sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Efeitos do uso de órtese na mobilidade funcional de crianças com Paralisia Cerebral

http://api.ning.com/files/ywAcKu-4wRG6VJjeISgL9JC*tgStJ*pcO98ucs3A8cbyOfKCDNJ9fO*gwHgu3Qk0XEeCkING2hphqDQ3S0cxeuxZGd53ytRJ/RTESESDEREAOAOSOLO.gif

A paralisia cerebral (PC) é uma condição que, freqüentemente, interfere na aquisição de habilidades motoras na infância, as quais são essenciais para o desempenho de  atividades e tarefas da rotina diária. A locomoção é uma das atividades motoras que, geralmente, apresenta-se alterada em crianças com PC, quando comparadas com crianças normais.

Ao se considerar as capacidades motoras dessas crianças, as demandas da tarefa e as características do ambiente, observa-se que, muitas vezes, o padrão de locomoção apresentado por elas representa a melhor solução possível. Entretanto, algumas dessas soluções funcionais podem colocá-las em situação de risco para futuras alterações estruturais, como o aparecimento de encurtamentos, deformidades e prejuízo futuro na dinâmica da marcha. Nesse contexto, as órteses de posicionamento são, freqüentemente, utilizadas para auxiliar no tratamento de crianças portadoras de paralisia cerebral. O suporte mecânico oferecido pelas órteses suropodálicas, por exemplo, visa minimizar ou corrigir o padrão eqüino de marcha assumido por algumas destas
crianças, proporcionando benefícios como a melhora da qualidade de deambulação e a prevenção de deformidades
de tornozelo e pé.

Diversos autores documentaram os efeitos das órteses suropodálicas no padrão de locomoção de crianças com PC. De forma geral, foi observada diminuição da flexão plantar excessiva do tornozelo6, aumento do tamanho da passada e maior estabilidade na fase de apoio8. Grande parte dos estudos informa sobre o impacto do uso dessas órteses nos componentes de desempenho neuromotor da criança. Poucos estudos descrevem o impacto das órteses suropodálicas durante a execução de atividades funcionais em contexto relevante da criança. Entretanto, informações funcionais representam as principais queixas e expectativas da criança e de seus familiares. Dessa forma, evidências centradas em componentes de desempenho, que não consideram diretamente a tarefa e o ambiente onde esses componentes se manifestam, fornecem um perfil incompleto da funcionalidade do indivíduo.

A Classificação Internacional de Funcionalidade,

Incapacidade e Saúde (CIF) foi publicada pela Organização Mundial de Saúde com o propósito de uniformizar a conceituação e terminologia dos processos de funcionalidade e incapacidade, bem como servir de parâmetro para organização de evidências. Segundo essa classificação, uma condição de saúde como a PC pode resultar em alterações da funcionalidade de uma criança que se manifestam em domínios de complexidades distintas. O domínio mais interno é denominado Estrutura e Função do Corpo e compreende  os órgãos e sistemas, bem como a função dessas estruturas. No caso da PC, as estruturas e funções  neuromusculoesqueléticas apresentam-se comprometidas. Um outro domínio de funcionalidade definido pela CIF é denominado Atividade e Participação, que inclui o desempenho de atividades da rotina diária em contexto relevante, mas também o acesso e a participação ativa da criança na sociedade. Nesse outro domínio, uma criança com PC pode apresentar limitações para desempenhar atividades típicas da infância como andar, subir e descer escadas, vestir-se e despir-se, além de encontrar barreiras que podem restringi-la de freqüentar escola com outras crianças. Juntos, esses domínios incluem parâmetros internos e externos que influenciam os desfechos de funcionalidade e de incapacidade da criança.

Ao se utilizar a CIF12 para organizar as evidências disponíveis na literatura, observa-se que grande parte dos estudos que investigaram o efeito de órteses em crianças portadoras de PC14 informa sobre o impacto desse dispositivo em variáveis que refletem o domínio de estrutura e função do corpo12. Informações sobre o impacto desse suporte no desempenho de atividades e tarefas típicas da rotina diária dessa clientela não têm sido disponibilizadas com a mesma freqüência. Entretanto, tais informações são relevantes para profissionais que trabalham com esse grupo, podendo orientar procedimentos de avaliação e de intervenção, uma vez que a indicação para o uso de órteses visa a prevenção de deformidades e a facilitação de atividades motoras.

O objetivo deste estudo foi comparar a marcha e o desempenho motor grosso de crianças portadoras de PC em duas situações: sem órtese e com órtese. A avaliação da marcha teve como referência o padrão de marcha normal, e o desempenho motor das crianças foi avaliado em relação à capacidade das mesmas de realizar atividades da função motora grossa, tais como correr, pular e realizar transferências de posturas. Além disso, foram documentadas as percepções dos pais ou cuidadores sobre os efeitos do uso de órteses na rotina diária das crianças.

Veja o resto da pesquisa, com metodologia e resultado!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Avaliação funcional de idosos com amputação de membros inferiores atendidos em um hospital universitário

A reabilitação de idosos com amputação de membros inferiores é um tema ainda pouco investigado em nosso meio. Em âmbito internacional, a maioria dos trabalhos sobre a reabilitação dessas pessoas é descritivo e retrospectivo, e busca relacionar diferentes variáveis, tais como idade, causa e nível da amputação, comorbidade e dependência funcional(1).

A idade, por si só, como critério para a indicação do uso de prótese, é um ageísmo importante(2). Concordamos com esses autores e acrescentamos que, não somente a indicação de uma prótese, mas investimentos, sejam de natureza assistenciais, sociais e educativas, direcionados à reabilitação de idosos, também sofrem a influência do ageísmo, perpetuando o mito de que pessoas idosas têm menor potencial para a reabilitação. Não podemos generalizar, pois os idosos constituem grupo heterogêneo, cujas características individuais devem ser consideradas na reabilitação.

Sobre o nível da amputação, raramente os estudos sobre o tema especificam o uso de métodos para determinar o nível da cirurgia(1). Porém, cabe a atenção para alguns aspectos referentes à avaliação pré-operatória, entre eles a avaliação global do paciente, condições física e social, a viabilidade do membro e condições da pele, a capacidade física, expectativas, adequações necessárias no domicílio e rede de suporte para o cuidado(3).

Na realidade, quando entendemos reabilitação como processo dinâmico, criativo, progressivo e educativo, cujos objetivos estão direcionados à restauração funcional ótima do indivíduo, sua reintegração à família, à comunidade e à sociedade, por meio da máxima independência nas atividades da vida diária, vários fatores necessitam ser considerados, entre eles a presença de múltiplas afecções, a independência funcional e a autonomia(3).

A visão da sociedade sobre a pessoa portadora de deficiência é alterada drasticamente quando essa pessoa demonstra independência para as Atividades da Vida Diária (AVDs), pois vai de encontro ao preconceito social existente relacionado ao peso social e financeiro que o portador de deficiência acarreta para a sociedade. Isto é, uma vez demonstrando independência, o indivíduo apresenta capacidade ou potencial para exercer seu papel social e produtivo perante a sociedade. A incapacidade física pode ser uma barreira para a independência quando as pessoas assim a vêem ou quando o ambiente a propicia.

A avaliação da capacidade funcional na gerontologia é importante indicativo da qualidade de vida do idoso, sendo o desempenho nas atividades da vida diária o parâmetro amplamente aceito e reconhecido, pois permite aos profissionais e, em particular, à enfermeira uma visão mais precisa quanto à severidade da doença e das suas seqüelas. Assim, entendemos como avaliação funcional a designação dada para uma função específica, a capacidade de se autocuidar e de atender as necessidades básicas diárias, ou seja, as Atividades da Vida Diária (AVDs). Entre as clássicas AVDs propostas inicialmente por Sidney Katz, incluem-se a capacidade para alimentar-se, transferir-se, vestir-se, banhar-se, ter continência e usar o banheiro. Outras atividades como preparar as refeições, lavar roupa, cuidar da casa, fazer compras, usar o telefone, usar o transporte, controlar o dinheiro e os medicamentos são as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVDs), propostas por Lawton e Brody(4-5).

Considerando que a avaliação da capacidade funcional é importante indicativo da reabilitação de idosos com membros inferiores, e que o grau de dependência está associado ao tipo (unilateral ou bilateral) e nível da amputação (transtibial, transfemural e outros), bem como ao uso da prótese, o presente estudo teve os seguintes objetivos:

- avaliar o atual nível de independência dos idosos atendidos no ambulatório de órteses e próteses da UNICAMP para as atividades da vida diária, segundo o índice de Barthel;

- identificar relações entre o índice de Barthel e o tipo e nível da amputação, e uso da prótese.

 

MÉTODO

Este artigo é parte de uma investigação mais abrangente que foi realizada no ambulatório de amputados da Unidade de Órteses e Próteses (UOP) do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas, no município de Campinas, SP, após o consentimento da chefia da unidade e do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição.

Os dados foram obtidos por meio da entrevista, utilizando-se do índice de Barthel(6) para a avaliação da dependência e de questões referentes à amputação, tais como nível e tipo da amputação e uso da prótese.

A amostra foi composta por 40 idosos (idade mínima de 60 anos), atendidos no ambulatório de amputados, no período compreendido entre junho de 1994 e junho de 1999, com amputação de membros inferiores acima dos maléolos, e de comum acordo em participar da pesquisa, segundo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

 

RESULTADOS

No que diz respeito ao tipo da amputação, 31 pacientes possuíam o tipo unilateral, e nove bilateral.

Na Tabela 1 verificamos que, dos idosos com amputação unilateral, 18 utilizavam prótese, ainda que, segundo as respostas obtidas, 12 deles a utilizavam de modo contínuo ou seja, retiravam-na somente para dormir ou tomar banho, permanecendo com ela em casa e para sair; seis idosos usavam a prótese de modo não contínuo, isto é, somente em casa, para sair ou alternando seu uso no decorrer do dia.

Já entre os idosos com amputação bilateral, apenas dois utilizavam o membro artificial em ambos os cotos, sendo que um deles, com amputação transtibial bilateral, usava as próteses de modo contínuo. O outro, com amputação transtibial esquerda e transfemural direita, utilizava-as de modo não contínuo (somente em casa).

Para as amputações acima do joelho a prótese mais comum foi a de apoio quadrilátero (cinco sujeitos). Cabe destacar que entre os idosos que não usavam o membro artificial, nesse nível de amputação, dois referiram a não adaptação a esse tipo de prótese. Para as amputações abaixo do joelho, 12 idosos utilizavam a prótese tipo PTB (Patella Tendon Bear, de origem americana), e dois, o tipo KBM (Kondylen Bettung Münster, de origem alemã).

Na pontuação proposta por Barthel, em anexo,100 pontos indicam que o indivíduo é totalmente independente; valores maiores ou iguais a 60 indicam alta probabilidade do indivíduo continuar a viver na comunidade; valores menores que 40 indicam importante dependência, enquanto menores ou iguais a 20 indicam aumento da mortalidade(6).

