terça-feira, 29 de novembro de 2011

Fisiolinks 78

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Estamos entrando no último mês de 2011, um ano que foi bom para a Fisioterapia. Embora haja muita cobrança e o caminho para a valorização esteja no ínicio, ver a categoria em torno de temas como piso salarial ou para o conserto de uma informação em uma novela me faz acreditar que a tendência é de melhora.

Sigo acreditando que somente quando o profissional valorizar a Fisioterapia é que a sociedade valorizará!

Vamos aos Fisiolinks:

História da Neonatologia

Existe uma ética universal

Sintomas de dores na coluna

Semiologia ortopédica

O que é a eletroterapia na Fisioterapia

Exercícios para pacientes com DPOC

As tendinites que incomodam o tenista

Doenças reumatológicas em crianças

Prevenção na paralisia cerebral

Epilepsia

Fraturas em colo do femur em jovens

Gonartrose

Fratura exposta

Tecnica de empilhamento de ar


Até a próxima, pessoALL!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O que influencia a contração muscular?

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Vamos discutir três fatores que são responsáveis pelo aumento da força de contração de um músculo: a intensidade do sinal; a freqüência do sinal e a largura de pulso do sinal.

Intensidade
A intensidade cuja unidade pode ser dada em mA ou volts é um fator que influencia na força muscular devido ao recrutamento das fibras produzido pelo aumento da intensidade. Quanto maior a intensidade, maior será o número de fibras recrutadas, e assim, maior será a força. Vamos fazer uma analogia:
"Supomos que temos um navio daqueles antigos em que a propulsão era feita através de mão de obra escrava, ou seja, tínhamos um número de escravos (vamos supor 100) de um lado e mais 100 do outro, e todos possuíam um remo em suas mão."
Uma forma de fazer este barco funcionar seria ordenar 20 escravos trabalharem remando de um lado e mais 20 escravos trabalharem remando do outro. No entanto, se quisermos fazer este barco ter mais força, podemos ordenar que mais escravos trabalhem até que todos estejam trabalhando e assim a força é máxima. É assim que o cérebro trabalha: para aumentar a força muscular ele utiliza como primeiro recurso, o aumento da intensidade do estímulo nervoso sobre o músculo e conseqüentemente recruta mais fibras.

Freqüência
Após o recrutamento do número máximo de fibras, o meio mais eficiente de aumentar a força muscular é através do aumento da freqüência do estímulo. Agindo assim, estamos sobrecarregando a fibra selecionada, estamos fazendo ela trabalhar mais. Se voltarmos à analogia do navio movido à remo, seria o seguinte: após todos estarem remando, o próximo passo é que todos remem mais rápido!
Quero chamar a atenção que a seqüência correta utilizada pelo cérebro para aumentar a força muscular é: aumentar a intensidade do estímulo para recrutar o máximo de fibras e depois aumentar a freqüência para aumentar o trabalho de cada fibra. Nos procedimentos utilizados na eletroterapia, geralmente o que se faz é o inverso: primeiro selecionamos uma freqüência alta e depois vamos aumentando a força em função do aumento da intensidade da corrente. É provável que este seja um dos fatores que fazem com que a eletroestimulação não seja significativamente tão importante quanto o exercício ativo no ganho de força. Ê fácil observar que nesta seqüência, estaremos sobrecarregando as fibras que estão sendo selecionadas. Como o paciente vai relatar dor, estaremos trabalhando só uma pequena camada muscular.

Largura de pulso
Nosso cérebro não utiliza outro recurso para aumentar a força muscular além do aumento da intensidade do estímulo e do aumento da freqüência. No entanto, quando utilizamos a eletroestimulação, percebemos que a largura de pulso (tempo em que a corrente passa agindo no organismo) também é outro fator que pode influenciar na força do músculo. Consultando a Figura 2-1, vista anteriormente, observamos que o aumento da largura de pulso é tão importante, que conseguimos uma queda drástica nos valores da intensidade necessária para estimular a fibra, até a Reobase.


Concluindo sobre qual deve ser o procedimento mais adequado para um protocolo de ganho de força muscular, podemos tomar a seguinte decisão: primeiro utilizamos correntes com largura de pulsos grandes (não ultrapassando a reobase), pois com isso conseguimos obter o mesmo efeito fisiológico com intensidades menores (o que provoca menos incômodo no paciente). Posteriormente, vamos aumentar a intensidade até que o máximo de fibras sejam recrutadas (lembrando neste momento a importância do ponto motor). E só quando estes passos estiverem sido dados é que vamos aumentar a freqüência para obtermos aumento de força.

domingo, 27 de novembro de 2011

Monografia: Fisioterapia Assistida por Animais (FAA) em Crianças e Adolescentes

Por Danielle Gonçalves

    A Terapia Facilitada por Animais (TFA) caracteriza-se pela utilização de animais em diversas modalidades terapêuticas, sendo possível a realização do tratamento dos aspectos físico, cognitivo, emocional e social. Esta modalidade terapêutica busca contribuir para o bem-estar e auto-estima, melhorando a qualidade de vida do paciente. Também é conhecida por diferentes nomenclaturas, como Terapia Assistida por Animais (TAA), Pet-terapia, Terapia Facilitada por Animais (TFA), Terapia Facilitada por Cães (TFC), Fisioterapia Assistida por Animais (FAA), Zooterapia, Cinoterapia entre outros.

     A Terapia Assistida por Animais (TAA) é definida como reabilitação com a ajuda de animais. Pode-se usar cão, gato, cavalo, golfinho entre outros animais e deve ser aplicada por uma equipe multidisciplinar especializada (médicos, psicólogos, pedagogos, instrutores, fisioterapeutas, treinadores de animais, veterinários, etc.). É importante ressaltar que a TAA não substitui nenhuma modalidade terapêutica e sim as complementa (fisioterapia, terapia ocupacional, psiquiatria, psicologia, entre outros).

     A Atividade Assistida por Animais (AAA) baseia-se em um trabalho de visitação, com o objetivo de promover bem estar através de atividades com animais, desfrutando de sua companhia, podendo obter-se benefícios físicos e psíquicos. Além dessas terapias outro programa que pode ser realizado é o programa de visitação, no qual os animais interagem com pessoas com deficiências acompanhados de seus donos.

     A Fisioterapia Assistida por Animais (FAA) é a terapia onde cão faz parte do tratamento com objetivos claros e dirigidos. A terapia pode ser em grupo ou individual, promovendo saúde física, social, emocional.

     Para que ocorram as visitas alguns cuidados devem ser tomados com o animal. O cão deve seguir um protocolo, estar com a vacinação e vermifugação em dia, não pode possuir pulgas, não deve ingerir carne crua e leite não pasteurizado. Os cães devem estar sadios e devem fazer visitas periódicas ao médico veterinário. Precisam ser avaliados por um treinador para serem adestrados e sociais. 

     O terapeuta deve realizar o rodízio com os cães, para possibilitar o descanso dos mesmos e proporcionar bem estar físico e emocional também ao animal, respeitando-o e reconhecendo suas limitações.

     As pessoas que participam das Terapias devem lavar as mãos antes e após o contato com o animal, evitar que o animal entre em contato com secreções como urina, fezes, vômitos e feridas dos pacientes. 

     A utilização do cão como recurso terapêutico é muito importante e podemos avaliar vários aspectos:

     Emocional: proporciona um ambiente mais agradável ao trabalhar a socialização, independente do grau de habilidade funcional do paciente e de seu comprometimento. Promove bem estar, estímulos emocionais e psicológicos ao paciente.

     Cognitivo: estimula o paciente a utilizar a memória sempre chamando o cão pelo nome, trabalha percepção visual e tátil ao utilizar animais de diferentes tamanhos e cores.

     Físico: estimula as habilidades motoras com repetições de movimentos como andar, correr, jogar bola e acariciar o animal, trabalhando postura, controle de tronco e cervical, etc.

     O uso do cão como co-terapeuta auxilia no tratamento de crianças com diferentes patologias, tornando o ambiente e a terapia mais dinâmica e colaborativa por parte do paciente.

     A FAA contribui com os tratamentos tradicionais de crianças e adolescentes, e foi verificado que o paciente é mais colaborativo com o uso do cão durante a terapia onde o paciente executa os exercícios e funções muitas vezes difíceis de serem realizados somente com uso de terapia tradicional.

     Os pacientes passam a aceitar de forma agradável as intervenções da terapia, tornando-a mais produtiva, obtendo assim um vínculo prazeroso entre o paciente e terapeuta.

     Em crianças e adolescentes portadores de necessidades especiais a atividade com animais pode ajudar na expressão de seus sentimentos, despertando curiosidades, afeto, espontaneidade.  A atividade por mais simples que seja como conduzir um animal em um circuito cria um vínculo entre animal/terapeuta e paciente, e ajuda a desenvolver nas crianças e adolescentes um sentimento de independência, pois o animal os trata da mesma forma sem distinguir suas deficiências.

     O cão também é usado como um recurso de comunicação entre terapeuta e paciente. Os cães podem favorecer o estímulo de diversas áreas dependendo do resultado que se queira alcançar. Podem ser trabalhadas estimulação senso-perceptivo global, formação de hábitos de independência pessoal, socialização, rotações de tronco, controle de cervical, noções de direita e esquerda, flexões de ombro, flexão e extensão de punho, extensão de dedos, força, coordenação, equilíbrio, entre outros.

       Os trabalhos realizados até hoje tiveram a intenção de traçar um panorama sobre esta intervenção em nosso meio, evidenciando com isso a necessidade da Fisioterapia e de outras áreas a participarem de discussões, pesquisas e projetos ampliando seu campo de atuação. Realizar descobertas com o objetivo de melhorar e tratar os pacientes. Sendo assim este trabalho visa contribuir para as perspectivas da Fisioterapia para um debate mais amplo das questões sobre este tema.

         O objetivo da pesquisa foi analisar as informações sobre a Fisioterapia Facilitada por Animais, mostrar a relação homem-animal, conhecer profundamente a Terapia com seus benefícios e dificuldades tanto para o paciente quanto para o terapeuta na fase de recuperação do paciente. Enfoca também a necessidade de rodízios dos cães, visando uma melhor qualidade de vida também do animal.

       A Fisioterapia Assistida por Animais tem por objetivo, introduzir o animal junto ao paciente com finalidade terapêutica, favorecer e auxiliar no processo de recuperação, enfocando no prazer, incentivo a reabilitação, na melhora da qualidade de vida e auxiliar nas atividades da vida diária (AVD). O cão é escolhido por ter a capacidade de restabelecer relações com as pessoas e intensificá-las.

    
Capítulo 1 - Revisão de Literatura
 
      O relato histórico mais antigo até  hoje encontrado sobre a relação Homem-Animal é a descoberta de um túmulo em Israel datado de 12 mil anos atrás. Foi encontrado o corpo de uma mulher idosa enterrada com um filhote de cachorro em suas mãos (DAVIS e VALLA, 1978 Apud DOMINGUES, 2007; ALTHAUSEN, 2006).

