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sábado, 31 de janeiro de 2009

Massagem não deve doer, defende fisioterapeuta






Para muita gente, massagem boa é aquela que dói. A tese do "No pain, no gain" ("Sem dor não há ganho"), muito repetida por adeptos da malhação pesada, não combina muito com a idéia de relaxar os músculos e aliviar o estresse. Mas, segundo pessoas que faziam massagem ayurvédica na clínica do professor em São Paulo, sair da sessão com hematomas não era incomum.

Para o médico e presidente da Associação Brasileira de Ayurveda Aderson Moreira da Rocha, a massagem tradicional indiana dificilmente causa desconforto. Isso porque o objetivo maior do toque é fazer os óleos medicinais penetrarem a pele. "Não há necessidade de nenhum movimento brusco", afirma, referindo-se à "abhyanga", modalidade mais comum de manipulação, muitas vezes feita a quatro mãos. O nome da prática em sânscrito, aliás, significa algo como "untar com amor", comenta Marcia De Luca, fundadora do Centro Integrado de Yoga, Meditação e Ayurveda.

Outro tipo comum de massagem ayurvédica, a "shirodhara", é ainda mais delicada: o óleo aromático é levemente aquecido e derramado sobre a testa do paciente. A técnica é especialmente indicada para relaxar e combater males como ansiedade e depressão. De Luca oferece na clínica, ainda, a "garshana", uma espécie de esfoliação feita com uma luva de fibras naturais, seguida da aplicação dos óleos, para estimular a eliminação de toxinas da pele.

Dor "boa"

"Uma coisa é aquela 'dor boa' descrita por alguns pacientes quando você mexe no nó muscular para desfazê-lo; outra, bem diferente, é a pessoa sair machucada", diz o fisioterapeuta Carlos Wiering, especialista em RPG. Ele explica que muitas técnicas orientais, inclusive o shiatsu, envolvem a premissa de que é preciso incorporar a dor para livrar-se dela. Mas, para Wiering, isso só piora a tensão: "A reação natural diante da dor é contrair o músculo".

O fisioterapeuta pondera que não é incomum o paciente chorar ou sentir-se triste durante a massagem, mas isso não ocorre devido à dor física. "O paciente pode ter brigado com o pai e, a partir daquela tensão, passou a sentir uma dor no tórax, por exemplo. Ao fazer a massagem, mesmo já tendo feito as pazes com o pai, pode ser que ele reviva a mágoa que sentiu no momento da conflito", ilustra.

É por essa razão, diz Wiering, que já houve um movimento por parte do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional para que massagens terapêuticas, o que inclui a drenagem linfática, passassem a ser feitas somente por fisioterapeutas, que estudam não apenas o corpo humano, como também psicologia.

Ioga ou malhação?

Assim como fisioterapeutas ressaltam a importância de uma formação mais ampla para quem mexe com o corpo dos outros, como os massagistas, a ioga já foi foco de discussão no Conselho Federal de Educação Física. O argumento, na época, era de que a técnica, quando ensinada por profissionais sem conhecimento aprofundado sobre fisiologia, poderia trazer conseqüências para a saúde dos alunos, como dores ou problemas de coluna. Em 2002, no entanto, um substitutivo determinou que a ioga, assim como a dança e as artes marciais, não seria fiscalizada pelo conselho.

Anna Ivanov, presidente da Associação Internacional de Professores de Yoga do Brasil, relembra a polêmica, sugerindo que não faz sentido comparar a filosofia da ioga com o que se pratica em academias e ginásios de escolas. Mas ela concorda que há abusos: "Há várias escolas, muitos egos, e cada um quer colocar o seu tempero pessoal na receita, o que muitas vezes acaba desviando a prática de suas origens", critica.

O curso para formação de professores ministrados na associação, que tem filiais em vários Estados, é composto de 2.200 horas e inclui anatomia, cinesiologia, noções de psicologia e neurologia, ética e o estudo de textos filosóficos, entre outras disciplinas.

"Conhecer anatomia e entender a biomecânica dos movimentos é importante para evitar que os alunos tenham qualquer lesão", concorda o professor Sandro Bosco, que coordena um curso de formação de três anos no Yoga Dham, em São Paulo. Mas, para ele, é importante lembrar também que as pessoas devem buscar o tipo de ioga que melhor se adapte às suas necessidades.

Todos os especialistas consultados pelo UOL Ciência e Saúde concordam em um aspecto: escolhido o tipo de ioga que mais agrada, é preciso pesquisar o histórico do professor. Ainda que não exista um currículo oficial, vale analisar quanto tempo de experiência o profissional possui e buscar referências com pessoas de confiança. Afinal, ganhar um hematomas ou uma hérnia de disco não tem nada de "zen".


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