Os idosos do presente estudo apresentaram alta capacidade funcional segundo a avaliação de Barthel. Na Figura 1 apresentamos a distribuição da pontuação do índice de Barthel dos sujeitos deste estudo.

Notamos que a maior concentração de idosos (n=9) encontra-se em pontuações que traduzem elevada ou total independência, com alto desempenho funcional para as atividades avaliadas. Ainda percebemos um outlier, isto é, um indivíduo que tem o índice de Barthel muito diferente dos demais, nesse caso, muito abaixo dos outros, com pontuação igual a 40. Trata-se de uma idosa, com 76 anos de idade, submetida a amputação bilateral, portadora de diabetes mellitus e que não fazia uso de prótese. Sua pontuação indica importante dependência, segundo os critérios para o índice aplicado(6).

No que diz respeito às dez atividades avaliadas no índice de Barthel, os resultados foram os seguintes:

- alimentação: 38 idosos eram independentes e dois necessitavam de alguma ajuda. Nenhum era dependente;

- transferências: 35 idosos eram independentes, enquanto quatro necessitavam de pouca ajuda e um de muita ajuda. Nenhum era dependente total;

- toalete pessoal: 34 idosos eram independentes e seis dependentes;

- uso do banheiro: 36 idosos eram totalmente independentes, enquanto três necessitavam de ajuda e um era dependente;

- tomar banho: 30 idosos eram independentes e dez dependentes (necessitavam de alguma ajuda);

- andar em superfície plana: 26 eram independentes (conseguia caminhar no mínimo 50 metros sem ajuda, mesmo utilizando acessórios), quatro necessitavam de ajuda e dez só utilizavam cadeira de rodas. Nenhum era totalmente dependente;

- subir e descer escadas: oito idosos eram independentes, 11 necessitavam de ajuda, enquanto 21 eram incapazes de subir escadas (dependentes);

- vestir-se e despir-se: 33 idosos eram independentes, seis necessitavam de ajuda e somente um não realizava essa atividade (dependente);

- controle do esfíncter anal: 39 idosos eram independentes e somente um necessitava ajuda (apresentava acidente ocasional);

- controle do esfíncter vesical: 29 idosos eram independentes, oito necessitavam de ajuda e três eram incontinentes.

Esses resultados nos mostram que os idosos apresentavam dificuldades em maior número para as atividades de subir e descer escadas e andar em superfície plana, seguido do controle do esfíncter vesical e em menor número para tomar banho.

Ao compararmos os valores de Barthel, com o tipo de amputação e uso de prótese (Tabela 1), verificamos que dos 20 sujeitos da pesquisa que não utilizavam prótese, 12 apresentaram elevados valores de Barthel, no entanto, somente um apresentou pontuação 100 (transfemural unilateral); cinco apresentaram pontuação entre 60 e 80 e apenas três, valores inferiores a 60 (amputação bilateral).Vale destacar que, desses últimos, dois obtiveram 55 pontos e um 40 pontos.

Por outro lado, entre os idosos que utilizavam prótese (n=20), mesmo com seu uso não contínuo, 16 estavam com os níveis mais altos de Barthel, isto é, entre 80 e 100 pontos, sendo que cinco atingiram a pontuação 100, todos esses com amputação unilateral e transtibial.

Os demais, na faixa de 60 a 80, somente quatro utilizavam a prótese (três com amputação unilateral e um bilateral).

Ao analisarmos o índice de Barthel (categorizado) com as variáveis tipo e nível da amputação e uso da prótese, utilizamos o teste exato de Fisher e obtivemos associação significativa apenas entre índice de Barthel e tipo de amputação (p=0,016), ou seja, os idosos com amputação bilateral têm Barthel menor que os idosos com amputação unilateral. Para as demais variáveis não houve associação: índice de Barthel e nível da amputação(p=0,302) e índice de Barthel e uso da prótese (p=0,456).

 

DISCUSSÃO

Ao considerarmos os dados obtidos referentes especificamente à amputação, constatamos que a grande maioria dos idosos apresentou amputação unilateral, com predomínio do nível transtibial.

Ao associarmos o nível da amputação com o desempenho funcional, avaliado por meio do índice de Barthel, verificamos que os idosos com amputação unilateral abaixo do joelho apresentaram pontuações mais elevadas (iguais e superiores a 60), indicando alta probabilidade do indivíduo continuar a viver na comunidade. No entanto, cabe destacar que a pontuação máxima não significa que o paciente possa viver sozinho, ele pode não ser capaz de cozinhar, limpar a casa, mas possui capacidade para continuar sem cuidado assistencial, pois as atividades avaliadas nesse índice são direcionadas às atividades da vida diária, que correspondem às necessidades básicas, com ênfase na mobilidade. Outras atividades como manutenção da casa, cozinhar, fazer compras, manusear finanças, responsabilidade com a própria medicação, utilizar o telefone e o transporte são chamadas de atividades instrumentais da vida diária, que não foram avaliadas no presente estudo.

Nos trabalhos obtidos por meio do levantamento bibliográfico, encontramos que a maioria dos idosos investigados apresentava amputação abaixo do joelho ou transtibial(7-10).

Em função do aumento da demanda cardiopulmonar nas amputações em nível mais proximal ou bilateral, o sucesso da reabilitação com o uso da prótese, em idosos, está diretamente relacionado ao nível da cirurgia. Além disso, o tempo ocorrido entre o procedimento cirúrgico e a colocação do membro artificial está associado à maior necessidade de utilização de equipamentos acessórios para a deambulação(9).

A distância, em metros, percorrida por idosos com amputação transtibial ao utilizar a prótese é maior, quando comparada ao nível transfemural, bem como a capacidade para subir e descer escadas(7).

A recomendação da prótese para treino de marcha ocorre para aproximadamente 60% dos idosos com amputação transtibial e de 20 a 30% com amputação transfemural. Porém, somente 2 a 3% de todos os idosos com amputação são indicados para a colocação da prótese(1).

A observação desses autores quanto à indicação da prótese para treino de marcha é relevante, pois, em alguns serviços, a prótese pode ser indicada para o idoso somente para fins estéticos, ou seja, não utilizada para atividade de deambulação. Embora consideremos um risco para a saúde do idoso, essa situação pode ocorrer principalmente quando o mesmo apresenta alguma contra-indicação clínica. No ambulatório de amputados em que atuamos, campo desta pesquisa, não é rotina a prescrição da prótese para uso cosmético, em idosos, pois o paciente pode iniciar atividades de maior gasto energético como a deambulação, sem a supervisão da equipe, correndo o risco de apresentar danos adicionais à sua saúde como infarto do miocárdio.

A prótese geralmente utilizada para amputações transtibiais é a PTB com o pé SACH (solid ankle cushion heel- tornozelo sólido e calcanhar acolchoado). Essa é um tipo de prótese que permite contato total do coto e facilita seu uso. Possui esse nome devido à capacidade de apoio do peso sobre o tendão patelar e parece constituir a melhor prótese para esse nível de amputação no momento(1).

Já na prótese do tipo KBM, o apoio é realizado sobre o tendão patelar e côndilos tibiais, proporcionando maior estabilidade em caso de cotos mais curtos, ou de pessoas idosas que não apresentam musculatura suficientemente desenvolvida e que necessitam de maior segurança.

Para manter a suspensão do membro artificial, muitas vezes faz-se necessário o uso de cinto ou correia acima do joelho, o que proporciona maior facilidade para a colocação e retirada da prótese, bem como maior segurança, principalmente em se tratando de pessoas com idade mais avançada.

Na amputação transfemural é utilizada mais comumente a prótese composta de soquete com contato total quadrilateral, com ou sem sucção, podendo ser usado um cinto pélvico, se o coto for muito proximal. O seu apoio dá-se na região do ísquio, proporcionando a impressão de realizar a marcha como se estivesse sentado sobre ela. Quanto ao joelho, vários modelos existem no mercado, como hidráulicos e de baixa energia, no entanto, sua indicação e treinamento dependem das condições do paciente e da assistência profissional. O importante é que proporcione estabilidade durante a marcha, então, para idosos, muitas vezes é indicado o joelho com trava positiva e movimento durante a fase de apoio e de oscilação da marcha, respectivamente, ou joelho que possua trava manual e de segurança autobloqueante. O pé geralmente é do tipo SACH(1,11).

Alguns autores avaliam o desempenho funcional tendo como referência o uso da prótese na comunidade ou somente em casa.

Assim encontramos um estudo com 116 idosos, dos quais, 22 entre 30 pacientes com nível transfemural receberam prótese e treinamento. Desses, 14 utilizavam a prótese a maior parte do dia, com ou sem o auxílio de bengala (prótese funcional), ou a utilizavam parte do tempo, somente em casa, permanecendo em cadeira de rodas por longo período (prótese parcialmente funcional), após seis a 31 meses. Quanto ao nível transtibial, 59 entre 66 idosos receberam prótese e treinamento; desses, 58 foram avaliados como prótese funcional ou parcialmente funcional após o mesmo período(12).

Em nível nacional, o trabalho realizado no centro de reabilitação da Santa Casa de São Paulo, SP, embora não tenha avaliado somente idosos, 42% dos pacientes eram geriátricos. Independentemente da faixa etária, ao analisarem o uso da prótese provisória, 80% dos entrevistados faziam uso da mesma, sendo que 42% em nível comunitário, 22% no domicílio, 30% como uso terapêutico e 6% não conseguiram utilizá-la em decorrência de distúrbios clínicos e sensoriais que impediam a marcha(13).

O uso satisfatório da prótese continua baixo entre os idosos, tendo em vista que entre 69 pacientes fixados com próteses, 81% a utilizavam ao redor das suas residências, mas somente 16% haviam adquirido mobilidade mais próxima ao normal(14).

A preservação cirúrgica da articulação do joelho favorece a deambulação com prótese e um melhor ganho funcional, principalmente em idosos. O padrão de marcha adquirido pode se aproximar do normal e a energia despendida é muito menor do que em níveis mais altos de amputação. Mesmo que o paciente não apresente condições clínicas para a deambulação com o membro artificial, seu uso pode ser indicado e favorecer as atividades de transferência, portanto, mesmo permanecendo em cadeira de rodas, o paciente pode adquirir independência no seu domicílio(1,15).

O nível da amputação pode interferir no desempenho do paciente para a deambulação. Assim, tanto a distância em metros quanto o tempo de caminhada são maiores entre os sujeitos com amputação abaixo do joelho utilizando prótese, quando comparados aos indivíduos com amputação acima do joelho(9).

Em outra investigação, os autores verificaram que independentemente do nível da amputação, todos os pacientes foram capazes de caminhar 50 metros utilizando prótese e um equipamento acessório para a deambulação como bengala ou muletas. Para distância igual ou superior a 100 metros, oito entre dez idosos com amputação transfemural e 16 entre 20 com nível transtibial foram capazes de caminhar. Semelhantes números de pacientes foram obtidos para as atividades de subir e descer escadas(7).

