segunda-feira, 29 de junho de 2009

Mecanismo de Trauma: Lesão chicote


Desde Crowe (Crowe, 1928) que usou o termo "Síndrome do Chicote" para descrever um conjunto de lesões na coluna cervical em 1928, clínicos e pesquisadores tentaram definir e classificar essa condição. Recentemente, um estudo promovido pelo Quebec Task Force em desordens associadas a Síndrome do Chicote definiu-a como: "um mecanismo de aceleração-desaceleração de energia transferido ao pescoço…… O impacto pode resultar em lesões ósseas ou de tecido mole (lesão em chicote) que por sua vez pode levar a uma variedade de manifestações clínicas (Desordens Associadas à Sindrome do Chicote (DASC))." (Spitzer, ML, LR & JD, 1995). Em anos recentes houve um aumento enorme no conhecimento científico de lesões de chicote, desde classificação e diagóstico até mecanismos de lesão, biomecânica, consequências neurológicas e psicológicas, modalidades de tratamento, questões econômicas e estratégias de prevenção. É amplamente aceito que a incidência de DASC está aumentando globalmente e que há uma minoria significante de pacientes que permanecem incapacitados. Também é conhecido que a severidade da incapacidade decresce com o tempo ainda que as causas da incapacidade a longo prazo não são totalmente conhecidas e compreendidas.
 
Em quase toda sociedade ocidental o custo a comunidade é enorme. Apenas no Reino Unido o custo estimado anual é de 2.5 bilhões de libras que representa 18% do custo total de todos acidentes automobilísticos e aproximadamente 0.4% do produto interno bruto (Gunzburg & Szpalski, 1998). Tão controversa quanto importante são as lesoes da Síndrome do Chicote para o indivíduo e para a sociedade. Em qualquer literatura que se olhe parece haver uma ampla divergência de opinião sobre a validade das desordens associadas à Síndrome do Chicote. O debate concentra particulamente na questão da "síndrome pós chicote" comumente descrita como sintomas persistindo por mais de 6 meses após a lesão. É de certa forma compreensível que a controvérsia exista quando se considera os interesses dos diversos grupos envolvidos. Por um lado há as seguradoras, advogados de defesa e seus médicos experts acreditando que nao há relação da Síndrome do Chicote e o desenvolvimento de dor cervical crônica. Por outro lado há os advogados do cliente lesado, profissionais da saúde e o próprio indivíduo lesado que apoiam fortemente esse link.
 
Classificação
 
Apesar da controvérsia, há um crescente corpo de conhecimento a respeito dos tipos de lesões sofridos por pacientes acometidos pela Síndrome do Chicote e a Quebec Task Force classificou essas lesões em 4 graus dependendo de sua apresentação clínica. 1. Sem sinais físicos mas queixas de dor, rigidez e hipersensibilidade. 2. Problemas no pescoço com sinais músculoesqueléticos* (*Esses sinais podem ser amplitude de movimento diminuida ou áreas hipersensiveis). 3. Problemas no pescoço e sinais neurológicos, como déficites sensoriais/motores ou anormalidades nos reflexos miotendíneos. 4. Problemas no pescoço com fratura ou deslocamento. Como mencionado anteriormente, muito está sendo feito para suprir a deficiência de procedimentos investigativos de detecção de lesões ocultas. Taylor, analisando resultados de autópsia de pacientes com lesão na coluna cervical após impacto (incluindo chicote), descobriu que o rompimento no anulo externo do disco e o trauma na cápsula das articulações facetárias eram as lesões mais comuns, geralmente não detectadas em exames investigativos, incluindo a Ressonância Magnética (Taylor & Taylor, 1996). Como sabemos, essas estruturas são bem inervadas e se recuperam vagarosamente o que pode levar a sequelas degenerativas. Também, Barnsley e Bogduk demostraram que 54% de seus pacientes com chicote tinham dor provinda das articulações facetárias (Barnsley, 1994). Além de lesões em ligamentos, disco, músculos e cápsula que são sem sombra de dúvida as mais comuns e importantes sob uma perspectiva fisioterápica, tem se demonstrado o envolvimento de muitas outras estruturas, como lesões arteriais, do tecido neural e cerebral e lesões de ATM. Cinemática Devido as dificuldades no estudo de colunas cervicais humanas, os primeiros experimentos sobre os mecanismos de lesão foram principalmente realizados em animais. McNab inflingiu um trauma experimental em macacos anestesiados e encontrou uma predominância de lesões em elementos anteriores (McNab, 1982).
 
Penning foi o primeiro a desenvolver uma teoria de que o principal mecanismo do trauma era uma hiper translação da cabeça, ao contrário da visão convencional de um movimento em hiperextensão. Ele acreditava que isso iria causar uma instabilidade ligamentar crônica da coluna cervical superior e diminuir o input proprioceptivo causando alteracoes crônicas de postura e equilíbrio (Penning, 1994). Stvenson foi o primeiro a descrever o formato em "S" da curva que se forma na coluna cervical na fase inicial do trauma. Entretanto, em seus experimentos, ele enfocou mais nos efeitos do trauma sobre a pressão de fluido no canal vertebral do que em cinemática (Svensson et al, 2000). Panjabi e colegas, em uma série de experimentos usando cadáveres, exploraram ainda mais o fenômeno da curva em "S" e suas implicações (Panjabi, Cholewicki, Nibu, Grauer & Vahdiek, 1998). Eles encontraram duas fases distintas na cinemática das lesões em chicote.
 
A primeira fase é caracterizada pela formação do "S" na coluna cervical, devido a flexão da parte superior e hiperextensão da parte inferior. Isso parece ocorrer no intervalo entre 50-75 ms e se acredita ser a fase mais vulnerável do chicote tendo o maior alongamento dos ligamentos capsulares e alongamento máximo da artéria vertebral. A rotação intervertebral em C6,7 e C7,T1 significantemente excedeu os limites fisiológicos nesse intervalo. Na segunda fase, toda a coluna cervical é extendida e isso ocorre entre 100 a 125 ms. Nenhuma lesão foi observada nessa fase, havendo um grau menor de extensão da parte inferior da coluna cervical. Eles descobriram que a maior parte das lesões ocorrem na parte baixa da coluna cervical devido à hiperextensao que ocorre no primeiro intervalo ainda que tenha sido notado que em traumas com grande desaceleração a taxa de lesões aumentou também na parte superior da coluna cervical. Os autores admitem que a maior limitação de seu estudo é a falta das influências musculares na proteção do pescoço ainda que os mesmos sugerem que a influência muscular seria insignificante já que o tempo de reação dos músculos para desenvolver uma força suficiente para estabilizar o pescoço é de aproximadamente 200 ms e as lesões ocorrem antes de 100 ms. Músculos? São os músculos insignificantes no chicote? É o mecanismo de lesão tão rápido que o sistema normal de proteção do corpo é obsoleto? Realmente leva 200 ms até que o sistema muscular se torne ativo? São os procedimentos investigativos insuficientemente sensíveis para nos dar uma informação confiável sobre a proteção oferecida pelo sistema muscular durante o chicote? Nós sabemos que algumas pesquisas (Ryan, 1993; Sturzenegger, 1995) mostraram que em acidentes automobilísticos, a consciência do que irá acontecer reduz a ocorrência de lesões cervicais e Pope (Gunzburg & Szpalski, 1998) mostrou que um movimento de elevação rápido do ombro antes ou durante uma aceleração repentina pode reduzir a severidade das desordens associadas ao chicote. Portanto, se o sistema muscular influencia os resultados do DASC, então qual é o mecanismo que está sendo utilizado e quão efetivo ele é? Controle Postural Alguns estudos que observaram o que acontece a indivíduos sentados submetidos a acelerações passivas encontraram uma série de eventos. Aparentemente o sistema nervoso central recebe informação sensorial de 3 diferentes modalidades. Em primeiro lugar, um estímulo proprioceptivo pode se iniciar tão cedo quanto 20 ms devido ao alongamento e/ou alivio da tensão da musculatura do tronco, antes mesmo que a cabeça comece a se mover. Então, a medida que a cabeça começa a se mover, estímulos vestibulares são dirigidos ao tronco cerebral e áreas corticais depois de cerca de 10 ms. Em terceiro, cerca de 40 ms após, a informação visual associada ao movimento da cabeça é iniciada. Viebert et al (2001) em seu estudo sobre o controle da cabeça submetida a uma aceleração linear passiva brusca, achou uma variedade de reações posturais (em humanos). Eles mediram a rotação e a translação da cabeça e do corpo durante um trauma tipo chicote e também mediram as respostas eletromiográficas (EMG) de alguns músculos da coluna e pescoço.
 
 O movimento de resposta da cabeça dos indivíduos pode ser graduado entre duas categorias extremas, que eles denominaram "rígida" e "hipermóvel". Eles acharam uma consistência extraordinária nas respostas, medidas no mesmo dia ou em dias diferentes, que dependem se o indivíduo era rígido ou hipermóvel. A implicação disso é que os indivíduos respondem às perturbações posturais de uma maneira altamente esterotipada de acordo com estratégias de controle motor profundamente enraizadas. Os indivíduos rígidos eram mais ou menos capazes de estabilizar suas cabeças em seu corpo durante os movimentos bruscos, enquanto os indivíduos hipermóveis não conseguiam. Na realidade, alguns dos indivíduos hipermóveis exibiram uma contração muscular que exagerou sua extensão cervical o que possivelmente causaria um maior risco de lesão. Os indivíduos hipermóveis tiveram um movimento de cabeça significantemente maior e sinais de EMG mais intensos. Os autores sugeriram que na falta de sinais da EMG na musculatura superficial, os indivíduos rígidos mais provavelmente usaram a contração dos músculos para-espinhais profundos (flexores cervicais profundos) para manter sua cabeça alinhada com seu corpo. Nós iríamos certamente expandir essa teoria sugerindo que os indivíduos rígidos tem um padrão de controle motor mais ideal comparado com os hipermóveis.
 
Curiosamente, os pesquisadores também observaram que quando os indivíduos eram instruídos a visualizar fixadamente um alvo durante os movimentos bruscos, houve uma melhora significante na performance ainda que isso só tenha ocorrido com os hipermóveis. Não houve um efeito significante nos individuos rígidos mas nos hipermóveis o deslocamento da cabeça no corpo foi reduzido para um terço. O estudo de Viebert certamente é estimulante para nós fisioterapeutas, particularmente para aqueles que têm uma obsessão por assuntos relacionados ao controle motor. Entretanto, um trabalho adicional precisa ser realizado nessa área já que o número de indivíduos em seu estudo foi pequeno (24) e poderia ser argumentado que o agrupamento de poucos indivíduos tem validade questionável. Essas respostas estereotipadas, entretanto, podem nos dar algumas dicas sobre porque a severidade das lesões cervicais podem ser bem diferentes em passageiros diferentes no mesmo carro.

Hálux Valgo ou joanete


O Hálux Valgo, popularmente chamado de "joanete", é uma deformidade articular do primeiro dedo do pé, chamado de Hálux. Esta alteração se dá por uma inclinação do dedo no sentido de aproximação com o segundo dedo.

Inicialmente a alteração é discreta, mas os primeiros sinais são dor e vermelhidão na região da articulação entre o metacarpo e a falange do Hálux. Também pode-se observar uma proximidade maior do Hálux com o segundo dedo. Em casos mais graves, o Hálux chega a ficar sobreposto com o segundo dedo, o que gera muita dor e um comprometimento funcional e social.

São consideradas como principais causas o calçado, que pode influenciar negativamente quando o seu formato empurra ainda mais o primeiro dedo (Hálux) em direção ao segundo. O pé plano, conhecido como "pé chato", também pode contribuir para o aparecimento da "joanete".

Ao detectar o aparecimento das primeiras alterações, deve-se procurar um especialista, podendo ser um ortopedista ou fisioterapeuta, para receber orientações e tratamento. Em casos severos, a cirurgia pode ser a única forma de correção. O tratamento conservador é feito a base de fisioterapia e orteses posicionadoras.

É importante observar continuamente as áreas sensíveis no pé e ficar atento a qualquer alteração para, então, procurar auxílio no início da deformidade.

SÍNDROME DO TÚNEL DO TARSO


A Síndrome do Túnel do Tarso é uma neuropatia do nervo do túnel do tarso, cujo sintoma fundamental é a dor na planta do pé.O presente trabalho tem como principal objetivo mostrar além do conceito, a anatomia do nervo tibial, os sinais e sintomas, a etiologia, a epidemiologia, os fatores de risco, os testes e exames, o diagnóstico, o diagnóstico diferencial, as complicações e o tratamento da síndrome do túnel do tarso, como iremos ver no desenvolvimento.

SÍNDROME DO TÚNEL DO TARSO

A Síndrome do Túnel do Tarso é a condição resultante da compressão do nervo tibial posterior pelo ligamento do tornozelo, sendo freqüente história de fratura ou luxação antiga do tornozelo. Por isso seria incoerente falarmos dessa síndrome sem conhecer a anatomia do nervo tibial que é a continuação direta do nervo isquiático. O nervo tibial corre profundamente pela face posterior da perna, logo abaixo do músculo solear, acompanhando a artéria tibial posterior e dirige-se para o calcâneo, depois de contornar o maléolo tibial, dividindo-se em dois ramos:

* Nervo plantar medial;

* Nervo plantar lateral;
As lesões do plexo sacral e nervo isquiático freqüentemente comprometem fibras do nervo tibial. A paralisia tibial isolada e geralmente devido à lesão no ou embaixo do pescoço poplíteo, como por exemplo decorrente de ferimentos por armas de fogo ou brancas, acidentes automobilísticos ou fraturas da perna. A lesão do nervo tibial é menos comum do que a lesão no nervo fibular devido à sua localização mais profunda e curso mais protegido. As lesões que afetam o nervo tibial apresentam características clínicas, como:

* Sinais motores - incapacidade para se obter a flexão plantar, a adução ou inversão do pé, a elevação do pé que freqüentemente resulta em contratura do tibial anterior, incapacidade para se flexionar, abduzir ou aduzir os dedos. A deambulação é difícil, fatigante e dolorosa. O pé pode tornar-se deformado devido à fibrose da articulação tíbio-tarsica, e a ação sem oposição dos flexores dorsais pode produzir "pé em garra". O reflexo aquileu encontra-se ausente.

* Movimentos suplementares - flexão plantar débil pelo fibular longo.

* Distúrbios sensitivos - a sensibilidade é perdida na planta do pé (exceto na borda interna), nas superfícies laterais do calcanhar e nas superfícies plantares dos dedos e falanges distais.

