segunda-feira, 30 de abril de 2012

A artrite na articulação temporo-mandibular

A artrite pode afetar as articulações temporomandibulares do mesmo modo que afeta as demais articulações. A osteoartrite (doença articular degenerativa), um tipo de artrite no qual a cartilagem articular sofre degeneração, é mais comum em idosos. A cartilagem das articulações temporomandibulares não é tão forte quanto a cartilagem de outras articulações. Como a osteoartrite ocorre principalmente quando o disco está ausente ou apresenta perfurações, o indivíduo sente uma sensação de atrito na articulação ao abrir ou fechar a boca. Quando a osteoartrite é grave, a parte superior do osso da mandíbula achata e o indivíduo não consegue abrir a sua boca completamente. Algumas vezes, a mandíbula também é desviada em direção ao lado afetado e o indivíduo pode ser incapaz de fazer com que ela retorne à posição correta. Mesmo sem tratamento, a maioria dos sintomas melhoram após alguns anos, provavelmente porque a faixa de tecido localizada atrás do disco torna-se cicatrizada e atua como o disco original.

A artrite reumatóide afeta a articulação temporomandibular em apenas aproximadamente 17% dos indivíduos que a apresentam. Quando a artrite reumatóide é grave, especialmente em indivíduos jovens, a parte superior da mandíbula pode sofrer degeneração e diminuir de tamanho. Essa lesão pode acarretar um desalinhamento súbito de muitos ou de todos os dentes superiores e inferiores (má oclusão). Se a lesão for grave, a mandíbula pode fundir-se ao crânio (ancilose), limitando enormemente a capacidade de abrir a boca. Em geral, a artrite reumatóide afeta as duas articulações temporomandibulares de forma mais ou menos igual e isto é raro em outros tipos de distúrbios da articulação temporomandibular. A artrite de uma articulação temporomandibular também pode ser decorrente de uma lesão, em particular lesão que causa sangramento intra-articular. Essas lesões são razoavelmente comuns em crianças que recebem um golpe no lado do queixo.

Tratamento

Os indivíduos com osteoartrite em uma articulação temporomandibular precisam repousar a mandíbula o máximo possível, devem utilizar uma placa ou um outro dispositivo para controlar a contratura muscular e devem tomar um analgésico para aliviar a dor. Geralmente, a dor desaparece em 6 meses com ou sem tratamento. O movimento mandibular costuma ser suficiente para as atividades normais, embora a mandíbula não abra tanto quanto de costume. A artrite reumatóide da articulação temporomandibular é tratada com os medicamentos usados para a artrite reumatóide de qualquer articulação. Eles incluem os analgésicos, os corticosteróides, o metotrexato e os compostos do ouro. A manutenção da mobilidade articular e a prevenção de ancilose (fusão da articulação) são particularmente importantes. Comumente, o melhor modo para se atingir esses objetivos é o exercício orientado por um fisioterapeuta. Para aliviar os sintomas, em particular a contratura muscular, o indivíduo deve usar um imobilizador especial à noite que não limite os movimentos mandibulares. Se a ancilose "congelar" a mandíbula, pode ser necessário submeter o indivíduo à cirurgia e, raramente, à colocação de uma prótese artificial para restaurar a mobilidade mandibular.

Saiba o que é a Espondiloartrose Cervical

A espondiloartrose cervical, na forma discal ou na forma osteofitária, é reconhecida como causa mais comum das radiculopatias e mielopatias em pessoas acima de 50 anos.

Bailey, em 1911, citava a osteoartrite como causa compressiva da medula espinhal, afirmando que a descompressão poderia trazer benefícios para os pacientes. Já Stookey descreveu a síndrome de compressão medular e radicular como sendo causada pelos condromas, hoje reconhecidos como osteofito e protusão discal.

Brain definiu as diferenças de apresentação clínica entre a herniação discal e a osteofitose causada pela doença degenerativa crônica. Para ele, as protusões agudas seriam devidas ao trauma e a espondilopatia crônica causaria a mielopatia. Estes conceitos foram em muito auxiliados pelo advento da mielografia após a Segunda Guerra Mundial. Brain foi, também, o primeiro a sugerir o

comprometimento vascular na gênese da mielopatia espondilótica.