       Os cavalos e os lobos foram os primeiros animais a serem domesticados e não saíram do convívio com o homem. Algumas vezes os animais foram considerados como divindades, outras vezes utilizados como força de trabalho ou segurança (LUCENA et al, 2007; VACCARI et al, 2007; GEORGETTI et al, 2006).

       Para os cães o convívio no lar é resultado de mudanças sociais em que o homem tornou-se proprietário e líder numa relação de afeto onde o animal expressa sua obediência, lealdade, confiança e carinho inegociável.

     A domesticação aguçou a percepção de profissionais da área da saúde e humanas a utilizarem os animais, no tratamento e na recuperação de pacientes. E estes são considerados fontes de benefícios psicossociais, emocionais e de desenvolvimento motor.

     Os primeiros relatos que falam claramente sobre a utilização de animais no tratamento de enfermidades são do Retiro York na Inglaterra em 1792, instituição psiquiátrica que utilizava métodos terapêuticos considerados mais humanos para a época. William Tuke pioneiro no tratamento observou que os pacientes desta instituição conseguiram interagir com animais como um reforço positivo no tratamento que recebiam, e que os pacientes podiam aprender autocontrole cuidando de criaturas mais débeis que dependiam deles. Neste Centro de Reabilitação havia animais como coelho, galinha, gaivotas, aves domesticas e outros animais de granja. Acreditava-se que esses animais despertassem sentimentos de socialização e benevolência nos internos (ALTHAUSEN, 2007; BERGAMO, 2005).

     Em 1867 os animais eram utilizados no tratamento de pessoas epiléticas na instituição Bethel em Bielfield na Alemanha. Atualmente esta instituição é um sanatório de pacientes afetados por transtornos físicos e mentais e cuidar de animais como cachorro, gato, cavalos, entre outros animais é parte importante do tratamento.

     Em 1944 a Cruz Vermelha patrocinou um programa chamado Army Air Force Convalescent em Pawling em Nova York, em que foram utilizados animais para reabilitar aviadores.

     Em 1948 o Dr. Samuel B. Ross fundou em Nova York a Green Chimneys, uma fazenda que tratava da reabilitação de crianças e adolescentes com distúrbio de comportamento. Atualmente é uma das Instituições Mundiais mais prestigiosas destinada à reeducação infantil e juvenil utilizando as Terapias Assistidas por Animais.

      Em 1953 o Dr. Boris Levinson (com seu cão Jingles) sugeriu a utilização do animal como um Co-terapeuta. Levinson se tornou pioneiro nos anos 60, por utilizar esta Técnica em crianças com transtorno de comportamento, déficits de atenção e cardiopatias. Levinson em seu livro intitulado "Psicoterapia Infantil Assistida por Animais" relata experiências vividas junto com seu cachorro e pacientes. Segundo o psiquiatra, as crianças perdiam todas suas inibições e medos graças à presença do cão no consultório, favorecendo a comunicação entre médico e paciente, e o animal era um mediador útil para restabelecer os contatos sociais. Levinson em seu primeiro artigo "O cão como co-terapeuta" (1962) relata sua primeira experiência com o uso de animal, e considera que o animal pode suprir as necessidades emocionais do paciente permitindo assim uma maior liberdade de expressão, conforme citação a seguir:


   Faz apenas oito anos desde que um garoto, tratado sem sucesso durante longo período de tempo, foi trazido a mim por pais desesperados. Por causa de sua criança apresentar grau de comprometimento, a hospitalização havia sido recomendada. Hesitei em aceitar o caso mas aceitei fazer a entrevista diagnóstica. Com sorte, os pais distraídos chegaram uma hora antes do horário agendado. Eu estava ocupado escrevendo e meu cão estava deitado no chão se lambendo. Recebi a família sem demora, esquecendo o cão, que correu até o garoto para lambê-lo.

    Para minha surpresa, a criança não demonstrou medo, ao contrário, envolveu o cão e começou a acariciá-lo. Os pais queriam separá-los, mas assinalei que deixassem a criança. Após um tempo a criança perguntou se o cão sempre brincava com as crianças que vinham ao meu consultório. Tranqüilizada diante de minha resposta afirmativa a criança manifestou o desejo de voltar e brincar com o cão. Alguém poderá adivinhar o que teria acontecido com a reação da criança se o cão não estivesse presente naquela manhã?

    Por muitas sessões seguintes está criança, aparentemente inconsciente de minha presença, brincava com o cão. Gradualmente, como um pouco da atenção eliciada pelo cão espalhou para mim, eu fui incluso na brincadeira. Fomos, lentamente, estabelecendo um bom relacionamento de trabalho e eventual reabilitação deste jovem garoto (LEVINSON, 1962 apud ALTHAUSEN, 2006).

     Em 1966, Erling Stodahl, músico cego, fundou o Centro Beitostolen, na Noruega, para a reabilitação de cegos e incapacitados, utilizando cachorros e cavalos para trabalhar com pacientes. Muitos deles aprenderam montar a cavalo e a desfrutar de uma vida mais normal, que incluía uma atividade desportiva.

     Em 1974 Samuel e Elizabeth Corson elaboraram um programa de tratamento para avaliar a viabilidade da utilização de animais em ambiente hospitalar, e obtiveram excelentes resultados. Foram utilizados cães com 50 pacientes de um hospital psiquiátrico e a resposta foi uma melhora no quadro clínico dos pacientes, estimulando a comunicação, melhora da auto-estima, independência e capacidade de assumir responsabilidades. Segundo os psiquiatras os cachorros facilitam a interação com os pacientes pois estão sempre dispostos a oferecerem afeto, sentimento de responsabilidade em relação ao animal e despertam confiança para a maioria das pessoas atuando como recurso de contato com o paciente (ALTHAUSEN, 2007).

     No centro de Medicina Forense Darkwood em Ohio, David Lee, a assistente social do hospital psiquiátrico, utilizou animais incluindo aves, que atuavam como catalisadores das interações sociais entre funcionários e pacientes, reduzindo significativamente a violência desses pacientes.

     Em 1980 Erika Friedman, James Lynch e S. Thomas, publicaram um estudo com mais de 92 pacientes intitulado "Animais de companhia e sobrevivência de pacientes um ano depois de sair de uma unidade de cuidados coronários (Public Health Rep 95: 307-312)". De acordo com Lynch a falta de apoio social, o crescente isolamento e solidão humana são contribuições importantes para o aumento da morbidade e mortalidade em todas as nações pós-industriais, especialmente doenças coronárias. Estar com animais de estimação tem uma influência significativa sobre os indicadores psicológicos de estresse, hipertensão e ansiedade, diminuindo-os. Os cuidados com os animais exigem dedicação e motivam não só a troca afetiva, como também a prática de exercícios físicos.

     Em 1981, na Prisão feminina de Purdy em Washington, cães resgatados de canis, cujo destino seria o sacrifício, foram treinados para realizar a Terapia Assistida por Animais com pessoas reclusas. Foram obtidos os seguintes resultados: aumento da auto-estima, aprendizagem de um ofício e facilitação da reintegração na sociedade. Esses cães foram doados posteriormente para pessoas com deficiências (ZAMARRA, 2002).

     Em 1989 Redefer e Goodmann, realizaram um estudo com crianças autistas utilizando o cão, e observaram a possibilidade dos animais ampliarem a capacidade de contato entre os pacientes e o mundo em que vivem. As crianças apresentavam um comportamento menos autísticos quando acompanhadas do cão, possibilitando assim uma maior interação entre terapeuta e o ambiente (ALTHAUSEN, 2006).

     Anderson et. al. (1991) publicaram "Os proprietário de animais de estimação e fatores de risco de doenças coronárias" (Medical Jornal of. Austrália 157 (5): 298-301), onde verificaram que pessoas que possuem animais de estimação apresentavam níveis mais baixos de pressão arterial, colesterol e triglicérides.

     Em Setembro de 1998 foi realizada a Conferência Internacional de Interação entre Homens e Animais em Praga. Foi verificado então que 30% dos psiquiatras e psicoterapeutas utilizavam animais de companhia em suas Terapias (<http://www.arcabrasil.org.br>; AMORIM et al, 2003).

     No Brasil a percussora da Técnica foi Dra. Nise da Silveira (década de 50), médica psiquiátrica do Hospital Dom Pedro II, em Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Ela realizou as primeiras tentativas nacionais do uso de animais com fins terapêuticos no Brasil. Neste contexto a Dr. Nise desenvolveu o conceito de afeto catalisador, onde o animal se tornava referência, facilitando assim o contato do paciente com o mundo em que vive (ALTHAUSEN, 2006; GARCIA et al, 2008).

     A Terapia Assistida por Animais (TAA) é pouco difundida no Brasil, porém em países como Estados Unidos, Austrália, alguns países Europeus e até mesmo no Egito já é bastante conhecida e utilizada (PEREIRA et al, 2007).

     Os animais são utilizados para facilitar a recuperação dos pacientes, tendo em vista está melhora do paciente alguns hospitais de São Paulo e Organizações contam com a visita destes animais para tal terapia (AMORIM et al, 2004).

     Algumas Instituições de Ensino oferecem curso sobre a TAA, porém não há muitas pesquisas na literatura brasileira que abordem este tema, de grande importância, para a reabilitação de pacientes idosos, crianças e adolescentes (PEREIRA et al, 2007; VACCARI et al, 2007).

     Em 2005, Jerson Dotti publicou o livro "Terapia & Animais" que é útil para quem se interessa pela utilização de animais no processo terapêutico analisando os benefícios do uso do animal em diferentes patologias.

     Em 2006, Karen Cristini Pires Timoteo dos Santos (fisioterapeuta) publicou o livro "Terapia Assistida por Animais: Uma Experiência Além da Ciência". Ela relata a utilização de cães em uma Instituição de crianças e adolescentes com problemas neurológicos, autistas, portadores de encefalopatia crônica infantil não-progressiva (ECINP), hidrocefalia, mielomeningocele, hidranencefalia, artrogripose, deficiência visual e auditiva entre outros. A publicação analisou a reação dos internos em contato com o animal, e sua colaboração durante os exercícios, as sensações e reações, abordando os aspectos emocionais, cognitivos e físicos, auxiliando no processo de melhora nas reabilitações dos pacientes em tratamento na instituição.

     Para Machado et. al. (2008) a Terapia Assistida por Animais é parte importante do tratamento, objetivando promover a melhora social, emocional, física e cognitiva dos pacientes, partindo do princípio de que o amor e a amizade podem surgir entre seres humanos e animais. Essa relação promove diminuição da depressão, da ansiedade e dos seus efeitos sobre o sistema nervoso, desenvolvimento psicomotor e sensorial a partir do contato direto com o animal, melhorando a socialização e a auto-estima do paciente.

     A TAA segundo o Delta Society (2009) tem como finalidade a melhora do funcionamento físico, emocional, social e cognitivo. A TAA é desenvolvida em diferentes ambientes, e pode ser em grupo ou individual, sendo assim todo o processo deve ser documentado e avaliado.

