sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Jovens sentem dores e lesões causadas pela tecnologia

Não é novidade que os jovens usam cada vez mais tecnologias. Também não é novidade que todo esse tempo gasto em frente às telas pode trazer malefícios. Mas o que é surpreendente são os números descobertos em uma nova pesquisa: mais de 50% dos estudantes universitários disseram que já sentem dores atribuídas ao computador.

Em 2009, relatórios indicavam que lesões músculo-esqueléticas eram as responsáveis por 29% de todas as lesões e doenças que exigiram licença do trabalho em 2008. Com o uso cada vez mais irrestrito da tecnologia, o risco à saúde das pessoas também começa cada vez mais cedo.

Crianças, adolescentes e jovens adultos já estão reclamando de desconforto músculo-esquelético, incluindo dores nas costas, pescoço e ombro. Durante um estudo com estudantes universitários, um em cada sete disse que tem dor após trabalhar em um computador por apenas uma hora.

Os pesquisadores acreditam que uma das muitas razões pelas quais as pessoas sentem desconforto em várias partes do corpo durante o uso da tecnologia é porque os computadores não estão configurados corretamente.

Por exemplo, os laptops têm mouse embutido (touchpad), mas os cientistas recomendam o uso de mouses externos. Quando uma pessoa usa o mouse do notebook, se coloca em uma posição desconfortável, com o braço cruzando o corpo, ao invés de relaxado ao seu lado.

Também, dependendo de como uma pessoa posiciona a mão (com 1 a 3 dedos) no teclado, os tendões de um dedo podem ser constantemente alargados, o que pode colocar uma pressão sobre os músculos e articulações. Então, durante um período prolongado de tempo, desconforto nos ombros, braços, pulsos e dedos podem se desenvolver.

Além disso, a maioria das pessoas descansa o pulso na borda do notebook para usar o mouse touchpad. Isso é chamado de estresse de contato e pode colocar pressão sobre os músculos, nervos e vasos sanguíneos do pulso.

Segundo os pesquisadores, o acréscimo de acessórios como mouse, teclado e objetos que levantem o laptop ajuda na postura.
Porém, o mouse do computador é muitas vezes culpado pelo risco aumentado de desordens músculo-esqueléticas, como a síndrome do túnel do carpo, caracterizada pela pressão do nervo, e que causa dormência, formigamento, fraqueza e lesão muscular na mão e nos dedos.

A síndrome do túnel do carpo é resultado da extensão do punho e da força excessiva aplicada na ponta dos dedos para pressionar o botão do mouse. Um monte de estresse também é colocado no antebraço, principalmente quando o mouse externo é usado incorretamente. Porém, é melhor usar o externo. Além disso, o mouse deve ficar na altura do cotovelo e posicionado ao lado do teclado, não muito longe.

Se um monitor de computador não está posicionado corretamente, também pode levar a vários tipos de lesão crônica para os usuários. Os monitores de computador frequentemente são posicionados baixo demais, o que pode deixar o pescoço do usuário em um ângulo ruim, e com a parte superior das costas inclinadas. Nessa posição, o estresse sobre a coluna vertebral aumenta significativamente, o que também causa fadiga muito mais cedo em um dia de trabalho.

Também há quem costuma avançar sobre o computador para ver melhor a tela. Os monitores devem ser posicionados em frente a um braço de distância e perpendicular a uma janela para evitar reflexos na tela.

Enquanto isso, os monitores de grande porte que têm maiores ícones e símbolos mantêm os olhos no ângulo certo e dão uma postura mais ereta ao corpo.

Muitas pesquisas mostram que há maneiras de evitar certos desconfortos. Por exemplo, crianças e adultos que são mais ativos são menos propensos a sofrer de dores devido ao uso de tecnologia.

Da mesma forma, os pesquisadores acreditam que os usuários devem pensar em si mesmos como atletas cada vez que usarem um computador ou dispositivo de tecnologia. É como um jogador de futebol que tem que aquecer antes do jogo.

Levantar-se de um computador e andar a cada duas ou três horas é um bom começo. Alongamentos diários para prevenir complicações físicas são o ideal.

Para alongar os punhos e prevenir doenças como a do túnel do carpo e a tendinite, os especialistas aconselham juntar as palmas das mãos (dedos apontados para o teto) e empurrar os calcanhares das mãos em direção ao chão, segurando por 15 segundos. Depois, coloque as palmas das mãos juntas com os dedos apontados para o chão e empurre os calcanhares das mãos em direção ao teto.

Para esticar o pescoço, você pode inclinar a cabeça para a esquerda e segurá-la por 15 segundos, e depois à direita pela mesma quantidade de tempo.

Doença rara deixa coluna de menina em formato de 'S'

Uma doença rara fez com que a coluna vertebral de uma estudante do Reino Unido ficasse em forma de "S". Ellen Wagstaff, de 12 anos foi diagnosticada com escoliose idiopática, o mal deixou sua espinha em um ângulo de 90 graus. A doença foi diagnosticada há 10 meses, a jovem foi ao médico após sentir dores nas costas, desde então sua condição se deteriorou muito velozmente.

Foto: Reprodução do site 'Daily Mail'
Radiografia mostra coluna da jovem de 12 anos | Foto: Reprodução do site 'Daily Mail'

A menina deve passar por uma operação no próximo mês. O procedimento consiste em colocar placas de metal que devem agir como um andaime para manter a coluna reta. Em entrevista ao site Daily Mail a mãe da jovem relata que a intervenção é vital. "A cirurgia é essencial para evitar a deterioração da condição da minha filha, conforme a coluna se dobra órgãos podem ser compactados, relarou Joana.

Ellen não esta muito abalada com proximidade da operação ela vem arrecadando dinheiro para ajudar outras crianças que sofrem da escoliose idiopática. Ela diz que é uma menina de muita sorte. "Eu percebi o quão sortuda eu sou, porque há crianças lá fora sem cirurgiões e hospitais e que estão sofrendo em silêncio.", desabafou.

Fonte: O Dia

Já visitou o blog sobre Dores na Coluna hoje?


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Coxa Vara Congênita

        Coxa Vara é a diminuição do ângulo Cérvico-diafisário que na criança é em torno de 135º a 148º graus e no adulto é de 120 a 140 graus.

        É um defeito de ossificação congênita localizada no colo femoral resulta em desenvolvimento gradual de uma deformidade progressiva em varo do extremo superior do fêmur (coxa vara). É as vezes considerada uma anomalia mais do tipo evolutivo do que congênito.
        
A designação genérica de coxa vara indica qualquer condição em que o ângulo colo-diáfise é menor que 125º graus. Este, às vezes, se reduz a 90º graus ou menos. A deformidade é provocada mecanicamente pelo esforço do peso corporal atuando sobre um fêmur defeituoso ou anormalmente mole.
        A coxa vara é definida de duas categorias em relação a sua etiologia:a)- Tipo adquirida ou secundária – causada por alterações metabólicas, traumáticas ou infecciosas, como raquitismo, necrose asséptica da cabeça do fêmur, epifisiólise ou artrite séptica quadril; b)-Tipo infantil, do desenvolvimento ou congênita é de causa ainda desconhecida sendo relativamente raro pois segundo JOHANNING ( 1951), ocorrendo um caso em cada 25.000 natividade.
        A coxa vara congênita pode apresentar comprometimento uni ou bilateral. Não é influenciada pelo sexo ou pela raça.

Etiologia:

   
     As mais importantes são: a)- congênitas- uma parte do colo femoral permanece como cartilagem não ossificada a qual se encurva durante a infância. Este tipo é pouco freqüente; b) – Deslizamento epifisário (coxa vara epifisária); c)-Fraturas - é uma seqüela comum nos casos de fraturas trocantéricas mal consolidadas e em fraturas não consolidadas do colo e do fêmur; d)– Amolecimento ósseo em doenças sistêmicas como ricketsioses, osteomalácia ou osteodistrofia paratireoidiana.

Quadro Clínico e Diagnóstico:


        -    Apresenta um discreto encurtamento real do membro;
        -    Aproximação do grande trocânter ao ilíaco diminui a eficiência dos abdutores do quadril, levando, nos casos mais graves, a uma claudicação, com Trendelenburg positivo já que a distância do grande trocânter a crista ilíaca é menor que o normal e a eficiência dos músculos abdutores está diminuída;
        -    Marcha com claudicação, indolor do tipo Trendelenburg ou claudicação cambaleante.

        O tratamento visa, principalmente, a causa determinante. Em alguns casos pode-se corrigir o ângulo colo-diáfise através de uma osteotomia. Esta osteotomia subtrocantérica de abdução, ou deformidade  em varo, mas também estimula a ossificação do defeito do colo femoral. Técnica utilizada com fixação de uma placa coventry seguida de gesso pelvi-podálico por 6 semanas e em seguida fisioterapia.
   
     Alguns autores insistem em icluir a coxa vara congênita conjuntamente com a deficiência femoral proximal focal, porém esta é uma patologia totalmente diversa da anterior e se enquadra dentro das malformações congênitas, figura.
   
     A cirurgia é mais eficaz se realizada antes que se desenvolva uma deformidade de marcha.
   
     O quadro clínico, não se desenvolve até que a criança inicie a marcha e freqüentemente só é observada após 3 ou 4 anos de idade.
   
