Influência da atividade física no tratamento da osteoporose






  Na população atual observa-se um aumento significativo na incidência de doenças crônico-degenerativas devido ao sedentarismo, acelerando o processo de envelhecimento. Essa diminuição da capacidade física , incluindo a saúde óssea, é o preço que se paga pela dependência cada vez maior dos meios modernos.
   O consumo intenso de álcool, cigarro, inatividade física e má alimentação agravou o quadro das doenças hipocinéticas, entre elas a osteoporose.
   Segundo GHORAYEB e BARROS, 1999, o declínio da atividade celular, observado a partir da terceira década de vida promoveu significativas alterações na estrutura e na função dos órgãos, observando-se progressiva corrosão das reservas funcionais associadas a queda de resistência do corpo humano em relação aos distúrbios, ao estresse e aos processos patológicos.
   A osteoporose consiste num enfraquecimento ósseo pela diminuição progressiva da massa óssea por unidade de volume, tornando os ossos porosos e facilmente fraturados.
   O aumento no número de fraturas em pessoas idosas, principalmente mulheres, sendo estas fraturas conseqüências da osteoporose, nomeou esta doença como epidemia do século XXI, tornando essas pessoas incapacitadas de realizar muitos movimentos antes considerados cotidianos.
   Essa situação ocorre principalmente em mulheres no período da menopausa, quando essa perda óssea chega a atingir 1 a 3% ao ano, acentuando-se ainda mais na pós-menopausa, pois ocorre a diminuição dos níveis de estrógeno, que é o principal hormônio regulador do metabolismo ósseo (MATSUDO & MATSUDO, Apud PINTO & CHIAPETA, 1995).
   Porém nota-se que indivíduos ativos apresentam massa óssea mais densa, mostrando que um dos meios de evitar a porosidade excessiva dos ossos é adotar um estilo de vida ativo, uma vez que o exercício físico é capas de provocar adaptações no sistema ósseo como o aumento da calcificação, reestabilizando o aparelho locomotor, melhorando a capacidade aeróbica dos idosos e reduzindo o risco de quedas ocasionadas por falta de força, flexibilidade ou coordenação.