     Para se realizar um Projeto de TAA deve-se manter a ética profissional e alguns princípios básicos da TAA, como respeitar os limites dos Animais e dos Pacientes, promover bem estar do Paciente e do Animal, respeitar a privacidade das pessoas, valorizar o progresso do paciente, incentivar a ação do voluntariado, apoiar os familiares dos pacientes psicologicamente, valorizar o trabalho realizado pela TAA, manter a confiabilidade sobre os objetivos e procedimentos, trabalhar sempre em um ambiente limpo e sem riscos ao Paciente e ao Animal (DOTTI 2005 apud MAGALHÃES et al, 2009).

     Lembrando que todos os cães que participam das atividades devem ser avaliados por profissionais especializados (veterinários e adestradores), para que estejam aptos a participarem das atividades e/ou terapias, conforme a citação a seguir: (MAGALHÃES et al, 2009).


Contato da autora da Monografia: Daniele Gonçalves dani.agoncalves@hotmail.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FisioImagens #14

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Mais uma seção do FisioImganes no ar, quase que exclusiva de quem mando fotos para o nosso email. Muito lega ver a fisioterapia do cotidiano!

Vamos as imagens?

 






Obrigada a Sheilla  pelo envio das fotos.

Obrigada Miriam pelo envio da foto

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Se você quiser ter suas fotos aqui, basta enviar para facafisioterapia@gmail.com

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Monografia: Dor lombar em gestantes assistidas no programa de pré natal em unidade básica de saúde em Salvador

Por: Vanessa Kelly Evangelista Nascimento 

1 INTRODUÇÃO

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (1986) caracterizou dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou potenciais. A dor sempre é subjetiva e cada indivíduo aprende este termo por meio de experiências.

A lombalgia é um conjunto de manifestações dolorosas, que acomete o segmento lombar, lombosacral ou sacroilíaca, e pode manifestar-se com irradiação para membros inferiores. Freqüentemente a dor é responsável por grande parte da demanda aos serviços de saúde, envolvendo processos psicossociais, comportamentais e fisiopatológicos (ALMEIDA et.al. 2009; OCARINO et. al. 2009). As condições que podem desencadear uma dor lombar são inúmeras, incluindo acometimentos degenerativos ou traumáticos no disco intervertebral ou no corpo da vértebra, sobrecarga elevada nas atividades de trabalho, movimentação excessiva, fatores psicológicos, obesidade entre outras. Na gestação, há inúmeras mudanças biomecânicas no corpo feminino. A constante necessidade de adaptar a postura e compensar o seu centro de gravidade leva a mulher a criar mecanismos para manter a postura, e isso dependerá da força muscular, da mudança de posição e extensão da articulação que cada gestante possui (MOURA et. al. 2007; MANN et. al. 2008).

Além dessas adaptações necessárias, a  relaxina, um hormônio peptídico produzido pelo corpo lúteo, é liberado pelo terceiro mês de gravidez, e tem forte influência sobre as articulações, experimentando o aumento do movimento em toda a coluna vertebral e pelve (MARTINS et. al. 2005).

A etiologia e a patogênese das dores lombopélvicas são incertas. Uma das hipóteses é que o útero gravídico em crescimento e a hiperlordose lombar compensatória contribuem para um estresse mecânico na coluna lombar. No entanto, como nem todas as gestantes que apresentam queixas têm hiperlordose, parece haver outros fatores relacionados (LIMA et. al. 2009).

Com o objetivo de minimizar este incômodo lombar, com prévia liberação do médico, o terapeuta pode propor exercícios que darão ao corpo tônus muscular e flexibilidade adequada, além de promover relaxamento através de exercícios que trabalhem a respiração.

Sendo assim, este estudo teve como objetivo estimar a freqüência de dor lombar em mulheres grávidas e verificar se esta dor está associada ao período gestacional dessas mulheres.


2 MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal e foi realizado em uma Unidade Básica de Saúde, em um programa de pré-natal na Cidade de Salvador-BA, através de uma amostra por conveniência, selecionando trinta gestantes de forma aleatória por ordem de chegada para o atendimento, tendo como critério de inclusão mulheres que freqüentaram regularmente o programa de pré-natal. Foram excluídas as gestantes que relataram uso de alguma medicação para a dor, ou que estavam em tratamento para a lombalgia. Esta Unidade Básica de Saúde foi escolhida por ter uma grande adesão por parte das gestantes ao programa e por esta comunidade ter um grande número de gestantes.

Foram coletados dados primários, através de formulários entregues as gestantes na sala de espera para atendimento ao programa de pré-natal e dados secundários através de prontuários disponíveis na Unidade Básica de Saúde. O período da coleta de dados ocorreu entre Setembro e Dezembro de 2010, sendo aplicado um formulário elaborado pelas autoras do projeto para estimar a freqüência de dor lombar em gestantes.

Toda a pesquisa foi explicada as pacientes, que aceitaram por livre e espontânea vontade assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, preenchendo as perguntas do formulário que continham variáveis do tipo: idade, sexo, idade gestacional, GPA, sente dor nas costas, em qual período gestacional a dor começou, o que faz piorar a dor lombar, recebeu orientação profissional para a prevenção da dor, teve informação sobre Fisioterapia para gestantes, entre outras. Foi utilizada a Escala Analógica Visual (EVA) como um dos itens do formulário aplicado na pesquisa.

A análise de dados foi realizada por meio de estatísticas descritivas (médias, freqüências e porcentagens) para representar sumariamente as variáveis dos bancos de dados. As informações foram armazenadas em um banco de dados no programa EXCEL, para posterior tabulação e análise, realizando a validação e correlação dos dados. Todas as variáveis foram analisadas descritivamente por meio de freqüências simples. As variáveis contínuas foram analisadas por medidas de tendência central e dispersão, e as variáveis categóricas como proporção. Para verificar a associação entre variáveis contínuas foi utilizada uma amostra por conveniência para uso descritivo dos resultados. Foram utilizados gráficos para melhor visualização e interpretação dos dados encontrados no estudo.

Este trabalho foi submetido ao Comitê de Ética em pesquisa com seres humanos da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública-EBMSP, sendo aprovado sob o protocolo de nº 136/10. Os pacientes preencheram um termo de Consentimento Livre e Esclarecido declarando à livre e espontânea vontade de participar da pesquisa, sendo garantido o direito de não ser identificado e de ser mantido o caráter confidencial das informações.


3 RESULTADOS

A média de idade das 30 mulheres que participaram da pesquisa na Unidade Básica de Saúde de Salvador foi de 25 anos, onde 18 (60%) delas apresentaram nível Fundamental de Escolaridade e 16 (53%) eram donas de casa.

Entre as 30 gestantes entrevistadas, 26 (89%) referiram dor lombar durante a gestação, enquanto que 4 (11%) não relataram sentir dor lombar em nenhum período. Observou-se que para 22 (73%) gestantes a dor era referida como pontada, seguida de 3 (10%) de desconforto,3 ( 10%) de aperto e 2 (6%) em queimação. Além disso, 25 ( 83%) gestantes revelaram que a dor irradia para os glúteos, enquanto que 5 ( 16,6%) relataram que a dor irradiava para os membros inferiores.

Em relação ao período em que mais doía a região lombar, 16 ( 53%) delas relataram sentir mais dor durante a manhã, seguida da noite com 9(30%). Para 23 (76,6%) gestantes,  permanecer em uma má postura gerava enorme desconforto nessa região. Através da Escala Visual Analógica da Dor (EVA) podemos observar que para 20 ( 66.6%) gestantes a dor era moderada, 6 (20%) leve e para 4 ( 13,3%) era intensa.

Em acordo com as atuais pesquisas, 22 (73%) grávidas confirmaram que a dor lombar piorou com o avanço da gestação, e 20 ( 90%) afirmaram  nunca ter tido orientação para prevenir esta dor lombar.

Em relação ao período gestacional, a prevalência de dor lombar nas participantes desta pesquisa foi maior nas gestantes com até 24 semanas. 10 (38%) relataram ter dor lombar no 1º trimestre, 14 (54%) no 2º trimestre, e 2 (8%) no 3º trimestre. A amostra estudada englobou os três trimestres gestacionais, porém, no momento da aplicação do questionário, em relação a idade gestacional, 18( 60%) grávidas estavam no segundo trimestre, e 12 (40%) estavam no terceiro trimestre.

Foi perguntando as gestantes o que elas achavam que poderia melhorar essa dor. 11 (36,6%) acham que a terapia medicamentosa seria o ideal, 10 (33,3%) acreditam que uma massagem local aliviaria a dor enquanto que 9 (30%) não têm idéia do que fazer.

Em relação à história gestacional, das 27 mulheres que referiram dor lombar, 10 (33,33%) são multigestas, 8 (25,9%) primigestas, 7 (22,2%) secundigestas e 6 (18,5%) relataram aborto.

Confirmando as atuais pesquisas, 29 (96,6%) mulheres nunca ouviram falar em Fisioterapia para gestantes e seus benefícios para prevenir a dor lombar.


4 DISCUSSÃO

O presente estudo foi realizado em uma Unidade Básica de Saúde de Salvador, com 30 gestantes que fazem parte do programa de pré-natal da referida Unidade. A prevalência de dor lombar das gestantes que fizeram parte deste estudo foi de 89%. Este resultado se assemelha a outros estudos feitos por Macedo et. al.(2009); Novaes et. al.(2006) no Brasil mostrando que a prevalência de dor lombar varia em torno de 48 a 85%. Porém Martins et. al. (2005) mostram um estudo feito na Suécia e nos países escandinavos em que há um monitoramento severo de prevenção e tratamento desses sintomas através do pré-natal, diminuindo este percentual em relação à dor lombar.

A lombalgia é um sintoma que leva a incapacidade, ao absenteísmo no trabalho e principalmente ao alto custo para o Serviço Público de Saúde. Sá et. al. (2009) mostram que geralmente a dor é responsável por parte significativa da demanda aos serviços Públicos de Saúde e constitui-se em um fenômeno multidimensional, que envolve processos psicossociais, comportamentais e fisiopatológicos.

A prevalência de 26 (89%) de dor lombar encontrada neste estudo foi considerada alta, já que as pacientes pesquisadas fazem parte de um programa de pré-natal de baixo risco e não vieram a relatar nenhuma condição patológica como obesidade, idade avançada ou hipertensão.

As trinta gestantes que fizeram parte dessa pesquisa já estavam com idade gestacional entre o segundo e o terceiro trimestre, porém prevaleceu o início do desconforto lombar ainda no 1º trimestre gestacional. Martins et. al. (2005) também relataram maior freqüência de dor lombar com até 12 semanas de gestação e diminuiu com o avanço da gravidez. Santa'na et. al. (2006) encontraram em seu estudo uma média de idade gestacional de 19 semanas, sendo que 17 (42,5%) estavam no 1º trimestre, 10 (25%) no 2º trimestre e 13 (32,5%) no 3º trimestre.

A infecção urinária neste estudo não teve associação com a dor na região lombar, pois 29(96%) gestantes não  relataram presença de infecção durante a gravidez.

Assim como nos estudos feitos por Mann et. al. (2008); Novaes et. al. (2006), a média de idade das gestantes entrevistadas revelou uma população jovem (média de 25 anos) e de baixa escolaridade 16 (53%). Em estudo feito por Trevisan et. al. (2002) na assistência pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde em Caxias do Sul também pode observar que 66,4% das mães e 64,7% dos pais referiram ter o 1º grau incompleto. Quanto à ocupação materna, verificou-se que 72,1% não estavam no mercado de trabalho por serem donas de casa. No presente estudo, a prevalência de mães dona de casa foi de 16 (53%), seguida de 14 (47%) que trabalhavam de forma remunerada em outras funções.