Ao rever a história da doença, observa-se uma série de divergências na literatura. Clarke e Robinson, em 1956, estabeleceram que nenhum paciente com mielopatia retornava ao normal. Less e Turner seguiram 95 pacientes por um período de 3 a 40 anos: a maioria estabilizou os sintomas da mielopatia após períodos de exacerbação. Não encontraram fatores que prenunciassem a piora e sugeriram tratamento clínico. A maioria dos autores sugere que, para esta doença (mielopatia), é difícil prever quais pacientes terão má evolução. A história natural favorece longos períodos de alterações mínimas depois da exacerbação inicial.

Tratamento conservador com imobilização estabiliza ou melhora os sintomas em 50% dos pacientes com espondiloartrose cervical, mas isto é transitório.

Na história natural da radiculopatia cervical também se observa que, raramente, os pacientes desenvolvem mielopatia. Embora o sucesso do tratamento conservador das radiculopatias alcance 50%, o mesmo não ocorre com as mielopatias.

Sinais e sintomas clínicos

Dor radicular é o sintoma clássico do osteofito foraminal ou disco duro.

Freqüentemente, associa-se com a dor axial, seja ventral ou dorsal. Dormência ou parestesia têm valor quando correspondem ao dermátomo, porém na maioria das vezes isto não ocorre. Raízes de C3 e C4 são raramente envolvidas. O segmento C5-C6 é o mais envolvido, e a dor de C5 irradia-se para o ombro e até abaixo do cotovelo. É importante o diagnóstico diferencial com lesões no nível do ombro, como bursite principalmente. A dor de C6 caminha sobre o bíceps e pelo lado radial do antebraço e mão; pode associar-se com diminuição ou abolição do reflexo bicipital. A compressão de C7 envolve o tríceps e os extensores dos dedos. Já a lesão no nível de C8 envolve o aspecto medial do antebraço e mão.

No caso das mielopatias, múltiplos níveis podem estar envolvidos e, em um mesmo paciente, podem coexistir sinais e sintomas de lesão de nervos diferentes. De modo geral e em ordem de freqüência, os sinais mais comuns são distúrbios sensoriais das extremidades, distúrbios de marcha, tetraparesias, hiperreflexia tendinosa e sinal de Babinsky e Hoffman. No diagnóstico diferencial da mielopatia causada pela espondiloartose cervical, as duas doenças que mais se confundem são esclerose múltipla e esclerose lateral.

Exames complemantares: neuroimagens

Além do clássico estudo radiológico, inclusive dinâmico para a pesquisa de instabilidade, há que se ter uma clara distinção entre a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância nuclear magnética (RNM). A TC é mais precisa em definir a compressão óssea, e isto é importante por causa do tipo de descompressão que se quer fazer. Já a RNM provê acurada imagem da medula do espaço subaracnoídeo, a presença de cistos intramedulares e outras lesões parenquimatosas.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia dos discos cervicais baseia-se em uma clara distinção das síndromes clínicas e dos diferentes tipos de lesão.

A hérnia discal é classificada, segundo Scoville, em quatro grupos:

1. Hérnia lateral por disco mole;

2. Hérnia lateral por disco duro ou osteofito lateral;

3. Disco duro central (barra espondilótica);

4. Disco mole central.

Scoville propunha a via posterior para os discos mole e osteofito lateral, e a via anterior para as lesões ventralmente situadas.

A história da via anterior ao disco cervical começa com Smith-Robinson em 1953, seguido por Cloward. Hoje em dia, a maioria das lesões espondilóticas da coluna cervical é tratada pela via anterior.

Temos procurado sistematizar a conduta cirúrgica nas espondiloartroses cervicais, baseados em que a origem da lesão se localiza lateral e ventral à medula. Com exceção da clássica hipertrofia do ligamento amarelo, as lesões são abordadas ventralmente.