     Apresenta uma marcha indolor típica "de pato"quando bilateral  e semelhante a luxação congênita do quadril, provocada por uma ação ineficiente dos abdutores dos quadris. A abdução do quadril está limitada, existe um sinal de Trendelemburg no apoio monopodálico do lado afetado e com o trocanter maior elevado figura 1.

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        A                         B                     C  
Figura 1 - Sinal de Trenlenburg: A- lado do quadril direito luxado;
B-encurtamento do M.I.D.;
C- ereta no esquerdo (lado quadril normal).

        O aspecto radiográfico é típico figura-2 sendo observado um ângulo de inclinação próximo dos 90º graus além da presença de um fragmento triangular localizado na parte inferior do colo do fêmur junto da epífise. Esse sinal descrito por FAIRBANK (1928), somente é visto até os 8 anos de idade. Com o crescimento da criança a deformidade cresce progressivamente, sendo que a linha epifisária se fecha precocemente em torno dos 12 anos de idade, e em 40% dos casos, a pseudartrose permanece com a completa desinserção da cabeça e colo do fêmur (GOLDING, 1969.

 
 
A                                           B

Figura 2 - Mostra: A- coxa vara; B- quadril normal;

Tratamento:

   
     O tratamento conservador é ineficiente e a correção cirúrgica é essencial, porém como AMSTUTZ (1962) afirmou, o problema é determinarmos quando e como atuar.
   
     Em criança com uma marcha apresentando claudicação exuberante, acompanhada de uma perda de função do quadril com limitação da abdução e rotação além de um ângulo de inclinação com varismo do fêmur em 90ºgraus ou menor a osteotomia corretiva estará indicada em qualquer idade. Lembramos ainda que quando mais orecoce efetivarmos o ato cirúrgico na criança, mais radical deverá ser a correção da deformidade em varo e e muitos casos em que se atua precocemente será necessário uma revisão  cirúrgica nos anos subseqüentes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Exercícios proprioceptivos previnindo lesões no esporte


O termo propriocepção foi primeiramente introduzido por Sherrington em 1906, que a descreveu como um tipo de feedback dos membros ao sistema nervoso central (SNC) (Dover & Powers, 2003); propriocepção é um tipo de informação vinda dos membros até o SNC (Lephart et al., 1997). O SNC processa estas informações vindas de terminações nervosas especializadas ou de mecanoceptores que estão localizados na pele, músculo, tendão, cápsula articular e ligamento. Juntamente com os inputs vestibular e visual, os mecanoceptores fornecem ao SNC informações sobre a posição do membro (Beynnon et al., 1999).

Hoje a propriocepção é descrita como a conciliação do senso de posição articular (habilidade do indivíduo identificar a posição do membro no espaço) e da cinestesia (movimento articular) (Dover et al., 2003); outros autores ainda consideram que o termo propriocepção tem um sentido mais amplo, que inclui nesta definição o controle neuromuscular (Laskowski et al., 1997).

 
Proprioceptores

Para a formulação de um programa de reabilitação-treinamento proprioceptivo é fundamental um conhecimento da fisiologia básica, isto é, de como estes mecanoceptores musculares e articulares funcionam conjuntamente na produção de movimento fluente, controlado e coordenado (Ellenbecker, 2002).

Três tipos de mecanoceptores nos músculos e articulações sinalizam a posição estacionária dos membros e a velocidade de direção dos membros em movimento: (a) receptores especializados sensíveis ao estiramento muscular, denominados receptores do fuso muscular; (b) órgãos tendinosos de Golgi, receptores do tendão que são sensíveis a fora de contração e ao esforço exercido por um grupo de fibras musculares; e (c) receptores localizados nas cápsulas articulares que são sensíveis à flexão ou extensão da articulação (Kandel, 2003).


Vias proprioceptivas

Esses mecanoceptores iniciam o laço aferente do feedback proprioceptivo ao SNC (Laskowski et al., 1997). Os axônios que transportam informações dos órgãos para a medula são chamados de aferentes e são denominados de acordo com seu tamanho, ou seja, I, II, e assim por diante, conforme o diâmetro e a velocidade de condução relativa. Transportam as informações dos órgãos do fuso (Ia) e dos órgãos de Golgi do tendão (Ib) (Cailliet, 2000).

Muitos axônios que trazem a informação proprioceptiva entram no corno dorsal da medula e fazem sinapses com os interneurônios. A essência da integração aferente com a coluna espinhal é quando estes sinais se encontram com os interneurônios e estes se conectam com os altos níveis do SNC. A maioria dessas informações proprioceptivas propaga-se até os altos níveis do SNC através do trato dorsal lateral ou trato espinocerebelar. Os dois tratos dorsais laterais estão localizados na região posterior do corno espinhal e finalmente carregam os sinais ao córtex somatosensorial. Embora a maioria das sensações que este trato é responsável seja toque, pressão e vibração, grande quantidade da compreensão consciente do senso de posição articular e cinestesia também é atribuída a este trato (Riemann & Lephart, 2002).


Exercícios proprioceptivos preventivos

Os exercícios proprioceptivos são uma parte integral do processo de reabilitação e talvez seja prudente o uso clínico na prevenção de lesões desportivas, pois os estudos realizados comprovaram que a prescrição destes exercícios melhora o senso de posição articular e evita que as lesões ocorram (Dover et al., 2003).

A prática regular de exercícios proprioceptivos ajuda a manter uma excelente resposta do sistema somatosensorial, comprovando que a utilização destes exercícios auxilia na manutenção do equilíbrio (Gauchard, 1999).

O programa de exercícios proprioceptivos, para compor um trabalho proprioceptivo preventivo, deve ter exercícios dinâmicos, multidirecionais e específicos de cada esporte. Estes exercícios trabalham principalmente com componentes da estabilidade dinâmica das articulações (unidades músculo-tendíneas) que mantém os membros e as articulações estáveis durante os movimentos. Este treinamento de exercícios dinâmicos específicos de cada esporte, permite facilitações na adaptação proprioceptiva na articulação do joelho em atletas (Hewett, 2001).

Em um estudo controlado prospectivo de 600 jogadores de futebol relacionou os possíveis efeitos preventivos de um treinamento proprioceptivo. Trezentos jogadores foram instruídos a treinar 20 minutos por dia com 5 diferentes fases de dificuldade aumentada. A primeira fase consistiu de treinamento equilibrado sem qualquer prancha de equilíbrio, a fase 2 de treinamento em uma prancha de equilíbrio retangular, fase 3 de treinamento em uma prancha redonda, fase 4 de treinamento em uma prancha retangular e redonda combinado, fase 5 de treinamento em uma prancha chamada BABS. Um grupo controle de 300 jogadores de outros times comparáveis treinava normalmente e não receberam qualquer treinamento. Ambos os grupos foram observados durante três temporadas e possíveis lesões de ligamento cruzado anterior (LCA) foram diagnosticadas por exames clínicos. Um total de 10 lesões de LCA foram encontradas no grupo propriocepção, contra 70 lesões nos jogadores que somente realizaram o treinamento normal foram registradas. Este trabalho concluiu que o treinamento proprioceptivo pode reduzir significativamente a incidência de lesões de LCA nos jogadores de futebol (Caraffa, 1996).

No futebol Suíço durante as temporadas de 1999 e 2000, 101 jovens atletas participaram de um grupo de intervenção, realizando diversas atividades que tinham o intuito de prevenir lesões, entre elas um programa de exercícios destinados a aumentar a estabilidade das articulações do tornozelo e joelho, enquanto 93 jovens atletas do grupo controle continuaram a praticar o esporte normalmente. A incidência de lesões no grupo de intervenção foi de 6.7 acada 1000 horas de treinamentos ou jogos, enquanto no grupo controle foi de 8.5, o que representa um número 21% menor de lesões no grupo de intervenção comprovando claramente que a incidência de lesões no futebol pode ser reduzida com um programa de prevenção (Junge et al., 2002).

Em um trabalho nos anos de 2000 e 2001 com jogadoras de futebol com idade entre 14 e 18 anos de equipes norte-americanas, 1041 e 844 atletas participaram do grupo de intervenção no primeiro e segundo ano respectivamente, enquanto o grupo controle contou com 1905 e 1913 em cada ano do estudo. O grupo de intervenção realizou um programa de treinamentos neuromusculares e proprioceptivos, além de exercícios de aquecimento, alongamento e fortalecimento, com o intuito de reduzir o índice de lesões dos ligamentos cruzados anteriores destes atletas enquanto o grupo controle continuou sua rotina normal de treinamentos. No primeiro ano de estudos ocorreram 2 lesões de ligamento cruzado anterior no grupo de intervenção, enquanto no grupo controle ocorreu 32 lesões deste ligamento. No segundo ano de pesquisa ocorreram 4 e 35 lesões do ligamento em questão no grupo de intervenção e no grupo controle respectivamente. Ocorreram 88% e 74% menos lesões do ligamento cruzado anterior no grupo de intervenção em comparação com o grupo controle no primeiro e segundo ano respectivamente (Mandelbaum et al., 2005).