O presente trabalho não fez nenhuma associação entre baixa escolaridade materna e assistência pré-natal. Entretanto, Trevisan et. al. (2002) puderam constatar que a baixa escolaridade materna interferiu de forma significativa na qualidade da assistência pré-natal, mostrando que a questão da saúde não está relacionada apenas com a disponibilidade dos serviços de saúde, mas está também diretamente ligada ao auto-cuidado da população, sendo influenciada pelo nível de instrução e escolaridade desta população.

Através da Escala Visual Analógica da dor (EVA), pode-se observar que para 20 (66,6%) gestantes a dor era moderada, 6 (20%) leve e para 4 (13,3%) era intensa. No estudo feito por Sant Anna et. al. (2006) com quarenta gestantes, 5(25%) classificaram a dor como fraca, 8 (40%) como moderada, 6 (30%) como forte e 1 (5%) classificou a dor como insuportável.

Em estudo feito por Di Conti et. al. (2003) a presença de desconfortos músculo-esqueléticos esteve presente tanto no grupo controle como no grupo estudo. Observou-se ainda no início do programa que o desconforto localizava-se na região lombo-sacra, podendo ser associado ao aumento de peso, ao aumento da curvatura lombar e pela liberação do hormônio relaxina para que ocorram as adaptações necessárias. Pôde-se verificar no atual estudo que para 25 (83%) gestantes a dor irradiava para os glúteos, para 5 (16,6%) a dor irradiava para os MMII.

Contudo, para Ostgaard et. al. (2006) não foi observado mudanças significativas na angulação da curvatura lombar das gestantes estudadas, mas observou também que o aumento abdominal poderia ser um risco biomecânico que favorecesse a dor lombar.

O Ministério da Saúde tem reforçado e salientado a importância da realização de atividades educativas durante todo o acompanhamento pré-natal das gestantes. Neste estudo, 29 (96.6%) nunca ouviram falar em Fisioterapia para gestantes e seus benefícios para prevenir a dor lombar, tornando um dado preocupante. Assim como, no estudo feito por Trevisan et. al. (2002) 57% negaram ter recebido informações de caráter educativo durante a gravidez.

Pitangui et. al. (2008) mostram que exercícios físicos, alongamentos e uma postura adequada podem prevenir os sintomas. Na análise deste artigo, as gestantes acreditavam que o medicamento 11 (36,6%) e massagem local 10 (33,3%) poderiam melhorar este sintoma. Depledge et. al. (2005) disseram um estudo experimental com exercícios específicos para o fortalecimento muscular associado a um cinto pélvico para que as gestantes realizassem exercícios que aumentassem a estabilização da cintura pélvica. O Fisioterapeuta demonstrava os exercícios e acompanhava as gestantes para verificar se elas estavam o executando corretamente. Ao final da intervenção os dois grupos, através do Questionário de Roland-Morris mostraram uma significativa melhora no desconforto lombar.

REBERTE, L; HOGA, L.(2005) realizaram um trabalho grupa com 8 gestantes em um Hospital Universitário de São Paulo, utilizando a abordagem corporal com o objetivo de identificar os desconfortos físicos e emocionais referidos pelas gestantes, e descrever os recursos que poderiam aliviar o desconforto. Foi utilizada a técnica de massagem e deslizamento, relaxamento e percepção corporal, balanceio de pelve, e, ao término das sessões, notou-se uma grande satisfação por parte das gestantes, relatando alívio físico e emocional no final da intervenção. Machado et. al. (2007) realizaram um relato de caso com uma paciente que foi submetida a sessões de Pilates por três vezes na semana, 1 hora por dia, com exercícios que ativavam a articulação da cintura pélvica; ativação de músculos específicos como: períneo, quadril, grande dorsal e adutores do quadril; alongamento global; fortalecimento muscular de MMSS e MMII, entre outros. Ao final a paciente relatou melhora no quadro álgico, mostrando que o Pilates é um método adequado para redução do quadro álgico lombar.

Martins et. al. (2005) fizeram um estudo com 69 gestantes em Uma Unidade Básica de Saúde na Cidade de Paulina, que relataram dor lombar e/ou dor pélvica posterior no momento da entrevista para avaliar e comparar a efetividade de exercícios de alongamento pelo método de streching global ativo (SGA) e orientação médica (ORI). Ao final o método de exercícios SGA proposto pelos Fisioterapeutas reduziu a intensidade da dor lombar e pélvica posterior, porém as orientações médicas recebidas pelo grupo ORI não foram efetivas para amenizar as dores das gestantes.

Outros tratamentos também são utilizados pelos Fisioterapeutas para aliviar este sintoma nas gestantes. Ajustes de postura, relaxamento muscular e acupuntura são alguns dos métodos utilizados em estudos para amenizar a dor lombar, trazendo importantes resultados.

Percebe-se que ainda falta uma divulgação maior e eficaz sobre a importância do Fisioterapeuta no acompanhamento dessas mulheres gestantes. A atuação na prevenção e no alívio dos sintomas precisam ser mais conhecidos e divulgados por outros profissionais de saúde que assistem diretamente as gestantes.

Sugere-se a importância do Fisioterapeuta na Unidade Básica de Saúde junto a uma equipe multidisciplinar que possa em parceria com o programa de pré-natal, prevenir e aliviar os sintomas dolorosos e posturais trazidos pela gestação.


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A dor lombar é responsável por inúmeros casos de atendimento em emergências e ambulatórios e gera transtornos psicossociais e econômicos para a população acometida por este sintoma. A lombalgia é gerada por diversos fatores tais como obesidade, tipo de ocupação, gestação, idade entre outros. Estes fatores, atuando juntamente ao segmento que compõem a coluna lombar podem provocar diversos sinais e sintomas desencadeando até processos degenerativos (SÁ et.al. 2008).

A lombalgia na gestação interfere de forma significativa na vida das gestantes, altera todo o segmento corporal e gera limitações e desconfortos significativos. Caracteriza-se como um dos sintomas mais comuns entre a população mundial e chega a atingir 70% de prevalência em países industrializados, e nas gestantes a possibilidade de apresentar dor nas costas pode ser 14 vezes maior do que em mulheres não grávidas (NOVAES et.al. 2006).

A freqüência de 26(89%) de dor lombar nas gestantes dessa Unidade estudada mostra um problema enfrentado por muitas gestantes durante a gestação. A liberação de hormônios com a relaxina, e a intensa mudança física do corpo para o processo gestacional, desencadeia uma série de sintomas dolorosos, chegando a interferir de forma significativa nas atividades de vida diária de algumas gestantes.

Percebemos que há uma grande dificuldade dos profissionais de saúde em considerar os sintomas dolorosos com um desconforto, pois estes em sua maioria consideram a dor lombar como algo normal do processo fisiológico gestacional.

O atendimento a essas gestantes com dor, deve ser feito com o maior cuidado possível, e principalmente por profissionais capacitados e que entendam como funcionam todas as alterações vividas por uma gestante durante este período, para que não ofereça riscos à mãe e ao feto. O trabalho do Fisioterapeuta durante o período do pré-natal deve ser guiado no sentido de conscientizar a gestante quanto a sua postura, as modificações ocorridas com a gestação e desenvolver a potencialidade dos seus músculos para que se tornem firmes o suficiente para conviver com as exigências corporais extras que a gravidez e o parto irão exigir.

É necessário que mais estudos voltados para a dor lombar em gestantes sejam realizados, principalmente quanto à orientação, prevenção e intervenção quando necessários, visando manter e proporcionar uma melhor qualidade de vida a essas pacientes.


6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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3. DEPLEDGE, J. et.al. Management of Symphysis Pubis Dysfunction During Pregnancy Using Exercise and Pelvic Support Belts. Physical Therapy. New Zealand, v.85, n.12, p.1290-1300, 2005

4. GARSHASBI, A.; ZADEH,S. The effect of exercise on the intensity of low back pain in pregnant women. Internacional Journal of Gynecology and Obstetrics.Tehran, n.88, p. 271-275, 2005.

5. GEORGE, S. et.al. Development of a  Self-Report Measure of Fearful Activities for Patients With Low Back Pain: The fear of Daily Activities Questionare. Physical Therapy University of Florida, v.89, n.9,p. 969-979, 2009.

6. KOLL, J. et al. Exercise reduces sick leave in patients with non-acute low back pain: a meta-analysis. J Rehabil Med. P. 49-62, 2004.

7. LIMA, S; ANTONIO, S. Manifestações músculo-esqueléticas na gravidez. Temas de Reumatologia Clínica. São Paulo, v.10, n. 1, 2009.

8. MACEDO, C; BRIGANÓ, J. Terapia Manual e Cinesioterapia na dor, incapacidade e qualidade de vida de indivíduos com lombalgia. Rev. Espaço para a Saúde. Londrina-SP, v. 10, n.2, p. 1-6, 2009.

9. MACHADO, C. et.al. O método pilates na diminuição da dor lombar em gestantes. Saúde Brasil. Goiás, p.220-228, 2007. Disponível em: www.portalsaudebrasil.com. Acesso em: 20 Marco 2010.

10. MANN, L. et. al. Dor lombo-pélvica e exercício físico durante a gestação. Fisioter. Mov. Santa Maria-RS, 21(2), p. 99-105, 2008.

11. MARTINS, R; SILVA, JL. Tratamento da lombalgia e dor pélvica posterior na gestação por um método de exercícios. Rev. Bras. Ginecol Obstet. São Paulo, 27(5), p. 275-82, 2005.

12. MARTINS, S.; SILVA, J. Prevalência de dores nas costas na gestação. Ver. Assoc. Mec.Bras. Paulinia-SP, 51(3), p. 144-7, 2005

13. MONTEIRO, J; RIBEIRO, E. Acumpctura na dor lombar: há evidência?. Rev. Port. Clin Geral. Vila do Conde, n.26, p. 272-279, 2010.

14. MOURA, S. CAMPOS, R; MARIANI, S. Dor lombar gestacional: Impacto de um protocolo de Fisioterapia. Arq. Med. ABC. São Paulo, 32(2), p. 59-63, 2007.

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16. OCARINO, JM. et al. Correlação entre um questionário de desempenho funcional e testes de capacidade física em pacientes com lombalgia. Rev.. Bras de Fis. São Carlos, v.13, n.4, p. 343-9, 2009.

17. OSTGAARD, HC.et al. Effects of acupuncture and stabilizing exercises as adjunct to standard treatment in pregnant women with pelvic girdle pain: randomized single blind controlled Trial. BMJ. Sweden. P. 761, 2005.

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20. SÁ, K.et al. Prevalência de dor crônica e fatores associados na população de Salvador, Bahia. Rev. Saúde Pública. Salvador-BA. 43(4), P. 622-30, 2009.

21. SANTA'ANNA, P.et al. Caracterização da dor lombar em gestantes atendidas no Hospital Universitário de Brasília. Universitas: Ciências da Saúde. Braspilia, v.4, n.1/2, p. 37-48, 2006.

