sábado, 29 de novembro de 2008

Incidência de lesões de joelho e tornozelo em equipes femininas de voleibol, que disputaram o Campeonato Paulista em 2005

O esporte competitivo deixou a muito tempo de ser saudável. Cada vez mais atletas são impedidos de exercer a prática, seja por um curto espaço de tempo ou até são forçados a abandonar o esporte, por causa das lesões que o treinamento impõe, estas lesões são oriundas de uma intensa sobrecarga imposta pelo treinamento sobre as articulações do joelho, tornozelo e cúbito, além de inflamações de tendão, distensões e contraturas musculares.

    Atualmente o voleibol moderno tem exigido muito de seus atletas, o voleibol tornou-se um jogo de muitos saltos, tanto no bloqueio quanto do ataque, no masculino predomina a força dos ataques, enquanto no feminino a defesa se destaca.

    Por exigir uma grande condição física, os treinamentos são mais intensos, provocando uma sobrecarga sobre os seus praticantes, causando um stress muscular muito grande, e o resultado disso são as lesões, seja por desgaste seja por (excesso de treinamento).

    No joelho, de acordo com o estudo, dois terços das lesões são crônicas, como a tendinite. Já as agudas, de solução mais simples, representam o restante, (Folha de São Paulo, 17/03/2000).

    Os atacantes são os que possuem maior incidência de contusão no ombro. Correspondem a 70% do total dos atletas com lesão nessa região do corpo segundo o estudo da USP. O principal motivo para isso ocorrer e o repetitivo movimento de cortar a bola, que exige muito do ombro, (Folha de São Paulo, 17/03/2000).

    Os jogadores que atuam na posição de meio-de-rede sofrem mais da coluna. Dos atletas pesquisados com problema lombar, 80% são dessa posição. Uma das causas da lesão é o impacto do número excessivo de saltos que eles precisam dar nos jogos para defender bolas, (Folha de São Paulo, 17/03/2000) .

    Segundo RETTING (1999), as lesões nas extremidades superiores são comuns em muitas atividades esportivas.

    Cada modalidade impõe um tipo quase que especifico de lesão, por exemplo, lesões de tornozelo e joelho são freqüentes no basquetebol e voleibol que também apresentam grande incidência de lesão no ombro, as lesões de cúbito são mais freqüentes em tenistas, de ombro em nadadores, já no futebol, dependendo da época encontramos contratura e distensões, e com muita freqüência torções no joelho e tornozelo. A maioria das lesões são causadas por técnicas ou mecânica defeituosas e/ou inadequadas, devendo ser feita uma averiguação da biomecânica dos movimentos do atleta lesionado, para identificar falhas que possam estar contribuindo, ou ter contribuído, para a ocorrência da lesão.

    Um estudo realizado pela USP (Universidade de São Paulo) revela que 85% de 60 jogadores de vôlei que passaram pela equipe masculina do Banespa têm, ou tiveram, algum tipo de lesão no joelho nos últimos cinco anos (Folha de São Paulo, 17/03/2000).

    O motivo, de acordo com a pesquisa, é que os atletas estão cada vez mais suscetíveis a contusões, com a evolução do jogo, que exige mais força e explosão do que há 15 anos. (Folha de São Paulo, 17/03/2000)

    Um atleta salta mais de 1000 vezes durante uma semana de treinamento, isto leva a um estresse muito grande em todos os músculos e articulações que estão envolvidas na execução de um salto no voleibol, seja um bloqueio ou durante uma ação de ataque e em eventuais recuperações de bolas, ou para um levantador quando executa um salto em suspensão.

    Este estresse muscular gerado durante o treinamento, mais o esforço realizado durante as partidas, onde as ações são menos controladas que durante o treinamento, leva a uma grande incidência de lesões, seja ela de ombro, tornozelo ou joelho, que foi a lesão priorizada neste trabalho.

    Os atletas de nível médio e de alto nível competitivo apresentam uma ampla variedade de lesões nos tecidos conectivos, nos ossos, ligamentos, tendões e nervos de suas extremidades superiores. A maioria destas lesões está relacionada a traumas diretos ou por repetidos estresses, contabilizando uma significativo parte do tempo das "paradas temporárias" dos atletas, principalmente naqueles que utilizam os braços em arremessos, lançamentos, movimentos oscilantes, rápidos e agarres (RETTING, 1999). As mais comuns são lesões de ombro, cúbito, tornozelo e de joelho, ruptura de tendões, principalmente no tornozelo e no joelho, no joelho os ligamentos são os que mais tem incidência.

    Podemos encontrar ainda as lesões por desgaste, principalmente em atletas com mais tempo de prática desportiva (HULLERMANN, 1978).

    O joelho (fig. 1, (RASCH, 1991)), é classificado como uma articulação complexa (tipo dobradiça), porém, na realidade a extremidade superior da tíbia é formada por duas cavidades, bastante rasas semelhantes a uma colher, e os côndilos femorais são elípticos, de forma que não há nenhum movimento direto do fêmur contra a tíbia. Também, quando a articulação está relaxada em flexão é possível fazer um pequeno grau de rotação, porém, na extensão completa que distende a parte posterior da cápsula, a articulação não faz nenhum movimento. Isto é muito importante do ponto de vista funcional, pois, quando o indivíduo está de pé com os joelhos estendidos, pode relaxar a musculatura da coxa. Assim, qualquer perda na amplitude de extensão obriga a uma certa tensão quando o indivíduo está de pé.

    Entre os músculos que atuam na estabilidade da articulação o mais importante é o quadríceps, pois a sua extensão ativa é essencial tanto para a bipedestação quanto para deambulação. Sendo assim, depois de qualquer lesão de joelho haverá necessidade de exercícios ativos.

    De acordo com MIRANDA (2002), o joelho engloba três articulações: Duas femorotibiais e Uma fomoropatelar.

    Articulação Femorotibial: Os côndilos femorais medial e lateral fazem contato através dos meniscos interpostos ba face articular superior da tíbia, é classificada como articulação sinovial (condilartrose dupla ou dobradiça).

    Articulação Femoropatelar: A face articular da patela é adaptada à face patelar do fêmur, é classificada como articulação sinovial do tipo plana.


    Elementos de reforço do joelho

    Cápsula articular fibrosa: É substituída anteriormente pelo tendão do músculo do quadríceps e da patela.

    Ligamento Patelar: Constituído pelas fibras do tendão do músculo quadríceps. Tem inserção na patela e tuberosidade anterior da tíbia.

    Ligamento Colateral Medial (Tibial): Apresenta a forma de uma lâmina fibrosa, mais larga superiormente que inferiormente. Este ligamento é mais importante que o ligamento colateral medial, em relação à estabilidade do joelho. Está inserido no menisco medial.

    Ligamento Colateral Lateral: Muito mais estreito que o ligamento colateral medial. Estende-se para baixo, a partir do epicôndilo lateral do fêmur até a cabeça da fíbula.

    Ligamento Cruzado Anterior: Tem origem na parte anterior da área intercondilar da tíbia, daí se dirige para cima, para trás e lateralmente, inserindo-se na face medial do côndilo lateral do fêmur. Tem como função impedir o deslocamento posterior do fêmur sobre a tíbia e a hiperextensão do joelho.

    Ligamento Cruzado Posterior: É o mais resistente dos dois ligamentos cruzados, tem sua origem na parte posterior da área intercondilar da tíbia, daí se dirige para face lateral do côndilo medial do fêmur. Tem como função impedir o deslocamento anterior do fêmur sobre a tíbia ou a luxação posterior da tíbia.