Nos casos de disco mole, em um espaço em pacientes jovens sem manifestação espondiloartrósica ao raios X, optamos pela discectomia simples. Nos casos de compressão ventral por barra espondilótica em coluna rígida, a corpectomia mediana, sem interposição de enxerto, é uma das opções.

Já nos pacientes com estenose de canal com osteofitose anterior em múltiplos níveis, com perda de lordose cervical, realizamos a corpectomia multissegmentar, interposição de enxerto e fixação com placa.

O acesso posterior tem como principal contra-indicação as alterações da curvatura cervical, em especial a cifose. Vale ressaltar que alguns autores propõem este acesso, em casos de estenose foraminal. Adotamos como princípio que as estenoses foraminais, quando sintomáticas e não-responsivas ao tratamento conservador, podem ser abordadas por via anterior com interposição de enxerto.

Aplicação da fisioterapia nas especialidades médicas



A fisioterapia é uma ciência aplicada que estuda o movimento humano, em todas as suas formas de expressão e potencialidades, quer nas alterações patológicas, quer nas repercussões psíquicas e orgânicas, com a finalidade de preservar, manter, desenvolver ou restaurar a integridade de órgãos, sistema ou função.

O fisioterapeuta é capacitado a avaliar, reavaliar, prescrever tratamento físico, próteses, dar diagnóstico, prognóstico, intervenção e alta.

A Fisioterapia ocupa um lugar de destaque entre as inúmeras especialidades da área de saúde, entre elas destacamos:

Fisioterapia dermato-funcional - Atua em disfunções que afetam direta ou indiretamente a pele e a capacidade funcional do indivíduo. Antevê a prevenção, promoção e recuperação do indivíduo, no que se refere aos distúrbios endócrino/metabólicos, dermatológicos, circulatórios e/ou musculoesqueléticos.

Fisioterapia do trabalho - Atua na prevenção e resgate da saúde do trabalhador. Engloba *ergonomia, a **biomecânica, a atividade física laboral (referente ao trabalho) e a recuperação de queixas ou desconforto físicos, sob o enfoque multiprofissional e interdisciplinar, com o propósito de melhorar a qualidade de vida do trabalhador. Atua em empresas e/ou organizações intervindo preventivamente e/ou terapeuticamente.

Fisioterapia gerontológica - Estuda, previne e trata as disfunções decorrentes do processo de envelhecimento, mediante a administração de condutas fisioterapêuticas, prevenindo quedas e promovendo a recuperação funcional global de pessoas idosas.

Fisioterapia uroginecológica e obstétrica - É uma especialidade que atua no tratamento das disfunções urogenitais como incontinência urinária e nas distopias genitais como os prolapsos – "bexiga caída". É apontada como procedimento de primeira escolha no tratamento dessas disfunções, evitando ou retardando o processo cirúrgico. Administra procedimentos próprios que visam a conscientização corporal, eletroterapia, cinesioterapia e outros recursos na incontinência urinária e fecal masculina e feminina, no vaginismo, na endometriose, na tensão pré-menstrual, na dismenorreia (menstruação doloras) , na dor pélvica crônica, entre outros.

No período gestacional a atuação fisioterapêutica é muito importante, a fim de tratar as alterações posturais decorrentes da gravidez, a minimização do edema (inchaço) gestacional com auxílio da drenagem linfática manual e, ainda, a preparação da gestante para o período pós-parto, com exercícios de fortalecimento de períneo (região situada entre entre a vulva e o ânus) e músculos abdominais. Todo o cuidado durante a gestação vai ajudar na recuperação da puérpera (o pós-parto).

Fisioterapia neurofuncional - Área da fisioterapia que estuda, diagnostica e trata os distúrbios neurológicos que envolvem as funções neuromotoras; como por exemplo, pacientes que sofreram acidente vascular encefálico (AVE). A fisioterapia neurofuncional induz ações terapêuticas para recuperação de funções, nentre elas a coordenação motora, a força, o equilíbrio e a coordenação. A fisioterapia neurofuncional pode minimizar as deficiências advindas das doenças que acometem o sistema nervoso como: paralisia cerebral, esclerose múltipla, acidente vascular encefálico (derrame cerebral) dentre outras.