22. SERRUYA, S; CECATTI, JG; LAGO, T. O programa de Humanização no pré-natal e Nascimento do Ministério da Saúde no Brasil: resultados iniciais. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, 20(2), p. 1281-1289, 2004.

23. SILVA, M; FASSA, NA; VALE N. Dor lombar crônica em uma população adulta do Sul do Brasil: prevalência e fatores associados. Cad.Saúde Pública. Rio de Janeiro, 20(2), p. 285-377, 2004.

24. TREVISAN, MR.et al. Perfil da Assistência Pré-Natal entre Usuárias do Sistema Único de Saúde em Caxias do Sul. RBGO. Caxias do Sul-RS. V.24, n. 5, p. 293-299, 2002.


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Correspondência para AUTORA:

Vanessa Kelly Evangelista Nascimento - E-mail: kelnessa@hotmail.com

Fisioterapia minimiza sintomas de incontinência fecal


A incontinência fecal ou a falta do controle do esfincter (orifício anal) é a perda involuntária de fezes sólidas e líquidas, enquanto o termo incontinência anal inclui a perda involuntária de gases, associada ou não a perda de fezes.

A incontinência fecal pode ser causa de grande desconforto, constrangimento e perda de autoconfiança, podendo interferir negativamente na qualidade de vida, com alterações emocionais que os levam a perda de seu potencial de desenvolvimento físico e mental, e ao isolamento familiar e social. Há muita dificuldade para o paciente expressar seus sintomas e, com frequência, afastam-se do convívio social, do relacionamento com o parceiro e, habitualmente, sofrem de depressão.

As mulheres apresentam maior risco para incontinência fecal por conta do relaxamento esfincteriano na ocasião do parto, gravidez, idade avançada, pois normalmente afeta pessoas acima de 40 anos.

Possíveis causas

O mecanismo complexo da continência anal depende da ação integrada da musculatura esfincteriana anal e dos músculos do assoalho pélvico. Em condições ou patologias que alterem qualquer um desses mecanismos, tais como, diarreias, diabetes, doenças autoimunes, síndrome do cólon irritável, doenças inflamatórias intestinais, etc., podem gerar incontinência.

A reabilitação do assoalho pélvico se dá por meio de exercícios e da utilização de aparelhos de alta tecnologia.

A fisioterapia é apontada como procedimento de primeira escolha no tratamento dessas disfunções, por ser eficaz e pode evitar ou retardar o processo cirúrgico. Através da reeducação dos músculos do pavimento pélvico de exercícios específicos e da eletroestimulação podem tratar pacientes com distúrbios uroginecológicos como a incontinência urinária, incontinência fecal, perda de força e tônus da musculatura pélvica, frouxidão ligamentar dos músculos do períneo.

No caso de incontinência fecal, a fisioterapia utiliza-se de técnicas preventivas *(estimulação elétrica, biofeedback, cinesioterapia), de conscientização corporal, treinamento vesical e esfincteriano e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico (períneo). A atenção fisioterapêutica melhora e diminui as disfunções da estática lombopélvica, facilitando a função uroesfincteriana e promovendo até a correção de outras disfunções. As técnicas atuais utilizadas são: Eletroterapia, Biofeedback, Técnicas globais (RPG, Pilates).

Consultar um fisioterapeuta é a forma mais eficaz de assegurar que os exercícios estejam sendo feitos corretamente para sucesso do tratamento.

* Estimulação elétrica - impulso com objetivo de aumentar e/ou ativar as funções de um órgão, através de correntes elétricas diversas que podem variar com relação ao tempo e tipo de estímulo.

Biofeedback - terapia comportamental que visa estabelecer um autocontrole sobre um certo número de funções fisiológicas dependentes do sistema nervoso vegetativo.

Cinesioterapia - tratamento baseado nos movimentos do ponto de vista fisiológico. (Ex: RPG/Pilates/Exercícios aeróbios/entre outros)

por Juliana Prestes Mancuso

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Caso Clínico: Alteração na ATM

Relato de um Caso Clínico atendido no Projeto ATM

Paciente: J. B. L, 27anos, sexo feminino, desempregada.

Tipo Facial : Braquifacial

Classificação de Angle: classe I

Leucoderma


Queixa Principal
" MUITAS DORES", ENXAQUECA , MAU HUMOR , DEPRESSÃO, DOR DE CABEÇA DIÁRIA , TONTURAS, DOR AO BOCEJAR, ACHA QUE ROMPEU O TÍMPANO DIREITO, FALTA DE VONTADE DE VIVER.


Exame Clínico

Característica da Dor : Intensa
Presença de ruídos na ATM direita e esquerda, zumbido nos ouvidos
Bruxismo Cêntrico: diurno e noturno
Dor: nuca, ombro direito e pescoço
Apresenta projeção anteriorizada da cabeça, desnivelamento dos ombros
Diminuição da abertura de boca
Cárie : 35
Desvio da linha Mediana dental
Migração dental: 34 / 35 / 44 /45
Giro-versão dos dentes 34 / 35 / 44 / 45
Diastema: 33 / 43
Dores musculares:
Músculo Temporal (feixe anterior e médio), lado direito e esquerdo;
Músculo Masseter direito e esquerdo;
Ventre Anterior do músculo Digástrico, direito e esquerdo;
Músculo Pterigóideo Lateral e Medial, direito e esquerdo, testes laterais e protusivos para verificação;
Músculo lateral ( Músculo Esternocleidomastóideo) e Posterior do pescoço (Músculo Trapézio), lado direito e esquerdo.
Articulação Temporomandibular: dor à palpação lateral e posterior da Cápsula do lado direito


História Clínica

Sente as mandíbulas apertadas
Faz tratamento psiquiátrico ( Depressão)
Faz tratamento com Neurologista ( dores de cabeça constantes)
Procura tratamento de DTM a mais de 6 anos
Medicamentos: Rivotril 2mg e Cipramil 20 mg
Hábitos Parafuncionais
Bruxismo cêntrico
Morde os lábios, bochecha e língua.

Relato do paciente
Paciente moradora no Estado de Pernambuco, relatando não conseguir tratamento adequado, quando soube do Projeto (curso), através de uma prima moradora em Santos se deslocou de Estado em busca de tratamento.

Possível diagnóstico:
Desordem Temporomandibular de origem articular, com deslocamento do disco articular com redução e comprometimento muscular.

Plano de Tratamento:
Indicação do Aparelho Interoclusal para promover relaxamento muscular e reposicionamento articular e encaminhamento nas seguintes áreas: Fisioterapia,
Fonoaudiologia, Psicologia e Assistência Social.

Veja o resto do caso clínico, com fotos de avaliação, clicando aqui!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dor nos joelhos pode ser lesão no menisco

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Sentir dor nos joelhos não é normal, principalmente se o sintoma afeta a rotina. Se esse é um problema que lhe incomoda deve ser avaliado pelo seu médico. Uma das causas da tensão no local pode ser lesão nos meniscos.

Eles são duas estruturas que ficam dentro do joelho (sanduíche do joelho), localizadas entre a tíbia e o fêmur. O menisco tem uma superfície lisa com grande capacidade de adaptar-se à compressão, deformando-se e retornando à sua forma original.

As principais funções dos meniscos são:
-absorver impacto
-contribuir para estabilidade articular
-auxiliar na lubrificação
-proteção da cartilagem
-melhorar a congurência

O mecanismo de lesão mais comum se dá através de trauma indireto, entorse do joelho (sem contato direto), ou por traumatismo direto.

O menisco também pode sofrer, ao longo do tempo (sobrecarga, instabilidades não tratadas, artrose), um processo degenerativo (desgaste) e romper-se sem causa aparente.

Os principais sintomas são: dor do joelho, edema, sensação de falseio, dificuldades para apoiar o pé no chão, limitação para flexo-extensão e, nas lesões mais extensas (tipo "alça de balde"), bloqueio da articulação. 

O diagnóstico se dá através da história, relatada pelo paciente, exame físico, com testes e manobras especiais e específicas.

Além disso, exames complementares devem ser solicitados, caso a caso, iniciando-se pela radiografia simples, e complementar com a ressonância magnética que confirmará ou não a lesão meniscal e identificar o tipo de dono, tamanho e a presença de outros prejuízos associados.

O tratamento na fase aguda:
-gelo
-analgésico e antiinflamatórios
-muletas se necessário
-fisioterapia

Nos casos não responsivos ao tratamento clínico, ou no caso de lesões extensas e complexas, indica-se o tratamento cirúrgico artroscópico, removendo parte do menisco ou suturando a lesão, dependendo do local acometido e da extensão da mesma.

Fonte: Minha Vida - MSN

Tratamento de fisioterapia em contusões musculares

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Contusão muscular é uma lesão traumática direta que corresponde a 60-70% das lesões esportivas. Isso ocorre devido ao contato físico e causa atrito e lesão dos tecidos subjacentes bem como rompimento de capilares, levando ao aparecimento de hematoma, equimose, evoluindo para um processo inflamatório agudo.  Sendo assim, após a lesão são comuns os sinais e sintomas de dor localizada na realização de movimentos ativos e passivos ou até mesmo sem movimentação, formação de edema, equimose e hematoma devido a resultados de sangramento e limitação de movimento. Com isso, de acordo com a perda da função após a lesão, as contusões podem ser classificadas em leves, moderadas e graves/severas).

Durante o exame físico devem ser observados a presença de outras patologias associadas, alterações de volume, hiperemia, equimose e hematoma. Deve-se ter cuidado com o paciente devido à dor e a limitação de movimentação ativa e passiva, edema e aumento de temperatura local. Para fechar o diagnóstico, podem ser solicitados exames complementares se houver dificuldade durante a avaliação. Geralmente, a depender do grau da lesão o retorno às atividades varia de 13 a 21 dias sendo a patologia tratada corretamente.

O tratamento clínico para contusões é bastante simples, os medicamentos mais utilizados são os esteróides anabolizantes e os antiinflamatórios não esteróides. Ambos aliviam o quadro álgico e a redução da inflamação. Porém, eles podem causar inibição do processo de cicatrização e suprir o estímulo para remodelação celular num longo período de tempo retardando o retorno do atleta ao esporte (LARSON, 2002; HARMON, 2003).

Bom base em pesquisas científicas atuais, foi elaborado um protocolo de tratamento fisioterapêutico de acordo com as fases e com o grau de acometimento muscular. Para isso, foram estudados meios foto-termoterapêuticos e cinesioterápicos sendo adequados a todas as etapas do tratamento desde um atendimento imediato, pois vê-se a necessidade de intervenção fisioterapêutica desde os estágios iniciais para uma resolução mais rápida da patologia.

Como principais recursos fisioterapêuticos, são destacados a crioterapia associada à elevação e compressão, o laser, o ultra-som, os movimentos passivos, isométricos, ativos e intra-articulares, alongamentos, exercícios de cadeia cinética fechada e aberta, além dos exercícios resistidos.