Em nosso estudo verificamos que na avaliação da capacidade funcional, segundo o índice de Barthel, 26 idosos deambulavam em superfície plana, no mínimo 50 metros sem ajuda, e quatro necessitavam de alguma ajuda, mas conseguiam caminhar a mesma distância. Desses, dez não utilizavam prótese, 11 a utilizavam de modo contínuo (um deles com amputação bilateral) e cinco de modo não contínuo. Em outras atividades que exigem maior mobilidade, como uso do banheiro, tomar banho e transferências, a grande maioria dos idosos era independente, lembrando que a maior dependência foi apontada para a atividade de subir e descer escadas, a qual exige importante mobilidade, equilíbrio e transferência de peso.

Interessante e abrangente investigação foi realizada sobre os fatores que influenciam o nível de atividades das pessoas com amputação de membro inferior, em que os autores buscaram identificar os problemas em áreas específicas que contribuem para a dependência dessas pessoas. O estudo contou com 131 sujeitos, com idade média de 58 anos, submetidos a amputação uni e bilateral (para efeitos de comparação, os autores distinguiram somente o nível), e utilizando próteses. Sobre o uso da prótese, 71% dos sujeitos responderam que utilizavam a prótese de modo constante, em qualquer lugar, e 60% mais do que 12 horas; enquanto 6% nunca utilizaram o membro artificial. Sobre as atividades da vida diária investigadas, os maiores problemas apresentados pelos sujeitos foram relacionados a cuidar do quintal, tomar banho e atividades de recreação, independentemente do nível da amputação. Para os sujeitos com amputação acima do joelho as maiores dificuldades diziam respeito às atividades de compras, limpeza do chão e vestir. Quanto à participação social, somente a atividade de dançar foi apontada como a de maior dificuldade para ambos os grupos, ainda que os pacientes com amputação acima do joelho tenham referido maiores problemas para participar das atividades da igreja e festas(16).

O uso da prótese está estreitamente vinculado ao tipo da amputação, ou seja, as dificuldades impostas pela ausência de ambos os membros inferiores limitam o uso do membro artificial, conforme constatamos entre os nove idosos entrevistados, com amputação bilateral, onde somente dois utilizavam as próteses. Ademais, houve associação significativa entre esse tipo de amputação e os valores mais baixos do índice de Barthel, indicando algum grau de comprometimento da independência para as atividades avaliadas.

Para idosos submetidos à amputação bilateral, é mais provável que a reabilitação em cadeira de rodas lhes proporcione maior independência e melhores resultados, frente ao elevado gasto energético despendido à deambulação, nesse tipo de amputação, principalmente em níveis transfemurais (pode chegar a 280% de acréscimo de energia quando comparado à deambulação normal), além da presença de outros problemas de saúde. Nas amputações abaixo dos joelhos a probabilidade de uso satisfatório das próteses é maior, principalmente pela ajuda fornecida pelo membro nas transferências. Assim, ao considerar as pequenas distâncias que o idoso com amputação bilateral consegue caminhar, mesmo utilizando acessórios, o gasto energético é menor e irá adquirir maior independência se sua reabilitação for realizada em cadeira de rodas(15).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

À luz dos dados obtidos, podemos dizer que os idosos com amputação de membros inferiores, sujeitos desta pesquisa, apresentam elevado grau de independência para as atividades da vida diária, segundo o índice de Barthel.

Os idosos com amputação bilateral apresentam os valores de Barthel menores que aqueles idosos com amputação unilateral.

Isto posto, sugerimos que outros estudos sejam realizados nesta linha de investigação, visando a compreensão do potencial para reabilitação de idosos submetidos a amputação de membros inferiores. Desse modo, a enfermagem pode desempenhar um papel mais ativo na resposta às necessidades individuais dos idosos portadores de incapacidades crônicas, ou seja, compreender as conseqüências da incapacidade no contexto da vida de cada pessoa, reconhecendo a reabilitação como um processo contínuo que se estende além do período que se segue à alta hospitalar.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Cutson TM, Bongiorni DR. Rehabilitation of the older lower limb amputee: a brief review. J Am Geriatr Soc 1996 November; 44(11):1388-93.        [ Links ]

2. Clark GS, Murray PK. Reabilitação do paciente geriátrico. In: Delisa JA. Medicina de reabilitação - princípios e prática. São Paulo (SP): Manole; 1992. p.475-97.        [ Links ]

3. Ring H. La rehabilitación en los ancianos. In: Organización Panamericana de la Salud. La atención de los ancianos: un desafio para los años noventa. Washington (WC): Elias Anzola Pérez; 1994. p.279-88.        [ Links ]

4. Diogo MJD'E. O papel da enfermeira na reabilitação do idoso. Rev Latino-am Enfermagem 2000 janeiro; 8(1):75-81.        [ Links ]

5. Paula JAM, Tavares MCGCF, Diogo MJD'E. Avaliação funcional em gerontologia. Gerontologia 1998 junho; 6(2): 81-8.        [ Links ]

6. Mahoney FI, Barthel DW. Functional evaluation: the Barthel Index. Md St Med J 1965 February; 14:61-65.        [ Links ]

7. Buttenshaw P, Dolman J. The Roehampton approach to rehabilitation: a retrospective survey of prosthetic use in patients with primary unilateral lower-limb amputation. Top Geriatr Rehabil 1992; 8(1):72-8.        [ Links ]

8. Frykberg RG, Arora S, Pomposelli FB, Logerfo F. Functional outcome in the elderly following lower extremity amputation. J Foot Ankle Surg 1998 May/June; 37(3):181-5.        [ Links ]

9. Pohjolainen T, Alaranta H. Predictive factors of functional ability after lower-limb amputation. Ann Chir Gynaecol 1991; 80(1):36-9.        [ Links ]

10. Roth EJ, Wiesner SL, Green D, Wu Y. Dysvascular amputee rehabilitation - the role of continuous noninvasive cardiovascular monitoring during physical therapy. Am J Phys Med Rehabil 1990 February; 69(1):16-22.        [ Links ]

11. Diogo MJD'E. A consulta de enfermagem centrada nas atividades da vida: proposta de assistência ao idoso com amputação de membros inferiores. [tese]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem/USP; 1993.        [ Links ]

12. Steinberg F, Sunwoo I, Roettger RF. Prosthetic rehabilitation of geriatric amputee patients: a follow up study. Arch Phys Med Rehabil 1985; 66(11):742-5.        [ Links ]

13. Matiotti MLV, Mantovani CS, Gerstner AP. Avaliação dos pacientes amputados de membros inferiores do centro de reabilitação da Santa Casa de São Paulo. Acta Fisiátrica 1999 (edição especial); 6(3):119.        [ Links ]

14. Campbell WB, St. Johnston JA, Kernick VF, Rutter EA. Lower limb amputation: striking the balance. Ann R Coll Surg Engl 1994; 76:205-4.        [ Links ]

15. Buttenshaw P. Rehabilitation of the elderly lower limb amputee. Rev Clin Gerontol 1993; 3:69-84.        [ Links ]

16. Medhat A, Huber PM, Medhat MA. Factors that influence the level of activities in persons with lower extremity amputation. Rehabil Nurs 1990 January/February; 15 (1): 13-8.        [ Links ]

Fonte

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Importância da fisioterapia precoce em um AVC

Acidente Vascular Cerebral é um derrame resultante da falta ou restrição de irrigação sanguínea ao cérebro, que pode provocar lesão celular e alterações nas funções neurológicas. As manifestações clínicas subjacentes a esta condição incluem alterações das funções motora, sensitiva, mental, perceptiva, da linguagem, embora o quadro neurológico destas alterações possa variar muito em função do local e extensão exata da lesão .

O AVC resulta da restrição de irrigação sanguínea ao cérebro, causando lesão celular e danos nas funções neurológicas. As causas mais comuns são os trombos, o embolismo e a hemorragia.

Quando a lesão é no Hemisfério Esquerdo (Hemiplegia Direita) ocorrem afasias, apraxias ideomotoras e ideacionais, alexia para números, descriminação direita/esquerda e lentidão em organização e desempenho.

Quando é no Hemisfério Direito (Hemiplegia Esquerda) ocorre alteração viso espacial, auto negligência unilateral esquerda, alteração da imagem corporal, apraxia de vestuário, apraxia de construção, ilusões de abreviamento de tempo e rápida organização e desempenho.

A hemiplegia, ou paralisia de um lado do corpo, é o sinal mais clássico da doença neurovascular cerebral. Embora seja um dos sinais clínicos mais óbvio, o local e o tamanho da lesão irão determinar o nível de comprometimento sensorial e motor.

Após o início do AVC com hemiplegia, ocorre um estado de baixo tônus ou flacidez, variando num intervalo de semanas ou meses.

Esse lesado é acompanhado pelo desenvolvimento de padrões de retorno da função muscular e padrões de aumento de tônus (fase de espasticidade). A velocidade com a qual esses padrões de função muscular retornam é ditada pela gravidade da lesão e enfoque no processo de reabilitação.

A sintomatologia depende da localização do processo isquêmico, do tamanho da área isquêmica, da natureza e funções da área atingida e da disponibilidade de um fluxo colateral.

Função Sensorial: a sensibilidade frequentemente sofre prejuízos, mas raramente está ausente do lado hemiplégico. São comuns as perdas proprioceptivas, exercendo significativo impacto sobre as habilidades motoras. Também são comuns a perca do tato superficial, dor e temperatura, contribuindo para uma disfunção perceptiva geral e para o risco de autolesões.

Os pacientes hemiplégicos podem ainda sofrer de hemianopsia homónima – defeitos no campo visual. O paciente sofre de cegueira da metade nasal de um dos olhos e da metade temporal do outro, dependendo do local da lesão.

As alterações sensoriais mais frequentes, aquando da ocorrência de um AVC, são os défices sensoriais superficiais (táteis, térmicos e doloros), proprioceptivos (postural e vibratória) e visuais (diminuição da acuidade visual, diplopia).

Função e Comportamento Mental: alguns dos pacientes que sofrem um AVC são dados como confusos ou não cooperantes, sem espírito de iniciativa, ou mentalmente inadequados. Podem também ficar com a compreensão prejudicada, sofrer de perda de memória recente, perda da percepção corporal, negação de lhe pertencerem os membros afetados. Os indivíduos com lesão no hemisfério direito e esquerdo têm comportamentos muito distintos. Os indivíduos com lesão no hemisfério direito, tendem a ter um comportamento mais lento, são mais cuidadosos, incertos e inseguros. Ao desempenharem tarefas apresentam-se ansiosos e hesitantes, necessitando frequentemente de apoio e "feedback".

Função Perceptiva: o tipo e a extensão dos défices perceptivos vão depender do local da lesão. Um AVC pode provocar distúrbios na posição no espaço, na percepção da profundidade, na orientação topográfica, apraxia (incapacidade para programar uma sequência de movimentos), agnosia (incapacidade de reconhecer objetos familiares de uso pessoal, e de lhe dar uma função), falhas na discriminação esquerda/direita.

Função da Linguagem/Comunicação: este tipo de problema resulta geralmente quando o AVC teve a sua origem numa obstrução da artéria cerebral média localizada no hemisfério esquerdo.