* Lesões atróficas - ocorre atrofia da região posterior da perna e dos músculos do pé. Pode ser mascarada por edema.

* Alterações vasomotoras e tróficas - estas são comuns. O pé torna-se edemaciado, descolorido e frio. São freqüentemente vistas alterações ungueais e hipotricose. Úlceras tróficas podem ocorrer sobre os maléolos, calcanhares e dedos.

* Lesões parciais - podem ocorrer paralisias dissociadas. As lesões da região posterior da perna poupam a inervação dos músculos desta região, de tal maneira que a perda motora acha-se limitada aos músculos do pé. Freqüência de dor.


SINAIS E SINTOMAS

Síndrome do túnel do tarso que caracteriza-se por dor em queimação, formigamento e fraqueza dos dedos dos pés e na região plantar. Sensação de peso nos pés, às vezes perda de sensibilidade. Os sintomas pioram a noite e pela manhã. Rigidez matinal no (s) pé (s). Dificuldade em andar.

ETIOLOGIA

A compressão do nervo tibial posterior e o retináculo flexor, entre as causas que se encontram:
* Linfomas, gânglios, neoplasias dentro do túnel do tarso;
* Músculo flexor comum dos dedos;
* Exocitose dentro do túnel;
* Deformidade em valgo do retropé. Se há histórico de tensão do nervo tibial aumentada com a inversão e a dorsoflexão do pé;
* Gravidez;
* Trauma direto e até mesmo calçados apertados.

EPIDEMIOLOGIA


A presença de problemas do pé tem uma proporção geral de 10%, e em idosos esta varia de 53 à 95%. A face plantar proximal é o local mais freqüente de dor no pé, clinicamente falando, é mais comum em mulheres do que em homens. A metatarsalgia é o problema mais comum que causa dor no pé.

A síndrome do túnel do tarso é relativamente pouco freqüente dentro das causas de dor no pé. É observado principalmente nas mulheres entre 45 e 50 anos.


FATORES DE RISCO


Trabalho excessivo, trauma, exercício repetitivo, fratura ou presença de outra doença reumática primária (artrite reumatóide, por exemplo). Cistos, tumores, tenossinovites, varizes, deformações congênitas, gota, Diabetes Mellitus e obesidade.


EXAMES


Exame clínico de palpação, percussão e dobramento do pé, eletroneuromiografia, ressonância magnética, radiografias, exames de sangue básicos de reumatologia.

- Testes:

* Sinal de Tinel do pé: percutir a área em cima do nervo tibial posterior com um martelo de reflexos neurológico. Parestesias irradiando-se para o pé são indicadores de uma irritação do nervo tibial posterior que pode ser causada por uma constrição do túnel do tarso.

* Teste do Torniquete: enrolar um manguito de esfigmomanômetro em torno do tornozelo afetado e inflá-lo até imediatamente acima da pressão arterial sistólica do paciente. Manter por 1 a 2 minutos. A compressão da região pelo manguito acentua o estreitamento do túnel, aumentando, assim, a dor do paciente. Se for provocada dor ou se a dor existente for exacerbada, então haverá suspeita de um comprometimento do túnel társico.

* Teste da dorsiflexão-eversão: reproduzir a compressão do nervo tibial pelo retináculo flexos que se localiza atrás do maléolo tibial. Reproduz a sintomatologia da Síndrome do túnel do tarso.

* Pulso vascular: verificar o comportamento das pulsações do pé patológico e comparar com o sadio.
DIAGNÓSTICO 

Os antecedentes e a clínica conformam a entidade sindromática. Que poderia ajudar no diagnóstico da eletromiografia (EMG) e na velocidade da condução nervosa (VCN) quando o examinador tem experiência com esta patologia.

Na EMG se observam fibrilações no adutor do hálux, 81% das respostas de síndrome do túnel do tarso com a EMG são positivos. 

As modalidades mais corretas de diagnóstico da síndrome do túnel do tarso sugerem um exame atroscópico do seio do tarso e EMG dos músculos peroniais os quais mostram mudanças características. Borrelli e Arenson (1987) afirmaram que essa anormalidade ocorria em 75% dos ciclos de passos durante a caminhada. Bernstein, Bartolomei e McCarthy (1985) por outro lado, mostraram que um EMG anormal do músculo peronial desaparecia após uma anestesia local do seio do tarso e reaparecia após a metabolização do anestésico. Estes exames apenas usados para exame pré-operatório.

A injeção de anestésico local no seio társico é o diagnóstico mais comum na clínica. Se a dor e a sensação de instabilidade forem aliviadas após uma anestesia local é um sinal característico de síndrome do túnel do tarso. No entanto, radiografias do seio do tarso não mostram nenhuns sinais significativos de patologia. (Giorgini e Bernard, 1990)

Liboratore e Lemont (1987) sugeriram que a palpação direta não era correta porque o ligamento astragalo-peronial anterior seria comprimido simultaneamente devido à sua proximidade. Ainda foi sugerida a utilização da ponta não aguçada de um lápis para localização da dor, mas devido à sua característica de ser macio ao toque a palpação bilateral deveria ser utilizada para obter melhores resultados.

Na VCN se observa latência motora distal, latências terminais nos músculos adutores dos quinto dedo (nervo plantar lateral) maiores a 7ms são anormais, latência terminal do adutor do hálux (inervado pelo nervo plantar médio) maiores de 6,2ms se consideram anormais.

Eventualmente, a ressonância nuclear magnética seria usada para identificar gânglios ou massa extrínsecas e o sítio específico da compressão.

Em um estudo e viu que 32 pés submetidos à descompressão do túnel do tarso, só 2 teriam estudo do eletrodiagnóstico e 18 eram positivos para compressão no túnel do tarso. Portanto em 31 meses de seguimento, não se encontrou correlação entre a clínica e os resultados destes estudos. Isto sugere que é na clínica que deve predominar o momento de tomar a decisão terapêutica.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

- Causas de Tarsalgias

* Fascite plantar: sensibilidade aumentada na origem da fascia plantar (tubérculo medial do calcâneo);

* Apofisites do calcâneo;

* Síndrome de tarsalgia idiopática;

* Síndromes sistêmicas: metabólicas (Gota e Pseudogota), Diabetes Mellitus, Síndrome de Paget, Artrite inflamatória (Artrite Reumatóide, Síndrome de Reiter, Espondilite Anquilosante, Artrite Psoriásica, etc.);

* Neoplasias benignas e malignas; 

* Traumáticas: em tecido adiposo plantar (os sintomas duram por 6 meses), fraturas por stress, fraturas agudas, contusões de tecidos moles, trauma repetitivo, feridas abertas;

* Pouca quantidade de tecido adiposo plantar: a disposição no talo tem uma anatomia especializada com pequenas camadas de tecido adiposo dividido por septos fibrosos;

* Compressão do nervo plantar lateral: os ramos motores inervam o músculo adutor do quinto dedo (e possivelmente o quadrado lombar plantar e flexor curto dos dedos) e os ramos sensitivos as regiões profundas. O nervo corre profundamente através da fascia profunda do adutor do hálux e dali vai lateral e transversalmente desde a superfície até o quadrado ( e profundamente com respectivo flexor curto dos dedos) em seu trajeto para inervar o adutor do quinto dedo. O nervo se comprimirá na borda superior da fascia do adutor do hálux e na borda mais medial da fascia plantar. As demais poderia comprimir a borda medial do quadrado. A compressão ocorre na direção vertical e horizontal aproximadamente na face medial plantar do talo. A tuberosidade do calcâneo fica justo na planta do nervo e poderia contribuir para sua compressão ou irritação. Pensa-se que os pacientes com pés planos possuem uma maior possibilidade de apresentar esta compressão;

* Compressão do ramo calcâneo: os ramos nervosos que inervam a porção medial do talo passam medialmente (superficial) com relação o músculo adutor do hálux e usualmente não estão envolvidos com a compressão do nervo plantar lateral. Alguns autores sugerem que o valgo do pé pré-dispõe os trotadores à compressão do ramo. Latências terminais do adutor do hálux (o crural é inervado pelo nervo plantar medial) maior 6,2ms é normal;

* Hérnia de disco;

* Neuropatia periférica: podem ser de agudas (Síndrome de Guillian Barre) à crônicas (Porfiria Aguda Intermitente, Charcot Marie Tooth), deficiência de vitaminas, carcinomas, enfermidades de células plasmáticas, entre outros. 

COMPLICAÇÕES


Poderia produzir uma compressão iatrogênica ao realizar liberação do túnel do tarso com o pé plano concomitante, o que provocaria uma tensão do nervo tibial posterior, explicando assim o mau resultado cirúrgico. Se reportando para estes casos a realização de uma prótese no calcâneo que reduzirá a tensão do nervo. Outras complicações que não diferem de qualquer outra cirurgia, compreendem em infecções e retardo na cura das incisões operatórias.

TRATAMENTO


O tratamento pode ser feito de 4 formas: 

1. Clínico: antiinflamatórios, corticóides na crise e infiltrações.

2. Ortopédico: suporte de tornozelo externo para manter o pé em uma posição correta. Usa-se para evitar que as forças continuem comprimindo o nervo.

3. Cirúrgico: a descompressão está indicada para aqueles casos confirmados com lesões que ocupam espaço. 

4. Fisioterápico: o tratamento fisioterápico será utilizado para diminuir o edema ou não deixar que ele ocorra. 

- Pré-cinético: TENS, Ultra-som, laser, criomassagem, ou seja, as modalidades analgésicas e anti-inflamatórias, exceto calor profundo;

- Cinético: A princípio, alongamento completo, mobilização acessória, exercícios passivos; Quando houver melhora da dor, deve-se continuar com o alongamento e com a mobilização, acrescentando exercícios ativos e propriocepção para fortalecimento dos músculos e estabilização da articulação. O tratamento deve ser feito tanto no pós-cirúrgico, quanto nos casos em que o paciente não faça a cirurgia.


CONCLUSÃO 


Ao término do presente trabalho conclui-se que esta síndrome é a condição resultante da compressão do nervo tibial posterior pelo ligamento do tornozelo, sendo freqüente história de fratura ou luxação antiga do tornozelo, caracterizando-se por dor e formigamento nos dedos dos pés e na região plantar, principalmente à noite, sendo mais comum em mulheres entre 45 e 50 anos.Pode ser confirmada através de testes e exames complementares.Uma das complicações é o risco de infecções e seu tratamento é feito de uma forma multidisciplinar (clínico, ortopédico, cirúrgico e/ou fisioterápico) como vimos no desenvolvimento

sábado, 27 de junho de 2009

Lesões cronicas da mão na Dort / Ler


Avaliação das lesões crônicas da mão:
História:
Começamos colhendo informações referentes ao paciente como: nome, idade, sexo, endereço, profissão, hábitos de laser e mão dominante. A seguir perguntamos sobre a natureza da lesão, o agente causador, quais foram as possíveis causas, o momento exato. A natureza e a extensão da lesão inicial devem ser esclarecidas com precisão, tais como lesões antigas no membro superior.
Exame físico:
O exame físico é dirigido para a pesquisa da queixa principal, mas todo o membro superior deve ser examinado e comparado com o lado normal. Edemas localizados, condições da pele, deformidades nos dedos, alterações de coloração, hipotrofias musculares podem ser percebidas na inspeção e podem indicar o diagnóstico da causa ou origem da lesão.
No exame da movimentação ativa pesquisamos rigidez articular e instabilidades a movimentação ativa, o estado dos músculos tendões e nervos. O teste de sensibilidade pode ser realizado através da pesquisa da sensibilidade táctil e de dois pontos.

Testes Especiais:
1 - Teste de Phalen - Ambos os punhos em flexão provocam a precipitação dos sintomas de formigamento, hipoestesia ou hiperestesia no território inervado pelo nervo mediano. Isto ocorre porque esta posição diminui o continente do túnel e precipita os sintomas da Síndrome do túnel do carpo.
2 - Sinal de Tinel - A percursão do nervo mediano ao nível do canal do carpo ou imediatamente proximal a ele pode provocar choques ou hiperestesia no território inervado pelo nervo mediano na Síndrome do túnel do carpo.
3 - Sensibilidade discriminativa de dois pontos estáticos (Weber) - este teste de sensibilidade entre dois pontos mede a densidade de inervação cutânea quanto ao número de fibras de adaptação lenta e sistema de receptores. É bastante útil para estabelecer o grau de comprometimento de um nervo periférico sensitivo.
4 - Sensibilidade entre dois pontos móveis - mede a densidade de inervação de fibras de adaptação rápida e sistema de receptores.
5 - Teste motor - Procurar determinar a existência de paresias comparando sempre com o lado contralateral, dando importância ao lado dominante do paciente e ao biotipo do paciente.

Patologias encontradas com mais frequência nos mecanismos por esforços repetitivos.

1- Síndrome do túnel do carpo:
O que é túnel do carpo?
É o canal formado anatomicamente pelos ossos localizados na região do carpo (punho) e por um ligamento forte na região do carpo.
As paredes laterais e o assoalho são constituidas pelos ossos do carpo e o teto pelo lig. transverso do carpo. O túnel do carpo contém tendões que flexionam os dedos e o polegar e o nervo mediano que proporciona sensibilidade ao polegar, indicador e metade radial do anular.
Quais são as causas?
É causada por uma compressão do nervo mediano no canal do carpo e pode ser causada por vários problemas. Um aumento do volume do conteúdo do canal do carpo ou uma diminuição no continente criam situações de compressão do nervo mediano contra o ligamento transverso do carpo.

Algumas causas de compressão do nervo mediano no canal do carpo:

A) Inflamação ou edema nos tendões e bainhas tendinosas no canal do carpo;
B) Retenção de líquido;
C) Lesões por esmagamento;
D) Edema na mão e antebraço;
E) Alargamento do nervo mediano;
F) Condições sistêmicas (gravidez, anticoncepcional):
G) Fraturas e luxação ao nível do punho:
H) Artrite reumatóide;
I) alargamento do nervo mediano.

 

Sinais e sintomas: Manifestações mais comuns são: formigamento, adormecimento e queimação do polegar, dedo indicador, médio e metade do anular. Ocorrem mais comumente à noite e nas primeiras horas da manhã. A dor pode irradiar para cotovelo, ombro e região cervical.
A diminuição da sensibilidade da mão pode causar fraqueza e perda da capacidade funcional da mão. Os pacientes geralmente referem que deixam cair objetos e que não conseguem sentir suas temperaturas, a mão pode ficar fria e seca.
Pode haver atrofia da região tenar, e quando comparado uma mão com a outra há um achatamento desta região.