Exame físico

Freqüentemente, o exame físico é o meio mais importante de avaliação do paciente e também serve para descartar outras patologias. A área inspecionada não se deve limitar apenas a lesão e sim a zonas adjacentes para identificar outras possíveis lesões associadas. À inspeção, podem ser observados alterações de volume, hiperemia, equimoses e hematomas. À palpação, deve-se ter cuidado com o paciente devido à dor e a limitação de movimento ativo e passivo, edema e aumento de temperatura local. A marcha estará comprometida a depender do grau da contusão.

Tratamento fisioterapêutico


Numa fase inicial (aguda) em que há hematoma, inflamação, necrose com miofibrilas danificadas e fagócitos, o objetivo do tratamento é minimizar a inflamação e controlar o quadro álgico, através da remoção do hematoma (EITNET, 1989; LARSON, 2002). Deve-se iniciar imediatamente, com a seguinte conduta

- Repouso: para aliviar a dor musculoesquelética e promover a cicatrização é necessário repouso da parte afetada pelo processo inflamatório nas primeiras 24 horas. A área deverá ser repousada de atividades esportivas adicionais até que ela tenha sido recuperada, porém a imobilização completa poderá levar a aderências de fibrilas em desenvolvimento no tecido vizinho, enfraquecimento do tecido conectivo e alterações da cartilagem articular (LIANZA, 1995; KISNER, 1998; MILNE, 2002);

- Elevação: o membro lesado deve ser elevado fazendo com que ocorra uma redução na pressão hidrostática capilar e também uma redução na pressão de filtração capilar, favorecendo ainda o aumento do retorno venoso e linfático, estimulando a absorção do edema. A elevação pode tanto auxiliar na prevenção do aparecimento de edemas quanto na sua reabsorção (RODRIGUES, 1995; EITNET, 1989; MILNE, 2002; PRAY, 2002);

- Compressão: o efeito mecânico e fisiológico da compressão faz com que ocorra um aumento na pressão extravascular permitindo ou auxiliando na reabsorção do edema. A compressão não deve exceder 80% da força tênsil da bandagem quando esta for elástica. Deve-se considerar que a bandagem deve ser semi-rígida e não elástica, pois esta acompanha a distensão provocada pelo aumento do edema (RODRIGUES, 1995; MILNE, 2002; PRAY, 2002);

- Crioterapia: o uso do gelo para o tratamento das lesões agudas em atletas é preconizado pela maioria dos autores. Quando usado adequadamente diminui a quantidade de tecido lesado com a redução da hipóxia secundária; o edema é reduzido, pois com a crioterapia torna o ritmo das reações químicas mais lenta e inibe a liberação de histamina que é um vasodilatador aumentando o fluxo sanguíneo local; o espasmo muscular, a dor e o tempo de incapacidade também são minimizados devidos seu efeito na redução do metabolismo celular e na diminuição da condução nervosa pelos nervos periféricos (EITNER, 1989; KITCHEN, 1998; RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; ANDREWS, 2000; KNIGHT, 2001; LOW, 2001; STARKEY, 2001).

- Laser: quando usado com 3J de intensidade torna-se favorável devido ao efeito antiinflamatório que possui, já que o laser inibe a produção de prostaglandinas (que é um mecanismo similar à inibição produzida por outros antiinflamatórios). Com isto, decresce a potencialização de bradicinina e, por conseqüência, o limiar de excitabilidade dos receptores dolorosos tem sua manutenção favorecida. Há estimulação também da microcirculação, reduzindo assim o edema e o quadro álgico. Outro efeito que o laser apresenta é o da cicatrização, pois ele promove o aumento da produção de ATP, aumentando a velocidade mitótica das células, o que proporciona também melhor trofismo dos tecidos (KITCHEN, 1998; RODRIGUES, GUIMARÃES, 1998);

- Ultra-som: de forma atérmica ou pulsada a 20%, é indicada devido ao aumento da velocidade de cicatrização na fase inflamatória, já que ele aumenta a liberação de mastócitos, macrófagos e neutrófilos, influenciando nas suas atividades e levando a aceleração de reparo das lesões. Há também aumento da permeabilidade vascular aumentando a reabsorção do edema. Estudos demonstraram que a motilidade dos fibroblastos e a velocidade da angiogênese eram aumentadas quando expostas ao ultra-som, aumentando a quantidade de colágeno e sua deposição num padrão tridimensional, assemelhando-se à pele não lesada, favorecendo extensibilidade dos tecidos, que pode ser empregado de forma vantajosa incorporando-se exercícios de amplitude de movimento depois da sua aplicação. Quanto à freqüência, deve-se usar 1MHz (se a lesão for profunda, pois há maior absorção nesta freqüência) e 3MHz se a lesão for superficial. Sua intensidade para lesões agudas e para aumentar a velocidade de cicatrização deve ser igual ou inferior a 0,5W/cm2. A forma contínua neste caso é contra-indicada, pois nesta forma o ultra-som encontra-se na forma térmica, o que pode apresentar um efeito não desejável já que ocorre o aumento do metabolismo que é desfavorável na presente fase (KITCHEN, 1998; STARKEY, 2001);

- Movimentos passivos: devem ser iniciados no tratamento na fase aguda quando tolerado. Eles diminuem as complicações da imobilização, mantêm a integridade e mobilidade funcional e auxiliam no processo de cicatrização. Estes movimentos devem ser específicos para a estrutura envolvida evitando aderência anormais das fibrilas em desenvolvimento aos tecidos vizinhos e evitando futuro rompimento da cicatriz. A intensidade deverá ser leve devido a algia intensa do paciente e para não lesar novamente o tecido (KISNER, 1998);

- Exercícios isométricos: indicado para melhora a força muscular. Deve ser sabido que o seu efeito é mínimo com relação à resistência e à fadiga

- Movimentos intra-articular passivos grau I e II: para manter as articulações com mobilização normal enquanto o músculo começa a cicatrizar e para alívio da dor (KISNER, 1998).

Na segunda fase do tratamento muscular, conhecida como fase de recuperação ou regeneração ou ainda subaguda o principal característica é a proliferação de células satélites e fibroblastos, seguidos da ação de síntese de proteínas. O principal objetivo desta fase é restauração da mobilidade ativa do músculo (EARL, 2002; LARSON 2002).
A conduta consiste em:

- Compressão, elevação e gelo: com o mesmo objetivo anterior (EITNER, 1989; KITCHEN, 1998; RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; ANDREWS, 2000; KNIGHT, 2001; LOW, 2001; STARKEY, 2001; PRAY, 2002);

- Alongamentos leves de contração-relaxamento: essa técnica baseia-se no fato de que após uma contração pré-alongamento do músculo retraído o mesmo irá relaxar como resultado da inibição autogênica e assim será alongado mais facilmente. Os órgãos tendinosos de Golgi podem disparar e inibir a tensão ao músculo permitindo que ele seja alongado com maior facilidade sempre respeitando o limite do paciente (KISNER, 1998);

- Exercícios ativos: a fase subaguda é um período transitório durante o qual os exercícios ativos dentro da ADM livre de dor no tecido lesado podem ser iniciados e progredidos com cuidado, mantendo-os dentro de uma dose e freqüência, os sintomas de dor e edema diminuem a realização desses tipos de exercícios. Eles são utilizados para desenvolver controle dos movimentos além de manter a elasticidade e contratilidade fisiológica dos músculos promovendo a integridade óssea e articular (MILNE, 2002);

- Exercícios de cadeia cinética fechada: utilizados para impor carga inicial à região de modo controlado e para estimular a co-contração estabilizadora nos músculos, além de desenvolver a percepção e controle motor quando o paciente faz transferência de peso lateral ou ântero-posteriormente. Na medida que o paciente evolui pode-se diminuir a quantidade de proteção ou suporte e acrescentar resistência;

- Manter movimentos intra-articulares grau II: com o mesmo objetivo da primeira fase (KISNER, 1998);

- Ultra-som: de forma atérmica ou pulsada só que a 50% com o objetivo de relaxamento para otimizar amplitude de movimento (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; KITCHEN, 1998; STARKEY, 2001.

Entrando na terceira fase do tratamento muscular sabe-se que a maturação ou remodelação é caracterizada por uma gradual recuperação das propriedades funcionais do músculo incluindo a recuperação de força tensionada do componente tecidual conectivo. O objetivo desta fase é continuar com a mobilização ativa que está restaurando a função total do músculo e da articulação. Exercícios progressivos com resistência são encorajados ao paciente (MILNE, 2002). A conduta se basearia em:

- Alongamento: dando flexibilidade ao músculo trabalhado e também fazendo parte de um aquecimento muscular;

- Exercícios de cadeia aberta concêntrica e excêntrica: para ganho de força muscular;

- Exercícios resistidos: para aumentar força muscular, resistência à fadiga e para otimizar a potência muscular (KISNER, 1998);

- Propriocepção: deve ser iniciada depois de recuperada a amplitude de movimento articular, força, resistência, a flexibilidade muscular e após a redução do quadro álgico com o objetivo de promover segurança adequada ao músculo para que o atleta volte a desempenhar sua atividade esportiva (CORRIGAN, 1992).

Com a ajuda daqui

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Menino de sete anos aprende a andar com máquina criada pelo pai


Eu vi essa matéria no IG Saúde e não pude deixar de reproduzir aqui para o blog.

Um mecânico de carros na Argentina inventou uma máquina que permitiu que seu filho de sete anos conseguisse caminhar, apesar de todos os prognósticos pessimistas dos médicos. Jorge Cardile, que trabalha em uma oficina em Buenos Aires, construiu um "reabilitador de caminhadas" em um mês, feito a partir de uma bicicleta e tábuas de madeira.

Com o tempo - e com todas as suas economias - ele foi aperfeiçoando a invenção até chegar ao protótipo que permitiu que seu filho exercitasse os músculos das pernas e corrigisse sua postura. Ao ver o sucesso do filho, Jorge convidou outros pacientes a testarem a invenção.

Agora dezenas de pacientes estão procurando a pequena clínica que montou. Jorge Cardile diz que sua invenção ajuda todas as pessoas com problemas motores. Ele está agora em busca de uma empresa que ajude a produzir sua invenção em maior escala, mas isso tem sido difícil. Sua inspiração, nas suas palavras, é o seu ídolo - o filho - que agora caminha apesar de todos os prognósticos pessimistas.

Recursos eletrotermofototerapêuticos no tratamento da síndrome da fibromialgia




Nesta seção, toda semana, colocaremos artigos cientificos completos, sejam eles publicados em revistas, monografias e etc. Abaixo sempre estará os dados do autor, para posterior contato.

Se qusier enviar a sua monografia ou artigo para cá, envie por email no facafisioterapia@gmail.com.

Segue o artigo:

A utilização dos recursos eletrotermofototerapêuticos no tratamento da síndrome da fibromialgia: uma revisão sistemática


RESUMO


OBJETIVO: Sistematizar as evidências científicas sobre os recursos eletrotermofototerapêuticos na síndrome da fibromialgia (SFM). 

MÉTODOS: A busca de publicações sobre as intervenções por eletrotermofototerapia na SFM foi realizada nas bases de dados Pubmed, Medline, Lilacs, Scielo, ISI Web of Knowledge, PEDro e Colaboração Cochrane. Foram selecionados ensaios clínicos aleatórios e controlados dos últimos dez anos em língua inglesa, portuguesa e espanhola. A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada pela Escala de Jadad, e a análise dos resultados, por meio de revisão crítica dos conteúdos. 