Função motora: os indivíduos sofrem desequilíbrio postural, espasticidade, padrão flexor do membro superior e padrão extensor do membro inferior, entre outros.

Alterações do Tónus: logo após um AVC, o hemicorpo afetado apresenta hipotonia, isto é, o tónus é muito baixo para iniciar qualquer movimento, não apresenta resistência ao movimento passivo e o indivíduo não consegue manter o membro em nenhuma posição, principalmente durante as primeiras semanas. Ocasionalmente a flacidez dura apenas algumas horas ou dias, mas raramente persiste indefinidamente. Estas alterações levam ao desaparecimento da consciencialização e dos padrões de movimento do hemicorpo afetado, bem como a padrões inadequados do lado não afetado. Desta forma, o indivíduo não consegue sentar-se sem apoio, manter-se de pé. É frequente nestes casos, com o passar do tempo, a substituição de um quadro de hipotonia, por um quadro hipertonia em que há um aumento da resistência ao movimento passivo (característico dos padrões espásticos).

A espasticidade tende a aumentar gradualmente nos primeiros 18 meses com os esforços e atividades desenvolvidas pelo indivíduo (fase espástica), podendo provocar posturas anormais e movimentos estereotipados. Geralmente estes indivíduos apresentam hipertonia nos músculos anti-gravíticos do hemicorpo afetado (flexores no membro superior e extensores no membro superior).

Perda do mecanismo de controle postural: a base para a realização dos movimentos voluntários normais especializados é o mecanismo de controle postural. Desta forma, se as reações posturais automáticas de um indivíduo que tenha sofrido um AVC não estiverem a funcionar no hemicorpo afetado, o indivíduo não conseguirá usar vários padrões normais de postura e de movimento, que lhe permitem fazer transferências, rolar, sentar-se, manter-se de pé, andar, realizar atividades da vida diária e outras atividades funcionais. As patologias e as sequelas neurológicas interferem com a capacidade do indivíduo em executar as funções e a satisfazer as suas obrigações. Assim, o indivíduo com sequela neurológica não é capaz de desempenhar o seu papel social ou de manter o seu relacionamento habitual com os outros.

A recuperação da função nos membros, promovida pela plasticidade, é dificultada por um fenômeno conhecido como "não-uso aprendido". Com a perda da função de uma área do cérebro atingida pelo AVC, a região do corpo que estava ligada a essa área também é afetada, perdendo a sua capacidade de movimentação. Como o paciente não consegue mover o membro mais afetado, compensa usando o outro, deste modo, após um certo tempo, quando os efeitos da lesão não estão mais presentes e ocorreram readaptações no cérebro, os movimentos poderiam ser recuperados, no entanto, o paciente já "aprendeu" que aquele membro não é mais funcional.

Retirei daqui

Fisiolinks 73



A Fisioterapia pode ser definida como uma ciência aplicada à prevenção e tratamento da saúde por meio de recursos físicos. Sua aplicação necessita do entendimento das estruturas e funções do corpo humano. Ela estuda, diagnostica, previne e trata os distúrbios, entre outros, da biomecânica e funcionalidade humana decorrentes de alterações de órgãos e sistemas humanos. Além disso, a Fisioterapia estuda os efeitos benéficos dos recursos físicos como o movimento corporal, as irradiações e correntes eletromagnéticas, o ultrassom, entre outros recursos, sobre o organismo humano. É a área de atuação do profissional formado em um curso superior de fisioterapia. O fisioterapeuta é capacitado a avaliar, reavaliar, prescrever (tratamento físico, órteses, próteses), dar diagnóstico cinesiológio-funcional, prognóstico, intervenção e alta, dentro de sua tipicidade assistencial.

Vamos aos Fisiolinks da semana?

Esclerose múltipla não é só pra idosos

Cinemática do Trauma

Avaliação Física

O Sinal de Babinski

Como se faz uma drenagem postural

Tipos de atividade muscular

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fisioterapia e a neuropatia diabética


O trabalho do fisioterapeuta em pacientes com ND é aplicado nos casos de Neuropatia Diabética Mononeuropática.

A Mononeuropatia ocorre quando alguns nervos são comprometidos isoladamente. A doença mais comum provocada pelo DN é a síndrome do túnel do carpo, gerando formigamento e "choques" no carpo. Nestes casos o fisioterapeuta adota um tratamento fisiátrico, visando evitar a compressão dos nervos ou realizar uma descompressão cirúrgica.

A fisioterapia pode contribuir na recuperação e prevenção das alterações sensoriais e motoras em pacientes com ND. O objetivo da prevenção é de se avaliar funcionalmente os MMSS e MMII, para uma futura indicação de fisioterapia.

Sendo assim, podemos ver a importância do trabalho fisioterápico em relação às medidas de prevenção do ND, a fim de se reduzir o numero e risco para a sua ocorrência e manter o seu controle e consequentemente evitar complicações futuras, melhorando o tratamento e qualidade de vida.

É de fundamental importância que o fisioterapeuta também oriente esse cliente para a importância de uma boa alimentação, evitando que o nível de glicemia aumente fazendo com que a ND piore, exercícios físicos, visita ao medico periodicamente, medir sua glicemia diariamente e que se tome bastante cuidado para machucados em seus MMII E MMSS, para que possam evitar complicações já conhecidas que a diabetes pode causar, e unido a neuropatia Diabética, agravar o quadro de complicações.

Quando há síndromes compressivas associadas, pode-se pensar em cirurgia descompressiva. Os medicamentos mais utilizados são: Ácido alfa-lipóico, antidepressivos tricíclicos, venlafaxina, anticonvulsivantes, defenilfenitoína, carbamazepina, entre outros...

A coduta fisioterapeutica é o ganho de força muscular global à medida que o paciente suporte os exercícios, visto que a fadiga muscular e a dor neuropática muitas podem estar presentes e dificultam a realização do exercício. As atividades de baixo impacto também são aconselhadas.

A estimulação nervosa transcutânea também apresenta bons resultados em alguns casos.

Com ajuda daqui

Tipos de atividade muscular


http://2.bp.blogspot.com/-zDR1gd_FacY/TVcpLpYdDvI/AAAAAAAAABI/apsw0joMYHI/s1600/musculo_artificial.jpg

Existem dois tipos básicos de atividade muscular. Um é o exercício dinâmico, ou isotônico. Este tipo de atividade faz que os músculos esqueléticos se contraiam e se alonguem. As atividades predominantemente isotônicas são: correr, trotar, nadar, praticar ciclismo, remar, caminhar, a danças rítmicas e lentas.

O exercício estático ou isométrico provoca grandes mudanças no tensionamento dos músculos, mas poucas mudanças no seu comprimento. As atividades deste tipo são, por exemplo: levantar pesos, empurrar objetos pesados, empunhar objetos (raquetes) e fazer corridas curtas e rápidas.

No exercício dinâmico (a esteira ou a bicicleta) se põem para trabalhar grandes massas musculares e existe uma grande demanda de oxigênio como conseqüência da contração muscular. No exercício estático, ao contrário, só se contraem, de forma sustentada, pequenas massas musculares.

"O exercício isométrico intenso e sustenido pode ocasionar um acidente cerebral hemorrágico, um infarto do miocárdio, ou a ruptura de um aneurisma de aorta", assinala Lipshitz. E acrescenta: "Este exercício está contra-indicado nas pessoas com recente dano miocárdio e com moderada ou severa hipertensão".

sábado, 24 de setembro de 2011

Reeducação Sexual do Homem Lesado Medular

A lesão medular afeta a função sexual?
Sim. As alterações podem ser orgânicas (do corpo) e/ou comportamentais (alteração da autoimagem, tabus, preconceitos). Porém, não significa que acabe ou que não tenha solução, como veremos ao longo deste manual.

Como fica a função sexual após a lesão medular?
Continua. O processo mental da função sexual é o mesmo antes e após a lesão. Portanto, o desejo sexual (libido) permanece. O que ocorre é que este desejo é colocado de lado ou em segundo plano. É desestimulado pelo próprio lesado e/ou por seu parceiro por pensarem que estão fazendo algo errado ao valorizarem a função sexual. Muitos acreditam que deveriam estar voltados apenas para os aspectos da reabilitação física, como a fisioterapia, remédios, sondagem e outros. Isto não é verdade.

O desejo sexual acontece no cérebro, portanto, permanece após a lesão medular. O desafio inicial é aceitar o novo corpo e poder "curti-lo" para que outras pessoas também o aceitem.

Medicamentos podem alterar o desempenho sexual?
Sim. O desejo sexual (libido) pode sofrer alterações por ação de alguns medicamentos, tais como, tranquilizantes, antidepressivos, relaxantes musculares. Portanto, devem ser avaliados pelo médico a indicação destes medicamentos e os benefícios frente aos efeitos colaterais. Sempre que ocorrer alguma alteração ao iniciar um novo medicamento, o médico que receitou deverá ser comunicado para avaliar a possibilidade de troca ou algum ajuste que evite esses efeitos.

Existem outros fatores que interferem no desempenho sexual?
Sim. As alterações na movpimentação do corpo, espasticidade, contraturas, não controle do intestino e/ou da bexiga podem afetar a autoimagem e a capacidade de realização do ato sexual.

As alterações do desejo sexual (libido) têm tratamento?
Sim. A fisioterapia, os exercícios, a reeducação da bexiga e do intestino, ou seja, o tratamento físico, e também o acompanhamento psicológico, contribuem para o bem estar do portador de deficiência e, consequentemente, sua autoimagem, autoestima e capacidade de desempenho do ato sexual.

O homem tem ereção após a lesão medular?
Sim. Cerca de 80% dos homens com lesão da medula têm alguma capacidade de ereção. O problema mais comum é o tempo de duração e a qualidade (grau de rigidez) da ereção que, muitas vezes, são insuficientes para manter uma relação sexual satisfatória. Se a relação estiver centrada na ereção, o prazer fica comprometido. Portanto, as carícias nos genitais (mesmo sem sensibilidade) e em áreas com sensibilidade, antes, durante e após a penetração, ou mesmo sem penetração, são muito importantes.

Como acontece a ereção?
A ereção acontece quando os corpos cavernosos ("grandes veias") do pênis se enchem de sangue. Existem três maneiras do homem conseguir uma ereção: psicogênica (ocorre através do pensamento), reflexa (resulta da estimulação do pênis ou regiões próximas) ou espontânea (acontece por algum estímulo interno, como por exemplo, acordar com uma ereção por estar com a bexiga cheia). O nível da lesão na medula (altura em que ocorreu a lesão: cervical, torácica, lombar, cone medular, cauda equina) e o tipo (completa ou incompleta) é que vão determinar o tipo e a qualidade da ereção.

Homens com lesão entre T11 (vértebra torácica) e L2 (vértebra lombar) não conseguem a ereção psicogênica porque a mensagem (pensamento erótico) vinda do cérebro não consegue passar através da lesão, uma vez que esta é a área responsável pela ereção. A ereção reflexa pode ocorrer de várias maneiras: puxando os pelos pubianos, estimulação oral ou manual do pênis, vagina ou ânus, estímulo de qualquer área do corpo onde há sensibilidade (como orelhas, pescoço, costas, tórax).