Condições mais propensas a desenvolver a doença:

A síndrome do túnel do carpo pode estar relacionada com a idade, o sexo, a ocupação, a fatores hereditários e a condições médicas. Trabalhos que requerem o uso da palma da mão com pressões e esforços repetidos ao nível do punho podem aumentar a possibilidade de desenvolvimento de uma síndrome do túnel do carpo.

Diagnóstico:
Teste de Tinel - Percussão da área do nervo mediano e obtenção de choque irradiado para o nervo mediano.
Teste de Phalen - Flexão passiva do punho por um período de um minuto e será positivo se o paciente referir dor, choque ou adormecimento na área inervada pelo mediano.
Teste de sensibilidade discriminativa de dois pontos revelará perda da função sensitiva na região inervada pelo N. Mediano.
Tratamento conservador
Os pacientes com poucos sintomas devem iniciara o tratamento conservador. O tratamento conservador é realizado pelo uso de órtese para alívio dos sintomas e fisioterapia. O tempo que o paciente deverá usar a órtese varia de paciente para paciente e é de acordo com a preferência do médico.

Tratamento cirúrgico:
É realizado quando os pacientes não apresentam melhora com o tratamento conservador. A cirurgia é realizada com anestesia local e é realizado uma incisão no ligamento transverso do carpo, que aliviará a compressão do nervo mediano.

2 - Síndrome do túnel cubital:
O que é túnel cubital?
É um canal localizado ao nível do cotovelo por onde passa o nervo ulnar, cujos limites são: epicôndilo medial anteriormente, lig. ulno-umeral lateralmente e póstero-medialmente as duas cabeças do flexor ulnar do carpo. O teto do túnel é formado por uma banda fibrosa que se estende do olécrano ao epicôndilo medial.
Quais as causas?
Algumas doenças podem predispor esta neuropatia compressiva, são: diabetes, insuficiência renal, desnutrição, alcoolismo crônico, hemofilia, lepra, mieloma múltiplo, acromegalia e outras.
Podem ser também por condições patológicas, traumáticas ou anatômicas.
Quadro clínico:
Paciente refere dor no cotovelo, parestesias, hipoestesia no território do N. Ulnar e paresia dos músculos inervados pelo N. Ulnar.
Tratamento
O tratamento conservador sempre deve ser realizado e inclui o repouso do cotovelo, medicação anti-inflamatória, uso de órtese e fisioterapia.
Quando o paciente não evolui bem há indicação de procedimento cirúrgico - neurólise do nervo ulnar ao nível do cotovelo, com ou sem epicondilectomia, Transposição superficial.

3 - Síndrome do canal de Guyon:
É a compressão do nervo ulnar ao nível do punho no canal descrito por Guyon.
Limites

- medial: psiforme e origem tendinosa do abdutor do dedo mínimo;
- lateral: hâmulo do hamato e expansão da fáscia do palmar longo;
- teto: ligamento carpal volar (piso-hamático);
- assoalho: pelos ossos do carpo.

Etiologia:
Uma das causas mais comuns é a compressão do N. Ulnar no canal de Guyon por um cisto sinovial. Outras causas são alterações da artéria ulnar que passa junto ao n. Ulnar e fraturas dos ossos do carpo.
Quadro clínico:
Dor ao nível do bordo medial do punho e alterações de sensibilidade no dedo mínimo e metade medial do dedo anular. Pode haver paresia progressiva dos músculos intrínsecos da mão inervados pelo nervo ulnar.
Tratamento:
Quando se detecta uma causa física da compressão há indicação cirúrgica para descompressão do nervo ulnar. Nas alterações anatômicas pode-se tentar tratamento conservador com repouso, uso de órtese, medicação anti-inflamatória, medicação anti-inflamatória e fisioterapia. Na persistência dos sintomas deve-se indicar cirurgia para promover descompressão do nervo.

Tenosinovite estenosante DeQuervain
Anatomia:
Na região dorsal do punho estão os tendões estensores dos dedos, polegar e do punho. Estes tendões passam por 6 túneis que formam o retináculo dos estensores ou ligamento carpal dorsal.
O primeiro compartimento dorsal é o mais lateral de todos e nele passam os tendões abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar. Estes tendões têm função de afastar o polegar da mão e movimentar o punho.
O que é tenosinovite DeQuervain?
A moléstia de DeQuervain é um processo inflamatório agudo dos tendões do 1°compartimento dorsal do punho. O tecido sinovial que envolve o 1° compartimento dorsal sofre um processo de espessamento e edema diminuindo o continente deste túnel. Os tendões podem inchar ao redor desta constrição e so0frer aderências.
O que causa a tenosinovite DeQuervain?
Essa inflamação pode ocorrer por qualquer condição que cause alteração anatômica do primeiro compartimento ou edema e espessamento dos tendões e bainhas. Traumas repetidos, esforços repetidos, reumatismo pode precipitar a doença, mas em muitos casos não há uma causa bem definida.
Quem desenvolve a doença?
Ocorre mais freqüentemente entre os 30 e 50 anos, as mulheres são mais acometidas numa razão de 8/1. As pessoas que desenvolvem tarefas com movimentos repetidos de lateralização do punho com preensão utilizando o polegar são mais predispostas a desenvolver esta patologia.
Sinais e sintomas:
O sintoma principal é dor na base do polegar. Pode haver irradiação da dor para o polegar e antebraço. A dor normalmente piora com o esforço físico da mão. Pode haver e crepitação na região lateral do punho.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através da dor no lado radial do punho associado a certo grau de edema. O sinal de Finkelstein é positivo: neste teste a manobra de desvio ulnar do punho com mão fechada é extremamente dolorosa nos pacientes portadores da doença.

Tratamento conservador:
Normalmente inicia-se o tratamento com medicação anti-inflamatória e uso de imobilizador (gesso ou órtese) A infiltração com corticóide pode ser utilizada também para melhorar o processo anti-inflamatório, bem como a fisioterapia.
Tratamento cirúrgico:
Se os sintomas persistirem apesar do tratamento conservador a cirurgia estará indicada. Realiza-se uma incisão transversa sob o primeiro compartimento dorsal, seccionamos o ligamento dorsal do carpo e expõem-se os tendões abdutor longo do polegar e extensor curto do polegar que são testados qto a mobilidade e aderências, a ferida é então fechada.
Pós-operatório:
O paciente é mantido com curativo e orientado a movimentar o polegar dentro do limite da sua dor. A recidiva é rara.

Marcelo Zeltzer

Fisioterapeuta - Petrópolis/RJ

terça-feira, 23 de junho de 2009

Livros de fisioterapia


Existem vários sites especializados em livros que tem excelentes opções para livros de fisioterapia.
 
 
 
 
 
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Método Kabat em Fisioterapia


As técnicas de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva confiam principalmente na estimulação dos proprioceptores para aumentar a demanda feita ao mecanismo neuromuscular, para obter e simplificar suas respostas. O tratamento através destas técnicas é muito compreensível e envolve a aplicação dos princípios de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva em todos os aspectos e em todas as fases de reabilitação. Foi desenvolvido pelo Dr. Herman Kabat, M.D., Pd., e pela Srta. Margareth Knott., B.S. no Instituto Kabat-Kaiser, entre 1946 e 1951, e a filosofia de tratamento e das técnicas usadas são descritas num livro intitulado "Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: Modelos e Técnicas", de Margareth Knoff, B.S., e Dorothy E. Voss, B. Ed.

 

O Dr. Kabat fez conferencias sobre este assunto no Primeiro Congresso Mundial de Fisioterapia em 1953, e a Srta. Knoff demonstrou seus métodos tanto naquela época quanto em 1959, em conexão com um curso no Hospital Londrino. A Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva despertou grande interesse neste país, e muitos terapeutas da Grã-Bretanha visitaram o Centro de Reabilitação da Califórnia, em Vallejo, E.U.A., onde a Srta. Knott era a Fisioterapeuta Chefe, e aprenderam as técnicas e alguma coisa dos métodos de tratamento.

 

Estas Técnicas e o método de tratamento em que são usadas visam a obter a máxima quantidade de atividade que pode ser conseguida em cada esforço voluntário e o maior número possível de repetições desta atividade para facilitar a resposta. A fisioterapeuta precisa de perícia na execução das técnicas e um total entendimento do método de tratamento para obter os melhores resultados do paciente.

 

As técnicas são adequadas ao tratamento de muitos casos e fornecem um meio efetivo de obter e acelerar a reabilitação do paciente. Algumas são aqui descritas brevemente, para servirem como lembrete para os que já tiveram algum ensino prático, e também para dar aos outros uma base para o entendimento quando forem vistas.

ANOTAÇÕES SOBRE AS TÉCNICAS 

DE FACILITAÇÃO NEUROMUSCULAR PROPRIOCEPTIVA

 

O tratamento por meio destas técnicas visa somar os efeitos da facilitação para aumentar a reposta do mecanismo Neuromuscular. A estimulação proprioceptiva é o principal meio empregado para aumentar as demandas feitas pelo esforço voluntário; o inicio de algumas reações reflexas e princípios fisiológicos ligados á interação de músculos antagonistas também são usados em algumas técnicas. A resistência e o estiramento são aplicados manualmente aos músculos que trabalham para executar padrões de movimento de massa, e ordens dinâmicas dão estímulo verbal ao esforço voluntário do paciente.

 

Considera-se que a resistência máxima seja o meio mais importante de estimular os proprioceptores, e as técnicas ligadas com sua aplicação a padrões de movimento de massa são básicas. As técnicas de ênfase têm como objetivo corrigir desequilíbrios.

Técnicas Básicas:

 

1) Padrões de Facilitação

Os padrões de movimento de massa são usados como a base sobre a qual todas as técnicas da facilitação Neuromuscular Proprioceptiva são superimpostas, porque o movimento de massa é característico de toda atividade motora. Os padrões de movimento usados são espiral e diagonal e são intimamente aliados aos de movimento funcional normal; podem ser observados no uso diário, ex.: ao levar a mão à boca, e no trabalho ou esportes, ex.: cortando lenha ou chutando uma bola. Existem dois caminhos de movimento para cada parte principal do corpo, i.e., Cabeça - Pescoço, Partes superior e inferior do tronco, Braço, Perna e dois padrões antagonistas.

 

2) Contatos Manuais

A pressão do contato manual da fisioterapia com o paciente fornece um meio satisfatório de aplicar a resistência máxima ao movimento em padrões de facilitação.

 

3) O Estímulo do Estiramento e o Reflexio de Estiramento

Os proprioceptores situados nos músculos (fusos) são estimulados pelo estiramento, que aumenta a tensão intramuscular. A estimulação do fuso muscular provoca uma contração reflexa do músculo, desde que o estimulo de valor inicial e o arco reflexo esteja intacto. O bombardeio de C.C.As., dormentes por impulsos iniciados dos fusos aumenta a excitação central e facilita a estimulação dessas células.

 

4) Tração e Aproximação

A tração e aproximação (compressão) podem ser efetivos no estímulo de impulsos proprioceptivos que surgem das estruturas articulares.

 

5) Ordens ao Paciente

A voz da fisioterapeuta é usada como estimulo verbal para exigir o esforço voluntário do paciente. Instruções breves, simples, precisas e bem sincronizadas, adequadas a sua idade, temperamento e capacidade de cooperação, exigem a atenção e o esforço do paciente na hora certa e indicam o tipo de ração exigida dele, até mesmo se ele não entender o idioma. A exatidão no comando é essencial:
 

Segure! ............................. para contração isométrica

Puxe ou empurre! ............. para contração isotônica

Relaxe! .............................. para relaxamento

 

A fisioterapeuta precisa assegurar-se de que suas ordens são desempenhadas com o máximo de habilidade do paciente.

6) Distribuição Normal

A distribuição normal nos padrões de facilitação é de distal para proximal, e desde que a rotação inicie o movimento, ele procede nesta direção no sujeito normal. O movimento progride suavemente como um todo, de modo que, se cada articulação estiver harmonizada com o movimento de outras articulações, ele se completa primeiro nas distais, depois intermediárias e finalmente nas articulações proximais. Quando o movimento é completado em cada articulação, os músculos que o produziram (por sua contração isotônica) continuam a se contrair isometricamente até que o movimento como um todo seja completado.

 

Quando a distribuição normal não pode ser conseguida, a distribuição para ênfase é usada como meio de corrigir desequilíbrios. A distribuição normal pode ser quebrada pela aplicação de resistência excessiva a um componente especifico do movimento com o resultado de que sua eficiência é diminuída, ex.: resistência excessiva aplicada ao pé nos movimentos da perna.

 

7) Resistência Máxima

A resistência máxima é definida como a maior quantidade ou grau de resistência que pode ser aplicada à contração muscular. A resistência máxima a uma contração isométrica é a quantidade máxima de resistência que pode ser aplicada sem quebrar o apoio. A resistência máxima a uma contraçao isotônica é a quantidade máxima de resistência contra a qual o paciente pode executar um movimento coordenado suave através da amplitude total.

 

8) Reforço

Incontáveis combinações de movimentos sâo requeridos e utilizados na vida diária e quando um grande esforço é exigido, um movimento de uma parte do corpo é associado e reforçado pelos esforços de outras partes. Isto pode ser observado no trabalho pesado e em atividades esportivas, quando sao exigidos força e concentração.

 

Os componentes musculares de um padrão de movimento reforçam-se uns nos outros, automaticamente, de acordo com as demandas da resistência e quando está máximo, o reforço estende-se além dos componentes musculares do padrão a outros segmentos do corpo, ex.: do braço para o tronco ou de uma perna para a outra.

 

A estimulação proprioceptiva que resulta da tensão nos músculos fortemente contraídos leva a uma superabundância de excitação no sistema nervoso central pelo processo de irradiação, cujo propósito é obter a cooperação de músculos aliados, os quais, ao se contraírem como sinergistas, aumentam a eficiência do movimento.

Técnicas de Ênfase:

 

As técnicas de ênfase usam os meios de facilitação para corrigir os desequilíbrios musculares e restaurar a capacidade de executar movimentos coordenados eficientes.

1) Contrações Repetidas

A repetição da atividade contra a resistência é essencial para o desenvolvimento da força e tolerância musculares. A contração de determinados músculos fracos ou componentes mais fracos de um padrão é repetida nesta técnica, enquanto eles estão sendo reforçados pela contração isotônica ou isométrica máxima de músculos aliados mais fortes.

 

2) Reversões Lentas

Esta técnica é baseada no princípio de Sherrington de indução sucessiva, isto é, imediatamente após o reflexo flexor ser elicitado a excitabilidade do reflexo extensor é aumentada. Este principio é aplicável ao movimento voluntário e à interação de grupos antagonistas na execução de movimentos. A contração de músculos antagonistas ou padrões fortes é usada como fonte de estimulação proprioceptiva para músculos ou padrões antagonistas mais fracos.