RESULTADOS: Sete estudos foram revisados na íntegra, sendo identificadas intervenções com laser (n=4), estimulação elétrica transcutânea (TENS) (n=1), corrente interferencial vetorial (CIV) isolada (n=1) e CIV combinada com o ultrassom (n=1). Apenas dois estudos obtiveram boa qualidade metodológica pela Escala de Jadad. A maioria dos estudos (n=6) utilizou os critérios do American College of Rheumatology para o diagnóstico clínico da SFM. A dor foi o sintoma da SFM mais avaliado pelos estudos. O método e o tempo das intervenções variaram amplamente, além da falta de menção de parâmetros na utilização dos recursos eletrotermofototerapêuticos. Houve melhora significativa em todos os estudos quanto à dor. 

CONCLUSÃO: Generalizações dos resultados, reações adversas e doses de tratamento da SFM com eletrotermofototerapia ainda são restritas. Novos estudos são necessários para se estabelecer a efetividade da eletrotermofototerapia na SFM.

Palavras-chave: fibromialgia; modalidades de fisioterapia; eletroterapia; fototerapia.







Introdução

A síndrome da fibromialgia (SFM) é uma doença de etiologia desconhecida, de caráter crônico e não-articular, com característica típica de dor difusa pelo corpo e presença de tender points específicos1. Os sintomas ainda incluem a fadiga muscular, o distúrbio do sono, os sintomas depressivos e as queixas cognitivas. Esses sintomas frequentemente resultam na diminuição da funcionalidade, da capacidade de trabalho e na redução da qualidade de vida2.


Pelo caráter crônico e de múltiplos sintomas da SFM, o tratamento recomendado aos portadores dessa doença é baseado na abordagem interdisciplinar, com intervenções no âmbito físico, farmacológico, cognitivo-comportamental e educacional1.

No âmbito das intervenções físicas, a fisioterapia se destaca pela riqueza de modalidades terapêuticas (cinesioterapia, hidroterapia, eletrotermofototerapia, relaxamento, massoterapia, acupuntura e outros) que podem ser utilizadas no controle da SFM. Algumas dessas modalidades já tiveram sua efetividade analisada por meio de revisões sistemáticas e metanálises. Segundo Busch et al.3, em revisão com 34 estudos de intervenção por exercício, existem fortes evidências dos benefícios do treinamento aeróbico na melhora da função física, diminuição da dor e redução do número de tender points nos portadores da SFM. Já os treinos de força e flexibilidade apresentaram moderada e fraca evidência científica, respectivamente. Quanto à acupuntura e eletroacupuntura, Mayhew e Ernst4 identificaram cinco ensaios clínicos aleatórios, concluindo ser esse número de estudos reduzido, e o benefício limitado na SFM.

A eletrotermofototerapia é muito utilizada na prática clínica da fisioterapia, e sua efetividade foi observada em revisão sobre desordens osteomioarticulares5,6, porém sem especificidade quanto à SFM.

As intervenções por meio da eletrotermofototerapia são utilizadas como parte do programa global de reabilitação, principalmente para alívio da dor1. Com a redução da dor, há, consequentemente, aumento na amplitude de movimento, força muscular, mobilidade, resistência física, habilidade de andar e estado funcional6. Desse modo, teoricamente, a eletrotermofototerapia pode trazer benefícios aos pacientes com a SFM. Além disso, esses recursos oferecem muitas vantagens, pois são intervenções não-invasivas e rápidas de administrar, resultando em poucos efeitos adversos e contraindicações5, quando comparadas com as intervenções farmacológicas para a redução dos sintomas da SFM. Contudo, deve-se considerar que, para utilizar esses recursos, é necessário profissional especializado e visitas periódicas do paciente ao local da intervenção.

Em vista da necessidade de maior esclarecimento sobre as possibilidades terapêuticas da fisioterapia no tratamento da SFM, esta revisão sistemática tem como objetivo expor o estado da arte sobre os recursos eletrotermofototerapêuticos nesta síndrome quanto à qualidade metodológica das pesquisas, as modalidades terapêuticas utilizadas, as características das intervenções e os efeitos encontrados.



Materiais e métodos

Para verificar o conjunto de publicações sobre intervenções por eletrotermofototerapia na SFM, foram realizadas buscas nas bases de dados eletrônicas Pubmed, Medline, Lilacs, Scielo, ISI Web of Knowledge, PEDro e Colaboração Cochrane.

Foram utilizadas como estratégia de busca nas bases de dados as palavras-chave: "electrotherapy modalities", "electrotherapy", "ultrasound", "phototherapy", "laser therapy", "interferential current", "transcutaneous electrical stimulation", "TENS", "diathermy", "microwaves", "shortwaves", "thermotherapy" ou "infrared therapy" em combinação com "fibromyalgia". O levantamento bibliográfico foi restrito às publicações de ensaios clínicos aleatórios controlados dos últimos dez anos (janeiro/1998-dezembro/2008) em língua inglesa, portuguesa ou espanhola.

Os estudos tiveram seus conteúdos analisados por dois avaliadores de forma independente e cega e foram selecionados por consenso aqueles com os seguintes critérios de inclusão:

• Pacientes com diagnóstico clínico de SFM;
• Investigação da relação entre alguma modalidade de eletrofototermoterapia com a SFM;
• Processo de amostragem aleatória dos pacientes;
• Comparação entre grupo com intervenção por modalidade eletrofototermoterapêutica e grupo controle ou com outra intervenção.

Foram excluídas, ainda, as pesquisas com modalidades não existentes na prática clínica da fisioterapia e com intervenções que não são contempladas na formação básica do fisioterapeuta. Os estudos foram excluídos por utilizarem recurso terapêutico de hipertermia não-convencional7; por usarem eletroacupuntura, que não é contemplada na maioria dos currículos convencionais dos cursos de graduação em fisioterapia8; não terem grupo controle ou com outra intervenção para comparação com o grupo de eletrotermofototerapia9-12 e não apresentarem técnica comum na prática e ensino da fisioterapia13-15.

Os artigos foram analisados na íntegra por meio de roteiro estruturado com a contemplação dos seguintes itens: amostra, delineamento da pesquisa, desfechos avaliados, características da intervenção e efeitos encontrados. Para verificar a qualidade dos ensaios clínicos selecionados, foi aplicada a Escala de Qualidade de Jadad16, que consiste em cinco questões sobre o estudo, com pontuação total de zero a cinco pontos. Pesquisas com pontuações inferiores a três pontos são consideradas de baixa qualidade metodológica e com poucas possibilidades de extrapolação dos resultados para a prática clínica.

Devido ao número escasso de ensaios clínicos sobre o assunto e à grande variabilidade entre as intervenções propostas, foi realizada análise por revisão crítica dos conteúdos, com impossibilidade de análise estatística por metanálise dos resultados.



Resultados

Foram encontrados 52 artigos nas bases de dados consultadas. Pela análise de resumos, foram identificadas as pesquisas que apareceram repetidamente em mais de uma base de dados (duplicação do mesmo estudo) (n=14) e não se tratavam de estudos experimentais (n=30). Desse modo, foram pré-selecionados 16 ensaios clínicos para a revisão na íntegra. Dentre as 16 pesquisas analisadas, nove foram excluídas por não atenderem aos critérios de inclusão desta revisão sistemática.

Foram incluídos sete estudos para a etapa de apreciação crítica quanto à efetividade da eletrotermofototerapia na SFM. A análise do conteúdo dos ensaios clínicos selecionados revelou a utilização das modalidades de laser17-20, corrente interferencial vetorial isolada21 (CIV), corrente interferencial combinada com o ultrassom22 e estimulação elétrica transcutânea (TENS)23 como propostas terapêuticas no tratamento da SFM. Não foram encontrados estudos com recursos termoterapêuticos. A Tabela 1 mostra os dados extraídos dos artigos analisados.

A composição das amostras dos sete estudos variou de 921 a 7518 indivíduos com SFM, distribuídos em grupos de eletrofototerapia e grupos controle. Quanto ao diagnóstico clínico da SFM, necessário para a inclusão do sujeito na pesquisa, foi utilizada, pela maioria das pesquisas17-23 (n=6), a aplicação dos critérios propostos pelo American College of Rheumatology (ACR). As amostras foram formadas exclusivamente por participantes do sexo feminino, com exceção do estudo de Gür et al.18 que continha, dentre seus participantes, 15 sujeitos do gênero masculino, que foram expostos à terapia por laser (n=5) ou controle (n=10). Quanto à idade dos sujeitos com SFM, os estudos utilizaram faixas etárias distintas, com variação de 25 a 60 anos.

Entre os desfechos analisados, a dor se destaca por estar presente em todos os estudos. No entanto, a forma de avaliação da dor difere entre as pesquisas, sendo as mais utilizadas a Escala Visual Analógica (EVA) (n=4)19,21-23, pela pressão digital ou pelo dolorímetro nos tender points (n=3)19-22, e escala de Likert (n=2)17,18. Outros desfechos analisados foram: qualidade de vida (n=5)18-21,23, depressão (n=2)18,23, sono (n=1)22 e sintomas gerais (n=2)17,18.

Todos os estudos foram experimentais com avaliações pré e pós-intervenção, sendo que a análise a longo prazo (seguimento) dos tratamentos só ocorreu no estudo de Armagan  et al.20. Quanto à terapêutica do grupo controle, Gür et al.17, Almeida et al.22 e Armagan et al.20 utilizaram correntes inativas; Silva et al. 23 interviram com a hidroterapia; Raimundo et al.21 empregaram modulação da CIV mais baixa do que a ideal; Matsutani et al.19 aplicaram laser inativo associado com alongamentos; e Gür et al.18 tinham dois grupos controles, sendo um com emissão inativa de laser e o outro com uso de medicação.

As intervenções por eletrofototerapia na SFM variaram amplamente. Os estudos com laser17-20 apresentaram o mesmo número de sessões, porém com diferença entre os intervalos das terapias, tempo de aplicação do laser e quantidade de energia emitida. Contudo, os estudos de Gür et al.17,18 com o laser utilizaram o mesmo protocolo de intervenção, já que foram realizados pelo mesmo grupo de pesquisadores. O tempo da intervenção com a CIV nos estudos de Almeida et al.22 e Raimundo et al.21 foi de quatro a cinco semanas, em um total de 10 e 12 sessões, respectivamente. Para a intervenção com a TENS23, foram realizadas 10 sessões, sendo a terapia três vezes por semana, com duração de 40 minutos.

Houve melhora significativa em todos os estudos quanto ao desfecho de dor. Os estudos de Raimundo et al.21, com a CIV, e Matsutani et al.19, com o laser, não revelaram diferença após a intervenção entre os grupos de eletrotermoterapia e controle.

Quanto ao rigor metodológico, analisado pela Escala de Jadad16, a maior restrição dos estudos refere-se à falta de mascaramento das avaliações e tratamentos, o que configuraria o caráter duplo-cego dos estudos, além da falta de descrição das perdas amostrais. Apenas os estudos de Almeida et al.22 e Armagan et al.20 obtiveram boa qualidade metodológica, conforme mostra a Tabela 2.