No estudo com 1263 jovens atletas de futebol, basquetebol e voleibol dos sexos masculino e feminino para verificar a incidência de lesões de joelho em atletas do sexo feminino. Havia dois grupos de atletas do sexo feminino, o grupo de intervenção que foi submetido a um programa de treinamento neuromuscular durante 6 semanas que consistia de alongamentos, exercícios pliométricos e treinos com pesos enfatizando as características de cada esporte, o grupo controle em que continuou realizando sua prática desportiva de modo habitual e um terceiro grupo controle de atletas do sexo masculino. Ocorreram 14 lesões severas de joelho durante o estudo, em que 10 ocorreram no grupo controle de atletas (8 lesões sem contato) e 2 (0 sem contato) lesões no grupo de intervenção de atletas do sexo feminino respectivamente. E no grupo controle de atletas do sexo masculino ocorrera 2 lesões severas de joelho, sendo que uma lesão de contato e outra sem contato. O menor número de lesões severas de joelho em atletas que se submeteram ao treinamento neuromuscular pode ser devido ao aumento da estabilidade dinâmica articular destes atletas (Hewett, 1999).

No estudo com 765 jovens jogadores (523 do sexo feminino e 242 do sexo feminino) de basquetebol e voleibol foram divididos no grupo de intervenção (373 atletas) que participaram de um programa de treinamento de equilíbrio e no grupo controle (392 atletas) que mantiveram suas atividades desportivas rotineiras. O programa de exercícios escolhidos para a realização do trabalho foi baseado nos exercícios usados durante a reabilitação de lesões de joelho e tornozelo. Os exercícios foram divididos em 5 fases, sendo que da fase 1 a 4 foi desenvolvida durante 4 semanas antes do início da temporada com a realização dos exercícios 5 vezes por semana. A fase 5 do treinamento ocorreu após o início das competições com a realização dos exercícios 3 vezes por semana. O objetivo foi verificar a incidência de lesões de tornozelo nestes atletas, e o grupo de intervenção teve significativamente menos lesões o grupo controle (1.13 e 1.87 lesões de tornozelo a cada 1000 horas de prática esportiva). Então, um programa de treinamento de equilíbrio reduziu significativamente o risco de entorses de tornozelo em jovens atletas de futebol e basquetebol (de McGuine & Keene, 2006).

Em pesquisa realizada durante a temporada 2001-2002 do voleibol holandês masculino e feminino sobre treinamento proprioceptivo com o objetivo de diminuir o número de entorses de tornozelo contou a participação de 641 jogadores no grupo controle e 486 jogadores no grupo de intervenção. O programa de treinamento consistiu em 14 exercícios básicos com e sem o uso de pranchas de equilíbrio, e foram realizados durante as 36 semanas da temporada de voleibol. O entorse de tornozelo teve incidência de 0.5 por 1000 horas de jogo no grupo de intervenção e 0.9 por 1000 horas de jogo no grupo controle. A incidência total de lesões no grupo de intervenção foi de 2.1 por 1000 horas de treinamentos ou jogos, enquanto no grupo controle foi de 2.9 por 1000 horas. Concluiu-se que um programa proprioceptivo em pranchas de equilíbrio foi suficiente para prevenir a ocorrência de entorses de tornozelo (Verhagen et al., 2004 ).

O treinamento em discos de tornozelo influenciou o tempo de reação de músculos selecionados durante um entorse de tornozelo simulado em pessoas sem lesões prévias e sem instabilidade funcional do tornozelo (Sheth et al., 1997).

Fonte

Fisioterapia em dores da cintura escapular

Fase aguda

Para aliviar a dor e promover cicatrização, é necessário repouso da parte afectada pelo processo inflamatório, colocando a tipóia para evitar irritação contínua da bolsa. Contudo, uma imobilização completa pode levar à aderência de fibrilhas em desenvolvimento de tecido vizinho, enfraquecimento do tecido conectivo e alteração na cartilagem articular, pelo que, é importante serem realizados períodos intermitentes de movimento controlado para manter amplitudes e inibir a dor.
Devem ser utilizadas técnicas leves (movimentos passivos) de mobilização articular na articulação gleno-umeral dentro do limite da dor e exercícios pendulares
Precaução: Se o movimento causar aumento de dor ou uma resposta inflamatória, provavelmente a dosagem estará a ser excessiva ou o movimento não deveria ser executado. É necessário cuidado extremo com os movimentos nesta fase.

A infiltração local de anestésicos e corticóides geralmente dão bons resultados clínicos.

Fase subaguda

Nesta fase a função deve ser recuperada sem se irritar a bolsa. É um período de transição durante o qual o movimento activo pode iniciar e progredir com cuidado. Se a actividade é mantida dentro de dosagem e freqüência seguras, os sintomas de dor e edema irão diminuir progressivamente a cada dia. A resposta do paciente é o melhor guia para saber com que velocidade e intensidade deve ser a progressão.

Devido ao uso restrito da região lesada, ocorre certo enfraquecimento muscular, pelo que, inicialmente se devem aplicar movimentos isométricos dentro da tolerância do paciente, começando cautelosamente com resistência leve e ir progredindo para exercícios isotónicos com resistência conforme for tolerado.

Precaução: Se os sinais de inflamação aumentarem, a intensidade do exercício e da actividade deve ser diminuída.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Tratamento fisioterapêutico do ombro doloroso de pacientes hemiplégicos por acidente vascular encefálico

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Acidente Vascular Encefálico (AVE) é definido pela Organização Mundial de Saúde como uma síndrome de rápido desenvolvimento, com sinais clínicos de perturbação focal ou global da função cerebral, com mais de 24 horas de duração, podendo levar ao óbito e de suposta origem vascular.

As doenças cerebrovasculares têm grande impacto sobre a saúde da população, situando-se entre a primeira e terceira principal causa de mortalidade no Brasil. A incidência anual de AVE nos EUA é de aproximadamente 500 mil, com um total de mais de 3 milhões de sobreviventes na metade da década passada.

A recuperação de um paciente com hemiplegia constitui-se em um grande desafio, tanto pela complexidade das funções perdidas, quanto pela alta incidência de dor no ombro, resultando em impacto negativo no processo reabilitacional.

O início da hemiplegia pode comprometer os princípios biomecânicos normais e a estabilidade do complexo do ombro, devido a perda do controle motor e do desenvolvimento de padrões anormais de movimento; secundariamente, ocorrem alterações em tecidos moles e desalinhamento da articulação glenoumeral. A incidência de ombro doloroso prevalece entre 34 a 85% dos pacientes, independente de idade e sexo e ocorre na segunda semana após o acidente vascular.

O mecanismo de produção do ombro doloroso nas hemiplegias pode estar relacionado a vários fatores:

subluxação escápulo-umeral

capsulite do ombro

síndrome do impacto

síndrome complexa de dor regional

tendinite bicipital

neuropatia por tração do plexo braquial

espasticidade

mobilização do membro superior paralisado em torno da amplitude de movimento

limitação de ADM

lesões de partes moles

dor central

As modalidades fisioterapêuticas mais empregadas para lidar com essa condição clínica consistem em: estimulação elétrica funcional (FES), estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), bandagem, manuseio e posicionamento correto e tipóia.

Fonte

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Coletes geram alívio da dor e riscos

Nem tanto, nem tão pouco. O que vai dar a medida certa é atenção e carinho com seu corpo. Isso porque as fraturas vertebrais passíveis de acometer pacientes com osteoporose podem ter comportamentos distintos. Algumas não chegam a ser percebidas porque a dor que provocam é pequena e passa rapidamente, sendo confundida com mais uma de tantas "dores nas costas" que temos. Outras, ao contrário, podem provocar dor intensa e prolongada e, nesse caso, são necessárias algumas medidas analgésicas até que a fratura tenha consolidado. Uma dessas medidas é a utilização de coletes ortopédicos e o curioso é que exatamente na busca de alívio para a dor pode surgir outro perigo.

O uso do colete tem de ter tempo limitado

Quem adverte é o ortopedista Sérgio Ragi Eis, pesquisador do Centro de Diagnóstico e Pesquisa de Osteoporose do Espírito Santo (Cedoes). Como essa órtese tem efeito analgésico, o paciente tende a se acomodar e pode tornar-se dependente. Ele aconselha o uso em média por 45 dias e não ultrapassando os três meses, para evitar que a musculatura das costas se atrofie e aumentem as chances de uma nova fratura por falta de sustentação.

Segundo Ragi, o colete é mais indicado nas fraturas agudas, ou seja, aquelas que são recentes. "A grande maioria das fraturas vertebrais (três em cada quatro) só é detectada tardiamente, em sua fase crônica, por exame radiológico, porque o paciente não percebe sua ocorrência", afirma o ortopedista.

Apesar de seu efeito analgésico, o colete nem sempre é bem aceito pelo paciente. Como ele é usado durante o dia – podendo ser dispensado à noite se não houver dor – alguns sofrem com o calor e desconforto, podendo até ter feridas na pele.

"Para lidar com esse incômodo, recomendamos medidas como o uso de camisetas de algodão por baixo do colete e hidratação da pele, mas mesmo assim nem sempre se consegue eliminar o incômodo", relata o especialista.

O desconforto é grande principalmente para pacientes com sobrepeso que têm dificuldade de adaptar-se a coletes rígidos. Nesses casos, podem ser tentadas cintas de material elástico, com ou sem estrutura metálica interna.