 

3) Estabilização Rítmica

A contração isométrica de músculos antagonistas é usada nesta técnica de estabilização das articulações. A estabilidade é mantida contra a resistência pela contração de músculos antagonistas.

 

4) Contração Isométrica

Esta é uma técnica de relaxamento cujo objetivo é obter reação de alongamento de músculos, cuja ação é antagonística ao movimento limitado na amplitude. É eficiente, simples e indolor.

 

5) Iniciação Rítmica

Esta é uma técnica de relaxamento de aplicação específica para a rigidez da Doença Parkinson.

A Fisioterapia e a síndrome de Down


por APSDOWN

A avaliação inicial da criança com Síndrome de Down deve ser holística, sendo importante estar alerta aos problemas associados à síndrome, tais como hipotonia, redução da força muscular, hipermobilidade articular, pés planos, escoliose, alterações respiratórias, instabilidade atlânto-axial, doença cardíaca congênita, deficiências visual e auditiva, presença de doenças convulsivas. Com esses dados, o fisioterapeuta é capaz de analisar as necessidades de cada criança e de sua família, planejando orientações e intervenções apropriadas para cada situação.

O principal objetivo da fisioterapia é criar condições para explorar o potencial motor da criança, direcionando-a nas sucessivas etapas do desenvolvimento motor e auxiliá-la na aquisição de padrões essenciais e fundamentais do desenvolvimento, preparando-a para uma atividade motora subseqüente mais complexa. Os objetivos específicos são determinados de acordo com a faixa etária ou fase do desenvolvimento. Para alcançar esses objetivos são utilizados métodos que propiciarão maior independência, autoconfiança e ampliação da relação com o meio ambiente.

O objetivo da fisioterapia não é tentar igualar o desenvolvimento neuropsicomotor da criança com síndrome de Down ao de uma criança comum nem exigir da criança além do que ela é capaz, mas auxiliá-la a alcançar as etapas desse desenvolvimento da forma mais adequada possível, buscando a funcionalidade na realização das atividades diárias e na resolução de problemas.

A estimulação bem estruturada pode promover o desenvolvimento da criança, minimizando suas dificuldades e evidenciando a possibilidade de melhores respostas à experiência e adaptação a condições mutantes e a estímulos repetidos. A estimulação adequada torna consciente pra a criança os gestos da vida diária.

Os primeiros meses de vida são fundamentais para a estruturação de nossas potencialidades: as primeiras expressões do bebê são essencialmente motoras grande variedade de pequenos movimentos que fazem parte de um sistema complexo e organizado que irá influenciar no seu bem-estar, presente e futuro. Os primeiros movimentos são reflexos, porém, durante o seu desenvolvimento, a criança os refinará e os tornará mais precisos, reunindo todas as sensações motoras para chegar a gestos globais, tais como erguer a cabeça, sentar-se e ficar em pé.

A criança necessita de pré-requisitos para conseguir passar adequadamente para etapa seguinte do desenvolvimento neuropsicomotor, não se deve tentar pular fases para adiantar o processo, até mesmo porque a criança terá apenas prejuízos. De que adianta andar precocemente se ela é incapaz de se equilibrar ou manipular objetos de forma ordenada? A criança necessita de segurança e controle motor para avançar em seu desenvolvimento.

É importante ressaltar que cada criança tem seu próprio ritmo de desenvolvimento, que deve ser percebido e respeitado. A deficiência não determina como será o desenvolvimento de ninguém. Cada síndrome tem suas próprias características e cada criança as apresentará de forma diferente. O que importa é respeitar a individualidade da criança e determinar a linha de tratamento a partir disso.

O Conceito Neuroevolutivo Bobath é um dos mais adequados ao tratamento das crianças com Síndrome de Down por estar de acordo com os objetivos do trabalho realizado com bebês. O trabalho de correção postural é realizado com crianças e adolescentes através de métodos ortopédicos e de reeducação postural global, como Iso-stretching e RPG.

Sindrome de Brown-Sequard


Definição:

A Sindrome de Brown-Sequard é uma lesão medular incompleta caracterizada por um quadro clínico que reflete a hemi seção da medula. É frequentemente encontrada em lesões da região cervical. A sindrome pura de Brown-Sequard pura não é muito frequente. É mais comum encontrarmos um quadro onde estão presentes fragmentos da sindrome ou sinais clínicos de uma hemi seção da medula associado a outros sinais e sintomas.

CLÍNICA/História:

A sindrome de Brown-Sequard pode decorrer de uma lesão penetrante na medula mas, outras doenças também tem sido descritas como causadoras da sindrome. A hemi seção completa causando a manifestação clássica e pura da sindrome de Brown-Sequard é muito rara. O que acontece, mais frequentemente, é uma hemi seção incompleta causando parte da sindrome de Brown-Sequard associada a mais outros sinais e sintomas.

Exame Físico: A sindrome de Brown-Sequard pura é caracterizada por:

-Interrupção do trato corticospinhal lateral
-Paralisia espástica do mesmo lado e abaixo do nível da lesão
-Sinal da Babinski do mesmo lado da lesão
-Reflexos anormais e sinal de Babinski podem não estar presentes na fase aguda da lesão
-Interrupção da coluna branca posterior
-Perca do mesmo lado da lesão da percepção tátil, vibratória e da posição de sentido abaixo do nível da lesão
-Interrupção do trato spinotalâmico lateral
-Perca do lado contrário da lesão da sensação da dor e da temperatura, que normalmente ocorre 2-3 segmentos abaixo do nível da lesão
-A sindrome parcial de Brown-Sequard é caracterizada por:
-Perca da sensibilidade assimétrica com diminuição mais acentuada da perca da sensibilidade para dor, do lado menos parético


Causas:

-Tumores medular, primitivos ou metastáticos
-Trauma, penetrante ou cego
-Doenças degenerativas como hérnias de disco ou espodilose cervical
-Isquemia
-Causas infecciosas/inflamatórias como meningite, empiema, herpes zoster, herpes simples, mielites, tuberculose, sífilis e esclerose múltipla
-Hemorragia inclusive a subdural/epidural and hematomielia


DIAGNÓSTICO TÉCNICO

Laboratório Clínico:

O diagnóstico da sindrome de Brown-Sequard é clínico, baseado apenas na história e exame físico do paciente. O laboratório clínico não é necessário para avaliar a condição inicial mas pode ser útil para ajudar a acompanhar o curso da evolução clínica do paciente. O estudo laboratorial também pode ser útil para identificar a etiologia da sindrome, quando ela não for traumática; de outro modo, os estudos laboratoriais não contribuem para o diagnóstico.
Estudo de Imagens:


Raio X simples:
Mostram lesões ósseas e se o trauma é penetrantes ou cego. Ao lado das lesões cegas podem ocorrer fraturas em regiões vizinhas que podem causar a sindrome de Brown-Sequard.

MRI:
Define a extensão de uma lesão medular sendo útil para fazer diagnóstico diferencial entre as etiologias não traumáticas que levam a sindrome.

Mielograma:
Pode ser útil quando o MRI está contra indicado.

Procedimentos:


Patientes com sindrome de Brown-Sequard traumática ser avaliados para a possibilidade de apresentarem outras lesões, como qualquer vítima de trauma. Estes procedimentos incluem:
Cateterização da bexiga devido aos diferentes graus de disfunção que o paciente pode apresentar nesta área.
Imobilização imediata.
Sondagem Nasogástrica:
A sondagem com subsequente drenagem do conteído gástrico previne a aspiração. Nesta fase aguda, estes pacientes estão mais suscetívies a desenvolver um íleo paralítico.

Imobilização da coluna cervical:
Por razões óbvias, a imobilização da coluna cervical ou da coluna dorsal é requerida no caso de haver suspeita de instabilidade da coluna. Isto pode requerer o uso do colar cervical para imobilização ou a colocação do aro de Gardner, se a fratura cervical tiver sido identificada.

Investigação de lesão intra abdominal:
Patientes com sindrome de Brown-Sequard apresentarão diferentes níveis de perca da sensibilidade tornando-se obrigatória a investigação de lesão intra abdominal através de lavagem peritoneal ou Raio X de abdomen.



TRATAMENTO

Cuidados Antes do Hospital: A chave do sucesso no manuseio de um paciente com Brown-Sequard está no suspeitar precocemente de lesão medular cervical ou outra qualquer e tomar as providencias adequadas para a imobilização do paciente.

Cuidados na Sala de Emergência:

Uma avaliação cuidadosa deve ser a preocupação na sala de emergência inclusive um exame neurológico detalhado para verificar o nível da lesão. Imobilização cervical e dorsal devem ser arranjadas se for o caso, com a eliminação total da movimentação do pescoço.
A natureza da perca da sensibilidade nestes pacientes faz a investigação de outras lesões mais difíceis. Nestes casos é mandatório que o paciente passe por exame físico completo com investigação baseada em exames suplementares bastante acurados.
Pareceres Médicos:

O parecer médico de um neurocirurgião ou ortopedista é necessário. A prática diária deve determinar qual o melhor procedimento a ser tomado.


ACOMPANHAMENTO

Transferência:


É apropriado transferir o paciente para um Centro Especializado em Traumas onde ele poderá ser melhor assistido por especialistas em Lesão Medular. Entretanto, a transferência só deverá ser seguida após um exame clínico criterioso, inclusive buscando a possibilidade de haver outras lesões no corpo.

Complicações:
Todas aquelas associadas a Lesão Medular.

Prognóstico:
O prognóstico da sindrome de Brown-Sequard é pobre e depende muito da causa da sindrome. O tratamento precoce com altas doses de corticosteróides tem mostrado ser benéfico para pacientes portadores de Lesão Medular.

Autora: Dra. Flavia Fernandes, M.D.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Fisioterapia no Basquete


O basquetebol por ser um esporte de contato entre os jogadores tanto na defesa quanto no ataque pode acontecer várias lesões que o fisioterapeuta pode atuar.

As lesões de tornozelo são as mais freqüentes em atletas de basquetebol, em todas as categorias e em ambos os sexos. A maioria delas ocorre no momento de aterrisagem após arremessos e rebotes, principalmente em contato com outros jogadores.

Atletas das categorias de base podem desenvolver uma dor na região posterior do calcâneo que pode ser condizente com a Osteocondrite de Sever (Apofisite de Tração).

As lesões na perna de jogadores de basquete, geralmente estão relacionadas a partes moles como estiramentos musculares (Tennis Toe) da panturrilha e lesões no tendão de calcâneo durante o salto ou arranque.

A articulação do joelho também é frequentemente lesionada tanto de forma aguda como de forma crônica. As lesões meniscais e ligamentares são decorrentes de movimentos bruscos, deslocamentos, saltos, giros e movimentos repetitivos. As lesões ligamentares de joelho nas mulheres são de 2 a 5 x mais freqüentes do que nos homens devido a fatores extrínsecos e intrínsecos.

As lesões de ordem crônicas em membros inferiores são as tendinopatias patelares, condromalácia patelar, tendinite da pata de ganso, fraturas por estress da patela e bursite de trocanter maior

Das lesões de membros superiores, as lesões mais encontradas foram as articulares de mãos e dedos que foi comprovada em estudo de (ANDREOLI, WAJCHENBERG & PERRONI, 2003) com o resultado de 75% dos casos de luxação e de 96% dos casos de fraturas.

As lesões no ombro de jogadores de basquete não são tão freqüentes, pois a musculatura desenvolvida na região do ombro promove estabilidade articular, outro fator que diferencia o basquete dos outros esportes em queixa de dor no ombro é que os movimentos repetitivos de arremessos do basquete privam pela técnica e não pela velocidade como em outros esportes como no handebol, vôlei etc.

Devido à movimentação de giro, deslocamentos, saltos e corrida, a coluna do atleta de basquete pode sofrer sobrecarga se não estiver com a musculatura bem preparada para suportar a demanda de movimentos. As regiões mais acometidas são a torácica e lombar, e as lesões mais comuns são as de traumas de tecidos moles como unidades musculotendíneas e ligamentares. As fraturas da coluna, geralmente na região lombar podem surgir em decorrência de quedas.


Anatomia de joelho


O joelho é a articulação intermédia do membro inferior, sendo esta uma articulação composta (constituída por três ossos: fémur, tíbia e rótula) e complexa (possuindo dois meniscos que aumentam a congruência óssea e aumentam a área de distribuição de forças).
O complexo articular do joelho apenas possui um grau de liberdade que permite executar movimentos de flexão e extensão. No entanto, quando o joelho se encontra flectido surge um segundo grau de liberdade (grau acessório) que permite os movimentos de rotação.

Fig. 1 – Meniscos
(vista superior)

Fig. 2 -  Joelho Direito em Extensão
(vista posterior)

Sob o ponto de vista mecânico o joelho é uma articulação surpreendente uma vez que possui uma grande estabilidade em extensão máxima e adquire uma grande mobilidade a partir de um determinado ângulo de flexão.   Quando o joelho está em flexão, posição de instabilidade, o joelho está sujeito ao máximo a lesões ligamentares e dos meniscos, no entanto, quando este se encontra em extensão está mais vulnerável a fracturas articulares.

Os ligamentos cruzados são estruturas ligadas à estabilidade do joelho e que estão localizados no centro da articulação. O ligamento cruzado anterior (LCA) assim como o posterior (LCP), são extra sinoviais, apesar de intra-articulares.

O ligamento cruzado anterior tem origem no fémur na porção postero-lateral do intercondilo e insere-se anteriormente à tibia. A inserção tibial é bem mais resistente que a fémural.

Fig. 3 -  Ligamento Cruzado Anterior (vista anterior)

Este ligamento possui duas bandas: a anteromedial e a posterolateral. A primeira origina-se na porção mais proximal do LCA e insere-se na porção mais antero-medial da sua inserção tibial e a segunda origina-se mais distal em relação à origem femoral e insere-se mais postero-lateral na inserção tibial, esta banda é o componente mais curto e de maior volume do LCA. A banda anteromedial encontra-se laxa na extensão e tensa na flexão a 70º.

O objectivo deste ligamento é resistir ao deslocamento anterior da tibia e à rotação medial do joelho, daí quando há ruptura deste ligamento a tibia se projectrar para a frente do fémur (gaveta anterior).

A cápsula articular do joelho é uma bainha fibrosa que contorna a extermidade inferior do fémur e a extremidade superior da tibia mantendo-as em contacto entre si e formando as paredes não ósseas da cavidade articular. Na sua camada mais profunda a cápsula está recoberta pela membrana sinovial.