    Os Meniscos: São fibrocartilagens que repousam sobre as superfícies articulares da tíbia. Cada joelho possui um par de meniscos, um para cada superfície articular da tíbia (medial e lateral).

  • Menisco Medial: Tem a forma de um "C" e está diretamente fixado ao ligamento colateral medial.

  • Menisco Lateral: Descreve um círculo quase completo, se comparado a um "D", estão inseridos próximos às áreas intercondilares anterior e posterior.

    Segundo, PETERSON & RENSTRON (1995), 50% das lesões nos atletas acontecem por má elaboração na prescrição do treinamento (ACHOUR JÚNIOR, 1997). A prescrição inadequada das sessões vem reduzindo a longevidade competitiva dos desportistas (FILIN & VOLKOV, 1998). O procedimento denominado "saltos" das cargas, é comum nos desportos da atualidade, ocasionando uma redução na carreira atlética do competidor porque o organismo não tem mais reservas de adaptação para assimilar as novas cargas de treino e os resultados nas competições pioram ou estabilizam, resultando no sucesso desportivo por 1 a 2 anos com essa maneira de prescrever o treino (ZAKHAROV, 1992). NOGUEIRA (2002) informa que o treino exagerado prejudica à saúde dos atletas, física e emocionalmente, predispondo estes desportistas às lesões.

    Para BRINER JUNIOR & KACMAR (1997) os saltos no voleibol correspondem a 63% das lesões e são os maiores causadores de lesões de joelho nos voleibolistas. A fase de impulsão é a que mais exige esforço da musculatura do atleta de voleibol (COUTTS,1982). Neste momento é que ocorrem a maioria das lesões nos jogadores, principalmente na cortada (LIAN, 1996). Para NYLAND (1994) os atletas de voleibol se contundem na passagem da corrida horizontal para a elevação vertical. As lesões no joelho estão associados com a fadiga e com o impacto no momento da impulsão (NYLAND, 1994). A fadiga dificulta o amortecimento do impacto, gerando maior sobrecarga nos membros inferiores (UGRINOWITSCH & BARBANTI, 1998).

    As principais lesões nos joelhos são as tendinites e as ligamentares (BRINER JUNIOR & BENJAMIN, 1999). A síndrome do joelho do saltador caracteriza-se por uma tendinite patelar ou no tendão do quadríceps (GHIROTOCC & GONÇALVEZ,1997). A maioria das contusões no joelho acontece em jogadores com 20 a 25 anos ou com 2 a 5 anos de prática no voleibol ou com mais de um turno de treinamento (BRINER JUNIOR & KACMAR, 1997). Segundo GERBERICH, (1987) os homens se lesionam mais a partir dos 30 a 39 anos e as mulheres dos 15 a 24 anos, correspondendo a 61% das contusões.

    O desequilíbrio muscular dos membros inferiores podem gerar alto índice de lesões no joelho (CHIAPPA, 2001) porque o quadríceps é muito exigido no voleibol e os isquiotibiais geralmente praticam um trabalho compensatório insuficiente nas técnicas desportivas do voleibol (MAGALHÃES, 2001). As lesões de joelho também estão associadas pela má coodenação, principalmente no salto dos jogadores (CHIAPPA, 2001).


Lesões por sobrecarga e fadiga

    Denomina-se "fratura por estresse" todas as fraturas ósseas ocorridas em conseqüência de uma sobrecarga de exercícios repetitivos, com a mesma intensidade, no mesmo local, promovendo um desgaste ósseo.

    Nos atletas profissionais, as fraturas por estresse provêm do excesso de treinamento (sem descanso adequado) as seções de exercícios repetitivos feitos centenas de vezes para aprimorar uma técnica, aumentar a força muscular, etc. As seções de treinamento acabam por forçar um determinado grupo muscular que por sua vez vai solicitar uma sobrecarga maior em uma articulação, levando a microfratura.

    Pelo fato de muitos jogadores de alto nível viver diariamente com a pressão do campeonato, há um aumento considerável da carga e do volume de treino. Com isso há um aumento no número de lesões por repetições de movimentos e também de fraturas por fadiga.

    O joelho é uma das articulações mais comprometidas, pois como os saltos são fundamentais para o esporte, as lesões por repetição do aparelho extensor são as mais comuns.

    As lesões ligamentares ocorrem frequentemente em atletas do sexo feminino, as mais comuns são as lesões ligamentares, as tendinites e as lesões meniscais. Isso se deve aos saltos e ao fato das jogadoras terem estatura elevada, com momentos de força e braço de alavancas muito grandes.

    O abuso de treinos de exercícios pliométricos e de musculação para aumentarem o rendimento muscular das atletas aumentam a incidência desses tipos de lesões.

    As lesões ligamentares e os entorses de tornozelo são freqüentes, apesar do uso de tornozeleiras e de treinos de propriocepção. Eles ocorrem com freqüência nas ações junto à rede, seja por invasão do adversário ou pela aterrizagem em pé do companheiro da equipe.

    A prevenção dessas lesões podem ser feitas através da escolha do piso de quadra, o aquecimento adequado antes do treinamento e ao jogo e os exercícios de alongamento, além da dosagem dos treinos seguidos por orientações de profissionais interados no esporte.


Objetivos

    Verificar a incidência das lesões ocorridas nas equipes de Voleibol feminino que disputam o Campeonato Paulista Adulto, no ano de 2005.

    Verificar, efetivamente o índice de lesões de joelho e tornozelo, objetivando relacioná-las ao tempo e excesso do treinamento.

    Conscientizar da importância de exercícios físicos específicos na prevenção de lesões.


Metodologia

    O trabalho foi realizado através de um questionário contendo questões do tipo aberta, e aplicado à atletas de 16 a 32 anos das equipes femininas de Americana, Araçatuba, Araraquara, Jundiaí, Piracicaba, São José do Rio Preto, São Carlos e Taboão da Serra, durante a primeira fase do Campeonato Paulista Feminino da categoria adulta do ano de 2005.

    Nas questões foram abordadas perguntas a respeito da posição em que cada atleta atua, o tempo diário de treinamento e o tempo em que se pratica a modalidade.

    A respeito das lesões foram relacionadas as ocorrências de lesões nos últimos três anos, o tempo de recuperação de cada lesão, os procedimentos adotados durante o período de recuperação.


Resultados

    No gráfico 1 representamos a relação entre as lesões no joelho, tornozelo e outras lesões não identificadas. Encontramos nesta avaliação: equipe de Americana apresentou um índice de 30,7% de lesões no joelho; 46,3% de lesões no tornozelo e 23% de outras lesões. A equipe de Araçatuba apresentou 57,3% de lesões no joelho; 28,5% de lesões no tornozelo e 14,2% de outras lesões. Para a equipe de Araraquara apresentou 14,2% de lesões no joelho; 71,6% de lesões no tornozelo e 14,2% de outras lesões. Jundiaí apresentou 28,5% de lesões no joelho; 71,5% de lesões no tornozelo e nenhum outro tipo de lesão. A equipe de Piracicaba apresentou 83,3% de lesões no tornozelo; 16,6% de outras lesões e nenhum tipo de lesão no joelho. A equipe de São José do Rio Preto apresentou 44,4% de lesões no joelho; 11,2% de lesões no tornozelo e 44,4% de outras lesões. São Carlos apresentou 54,5% de lesão no joelho; 27,2% de lesão no tornozelo e 18,3% de outras lesões e a equipe de Taboão da Serra apresentou 37,5% de lesão no joelho; 50% de lesão no tornozelo e 12,5% de outras lesões.

