A reabilitação após a reconstrução do ligamento cruzado anterior inclui o ganho da amplitude de movimento logo no pós-operatório. Aproximadamente 90% dos pacientes terão um joelho normal após a reconstrução.

O tratamento da lesão do cruzado anterior é individualizada, pois depende do grau de instabilidade, lesões associadas, nível de actividade do paciente, idade, demandas no trabalho e condição médica geral.

TRANSTORNOS MENTAIS EM IDOSOS

A velhice é um período normal do ciclo vital caracterizado por algumas mudanças físicas, mentais e psicológicas. É importante fazer essa consideração pois algumas alterações nesses aspectos não caracterizam necessariamente uma doença. Em contrapartida, há alguns transtornos que são mais comuns em idosos como transtornos depressivos, transtornos cognitivos, fobias e transtornos por uso de álcool. Além disso, os idosos apresentam risco de suicídio e risco de desenvolver sintomas psiquiátricos induzidos por medicamentos.

Muitos transtornos mentais em idosos podem ser evitados, aliviados ou mesmo revertidos. Conseqüentemente, uma avaliação médica se faz necessária para o esclarecimento do quadro apresentado pelo idoso.

Diversos fatores psicossociais de risco também predispõem os idosos a transtornos mentais.

Esses fatores de risco incluem:
 

Perda de papéis sociais
Perda da autonomia
Morte de amigos e parentes
Saúde em declínio
Isolamento social
Restrições financeiras
Redução do funcionamento cognitivo (capacidade de compreender e pensar de uma forma lógica, com prejuízo na memória).

Transtornos psiquiátricos mais comuns em idosos
 

Demência
Demência tipo Alzheimer
Demência vascular
Esquizofrenia
Transtornos depressivos
Transtorno bipolar (do humor)
Transtorno delirante
Transtornos de ansiedade
Transtornos somatoformes
Transtornos por uso de álcool e outras substâncias

Demência

Demência é um comprometimento cognitivo geralmente progressivo e irreversível. As funções mentais anteriormente adquiridas são gradualmente perdidas. Com o aumento da idade a demência torna-se mais freqüente. Acomete 5 a 15% das pessoas com mais de 65 anos e aumenta para 20% nas pessoas com mais de 80 anos.

Os fatores de risco conhecidos para a demência são: Idade avançada História de demência na família Sexo feminino

Os sintomas incluem alterações na memória, na linguagem, na capacidade de orientar-se. Há perturbações comportamentais como agitação, inquietação, andar a esmo, raiva, violência, gritos, desinibição sexual e social, impulsividade, alterações do sono, pensamento ilógico e alucinações.

As causas de demência incluem lesões e tumores cerebrais, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), álcool, medicamentos, infecções, doenças pulmonares crônicas e doenças inflamatórias. Na maioria das vezes as demências são causadas por doenças degenerativas primárias do sistema nervoso central (SNC) e por doença vascular. Cerca de 10 a 15% dos pacientes com sintomas de demência apresentam condições tratáveis como doenças sistêmicas (doenças cardíacas, renais, endócrinas), deficiências vitamínicas, uso de medicamentos e outras doenças psiquiátricas (depressão).

As demências são classificadas em vários tipos de acordo com o quadro clínico, entretanto as mais comuns são demência tipo Alzheimer e demência vascular.

Demência tipo Alzheimer

De todos os pacientes com demência, 50 a 60% têm demência tipo Alzheimer, o tipo mais comum de demência. É mais freqüente em mulheres que em homens. É caracterizada por um início gradual e pelo declínio progressivo das funções cognitivas. A memória é a função cognitiva mais afetada, mas a linguagem e noção de orientação do indivíduo também são afetadas. Inicialmente, a pessoa pode apresentar uma incapacidade para aprender e evocar novas informações.

As alterações do comportamento envolvem depressão, obsessão (pensamento, sentimento, idéia ou sensação intrusiva e persistente) e desconfianças, surtos de raiva com risco de atos violentos. A desorientação leva a pessoa a andar sem rumo podendo ser encontrada longe de casa em uma condição de total confusão. Aparecem também alterações neurológicas como problemas na marcha, na fala, no desempenhar uma função motora e na compreensão do que lhe é falado.

O diagnóstico é feito com base na história do paciente e do exame clínico. As técnicas de imagem cerebral como tomografia computadorizada e ressonância magnética podem ser úteis.

O tratamento é paliativo e as medicações podem ser úteis para o manejo da agitação e das perturbações comportamentais. Não há prevenção ou cura conhecidas.

Demência vascular

É o segundo tipo mais comum de demência. Apresenta as mesmas características da demência tipo Alzheimer mas com um início abrupto e um curso gradualmente deteriorante. Pode ser prevenida através da redução de fatores de risco como hipertensão, diabete, tabagismo e arritmias. O diagnóstico pode ser confirmado por técnicas de imagem cerebral e fluxo sangüíneo cerebral.

Esquizofrenia (esquizofrenia e outras psicoses)

Essa doença começa no final da adolescência ou idade adulta jovem e persiste por toda a vida. Cerca de 20% das pessoas com esquizofrenia não apresentam sintomas ativos aos 65 anos; 80% mostram graus variados de comprometimento. A doença torna-se menos acentuada à medida que o paciente envelhece.

Os sintomas incluem retraimento social, comportamento excêntrico, pensamento ilógico, alucinações e afeto rígido. Os idosos com esquizofrenia respondem bem ao tratamento com drogas antipsicóticas que devem ser administradas pelo médico com cautela.