As articulações tibio – fémural e patelo – fémural são envolvidas pela cápsula articular, sendo esta reforçada posteriormente pelo ligamento arqueado poplíteo e oblíquo poplíteo e vários músculos; anteriormente pelo tendão do quadricipete e tendão rotuliano; lateral e medialmente pelos ligamentos colaterais e anteromedial e anterolateralmente é reforçada por expansões do vasto medial e do vasto lateral na direcção dos ligamentos colaterais. 

«Os ligamentos cruzados estabelecem conexões tão íntimas com a cápsula articular podendo-se dizer que na realidade estes são espessamentos da cápsula articular, e que, como tais são parte integrante dela.» (KAPANGJI, 2000, 5º Edição).

As principais funções dos ligamentos do joelho são: estabilização, controle da cinemática e prevenção dos deslocamentos  e rotações anormais que podem causar lesões da superfície articular. O conhecimento das funções dos ligamentos é fundamental para o planeamento cirúrgico e reabilitação.
O LCA, como vimos anteriormente, tem a principal função de evitar a gaveta anterior, sendo um estabilizador primário.  Ele actua secundariamente na restrição da rotação tibial e em menor grau na angulação varo-valgo (quando o joelho está em extensão). Não possuindo acção na restrição da translação posterior da tíbia.  

O joelho apresenta seis tipos movimentos: três translações (antero-posterior, médio - lateral, céfalo-caudal), e sobre estes três eixos ocorrem  três rotações (flexo-extensão, rotação interna-externa, varo-valgo), criando um movimento complexo do joelho. A mobilidade do joelho ocorre simultaneamente em mais de um eixo e de um plano.

Histologicamente, os ligamentos são similares a tendões: são bandas de colagénio denso com  pouco material celular. Eles são preparados para suportar tensões lineares. Em contraste com os tendões, os ligamentos possuem fibras não tão paralelas e uma quantidade de elastina superior, podendo suportar alongamentos maiores, sem causar danos à sua estrutura. O LCA e LCP apresentam propriedades viscoelásticas, o que permite  dissipar a energia, regular o seu comprimento e distribuir a carga aplicada. Alterações na viscoelasticidade podem facilitar o alongamento do enxerto. (SILLEY, 1997)

A resistência do LCA varia conforme a idade. Um estudo feito sobre a resistência deste ligamento em grupos de idades diferentes verificou que um grupo mais jovem com idades compreendidas entre os 20 e os 35anos apresentava uma resistência 50% maior que um outro grupo com idades entre os 40 e 50 anos e três vezes superior que um último grupo com idades compreendidas entre os 60 a 97 anos.
As propriedades mecânicas dos ligamentos cruzados do joelho, aumentam com a prática de exercícios físicos,   gerando,   um aumento de 20% no seu limite de resistência e 10% no seu limite de elasticidade.
 

O que é o Torcicolo e como tratar


O torcicolo é um distúrbio do pescoço caracterizado pelo enrijecimento dos músculos dessa região, fazendo com que os movimentos da cabeça se tornem muito dolorosos e limitados.

Quanto ao torcicolo congénito ou torcicolo muscular congénito deriva de uma alteração em um dos músculos esternocleidomastóideus, adquirida nas últimas semanas de vida intra-uterina ou durante o parto. Tem-se considerado que a lesão inicial seria uma interrupção vascular, que causa um infarto no músculo esternocleidomastóideu, mas um recente estudo aponta para uma alteração histológica focal no desenvolvimento do músculo. Daí resulta um nódulo palpável na sua espessura.

O torcicolo causa de dores intensas e é geralmente ultrapassado com o repouso. No entanto, há casos em que pode exigir intervenção cirúrgica.
 
O principal tratamento é o repouso no leito, que melhora o torcicolo em 12 a 24 horas.

A aplicação de um saco com gelo seguido de aquecimento local pode ser extremamente relaxante.

Os analgésicos e espasmolíticos podem ajudar a reduzir a dor e o espasmo muscular. Como espasmolíticos consideram-se os medicamentos anticolinérgicos (interferem com a condução dos impulsos eléctricos do nervo para o músculo) e as benzodiazepinas, que são também sedativos (provocam sono). Os antidepressivos e relaxantes musculares também podem ser úteis. Várias injecções de uma pequena dose da substância que causa o botulismo reduzem a dor e os espasmos, permitindo que a cabeça seja mantida em uma posição mais natural (de menor inclinação). Essa melhoria pode perdurar durante alguns meses. Algumas vezes, a remoção cirúrgica dos nervos que inervam os músculos do pescoço disfuncionais é bem sucedida e pode ser tentada quando os outros tratamentos não aliviam o quadro.
 Nos casos persistentes, pode optar-se pela fisioterapia, com massagens locais, ou mesmo intervenção cirúrgica.

No entanto, quando a causa for um distúrbio do sistema nervoso ou quando for desconhecida, a probabilidade do tratamento controlar o espasmo é menor. Algumas vezes, o espasmo pode ser temporariamente aliviado através da fisioterapia.

Na fisioterapia podem ser aplicadas diversas técnicas, nomeadamente o calor húmido, para relaxamento muscular e diminuição da dor, a massagem, para relaxamento do músculo e possível redução e/ou eliminação do nódulo que surge no torcicolo congénito; estiramentos, para favorecer o alongamento do músculo encurtado; entre outras.
Quando problemas emocionais contribuírem para os espasmos, o tratamento psiquiátrico pode ser útil.

No caso do torcicolo congénito, é instituída uma fisioterapia intensiva de alongamento do músculo lesado, durante os primeiros meses de vida. Se a fisioterapia não for bem sucedida ou se ela for iniciada muito tarde, pode ser necessária a realização da reparação cirúrgica do músculo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Reabilitação Cardíaca e o fisioterapeuta

As lesões cardiovasculares são a causa major de mortalidade e morbilidade no mundo industrializado, com cerca de 50% da generalidade das mortes em todo o mundo. Os sobreviventes constituem uma fonte significativa de morbilidade após doença cardiovascular. Só nos Estados Unidos, mais de 14 milhões de pessoas sofrem de alguma forma doença arterial coronária ou suas complicações, incluindo falência cardíaca congestiva, angina ou arritmias. Deste valor, aproximadamente um milhão de sobreviventes de enfarte agudo do miocárdio, e 309 mil pacientes que realizam cirurgia de bypass coronário anualmente são candidatos para reabilitação cardíaca.
Tradicionalmente, a reabilitação cardíaca é dirigida a pacientes num grupo de risco menor, que podem realizar exercício sem qualquer tipo de contra-indicação absoluta ou relativa. No entanto, foi avaliada uma evolução incrivelmente mais rápida no tratamento de pacientes com doença arterial coronária em pacientes que realizaram um programa de reabilitação cardíaca. Este facto alterou os dados demográficos dos pacientes candidatos à reabilitação cardíaca. Actualmente, os pacientes que realizam angioplastia coronária são um subgrupo tomado como com benefícios evidentes na realização de programa de reabilitação cardíaca.
Ainda, os pacientes com falência cardíaca congestiva são também tomados como candidatos a um programa de reabilitação ligeiramente modificado, assim como pacientes que realizaram transplante cardíaco.
Com este trabalho, é pretendido realizar um sumário da informação sobre esta área existente até ao momento (revisão da literatura), e estabelecer alguns parâmetros relevantes para a aplicação de um programa de reabilitação cardíaca por Fisioterapeutas que trabalham com pacientes cardíacos nas fases I e II.

Fases da reabilitação cardíaca:
Fase I: durante a admissão hospitalar;
Fase II: em ambiente de reabilitação pós-hospitalar;
Fase III: pós-reabilitação e cuidados continuados.


1. Objectivos do Trabalho

O objectivo deste trabalho é descrever as metas óptimas da fisioterapia, relativamente à efectividade e eficiência, em pacientes que são candidatos para reabilitação cardíaca e que sofreram enfarte do miocárdio, ou que foram sujeitos a bypass coronário arterial, angioplastia coronária transluminal percutânea, cirurgia a válvula cardíaca ou operação correctiva de patologia cardíaca congénita. Desde modo, este trabalho é baseado no conhecimento científico actual de que a fisioterapia resulta numa diminuição da sintomatologia e melhoria nas funções do paciente e no nível de actividade e participação. Deste modo, este trabalho é explicitamente realizado com o objectivo de:
Adaptar os cuidados prestados tendo em conta a investigação científica actual e melhorar a qualidade e uniformização dos cuidados;
Fornecer algumas informações sobre, e com o intuito de definição, as tarefas e responsabilidades do fisioterapeuta e estimular a cooperação com outros profissionais;
Auxiliar no processo de tomada de decisão do fisioterapeuta e assistir no uso do diagnóstico e intervenções terapêuticas.

2. Definição de Reabilitação Cardíaca

A Organização Mundial de Saúde (O.M.S.) definiu Reabilitação Cardíaca como sendo “o sumário das actividades requeridas para influenciar favoravelmente as causas subjacentes da doença, assim como as melhores condições físicas, mentais e sociais, tal que os pacientes possam, pelos seus próprios esforços, preservar e regressar normalmente ao seu lugar na comunidade. A reabilitação não pode ser observada como uma forma isolada de terapia mas deve estar integrada numa abordagem de tratamento completa” (O.M.S., 1993).







3. Papel do Fisioterapeuta

O papel específico do fisioterapeuta na equipa da reabilitação está relacionado com a componente funcional do paciente. Com base na avaliação da história clínica e na avaliação funcional, o fisioterapeuta analisa as capacidades e limitações do paciente e desenvolve um plano de tratamento. O principal objectivo da fisioterapia é influenciar as capacidades de mobilidade do paciente positivamente, de modo a que a sua participação na sociedade seja optimizado. Os interesses do paciente são centrais na decisão do plano de tratamento, e deverá existir um trabalho conjunto entre fisioterapeuta e paciente em equipa (Wees, 1998).

4. Qualificações específicas do fisioterapeuta

Os fisioterapeutas que trabalham em reabilitação cardíaca deverão ter conhecimento e experiência que adquiriram na sua formação específica na área. Os pacientes podem trabalhar no sentido da obtenção de diversos objectivos, utilizando um ou mais exercícios, e o fisioterapeuta deverá ajustar as actividades, como apropriado (Revalidatie Comissie, 1997).

5. Factores de Risco e de Prognóstico

Os factores de risco da doença cardíaca coronária podem ser divididos em dois grupos: factores influenciáveis e não-influenciáveis. Os primeiros incluem hábitos tabágicos, desequilíbrio lípidico (por exemplo, hipercolesterolemia e hiperlipidémia), hipertensão, obesidade, inactividade física e diabetes mellitus. Os factores de risco não-influenciáveis incluem tendências hereditárias, idade e sexo. Os factores de prognóstico que influenciam a recuperação após enfarte agudo do miocárdio incluem a função residual do ventrículo esquerdo e o tamanho e localização do enfarte. A condição psicológica do paciente, que inclui factores como a exaustão, fobia ou depressão, e a presença de condições de co-morbilidade, tais como limitações físicas ou acidente vascular cerebral (A.V.C.), podem ter uma influência negativa na recuperação.
Os factores de prognóstico mais importantes na determinação da hipótese de sobrevivência e na qualidade de vida após a fase aguda de um enfarte do miocárdio são função do ventrículo esquerdo e quantidade de lesão vascular no sistema coronário (Moons et al, 1997).Outros factores de prognóstico importantes para a recuperação são o estado psicológico, que pode ser afectado por exaustão, medo ou depressão, e condições de co-morbilidade, como limitações funcionais e AVC. Participar num programa de reabilitação após enfarte de miocárdio aumenta a qualidade de vida dos pacientes. Este facto é especialmente significativo nos pacientes com níveis baixos de qualidade de vida ou que o nível de risco cardiovascular é baixo (Oldridge et al, 1998).






6. Fase I da Reabilitação Cardíaca

Assim que um diagnóstico é efectuado e a cirurgia é efectuada, a terapia nesta fase envolve o fornecimento de tratamento médico, mobilização precoce e fornecimento de informação acerca da patologia cardíaca, da cirurgia associada e dos factores de risco e prevenção. A informação referida deverá incluir o diagnóstico, as datas do enfarte e da intervenção cirúrgica, detalhes sobre possíveis complicações, e as razões para a referência. Poderá ser necessária informação adicional acerca do nível actual da mobilidade do paciente e conselhos do cardiologista (Revalidatie Comissie, 1995).
As actividades associadas à reabilitação cardíaca, durante a admissão hospitalar, dividem-se em duas fases: a fase aguda e a fase de mobilização. Estas fases ocorrem após o tratamento, cirúrgico ou conservador. Os objectivos da fisioterapia, os critérios de alta usados para avaliar a obtenção desses objectivos, e os métodos aplicáveis de avaliação nestas duas subfases estão presentes na tabela 1.


Fase Aguda
Objectivos em Fisioterapia
Tratamento cirúrgico:
§ Fornecer aconselhamento pré-operativo;
§ Monitorizar a clearance de muco, ventilação e tratamento (se necessário).
Tratamento não-cirúrgico
§ Monitorizar a clearance de muco, ventilação e tratamento (se necessário).
Critérios de Alta
Fisioterapia:
§ Ausência de problemas pulmonares objectivamente observados.
Médicos:
§ Tratamento Pós-Operativo
o Sem retenção excessiva de muco ou atelectasias;
o Hemodinamicamente estável;
o Sem anormalidades de ritmo ou condução severas.
§ Tratamento não-cirúrgico
o Hemodinamicamente estável;
o Sem anormalidades de ritmo ou condução severas.
Métodos de Avaliação
§ Monitorização da clearance de muco e da ventilação.

Fase de Mobilização
Objectivos em Fisioterapia
Tratamento cirúrgico e não-cirúrgico:
§ Assegurar que o paciente pode funcionar ao nível pretendido de Actividades de Vida Diária;
§ Assegurar que o paciente detém informação suficiente para começar a Fase II ou para prosseguir independentemente, o que significa que o paciente:
o Consegue gerir a sua vida com a sua doença;
o Tem conhecimento acerca da natureza da patologia, cirurgia e factores de risco;
o Reage adequadamente a quaisquer sintomas que possam ocorrer.
Critérios de Alta
Fisioterapia:
§ Assegurar que o paciente pode funcionar ao nível pretendido de Actividades de Vida Diária;
§ Assegurar que o paciente tem capacidade aeróbia moderada (3 ou mais MET’s 1 );
§ O paciente tem conhecimento suficiente sobre a doença cardíaca e consegue gerir a informação;
§ O paciente sabe os factores de risco;
§ O paciente gere adequadamente os sintomas.
Métodos de Avaliação
§ Avaliação da História Clínica 2 ;
§ Checklist dos factores de risco;
§ Determinação objectiva do nível de actividades de vida diária que o paciente consegue realizar.
1. Metabolic Task Equivalent (MET’s) = 3,5 ml de oxigénio por kg por minuto.
2. De preferência, usando um questionário estruturado.