2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Sistema Ósseo

   O tecido ósseo é um dos mais resistentes e rígidos do corpo humano, tendo como principais funções proteção das vísceras, sustentação e mobilização juntamente com o sistema muscular, e depósito de íons como cálcio e fosfato, armazenando-os ou liberando-os de forma controlada visando manter uma constante concentração iônica nos líquidos corporais e sangue(calcemia).
   Em específico, o cálcio é um dos íons mais importantes do sistema ósseo, sendo encontrado 99% de sua quantidade total orgânica neste.
   O íon cálcio é importante na contração muscular, transmissão do impulso nervoso, coagulação sangüínea e adesão celular.
Logo, devido a sua grande utilização o Cálcio(Ca++) encontra-se sempre em transição entre o plasma e os ossos. Por isso, quando a ingestão desse elemento e suficiente ou excessiva ele é rapidamente depositado nos ossos, entretanto, no contrário, o cálcio dos ossos é mobilizado, aumentando sua concentração no sangue.
   A calcemia, ou seja, a concentração de cálcio no sangue, é rapidamente suprida pelas lamelas mais jovens devido ao fato de serem pouco calcificadas, podendo receber e ceder cálcio com mais facilidade. Já as lamelas antigas se restringem quase que exclusivamente nas funções de suporte e proteção.
   Entretanto, os ossos como todas as outras estruturas celulares, passam por constantes alterações, não apenas quando somos jovens e estamos na fase de crescimento, mas também quando envelhecemos. Eles usam materiais novos, cálcio e outros minerais e ao mesmo tempo absorvem parte dos elementos dos ossos antigos, mais ou menos na mesma proporção, processo esse chamado de remodelagem óssea, ou seja, enquanto os osteoclastos degradam e removem a matéria antiga, os osteoblastos produzem osso novo. Essa troca se realiza sob o controle de determinados hormônios.
   Alterações hormonais que ocorrem na menopausa causa um desequilíbrio na equação de reconstrução do corpo. A reabsorção do osso antigo permanece mais ou menos a mesma, mas a assimilação do cálcio e outros minerais diminui, causando diminuição da densidade óssea. Quando esta atinge 30%, o paciente passa a ser enquadrado como osteoporótico.
   O termo osteoporose significa literalmente "ossos porosos". É uma doença em que a massa óssea é reabsorvida lentamente pelo corpo e o conteúdo mineral, principalmente o cálcio, é perdido, tornando os ossos frágeis e susceptíveis a fraturas, especialmente na região do quadril, punho e vértebras. Por isso ela é taxada de doença silenciosa, por não dar nenhum sinal visível nem sensorial de sua progressão.
   A osteoporose também esta associada ao sedentarismo. A atividade física é um fator importante para manter a resistência do esqueleto. Os ossos tornam-se mais resistentes com o exercício, reduzindo a porosidade excessiva e as conseqüentes fraturas.
   Na osteoporose há uma diminuição de massa óssea por unidade de volume. A diminuição da resistência se dá por atrofia das trabéculas, que se tornam mais finas e rarefeitas, e também por uma redução da espessura na parte cortical dos ossos(NUNER & FERNANDES,1997).
   O decréscimo da massa óssea acentua-se a partir dos 40 anos, podendo resultar em perda de 35% da massa cortical e 50% da massa trabecular em mulheres nos dez primeiros anos após a menopausa. De acordo com(SZEJNFEID&ATRA, Apud PINTO & CHIAPETA, 1995) as fraturas representam um estágio avançado da osteoporose, em que mais de 30% da massa óssea já foi perdida. Porém a perda osteoporótica só aparece nas radiografias quando já atingiu a faixa de 40%.
   Existem dois tipos de osteoporose; uma que acomete mulheres após a menopausa(tipo I) e outra, a osteoporose senil(tipo II), que surge em torno dos 70 anos em ambos os sexos, porém na proporção de duas mulheres para cada homem. A osteoporose pós-menopausa ocasiona uma perda de osso trabecular e a causa principal é o estilo de vida sedentário.
   Na visão de SZEJNFEID & ATRA(Apud PINTO & CHIAPETA, 1995) a osteoporose é dividida de uma forma mais clinica; primária e secundária. A secundária é causada por diferentes doenças tais como: endócrinas, gastrointestinais, inflamatórias e outras. Já a primária é subdividida em quatro classificações, em que a osteoporose pós-menopausa e senil já estão incluídas, onde a perda de osso trabecular na pós-menopausa é duas a três vezes maior que o normal.
   Os principais sintomas são: dor lombar, perda de altura, deformidade da coluna e múltiplas fraturas, resultantes de pequenas quedas e impactos que em condições normais não ocorreriam. Em estado avançado a caixa torácica pode apoiar-se no rebordo pélvico, prejudicando a função respiratória.
   A vértebras osteoporóticas também se comprimem gradualmente a medida em que sua estrutura interna enfraquece, causando uma redução na altura de até 4 centímetros por década a partir da menopausa. Além disso as vértebras frágeis podem se achatar totalmente sem que o osso se rompa, sendo conhecida por fratura por compressão. Essas fraturas podem causar espasmos muito dolorosos nos músculos circunjacentes.
   Os fatores de risco para instalação da osteoporose são: idade; sexo; obesidade; inatividade física; consumo excessivo de álcool, fumo, café e sal; falta de vitamina D; deficiência de estrogênio e outros hormônios responsáveis pela retenção de cálcio e conseqüente manutenção do sistema ósseo; pouca exposição ao sol; mulheres claras e de descendência européia; baixo peso corporal; histórico familiar de osteoporose; amenorréia decorrente de exercícios intensos; nuliparidade; mulheres magras e pequenas; utilização de certas medicações como corticóides, esteróides, hormônios da tireóide; distúrbios endócrinos; artrite reumatóide; hepatopatia crônica; dietas intensas e freqüentes com alto teor de proteínas, fósforo e fibras, além de restringir a quantidade ingerida de cálcio e grandes períodos de imobilização e repouso. É importante ressaltar que cerca de 60 a 80% da massa óssea é determinada geneticamente.