    A equipe de Araçatuba apresentou o maior índice de lesões no joelho com 57,3%, enquanto a equipe de Piracicaba teve o menor índice sem nenhuma lesão.

    Para lesões na articulação do tornozelo a equipe de Piracicaba teve o maior índice, apresentando 83,3% de lesão e a equipe de Rio Preto o menor índice com 11,2%.

    A equipe de Rio Preto teve o maior índice de outras lesões com 44,4% e a equipe de Jundiaí o menor índice sem nenhuma lesão. Já a equipe de Taboão da Serra apresentou o menor índice da somatória de todas as lesões.

    O gráfico 2 faz um parâmetro entre as lesões ocorridas no joelho, classificadas como: Lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA); Tendinite e Lesão no Menisco. Quando comparados os resultados observamos que a equipe de Americana e Araçatuba apresentaram 50% de lesão do LCA, 25% de tendinite e 25% de lesão no menisco. Para as equipes de Araraquara e Jundiai, relatou-se uma incidência de 100% relacionada a lesão do tipo tendinite, sem apresentarem outro tipo de lesão para esta articulação. A equipe de Piracicaba não apresentou nenhum tipo de lesão no joelho. A equipe de Rio Preto apresentou 25% de tendinite, 75% de lesão no menisco e não apresentou nenhum tipo de lesão no LCA. São Carlos apresentou 16,7% de lesão do LCA, 66,6% de tendinite e 16,7% de lesão no menisco. A equipe de Taboão da Serra apresentou 33,3% de lesão no LCA, 33,3% de tendinite e 33,3% de lesão no menisco.

    Com isso as equipes de Araçatuba e Americana tiveram os maiores índices de lesões do LCA, ambas com 50% e as equipes de Araraquara, Jundiaí, Piracicaba e Rio Preto o menor índice, sendo que nenhuma das equipes apresentaram lesões do LCA. As equipes de Jundiaí tiveram o maior índice de tendinite, ambas com 100% e a equipe de Piracicaba o menor índice por não apresentar nenhum tipo de tendinite. A equipe de Rio Preto apresentou o maior índice de lesão no menisco com 75% e as equipes de Araraquara, Jundiaí e Piracicaba tiveram o menor índice por não apresentar nenhum tipo de lesão. A equipe de Piracicaba foi a única equipe que não apresentou nenhum tipo de lesão no joelho.

    No gráfico 3 representamos o percentual de lesões ocorridas, separadas pelas posição de atuação de cada atleta. As atletas que atuavam na posição de ponteiras apresentaram 32,8% de lesões no joelho, 32,8% de lesões no tornozelo e 34,4% de outras lesões. As jogadoras de meio de rede tiveram 21,7% de lesões no joelho; 56,6% de lesões no tornozelo e 21,7% de outras lesões. As levantadoras apresentaram 16,6% de lesões no joelho; 50% de lesões no tornozelo e 33,4% de outras lesões. As atletas da posição de líbero tiveram 37,5% de lesões de joelho; 50%de lesões no tornozelo e 12,5% de outras lesões. Para as jogadoras da posição de saída de rede tiveram 40% de lesões de joelho; 20% de lesões de tornozelo e 40% de outras lesões. Assim, as jogadoras de saída de rede tiveram o maior índice com 40% de lesões no joelho comparada com as outras posições. As jogadoras de meio de rede tiveram o maior índice com 56,6% de lesão no tornozelo e as jogadoras de saída de rede tiveram o maior índice com 40% de outras lesões.

    Especificamente para as lesões ocorridas no joelho separados por posição de cada atleta e que estão relacionados no gráfico 4, foram citadas: as atletas de ponta tiveram 50% de lesões do LCA; 25% de tendinites e 25% de lesões no menisco. As jogadoras de meio de rede tiveram 66,6% de lesões no menisco, 33,4% de tendinites e nenhuma lesão no LCA. As levantadoras tiveram 33,3% de lesões no LCA; 33,3% de tendinites e 33,3% de lesões no menisco. As atletas que atuavam na posição de líbero tiveram 66,6% de tendinite; 33,4% de lesão no menisco e nenhuma lesão no LCA. As jogadoras de saída de rede tiveram 28,5% de lesões no LCA; 57,1% de tendinite e 14,4% de lesões no menisco.

    As jogadoras que atuam na posição de ponta apresentaram um índice de 50% de lesões no LCA; as líberos tiveram o maior índice com 66,6% de tendinite e as jogadoras de meio de rede tiveram o maior índice com 66,6% de lesões no menisco.

    No gráfico 5 mostramos a ocorrência de lesões nas articulações, separadas por incidência de posição, onde verificamos: 27,2% das lesões ocorreram em atletas que atuavam na posição de ponta; 30,3% das lesões ocorreram com jogadoras da posição meio; 15,1% das lesões ocorreram nas levantadoras, 10,8% nas jogadoras da posição de líberos e 16,6% para as atletas que atuavam na posição de saída de rede. Assim, pode-se observar uma maior incidência de lesões, independentemente de qual tipo, para as atletas que atuavam no meio da rede e na posição de ponta, sendo estatisticamente superiores as demais posições.


Conclusões

    Concluímos que as jogadoras que atuam na posição de saída de rede tiveram o maior índice de lesões no joelho e de outras lesões, enquanto as jogadoras de meio tiveram o maior índice de lesões no tornozelo.

    Em relação as lesões ocorridas no joelho podemos dizer que 50% das jogadoras de ponta tiveram lesões no LCA; 66,6% das jogadoras de meio de rede tiveram lesões no menisco e 66,6% das jogadoras que atuam na posição de líbero tiveram lesão do tipo tendinite.

    De acordo com o índice de lesões ocorridas em cada atleta, verificamos que muitas dessas lesões estão associadas ao excesso de treinamento e a má prescrição dos exercícios.

    É importante que os técnicos e os profissionais envolvidos saibam a importância na qualidade da elaboração dos treinamentos e da dosagem exigida a cada atleta, para que esses números de lesões por fadiga possam diminuir.


Referências bibliográficas

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  • FONTE: http://www.efdeportes.com/efd120/lesoes-de-joelho-e-tornozelo-em-equipes-femininas-de-voleibol.htm




  • Dorsalgia do levantador de pesos

    A dorsalgia de levantador de pesos (entorse lombar) é uma lesão dos tendões e músculos da parte inferior das costas, que causa espasmos musculares e inflamação.

    Qualquer esforço importante pode lacerar os músculos e tendões da parte inferior das costas (a região lombar). Este tipo de lesão é frequente nos desportos que implicam empurrar ou puxar grandes pesos, como levantar um peso do chão ou agarrar ou empurrar um jogador adversário no futebol americano. Este tipo de lesão também se observa nos desportos que exigem torções repentinas das costas: dar a volta para driblar depois de capturar um ressalto no basquetebol ou manipular um taco de basebol ou um taco de golfe.

    Os factores de risco que favorecem uma lesão da zona lombar incluem uma curvatura exagerada da parte inferior da coluna vertebral, a pélvis (osso da bacia) deslocada para a frente, os músculos das costas demasiado rígidos ou fracos, os músculos abdominais débeis e os músculos do tendão do escavado poplíteo pouco flexíveis. As costas também são propensas a lesões quando a coluna vertebral está enfraquecida pela artrose, as vértebras mal alinhadas, os discos com hérnias ou roturas, ou um tumor ósseo.