É possível melhorar a qualidade da ereção?
Sim. Diversos mecanismos podem auxiliar a alcançar e manter uma ereção satisfatória. Vão desde métodos economicamente acessíveis e temporários até métodos mais caros e/ou definitivos. O mais econômico é o anel peniano de borracha encontrado em lojas de produtos eróticos (sexshop). Esse anel poderá ser usado após orientação de um profissional da saúde. Após estimulação do pênis manualmente ou com auxílio de um vibrador, o anel é colocado na base do pênis retendo o sangue nos corpos cavernosos e deve ser retirado em no máximo 20 minutos.

O urologista poderá prescrever e orientar o uso de medicamentos com a finalidade de proporcionar uma ereção.

Pode ser uma injeção (baixo custo) aplicada facilmente no pênis, bem como comprimidos (custo mais elevado).Uma complicação rara do uso dessas injeções é o priapismo (ereção que dura mais de três horas). Nesses casos é necessário ir com urgência a um hospital para retirada do sangue retido.

A prótese peniana é o método definitivo mais eficaz disponível, podendo ser feita através do sistema público de saúde (SUS) ou particular. Um urologista poderá orientá-lo quanto ao método mais adequado.

O posicionamento do corpo também pode auxiliar na ereção: deitado, reclinado ou sentado, com as pernas abertas ou fechadas, esticadas ou flexionadas.

Experimente as várias posições e descubra as que mais se adaptam ao seu caso.

Não tenho mais ejaculação. Por quê?
Ejaculação é a expulsão do sêmen através da uretra. Por ser bastante complexa e estar comprometida pela lesão medular, poucos indivíduos conseguem alcançá-la após a lesão medular. Alguns homens têm a sensação de ejaculação, mas não ocorre a saída do sêmen.

O que acontece com o sêmen?
O sêmen continua existindo, porém, pelas alterações da lesão medular o mecanismo que bloqueia sua entrada na bexiga permanece aberto, fazendo com que o sêmen vá para dentro da bexiga (ejaculação retrógrada). Assim, aparece uma substância esbranquiçada flutuando na urina, o que muitas vezes é confundido com infecção urinária.

O homem lesado medular pode ter filhos?
Sim. Embora na maioria dos homens lesados medulares ocorra a ejaculação retrógrada, existem métodos para realizar a fertilização da mulher com o sêmen. Através da estimulação próxima ao freio da glande (ponta) do pênis com um vibrador, a ereção e ejaculação podem ser alcançadas.

Este sêmen pode ser recolhido em um frasco estéril e colocado com uma seringa na vagina da mulher. Esta seria uma inseminação artificial caseira. Existem vários métodos realizados pelo médico para a inseminação artificial tal como a introdução de um estimulador elétrico no ânus do lesado medular até que chegue próximo à próstata provocando a ejaculação para inseminação artificial.

Outro método é a retirada dos espermatozóides diretamente dos testículos através de uma seringa. O problema maior é quando a qualidade dos espermatozóides não é boa. Isto ocorre pelo aumento da temperatura nos testículos pela posição sentada por muito tempo, infecções urinárias frequentes, entre outras causas.

Fonte: Manual de orientação: Reeducação Sexual do Lesado Medular

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Reposição hormonal masculina

No homem a redução dos hormônios sexuais ocorre de maneira muito mais sutil que na mulher. Não há uma queda tão definida dos hormônios nem um fenômeno tão marcante quanto  a última menstruação. O que sabemos é que neles, a testosterona, o principal hormônio masculino, começa a cair por volta dos 40 anos de idade e daí por diante a perda pode alcançar 1 a 2% da produção hormonal masculina anualmente.


Os sintomas também não são nada característicos como na mulher. Nelas, as ondas de calor não deixam dúvidas de que o climatério chegou. Neles, o declínio dos hormônios sexuais masculinos, a chamada andropausa, ainda não é aceita por muitos estudiosos no assunto. Isso porque seus sintomas lembram muito mais o processo de envelhecer e não ocorrem como um fenômeno fisiológico em todos os homens.


A disfunção erétil e a redução da libido talvez sejam os sintomas mais característicos da andropausa e que mais afligem o homem com declínio hormonal. Mesmo assim, a sexualidade pode sofrer influências de muitas outras causas orgânicas e psíquicas e que nada tem a ver com o declínio do hormônio masculino. Por isso, o diagnóstico deve sempre ter a comprovação das dosagens desse hormônio, além dos sintomas.

Além das alterações da esfera sexual, os demais sintomas que acompanham a redução da testosterona são ainda menos específicos de disfunção hormonal e mais parecidos com o envelhecimento. Redução da massa muscular e óssea, fadiga crônica e desânimo são queixas de muitos homens após os 50 anos e a maioria deles não tem a queda de testosterona que nos permite fazer o diagnóstico de andropausa. Talvez o stress da vida moderna, as demandas profissionais e familiares e a própria expectativa masculina possam estar atuando com mais força do que o declínio hormonal.


Uma vez estabelecido o diagnóstico, a reposição do hormônio masculino pode ser realizada desde que não haja contra-­indicações. As mais importantes são as doenças da próstata ou até as alterações inespecíficas do PSA.  A reposição pode ser feita através de várias preparações do hormônio masculino, que podem ser administradas por via oral, injetável ou por soluções aplicadas à pele sob a forma de gel ou adesivo. Seus benefícios são comprovados em melhorar a libido, a ereção, a massa muscular e óssea.

Há, entretanto, riscos que devem ser monitorados, principalmente devido ao potencial da testosterona em agravar a tendência do aumento da próstata que ocorre com a idade e em estimular uma doença prostática não diagnosticada, entre elas, o próprio câncer de próstata. É bem certo que o hormônio masculino não causa o câncer de próstata, mas também é definitivo o conhecimento de que ele pode ser o gatilho para o crescimento de um tumor maligno até então quiescente. Outras complicações do uso crônico do hormônio masculino são a retenção de líquidos e aumento de glóbulos vermelhos que podem trazer risco de sobrecarga cardiovascular, desenvolvimento de mamas e até apneia do sono.


Como a reposição hormonal feminina, aqui também cada caso deve ser minuciosamente investigado e  o tratamento instituído individualmente e monitorado com rigor. 

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Exercícios supervisionados são importantes para pessoas com síndrome de Down

http://3.bp.blogspot.com/_gAxou-8xZZk/Sw2d6VCyVdI/AAAAAAAABAI/J9sclXxHNTM/s1600/down+nadando.jpg

Apesar de muita gente acreditar que as pessoas com síndrome de Down não podem fazer exercícios, por causa de algumas limitações, as atividades físicas podem, na verdade, serem muito benéficas nesses casos, segundo especialistas. Uma dos distúrbios genéticos mais comuns do mundo - acometendo um a cada 660 a 800 nascidos vivos -, a síndrome de Down é caracterizada por uma combinação de diferenças na estrutura corporal, e associada a algumas dificuldades cognitivas e no desenvolvimento físico.

De acordo com o médico Benjamin Apter, especialista em medicina esportiva, as pessoas que têm a síndrome tem algumas características que, se num primeiro momento parecem impeditivas à prática de atividades físicas, na verdade, fazem com que os exercícios adequados sejam ainda mais indicados para pessoas com a condição. Dentre esses fatores, o especialista destaca maior presença de doenças cardíacas congênitas e problemas respiratórios, instabilidade entre a primeira e a segunda vértebras cervicais, hipotireoidismo, distúrbios de visão e hipotonia - diminuição do tônus muscular.

O médico destaca que a prática de atividades físicas, acompanhada por especialistas, pode ajudar no tratamento de problemas associados à síndrome de Down e fazer parte do trabalho interdisciplinar realizado para estimular o desenvolvimento psicomotor dessas pessoas. Para tanto, esse trabalho deve ser feito por uma equipe qualificada, formada por médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e profissionais de educação física especializados.

"O fortalecimento muscular supervisionado é muito importante para a estabilização da coluna vertebral, para as articulações e para a boa postura, além de melhorar a composição corporal diminuindo as regiões com gordura localizada e aumentando a massa magra", explicou Benjamin Apter. "Embora deva haver estímulo para a prática de exercícios em grupo, é preciso que as atividades sejam personalizadas, para evitar danos ou agravamento de condições anteriores à prática em pessoas com síndrome de Down", concluiu.

Fonte

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Pilates em pacientes de lesão medular


O Pilates é um método de condicionamento físico baseado em 6 princípios fundamentais Concentração, Controle, Power house (CORE), Movimento Fluido, Respiração e coordenação motora. Nascido em 1880, Joseph Pilates criou um repertório de exercícios que eram executados no solo, residente na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial foi feito prisioneiro e transferido a um campo de trabalho britânico, onde aprimorou seus movimentos com auxilio de molas e macas para reabilitar soldados feridos.

Podemos citar como benefícios do Pilates:
- alongamento e maior controle corporal;
- correção postural;
- avaliação da flexibilidade;
- tônus e força muscular;
- alívio de tensões estresse e dores crônicas;
- desenvolvimento da consciência corporal;
- melhora da mobilidade das articulações;
- estimulação do sistema circulatório e oxigenação do sangue;
- fortalecimento dos órgãos internos;
- trabalho da respiração;
- aumento da sensação geral de bem estar.

Até pouco tempo atrás, o tratamento de pacientes com lesão medular estava restrito à prevenção de danos á medula espinhal, limitando o tratamento fisioterápico á reabilitação intensiva. Com o aumento da expectativa de vida dos pacientes com lesão medular, o processo de reabilitação desviou-se da preocupação de sobrevivência para a melhoria da qualidade de vida e o aumento da independência funcional.

A evolução dos pacientes portadores de lesão medular, assim como as respostas destes as aulas de Pilates, são imprevisíveis. As funções sensitivas, motoras e funcionais preservadas abaixo do nível da lesão apresentam padrões variáveis de recuperação. É importante que o paciente tenha o mínimo de controle de tronco para freqüentar as aulas, alguns exercícios podem ser feitos na própria cadeira de rodas.

Os diferenciais biomecânicos que o Pilates oferece ao aluno cadeirante como crescimento axial, respiração, concentração, estabilização do tronco, diminuição do impacto articular, auxiliam esses alunos, nas atividades de vida diárias. Devemos trabalhar bem a questão do aumento d força em membros superiores vez que esta musculatura sofre sobrecarga. É importante gerar uma harmonia dos movimentos estimulando as estruturas proprioceptoras proporcionando maior coordenação motora na execução das atividades diárias.

É importante lembrarmos que na respiração utilizamos muito a mobilidade de todo tórax, que estimula a contração de músculos respiratórios importantíssimos e dificultando o aparecimento de possíveis patologias relacionadas à respiração (ex.: pneumonias).