2.2 O Cálcio

   O homem vem se modernizando, surgindo assim uma desvalorização dos movimentos exercidos pelo corpo e uma valorização do intelecto. O tempo passou a ser essencial para possibilitar maior rendimento. Com isso os enlatados, as conservas e os lanches rápidos, ricos em carboidratos e gorduras foram ocupando o lugar dos alimentos com maior quantidade de vitamina, proteínas e minerais.
   Os minerais ocupam um importante papel na regulação das reações químicas celulares e na ativação de certas reações responsáveis por liberar energia na síntese de carboidratos, gorduras e no processo anabólico que parte dos aminoácidos. Além disso atuam como solução no controle do equilíbrio dos fluidos corporais.
   Dentre os minerais o cálcio é o principal elemento para o desenvolvimento e a manutenção da massa óssea, participante obrigatório da função fisiológica vital e o corpo humano não produz, dependendo da alimentação para obtê-lo. Assim, sob condições de ingestão inadequada o cálcio esquelético é lançado na corrente sangüínea para prevenir os desequilíbrios nutricionais, gerando um balanço negativo na remodelação óssea.
   Segundo KATCH e McARDLE(1990) pessoas adultas necessitam de 800mg de cálcio diariamente. Já OTIS e LUNCH; Apud PINTO E CHIAPETA, 1995 a quantidade de cálcio diária é de 1.200 a 1.500mg para garotas até 20 anos, 1.000mg para mulheres adultas e 1.500mg para mulheres acima de 50 anos que possuem o ciclo menstrual irregular ou abstenção do mesmo e também para grávidas ou em período de amamentação.
   A suplementação de cálcio, ou seja, cuidado e modificação na dieta, a administração de estrogênio e outros medicamentos e a atividade física têm sido o principal regime profilático e terapêutico contra a osteoporose(NIEMAN,1999).
   Há ainda a suplementação com fluoretos. Esta suplementação não demonstra ser benéfica para prevenção ou redução da osteoporose, mas existem estudos que demonstram que pessoas que vivem em áreas enriquecida com fluoreto têm menos osteoporose e menos cáries que a maior parte da população. O papel dos fluoretos na possível prevenção da osteoporose esta sendo investigado.

2.3 Utilização de Estrogênio

   O climatério é definido como a fase transitória na vida da mulher, entre as idades de capacidades reprodutora e não reprodutora, tendo como marco central a amenorréia definitiva, isto é, a menopausa.
   O estrogênio é um hormônio produzido pelos ovários e sua função é controlar o ciclo menstrual, aumentar a deposição de gordura e promover as características sexuais femininas. Acredita-se que o estrogênio aprimora a absorção de cálcio pelo organismo e limita sua retirada do osso. Nesse sentido o decréscimo de estrogênio pode acentuar a perda óssea em mulheres pós-menopausa .
   A taxa de estrogênio é aumentada com o exercício físico. Contudo o estímulo que o exercício proporciona ao osso em mulheres na pós-menopausa pode não ser suficiente para diminuir a taxa acelerada de reabsorção óssea, tornando-se necessário administrar suplementos de estrogênio para mantê-los em níveis adequados ao organismo. Deve-se salientar que efeitos prolongados de terapia estrogênica aumenta o risco de câncer do útero, da mama e de outros órgãos.