Fonte

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Plataforma Vibratória x Osteoporose

O conceito científico da estimulação neuromuscular por vibração foi desenvolvido na década de 80, na antiga União Soviética, com o propósito de combater a perda de densidade óssea e massa muscular em astronautas durante a permanência deles em atmosfera sem ação de força gravitacional.

A osteoporose, na qual os ossos se tornam porosos e partem com facilmente, é uma das doenças mundiais mais comuns e debilitantes. O resultado: dores, perda de movimento, incapacidade de realizar tarefas diárias e, em alguns casos, morte. Em todo o mundo, uma em cada três mulheres com mais de 50 anos irá sofrer fraturas osteoporóticas e o mesmo acontecerá a um em cada cinco homens. A osteoporose pode, até certa medida, ser prevenida, caso seja facilmente diagnosticada e se os tratamentos efetivos sejam disponibilizados. No entanto, a osteoporose fica, muitas vezes, por diagnosticar ou por tratar, o que deixa as pessoas num risco desnecessário de fratura.

Não é novidade que os estímulos físicos são extremamente importantes para o osso e que qualquer tipo de exercício pode ser considerado estimulador da formação de massa óssea. Entre os métodos físicos de tratamento de doenças ósseas, a plataforma vibratória foi sem dúvida o mais estudado.

Chamada de terapia de movimento dinâmico, o tratamento prevê o uso de uma plataforma vibratória para tratar osteopenia e osteoporose. Seu princípio é simples: a máquina começa a vibrar sob o peso do paciente. Embora a trepidação seja levíssima, para conseguir se equilibrar a pessoa contrai instintivamente todos os músculos do corpo. É essa contração que detona o processo fisiológico que causa microlesões nos ossos. Para reparar o dano, o organismo, então, aumenta a produção de células de reconstrução óssea - e faz o esqueleto fortalecer-se contra possíveis novas agressões, entre elas a osteoporose. O segredo da nova tecnologia está na precisão das vibrações: não importa o peso da pessoa, a máquina está programada para fazer com que os músculos se contraiam 35 vezes por segundo, a intensidade mínima necessária para estimular a reconstrução óssea.

A plataforma vibratória estimula exatamente as fibras de ação rápida, além de incentivar a formação de massa óssea, o que faz com que a musculatura do idoso melhore, impedindo que ele sofra mais quedas. Com o estímulo da plataforma, esses indivíduos passam a ter mais força para fazer suas atividades diárias. As plataformas vibratórias são indicadas como tratamento coadjuvante da osteoporose. Um estudo realizado nos Estados Unidos com 70 mulheres na fase pós-menopausa mostrou que vibrações de baixa intensidade aplicadas durante 20 minutos diários podem inibir efetivamente a perda óssea na região da coluna e do fêmur. É importante ressaltar que, apesar de sua eficácia, as plataformas vibratórias não dispensam o tratamento farmacológico da doença, decisivo para a evolução do quadro clínico. Prevenir a osteoporose é mais fácil que tratar.

Fonte

Fisioterapia na Ventilação mecânica

A Fisioterapia atua nos berçários de alto risco promovendo a melhora da qualidade de vida, diminuindo o tempo de permanência desses bebês na UTI, além de favorecer o ganho de peso, melhorar o tônus e estado de alerta. Inicialmente deve ser realizada uma avaliação que permite conhecer a situação clinica do RN, através da história obstétrica e antecedentes maternos, coleta de dados pessoais do RN, tais como idade, peso, Apgar, tipo e condições de parto e a hipótese diagnóstica. Além disso, deve-se realizar o exame físico observando o estado geral do RN, temperatura, freqüência cardíaca e respiratória, padrão respiratório, tipo de tórax, ritmo respiratório, condições da pele, postura e tônus muscular, comportamento e estado de sono. Verificar a presença de edema, enfisema subcutâneo, fraturas de costela e ausculta pulmonar.

Durante a avaliação devem ser observados os problemas pulmonares, neurológicos, posicionamento inadequado, alterações do sono/vigília, comportamento, tônus e presença de reflexos arcaicos.

Após a avaliação o fisioterapeuta devem-se utilizar as técnicas e recursos da fisioterapia respiratória (como a vibração torácica, a aspiração das vias aéreas e o método RTA), o posicionamento e a estimulação sensorimotora. Esta consta de estimulação tátil, vestibular, proprioceptiva, visual e auditiva, que facilitam o desenvolvimento neuropsicomotor dos RN's. 

A vibração torácica, que consistem em movimentos manuais rítmicos, rápidos e com uma intensidade capaz de transmitir a vibração aos brônquios pulmonares, pode ser bastante eficaz para a remoção de secreções em lactentes que apresentam freqüência respiratória normal. Esta técnica apresenta como contra-indicações os lactentes muito pré-termo, que apresentem pele bastante fina, o que facilita as lesões e infecções; em caso de broncoespasmo, que pode ser aumentado; e em RN's que tenham amolecimento dos ossos, deformidades ou que podem desenvolver o raquitismo.

O autor supracitado relata que a aspiração das vias aéreas é uma técnica que visa a remoção de secreções, e é indicada quando os mecanismos de ação ciliar estiverem deficitários. No caso de lactentes e crianças jovens, esta técnica deve ser feita seguindo-se alguns cuidados, como: realizar uma pré-oxigenação, com aumento do oxigênio em aproximadamente 10%, para evitar a hipóxia; manter uma boa higienização das mãos e equipamentos a serem utilizados, evitando infecções; não oferecer uma pressão excessiva no vácuo, e sim a necessária para puxar as secreções, que é de 75-150 mmHg; não introduzir os cateteres de aspiração além de 1cm abaixo da extremidade do tubo endotraqueal, a fim de evitar perfuração direta do brônquio segmentar e conseqüentemente um pneumotórax; e ao realizar a aspiração nasofaríngea em RN que não esteja intubado, deve-se envolve-lo com cobertor para evitar que o mesmo se debata.

O método Reequilíbrio Tóraco Abdominal (RTA) tem como objetivo melhorar a ventilação pulmonar e promover a desobstrução brônquica a partir da normalização do tônus, do comprimento e da força da musculatura respiratória. Este método consiste em realizar um manuseio dinâmico sobre o tronco do paciente com a finalidade de promover a respiração abdominal melhorando os componentes justaposicional e insercional do diafragma. Isto é conseguido através do alongamento, fortalecimento e estimulação proprioceptiva deste músculo.

Um adequado posicionamento na UTIN é muito importante a fim de melhorar a função respiratória dos pacientes. A posição supina é a menos benéfica, porém a prona apresenta vantagens na redução do refluxo gastro-esofágico e no gasto energético. Os RN's apresentam uma melhor oxigenação pulmonar quando, além da posição prona, inclina-se levemente sua cabeça para cima, o que não ocorre na posição totalmente horizontalizada ou com a cabeça para baixo (PARKER; PRASAD, 2002).

Para que a estimulação sensorimotora seja terapêutica deve-se levar em consideração sua intensidade, duração, freqüência e tipo, de acordo com a tolerância fisiológica de cada RN, pois, como por exemplo, um bebê hipertônico pode apresentar aumento ainda maior de tônus na presença de estímulos excessivos dados ao mesmo tempo. A intervenção sensorimotora tem como objetivo principal oferecer ao RN assistência a fim de que o mesmo atinja o máximo de interação com seus pais e atendentes, facilitando padrões posturais e movimentos normais (SWEENEY; SWANSON, 1994).

Vale ressaltar que é importante observar os parâmetros iniciais do ventilador, como FR, Ti, Te, PIP, fluxo de O2, FiO2 e PEEP, acompanhando toda a evolução do paciente até seu desmame, quando a intervenção fisioterapêutica se torna particularmente importante em virtude da alta incidência de atelectasia pós-extubação (DOMINGUEZ; KOMIYAMA, 1998).

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

III Congresso Internacional de Reabilitação Neuromusculoesquelética e Esportiva


Por que participar de um evento científico em Fisioterapia? Por que o CIRNE se tornou mais do que um evento científico em Fisioterapia? Quais os benefícios de se manter atualizado na sua profissão? O que esperar de um encontro internacional com fisioterapeutas de todos os estados brasileiros?

O CIRNE é mais do que um evento científico, é um mix de encontros, uma celebração do conhecimento partilhado. Nosso primeiro encontro, no Rio de Janeiro em 2006, possibilitou ao fisioterapeuta brasileiro participar, pela primeira vez, de um encontro científico de nível internacional. Quem foi ao evento participou de um intercâmbio de conhecimentos entre os nomes mais aclamados da Fisioterapia Musculoesquelética e Esportiva nacional e internacional. Nosso sonho estava se realizando.

Clique aqui e acesse o site do congresso.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Fisiolinks 50


Estamos chegando ao 50º Fisiolink, com muita indicação de amigos e parceiros. Se você quiser ter um link do seu blog e/ou site aqui, basta enviar para o email do blog: facafisioterapia@gmail.com.