O Pilates por trabalhar órgãos internos e musculaturas profundas, pode estimular o bom funcionamento intestinal também. Sendo assim, importante para este público que passa a maior parte do tempo na mesma posição. "Muitos alunos nos relatam este tipo de melhora", dizem Tatiana e Beatriz.

Exercícios específicos para controle e sustentação do tronco, fortalecimento de membros superiores para facilitar transferências de peso para outros locais (cama, cadeira, sofá) e estímulos de equilíbrio", explicam as especialistas.

Lembrando que mesmo aqueles que precisam de auxilio para realizar os exercícios, devem sempre ter em mente que ele será responsável pelos cuidados com o próprio corpo, afirmam Beatriz e Tatiana.

Os exercícios da nossa pratica cotidiana adaptados que proporcionaram aos nossos alunos:

-Independência e Autonomia;
-Auto Valorização, Auto Estima, Auto Imagem;
-Melhora da função nos aparelhos circulatório, digestivo, respiratório e excretor;
-Melhora da Força e Resistência muscular em Membros Superiores e Tronco;
-Desenvolvimento do equilíbrio estático e dinâmico.

Dr. Daniel D´Attilio

Retirado aqui

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fisiolinks 72

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Microfisioterapia e o estresse

A microfisioterapia é uma técnica manual, baseada na embriologia e filogênese, que propõe, a partir de micropalpações (o termo micro é utilizado pela fineza dos gestos) na pele, desencadear um processo de autocura de lesões e traumas físicos, emocionais e tóxicos, evitando a degradação dos tecidos e estimulando suas funções. Nos dias de hoje vivemos momentos de mudanças profundas, em que nossas grandes tensões são muito diferentes das de outros tempos. Para o homem das cavernas, por exemplo, stress era se deparar com um animal feroz.

Agora a diferença quanto ao tipo de stress é enorme! O pânico em tomar decisões, o tempo apertado da hora, o congestionamento no trânsito, os desafios diários, os relacionamentos, enfim, pequenas tensões do dia a dia são muito mais estressantes do que grandes tensões.  
O estresse foi definido como o conjunto de reações desenvolvidas pelo organismo quando este é submetido a uma situação que exige esforço de adaptação. Emoções negativas poderosas, pensamentos de hostilidade e medo provocam mudanças fisiológicas complexas. A causa de tais patologias não esta nos acontecimentos externos, mas na "importância" que eles têm para a pessoa. O stress resulta da maneira como você encara os fatos diários em sua vida, e não deles mesmos. 
O estresse está dentro de nós e não se manifesta, por exemplo, no ato de um divórcio, na morte de uma pessoa querida ou em razão da doença de alguém amado. E sim no medo do divórcio, de perder quem amamos, de ficar sem as coisas que valorizamos, ou mesmo no medo de receber uma crítica pessoal.

Ou seja, nada mais é tão ameaçador do que a maneira como enxergamos os fatos. O estresse age da mente para o corpo. A mente pensa armazena informações e raciocina, mas é o corpo que expressa que armazena os sentimentos e é nele que se guarda todo o estresse. 
Através da microfisioterapia, é possível restabelecer o equilíbrio do organismo, restaurando a vitalidade dos tecidos que foram afetados por um trauma
Quando o estresse não é extravasado de maneira alguma, nosso organismo vai acumulando tensões, torna-se cada vez mais contraídos, encurtados, perde a elasticidade e flexibilidade e todo o sistema energético fica bloqueado. Os fluxos de energia que percorrem nosso corpo formam um circuito elétrico.

Estes chamados de meridianos correspondem a órgãos, vísceras e emoções. Ao "somatizar", "descarregamos" nossas emoções no fluxo energético correspondente, bloqueando-o, tencionando o tecido conjuntivo (nossa pele mais profunda), que se torna "congelado" e perde a elasticidade, se tornando rígido. 
Um tecido rígido por sua vez, passa a "apertar" tudo que esta em baixo dele (nervos, órgãos, vísceras, artérias, veias) que precisam de espaço para trabalhar bem. Quando tudo funciona em harmonia (corpo e mente, razão e emoção), o resultado é a saúde e a inteligência natural e motivadora da vida.

Em geral as pessoas não se dão conta de que o estresse pode estar se instalando. Isso porque raramente estão antenadas nas suas emoções e sintomas, não se percebem como um todo, o que é fundamental para uma boa qualidade de vida. 
Através da microfisioterapia, é possível restabelecer o equilíbrio do organismo, restaurando a vitalidade dos tecidos do corpo que foram afetados por algum trauma - seja uma torção, uma infecção por vírus, toxicidade, choque ou trauma emocional recente e congênito (estes traumas podem estar desencadeando o estresse e outras patologias).

Isso porque todos os tecidos do corpo, do epitelial (pele) ao nervoso, guardam a memória dos traumas físicos, químicos e psíquicos que sofreram em qualquer fase da vida. A partir dessas inscrições no corpo, podemos reencontrar e datar os acontecimentos que iniciaram o processo de desorganizar um tecido ou um órgão provocando o desenvolvimento de doenças. 
Este diagnóstico é feito por meio de micropalpações na derme e na epiderme. A ação do terapeuta é realizar no tecido palpado, atos que simulem, em micro escala, a origem do trauma e despertem os mecanismos de auto correção. A função do microfisioterapeuta é de faxineiro que permite limpar as informações negativas que o organismo guardou na memória corporal por tantos anos.

Fascite plantar sendo tratada com Crochetagem


A fascite plantar refere-se a uma dor plantar, no ponto de origem da fascia plantar, na tuberosidade medial do calcâneo. Caracteriza-se por uma inflamação ocasionada por microtraumatismos de repetição na origem da tuberosidade medial do calcâneo. As forças de tração durante o apoio levam ao processo inflamatório, que resulta em fibrose e degeneração das fibras fasciais que se originam no osso (SNIDER, 2000; HEBERT et. al; 2003; CYRIAX ; CYRIAX, 2001). Embora pareça não estar diretamente relacionada a nenhum tipo específico de pé, a fascite plantar surge com maior freqüência em indivíduos obesos (SNIDER, 2000; RIDLE et. al., 2004). Suas manifestações caracterizam-se pela dor local e ao redor da base do calcâneo e no arco plantar, principalmente ao levantar-se da cama, ou após um período de repouso (GRISOGONO, 2000; MEIJA ; KALB, 2000). Para Peterson ; Renström (2002), a pronação excessiva do pé, apresenta maior probabilidade no desenvolvimento desta doença, em virtude do aumento da resultante de força na aponeurose, em conseqüência do alongamento do arco e expansão dos dedos.

O tratamento fisioterapêutico da fascite plantar consiste na utilização de órteses, compradas prontas, para amortecimento do calcanhar, acompanhado de recursos de analgesia e combate ao processo inflamatório, e exercícios que promovam a diminuição da tensão no tendão calcâneo e na fascia plantar, sendo o alongamento, o exercício mais comumente utilizado (SNIDER, 2000).

A crochetagem mioaponeurótica é uma técnica manipulativa, desenvolvida pelo fisioterapeuta sueco Kurt Eeckman, colaborador do Dr. James Cyriax, à partir da limitação palpatória das técnicas convencionais (BAUMGARTH, 2003; BUSSIÈRES, 2004). A técnica baseia-se na utilização de ganchos ou "crochets", que são utilizados na quebra das aderências do sistema músculo-esqueletico (SARAIVA et.al, 2003). Seu objetivo principal é o rompimento de pontos de fibrose, geralmente causados pelo acúmulo de cristais de oxalato de cálcio nos planos aponeuróticos, causando irritação (BAUMGARTH, 2003; VARGAS, 2004; BUSSIÈRES, 2004).

Também conhecida como diafibrólise percutânea, a crochetagem está indicada em qualquer afecção osteomioarticular que leve a uma fibrose ou formação de aderências, assim como nas neuralgias, em especial, aquelas ocasionadas por alterações miofasciais. Tem sido divulgada e difundida entre os fisioterapeutas brasileiros, embora não existam estudos científicos a cerca de seus efeitos em língua portuguesa. A pouca literatura existente, está, em sua maioria, em francês ou alemão (VARGAS et. al, 2004; SARAIVA et. al, 2003; BAUMGARTH, 2003)

O presente estudo objetivou a verificação dos benefícios da crochetagem mioaponeurótica, no tratamento fisioterapêutico de um paciente portador de fascite plantar bilateral. A escolha da técnica se deu pela facilidade no transporte e manuseio do instrumental, bem como pela simplicidade de sua execução e necessidade de pouco tempo de aplicação.

Revisão de literatura

Anatomicamente, a fascia refere-se a uma lâmina ou membrana de tecido conjuntivo que reveste cada músculo, órgão ou conjunto de órgãos, com função de proteção (DÂNGELO ; FATTINI, 2001; BIENFAIT, 1999). Porém, ainda segundo Bienfait (1999), foram os osteopatas que criaram o conceito de fascia como um conjunto membranoso contínuo, representando uma única unidade funcional.

A região plantar do pé é revestida por uma fascia, de forma triangular, denominada aponeurose plantar (FIELD, 2001). Esta faixa extensa de tecido conectivo insere-se proximalmente à superfície do tubérculo medial do calcâneo e distalmente às articulações metatarso-falangianas, onde se fundem aos ligamentos capsulares (PRENTICE, 2002).

Segundo Hebert et. al. (2003); a fascia plantar consiste na principal estrutura estabilizadora passiva do arco longitudinal medial do pé. Filho (2001) afirma que as funções de estabilização e suporte do pé na posição ortostática e durante a locomoção, implicam no seu apoio no solo através da região plantar. Esse apoio se dá através do triângulo de sustentação, que tem como vértices a extremidade
posterior do calcâneo e as cabeças do primeiro e quinto metatarsos. O arco plantar permite uma maior flexibilidade no apoio, assim como um maior amortecimento de impactos. Tanto na posição ortostática quanto durante a marcha, a hiperextensão dos artelhos demanda um tensionamento da fascia plantar e uma pronação do pé (BUSSIÈRES, 2002). Para Starkey ; Ryan (2001), a fascia plantar não só sustenta, como é sustentada por muitos dos músculos intrínsecos e ligamentos do pé.

A fascite plantar pode ser definida como uma afecção caracterizada pela dor na região plantar do calcâneo, que pode se estender por toda a fascia plantar. Sua manifestação é insidiosa, e sua sintomatologia é mais evidente pela manhã, ou após um período de repouso. Geralmente melhora após atividade (primeiros passos), embora em alguns casos, a dor possa persistir por todo o dia (BUSSIÈRES, 2002; HEBERT et. al., 2003; SNIDER, 2000; FILHO, 2001; ALDRIDGE, 2004). Para Hebert et. al. (2003); o aumento no quadro doloroso ao primeiro apoio matutino deve-se ao fato de que durante o sono, a inatividade dos músculos dorsiflexores promove um encurtamento da fascia plantar. O primeiro apoio provoca um estiramento brusco da aponeurose, o que provoca a dor. Segundo o mesmo autor, corridas, saltos e atividades de impacto pioram a dor. Riddle et. al. (2004) afirma que as perdas funcionais decorrentes da fascite plantar, estão relacionadas somente às atividades que envolvem corrida, e atividades profissionais e hobbies que envolvem sustentação de peso; não havendo relação com perda de amplitude de movimento (ADM) e perda de força e trofismo muscular.