Fisioterapia musculoesqulética - Estuda, diagnostica e trata as disfunções musculoesqueléticas, de origem ortopédica, reumática ou decorrente de traumatismos. Tem como recursos a cinesioterapia (terapia do movimento) , eletroterapia (estimulação elétrica com objetivo de aumentar e/ou ativar as funções de um órgão, através de correntes elétricas), ***termoterapia, ***hidroterapia para aumentar a capacidade de movimentação, estimular a circulação e diminuir as dores de pacientes com fraturas, traumas musculares e entorses.

Fisioterapia respiratória - Pode atuar tanto na prevenção quanto no tratamento das pneumopatias (doença que afeta is pulmões) utilizando-se de diversas técnicas e procedimentos terapêuticos tanto em nível ambulatorial, hospitalar ou de terapia intensiva com o objetivo de estabelecer ou restabelecer um padrão respiratório funcional (equlibrado) no intuito de reduzir os gastos energéticos durante a respiração, capacitando o indivíduo a realizar as mais diferentes atividades de vida diária sem promover grandes transtornos e repercussões negativas em seu organismo. Utiliza técnicas e manobras que visam melhorar a dinâmica respiratória e a distribuição do ar inalado no pulmão, removendo secreções brônquicas, e obtendo assim um melhor desempenho respiratório. Além das técnicas manuais, existem diversos equipamentos que auxiliam na obtenção desses resultados.

Fisioterapia da ATM (articulação responsável pelo movimentro de abrir e fechar a boca) - Atua principalmente na saúde bucal em conjunto com a odontologia, tratando de disfunções da ATM (articulação temporomandibular). ATM é uma das articulações mais utilizadas de todo o corpo, ela abre e fecha aproximadamente 1500 a 2000 vezes ao dia, durante os movimentos de falar, mastigar, deglutir, bocejar e ressonar. O tratamento fisioterapêutico em conjunto com o tratamento multidisciplinar, proporciona um alívio das condições sintomatológicas do paciente, buscando restabelecer a função normal do aparelho mastigatório.

Fisioterapia pediátrica - A fisioterapia pediátrica utiliza uma abordagem com base em técnicas neurológicas e cardiorrespiratórias especializadas, integrando os objetivos fisioterápicos com atividades lúdicas e sociais, levando a criança a uma maior integração com sua família e a sociedade.

Fisioterapia preventiva escolar - Ainda representa um campo de atuação que precisa ser melhor explorado pelo fisioterapeuta, como principais focos de ação estão os aspectos relacionados à postura, problemas físicos e o estresse infantil. Segundo Bernardi, D. F, o fisioterapeuta então busca através de sua visão global e de seus conhecimentos a respeito do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), facilitar a aquisição/aprimoramento de certas habilidades e conceitos necessários, prévios ao processo de alfabetização. O fisioterapeuta agrega conhecimentos e capacidade de avaliação e planejamento de atividades que possam apoiar o professor no processo de alfabetização do aluno.

Fisioterapia esportiva - É um componente da medicina esportiva, sua prática e métodos são aplicados no caso de lesões causadas por esportes, com o propósito de recuperar, sanar e prevenir as lesões. A fisioterapia esportiva tem como objetivo principal devolver o atleta o mais rápido possível para a prática esportiva após uma lesão. O trabalho da fisioterapia desportiva é bastante diferente dos outros, pois tudo tem de ser muito rápido e funcionalmente mais efetivo, pois o atleta mais do que qualquer outro indivíduo precisará executar todas as funções do seu corpo, músculos, ossos e articulações, no máximo de potência e amplitude para execução perfeita de todos os movimentos.