    Uma lesão da zona lombar costuma causar uma dor repentina nas costas durante uma torção, um empurrão ou um estiramento. De início, a dor não é suficientemente forte para interromper os exercícios; contudo, o músculo ou o tendão lacerado continua a perder sangue e incha. Duas ou três horas mais tarde, produzem-se espasmos que causam uma dor intensa. A pessoa costuma preferir permanecer imóvel, com frequência acocorada em posição fetal, dado que os espasmos musculares podem agravar-se por qualquer movimento das costas. A zona inferior das costas pode doer ao tacto e piora quando a pessoa se inclina para a frente.

    Logo que seja possível, depois da lesão, a pessoa deve permanecer em repouso absoluto, aplicando gelo e compressas sobre a inflamação. Os exercícios para fortalecer os músculos abdominais que ajudam a estabilizar as costas, e aqueles para distender e fortalecer os músculos das costas, são benéficos depois de ter começado a cura. Uma máquina de remo é excelente para o fortalecimento das costas, se não provocar dor.

    Uma curvatura exagerada da parte inferior da coluna vertebral (que tende a aumentar a tensão sobre os músculos que a sustentam) é determinada, em grande parte, pela inclinação da pélvis. Portanto, a curvatura exagerada pode ser atenuada com uma variedade de exercícios que inclinam a parte superior da pélvis para trás, ou seja, para uma posição mais normal. Esses exercícios consistem no fortalecimento dos músculos abdominais (para os encurtar) e o estiramento dos músculos da coxa (para os alongar). Usar uma faixa para levantar pesos pode ajudar a prevenir as lesões das costas.




    Fortelecimento do músculo vasto interno
    1.Permanecer de pé com ambos os joelhas direitos. Contrair os músculos do quadricípete (na parte frontal das coxas) elevando as rótulas. Manter-se nesta posição contando até 10, depois relaxar. Repetir frequentemente durante todo o dia.
    2.Sentar-se no chão com ambos os joelhos direitos e as pernas abertas. Rodar as pernas para fora de maneira que os dedos apontem para o lado mais longe possível. Levantar lentamente a perna lesionada desde a anca depois baixá-la, mantendo o joelho direito. Fazer 3 séries de 10 movimentos em dias alternados.
    3.Sentar-se no chão com duas ou mais almofadas debaixo de cada joelho, de maneira que os mesmos fiquem flectidos num ângulo de 135º. Colocar um peso de 2 Kg sobre o tornozelo. Levantar o pé lentamente endireitando o joelho, depois baixar lentamente o pé. Fazer 3 séries de 10 movimentos. Progredir por meio do aumento do peso, não pelo número de repetições.

    Tendinite aquílea

    A tendinite aquílea é uma inflamação do tendão de Aquiles, um cordão muito resistente que se estende desde os músculos da barriga da perna até ao calcanhar.

    Os músculos da barriga da perna e o tendão de Aquiles baixam a parte anterior do pé depois do contacto do calcanhar com o solo e sobem o calcanhar enquanto os dedos se levantam, mesmo antes de pisar com o outro pé.

    A tendinite aquílea surge quando a pressão exercida sobre o tendão é maior que a resistência do próprio tendão. Correr encosta abaixo exerce uma tensão adicional sobre o tendão de Aquiles, porque o pé da frente adianta-se mais antes de tocar no chão. Correr encosta acima também torna tenso o tendão, porque os músculos da barriga da perna têm de realizar um esforço maior para fazer subir o calcanhar quando os dedos se levantam. Um rebordo posterior mole (a parte do calçado que cobre o calcanhar) permite um movimento excessivo do calcanhar, esticando o tendão de Aquiles de modo desigual, o que aumenta a probabilidade de rotura. O calçado com sola rígida que não se dobra na zona que liga os dedos ao pé exerce maior tensão sobre o tendão de Aquiles, precisamente antes que os dedos se ergam do solo.

    São vários os factores biomecânicos que predispõem à lesão deste tendão. Entre eles destacam-se a rotação excessiva do pé para dentro (pronação), o hábito de utilizar em demasia a extremidade posterior do calcanhar (examinando o salto das sapatilhas de desporto, nota-se onde há mais desgaste), as pernas arqueadas, a excessiva tensão do tendão dos músculos poplíteos e dos músculos da barriga da perna, os arcos dos pés muito pronunciados, os tendões de Aquiles demasiado tensos e as deformidades do calcanhar.

    A dor, sintoma principal, é em geral mais aguda quando uma pessoa começa a mover-se depois de ter estado sentada ou deitada, ou começa a andar ou a correr. Com frequência, a dor alivia-se ao continuar a andar ou a correr, apesar da dor e da rigidez. O tendão de Aquiles está envolvido numa bainha protectora; entre o tendão e a sua bainha há uma camada delgada de gordura que permite que o tendão se mova livremente. Quando o tendão se lesiona, formam-se cicatrizes entre ele e a sua bainha, fazendo com que o tendão estique a bainha a cada movimento. Daí que o movimento seja doloroso. Continuar a andar ou a correr alivia a dor porque aumenta a temperatura da bainha, tornando-a mais flexível, de maneira que o tendão pode mover-se com mais liberdade. Habitualmente, a pressão sobre o tendão também causa dor.

    Se a pessoa ignorar a dor e continuar a correr, uma cicatriz rígida substitui o tendão elástico que doerá sempre durante o exercício, sem possibilidade de cura.

    Abster-se de correr e pedalar na bicicleta enquanto a dor persiste é uma parte importante do tratamento. Outras medidas dependem da causa provável ou da predisposição, e incluem o uso de calçado com solas flexíveis e de palmilhas dentro das sapatilhas de desporto para reduzir a tensão sobre o tendão e estabilizar o calcanhar. Os exercícios para distender os músculos do tendão do escavado poplíteo podem iniciar-se logo que não se note qualquer dor ao realizá-los. Também são úteis os exercícios para fortalecer o tendão de Aquiles, tais como estender e levantar os dedos dos pés. Logo que a pessoa retoma a actividade, não deverá correr encosta abaixo ou encosta acima com passo rápido até que o tendão sare de todo, processo que pode demorar semanas ou anos.

    Dores dos músculos da tíbia

    As dores da tíbia podem desenvolver-se nos músculos da parte frontal e externa da tíbia (cãibras ântero-laterais) ou nos músculos da parte posterior e interna (cãibras póstero-mediais). A zona dolorosa varia consoante os músculos afectados.

    1- Ântero-lateral

    2- Póstero-medial

    Fortalecimento dos músculos da tíbia
    Exercicio da pega do balde Enrolar uma toalha em torno da pega de um balde de água vazio. Sentar-se sobre uma mesa ou outra superfície suficientemente alta de modo a evitar que os pés toquem no chão. Colocar a pega do balde por cima da parte da frente do sapato. Levantar lentamente a parte anterior do pé flectindo o tornezelo, depois estender lentamente o pé com os dedos apontando para a frente. Repetir 10 vezes, depois descansar durante alguns segundos. Fazer 2 séries adicionais de 10 movimentos. Para aumentar a resistência, acrescentar água ao balde pouco a pouco para não provocar dor ao fazer o exercício.
    Empinar-se sobre os dedos Pôr-se de pé. Levantar-se lentamente sobre os dedos, sepois lentamente baixar os calcanhares até ao chão. Repetir 10 vezes, depois descansar durante 1 minuto. Fazer 2 séries adicionais de 10 movimentos. À medida que o exercício se torna mais fácil, há que o repetir suportando pesos cada vez maiores.
    Rotação para fora Pôr-se de pé. Lentamente rodar o tornozelo para fora de modo que a parte interna da planta se levante do solo. Baixar lentamente a planta até ao chão. Fazer 3 séries de 10 movimentos.