Tabela 1. Objectivos da Fisioterapia, Critérios de Alta e Métodos de avaliação aplicáveis durante as fases aguda e de mobilização da Fase I da Reabilitação Cardíaca

6.1. Processo Terapêutico

As acções realizadas durante a reabilitação cardíaca estão divididas em a) acções realizadas após tratamento conservador e b) acções realizadas após tratamento cirúrgico.

a) Reabilitação após tratamento conservativo

A duração da fase I depende do tamanho do enfarte e de possíveis complicações que surjam em 5 a 10 dias, em média. Durante a fase aguda, o paciente encontrar-se-á no hospital onde permanecerá por alguns dias. Em pacientes com comprometimento pulmonar, como doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a fisioterapia centraliza-se na monitorização da clearance do muco e na ventilação. Os critérios de alta para a fisioterapia são a inexistência de sinais objectivos de dificuldade pulmonar. A fase aguda termina quando o paciente apresenta os seguintes critérios: estabilidade hemodinâmica, redução relevante dos níveis enzimáticos, ausência de compromisso severo do ritmo ou condução, e eliminação de todas as possíveis complicações pulmonares. Após a fase aguda, o paciente é transferido para outra área hospitalar, onde a mobilização pode começar. Durante a fase de mobilização, o fisioterapeuta auxilia o paciente a atingir o nível desejado de actividade diária (tabela 2).



Classe Funcional I

sentar-se na cama com assistência;
realizar actividades associadas com a higiene pessoal;
sentar-se com assistência;
sentar-se numa cadeira por 15-30 minutos 2 ou 3 vezes por dia.

Classe Funcional II

sentar-se na cama sem assistência;
ficar de pé sem assistência;
realizar actividades associadas com a higiene pessoal sentado na casa de banho;
andar no quarto e até à casa de banho, com ou sem assistência.


Classe Funcional III

sentar-se e ficar de pé sem assistência
realizar as actividades associadas à higiene pessoal sentado ou de pé na casa de banho;
andar distâncias curtas (15-30m) no corredor com assistência 3 vezes ao dia.

Classe Funcional IV

desempenhar actividades associadas com a higiene pessoal e tomar banho;
andar distâncias curtas (45-60m) com assistência mínima 3 ou 4 vezes ao dia.

Classe Funcional V

andar no corredor sem assistência por um distância de 75-150 m 3 ou 4 vezes por dia.

Classe Funcional VI

andar sem assistência 3-6 vezes ao dia.

Tabela 2 – Classificação funcional das actividades durante a fase de mobilização (American College of Sports Medicine, 2000)

É também responsabilidade do fisioterapeuta informar o paciente acerca da doença cardíaca, lidar com os sintomas, tratamento médico, factores de risco e nível de actividade desejável durante a reabilitação em casa. Os níveis óptimos de actividade física e de stress a ser aplicado durante o tratamento depende da capacidade de exercício do paciente. Os critérios de alta da fisioterapia são: capacidade do paciente em funcionar ao nível desejado de actividades de vida diária; melhoria do nível de capacidade aeróbia, subjectivamente e objectivamente, para mais de 3 MET’s; conhecimento do paciente acerca da patologia cardíaca e gestão responsável da condição; conhecimento acerca dos factores de risco; compreensão do modo como o paciente pode lidar correctamente com os sintomas. Para atingir estes critérios, o fisioterapeuta deve determinar o nível normal de actividades da vida diária do paciente e identificar qualquer factor de risco. Durante a reabilitação, o fisioterapeuta deve estar alerta a sinais de dificuldade ou sobrecarga do paciente (tabela 3).

angina pectoris;
disfunção sistólica do ventrículo esquerdo;
falta de ar;
exaustão excessiva para o nível de actividade física;
comprometimento do ritmo;
mais rápido que a frequência cardíaca esperada para o nível de actividade física;
frequência cardíaca irregular, alterações no ritmo normal;
pressão sanguínea anormalmente alta ou baixa;
desmaios;
tonturas;
respostas ortosimpáticas (por ex., sudorese excessiva).

Tabela 3 – Sintomas de sobrecarga durante o exercício

São indicados problemas vasculares quando ocorre angina pectoris, dispneia ou exaustão durante exercícios de baixo impacto. A dispneia é um sintoma importante de estenose severa da artéria coronária esquerda ou da artéria coronária frontal descendente. Pressão sanguínea anormalmente alta é uma pressão sistólica acima dos 250 mmHg e diastólica acima dos 120 mmHg. Uma pressão diastólica com um valor de mais de 25 mmHg em comparação ao estado de repouso pode indicar doença cardíaca coronária. A ocorrência de hipotensão ou baixa pressão sanguínea a níveis altos de exercício pode indicar dificuldade ventricular esquerda. Isto é normalmente observado em pacientes com doença cardíaca isquémica severa ou falência cardíaca crónica. Desequilíbrios no ritmo supraventricular pode ocorrer na doença cardíaca, ou pode ser secundária de factores metabólicos ou endócrinos. Desequilíbrios do ritmo ventricular podem estar associados a prolapso da válvula mitral, com cardiomiopatias hipertróficas ou idiopáticas (isto é, patologias do músculo cardíaco), e com lesões das válvulas cardíacas (American College of Sports Medicine, 2000).

b) Reabilitação após intervenção cirúrgica

A fase I de reabilitação inclui as fases pré e pós operativas. Na fase pré-operativa, o paciente é preparado para a intervenção. O objectivo do tratamento nesta fase é informar acerca de comprometimentos pulmonares anteriores e outros problemas potenciais (por exemplo, paralisia, patologia muscular ou doença de Bechterew) que podem ter um efeito negativo na recuperação pós-operativa. Comprometimentos pulmonares pré-existentes são tratados se indicado pelo pneumologista. A terapia pulmonar pré-operativa consiste em:
§ explicar os objectivos da fisioterapia;
§ ensinar técnicas para melhorar a ventilação;
§ ensinar acerca de métodos de clearance de muco;
§ aconselhamento dos pacientes (Van Dujin et al, 2000; Webber & Pryor, 1993).

A fase pós-operativa divide-se em duas fases: a primeira, que sucede imediatamente a intervenção, quando o paciente se encontra na unidade de cuidados intensivos (UCI) e dura, em média, um ou dois dias; a segunda, fase de mobilização, dura 4-10 dias no recobro. Os objectivos da fisioterapia na UCI são: identificar problemas na clearance de muco e ventilação e, se necessário, ensinar técnicas de fisioterapia respiratória (figura 1). Na fase de mobilização, os objectivos do tratamento são idênticos aos que sucedem o enfarte de miocárdio, com informação adicional fornecida acerca da intervenção cirúrgica. O fisioterapeuta deverá fornecer ao paciente informação acerca da dor que ocorre nas áreas intervencionadas e sobre os cuidados a ter com a ferida. É aconselhado o seguinte nestes casos (Van Dujin et al, 2000):
§ fornecimento de exercícios respiratórios apropriados que se centrem na maximização da inspiração e que envolva suster inspirações profundas por alguns segundos;
§ ensinar técnicas de aumento da efectividade da tosse, técnicas expiratórias forçadas e prolongadas, com o objectivo de melhoria da ventilação e da clearance de muco.
§ Deverá ser prestada especial atenção no encorajamento da mobilização do paciente o mais precocemente possível.

7. Fase II da Reabilitação Cardíaca

É realizada avaliação adicional pela equipa de reabilitação para acertar as indicações para a terapia 2. A informação referida deverá, no mínimo, incluir o diagnóstico médico, informação cardiológica relevante, detalhes de quaisquer complicações do ritmo ou condução, detalhes dos factores de risco, e detalhes da farmacologia usada. O cardiologista irá avaliar a capacidade de exercício do paciente e estimar o nível de risco usando toda a informação diagnostica disponível.
Nível de risco
Características
Baixo
§ Função do ventrículo esquerdo normal
§ Ausência de arritmias complexas no repouso e durante exercícios de capacidade aeróbia
§ Ausência de complicações durante a fase clínica (por exemplo, ausência de falência cardíaca crónica e sintomas de isquémia;
§ Estabilidade hemodinâmica em repouso e durante exercícios de capacidade aeróbia
§ Ausência de sintomas;
§ Capacidade funcional superior a 7 MET’s;
§ Ausência de depressão.
Para um paciente ser classificado como de baixo risco, assume-se que todas as características estão presentes
Médio
§ Limitação moderada de função do ventrículo esquerdo;
§ Sintomas, incluindo angina pectoris, ocorrem durante ou após exercício a capacidade aeróbia média (isto é, 5-6.9 MET’s)
Todos os pacientes que não se inserem nas categorias de baixo ou alto risco são considerados de risco médio
Alto
§ Função do ventrículo esquerdo fraca;
§ Estado após ressuscitação bem sucedida;
§ Enfarte do miocárdio ou operação cardíaca com complicações, tais como choque cardíaco, falência cardíaca congestiva ou sintomas de isquémia repetida ou persistente;
§ Instabilidade hemodinâmica durante os exercícios de capacidade aeróbia, especialmente redução da pressão sanguínea sistólica ou incompetência cronotrópica com o aumento do exercício;
§ sintomas, incluindo angina pectoris, ocorrem durante ou após exercícios em capacidade aeróbia ligeira (<5 MET’s);
§ Capacidade funcional inferior a 5 MET’s;
§ Depressão clinicamente significativa.
Para um paciente ser classificado de alto-risco, assume-se que pelo menos uma das características listadas nesta categoria está presente
Tabela 4 – Níveis de risco e características

Um nível baixo de risco está associado a um grau elevado de capacidade funcional, e vice-versa.
Os critérios de avaliação fornecem um guia para o estado funcional do paciente presente e futuro. A avaliação é efectuada utilizando dados clínicos, teste de capacidade aeróbia máxima limitada pela sintomatologia e avaliação psicológica. Antes de iniciar esta fase da reabilitação cardíaca, todos os pacientes são avaliados pelo médico que os referem para este tipo de intervenção. A indicação clínica deverá incluir:
o Diagnóstico Médico;
o Informação cardíaca relevante, incluindo detalhes sobre:
§ Estabilidade hemodinâmica;
§ Local e extensão do enfarte e extensão de alguma disfunção ventricular esquerda;
§ Resultados das provas de esforço, incluindo também resultados de electrocardiograma (ECG) (por exemplo, presença de isquémia);
§ Comprometimento do ritmo cardíaco ou anormalidade de condução.
o Condições de co-morbilidade;
o Factores de Risco;
o Terapêutica Farmacológica;
o Estimativa do cardiologista da capacidade de realizar exercício (por exemplo, baixa, moderada ou elevada) e prognóstico.
A equipa de reabilitação consiste, no mínimo, de um médico, um fisioterapeuta, um assistente social e um enfermeiro. O médico da equipa, de preferência cardiologista, tem a responsabilidade final do tratamento. Os pacientes são avaliados pela equipa de reabilitação com base nas questões colocadas em 5 áreas relacionadas com a função física, psicológica e social do paciente, e presença de comportamento de risco influenciável (tab. 5).

I. A capacidade física aeróbia encontra-se reduzida objectivamente, influenciando a capacidade do paciente trabalhar e realizar as suas tarefas diárias e de lazer? Há limitações motoras que restringem a capacidade funcional do paciente?
II. A capacidade física aeróbia encontra-se reduzida subjectivamente, devido à ansiedade na capacidade aeróbia ou devido ao paciente se sentir limitado?
III. Existe um problema com o equilíbrio emocional? O paciente lida com a doença de uma forma disfuncional? Por outras palavras: Qual é a diferença entre a funcionalidade psicológica, presente e óptima?
IV. Existe um problema com a funcionalidade social? Qual é o prognóstico para o retorno do paciente ao papel social normal em relação ao trabalho, lazer e relações familiares? Qual é a qualidade e a extensão da rede social do paciente?
V. Existe algum comportamento de risco influenciável envolvendo, por exemplo, hábitos tabágicos, dieta (por ex., levando a obesidade ou desequilíbrios lípidicos, sedentarismo, ou não-colaboração com a terapia?

Tabela 5. Questões nas 5 áreas de investigação usadas na avaliação em reabilitação cardíaca

O diagnóstico em Fisioterapia faz parte da avaliação do paciente. As respostas às questões nas 5 áreas referidas atrás são obtidas utilizando instrumentos objectivos de medida, por observação clínica e por percepção do utente, que é suplementado pelo uso de um questionário auto-admnistrado, se necessário.
O teste de exercício limitado pelos sintomas (ergométrico) é um instrumento de medida objectivo que pode fornecer respostas às questões colocadas anteriormente. As funções física, psicológica e social, relacionadas nas áreas II, III e IV, podem ser determinadas objectivamente utilizando questionários. Alguns destes questionários podem ser utilizados para a avaliação do tratamento. Uma checklist de factores de risco pode ser utilizada para determinar objectivamente factores de risco e relacioná-los com o estilo de vida do paciente, para auxiliar na resposta a questões da área V.

8. Diagnóstico Fisioterapêutico em Reabilitação Cardíaca

Os objectivos do processo de diagnóstico em Fisioterapia são investigar a severidade e natureza do problema de saúde relativamente à funcionalidade, e identificar factores de prognóstico influenciáveis. É de importância crucial as preocupações e objectivos estabelecidos pelo paciente. O fisioterapeuta vai avaliar o estado de saúde do paciente e identificar os comprometimentos mais significativos, a condição de saúde desejada, factores de risco influenciáveis e não-influenciáveis, e a necessidade do paciente de informação. O processo de diagnóstico utiliza a história clínica, avaliação, análise e formulação de um plano de tratamento. Os instrumentos recomendados de avaliação irão ser descritos e explicados mais à frente neste trabalho.

8.1. História Clínica

Na avaliação da história clínica, a informação é obtida em parte pela equipa de reabilitação, e inclui informação referidas pelo cardiologista, e por outro lado pelo paciente. Esta fase da avaliação envolve:
§ Registar as preocupações e objectivos do paciente, incluindo o seu nível de actividade desejado;
§ Avaliar o nível de actividade do paciente antes do presente episódio clínico;
§ Avaliar a situação de saúde no geral, incluindo informação sobre:
o A natureza e a severidade de quaisquer limitações, deficiências e problemas com a participação social;
o O início e a evolução da condição;
o Quaisquer factores que tenham levado a essa condição;
o Prognóstico e factores de risco;
§ Registar a situação actual, avaliando:
o Quaisquer deficiências, incapacidades ou problemas com a participação social associados à doença cardíaca actualmente;
o Estado geral de saúde actual, incluindo informações sobre funcionamento, níveis de actividade e participação;
o Tratamento actual, incluindo medicação utilizada e tratamentos médicos recebidos;
o Factores pessoais;
o Motivação do paciente;
o Necessidade do paciente de informação.