Fisioterapia oncológica - Desempenha um importante papel na prevenção, minimização e tratamento dos efeitos adversos do tratamento do câncer. É um dos procedimentos que estão sendo adotados, tanto após uma cirurgia de câncer como também durante todo o tratamento. Esse recurso pode ser utilizado em todos os casos, como nos de câncer de mama, tumores de cabeça e pescoço, além dos relacionados ao sistema músculoesquelético. A fisioterapia, quando iniciada precocemente, desempenha um importante papel na busca da prevenção das complicações advindas do tratamento do câncer, favorecendo o retorno às atividades de vida diária, e melhor qualidade de vida. Muitas vezes, a fisioterapia começa no período pré-operatório. O tratamento fisioterapêutico também é importante durante as fases de quimioterapia e radioterapia.

A fisioterapia ainda utiliza técnicas como o RPG (Reprogramação Postural Global), Pilates, Acupuntura, Quiropraxia, Osteopatia, Hidroterapia, Crochetagem, Esparadrapoterapia e Terapias Manuais.

* Estudo das relações entre o homem e a máquina, visando melhorar as condições de trabalho e o consequente aumento da produtividade

** É a aplicação das leis da mecânica aos problemas biológicos, fisiológicos e médicos como traumas e sequelas.

*** Os recursos terapêuticos são a chave de todo tratamento fisioterapêutico. O fisioterapeuta dispõe de recursos elétricos (eletroterapia), recursos manuais (terapia manual e manipulações), recursos físicos (termoterapia e hidroterapia) e recursos naturais (equoterapia). Cada indivíduo e patologias devem receber o recurso correto como eleição na hora de requerer o tratamento correto. 


por Juliana Prestes Mancuso



sexta-feira, 27 de abril de 2012

Estudo sobre os fatores de risco das algias de coluna vertebral

          A terminologia "dor nas costas" é utilizada para designar queixas de desconforto ou dor crônica na região da coluna vertebral. Estes sintomas também podem ser descritos através de terminologias como lombalgia ou dor lombar, embora estes termos se refiram especificamente à região lombar, que é a mais freqüentemente afetada pela dor. (1).

          A dor nas costas, especialmente a dor lombar baixa, constitui causa freqüente de morbidade e incapacidade, sendo sobrepujada apenas pela cefaléia na escala dos distúrbios dolorosos que afetam o homem. Em alguma época da vida, de 70 a 85% de todas as pessoas sofrerão um episódio de dor nas costas. No entanto, quando do atendimento primário por médicos não-especialistas, para apenas 15% das lombalgias e lombociatalgias, se encontra uma causa específica. (2).

          A procura por tratamento de dores na coluna vertebral aumenta a cada dia. A demanda em hospitais e clínicas ocasiona um aumento no custo de despesas com cuidados com a saúde. O custo de tal demanda é um ônus a mais para os cofres públicos e privados, pois o governo, as indústrias e a sociedade devem arcar com as despesas. É grande a quantidade de tempo e recursos gastos com os pacientes portadores deste tipo de morbidade. (3).

          As dificuldades do estudo e da abordagem da dor na coluna vertebral decorrem de vários fatores, dentre os quais, podem ser mencionados a inexistência de uma fidedigna correlação entre os achados clínicos e os de imagem; ser a coluna vertebral um segmento inervado por uma difusa e entrelaçada rede de nervos, tornando difícil determinar com precisão o local de origem da dor, exceto nos acometimentos radículo-medulares; pelo fato das contraturas musculares, freqüentes e dolorosas, não se acompanharem de lesão histológica demonstrável (4).

          As dores na coluna vertebral podem ser primárias ou secundárias, com ou sem envolvimento neurológico. Por outro lado, afecções localizadas neste segmento, em estruturas adjacentes ou mesmo à distância, de natureza a mais diversa, como congênitas, neoplásicas, inflamatórias, infecciosas, metabólicas, traumáticas, degenerativas e funcionais , podem provocar dor (5).

          A lombalgia idiopática , antigamente assim chamada, pois não se achava um substrato para sua causa e que hoje é denominada de lombalgia mecânica comum ou lombalgia inespecífica, é a forma anátomo-clínica inicial de apresentação e a mais prevalente das causas de natureza mecânico-degenerativa (4).

