Saiba o que é a Espondiloartrose Cervical






A espondiloartrose cervical, na forma discal ou na forma osteofitária, é reconhecida como causa mais comum das radiculopatias e mielopatias em pessoas acima de 50 anos.

Bailey, em 1911, citava a osteoartrite como causa compressiva da medula espinhal, afirmando que a descompressão poderia trazer benefícios para os pacientes. Já Stookey descreveu a síndrome de compressão medular e radicular como sendo causada pelos condromas, hoje reconhecidos como osteofito e protusão discal.

Brain definiu as diferenças de apresentação clínica entre a herniação discal e a osteofitose causada pela doença degenerativa crônica. Para ele, as protusões agudas seriam devidas ao trauma e a espondilopatia crônica causaria a mielopatia. Estes conceitos foram em muito auxiliados pelo advento da mielografia após a Segunda Guerra Mundial. Brain foi, também, o primeiro a sugerir o

comprometimento vascular na gênese da mielopatia espondilótica.

Ao rever a história da doença, observa-se uma série de divergências na literatura. Clarke e Robinson, em 1956, estabeleceram que nenhum paciente com mielopatia retornava ao normal. Less e Turner seguiram 95 pacientes por um período de 3 a 40 anos: a maioria estabilizou os sintomas da mielopatia após períodos de exacerbação. Não encontraram fatores que prenunciassem a piora e sugeriram tratamento clínico. A maioria dos autores sugere que, para esta doença (mielopatia), é difícil prever quais pacientes terão má evolução. A história natural favorece longos períodos de alterações mínimas depois da exacerbação inicial.

Tratamento conservador com imobilização estabiliza ou melhora os sintomas em 50% dos pacientes com espondiloartrose cervical, mas isto é transitório.

Na história natural da radiculopatia cervical também se observa que, raramente, os pacientes desenvolvem mielopatia. Embora o sucesso do tratamento conservador das radiculopatias alcance 50%, o mesmo não ocorre com as mielopatias.

Sinais e sintomas clínicos

Dor radicular é o sintoma clássico do osteofito foraminal ou disco duro.

Freqüentemente, associa-se com a dor axial, seja ventral ou dorsal. Dormência ou parestesia têm valor quando correspondem ao dermátomo, porém na maioria das vezes isto não ocorre. Raízes de C3 e C4 são raramente envolvidas. O segmento C5-C6 é o mais envolvido, e a dor de C5 irradia-se para o ombro e até abaixo do cotovelo. É importante o diagnóstico diferencial com lesões no nível do ombro, como bursite principalmente. A dor de C6 caminha sobre o bíceps e pelo lado radial do antebraço e mão; pode associar-se com diminuição ou abolição do reflexo bicipital. A compressão de C7 envolve o tríceps e os extensores dos dedos. Já a lesão no nível de C8 envolve o aspecto medial do antebraço e mão.

No caso das mielopatias, múltiplos níveis podem estar envolvidos e, em um mesmo paciente, podem coexistir sinais e sintomas de lesão de nervos diferentes. De modo geral e em ordem de freqüência, os sinais mais comuns são distúrbios sensoriais das extremidades, distúrbios de marcha, tetraparesias, hiperreflexia tendinosa e sinal de Babinsky e Hoffman. No diagnóstico diferencial da mielopatia causada pela espondiloartose cervical, as duas doenças que mais se confundem são esclerose múltipla e esclerose lateral.

Exames complemantares: neuroimagens

Além do clássico estudo radiológico, inclusive dinâmico para a pesquisa de instabilidade, há que se ter uma clara distinção entre a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância nuclear magnética (RNM). A TC é mais precisa em definir a compressão óssea, e isto é importante por causa do tipo de descompressão que se quer fazer. Já a RNM provê acurada imagem da medula do espaço subaracnoídeo, a presença de cistos intramedulares e outras lesões parenquimatosas.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia dos discos cervicais baseia-se em uma clara distinção das síndromes clínicas e dos diferentes tipos de lesão.

A hérnia discal é classificada, segundo Scoville, em quatro grupos:

1. Hérnia lateral por disco mole;

2. Hérnia lateral por disco duro ou osteofito lateral;

3. Disco duro central (barra espondilótica);

4. Disco mole central.

Scoville propunha a via posterior para os discos mole e osteofito lateral, e a via anterior para as lesões ventralmente situadas.

A história da via anterior ao disco cervical começa com Smith-Robinson em 1953, seguido por Cloward. Hoje em dia, a maioria das lesões espondilóticas da coluna cervical é tratada pela via anterior.

Temos procurado sistematizar a conduta cirúrgica nas espondiloartroses cervicais, baseados em que a origem da lesão se localiza lateral e ventral à medula. Com exceção da clássica hipertrofia do ligamento amarelo, as lesões são abordadas ventralmente.

Nos casos de disco mole, em um espaço em pacientes jovens sem manifestação espondiloartrósica ao raios X, optamos pela discectomia simples. Nos casos de compressão ventral por barra espondilótica em coluna rígida, a corpectomia mediana, sem interposição de enxerto, é uma das opções.

Já nos pacientes com estenose de canal com osteofitose anterior em múltiplos níveis, com perda de lordose cervical, realizamos a corpectomia multissegmentar, interposição de enxerto e fixação com placa.

O acesso posterior tem como principal contra-indicação as alterações da curvatura cervical, em especial a cifose. Vale ressaltar que alguns autores propõem este acesso, em casos de estenose foraminal. Adotamos como princípio que as estenoses foraminais, quando sintomáticas e não-responsivas ao tratamento conservador, podem ser abordadas por via anterior com interposição de enxerto.


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