Transtornos depressivos

A idade avançada não é um fator de risco para o desenvolvimento de depressão, mas ser viúvo ou viúva e ter uma doença crônica estão associados com vulnerabilidade aos transtornos depressivos. A depressão que inicia nessa faixa etária é caracterizada por vários episódios repetidos.

Os sintomas incluem redução da energia e concentração, problemas com o sono especialmente despertar precoce pela manhã e múltiplos despertares, diminuição do apetite, perda de peso e queixas somáticas (como dores pelo corpo). Um aspecto importante no quadro de pessoas idosas é a ênfase aumentada sobre as queixas somáticas.

Pode haver dificuldades de memória em idosos deprimidos que é chamado de síndrome demencial da depressão que pode ser confundida com a verdadeira demência. Além disso, a depressão pode estar associada com uma doença física e com uso de medicamentos.

Transtorno bipolar (transtornos do humor)

Os sintomas da mania em idosos são semelhantes àqueles de adultos mais jovens e incluem euforia, humor expansivo e irritável, necessidade de sono diminuída, fácil distração, impulsividade e, freqüentemente, consumo excessivo de álcool. Pode haver um comportamento hostil e desconfiado. Quando um primeiro episódio de comportamento maníaco ocorre após os 65 anos, deve-se alertar para uma causa orgânica associada. O tratamento deve ser feito com medicação cuidadosamente controlada pelo médico.

Transtorno delirante

A idade de início ocorre por volta da meia-idade mas pode ocorrer em idosos. Os sintomas são alterações do pensamento mais comumente de natureza persecutória (os pacientes crêem que estão sendo espionados, seguidos, envenenados ou de algum modo assediados). Podem tornar-se violentos contra seus supostos perseguidores, trancarem-se em seus aposentos e viverem em reclusão. A natureza dos pensamentos pode ser em relação ao corpo, como acreditar ter uma doença fatal (hipocondria).

Ocorre sob estresse físico ou psicológico em indivíduos vulneráveis e pode ser precipitado pela morte do cônjuge, perda do emprego, aposentadoria, isolamento social, circunstâncias financeiras adversas, doenças médicas que debilitam ou por cirurgia, comprometimento visual e surdez.

As alterações do pensamento podem acompanhar outras doenças psiquiátricas que devem ser descartadas como demência tipo Alzheimer, transtornos por uso de álcool, esquizofrenia, transtornos depressivos e transtorno bipolar. Além disso, podem ser secundárias ao uso de medicamentos ou sinais precoces de um tumor cerebral.

Transtornos de ansiedade

Incluem transtornos de pânico, fobias, TOC, ansiedade generalizada, de estresse agudo e de estresse pós-traumático. Desses, os mais comuns são as fobias.

Os transtornos de ansiedade começam no início ou no período intermediário da idade adulta, mas alguns aparecem pela primeira vez após os 60 anos.

As características são as mesmas das descritas em transtornos de ansiedade em outras faixas etárias.

Em idosos a fragilidade do sistema nervoso autônomo pode explicar o desenvolvimento de ansiedade após um estressor importante. O transtorno de estresse pós-traumático freqüentemente é mais severo nos idosos que em indivíduos mais jovens em vista da debilidade física concomitante nos idosos.

As obsessões (pensamento, sentimento, idéia ou sensação intrusiva e persistente) e compulsões (comportamento consciente e repetitivo como contar, verificar ou evitar ou um pensamento que serve para anular uma obsessão) podem aparecer pela primeira vez em idosos, embora geralmente seja possível encontrar esses sintomas em pessoas que eram mais organizadas, perfeccionistas, pontuais e parcimoniosas. Tornam-se excessivos em seu desejo por organização, rituais e necessidade excessiva de manter rotinas. Podem ter compulsões para verificar as coisas repetidamente, tornando-se geralmente inflexíveis e rígidos.

Transtornos somatoformes

São um grupo de transtornos que incluem sintomas físicos (por exemplo dores, náuseas e tonturas) para os quais não pode ser encontrada uma explicação médica adequada e que são suficientemente sérios para causarem um sofrimento emocional ou prejuízo significativo à capacidade do paciente para funcionar em papéis sociais e ocupacionais. Nesses transtornos, os fatores psicológicos são grandes contribuidores para o início, a severidade e a duração dos sintomas. Não são resultado de simulação consciente.

A hipocondria é comum em pacientes com mais de 60 anos, embora o seja mais freqüente entre 40 e 50 anos. Exames físicos repetidos são úteis para garantirem aos pacientes que eles não têm uma doença fatal. A queixa é real, a dor é verdadeira e percebida como tal pelo paciente. Ao tratamento, deve-se dar um enfoque psicológico ou farmacológico.

Transtornos por uso de álcool e outras substâncias

Os pacientes idosos com dependência de álcool, geralmente, apresentam uma história de consumo excessivo que começou na idade adulta e apresentam uma doença médica, principalmente doença hepática. Além disso, um grande número tem demência causada pelo álcool.

A dependência de substâncias como hipnóticos, ansiolíticos e narcóticos é comum. Os pacientes idosos podem abusar de ansiolíticos para o alívio da ansiedade crônica ou para garantirem uma noite de sono.

A apresentação clínica é variada e inclui quedas, confusão mental, fraca higiene pessoal, depressão e desnutrição.

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