2.4 Atividade Física

   Assim como os músculos, os ossos permanecem fortes com a prática de exercícios regulares. A manutenção da massa óssea, ou sua hipertrofia, parece estar relacionada não só com a contração muscular, mas também com a ação da gravidade e com o estresse mecânico a que o osso esta submetido. Reforçando o efeito da ação da gravidade, observou-se notável perda óssea em astronautas que retornaram de missões especiais.    Quando os astronautas passam 10 dias no espaço, livres da ação da gravidade, perdem 75 do conteúdo dos ossos do calcanhar; as pessoas que não correm habitualmente possuem 1/5 a menos de conteúdo mineral do fêmur do que os corredores de longas distâncias. Um período de seis meses na cama pode extraídos ossos cerca de 40%do seu conteúdo mineral.
   Exercícios com sustentação do peso do corpo, como caminhada, jogging e dança, foram os primeiros exercícios de terapia prescritos para reduzir a perda óssea associada a menopausa. Recentes pesquisas sugerem que exercícios de sobrecarga em locais específicos e com impacto promovem um estímulo mais efetivo, ou seja, o exercício não tem somente um efeito sistêmico, mas também um efeito local sobre o osso, visto que o tecido ósseo é sensível as demandas que agem sobre ele e responde prontamente a elas, fazendo com que cada modificação de um osso seja acompanhada por uma alteração específica na arquitetura interna.
   Exercícios com pesos ou aqueles em que o indivíduo tem que suportar o peso corporal são mais eficientes para o estímulo, o efeito piezelétrico no osso, gerando maior atividade osteoblástica e aumentando a formação óssea através do incremento da síntese de proteínas e de DNA (RASO et al.,1997).
   FIATARONE et al. Apud PINTO E CHIAPETA, 1995, evidenciam que o treinamento de força muscular de alta intensidade (80% de uma repetição máxima) realizado 3X/semana, durante o período de um ano, promove o incremento de duas gramas no conteúdo total de mineral ósseo no mesmo intervalo de tempo.
   A prática de ginástica desde a adolescência proporciona uma massa muscular mais forte. Como os músculos estão inseridos nos ossos, estes também são estimulados no seu desenvolvimento. Além disso, é durante a puberdade, mais especificamente dos 9 aos 20 anos, que ocorre a formação da densidade óssea ideal. Essa formação poderá ser decisiva no futuro, causando uma desaceleração da massa óssea inevitável que ocorrerá com o passar da idade.
   É importante lembrar também que entra os 20 e 30 anos acontece o pico de massa óssea. Depois do pico ser atingido o ciclo da remodelagem óssea permanece em equilíbrio até aproximadamente 50 anos. Só a partir dessa idade é que começa a ocorrer a perda gradual da massa óssea por aceleração da atividade osteoclástica.
   Assim as mulheres com a musculatura firme estariam mais protegidas contra a osteoporose.
   Os objetivos básicos da ginástica seria prevenir a rápida perda óssea que acontece em mulheres com níveis inadequados de estrogênios, prevenir taxa de perda óssea nos adultos em terceira idade e nos indivíduos menos ativos e aumentar o nível de densidade óssea em mulheres durante a adolescência, uma vez que a prevenção da doença não deve começar na pré ou pós-menopausa, mas na infância.
(COOPER; Apud PINTO E CHIAPETA, 1995) relatou que o exercício aeróbico tem o seu melhor efeito sobre o sistema cardiovascular e a obesidade, enquanto que os exercícios de resistência muscular aumentam a força e a densidade óssea. Porém MAZZEO at al (1998) diz que o exercício desempenhado regularmente tem efeito positivo, porém pequeno, sobre a densidade óssea em indivíduos idosos, promovendo diminuição no declínio do conteúdo mineral.
   No entanto, existe exercícios que possuem controvérsias entre os estudiosos, como é o caso da natação. A natação é recomendada por OURIQUES e FERNANDES,(1997), no tratamento de osteoporose em indivíduos com estado avançado, com alto grau de fraturas. Sendo a natação uma excelente atividade aeróbica além de boa para manter as articulações em movimento, esta não exerce nenhuma pressão sobre o sistema locomotor não se tornando tão eficaz quanto as outras formas de exercícios para frear os efeitos nocivos da osteoporose por não criar qualquer efeito piezelétrico, segundo ESTORF(1998)
   Segundo OURIQUES e FERNANDES (1997) o efeito piezelétrico é a transformação de energia mecânica em elétrica. A atividade muscular juntamente com a atividade óssea (ligação ósteotendínea) são responsáveis pela energia mecânica. As terminações nervosas existentes nessa região são responsáveis em levar estímulos proporcionados pela atividade física até a medula espinhal ou cérebro. Sendo assim, o estímulo da carga mecânica provocado pela atividade física ocasiona um efeito piezelétrico estimulando os osteoblastos.
   Além de prevenir a osteoporose, a atividade física proporciona outros benefícios como: prevenção de problemas cardiovasculares, combate a obesidade, promoção do bem estar físico, integração social do indivíduo com seu meio e redução do risco de quedas.

3. CONCLUSÃO

   Exercícios aeróbicos e exercícios localizados proporcionam uma diminuição respeitável no processo de osteoporose, ou até mesmo um acréscimo na densidade óssea, tornando a atividade física uma grande aliada na prevenção de doenças mesmo no período da 3º idade.
   Com isso a prevenção e reversão no quadro de osteoporose depende tanto da medicina, quanto da nutrição ou da educação física, uma vez que uma boa alimentação rica em cálcio, níveis adequados de estrogênio e a prática de exercícios promovem a manutenção e até o incremento da massa óssea em mulheres no climatério.
   No entanto é importante ressaltar que a utilização de estrogênio, embora seja benéfica, pode aumentar o risco de câncer de útero, de mama bem como de outros órgãos.
   Logo, a prevenção da osteoporose deve ser um projeto ao longo da vida, no qual se comece estabelecendo hábitos e condutas saudáveis desde a infância.


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