As queixas mais importantes do paciente, incluindo problemas na realização de actividades, podem ser determinadas utilizando um questionário especificamente desenhado, e escala visual análoga (E.V.A.) para avaliar o nível de actividade. A checklist de factores de risco pode ser utilizado para identificar factores de risco.

8.2. Avaliação da Fisioterapia em Reabilitação Cardíaca

O movimento funcional humano pode ser expresso em termos de carga física e capacidade aeróbia, mas também é afectado pela presença de deficiências funcionais. A avaliação envolve observação, avaliação funcional e, se necessário, palpação. Basicamente, a avaliação é centrada na determinação dos níveis de deficiência funcional, limitação da actividade e problemas na participação, que influenciam a escolha dos exercícios utilizados no programa de reabilitação. As actividades podem-se encontrar limitadas devido à sua natureza, duração ou qualidade. Ao lidar com o funcionamento psicossocial, o fisioterapeuta adopta uma função de aconselhamento. Durante a avaliação das actividades, o fisioterapeuta deve ter atenção à forma como o paciente lida com o seu problema de saúde. Por exemplo, medo do movimento. Os seguintes instrumentos ou técnicas de medida podem ser utilizados durante a avaliação:
§ Escala de Borg;
§ Ergómetro;
§ Unidades MET’s;
§ Escalas específicas de actividade;
§ Teste de Marcha de 6 minutos;
§ Escala de medo, angina pectoris ou dispneia;
§ Entre outros…

Se indicado, poderão ser monitorizadas também a frequência cardíaca e a pressão arterial.

8.2.1. Análise

A análise é efectuada com base na avaliação. O fisioterapeuta deve obter respostas às seguintes questões:
Qual é o estado de saúde do paciente relativamente a deficiências, incapacidades e participação? Quanto é que o paciente consegue gerir, física, mental e socialmente?
Existem problemas relacionados que limitam melhorias na performance física, mental ou social? Estes podem ser:
Relacionados com o comprometimento cardíaco (por exemplo, enfarte do miocárdio ou falência cardíaca crónica);
Relacionados com outros comprometimentos, incluindo queixas físicas.
Existem outros factores que tenham uma influência negativa na capacidade de exercício (como medo, depressão, handicap mental, perturbações do sono, stress ou exaustão, estilos de vida, etc…)?
Como é que o paciente vê a sua performance futura nas actividades diárias, actividades de lazer, trabalho e hobbies (isto é, nos objectivos e expectativas do paciente)?
O nível de performance desejado é alcançável, de acordo com a informação obtida nas respostas às questões 2 ou 3?
A fisioterapia pode melhorar na evolução do problema em saúde, em relação a:
Diminuir deficiências;
Diminuir incapacidades;
Diminuir problemas na participação;
Melhorar as funções, actividades e o nível de participação.

Além das áreas-problema referidas acima, os pacientes podem sofrer de outros problemas de saúde que podem ou não estar relacionados com a doença cardíaca. Ocasionalmente, poderá estar indicada fisioterapia adicional, além do programa de reabilitação cardíaca.

8.2.2. Plano de Tratamento

A equipa de reabilitação, juntamente com o paciente, irá formular objectivos terapêuticos com a ajuda das respostas fornecidas às questões apresentadas anteriormente. Estes objectivos irão determinar o plano individual de reabilitação que consiste de um número de diferentes módulos. Se necessário, estes módulos poderão ser implementados com apoio individual. A equipa de reabilitação decide quando é que o programa irá começar e porque módulo começar. As guidelines de reabilitação cardíaca da Royal Dutch Society for Physical Therapy 1995/1996 descrevem quatro módulos:
§ Módulos curtos e longos de exercícios (FIT);
§ Módulo de informação (INFO);
§ Módulo de preparação psicoeducacional (PEP).

As guidelines referenciadas aconselham o uso de um quinto módulo, sobre instruções de relaxamento (RELAX). Os pacientes que têm de realizar treino físico para atingir o seu objectivo mais relevante devem ser submetidos a um teste de capacidade aeróbia limitado pela sintomatologia utilizando um ergómetro, para fornecer informação relevante à terapia.
O fisioterapeuta deverá receber todas as informações relevantes da equipa de reabilitação antes da primeira sessão de tratamento. Para os pacientes referidos para treino físico, é necessário obter informação relevante diagnostica e prognóstica, utilizando um ergómetro. Os objectivos terapêuticos dependem da capacidade cardíaca, da frequência cardíaca máxima limitada pela sintomatologia, capacidade aeróbia máxima e máxima duração aceitável do exercício 2. O teste de exercício máximo limitado pela sintomatologia para pacientes cardíacos indica o máximo consumo de oxigénio (VO2 máximo) e, assim, máxima capacidade aeróbia. A informação que pode ser retirada dos testes ergométricos são:
§ Capacidade actual de exercício do paciente, expressa em VO2 máximo, unidades MET’s ou watts;
§ Protocolo utilizado;
§ Estimativa do cardiologista do nível de capacidade aeróbia baseada em cardiogramas realizados antes, durante e depois da aplicação de exercício;
§ Frequência cardíaca de repouso, máxima, e após descanso;
§ Pressão sanguínea em repouso, durante o exercício e durante a recuperação;
§ Razões para não ter completado os testes;
§ Medicação utilizada antes e durante o teste;
§ Sintomas subjectivos durante o teste (por exemplo, angina pectoris ou dispneia.
Há 6 objectivos específicos da fisioterapia na reabilitação cardíaca (Revalidatie Comissie, 1995; Revalidatie Comissie, 1997):
1. Aprendizagem das limitações individuais;
2. Aprendizagem de como lidar com as limitações individuais;
3. Encontrar o nível de capacidade aeróbia óptimo;
4. Diagnóstico: avaliar o nível de capacidade aeróbio e sintomas correlacionados com os comprometimentos objectivos;
5. Diminuir o medo ao movimento;
6. Desenvolver e obter um estilo de vida fisicamente activo (Revalidatie Comissie, 1998)

O fisioterapeuta pode também ter influência na obtenção de outros objectivos, tais como obtenção de prevenção secundária (Soons, 1995; Revalidatie Comissie, 1995; Werkgroupe Longevalidatie,1996; OMS, 1999), aquisição de equilíbrio emocional 6 e aprendizagem de lidar com a patologia cardíaca de uma forma funcional (Hendricks et al, 2000). Cada paciente normalmente tem uma combinação de objectivos. Se a melhoria da capacidade aeróbia não é indicada, então os objectivos 1 e 2 são recomendados. Se a melhoria da capacidade aeróbia é indicada, então são recomendados os objectivos 1 e 3. Se existe uma diminuição subjectiva da capacidade aeróbia, o tratamento deverá ser focalizado nos objectivos 1 e 5. As áreas-problema subscritas pelos objectivos 1 e 5 são, normalmente, o foco inicial do tratamento. Por exemplo, o paciente deve primeiro reduzir o nível do medo ou conhecer os seus limites antes de começar o treino. Se não existe redução objectiva clara na capacidade aeróbia, então o objectivo número 4 é recomendado 1. Os objectivos deverão ser formulados ao início do tratamento. Por exemplo, é preferível formular objectivos tais como “o paciente deverá ser capaz de fazer cicloergómetro” em vez de “o paciente deve superar o seu medo do movimento”. Um objectivo do tipo “melhorar as actividades relacionadas com o estilo de vida” seria melhor formulado do tipo “o paciente deverá poder andar duas vezes por dia 30 minutos (Revalidatie Comissie, 1997). Com base na informação obtida durante o diagnóstico, o paciente poderá ser inserido num grupo de exercício no qual os exercícios da reabilitação vão de encontro à capacidade de exercício dos pacientes. Corstjens et al (1999) desenvolveram três grupos de exercício:
1. um grupo de exercício para, normalmente jovens, pacientes com capacidade de exercício elevada;
2. um grupo de exercício menos intensivo para pacientes menos fisicamente capazes;
3. um grupo de exercícios funcionais para, normalmente idosos, pacientes com fraca capacidade de exercício.
É importante no momento da escolha do grupo ter em atenção que os programas de alta-frequência são mais efectivos em reverter comprometimentos psicológicos (Berkhuysen, 1999) e os programas de baixa frequência são mais efectivos em encorajar autonomia e auto-confiança (Berkhuysen, 1999).

9. Reabilitação Cardíaca, Fisioterapia e Evidência Científica

A abordagem fisioterapêutica é baseada no esquema de reabilitação individual, que é desenhado pela equipa de reabilitação. Se a monitorização da reabilitação ocorre pouco tempo após a alta hospitalar, o paciente pode entrar logo na fase II. Se a monitorização da reabilitação é realizada e as indicações para a terapia são determinadas pelo final da fase I mas o paciente não progride imediatamente para a fase II ou o paciente é referido de outra área, o fisioterapeuta irá repetir o processo diagnóstico antes do início da intervenção.
Normalmente, a evidência científica é avaliada como tendo um dos três graus: grau A, no qual as conclusões foram baseadas em informações científicas de randomized controlled trials e resultados estatísticos; grau B, no qual as conclusões são baseadas em estudos observacionais ou em randomized controlled trials com resultados menos consistentes; e grau C, no qual as conclusões são baseadas no consenso de experts.

10. Efeitos de programas de Reabilitação Cardíaca

Os programas de Reabilitação Cardíaca que se centralizam no treino físico, desenvolvendo um estilo de vida saudável, e técnicas de relaxamento, auxiliam os pacientes a recuperar e aumentar a capacidade aeróbia, diminuir processos arteroscleróticos e reduzir o risco de futuros episódios cardíacos (Revalidatie Comissie, 1995; Revalidatie Comissie, 1997).

Oldridge et al (1998) e O’Connor et al (1989) demonstraram, usando meta-análises, que as taxas de mortalidade total e cardiovascular em pacientes com enfarte do miocárdio foi 20-25% mais baixo em pacientes que frequentaram programas de reabilitação cardíaca, em relação aos grupos de controlo. No entanto, o número de enfartes recorrentes não-fatais não foi diminuído significativamente por estes programas. De acordo com os autores de ambas as meta-análises, não se podem retirar conclusões definitivas acerca dos efeitos da fisioterapia em reabilitação cardíaca, devido ao facto de muitos estudos envolverem outras medidas em adição à fisioterapia. Kugler, Seelbach e Kruskemper (1994) demonstraram que os programas de reabilitação cardíaca em fisioterapia têm efeitos positivos no medo e na depressão. Meta-análises de programas de reabilitação cardíaca multifactoriais tendem a centrar os objectivos na melhoria da função física, fornecimento de informação acerca de estilos de vida saudáveis e melhoria da qualidade de vida. Estas análises mostram que houve impactos favoráveis na mortalidade cardiovascular, recorrência de enfarte, pressão sanguínea, níveis de colesterol e comportamento alimentar. As análises custo-efectividade demostraram que a reabilitação cardíaca diminui o uso de medicação (Revalidatie Comissie, 1997).

11. Efeitos do treino e capacidade aeróbia

O treino centrado na recuperação, manutenção e melhoria da capacidade aeróbia fornece melhorias objectivas na capacidade aeróbia sem causar complicações cardiovasculares significativas ou outros efeitos nefastos (grau A). O treino aeróbio que melhora a capacidade aeróbia e leva a adaptações da musculatura cardíaca e periférica é mais efectivo 9. Recentemente, esta conclusão foi confirmada por Dugmore et al (1999) e Stahle et al (1999). Neste randomized controlled trial publicado por Dugmore et al (1999), foram fornecidos aos pacientes com enfarte agudo do miocárdio treino aeróbio 3 vezes por semana, em 12 meses. Os efeitos nestes pacientes foram comparados com um grupo de controlo, sem qualquer tratamento. Após um follow-up de 5 anos, foram observadas melhorias no estado cardiorespiratório, bem-estar psicológico e qualidade de vida. Houve também uma redução no risco de mortalidade precoce e melhorias na performance laboral e ocupacional. Stahle et al (1999) comparou os efeitos fisiológicos do treino aeróbio e aconselhamento num grupo de idosos com um grupo onde foi fornecido apenas aconselhamento. Foram encontradas melhorias significativas na capacidade aeróbia e no bem-estar no grupo de pacientes que realizou o programa de treino aeróbio.

12. Efeitos do treino de força

O treino de força melhora a força muscular e a capacidade aeróbia muscular em pacientes com doença cardíaca coronária clinicamente estável e tem efeitos positivos na performance das AVD’s (grau B) (Agency for Health Care Policy and Research, 1995). Numa revisão, Verril et al (1996) demonstraram que o treino de alta-resistência aumenta a circunferência muscular devido a alterações hipertróficas, O treino em circuito a um nível de resistência mais baixo melhora a força muscular, densidade óssea, equilíbrio de minerais e capacidade aeróbia. Isto foi confirmado por Brechue e Pollock (1996). É necessária mais investigação para determinar a segurança e a efectividade do treino de força noutros grupos de pacientes cardíacos. Verril et al (1996) aconselharam os pacientes a tomar parte de programas de treino de força para avaliar complicações cardiovasculares e em condições médicas específicas. Este autor recomenda exercícios de fortalecimento e resistência para pacientes com capacidades funcionais de 6 MET’s ou mais. Pacientes de baixo ou médio risco com capacidades funcionais de menos de 6 MET’s deverão recorrer a exercícios de baixa resistência. Beniamini et al 55 concluiram que o treino de força de alta-intensidade sobre supervisão pode ser bem tolerado quando suplemento de treino aeróbio ou de um programa de reabilitação cardíaca, e que resulta em melhorias da força muscular e capacidade aeróbia, melhorando a capacidade de realizar AVD’s.