Ao exame físico, é verificada marcha antálgica, com apoio sobre a parte lateral ou anterior do pé. Há palpação dolorosa da região medial do calcâneo e a dorsiflexão dos dedos exacerba os sintomas, pela distensão da fascia plantar. A dor produzida pela fascite plantar geralmente não é incapacitante, embora possa limitar algumas atividades (HAMER et. al., 2003; ALDRIGE, 2004). Pontos dolorosos na região medial da panturrilha e do tendão calcâneo podem ser encontrados, o que demonstra uma relação entre a fascite plantar e a rigidez do tendão calcâneo e musculatura posterior da perna (HEBERT et. al., 2003; HAMER et. al., 2003).

Várias podem ser as causas da fascite plantar, como distúrbios anatômicos e biomecânicos. Prentice (2002), cita a diferença entre o comprimento dos membros, a pronação excessiva da subtalar, a falta de flexibilidade do arco longitudinal e a rigidez das musculaturas da panturrilha, assim como o uso de calçados inadequados e o aumento do tamanho do passo durante a corrida. Para Cyriax ; Cyriax (2001) A fascite plantar tem início com um esforço prolongado em posição ortostática, em pacientes com encurtamento dos músculos da panturrilha e com os pés cavos. Huang et. al (2004) demonstraram em seu estudo, uma incidência maior de fascite plantar em indivíduos com pé plano flexível, que em indivíduos com arco plantar normal. Hebert et. al. (2003), afirma que tanto o pé cavo como o pé plano, são fatores pré-disponentes, assim como traumatismos de repetição, associados à intensidade, duração e freqüência da atividade, e a dureza do piso. Entretanto, segundo Peterson ; Renström (2002), embora o alongamento do arco plantar e a expansão dos dedos ocasionados pela pronação, submetam a aponeurose a um aumento de tensão; não há uma ligação explicita entre o pé plano ou o pé cavo com a fascite plantar. O fato de que aproximadamente 60% do peso corporal estejam distribuídos sobre o calcanhar, de 31 a 38% na região da cabeça dos metatarsos e somente cerca de 5% na região medial do pé (MANFIO et. al, 2001), talvez explique essa falta de relação direta com o tipo de pé. Segundo Snider (2000), a fascite plantar ocorre com mais freqüência em indivíduos obesos. Essa afirmação é corroborada pelo estudo de Ridle et. al. (2004) que demonstra uma relação estreita entre o aumento do Índice de Massa Corporal (IMC), e as manifestações clínicas da doença.

Bussières (2002) afirma que a fascite provavelmente seja um processo inflamatório ocasionado por microtraumas, que vêm a acelerar o processo de envelhecimento (degeneração) normal da aponeurose plantar. Essa assertiva corrobora com o pensamento de Herbert et al. (2003); de que as forças de tração que ocorrem durante o apoio desencadeiam o processo inflamatório, resultando em fibrose e degeneração.

A epidemiologia mostra que a maior incidência da doença se dá entre as mulheres, em sua maioria obesa e na faixa etária do climatério. Em homens, a prevalência é maior nos praticantes de esportes, especialmente os que envolvem corridas (HEBERT et. al., 2003; SNIDER, 2000). Em seu estudo, Imamura ; Carvalho Jr. (1996), verificaram que das 29 pessoas estudadas, 26 eram do sexo feminino, representando 90% da amostra. Cavanagh et. al. apud Manfio et al., (2001) não encontraram em seu estudo, relação direta entre o peso corporal, e os picos de pressão plantar, o que indica que embora haja uma grande incidência em pessoas obesas, o excesso de peso não deve ser visto como um fator primário na ocorrência da fascite plantar.

Ainda em seu estudo, Bussières (2002) cita o trauma direto ou indireto, a pronação excessiva do pé, o desabamento do arco plantar, a retração do gastrocnêmio e o aumento da tensão da aponeurose plantar durante a fase de propulsão como possíveis causas da fascite plantar.

Em seu estudo, Tokars et al. (2003) demonstraram que o tipo de calçado pode ocasionar síndromes dolorosas nos pés, joelhos, quadris e coluna, o que pode estabelecer uma relação entre o uso de calçados inadequados e a fascite plantar.

O tratamento da fascite plantar é eminentemente conservador e inclui a administração de antiinflamatórios não esteróides; o uso de palmilhas de material macio para suporte do calcanhar e em alguns casos do arco longitudinal; restrição das atividades que envolvam apoio prolongado, deambulação de longa distância, saltos e corridas; exercícios para alongamento da fascia plantar, tendão calcâneo e gastrocnêmio; assim como recursos que promovam analgesia e diminuição das tensões (SNIDER, 2000; PRENTICE, 2002; HEBERT et. al.,2003). A infiltração de corticóides pode ser utilizada em casos persistentes, porém oferece o risco de atrofia e degeneração do coxim adiposo, assim como a degeneração e ruptura da fascia (BUSSIÈRES, 2002; HEBERT et. al., 2003).

A crochetagem mioaponeurótica, também conhecida como diafibrólise percutânea é uma técnica de tratamento manipulativo do aparelho locomotor, que visa combater as algias pela destruição das aderências e fibroses, através da utilização de ganchos ou "crochets", aplicados sobre a pele (BURNOTTE; DUBY, 1988; BAUMGARTH, 2003; SARAIVA et. al.,2004; BUSSIÈRES, 2004).

A técnica foi desenvolvida pelo fisioterapeuta sueco Kurt Eeckman, o qual foi assistente do Dr. James Cyriax, no período pós-segunda guerra mundial. As limitações palpatórias na execução das técnicas convencionais de terapias manuais, dentre elas a massagem profunda de Cyriax, o levaram a desenvolver uma série de ganchos, que tiveram sua forma, material e técnica de aplicação desenvolvida progressivamente.

Após ganhar notoriedade com o sucesso no tratamento da Nevralgia de Arnold, Kurt Eeckcman ensinou o método a vários colegas, dentre eles, P. Duby e J. Burnotte, que passaram a desenvolver uma abordagem menos agressiva e dolorosa, baseada nos conceito de cadeias musculares e da osteopatia (BAUMGARTH, 2003, BURNOTTE; DUBY, 1988).

Ainda segundo Baumgarth (2003); Burnotte; Duby (1988) a diafibrólise possui três efeitos básicos: o efeito mecânico, o efeito circulatório e o efeito reflexo. Suas principais indicações são as aderências consecutivas a um traumatismo ou a uma fibrose cicatricial, as algias do aparelho locomotor (inflamatórias ou não), as nevralgias em conseqüência da irritação mecânica dos nervos periféricos, e por fim, as síndromes tróficas dos membros.

Embora seja um método com poucas contra-indicações, é importante considerar a agressividade ou imperícia do terapeuta, os maus estados cutâneos e circulatórios, assim como sua aplicação direta sobre processos inflamatórios.

O gancho é constituído de aço e possui duas extremidades, com curvaturas diferentes, para um melhor contato com as diferentes estruturas e acidentes anatômicos. Cada curvatura termina em forma de espátula, que reduz a pressão exercida sobre a pele, tornando o contato pouco doloroso. A referida espátula apresenta uma convexidade na face externa, e uma superfície plana na parte interna, o que facilita sua interposição entre os planos tissulares profundos.

Segundo Baumgarth (2003); Burnotte; Duby (1988), O princípio do tratamento se baseia numa abordagem do tipo "centrípeta". Na presença de uma dor localizada num local específico, o terapeuta inicia sua busca palpatória manual das regiões afastadas (proximais e distais) do foco doloroso. Esta busca palpatória segue cadeias lesionais que estão em relação anatômica (mecânica, circulatória e neurológica) com a lesão. Esta concepção permite evitar o aumento da dor, chamado de efeito rebote, conseqüência de um tratamento exclusivamente sintomático.

A técnica da crochetagem divide-se em três fases sucessivas: Palpação digital, palpação instrumental e fibrólise. Há ainda, a técnica perióstea a drenagem.

A palpação digital consiste em uma espécie de amassamento digital, realizado com a mão esquerda, que permite um delineamento da área a ser tratada. A palpação instrumental, realizada com o gancho que melhor se adapte a estrutura a ser tratada, serve para a localização precisa das fibras conjuntivas aderentes e os corpúsculos fibrosos, e é realizada colocando-se a espátula do gancho junto ao dedo indicador da mão esquerda.

A fibrólise consiste em uma tração complementar, realizada com a mão que segura o gancho, ao final da fase de tração instrumental. Essa fase corresponde ao tempo terapêutico.

A técnica perióstea se caracteriza por uma raspagem superficial da estrutura anatômica a ser tratada, com uma associação entre a utilização do gancho e uma mobilização manual do tecido periósteo. É indicada para descolamento de áreas de inserções ligamentares e tendíneas.

A drenagem consiste no deslizamento superficial da superfície convexa do gancho maior sobre as estruturas miofasciais, a fim de promover relaxamento e aumento do aporte sanguíneo.

Embora seja um recurso manipulativo de tecidos corpóreos e, portanto, esteja no âmbito da Fisioterapia, esta técnica não é de domínio exclusivo dela. Por ser recente, existe pouca bibliografia a respeito, sendo na maioria em francês e alemão (BAUMGARTH, 2003).

O tratamento da fascite plantar, através da crochetagem, não objetiva somente o pé e a fascia plantar. A musculatura posterior da perna deve ser abordada, em função de sua ligação com a etiologia da doença (BAUMGARTH, 2004; NATIVIDADE, 2004).

O tratamento começa por um alongamento da musculatura do tríceps sural, que pode ser substituído pela fibrólise (tração), seguido de uma raspagem da fascia plantar com o bordo menor do gancho, para que ocorra uma hiperemia do tecido. Em seguida, é realizada uma drenagem, com o lado maior do gancho, sempre no sentido distal para proximal, objetivando melhorar a irrigação, através da irritação da fascia plantar. O tratamento segue no tendão calcâneo, que é tracionado com o bordo menor do gancho, objetivando diminuir a tensão causada pelo tensionamento da musculatura do tríceps sural. Por último, a musculatura do tríceps sural será ganchada com o lado maior do gancho, e em seguida será drenada no sentido distal para proximal. Após todo o procedimento com o gancho, uma nova seqüência de alongamentos pode ser realizada, a fim de melhorar a resposta do corpo ao tratamento (BAUMGARTH, 2004; NATIVIDADE, 2004).

Os resultados práticos observados na utilização da crochetagem no tratamento da fascite plantar estão de acordo com os objetivos gerais do tratamento desta afecção, por demonstrarem diminuição da tenção da musculatura posterior da perna e tendão calcâneo, bem como a diminuição do processo inflamatório na fascia plantar e analgesia (JORDÃO, 2004).