A única condição pra que o seu link possa constar aqui é sermos parceiro. E para sermos parceiros, uma troca de links simples, basta.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Atuação fisioterapêutica na Doença de Huntington


O tratamento fisioterapêutico deve ter como base a manutenção das habilidades preservadas, bem como a melhora, dentro do possível, das funções já comprometidas.  Todo tipo de intervenção deverá buscar a promoção da autoconfiança e aumento da auto-estima, tendo como base as necessidades e desejos do próprio paciente de forma a motivá-lo e manter sua energia e colaboração. O profissional fisioterapeuta deve estar preparado para possíveis situações de crises agudas como a asfixia.  

Fornecer apoio aos familiares do indivíduo enfermo é também papel da fisioterapia, tanto no que diz respeito à orientação sobre como lidar com possíveis situações de estresse diante da evolução dos comprometimentos motores do paciente, quanto no encaminhamento à profissional da psicologia, que possa levar a superação de dificuldades emocionais.

A prática de atividades físicas para pessoas com distúrbios motores, representa a aplicação de princípios de reabilitação no mais alto nível. A cada dia, um número maior de pessoas com algum tipo de incapacidade física, está envolvida em atividades físicas e esportes, devido aos benefícios proporcionados para a reabilitação e para o bem - estar.  A exclusão desses indivíduos da prática de atividade física pode levar a diminuição da aptidão física e da eficiência dos movimentos, comprometendo também o desenvolvimento de habilidades motoras. Para um programa de reabilitação efetivo é importante o trabalho de uma equipe multiprofissional além da integração com a família e com a comunidade na qual o indivíduo vive. Os objetivos de um programa de reabilitação devem enfocar a independência nas atividades de vida diária e nas atividades profissionais. É essencial considerar que o indivíduo, no processo de reabilitação, necessita também de recreação e de atividade esportiva como qualquer outro.

Quatro componentes definem a promoção da saúde para esses indivíduos: promoção de estilo de vida saudável e meio ambiente saudável; prevenção de complicações de saúde e outras complicações da própria doença; preparação da pessoa para compreender e monitorar a própria saúde e necessidades de cuidados especiais; promoção de oportunidades para participação em atividades diárias comuns. Por este motivo, o trabalho terapêutico não deve estar focado somente na fisioterapia convencional, mas sim em estratégias de recreação terapêutica, proporcionando oportunidades de praticar atividades que tragam momentos de prazer e satisfação.  Sempre que possível, a inclusão de música, trabalhos manuais e tarefas em grupo, deverá ser implementada, uma vez que tais atividades podem estabelecer níveis de motivação satisfatórios ao aumento ou manutenção da máxima independência.

De modo geral, todas as fases do tratamento de reabilitação devem ter como objetivo minimizar os efeitos das anormalidades motoras, como alterações de tônus, limitações de amplitudes de movimento, instalação de deformidades, além de prevenir ou tratar possíveis comprometimentos respiratórios. As técnicas fisioterapêuticas devem ser específicas ao comprometimento, como em qualquer outro tipo de doença neurológica, com treino de consciência corporal, controle postural e coordenação motora, e ênfase na realização das atividades de vida diária.

A intervenção da fisioterapia nos estágios iniciais e intermediários deve estar focada na manutenção do equilíbrio e da mobilidade, através da implementação de exercícios de alongamento para todos os tecidos moles adjacentes às articulações, de forma a prevenir contraturas e deformidades. Da mesma forma, o treino para manutenção do equilíbrio a partir de exercícios proprioceptivos, poderá retardar situações de hipomobilidade por insegurança. Os exercícios para este fim deverão ser implementados através do input de informações sobre a posição, velocidade, distância e direção do movimento, considerando a relação existente entre um segmento e outro. É importante reforçar que a propriocepção constitui o mecanismo de suporte para a postura equilibrada tanto estática quanto dinâmica.

Nos estágios em que a dependência física se fizer evidente, o treino de transferências - do leito para a cadeira, ou da cadeira de rodas para a cadeira de banho, por exemplo – deve ser enfatizado como forma de estender ao máximo, o mínimo de independência. O planejamento de um programa eficiente deverá estar pautado nas características específicas de cada paciente e do meio em que vive, de modo a permitir a manutenção ou progressão dos melhores resultados físico-funcionais e também emocionais. É importante considerar todas as possibilidades que proporcionem melhores chances de promoção funcional a partir de um mesmo espectro de capacidades, enfatizando o trabalho com pontos controles (ou seja, atividades que trabalhem as habilidades ainda presentes), direcionamentos de valores, foco no resultado, metas e objetivos de curto, médio e longo prazo, dentro de um sistema operacional multi-profissional.

O desenvolvimento de habilidades motoras específicas para a independência funcional, conquista de autonomia, bem-estar e saúde, depende grandemente da qualidade e da quantidade dos movimentos realizados de acordo com a necessidade funcional. Assim, é importante destacar a capacitação para movimentos funcionais do cotidiano. Em adição, deve-se orientar a respeito da importância do uso funcional das habilidades aprendidas, o que afetará não apenas a manutenção das capacidades físicas adquiridas, mas também o autodesenvolvimento das adaptações necessárias; Por outro lado, é importante ressaltar também que a motivação para a aprendizagem deve ser mantida constantemente. A realização de atividades mais complexas e interativas, que necessitem de controle motor mais complexo, deve ser estimulada, o que pode ser conseguido através de jogos e brincadeiras que demandem a presença física e intelectual, e que levem o indivíduo desejar a superar desafios e alcançar resultados positivos.  A partir da consciência a respeito da própria condição física e emocional, será mais fácil para o indivíduo e seus familiares estabelecerem novos hábitos de vida e de integração social .

As atividades terapêuticas devem focar situações de descoberta e desafios pessoais e coletivos capazes de promover o desenvolvimento físico e mental do paciente, promovendo a interação com o meio onde está presente e com outros indivíduos. Devem ser enfatizadas ainda, estratégias que englobem estímulos físicos, sensoriais e afetivos, o armazenamento de informações; a reprodução das ações (aprendizagem), a aquisição do domínio sobre funções ou tarefas específicas, a superação (independência funcional), o aperfeiçoamento (adequar e adaptar), a otimização (potencialização da performance motora), a responsabilidade, e a autonomia.

Como em todas as patologias, a forma e a gravidade da DH manifesta - se individualmente, com evolução e progressão variáveis. Entretanto, é comum que ocorram inicialmente alterações sutis na coordenação resultando em movimentos involuntários, além de dificuldades de raciocínio e humor depressivo ou irritável. No estágio intermediário, é possível que os movimentos involuntários (Coréia) possam tornar-se mais acentuados. Provavelmente a fala e a deglutição se apresentarão afetadas, sendo inadiável a intervenção da fonoaudiologia com implementação de estratégias que visem melhorar a comunicação e a deglutição. Embora o acompanhamento pela fisioterapia seja mais eficaz se presente desde a constatação dos primeiros sinais e sintomas, a implementação de atividades que retardem o desenrolar de complicações funcionais e cognitivas deve ser estabelecida o mais precocemente possível. Uma vez que as habilidades de pensamento e raciocínio lógico também irão diminuir gradualmente, o acompanhamento psicológico e, se possível, pedagógico, deverão fazer parte da rotina do doente.

Pacientes nos estágios avançados da DH podem apresentar Coréia grave, aparentemente minimizados pela rigidez de movimentos. A rigidez dos músculos da orofaringe pode resultar em disfagia e conseqüente perda de peso. Neste estágio, o paciente torna-se totalmente dependente em todos os aspectos, não podendo mais andar e com muita dificuldade de comunicação. Mesmo com as suas habilidades cognitivas intensamente prejudicadas, é muito importante lembrar que em geral, a pessoa permanece consciente e continua capaz de compreender a linguagem. Finalmente, o óbito sobrevém não especificamente pela patologia, mas sim pelas complicações da imobilidade, como broncoasfixia, infecções e até mesmo traumatismos crânio – encefálicos.  

Finalmente, é importante salientar também, que o progressivo comprometimento da linguagem torna necessária a abordagem de formas de comunicação, que facilitem o convívio familiar e possam suprir as necessidades do paciente pelo máximo tempo possível. O emprego de anotações, gestos e expressões faciais, quando a comunicação normal já não pode ser eficiente, deve ser estimulado.


Fonte


Esclerose multipla e Fisioterapia

Anualmente, tem-se realizado muitas pesquisas na tentativa de descobrir qual seria a possível causa da esclerose múltipla, sendo que até hoje não existe a confirmação da sua etiologia. Sabe-se que é uma patologia crônica que ocasiona pequenas inflamações localizadas em diversos lugares dentro do sistema nervoso central, que podem deixar cicatrizes chamadas lesões ou placas (esclerose) na mielina. Às vezes, estas inflamações são acompanhadas de sinais e sintomas tais como: alterações visuais, perda de força e/ou sensibilidade em uma parte do corpo, tremor e problemas no controle urinário que denominam-se exarcebações ou comumente surtos. A esclerose múltipla pode evoluir de forma benigna, normal ou mais pronunciada. O paciente pode ter recaído para logo melhorar ou inclusive ter poucas alterações nas atividades. Os sintomas variam segundo as regiões afetadas do sistema nervoso central.

Para que o fisioterapeuta possa prescrever um tratamento adequado para o seu paciente é necessário que ele conheça as possíveis manifestações desencadeadas pelo processo da doença e como lidar com seu portador.