          Condições emocionais podem levar à dor nas costas ou agravar as queixas resultantes de outras causas orgânicas preexistentes. Entretanto, freqüentemente a dor não decorre de doenças específicas, mas sim de um conjunto de causas (7).

          Segundo a Organização Mundial de Saúde (8), existem vários fatores de risco associados com a dor nas costas, e estes podem ser divididos em fatores de risco individual e fatores de risco profissional. Assim, pode-se relatar que, são consideradas como os mais prováveis fatores de risco individual a idade, o sexo, o índice de massa corporal, o desequilíbrio muscular, a capacidade de força muscular, as condições sócio-econômicas e a presença de outras patologias. Os traumas mais freqüentes sobre a coluna vertebral de origem laboral estão associados à tensão da musculatura paravertebral, decorrentes de posturas incômodas e da degeneração precoce dos discos intervertebrais pelo excesso de esforço físico (8).

          Estão também envolvidos no risco profissional as movimentações e posturas adotadas pelo trabalhador por exigência específica da tarefa ou decorrentes de inadequações no ambiente de trabalho e/ou das condições de funcionamento dos equipamentos disponíveis, além das formas de organização e execução do trabalho (9).

          Entretanto, o tipo mais freqüente de dor nas costas tem caráter não específico, sendo decorrente de uma doença indeterminada e associada freqüentemente com a postura, levantamento de objetos pesados e movimentos lesivos de origem laboral ou não laboral (8).

          A dor crônica relacionada a problemas degenerativos, como a artrose, freqüenta 65% das pessoas adultas. Assim, as dores na coluna, lombalgias e cérvico-dorso-lombalgias têm sido consideradas como enfermidades sociais. No entanto, vários de seus aspectos etiológicos são desconhecidos, o que tem favorecido uma abordagem diversificada para a compreensão do problema, dentre eles o enfoque dos fatores de risco. A abordagem epidemiológica de fatores de risco tem sido um enfoque muito utilizado na compreensão dos processos mórbidos, especialmente da coluna e na atenção a saúde (10).

OBJETIVOS

          O objetivo deste estudo foi identificar os fatores de risco relacionados ao surgimento das dores na coluna vertebral em uma amostra atendida em um serviço de fisioterapia. Também foi objetivo do estudo descrever as características dos sujeitos avaliados nos seguintes aspectos: demográficos (idade, sexo, situação conjugal); sócio-econômicos (grau de escolaridade, ocupação, renda familiar); avaliação global de saúde (percepção do nível de saúde, medicação, depressão, ansiedade, preocupação excessiva com doenças, horas de sono, dificuldade para dormir); ergonômicos (jornada de trabalho, tempo de permanência em posturas estáticas, realização de movimentos bruscos durante atividades no lar); subjetivos (intensidade e local da dor, nível de cansaço atual, restrição da vida social e íntima, satisfação laboral); nutricionais (índice de massa corporal, relação cintura-quadril); comportamentais (nível de atividade física) e relacionar as características avaliadas nos indivíduos com a dor na coluna.

          Com isso, a abordagem de fatores de risco com uma metodologia em que se busca a gênese do processo saúde-doença, colocando-se como estimuladora de ações educativas, preventivas e no tratamento das algias de coluna, contribui para formação de um conhecimento aprofundado das situações de risco capazes de gerar danos, podendo beneficiar os indivíduos portadores desse tipo de morbidade.

METODOLOGIA

           Este estudo se caracteriza por ser do tipo descritivo, transversal, com uma abordagem quantitativa. A população constitui todos os pacientes atendidos no setor de ortopedia e traumatologia da Clínica Escola de Fisioterapia Hospital São Vicente de Paulo – UNICRUZ e Clínica Escola de Fisioterapia Hospital da Guarnição Cruz Alta - UNICRUZ que apresentaram como queixa principal dor na coluna vertebral.