    Tendinite poplítea

    A tendinite poplítea é uma rotura no tendão poplíteo, que se estende desde a superfície externa da parte inferior do osso da coxa (fémur), diagonalmente, através da face posterior do joelho até à parte interna da extremidade superior da tíbia.

    O tendão poplíteo evita as torsões para fora da metade inferior da perna durante a corrida. A excessiva rotação do pé para dentro (pronação), assim como correr encosta abaixo, tendem a exercer uma tensão excessiva sobre este tendão, podendo rasgá-lo.

    A dor e a inflamação, particularmente quando se corre encosta abaixo, manifestam-se ao longo da face externa do joelho. Não se deve voltar a correr até que a dor desapareça de todo e ao retomar as corridas também não se deve correr encosta abaixo, pelo menos durante 3 semanas. O ciclismo é uma boa alternativa de exercício durante o período de cura. As palmilhas para o calçado, especialmente uma cunha triangular colocada ao nível da parte interna do calcanhar, ajudam a manter o pé a salvo de rotações para dentro.

    Epilepsia

    Epilepsia é uma doença neurológica crônica, podendo ser progressiva em muitos casos, principalmente no que se relaciona a alterações cognitivas, freqüência e gravidade dos eventos críticos. É caracterizada por crises convulsivas recorrentes, afetando cerca de 1% da população mundial.

    Uma crise convulsiva é uma descarga elétrica cerebral desorganizada que se propaga para todas as regiões do cérebro, levando a uma alteração de toda atividade cerebral. Pode se manifestar como uma alteração comportamental, na qual o indivíduo pode falar coisas sem sentido, por movimentos estereotipados de um membro, ou mesmo através de episódios nos quais o paciente parece ficar "fora do ar", no qual ele fica com o olhar parado, fixo e sem contato com o ambiente.

    A descarga elétrica neuronal anômala que geram as convulsões podem ser resultante de neurônios com atividade funcional alterada (doentes), resultantes de massas tumorais, cicatrizes cerebrais resultantes de processos infecciosos (meningites, encefalites),isquêmicos ou hemorrágicos (acidente vascular cerebral), ou até mesmo por doenças metabólicas (doenças do renais e hepáticas), anóxia cerebral (asfixia) e doenças genéticas. Muitas vezes, a origem das convulsões pode não ser estabelecida, neste caso a epilepsia é definida como criptogênica.

    Como se desenvolve?

    O mecanismo desencadeador das crises pode ser multifatorial. Em muitas pessoas, as crises convulsivas podem ser desencadeadas por um estímulo visual, auditivo, ou mesmo por algum tipo específico de imagem. Nas crianças, podem surgir na vigência de febre alta, sendo esta de evolução benigna, muitas vezes não necessitando de tratamento.

    Nem toda crise convulsiva é caracterizada como epilepsia. Para tal, é preciso que o indivíduo tenha apresentado, no mínimo, duas ou mais crises convulsivas no período de 12 meses, sem apresentar febre, ingestão de álcool , intoxicação por drogas ou abstinência, durante as mesmas.

    O que se sente?

    A sintomatologia apresentada durante a crise vai variar conforme a área cerebral em que ocorreu a descarga anormal dos neurônios. Pode haver alterações motoras, nas quais os indivíduos apresentam movimentos de flexão e extensão dos mais variados grupos musculares, além de alterações sensoriais, como referidas acima, e ser acompanhada de perda de consciência e perda do controle esfincteriano.

    As crises também podem ser precedidas por uma sintomatologia vaga, como sensação de mal estar gástrico, dormência no corpo, sonolência, sensação de escutar sons estranhos, ou odores desagradáveis e mesmo de distorções de imagem que estão sendo vistas.

    A grande maioria dos pacientes, só percebem que foram acometidos por uma crise após recobrar consciência, além disso podem apresentar, durante este período, cefaléia, sensibilidade à luz, confusão mental, sonolência, ferimentos orais (língua e mucosa oral).

    Como o médico faz o diagnóstico?

    O diagnóstico é realizado pelo médico neurologista através de uma história médica completa, coletada com o paciente e pessoas que tenham observado a crise. Além disso, pode ser necessário exames complementares como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem, como tomografia e/ou ressonância magnética de crânio. O EEG é um exame essencial, apesar de não ser imprescindível, pois o diagnóstico é clínico.

    Ele ao serve apenas para o diagnóstico, como também para monitorar a evolução do tratamento. Outro exame complementar que pode ser utilizado é o vídeo-EEG, no qual há registro sincronizado da imagem do paciente tendo a crise e o traçado eletroencefalográfico deste momento. As técnicas de neuroimagem são utilizadas para investigação de lesões cerebrais capazes de gerar crises convulsivas, fornecendo informações anatômicas, metabólicas e mesmo funcionais.

    Como se trata?

    O tratamento da epilepsia é realizado através de medicações que possam controlar a atividade anormal dos neurônios, diminuindo as cargas cerebrais anormais. Existem medicamentos de baixo custo e com poucos riscos de toxicidade. Geralmente, quando o neurologista inicia com um medicamento, só após atingir a dose máxima do mesmo, é que se associa outro , caso não haja controle adequado da epilepsia.

    Mesmo com o uso de múltiplas medicações, pode não haver controle satisfatório da doença. Neste caso, pode haver indicação de cirurgia da epilepsia. Ela consiste na retirada de parte de lesão ou das conexões cerebrais que levam à propagação das descargas anormais. O procedimento cirúrgico pode levar à cura, ao controle das crises ou à diminuição da freqüência e intensidade das mesmas.

    AFASIA

    A afasia é por si só a perda da capacidade e das habilidades de linguagem falada e escrita.

    A comunicação pela linguagem falada é peculiar aos seres humanos, sendo diferencialmente localizada no hemisfério esquerdo e se correlacionando com assimetrias anatômicas (lobos frontal e temporal).

    A afasia é um sintoma comum na neurologia clínica, muitas vezes como conseqüência de um acidente vascular cerebral cuja localização geralmente se dá junto à artéria cerebral média esquerda ou nos ramos junto à região do cérebro responsável pela linguagem. Outras podem ser causadas por infecções e manifestações degenerativas locais comprometendo a área especificada.

    Existem peculiaridades que diferenciam as afasias e proporcionam ao médico uma determinação da topografia da região afetada, independente da causa, portanto podemos dividi-las em:

    Afasia de Broca

    A afasia de Broca caracteriza-se por grande dificuldade em falar, porém a compreensão da linguagem encontra-se preservada. Essa síndrome é também dita como afasia não fluente, de expressão ou motora: os pacientes conseguem executar normalmente a leitura silenciosa, mas a escrita está comprometida. Esses pacientes possuem, ainda, fraqueza na hemiface e membro superior direito (devido à proximidade das regiões afetadas pelo distúrbio circulatório). Os pacientes têm consciência do seu déficit e se deprimem com facilidade (frustração). Entretanto, o prognóstico é bom quanto à recuperação de parte da linguagem falada, embora sejam necessários meses para a realização de uma fala simples, abreviada, ainda que não fluente.