A esclerose múltipla é definida como uma doença neurológica crônica, que se caracteriza como uma lesão do sistema nervoso central, usualmente progressiva e que não tem cura. É conhecida também como esclerose em placas ou doença desmielinizante, pois transforma em placa endurecida a mielina que recobre e isola as fibras nervosas destinadas aos impulsos do cérebro, ao nervo óptico e à medula espinhal, dificultando assim o controle de várias funções orgânicas, tais como visão, o andar e o falar, entre várias outras funções fisiológicas.

Na esclerose múltipla ainda não se sabe o porquê a mielina é lesada, passando por um processo de desmielinização, o que se sabe é, que a lesão fundamental evolui em duas etapas: uma desmielinização inicial que poderá ser total ou parcialmente reversível ou, uma esclerose irreversível tardia.

O início da esclerose múltipla se dá entre os 20 e 45 anos de idade em 2/3 dos casos, sendo rara antes da puberdade e em casos com mais de 55 anos. Desenvolve-se mais em mulheres do que em homens cerca de 3:2.

As possíveis causas que desencadeiam a esclerose múltipla ainda são controvertidas. Várias hipóteses e fatores são estudados na tentativa de explicar o aparecimento da doença, no entanto, o que se tem como certo é a existência de um defeito imunológico. Mas, porém, as características, o tipo e as principais causas desse mesmo defeito imunológico são também controvertidas. Os possíveis fatores e hipóteses que poderiam explicar o aparecimento da doença são:

1- fatores Ambientais: devido ao aparecimento maior de casos em áreas temperadas em relação a áreas tropicais;

2- fatores Genéticos: presença de um fator genético que seria responsável por uma ligação com a transmissão familiar da doença (antígenos de histocompatibilidade);

3- aspectos da Hipótese Virótica - atualmente estão sendo realizados estudos sobre o possível papel da Herpes Humana Vírus tipo 6 (HHV-6) na esclerose múltipla onde o vírus entraria no sistema nervoso central depois de uma infecção na infância (Roseóla), e então, talvez em pessoas com predisposição genética, o vírus seria reativado na idade adulta, fazendo com que o sistema imunológico do indivíduo destrua a mielina do próprio corpo. No entanto, ainda não há evidências que o tratamento com agentes eficientes contra o HHV-6 terá um papel no tratamento da esclerose múltipla, porém ainda não se tem como certo de que seja este e não outro vírus que desencadeia a esclerose múltipla;

4- aspectos da Hipótese Imunológica - uma anormalidade do sistema imunológico poderia permitir que determinados vírus, direta ou indiretamente, atuem como desencadeadores do processo desmielinizante. Contudo, uma vez que não há até o momento evidências conclusivas que assegurem a qualquer vírus um papel decisivo na causa da esclerose múltipla, esta deve ser considerada como doença causada por uma reação imunológica dirigida contra a mielina no sistema nervoso central.

O diagnóstico da esclerose múltipla nem sempre é rápido, já que os sintomas se manifestam de forma branda e pouco perceptível. Apenas exames neurológicos e testes laboratoriais podem confirmar a doença: punção lombar ou exame do líquor, exame de potencial evocado, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

As manifestações clínicas variam de paciente para paciente. O padrão clássico é caracterizado por surtos e remissões, por súbito surgimento ou reaparecimento dos sintomas que indicam o desenvolvimento de uma lesão nova ou extensão de uma antiga, é seguido por desaparecimento parcial ou total dos sintomas. A esclerose múltipla progressiva é caracterizada por uma piora lenta ou rápida desde o surgimento da doença, sem períodos delineados de surtos e remissões, onde os déficits existentes podem aumentar em gravidade e novos sintomas ocorrem à medida que a doença progride. A terceira forma de manifestação da esclerose múltipla é uma combinação entre as duas formas anteriores, onde começa com um curso clássico de surtos e remissões, mas torna-se progressiva com remissões limitadas.

As causas que predispõem ao surto geralmente estão ligadas a fatores psicológicos, os quais podem levar a um desgaste emocional e conseqüentemente a uma fadiga mais fácil que pode se dar ao mínimo esforço físico ao qual o paciente seja submetido.

Os sinais e sintomas da esclerose múltipla se manifestam de diferentes formas dependem do tamanho, intensidade e localização das lesões. Os déficits funcionais e clínicos se relacionam com áreas localizadas de desmielinização do sistema nervoso central. Devido à grande variabilidade de localizações anatômicas e seqüencial temporal das lesões em pacientes com esclerose múltipla as manifestações clínicas variam de um indivíduo para outro.

Os sinais e sintomas comuns na esclerose múltipla são:

- sintomas motores: espasticidade e espasmos reflexos, fraqueza muscular; contraturas, distúrbios de marcha e fatigabilidade fácil. - sintomas cerebelares e bulbares: dificuldade de deglutição/respiratórias resultantes, déficit de equilíbrio e tremor intencional.

-sintomas sensoriais: dor, parestesias e distorção da sensibilidade superficial.

- sintomas visuais: diminuição da acuidade visual e diplopia.

- sintomas vesicais e intestinais: incontinência, retenção urinária e constipação.

- sintomas sexuais: impotência, diminuição na sensibilidade genital e na lubrificação genital.

- sintomas cognitivos e emocionais - depressão, euforia, estados emocionais mistos, instabilidade, distúrbios de julgamento, memória, diminuição do pensamento conceitual, diminuição na atenção e concentração.

- problemas e complicações secundárias: úlceras de decúbito, intolerância ao calor, diminuição da amplitude de movimento, contraturas articulares e alterações emocionais.

Até hoje não se descobriu nenhum remédio que leve à cura da doença ou que estacione o quadro clínico. Por ser uma doença de curso imprevisível, muitas vezes um medicamento que parece prolongar o espaço de tempo entre um surto e outro, ou até mesmo amenizar os sintomas em outros momentos, não surte o mesmo efeito. Os medicamentos utilizados são: imunossupressores, interferons, ACTH (Hormônio Adreno Corticotrópico), e capaxone.

O fisioterapeuta deve estabelecer os objetivos de tratamento para um paciente com esclerose múltipla partindo do princípio de que devemos ajudar o paciente a utilizar ao máximo as capacidades que lhe restam. As necessidades variam de um paciente para outro, sendo que essa variação se deve aos sintomas específicos apresentados pelo paciente e ao estágio evolutivo no qual se encontra a doença, indicando, portanto, que o tratamento fisoterapêutico deve ser individualizado.

O fisioterapeuta pode atuar tanto na fase aguda (pós-surto) quanto na fase remissiva, tomando alguns cuidados. Na fase aguda, os exercícios devem ser mais passivos, as pausas de recuperação mais longas, os exercícios, objetivam basicamente, manter as amplitudes de movimento e evitar complicações secundárias, conforme a evolução, podemos adicionar exercícios ativos sem que ocorra muito gasto energético. Já na fase remissiva os exercícios ativos serão mais intensos, mas sempre intercalados por pausas de recuperação, de modo que não ocorra a fadiga, nem o aumento da temperatura corpórea.

O portador de esclerose múltipla necessita também de orientação nutricional adequada para que tenha uma dieta equilibrada e também de acompanhamento psicológico devido às alterações emocionais e de personalidade que ocorrem devido ao próprio desconhecimento da doença, pelo medo do surto, das seqüelas pós-surto e até mesmo por falta de um tratamento adequado que leve à cura da doença.

CONCLUSÃO

Apesar da atuação incessante da equipe interdisciplinar que visa à busca de uma melhor qualidade de vida para os pacientes e dos vários tipos de tratamentos para a esclerose múltipla terem como objetivo aumentar o espaço de tempo entre um surto e outro e amenizar os sintomas pós-surto, após este estudo podemos concluir que enquanto não for descoberta a etiologia desta patologia, torna-se difícil chegarmos à cura da doença.

Enquanto isso não acontece, cabe à fisioterapia e a toda equipe interdisciplinar proporcionar aos milhões de portadores da esclerose múltipla espalhados pelo mundo uma melhora quantitativa e qualitativa de suas habilidades, tentando fazer com que os mesmos levem uma vida normal dentro de suas limitações.

BIBLIOGRAFIA

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DANGELO, J. G e FATTINI, C. – Humana Sistêmica e Segmentar. 2ª edição. São Paulo; Rio de Janeiro; Belorizonte., Atheneu,1993.

GUYTON, A C. M. D, HALL, J. E. - Tratado de Fisiologia Médica. 9ª edição. Rio de Janeiro, Guanabara/koogan, 1996.

MACHADO, B. M. – Neuroanatomia Funcional. 2ª edição. S.P; R.J; B.H., Atheneu, 1993}.

MELAGRANO, R. F. – Esclerose Múltipla. – Manual para pacientes e suas famílias. 1ª edição, Composição e Arte: Imprensa Oficial do Estado S.A. IMESP, São Paulo, 1992.

ROWLAND, Lewis P. – Merrit Tratado de Neurologia. 9ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara/Kogan, 1997.

SPENCE, A. P. Anatomia Humana Básica. 2ª edição. São Paulo, Manole, 1993.

SULIVAN, S. B. O, SCHMITZ T. J. – Fisioterapia Avaliação e Tratamento. 2ª edição. São Paulo, Manole, 1993.