          A amostra foi escolhida aleatoriamente, onde foram incluídas na pesquisa somente as pessoas com idade mínima de 18 anos e máxima de 65 anos, em tratamento fisioterapêutico e com sintomatologia dolorosa superior a 20 dias, mesmo apresentando remissão ou exacerbação desse sintoma. Foram analisados apenas os pacientes encaminhados ao setor de ortopedia e traumatologia, prescrito com um número mínimo de 10 de sessões. Os pacientes neurológicos ou os encaminhados a qualquer outro setor foram excluídos desta pesquisa, bem como todos os que não se enquadraram nesses critérios.

          Os estudos foram conduzidos através de entrevistas, procurando evidências a favorecer uma inferência causal. Com um delineamento dinâmico baseando-se em casos que ocorreram durante o período de observação. Os pacientes foram informados da pesquisa, bem como de seus objetivos e procedimentos a serem realizados, e questionados sobre seu interesse de participação. A confirmação de interesse e disponibilidade de parte livre e esclarecida dos 15 indivíduos selecionados foi homologada por meio de um termo de consentimento e esclarecimentos de questões possivelmente não abordadas por esse termo.

          Para a mensuração da dor foi utilizada a escala visual analógica, que consiste de uma linha horizontal de dez centímetros, não numerada, indicando em uma extremidade a marcação de "ausência de dor", e na outra, "pior dor imaginável". Após a marcação realizada pelo paciente foi conferido o valor numérico de zero a dez e a expressão de leve (0-2,5), moderada (2,6-7,4) ou severa (7,5-10) correspondente à marcação.

          O índice de massa corporal foi obtido através da massa corporal referida em quilogramas dividido pela estatura referida em metros ao quadrado. O índice de massa corporal é uma medida indireta da condição nutricional e composição corporal, é considerado um método simples e preciso, indicado pela Organização Mundial de Saúde para estudos populacionais. Quando o índice esteve entre 25 e 29,9 Kg/m² o sujeito foi classificado no estado de sobrepeso; quando o índice esteve maior de 30 Kg/m² o sujeito foi considerado obeso (11).

          A relação cintura-quadril foi obtida pela divisão do perímetro da cintura pelo perímetro do quadril, essa relação tem sido utilizada com freqüência como indicador de deposição de gordura na região central. O perímetro da cintura foi obtido na região de menor perímetro do abdome, imediatamente acima da prega umbilical. O perímetro do quadril foi obtido ao nível dos pontos trocantéricos direito e esquerdo, abordando a parte mais proeminente da região glútea. A medida foi realizada com o uso de uma fita métrica paralelamente ao solo, estando o indivíduo em pé. A relação superior a 0,95 para homens e 0,85 cm para mulheres pode representar um risco aumentado para a saúde (12).

          Os dados obtidos na aplicação do questionário internacional de atividade física foram somados para cada domínio de atividade (trabalho, transporte, casa, lazer e tempo sentado). O valor de cada domínio foi somado e assim calculado o tempo de toda atividade física realizada em minutos por semana. Os sujeitos que relataram não trabalhar, não tiveram seus dados considerados nesta esfera. Para determinar a porcentagem da amostra que realizava atividade física dentro da recomendação atual foi calculada a somatória de pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada. Para atividade física vigorosa o critério foi de pelo menos 60 minutos por semana.

          O tempo dedicado a responder o questionário foi em torno de 35 minutos. Os dados coletados foram analisados com a utilização da estatística descritiva, através do software Microsoft® Excel 2002. As variáveis quantitativas foram descritas e tabuladas em função de sua porcentagem, média e desvio padrão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

          A média de idade observada na amostra foi de 45 anos, sendo a idade mínima de 18 anos e a máxima de 62 anos, com desvio padrão de 15,7. A faixa etária média está ligeiramente acima dos estudos de Alexandre (13), pois segundo esse autor a freqüência de dor na coluna vertebral é maior na faixa dos vinte aos quarenta anos, comprometendo a população em idade economicamente ativa.

          Quando a exposição a determinado fator é persistente, o risco de adquirir a doença cresce com tal acúmulo, sendo assim, o agravo que lhe é associado cresce à medida que a idade avança. É possível observar a tendência do grupo estudado em desenvolver doenças crônicas em razão da amostra dispor de 11 indivíduos (73%) com idade superior a quarenta anos. Com o aumento da idade houve um aumento da prevalência de dor na coluna, o que é sustentado por várias pesquisas (14). A faixa etária de maior risco foi de 50 a 59 anos, o que está de acordo com a literatura (15).

