Diatermia por Ondas Curtas: aplicação, dosagem e contra-indicações







A diatermia é a aplicação de energia eletromagnética de alta freqüência, a qual é usada para gerar calor nos tecidos do corpo, sendo este calor, produzido pela resistência do
tecido em relação à passagem da energia (PRENTICE, DRAPER e DONLEY, 2002).

Conforme Harrelson, Weber e Leaver-Dunn (2000), os agentes de aquecimento profundo elevam as temperaturas teciduais até próximo dos níveis de tolerância (45ºC) e
mantêm as temperaturas máximas por um período de tempo relativamente longo, sendo que estes agentes transmitem sua energia ao corpo através de ondas sonoras e de energia eletromagnética para produzir o aquecimento tecidual, produzindo desta maneira, respostas mais vigorosas pelo tecido.

Conforme Longo e Fuirini (2000), como as radiações eletromagnéticas são emitidas nas faixas de rádio e televisão, algumas freqüências específicas foram destinadas através de acordos internacionais para utilização industrial, científica e médica a fim de prevenir interferências nas comunicações, sendo a de 27,12 MHz, dentre as freqüências disponíveis, a mais extensamente utilizada. A esta freqüência, o comprimento de onda correspondente é de cerca de 11,062 m (SCOTT, 1998).

A corrente de alta freqüência, como informam Low e Reed (2001), é gerada por um circuito oscilador que consiste em uma capacitância e uma indutância, sendo o produto entre estas o responsável em dar a freqüência em que o circuito irá oscilar. Para manter a oscilação regular a energia elétrica precisa ser alimentada no circuito em disparos exatamente no momento certo no ciclo para obter o resultado exato. Isso se consegue por meio de um interruptor eletrônico que é acoplado ao circuito de modo que a corrente seja acrescentada em sincronia com as oscilações.

http://www.dor.med.br/dorclinica/ondas%20curtas.jpg

A parte a ser tratada é incluída no paciente ou no circuito ressonador que é acoplado indutivamente ao circuito oscilador. Isso envolve uma espiral em cada circuito que são
colocadas próximas, formando um transformador, de modo que o campo magnético gerado pelo circuito oscilador induz uma correnteza na bobina ressonadora. A energia será efetivamente transferida se os dois circuitos estiverem sintonizados, ou seja, tiverem a mesma freqüência (LOW e REED, 2001).

A sintonia é feita através de um capacitor variável, podendo ser ajustada manualmente ou automaticamente, dependendo do tipo de aparelho. Uma vez sintonizado, o
calor gerado nos tecidos é controlado através de comandos do aparelho chamados "intensidade" ou "dose": Os tecidos podem ser acoplados ao campo de ondas curtas de duas maneiras diferentes:

·  Como parte do dielétrico de um capacitor;
·  Como parte da carga de um indutor.

No primeiro caso, os tecidos são influenciados por um campo elétrico oscilante. Isto é chamado de método de campo condensador (capacitor). No segundo caso os tecidos são submetidos a um campo magnético oscilante que induz correntes nos tecidos provocando então, o calor. Este método é chamado inductotermia (LONGO e FUIRINI, 2000).

A energia das ondas curtas pode ser administrada, conforme Scott (1998), de modo contínuo ou pulsado. Embora a diatermia por ondas curtas contínuas possa ficar confinada a uma freqüência de 27,12 MHz, a pulsagem resulta no desenvolvimento de ondas laterais, o que pode significar que a energia utilizada varia, quanto à freqüência, de 26,95 até 27,28 MHz, e pouca ou nenhuma energia encontra-se na faixa mestra.

Durante a aplicação da Diatermia por Ondas Curtas, o paciente é conectado ao circuito elétrico do gerador de alta freqüência por meio de:

·  Técnica Capacitiva: este método possui dois tipos diferentes de eletrodos, que são as placas metálicas flexíveis (freqüentemente colocadas sob ou em torno da parte do corpo necessitando de tratamento) e o discos metálicos rígidos (usados mais comumente que os anteriores). Nesta técnica os eletrodos devem ter o mesmo tamanho, devem ser ligeiramente maiores que a parte do corpo e devem estar eqüidistantes e em ângulo reto  com a superfície da pele (é considerada ideal uma distância de 2 a 4 cm entre a pele e a placa metálica). A disposição dos eletrodos pode ser pelo modo contraplanar (um eletrodo é aplicado a cada lado do membro), coplanar (ambos os eletrodos são aplicados no mesmo lado do membro) e longitudinal (um eletrodo é aplicado a cada extremidade do membro) (SCOTT, 1998).

·  Técnica Indutiva: com base na lei da indução eletromagnética, um campo eletromagnético é gerado sempre que uma corrente elétrica flui por um material. As linhas de força do campo magnético irradiam-se em ângulos retos com a direção da corrente. Este processo tem um inverso, denominado indução magnética, em que o campo
magnético induz a formação de correntes secundárias no material. O método indutivo de Diatermia de Ondas Curtas utiliza a indução magnética para a geração de pequenas
correntes parasitas nos tecidos. As correntes parasitas podem resultar numa elevação na temperatura dos tecidos. O senso comum estabelece que as correntes parasitas   eram os efeitos fisiológicos. O papel do campo magnético consiste em funcionar como meio transportador até os tecidos (SCOTT, 1998).

Dosagem

Ainda não é possível medir o fluxo de alta-freqüência no corpo do paciente. O medidor do painel não dá esta informação. A dosimetria ainda depende em grande parte de
fatores biológicos – o terapeuta á guiado pela sensação de calor do paciente. Quando a dosagem é alta, a sensação de calor sobe ao nível de tolerância; quando a dosagem é média, o paciente sente-se confortavelmente aquecido; e quando ela é mínima, o paciente mal sente o aquecimento. Embora estas sejam orientações, é óbvio que elas não são confiáveis para uma dosimetria acurada e dependem de sensibilidade perfeita e condição alerta por parte do paciente (LEHMANN e LATEUR, 1994).

Tempo de Aplicação

Se a energia for acrescentada aos tecidos mais rápido do que está sendo dissipada, a temperatura poderá subir, o que causa vasodilatação para aumentar a remoção de calor até que o ganho e a perda de calor fiquem novamente em equilíbrio em uma nova temperatura local, mais elevada. Geralmente leva cerca de 15 a 20 minutos para que esses ajustes vasculares ocorram e assim atinjam um estado de estabilidade, mas isso pode demorar um pouco mais. Essa é a razão para aplicar tais tratamentos por 20-30 minuto (LOW e REED, 2001).

Contra-Indicações Para o uso da Diatermia de Ondas Curtas

·  Marcapassos implantados;
·  Metal nos tecidos ou fixadores externos;
·  Sensação térmica comprometida;
·  Pacientes não cooperativos;
·  Gestação;
·  Áreas hemorrágicas;
·  Tecido isquêmico;
·  Tumores malignos;
·  Tuberculose ativa;
·  Trombose venosa recente;
·  Pirexia do paciente;
·  Áreas da pele afetadas por aplicações de raios-X (SCOTT, 1998; LONGO e FUIRINI, 2000, LOW e REED, 2001).

Retirado daqui

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