UMPHRED, D. A. – Fisioterapia Neurológica. 1ª edição. São Paulo, Manole, 1994.

Fisioterapia nas Doenças do Aparelho Respiratório


O fisioterapeuta atua nos diversos níveis do atendimento aos pacientes com disfunções respiratórias tais como Unidades de Terapia Intensiva (UTI), enfermarias, ambulatórios, home care e Unidades Básicas de Saúde (UBS). A fisioterapia tem várias abordagens no tratamento dos pacientes pneumopatas, dentre elas manutenção e/ou melhora da  ventilação alveolar, prevenção de crises respiratórias, educação ao paciente, suporte ventilatório nos períodos de crise e/ou insuficiência respiratória e melhora da capacidade física.

Na UTI, devido ao quadro agudo do paciente, o atendimento fisioterapêutico está mais focado na melhora da eficiência ventilatória e/ou redução da sobrecarga dos músculos respiratórios, objetivando evitar a falência destes músculos e, conseqüentemente, a insuficiência respiratória. Para isto, o fisioterapeuta atua de diversas maneiras: prevenindo e/ou removendo o acúmulo de secreções nas vias aéreas, utilizando suportes ventilatórios invasivos e não-invasivos, modificando o posicionamento do paciente, avaliando constantemente a eficiência da troca gasosa e avaliando o estado hídrico, neurológico e nutricional do paciente. Neste caso, o conhecimento do fisioterapeuta está fundamentado nas diversas modalidades ventilatórias existentes e na escolha adequada de cada uma para propiciar o melhor benefício a cada paciente em decorrência da sua doença e sua condição clínica. Assim, o fisioterapeuta atua de maneira essencial no manuseio dos ventiladores mecânicos. Porém, devido aos problemas mais sistêmicos decorrentes das pneumopatias, o fisioterapeuta também deve considerar a prevenção e/ou a reversão da perda muscular ocorrida durante o período de internação e as demais condições osteomusculares decorrentes das imobilizações em curto, médio e longo prazo.

Na enfermaria, o fisioterapeuta atua desde os cuidados pré e pós-operatórios, mas também nas agudizações. No pré e pós-operatório o fisioterapeuta visa avaliar todos os fatores pré-operatórios que podem aumentar as probabilidades das complicações pós-operatórias  e, quando considerar relevante, melhorar o condicionamento físico do paciente, para fazer com que ele tenha condições de superar as cirurgias de longa duração com o menor risco pós-operatório. No pós-operatório imediato o tratamento fisioterapêutico visa reduzir a dor  do paciente, aumentar sua mobilidade, melhorar sua capacidade ventilatória e reduzir os riscos intrínsecos da hospitalização. No ambulatório, o tratamento fisioterapêutico está mais focado na melhora do condicionamento físico e na educação do paciente. A melhora do condicionamento físico objetiva aumentar a independência do paciente, reduzir a sintomatologia e, conseqüentemente, melhorar sua  qualidade de vida. Além disso, a melhora da capacidade física previne e/ou melhora as comorbidades das doenças respiratórias. Neste sentido, as pneumopatias têm sido cada vez mais consideradas, sendo doenças que ocasionam diversas comorbidades que levam o indivíduo à perda da sua capacidade física. É importante notar que, independente do local em que o tratamento fisioterapêutico faz parte da reabilitação pulmonar, pode ser definido como um serviço multiprofissional contínuo para pacientes com doenças respiratórias e suas famílias, visando melhorar o nível de independência e a função do paciente na comunidade.

Desde que os períodos de internação são aqueles nos quais os pacientes têm maior perda de massa muscular, a reabilitação vem sendo direcionada dentro da UTI para reduzir ou reverter esta perda.
O fisioterapeuta compreende que a inatividade física crônica nestes pacientes faz com que eles fiquem fisicamente descondicionados, reduzindo a massa muscular, principalmente de membros inferiores, piorando suas atividades de vida diária e aumentando sua falta de ar.

Esta inatividade começa com grandes esforços (subir escadas, por exemplo) e vai piorando com o tempo, levando o paciente à inatividade total, quando o indivíduo passa a ter falta de ar ou cansaço, mesmo em situações de repouso. Até muito recentemente, compreendia-se que a intolerância ao exercício do paciente com doenças obstrutivas crônicas estava relacionada às suas alterações respiratórias tais como o aumento da resistência do fluxo respiratório e a hiperinflação pulmonar, fazendo com que ele tivesse uma incapacidade de manter níveis relativamente baixos de ventilação e, por isso, que a abordagem terapêutica da limitação física era focada na melhora das necessidades ventilatórias. Entretanto, hoje se sabe que este é um processo que se inicia junto com a   doença respiratória. Para se ter uma idéia de como isto ocorre, já existem evidências de que as doenças respiratórias decorrentes do tabagismo levam à perda de massa  muscular, mesmo quando o indivíduo não possui disfunção respiratória.

Apesar de não ser possível inferir que todos os pacientes com doença respiratória têm perda muscular, sabe-se que as alterações musculares nestes pacientes ocorrem devido à redução da síntese protéica, da tipologia muscular, principalmente as do tipo I (oxidativas), com aumento proporcional das fibras tipo IIa e IIb (glicolíticas). Estas alterações no sistema muscular são multifatoriais e os fatores que mais sabidamente interferem são a hipoxemia crônica, o uso crônico de doses elevadas de corticóides orais, as alterações nutricionais, a inflamação sistêmica e o descondicionamento físico. Existem evidências de que o descondicionamento físico é o principal fator contribuinte para estas alterações musculares, porque, no decorrer da doença, os pacientes geralmente adotam  um estilo de vida extremamente sedentário, em decorrência da falta de ar produzida pelas atividades, levando às alterações estruturais e funcionais do músculo.

Com a progressão da doença, ocorre uma piora da sintomatologia e da qualidade de vida destes pacientes, ocasionando limitação progressiva das atividades profissionais e de vida diária. Essa limitação pode se tornar um ciclo vicioso e evoluir até a dependência funcional do indivíduo, alterando sua vida social, econômica e emocional. Assim, parece que a morbidade destes pacientes não depende apenas do grau de limitação ao fluxo aéreo, mas também da severidade dos sintomas, da dispnéia e da redução na capacidade funcional.

Apesar de considerar as disfunções respiratórias de maneira sistêmica, é fundamental conhecer o diagnóstico correto do paciente, porque cada doença respiratória apresenta uma particularidade que interferirá no tratamento fisioterapêutico. Por exemplo, nas doenças respiratórias alérgicas como a asma, o fisioterapeuta terá que enfatizar a educação ao paciente, orientando-o sobre como evitar os fatores que desencadeiam as crises alérgicas tais como mofo, pó, poeira, pêlos de animais, entre outros. Isto é extremamente relevante nestes pacientes, pois, caso o fisioterapeuta tente melhorar o condicionamento físico do paciente sem que ele, paciente, tenha reduzido a sua exposição aos fatores desencadeadores de alergia, a resposta ao condicionamento físico poderá estar totalmente prejudicada. Obviamente, o programa educacional do paciente não está delimitado ao fisioterapeuta, porém o contato quase que diário do fisioterapeuta com os pacientes com doenças respiratórias facilitam estas orientações.

Outros aspectos envolvidos no programa educacional para o paciente asmático seriam o uso correto do medicamento e o conhecimento de autocuidados que ele deve tomar caso sua doença saia de controle. Esta é uma maneira muito importante de fazer com que o paciente participe de maneira ativa do tratamento da sua doença, melhorando assim sua adesão ao tratamento.

A fibrose cística ou mucoviscidose é outro exemplo da importância do conhecimento da doença respiratória sobre o tratamento fisioterapêutico. Estes pacientes apresentam uma grande produção de secreção, que pode levá-los a quadros de infecções recorrentes.  Neste caso, o fisioterapeuta utiliza um conjunto de técnicas fisioterapêuticas para reduzir o acúmulo de secreção e melhorar a ventilação alveolar. O elevado consumo metabólico também deve ser considerado neste paciente e, apesar do condicionamento físico ser fundamental para o seu tratamento, ele pode ser prejudicado caso os pacientes não tenham um suporte nutricional, devidamente orientado por uma nutricionista.

No caso de um programa de reabilitação pulmonar mais focado na melhora do condicionamento físico, é fundamental que se avalie as limitações respiratórias, musculares e cardiovasculares durante o exercício. Assim, a carga de exercício pode ser adequadamente ajustada para cada paciente. A diferença entre um programa de condicionamento físico para a população de maneira geral e aquele direcionado a um paciente com doenças respiratórias está baseado na diferença entre as limitações ou fatores limitadores decorrentes da doença, bem como das alterações que ocorrem  durante o exercício. Assim, por exemplo, um indivíduo "saudável" ou sem doença respiratória tende a apresentar uma limitação fundamentada no cansaço físico muscular, enquanto um paciente com doença respiratória pode ser limitado tanto por um ou mais dos diversos sistemas: muscular, respiratório e cardíaco. A limitação ventilatória pode ser tão importante no paciente com doença respiratória que ele pode necessitar de um suporte ventilatório não-invasivo durante o programa de condicionamento físico.