13. Outros efeitos do exercício
Menos angina pectoris em pacientes com doença cardíaca coronária, e menos sintomas de falência cardíaca crónica em pacientes com disfunção sistólica do ventrículo esquero (grau B). Os sintomas de angina pectoris são também reduzidos por intervenções psicológicas e edcucacionais, por aconselhamento e por alterações comportamentais 9;
No passado, os programas de exercícios demonstraram ter efeitos positivos na função psicológica (Frasure-Smith, 1985; O’Conner, 1985; Kugler et al, 1994). No entanto, estes resultados não forma corroborados pela investigação mais recente Dusseldorp et al, 1999; Jones, 1996; Frasure-Smith et al, 1997). Estas inconsistências resultaramnuma avaliação adicional nos pacientes cardíacos, de modo a assegurar uma intervenção efectiva, certificando que os objectivos pessoais são atingidos, avaliando as relações entre diferentes componentes dos programas de exercícios e resultados atingidos;
Efeitos positivos no funcionamento social (grau B);
Os programas de exercícios combinados com intervenção educacional e psicológica também influencia:
Hábitos tabágicos (grau B);
Hiperlipidémia (grau B);
Obesidade (grau C);
Hipertensão (grau B).

Os programas de reabilitação cardíaca que envolvem apenas exercícios têm um efeito mais reduzido nestes factores de risco 9. Num randomized controlled trial, Vergés et al (1998) demonstraram que pacientes com patologia cardíaca crónica que completaram programas de reabilitação intensivos que incluíram componentes educacionais, reagiram melhor ao tratamento da hiperlipidémia que pacientes que não foram submetidos a reabilitação cardíaca. O componente educacional do programa promove prevenção secundária, ao fornecer conhecimento acerca de dietas com baixo teor de lípidos e aumentando a confiança nas recomendações terapêuticas no que diz respeito à dieta e uso da medicação.
§ A reabilitação cardíaca em pacientes que sofreram enfarte do miocárdio ou que foram sujeitos a bypass arterial coronário levou a um aumento na participação nos exercícios após o programa de reabilitação (grau B). No entanto, o efeito é de curta duração e é, por isso, aconselhável continuar o programa de reabilitação cardíaca num longo prazo para encorajar tanto a prática do exercício como a adopção de um estilo de vida saudável. É importante encorajar os pacientes a encontrar uma forma de exercício que lhes seja agradável e que considerem simples de continuar a realizar (Agency for Health Care and Policy, 1995).

14. Efeitos Fisiopatológicos

§ Os programas de exercícios administrados em combinação com controle alimentar e medicação hiperlipidémica necessária atrasa a progressão da arteriosclerose coronária, como observado angiograficamente e, por isso, recomendado. A reabilitação que envolve apenas programa de exercícios demonstrou ser menos efectivo (grau A/B).
§ Não existe evidência que demonstre que os programas de exercícios influenciam o desenvolvimento de circulação coronária colateral ou que cause alterações consistentes nas medidas hemodinâmicas cardíacas realizadas durante cateterização cardíaca. Os programas de exercícios para pacientes que sofreram falência cardíaca crónica e, assim, também fracções de ejecção ventricular reduzidas, resultaram em alterações positivas na musculatura periférica e, por isso, são recomendados para melhorar a função muscular (grau B).
§ Os programas de exercícios reduzem a isquémia miocárdica (grau B).
§ Os programas de exercícios têm efeitos positivos discretos na fracção de ejecção ventricular e nas anormalidades do movimento da parede ventricular. No entanto, não são recomendados para melhorar a função sistólica ventricular. Os programas de exercícios têm diferentes efeitos na função do ventrículo esquerdo em pacientes que estão a recuperar de enfartes frontais, que exibem ondas Q nos seus electrocardiogramas e que sofrem de disfunção ventricular esquerda (grau B).
§ Os programas de exercícios não têm efeitos consistentes nas alterações de ritmo ventricular (grau B).

O papel dos fisioterapeutas em programas de reabilitação cardíaca é desenvolver e implementar programas de exercícios para os pacientes, fornecer informações e aconselhamento, e fornecer instruções de relaxamento. A consulta a profissionais de outras áreas é também muito importante. As prioridades dos programas de exercícios são estabelecidos de acordo com os desejos do paciente e a capacidade de exercício 24. O programa terapêutico pode incluir:
Treino das capacidades que aumentam a força ou a capacidade aeróbia através de actividades motoras;
Aumento (total) da capacidade aeróbia;
Aumento (local) da força;
Treino de funções específicas e actividades que auxiliem o paciente a tornar a prática do exercício agradável;
Treino de exercícios específicos que auxiliem na redução dos efeitos dos factores de risco, assim como a hipertensão, hiperlipidémia, diabetes mellitus, obesidade, inactividade física e factores emocionais.

15. Fornecimento de informação e Aconselhamento

O fornecimento de informação apropriada para pacientes com patologia cardíaca e o aconselhamento são componentes importantes que ajudam a desenvolver a confiança no processo terapêutico (Van Elderen et al, 1988; Jonkers et al, 1988; Finlayson, 1997). Ao fornecer informação ao paciente, os objectivos poderão ser: fornecer informações acerca da patologia e da reabilitação, influenciar a aderência ao processo terapêutico e auxiliar o paciente a adoptar formas correctas de lidar com a sua condição, que poderá envolver lidar com o medo.

16. Princípios de orientação do comportamento

Actualmente, é dada atenção crescente em fisioterapia à integração de factores físicos, psicológicos e externos, assim como dor, stress e medo (Finlayson, 1997). Por exemplo, é possível lidar com sucesso com factores biomecânicos enquanto as limitações quotidianas do paciente se mantém na mesma ou são mesmo agravadas, provavelmente devido a factores psicossociais. Estes princípios podem ser aplicados a pacientes que não conseguem lidar adequadamente com as consequências da doença cardíaca coronária. Com efeito, estes princípios representam a integração da ciência comportamental e da reabilitação. Nesta abordagem, focaliza-se a situação na qual o comportamento aparece, não na patologia subjacente (Finlayson, 1997). A reabilitação orientada pelo comportamento também involve:
Usar testes para determinar a razão da limitação funcional do utente e identificar as causas dos sintomas. Os testes são repetidos para auxiliar no direccionamento e na avaliação do tratamento;
Participação activa do paciente;
Auxiliar os pacientes a adquirir capacidade de lidar melhor com a condição durante o tratamento (por exemplo, capacidade de relaxamento motor);
Utilização de uma abordagem dependente do tempo no tratamento, no qual o tratamento segue uma cronologia. Nesta abordagem, é importante incluir o máximo de pessoas relacionadas com o ambiente quotidiano e de tratamento possível durante o processo de reabilitação.

17. Programas de exercícios

Os programas de exercícios podem compreender exercícios que se focalizem na melhoria da performance ou exercícios que tenham como objectivo melhorar a saúde, ou ambos. Os primeiros envolvem treino físico, aumento (total) da capacidade aeróbia, treino de força e redução dos efeitos dos factores de risco. Os segundos envolvem treino de capacidades específicas e actividades que auxiliem o paciente a achar agradável o exercício. Se o objectivo do programa de exercícios é aumentar a capacidade aeróbia objectiva, é essencial aderir a certos princípios de treino fisiológico para ajudar na obtenção das alterações fisiológicas desejadas. Estes princípios fisiológicos têm as seguintes características:
Especificidade: os efeitos do treino são altamente específicos ao tipo de exercício utilizado e à forma com que a carga do treino é desenvolvida. Isto significa que a performance motora deve ser desenvolvida no contexto de actividades motoras específicas;
Carga progressiva: a carga de treino deve ser aumentada assim que a condição física do paciente melhora;
Sobrecarga: a carga de treino deve ser a mínima necessária para produzir o efeito desejado do treino (por ex: alterações fisiológicas);
Supercompensação: é importante descansar o suficiente durante a recuperação do treino. Períodos de descanso insuficientes limitam as alterações fisiológicas e a supercompensação, que é a base de um treino efectivo 66;
Relação entre condição física e carga de treino: assim que a condição física do paciente melhora, o efeito do aumento constante da carga de treino diminui;
Reversabilidade: para manter os efeitos do treino, é essencial que o paciente considere o exercício agradável, assegurando assim a sua continuação.

De modo a reduzir as limitações subjectivas do movimento, é importante que se use terapia comportamental e a teoria da aprendizagem social durante a administração do processo terapêutico (Vlaeyen, 1996).

18. Actividades

A reabilitação cardíaca pode envolver diversas actividades, assim como as necessárias para treinar as capacidades básicas e as envolvidas na vida diária, desporto ou lazer. Poderão ser utilizados exercícios de fitness e aeróbios, natação e hidroterapia. As actividades seleccionadas devem ter uma relação com as actividades da vida quotidiana, tornando o treino o mais específico possível. Se o objectivo do treino é melhorar a condição física do paciente, deverá ser utilizado um ergómetro, e deverá ser desenvolvido treino em pista, desportivo ou de lazer. O uso do ergómetro durante o treino é recomendado quando os pacientes se encontram em risco acrescido, ou quando é necessária monitorização adicional, como ECG, ou medida da pressão sanguínea ou frequência cardíaca. Se indicado pela equipa de reabilitação, o treino deverá ser monitorizado utilizando um ECG ou medida de pressão sanguínea, ou ambos.

19. Variáveis de treino e Carga de treino

As variáveis de treino são itens como a intensidade, frequência e duração do treino e do tempo de intervalos de descanso. A forma com que a carga é aplicada é também importante. A carga de treino é uma função da magnitude da carga, da duração e da frequência da sua aplicação. A duração da carga depende fortemente da condição física do paciente, dos objectivos do treino e da intensidade do treino. A frequência com que a carga é aplicada depende da condição física do paciente e da magnitude das cargas anteriores. Existem diversas indicações gerais dos valores alvo das variáveis de treino descritas na literatura.
As Cardiac Rehabilitation Guidelines 1995/96 recomendam que os pacientes devem treinar a 50-60% da sua frequência cardíaca de reserva na primeira parte dos módulos de treino do movimento, e a 60-80% na segunda parte. Exercícios estáticos de fortalecimento são efectivos quando o treino é desempenhado a 30-40% da força muscular máxima voluntária. Efeitos óptimos são atingidos a 50-60% do valor máximo. Acima de 70%, a efectividade começa a diminuir. Os valores variáveis de treino recomendados para reduzir os efeitos dos factores de risco específicos são (WHO, 1995):
Hipertensão: intensidade de treino de 50-85% da frequência cardíaca máxima ou 40-70% do VO2 max, ou 11-13 na escala de Borg; duração do treino de 30 a 60 minutos; frequência do treino entre 3-7 dias por semana; treino de força é aplicado com várias repetições e baixa resistência.
Diabetes: intensidade de treino de 50-90% da frequência cardíaca máxima ou 50-85% do VO2 max (uma intensidade mais baixa pode ser utilizada, se necessário devido a complicações ou diabetes crónica); duração do treino de 20-60 minutos; frequência do treino de 4-7 dias por semana.
Obesidade: intensidade de treino de 50-70% do VO2 max; duração do treino de 40-60 minutos (ou duas sessões de 20-30 minutos por dia); frequência do treino de 5 dias por semana; é mais importante evoluir na duração do que na intensidade.
Hiperlipidémia: 40-70% do VO2 max ou 11-16 na escala de Borg; duração do treino de 40 minutos; frequência do treino de 1-2 sessões, 5-7 dias por semana; é mais importante evoluir na duração do que na intensidade.

20. Cálculo da intensidade dos exercícios de capacidade aeróbia

A intensidade dos exercícios individuais pode ser calculada utilizando informação do teste de capacidade aeróbia máxima ou limitada pela sintomatologia. A frequência cardíaca de reserva, que é igual à frequência cardíaca máxima menos a frequência cardíaca em repouso, é usada durante o treino em que o VO2 max é desconhecido. A fórmula de Karvonen é usada para derivar a frequência cardíaca alvo durante o treino:
FC durante o treino = FC em repouso + (X/100 x FC de reserve), onde X é a percentagem de VO2 max.
21. Cálculo da intensidade dos exercícios de fortalecimento

Utilizando o diagrama em pirâmide da figura 1 (Wingerden, 1991), pode ser efectuada uma estimativa da força muscular máxima, sem ter de determinar directamente o máximo de peso que o paciente consegue suportar de uma vez. O paciente deve seleccionar um peso que consegue levantar cerca de 10 vezes, e deve ser determinado quantas vezes conseguiria levantar esse peso na prática. O número total de repetições que o paciente pode fazer é relativo. O peso, em kg, é multiplicado pela percentagem para obter uma estimativa da força máxima muscular.





22. Treino contínuo e Treino intermitente

Em treino contínuo, o paciente realiza os exercícios a uma carga de treino específica por um período de tempo relativamente longo sem paragens. Há dois níveis de intensidade: treino contínuo extensivo, que é caracterizado por uma duração relativamente longa e relativamente baixa intensidade, e treino contínuo intensivo, que é caracterizado por uma duração relativamente curta e relativa alta intensidade. A duração mínima de treino requerida para o treino ter um efeito central na capacidade aeróbia máxima é 20-30 minutos. Assim, para atingir um efeito, é necessário, primeiro, desenvolver até à duração mínima de treino e, depois, aumentar a intensidade de treino. Assim que a condição física do paciente melhora, o objectivo do programa de exercícios é alterado de contínuo extensivo para contínuo intensivo. Se o paciente é severamente obeso, ou sofre de hipertensão severa, diabetes mellitus ou hipercolesterolémia, a duração total do treino pode ser aumentada enquanto a intensidade é mantida a um baixo nível. Desta forma, o objectivo principal do treino é metabolizar as gorduras (Jonkert et al, 1997).

No treino intermitente, os períodos de treino intensivo são alternados com períodos de descanso ou treino menos intensivo. Escolhendo a duração correcta e a intensidade do treino intermitente, é possível influenciar os diferentes sistemas metabólicos, tais como o anaeróbico aláctico, anaeróbico láctico ou metabolismo aeróbio. O treino intermitente permite aos pacientes preparem-se para a intensidade e duração de treino desejada. O treino intermitente é particularmente recomendado para pacientes com doença arterial periférica e claudicação intermitente.

I. Conclusão

A abordagem fisioterapêutica é baseada no esquema de reabilitação individual, que é desenhado pela equipa de reabilitação. Se a monitorização da reabilitação ocorre pouco tempo após a alta hospitalar, o paciente pode entrar logo na fase II. Se a monitorização da reabilitação é realizada e as indicações para a terapia são determinadas pelo final da fase I mas o paciente não progride imediatamente para a fase II ou o paciente é referido de outra área, o fisioterapeuta irá repetir o processo diagnóstico antes do início da intervenção.
Discutiram-se alguns aspectos relacionados com a actuação da Fisioterapia na Reabilitação Cardíaca, e foi realizada uma revisão da literatura existente sobre o assunto, com os objectivos atrás definidos. Esta é uma área, a meu ver, com grande potencial dentro da Fisioterapia para crescer, onde poderemos tornar-nos profissionais indispensáveis e especialistas nesta abordagem.

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