    Afasia de Wernicke

    A afasia de Wernicke caracteriza-se por dificuldade na compreensão da linguagem, a fala é fluente e faz pouco sentido. Essa síndrome é também denominada afasia fluente, de recepção ou sensorial. Diferente dos pacientes com afasia de Broca, os pacientes com essa síndrome começam a falar espontaneamente, embora de modo vago, fugindo do objetivo da conversa. Pode existir parafasias, isto é, uma palavra substituindo outra, como chamar uma colher de garfo (parafasia literal), ou um som substituindo outro, como ao chamar uma colher de mulher (parafasia verbal); geralmente, não apresentam fraqueza associada, os pacientes não se dão conta de seu déficit e a recuperação é mais difícil.

    Afasia de Condução

    Na afasia de condução, a compreensão está relativamente preservada e a fala é fluente e espontânea. Existe, entretanto, incapacidade de repetir palavras corretamente.

    Afasia Global

    Afasia global é a perda de todas as capacidades de linguagem: compreensão, fala, leitura e escrita, sendo causado geralmente por um infarto completo no território da artéria cerebral média esquerda; os pacientes, sendo assim, também apresentam geralmente hemiplegia direita (total perda de força no lado direito do corpo), além de demência associada; o prognóstico é mais reservado.



    Autismo

    Autismo é uma desordem na qual uma criança jovem não pode desenvolver relações sociais normais, se comporta de modo compulsivo e ritualista, e geralmente não desenvolve inteligência normal.

    O autismo é uma patologia diferente do retardo mental ou da lesão cerebral, embora algumas crianças com autismo também tenham essas doenças.

    Sinais de autismo normalmente aparecem no primeiro ano de vida e sempre antes dos três anos de idade. A desordem é duas a quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas.

    Causas

    A causa do autismo não é conhecida. Estudos de gêmeos idênticos indicam que a desordem pode ser, em parte, genética, porque tende a acontecer em ambos os gêmeos se acontecer em um. Embora a maioria dos casos não tenha nenhuma causa óbvia, alguns podem estar relacionados a uma infecção viral (por exemplo, rubéola congênita ou doença de inclusão citomegálica), fenilcetonúria (uma deficiência herdada de enzima), ou a síndrome do X frágil (uma dosagem cromossômica).

    Sintomas e diagnóstico

    Uma criança autista prefere estar só, não forma relações pessoais íntimas, não abraça, evita contato de olho, resiste às mudanças, é excessivamente presa a objetos familiares e repete continuamente certos atos e rituais. A criança pode começar a falar depois de outras crianças da mesma idade, pode usar o idioma de um modo estranho, ou pode não conseguir - por não poder ou não querer - falar nada. Quando falamos com a criança, ela freqüentemente tem dificuldade em entender o que foi dito. Ela pode repetir as palavras que são ditas a ela (ecolalia) e inverter o uso normal de pronomes, principalmente usando o tu em vez de eu ou mim ao se referir a si própria.

    Sintomas de autismo em uma criança levam o médico ao diagnóstico, que é feito através da observação. Embora nenhum teste específico para autismo esteja disponível, o médico pode executar certos testes para procurar outras causas de desordem cerebral.

    A maioria das crianças autistas tem desempenho intelectual desigual, assim, testar a inteligência não é uma tarefa simples. Pode ser necessário repetir os testes várias vezes. Crianças autistas normalmente se saem melhor nos itens de desempenho (habilidades motoras e espaciais) do que nos itens verbais durante testes padrão de Q.I. Acredita-se que aproximadamente 70 por cento das crianças com autismo têm algum grau de retardamento mental (Q.I. menor do que 70).

    Entre 20 e 40 por cento das crianças autistas, especialmente aquelas com um Q.I. abaixo de 50, começam a ter convulsões antes da adolescência.

    Algumas crianças autistas apresentam aumento dos ventrículos cerebrais que podem ser vistos na tomografia cerebral computadorizada. Em adultos com autismo, as imagens da ressonância magnética podem mostrar anormalidades cerebrais adicionais.

    Uma variante do autismo, às vezes chamada de desordem desenvolvimental pervasiva de início na infância ou autismo atípico, pode ter início mais tardio, até os 12 anos de idade. Assim como a criança com autismo de início precoce, a criança com autismo atípico não desenvolve relacionamentos sociais normais e freqüentemente apresenta maneirismos bizarros e padrões anormais de fala. Essas crianças também podem ter síndrome de Tourette, doença obsessivo-compulsiva ou hiperatividade.

    Assim, pode ser muito difícil para o médico diferenciar entre essas condições.

    Prognóstico e tratamento

    Os sintomas de autismo geralmente persistem ao longo de toda a vida.

    Muitos especialistas acreditam que o prognóstico é fortemente relacionado a quanto idioma utilizável a criança adquiriu até os sete anos de idade. Crianças autistas com inteligência subnormal - por exemplo, aquelas com Q.I. abaixo de 50 em testes padrão - provavelmente irão precisar de cuidado institucional em tempo integral quando adultos.

    Crianças autistas na faixa de Q.I. próximo ao normal ou mais alto, freqüentemente se beneficiam de psicoterapia e educação especial.

    Fonoterapia é iniciada precocemente bem como a terapia ocupacional e a fisioterapia.

    A linguagem dos sinais às vezes é utilizada para a comunicação com crianças mudas, embora seus benefícios sejam desconhecidos. Terapia comportamental pode ajudar crianças severamente autistas a se controlarem em casa e na escola. Essa terapia é útil quando uma criança autista testar a paciência de até mesmo os pais mais amorosos e os professores mais dedicados.

    Lista de Checagem do Autismo

    A lista serve como orientação para o diagnóstico. Como regra os indivíduos com autismo apresentam pelo menos 50% das características relacionadas. Os sintomas podem variar de intensidade ou com a idade.
     

    Dificuldade em juntar-se com outras pessoas,
    Insistência com gestos idênticos, resistência a mudar de rotina,
    Risos e sorrisos inapropriados,
    Não temer os perigos,
    Pouco contato visual,
    Pequena resposta aos métodos normais de ensino,
    Brinquedos muitas vezes interrompidos,
    Aparente insensibilidade à dor,
    Ecolalia (repetição de palavras ou frases),
    Preferência por estar só; conduta reservada,
    Pode não querer abraços de carinho ou pode aconchegar-se carinhosamente,
    Faz girar os objetos,
    Hiper ou hipo atividade física,
    Aparenta angústia sem razão aparente,
    Não responde às ordens verbais; atua como se fosse surdo,
    Apego inapropriado a objetos,
    Habilidades motoras e atividades motoras finas desiguais, e
    Dificuldade em expressar suas necessidades; emprega gestos ou sinais para os objetos em vez de usar palavras.

    SÍNDROME DE DOWN (Trissomia do Cromossomo 21)

    A síndrome de Down é a forma mais freqüente de retardo mental causada por uma aberração cromossômica microscopicamente demonstrável. É caracterizada por história natural e aspectos fenotípicos bem definidos. É causada pela ocorrência de três (trissomia) cromossomos 21, na sua totalidade ou de uma porção fundamental dele.

    Características Clínicas

    A síndrome de Down, uma combinação específica de características fenotípicas que inclui retardo mental e uma face típica, é causada pela existência de três cromossomos 21 (um a mais do que o normal, trissomia do 21), uma das anormalidades cromossômicas mais comuns em nascidos vivos.