Em resumo, o tratamento dos pacientes com doenças respiratórias deve incluir diversos profissionais, atuando de maneira interdisciplinar, visando a melhora do quadro clínico em curto, médio e longo prazo, visando a inclusão do indivíduo na sociedade com melhor  independência funcional e qualidade de vida.

Doença de Refsum

 A Doença de Refsum é parte de um grupo de doenças genéticas chamadas leucodistrofias, que danificam progressivamente a bainha de mielina das células cerebrais, afetando diversos sistemas do organismo1. É um transtorno hereditário autossômico recessivo, um erro inato do metabolismo, causada pelo acúmulo de ácido fitânico no sangue e tecidos, pela incapacidade de metabolização do organismo, onde o defeito herdado consiste em um bloqueio da oxidação alfa desse ácido, havendo uma deficiência no metabolismo pelos peroxissomos3-5. Autores sugerem que o acúmulo do ácido fitânico inicia a morte celular dos astrócitos, ativando a rota de apoptose mitocondrial. O ácido fitânico constitui 10 a 30% dos ácidos graxos no plasma, e tem como precursores substâncias contendo clorofila e fitol.

    Os primeiros casos da doença foram relatados em 1945 por Sigvald Refsum, a propósito de 4 pacientes de 2 famílias distintas, que denominou heredophathia ataxia polyneuritiformis, atualmente sendo conhecida como Doença de Refsum.

    A Doença de Refsum é uma doença neurológica rara caracterizada principalmente por neuropatia sensorial, ataxia cerebelar, anosmia, retinite pigmentosa, pele seca, deformidades esqueléticas e ictiose, sendo mais comum em crianças ou adultos jovens de origem escandinava. Os pacientes com Doença de Refsum sofrem também de neurodegeneração e distrofia muscular3, podendo apresentar hipotonia, areflexia/hiporeflexia e hemiplegia/hemiparesia. O acúmulo de ácido fitânico em tecidos graxos da mielina, coração, fígado e retina é que leva às alterações citadas.

    No início do quadro são comuns manifestações oculares como cegueira noturna e restrição concêntrica do campo visual, em virtude da retinose pigmentar que se instala. O prognóstico desta doença é reservado, progredindo os sintomas algumas vezes até cegueira completa e surdez, freqüentemente aumentando e diminuindo de intensidade. As recidivas são bastante irregulares, estando correlacionadas com o grau de aumento das proteínas liquóricas.

    A Doença de Refsum é de difícil e complexo diagnóstico, realizado mediante análise cromatográfica do plasma, sendo confirmado pela presença de acidemia fitânica.

    A terapia consiste numa dieta com baixo teor de fitol e clorofila, por exemplo, frutas, vegetais e manteiga. No entanto, sabe-se que a restrição da dieta com ácido fitânico, não é totalmente suficiente para prevenir os surtos agudos da doença e nem estabilizar seu curso progressivo.

    Considerando que o paciente com Doença de Refsum pode apresentar inúmeras alterações motoras, decorrentes do comprometimento neurológico, surge a necessidade da intervenção fisioterápica, juntamente com o tratamento clínico, visando um melhor prognóstico e qualidade de vida do paciente.

    Portanto, nosso objetivo é relatar um caso da doença de Refsum, enfatizando a importância da fisioterapia no prognóstico dos pacientes acometidos, tendo em vista sua importância, já que na revisão da literatura encontrou-se poucos artigos relacionados a essa doença rara.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

XIX Congresso Brasileiro de Fisioterapia



Prezados colegas, é com muito prazer que comunico que iniciamos os nossos trabalhos na organização do XIX Congresso Brasileiro de Fisioterapia AFB 2011 – Florianópolis, que será realizado de 9 a 12 de outubro de 2011 em Florianópolis, SC, Brasil nas dependências do Centro Sul. Este é um dos maiores centro de eventos do Sul do país contando com uma área

total de 15.000 m2, totalmente climatizado com vista para o mar. Os participantes poderão contar com palestras proferidas simultaneamente em 6 grandes auditórios, além de 4 salas com minicursos e 2 salas de apoio. O local também contará com uma área de 540m2 para os expositores, que trarão as últimas inovações de produtos na área de Fisioterapia. Todo o espaço do Centro Sul destinado ao Congresso chega a abrigar 6000 pessoas.

Acesse o site do congresso e tenha maiores informações: http://www.afbfloripa2011.com.br/

A dor no paciente queimado


A dor tem dois processos básicos de origem, a lesão tecidual ou alteração do SN, quer central ou periférico. Há situações em que os dois processos estão envolvidos. Quando a dor tem sua origem nos tecidos que não o SNC, denominamo-la de dor periférica e quando sua origem é no próprio SNC, de dor central.

Para que haja dor é necessário que alterações da integridade dos tecidos ocorram (lesão) ou o sistema de condução dos impulsos nociceptivos e os que interpretam esses sinais estejam bioquimicamente alterados, mesmo que por processos anatomodegenerativos como, por exemplo, tumores, compressões e doenças degenerativas do SNC.

Quando um tecido sofre uma agressão, um estímulo nociceptivo, dependendo da sua intensidade, uma série de fenômenos bioquímicos tem início, alertando o organismo quanto ao risco e ao mesmo tempo providenciando a sua regeneração, que é o processo cicatricial. Não só os terminais nervosos são estimulados por sua própria lesão, mas os tecidos circunjacentes, incluindo o sangue, liberam uma grande quantidade de substâncias alogênicas, tais como: substância P e glutamato (terminais nervosos), bradicininas (cininogênio plasmático), calicrinas (cel. sangüíneas), prostaglandinas (ac. araquidônico-cel. lesionadas), íons K (isquemia - lesão celular), serotonina, fator de necrose tumoral (mastócitos), ocitocinas. Dependendo da extensão e da duração da "lesão-cicatrização" estes estímulos permanentes podem "recrutar" fibras não nociceptivas (tato, temperatura — fibras C silentes) — sensibilização periférica — que passarão a conduzir estímulos álgicos (hiperestesia), os quais chegam ao corno posterior da medula por meio de interneurônios provenientes da lâmina II, as lâminas de Rexed V e IV, onde ativam os neurônios denominados gama dinâmica ampla (GDA), daí ascendem pelo feixe espinotalâmico, aumentando a percepção da dor. Persistindo este quadro de bombardeio medular, estes receptores espinhais (sinapses com as células complexas e GDA) se expandem e sobrepõem ao mecanismo modulador central (endorfinas), criando a sensibilização central; este fenômeno pode levar a alodinia, muito comum nos pacientes queimados.

O uso de drogas, que hoje sabemos ter ação central (talamoespinhal) e periférica (lesão), do tipo anti-inflamatórios não esteroidais (bloqueadores de enzimas de conversão tipo COX2 [ciclooxigenase]), analgésicos não opióides e opióides, antidepressivos tricíclicos, anestésicos locais, têm contribuído para amenizar o sofrimento destes pacientes. Os antidepressivos e hipnóticos têm valioso papel na terapêutica da dor. 

Laser em Fisioterapia

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Alguns testes especiais para ombro

• Teste de Yergason: É utilizado para diagnosticar tendinite e tenossinovite do tendão da cabeça longa do músculo bíceps do braço. A maneira mais simples de realizar o teste consiste em segurar, pronados, os punhos do paciente, sentado à sua frente, e solicitar que realize movimento de pronação forçada, contra as mãos do examinador. A presença de dor, sentida na região do sulco intertubercular do úmero sugere a presença de processo inflamatório no tendão do bíceps.

• Teste de Speed: braço em flexão, com antebraço estendido e supinado; colocar o dedo de uma das mãos sobre o sulco bicipital, e a mão oposta sobre o punho do paciente; que deve elevar o braço contra resistência. Testa o tendão do bíceps no sulco bicipital. Dor espontânea ou a palpação é indicadora de tendinite bicipital.

• Teste de Jobe: Avalia especificamente o músculo supraespinhoso. É realizado com o paciente em ortostatismo membros superiores em abdução no plano frontal e anteflexão de 30º, e assim alinhando o eixo longitudinal do braço com o eixo de movimento da articulação glenoumenral. O examinador faz força de abaixamento nos membros, simultânea e comparativa, enquanto o paciente tenta resistir. O teste será considerado alterado no membro que oferecer menor força. Um resultado falso positivo ou duvidoso pode surgir devido a interferência da dor. 

• Teste do Subescapular de Gerber: O paciente coloca o dorso da mão ao nível de L5 e procura ativamente afastá-la das costas rodando internamente o braço, a incapacidade de faze-lo ou de manter o afastamento, se feito passivamente pelo examinador, pode indicar patologia do músculo subescapular.

• Teste de Apley: Avalia a tendinite do manguito rotador através do estiramento do manguito e da bolsa subacromial, obtida pela rotação externa e abdução do ombro. Pede-se para o paciente alcançar, por trás da cabeça, o ângulo médio superior da escápula contralateral.

• Teste de Neer: Sua finalidade é avaliar a síndrome do impacto. O examinador estabilizará a escápula do paciente com a mão esquerda e elevará rapidamente o membro superior em rotação interna com a mão direita. O choque da grande tuberosidade e do acrômio provocará dor. Este teste também é positivo em capsulite adesiva, instabilidade multidirecional, lesões da articulações acromioclavicular etc., portanto não é específico.

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