Materiais e Métodos

O presente estudo avaliou a técnica da crochetagem em um paciente de 35 anos de idade, músico profissional, sedentário, portador de fascite plantar bilateral há aproximadamente quatro anos, sem ter se submetido a tratamento clínico ou fisioterapêutico; apenas utilizando recursos paliativos como alongamentos esporádicos e massagens. O tratamento foi realizado em domicilio do próprio paciente, durante cinco semanas, com duas sessões semanais, totalizando dez sessões. Foram utilizadas como parâmetros de avaliação, as dores referidas pelo paciente em região medial do calcâneo, ao ficar em posição ortostática e à palpação da tuberosidade medial do calcâneo, antes e depois do tratamento. Para quantificação da dor, foi utilizada uma escala de graduação, onde o paciente quantifica visualmente sua dor ao longo de uma linha continua de 10cm, sendo zero ausência total de dor, e 10 dor mais grave (MAGEE, 2OO2). A avaliação limitou-se à quantificação visual da dor, uma vez que a perda funcional decorrente da fascite limita-se à dificuldade de realizar atividades que incluem corridas e apoio ortostático (HEBERT et. al.. 2003; RIDDLE et, al. 2004). As sessões tiveram duração média de 30 minutos, e constaram somente da utilização da crochetagem, devido à praticidade no transporte do instrumental e aplicação da técnica. Durante o tratamento, o paciente não foi orientado a utilizar nenhum outro tipo de recurso.

O tratamento foi realizado em uma maca, com o paciente em posição prona e supina, de acordo com a técnica utilizada.
Inicialmente, com o paciente em decúbito ventral, foi realizada a fibrólise da musculatura da panturrilha, com ênfase na porção medial do gastrocnêmio, e do tendão calcâneo, tracionando todo o trajeto da musculatura com a parte côncava do gancho maior (Figura1) e o tendão com a parte côncava do gancho menor. Em seguida, ainda com o paciente em decúbito ventral, foi realizada a técnica perióstea, raspando com a espátula do gancho menor, orientada pela ponta do dedo indicador, os bordos medial, posterior e lateral do calcâneo e a fascia plantar; seguido da fibrólise (tração) da aponeurose plantar, com o gancho menor (Figura 2). Na seqüência, a drenagem da região plantar, no sentido disto proximal, em decúbito dorsal (Figura 3). Por ultimo, novamente em decúbito ventral, foi realizada a drenagem da musculatura da panturrilha. O procedimento de drenagem, tanto da fascia plantar, quando da musculatura, foi realizado com a parte convexa do gancho maior.


Figura 1 – Fibrólise da musculatura da panturrilha


Figura 2 – Fibrólise da aponeurose plantar


Figura 3 – Drenagem da região plantar

Resultados e discussão

Na avaliação inicial, o paciente quantificou sua dor como grau 8 em posição ortostática e grau 9 à palpação em pé direito; e grau 6 em posição ortostática e grau 6 à palpação em pé esquerdo (figura 4). Após as dez sessões, quantificou em grau 4 em posição ortostática e grau 4 à palpação em pé direito; e ausência de dor (grau zero) em posição ortostática e grau 2 à palpação em pé direito (figura 5). Relatou também melhora considerável em suas atividades da vida diária, uma vez que as mesmas eram significativamente limitadas pela dor. A ausência total de dor no pé esquerdo e a importante diminuição no pé direito, quando em ortostatismo, permitiram ao paciente um melhor rendimento em suas atividades profissionais, uma vez que necessita passar horas em pé.


Figura 4 – Avaliação da dor antes do tratamento


Figura 4 – Avaliação da dor após o tratamento

Os resultados deste estudo não podem ser considerados generalizados a uma população, haja vista, que o mesmo foi realizado sobre um único caso. Entretanto, vale a pena ressaltar a importância de se investigar novos recursos no tratamento desta afecção que se não incapacita, leva ao menos à limitação das atividades diárias e desportivas (HAMER et. al.,2003). No caso em questão, o paciente tinha suas atividades profissionais restritas pela dor, e evitava o engajamento em atividades físicas pelo mesmo motivo. De acordo com esta investigação, a crochetagem parece ser um recurso eficiente no tratamento sintomático da fascite plantar, uma vez que reduziu consideravelmente a sintomatologia do paciente, promovendo assim uma maior funcionalidade e bem estar. Isso se deu pela diminuição da tensão sobre a aponeurose plantar, diminuição da rigidez e aderências do tendão calcâneo e músculo gastrocnêmio, e aumento do aporte sangüíneo, auxiliando no combate ao processo inflamatório e na analgesia, atingindo dessa forma, de maneira direta, os objetivos gerais do tratamento desta infecção, preconizados pelos autores estudados. A diminuição da dor referida, principalmente em posição ortostática, onde ouve ausência total de dor no pé esquerdo, após o tratamento; permitiu ao paciente uma maior funcionalidade, principalmente no que diz respeito à deambulação e ao ortostatismo por tempo prolongado, que são as atividades diretamente prejudicadas pela fascite plantar, de acordo com Hebert et. al. (2003). Para Jordão (2003), ao comprometer a deambulação e o ortostatismo do indivíduo, a fascite plantar pode afetar sua saúde em seu aspecto social. Ainda segundo este autor, a crochetagem pode promover um retorno rápido às atividades diárias e profissionais, o que pôde ser verificado neste estudo de caso. Cabe, no entanto, observar que o tratamento efetivo da fascite plantar envolve não só o tratamento sintomático, mas também o combate às causas da doença, que podem estar associadas a causas intrínsecas como obesidade e características biomecânicas; e a causas extrínsecas, como tipo de vida, atividades repetitivas que podem levar a microtraumatismos, e até mesmo, calçados inadequados (BUSSIÈRES, 2002; TOKARS et. al., 2003).

Conclusão

Apesar da praticamente inexistente referencia sobre a crochetagem, que nos permitam uma melhor fundamentação, o presente estudo de caso demonstrou que foi possível reduzir consideravelmente os sintomas no pé direito, e praticamente eliminá-los no pé esquerdo do paciente, permitindo que o mesmo retornasse às suas atividades diárias e profissionais, dependentes da deambulação e da permanência em posição ortostática. Cabe observar que a praticidade no transporte e utilização do instrumento (gancho), a inexistência de custos adicionais; bem como a facilidade na aplicação da técnica, tornam a crochetagem bastante atraente como recurso terapêutico no tratamento da fascite plantar. Maiores estudos se fazem necessários, utilizando uma amostragem maior, e parâmetros de controle mais específicos, assim como outras modalidades terapêuticas, para que a influência da técnica seja realmente verificada. Por ser uma técnica ainda pouco conhecida no Brasil, e sem publicações científicas, maior investigação sobre a crochetagem devem ser feitas, para uma maior compreensão de seus efeitos e aplicabilidades, oferecendo aos fisioterapeutas, alternativas nos tratamentos das afecções do aparelho locomotor.

Fonte

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FisioImagens #8

foto

foto

foto

foto

foto


foto

foto

foto

foto

foto


foto

fotofoto

foto

Nova edição do FisioImagens no ar, pegando o que há de melhor da Fisioterapia espalhada pelo mundo! \o/

Quer enviar fotos? Mande para facafisioterapia@gmail.com











segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Importância dos exercícios físicos para os idosos

Os idosos que sofrem fraturas do fêmur ficam com muitas sequelas. Atualmente ocorrem mais de 2 milhões de fraturas de fêmur em idosos com osteoporose por ano, sendo que 15 % deles vêm a falecer nos primeiros 30 dias e 50 % deles jamais voltam a caminhar.

Estamos sempre ocupados com os problemas do dia a dia. Eventualmente podemos ser pegos de surpresa e no caso de uma emergência o pânico pode aparecer.

Segundo pesquisas norte-americanas, 30% das pessoas com mais de 65 anos caem ao menos uma vez por ano durante atividades cotidianas como subir e descer escadas, ir ao banheiro ou trabalhar na cozinha. Vale aqui salientar que a grande maioria destas quedas ocorre dentro de casa.  

Lembro-me de um senhor de 70 anos que caiu na sala de sua casa em um sábado à noite e sofreu uma fratura trans-trocanteriana do fêmur (fratura muito comum nesta faixa etária que impede a pessoa de se locomover devido à dor).

Como ele morava sozinho, somente na terça-feira pela manhã a faxineira que lá trabalhava o encontrou largado na sala, desidratado e quase inconsciente. Quando ele foi para o hospital tive de aguardar três dias para que o mesmo estivesse em melhores condições clínicas para a fixação da fratura com uma placa para que assim pudesse andar.

Relato este fato para que as pessoas de idade que moram sozinhas adquiram algum tipo de aparelho que disca o telefone à distância (já existente no mercado) ou que sempre levem o celular consigo, 24 horas por dia.  

"Uma caminhada no parque, alongamentos e exercícios trarão amplos benefícios aos idosos"

A causa das quedas é multifatorial, dependendo tanto de fatores intrínsecos relacionados ao envelhecimento, como fatores externos, ligados ao ambiente. Grande parte dessas quedas se deve aos déficits de equilíbrio, força muscular, tempo de reação e flexibilidade e capacidade, que podem ser trabalhadas em programas de exercícios físicos de forma a reduzir a incidência dos acidentes.

A diminuição da massa muscular com o avanço da idade é um dos principais fatores de risco para quedas. A redução da força nos membros inferiores associa-se à incapacidade de levantar-se, ao aumento da instabilidade, à redução de amplitude da passada e da velocidade de andar, fatores que aumentam o risco de acidentes.

Dessa forma, o treinamento de força tem sido cada vez mais indicado para idosos, como uma maneira segura e eficaz de combater essas perdas. O controle postural também é significantemente influenciado por experiências prévias. Sendo assim, o treinamento do equilíbrio em programas de exercícios físicos também pode trazer bons resultados. 

Sabemos que uma parte das perdas físicas e neuromotoras em idosos são consequências do tédio, inatividade e atrofia provocada pelo desuso e sedentarismo. Muitos são os motivos que levam à não adesão dos idosos aos programas de exercícios físicos. Dentre eles estão às condições de saúde, escassez de equipamentos apropriados, falta de oportunidades ou desconhecimento sobre os benefícios dessa prática no processo de envelhecimento.

Por esses motivos, acreditamos na importância de uma maior divulgação sobre a grande melhora na saúde das pessoas envolvidas em práticas de atividades físicas. Não é necessário frequentar academias de ginástica, e nem equipamentos sofisticados para tal.

Uma caminhada no parque, seguida de alongamentos e exercícios que trabalhem a propriocepção, trarão amplos benefícios, desde que acompanhados por um bom profissional da área de educação física.  

Esperamos com essa iniciativa, contribuir para que os idosos também passem a praticar exercícios físicos, tão importantes para reduzir ou até curar problemas de saúde que comprometam a qualidade de vida dessas pessoas.

Faça alguma atividade física ou pratique algum esporte. Mas antes, passe antes por uma avaliação com um ortopedista para saber quais são os exercícios mais adequados para você.

Pesquisar este blog

Carregando...
 

Shopping