    É sabido, há muito tempo, que o risco de ter uma criança com trissomia do 21 aumenta com a idade materna. Por exemplo, o risco de ter um recém-nascido com síndrome de Down, se a mãe tem 30 anos é de 1 em 1.000, se a mãe tiver 40 anos, o risco é de 9 em 1.000. Na população em geral, a freqüência da síndrome de Down é de 1 para cada 650 a 1.000 recém-nascidos vivos e cerca de 85% dos casos ocorre em mães com menos de 35 anos de idade.

    As pessoas com síndrome de Down costumam ser menores e ter um desenvolvimento físico e mental mais lento que as pessoas sem a síndrome. A maior parte dessas pessoas tem retardo mental de leve a moderado; algumas não apresentam retardo e se situam entre as faixas limítrofes e médias baixa, outras ainda podem ter retardo mental severo.

    Existe uma grande variação na capacidade mental e no progresso desenvolvimental das crianças com síndrome de Down. O desenvolvimento motor destas crianças também é mais lento. Enquanto as crianças sem síndrome costumam caminhar com 12 a 14 meses de idade, as crianças afetadas geralmente aprendem a andar com 15 a 36 meses. O desenvolvimento da linguagem também é bastante atrasado.

    É importante frisar que um ambiente amoroso e estimulante, intervenção precoce e esforços integrados de educação irão sempre influenciar positivamente o desenvolvimento desta criança.

    Embora as pessoas com síndrome de Down tenham características físicas específicas, geralmente elas têm mais semelhanças do que diferenças com a população em geral. As características físicas são importantes para o médico fazer o diagnóstico clínico; porém, a sua presença não tem nenhum outro significado. Nem sempre a criança com síndrome de Down apresenta todas as características; algumas podem ter somente umas poucas, enquanto outras podem mostrar a maioria dos sinais da síndrome.

    Algumas das características físicas das crianças com síndrome de Down são:
     

    achatamento da parte de trás da cabeça,
    inclinação das fendas palpebrais,
    pequenas dobras de pele no canto interno dos olhos,
    língua proeminente,
    ponte nasal achatada,
    orelhas ligeiramente menores,
    boca pequena,
    tônus muscular diminuído,
    ligamentos soltos,
    mãos e pés pequenos,
    pele na nuca em excesso.

    Aproximadamente cinqüenta por cento de todas as crianças com a síndrome têm uma linha que cruza a palma das mãos (linha simiesca), e há, freqüentemente, um espaço aumentado entre o primeiro e segundo dedos do pé. Freqüentemente estas crianças apresentam mal-formações congênitas maiores.

    As principais são as do coração (30-40% em alguns estudos), especialmente canal atrioventricular, e as mal-formações do trato gastrointestinal, como estenose ou atresia do duodeno, imperfuração anal, e doença de Hirschsprung.

    Alguns tipos de leucemia e a reação leucemóide têm incidência aumentada na síndrome de Down. Estimativas do risco relativo de leucemia têm variado de 10 a 20 vezes maior do que na população normal; em especial a leucemia megacariocítica aguda ocorre 200 a 400 vezes mais nas pessoas com síndrome de Down do que na população cromossomicamente normal. Reações leucemóides transitórias têm sido relatadas repetidamente no período neonatal.

    Entre oitenta e noventa por cento das pessoas com síndrome de Down têm algum tipo de perda auditiva, geralmente do tipo de condução. Pacientes com síndrome de Down desenvolvem as características neuropatológicas da doença de Alzheimer em uma idade muito mais precoce do que indivíduos com Alzheimer e sem a trissomia do 21.

    Citogenética

    A maior parte dos indivíduos (95%) com trissomia do 21 tem três cópias livres do cromossomo 21; em aproximadamente 5% dos pacientes, uma cópia é translocada para outro cromossomo acrocêntrico, geralmente o 14, o 21 ou o 22. Em 2 a 4% dos casos com trissomia do 21 livre, há mosaicismo, isto é, uma linhagem de células com trissomia e uma linhagem de células normal na mesma pessoa.

    Aconselhamento genético

    Pais que têm uma criança com síndrome de Down têm um risco aumentado de ter outra criança com a síndrome em gravidezes futuras. É calculado que o risco de ter outra criança afetada é aproximadamente 1 em 100 na trissomia do 21 e no mosaicismo. Porém, se a criança tem síndrome de Down por translocação e se um dos pais é portador de translocação (o que ocorre em um terço dos casos), então o risco de recorrência aumenta sensivelmente. O risco real depende do tipo de translocação e se o portador da translocação é o pai ou a mãe.

    Cuidados especiais

    As crianças com síndrome de Down necessitam do mesmo tipo de cuidado clínico que qualquer outra criança. Contudo, há situações que exigem alguma atenção especial.
     

    Oitenta a noventa por cento das crianças com síndrome de Down têm deficiências de audição. Avaliações audiológicas precoces e exames de seguimento são indicados.
    Trinta a quarenta por cento destas crianças têm alguma doença congênita do coração. Muitas destas crianças terão que se submeter a uma cirurgia cardíaca e, freqüentemente precisarão dos cuidados de um cardiologista pediátrico por longo prazo.
    Anormalidades intestinais também acontecem com uma freqüência maior em crianças com síndrome de Down. Por exemplo, estenose ou atresia do duodeno, imperfuração anal e doença de Hirschsprung. Estas crianças também podem necessitar de correção cirúrgica imediata destes problemas.
    Crianças com síndrome de Down freqüentemente têm mais problemas oculares que outras crianças. Por exemplo, três por cento destas crianças têm catarata. Elas precisam ser tratadas cirurgicamente. Problemas oculares como estrabismo, miopia, e outras condições são freqüentemente observadas em crianças com síndrome de Down.
    Outra preocupação relaciona-se aos aspectos nutricionais. Algumas crianças, especialmente as com doença cardíaca severa, têm dificuldade constante em ganhar peso. Por outro lado, obesidade é freqüentemente vista durante a adolescência. Estas condições podem ser prevenidas pelo aconselhamento nutricional apropriado e orientação dietética preventiva.
    Deficiências de hormônios tireoideanos são mais comuns em crianças com síndrome de Down do que em crianças normais. Entre 15 e 20 por cento das crianças com a síndrome têm hipotireoidismo. É importante identificar as crianças com síndrome de Down que têm problemas de tireóide, uma vez que o hipotireoidismo pode comprometer o funcionamento normal do sistema nervoso central.
    Problemas ortopédicos também são vistos com uma freqüência mais alta em crianças com síndrome de Down. Entre eles incluem-se a subluxação da rótula (deslocamento incompleto ou parcial), luxação de quadril e instabilidade de atlanto-axial. Esta última condição acontece quando os dois primeiros ossos do pescoço não são bem alinhados devido à presença de frouxidão dos ligamentos. Aproximadamente 15% das pessoas com síndrome de Down têm instabilidade atlanto-axial. Porém, a maioria destes indivíduos não tem nenhum sintoma, e só 1 a 2 por cento de indivíduos com esta síndrome têm um problema de pescoço sério o suficiente para requerer intervenção cirúrgica.
    Outros aspectos médicos importantes na síndrome de Down incluem problemas imunológicos, leucemia, doença de Alzheimer, convulsões, apnéia do sono e problemas de pele. Todos estes podem requerer a atenção de especialistas.

    Coqueluche

    É uma doença infecciosa altamente contagiosa que atinge o trato respiratório causando intensa bronquite. Tem como agentes etiológicos bactérias chamadas Bordetella pertussis e Bordetella parapertussis

    Que se sente?

    A coqueluche se manifesta classicamente em três estágios.