Discussão

Existe um grande número de modalidades eletrotermofototerapêuticas utilizadas na prática clínica da fisioterapia com pacientes fibromiálgicos. Entretanto, poucas são as pesquisas científicas que indicam a efetividade ou mesmo a necessidade de abandono dessas técnicas. A maior dificuldade em determinar as evidências relativas a essas intervenções é o pequeno número de ensaios clínicos e a falta de rigor metodológico nos estudos existentes5. Esse fato fica evidente pela análise metodológica feita por meio da Escala de Qualidade de Jadad16, pela qual somente dois dos estudos analisados20,22 podem ser considerados com boa relevância científica.

As modalidades eletrotermofototerapêuticas podem ser consideradas como recursos, dentre outros (exercícios, medicações, psicoterapia), que, em conjunto, devem compor o tratamento de pacientes com SFM para se obterem resultados satisfatórios. Entretanto, as propostas de tratamento dos estudos em questão foram limitadas ao uso de uma técnica específica de eletrotermofototerapia, com exceção da pesquisa de Matsutani et al.19, que associou o uso do laser com exercícios de flexibilidade. A falta de tratamento global compromete a abordagem abrangente que deve ser dada aos portadores da SFM para se obterem múltiplos benefícios no controle da sintomatologia. Por outro lado, a associação de recursos limita o esclarecimento do papel de cada modalidade terapêutica na SFM, sendo necessários desenhos experimentais ainda mais elaborados para observar os resultados de cada intervenção de forma isolada.


Em relação aos desfechos avaliados, é importante ressaltar que a utilização de instrumentos validados e com confiabilidade de aplicação aumenta a consistência dos resultados encontrados. O questionário de impacto da fibromialgia (FIQ) e a EVA da dor foram as avaliações mais utilizadas pelos estudos, sendo tais instrumentos amplamente utilizados na literatura8.


O diagnóstico da SFM foi baseado, na maioria das pesquisas, nos critérios do ACR, que consiste em dor crônica generalizada por pelo menos três meses e presença de dor em 11 dos 18 tender points2. Em ensaios clínicos e estudos observacionais, a SFM é comumente diagnosticada por meio desses critérios24. Entretanto, existe uma série de fatores controversos quanto ao seu uso (falta de treinamento dos clínicos, dificuldade em uniformizar a avaliação dos tender points, necessidade de avaliação dos outros sintomas para compor a doença) que podem comprometer o poder da amostra avaliada25. Vale destacar que a representatividade das amostras foi baixa, tendo em vista o pequeno número de sujeitos avaliados. As amostras apresentaram número reduzido de homens e ampla variação na faixa etária, sendo essas características compatíveis com dados epidemiológicos, nos quais a SFM é mais prevalente no gênero feminino e entre os 35 e 60 anos24.

O laser de baixa potência, proposto nos estudos desta revisão, é amplamente utilizado em pacientes com desordens osteomioarticulares. Dentre os principais efeitos terapêuticos desse tipo de laser, encontram-se a ação anti-inflamatória, a analgesia e a modulação da atividade celular26. Para a SFM, o laser é recomendado, principalmente, para o alívio da dor. Como a dor crônica está intimamente relacionada com os outros sintomas da SFM, acredita-se que sua redução causaria um efeito cascata para a melhora dos demais. Vale ressaltar que os efeitos dessa terapia são doses dependentes, e elas variam amplamente de 1 a 23 J/cm226. O estabelecimento da dose ideal deve levar em consideração a espessura da camada tecidual a ser atingida, o tamanho da área afetada, o tipo de laser, a potência usada e o tempo de aplicação27. É importante notar que os estudos analisados17-20 utilizaram a mesma dose do laser nos tender points para todos os sujeitos, mesmo reconhecendo que existem variações das camadas teciduais entre os indivíduos. Outro fator importante para a efetividade do tratamento com o laser é o número de aplicações, sendo recomendadas, pela World Association for Laser Therapy (WALT), sessões diárias por duas semanas ou em dias intercalados por três a quatro semanas28. Nos estudos de Gür et al.17,18 e Armagan et al.20, as aplicações foram diárias e houve melhora significativa em todos os sintomas investigados após o tratamento com o laser. Já no estudo de Matsutani et al.19, as sessões foram realizadas duas vezes por semana, sendo explanado pelos próprios autores que o intervalo entre as sessões pode ter limitado os resultados para analgesia.

No consenso sobre ensaio clínico com laser29, preconizou-se que as pesquisas precisam descrever detalhadamente os parâmetros utilizados para a intervenção, como o comprimento de onda, a energia emitida ao tecido, a densidade de energia, a área do feixe, o tempo de aplicação, a potência de pico, e a densidade de potência27. A falta da descrição completa dos parâmetros impede a reprodução dos achados encontrados, na clínica e em novos estudos.

Embora os resultados dos quatro estudos analisados17-20 tenham sido positivos quanto aos efeitos da laserterapia, qualquer conclusão seria precipitada quanto à dose ideal, efeitos adversos e população alvo. Isso porque a quantidade de sujeitos expostos à terapia (n=71) foi pequena, foram utilizados diferentes tipos de laser e não houve seguimento a longo prazo na maioria dos estudos. Em revisão sistemática sobre a laserterapia em desordens musculoesqueléticas, com 33 ensaios clínicos, também não houve consenso sobre o tipo e dose ideal de laser, mas, de qualquer forma, essa intervenção é superior ao tratamento placebo6.

O ultrassom (US) é utilizado pela fisioterapia por seus efeitos fisiológicos decorrentes tanto de sua ação mecânica como térmica. A ação mecânica aumenta a permeabilidade celular, diminui a resposta inflamatória, reduz a dor por meio da diminuição da velocidade de condução nas fibras nervosas e facilita o processo de cicatrização dos tecidos moles. O US contínuo tem ação térmica que contribui para o aumento da vasodilatação local e, consequentemente, melhora a inflamação crônica, reduz o espasmo muscular e a dor30. A CIV é uma corrente elétrica que apresenta ondas senoidais alternadas de média frequência, com amplitude modulada em baixa frequência, para finalidades terapêuticas. Por ser formada por correntes de média frequência, a CIV é capaz de atingir músculos e nervos profundos, estimular contração ativa, aumentar o fluxo sanguíneo periférico e reduzir a dor1,22. A utilização do US em conjunto com outra forma de eletroterapia, como a CIV, também conhecida como terapia combinada, promove analgesia localizada em áreas dolorosas previamente detectadas por eletrodiagnóstico1,30.

No estudo de Almeida et al.22, para o US, foram utilizados os parâmetros pulsados a 1 MHz e 2,5 W/cm2, não sendo mencionadas a repetição do ciclo de pulso, a área do cabeçote, o tempo e a área de aplicação. Quanto à aplicação da CIV, os parâmetros utilizados foram 4000 Hz, frequência modulada de amplitude (AMF)-100 Hz, com omissão do tamanho do eletrodo, do tempo e modo de aplicação. Já no estudo de

Raimundo et al.21 foram citados a AMF, o tamanho do eletrodo, o tempo e o modo de aplicação do CIV. Para reproduzir os resultados dos trabalhos publicados, é crucial que detalhes das características da aplicação da modalidade de eletrotermofototerapia empregada seja completamente reportada. Características dos dispositivos (tamanho do cabeçote do US), da aplicação terapêutica (área específica de aplicação ou modo de aplicação), duração e local da intervenção devem ser mencionados5. Tais informações são fundamentais para a reprodução dos dados encontrados nestes artigos.

Quanto à TENS, sua ação mais reconhecida é a analgesia que ocorre por meio de corrente elétrica de baixo limiar que inibe a transmissão dos estímulos dolorosos na medula espinhal e libera opiácios endógenos, como as endorfinas31. A associação americana de dor considera a TENS como uma medida terapêutica de alta evidência científica5. No estudo de Silva et al.23, a aplicação da TENS teve bons resultados no controle da dor, depressão e qualidade de vida em pacientes com fibromialgia, embora a sua amostra não tenha sido representativa.

Apesar de a ação biofísica de muitas intervenções fisioterapêuticas serem parcialmente conhecidas, investigações adicionais são necessárias na área da pesquisa em eletrotermofototerapia no tratamento de desordens musculoesqueléticas6 para melhor entendimento dos mecanismos de ação, dos efeitos de diferentes doses, da duração do tratamento, dos efeitos relacionados ao estágio da doença, das combinações de tratamento e dos efeitos adversos.

Foram excluídos desta revisão três artigos que utilizaram a estimulação elétrica transcranial para o tratamento dos sintomas da SFM. Esse recurso age por meio da neuromodulação, sendo utilizado por médicos desde a década de 50 para o tratamento de distúrbios do sono, dor, déficits cognitivos, depressão, ansiedade, dentre outros, e tem sido documentado no tratamento da SFM13-15. Tal modalidade consiste em uma microcorrente que age a nível subliminar, com ação direta no cérebro, no sistema límbico, no sistema de ativação reticular, e/ou no hipotálamo. Porém, seu mecanismo de ação é complexo e ainda requer maior esclarecimento.

Existem evidências de que a corrente elétrica transcranial, além de melhorar os sintomas de síndromes como a SFM, possui poucos efeitos colaterais e é utilizada como terapia coadjuvante da medicação32. Apesar de esse tipo de microcorrente ser comum à prática da fisioterapia, a aplicação da estimulação elétrica transcranial é pouco explorada na formação básica dos fisioterapeutas. Desse modo, essa seria mais uma técnica de aplicação de microcorrentes a ser explorada no futuro próximo pelos fisioterapeutas, não só para o tratamento da SFM, mas para outros quadros psicossomáticos.

Ainda faltam estudos com intervenções por eletrotermofototerapia que também poderiam ser empregados no tratamento da SFM, como as diatermias e outras correntes excito-motoras. Além disso, estudos com enfoque mais global da reabilitação, utilizando exercícios, hidroterapia, manipulações em associação com os recursos eletrotermofototerapêuticos poderiam auxiliar no tratamento da SFM.



Considerações finais

Esta revisão mostra que generalizações quanto aos benefícios da eletrotermofototerapia, efeitos adversos e doses do tratamento na SFM ainda são restritas. Entretanto, na prática clínica, essas modalidades são utilizadas pelos fisioterapeutas, mesmo sem evidências científicas que comprovem a efetividade nessa doença, e, portanto, devem ser empregadas com parcimônia para cada caso. Tal fato deve impulsionar novos estudos com maior rigor metodológico que, consequentemente, tragam conhecimento sobre as várias modalidades que podem ser empregadas, assim como a interação delas com outros tratamentos propostos para a SFM para a construção de uma prática baseada em evidência de forma segura, adequada e efetiva.



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Correspondência:
Natalia Aquaroni Ricci
Departamento de Fisioterapia,Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS)
Rodovia Washington Luis, Km 235 Cx. Postal 676
CEP 13565-905 São Carlos (SP), Brasil
e-mail: natalia_ricci@hotmail.com

Recebido: 28/01/2009
Revisado: 14/07/2009
Aceito: 06/08/2009

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