    Estágio catarral

    As queixas iniciais são de sintomas semelhantes aos do resfriado comum: febre moderada, coriza, espirros e tosse irritativa

    Estágio paroxístico

    Cerca de duas semanas após a tosse se torna paroxística, com espasmos (paroxismos) de tosse. A tosse caracteriza-se por acessos repetidos, vinte a trinta tossidas sem inalação seguidas de um ruído inspiratório característico(guincho). A face se torna pletórica a cada acesso de tosse ou repentinamente fica azulada (cianótica). A criança pode perder momentaneamente a consciência ao final de uma crise de tosse. Durante essa fase, existe uma intensa produção de muco e as crises de tosse podem induzir ao vômito. Estes acessos geralmente são acompanhados de sudorese e vômitos. Estágio de convalescença. Os sintomas começam a regredir progressivamente. A duração total da doença pode alcançar seis a dez semanas.

    Como se adquire?

    A infecção é disseminada pelo ar por meio de gotículas respiratórias (fomites) de uma pessoa infectada. O homem é o único hospedeiro da Bordetella pertussis ou da Bordetella parapertussis.

    Incubação

    O período de incubação é de seis a vinte e um dias.

    Complicações

    As complicações mais frequentes incluem: convulsões, pneumonias, encefalopatias e morte. A taxa de mortalidade é mais elevada até o segundo mês de vida diminuindo gradativamente até um ano de idade.

    Diagnóstico

    Na maioria dos casos o diagnóstico é baseado em evidências clínicas. O hemograma com leucocitose, linfocitose e sedimentação normal ou baixa aliado ao quadro clínico é de valia. O Rx com espessamento brônquico não é suficiente para confirmação diagnóstica. Os exames culturais são tecnicamente difíceis. Os testes de amplificação do DNA são válidos, mas nem sempre estão disponíveis, PCR (reação em cadeia de polimerase).

    Prevenção

    A imunização de rotina contra a coqueluche impede ou atenua de forma considerável o surgimento da doença, sendo considerada ótima a aplicação de cinco doses de vacina entre os quarto ou sexto anos de idade. O uso sistemático de vacina acelular (DTaP) ao invés da vacina total (DTP) proporciona a mesma cobertura imunológica com diminuição da incidência de reações adversas. O uso de Paracetamol antes da vacinação e seis a oito horas após reduz o número de reações febris sem diminuir a eficácia da imunização. O emprego da quimioprofilaxia deve ser orientado por profissional de saúde.

    Fibrose cística em criança


    É uma doença herdada geneticamente. Na maioria das vezes, é diagnosticada na infância, embora também possa ser diagnosticada na adolescência ou na vida adulta.

    As pessoas com fibrose cística tem um funcionamento anormal das glândulas que produzem o muco, suor, saliva, lágrima e suco digestivo.

    O pâncreas - um órgão localizado no abdome que tem como função auxiliar na digestão dos alimentos e produzir hormônios - está afetado em quase todos casos de fibrose cística. As enzimas digestivas do pâncreas estão alteradas e podem dificultar a digestão dos alimentos. Até 10-20% dos recém-nascidos com fibrose cística podem ter uma obstrução no intestino por causa da insuficiência no funcionamento das enzimas do pâncreas. Este problema é chamado de íleo meconial, e a criança não consegue evacuar. A cirurgia é quase sempre necessária nesta situação.

    O que se sente?

    Na fibrose cística, as enzimas do pâncreas, que deveriam ajudar a digerir alimentos gordurosos, não são liberadas para dentro do intestino. Com isso, os alimentos (principalmente os gordurosos) são mal digeridos e as fezes podem ficar volumosas, espessas, fétidas e gordurosas. Além do problema pancreático, há o problema respiratório devido à obstrução das passagens de ar do pulmão pelo acúmulo de muco espesso e pegajoso.

    Então, as pessoas com esta doença podem ter esses sintomas respiratórios:
     

    Tosse
    Expectoração excessiva de muco (catarro)
    Respiração difícil
    Chiado no peito (sibilância)

    Como o médico faz o diagnóstico?

    A fibrose cística é diagnosticada pelo médico quando a pessoa apresenta doença respiratória persistente ou evidência de insuficiência do pâncreas ou ambas, ou história familiar de fibrose cística em irmão ou primo de primeiro grau, além da concentração de cloro no sangue acima do normal. O médico, ao suspeitar de fibrose cística, solicita o teste do cloreto no suor. Em alguns casos, a análise genética poderá ser feita para o diagnóstico.

    Como se trata?

    O tratamento é voltado para a solução dos sintomas e das deficiências causadas pela doença.

    O uso de enzimas pancreáticas e modificações na dieta auxiliam na digestão.

    Em relação a parte respiratória, antibióticos são usados quando ocorrem as infecções respiratórias - que são freqüentes e caracterizam a doença. Os pacientes apresentam, no início, infecções causadas pela bactéria Haemophilus influenzae. Depois, podem começar a ter infecções respiratórias por Staphylococcus aureus e, mais adiante, por Pseudomonas aeruginosa ou por Burkholderia. Outros microorganismos também podem causar infecção e deterioração da situação do paciente.

    Os broncodilatadores também podem diminuir a falta de ar em algumas pessoas com fibrose cística.

    Medicações que deixam as secreções mais finas e outros mucolíticos, que ajudam na retirada do muco excessivo para fora dos pulmões, também podem auxiliar nesta doença.

    A fisioterapia respiratória, exercícios aeróbicos e a drenagem postural também são importantes, pois facilitam a saída do excesso de muco das vias respiratórias. Na drenagem postural, a pessoa fica deitada inclinada, com a barriga para baixo, os pés elevados e a cabeça e os braços para baixo, de maneira que a secreção dos pulmões possa descer até a boca e ser expelida. Esta higiene das vias respiratórias melhora os sintomas da doença e faz com que as infecções respiratórias não sejam tão freqüentes. Em alguns casos, o oxigênio domiciliar pode ser necessário para a melhora da falta de ar.

    Em alguns casos, pode ser usada a DNAse recombinante humana (rhDNAse) administrada por um nebulizador específico para tal. Nos casos em que há um declínio significativo da função pulmonar e do peso do paciente, mesmo com o tratamento e suporte nutricionais adequados, pode ser indicado o transplante pulmonar.

    Como se previne?

    Testes genéticos podem ajudar na prevenção, já que até 80% das pessoas com gene anormal poderão ser identificadas. Isto poderá auxiliar nas decisões em relação ao planejamento familiar. Estes testes genéticos também podem ser realizados em fetos.

    Como se faz o diagnóstico?

    Em todos recém nascidos é realizado o teste do tripsinogênio imunorreativo (TIR), um exame padrão para detecção da fibrose cística em recém nascidos. Um elevado nível TIR indica grande possibilidade de fibrose cística e requer exames adicionais.

    Os indivíduos doentes deverão ser vacinados contra a gripe anualmente e contra o pneumococo (bactéria freqüente em infecções respiratórias) cada 5 anos, conforme orientação de seu médico para tentar reduzir a freqüência das complicações respiratórias da doença.

    Perguntas que você pode fazer ao seu médico

    A detecção precoce da doença pode alterar o seu prognóstico?

    O que é intussuscepção intestinal?

    Qual é o tratamento para intussuscepção intestinal?

    Como é feito o teste do suor para o diagnóstico da doença?

    O teste do suor pode determinar a gravidade da doença?

    O que é a bronquiectasia e qual sua relação com a mucoviscidose?

    A fibrose cística pode causar infertilidade masculina?

    A gravidez deve ser evitada nas mulheres com fibrose cística?

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