          O risco aumentado nesta faixa de idade pode dever-se ao fato de que os processos degenerativos podem estar bem avançados, trazendo como conseqüência o desgaste das estruturas ósteo-musculares e orgânicas (16). Além disso, a maioria das pessoas nesta faixa encontra-se, apesar de próximos da aposentadoria, ainda trabalhando.

          Quanto ao gênero, 10 sujeitos da amostra (67%) eram mulheres e destas 8 (80%) estão em situação ativa de trabalho. Esses dados estão de acordo com os estudos de Rocha (17), que afirma serem as mulheres mais suscetíveis à dor nas costas devido à "dupla jornada de trabalho", pois a inserção da mulher no mercado de trabalho não a liberou completamente dos cuidados da casa e dos filhos, o que resulta em desgaste físico adicional. Além disso, as exigências da tarefa para as mulheres trabalhadoras são consideradas fatores de risco para o desenvolvimento de dores nas costas. A mulher tem menor número de fibras musculares e menor capacidade de converter glicogênio em energia, além de outras diferenças antropométricas em relação ao homem que implicam em uma área de função reduzida (18).

          Ser casado esteve associado à dor na coluna, 10 indivíduos (67%), o que está de acordo com a pesquisa de Lee et al (19). Provavelmente, situação conjugal não seja um fator de risco, mas um marcador de risco, podendo estar relacionada, por exemplo, a maiores exposições ergonômicas no trabalho/domicílio ou a características comportamentais de risco.

          Os dados desse estudo revelam que 8 (53%) dos entrevistados não concluíram o ensino médio, indicando um baixo nível de escolaridade. Estes dados estão de acordo com os estudos de Sampaio (20). Segundo esse autor os trabalhadores com um nível de escolaridade mais elevado se encontram mais informados quanto aos seus direitos, portanto menos dispostos a aceitar um trabalho em condições insalubres. A escolaridade determina a inserção do trabalhador no processo produtivo e são as diferenças nesse processo que resultam em maior ou menor número de danos à saúde do trabalhador.

          A respeito da ocupação ou situação atual dos indivíduos entrevistados, 12 (80%) estão ativos e 3 (20%) aposentados sem qualquer vínculo empregatício. De acordo com Monteiro et al (21), os acidentes de trabalho tipo lombalgias acometem mais profissionais que se enquadram na menor faixa salarial, subentendendo serem eles os menos preparados profissionalmente. Os dados encontrados nesse estudo discordam dos encontrados por Monteiro et al (21), pois a faixa salarial com maior freqüência foi a de cinco a oito salários mínimos (40%).

          À carreira profissional apontam-se como fatores de risco a insegurança no trabalho e a inadequação da tarefa às capacidades do trabalhador (habilidades e conhecimentos inadequados para o cargo). Esse atributo não foi observado nesse estudo, já que 10 (67%) dos respondentes afirmaram ter conhecimento suficiente ou adequado para o cargo que ocupa.

          Quando perguntado sobre sua satisfação no trabalho, 11 (73%) responderam estarem satisfeitos com seu trabalho. Esses dados estão de acordo com os estudos de Lebouef & Kyvic (6), que afirmam não existir uma nítida relação causal entre insatisfação laboral e dor nas costas.

          Em relação à jornada de trabalho acentuada, 8 sujeitos (53%) da amostra apresentaram carga horária semanal superior a quarenta horas. Atualmente, as empresas necessitam competir tanto no mercado nacional como internacional, desta forma buscam grande produtividade a menor custo, o que impõem muitas vezes, a ritmos de trabalho intensos, jornadas prolongadas, ambientes ergonomicamente inadequados, entre outros fatores (22).

          Situação que não condiz à considerada como ideal. O indivíduo que inclui intervalos apropriados para descanso em um ambiente de trabalho organizado; terá sempre maior probabilidade de desempenhar suas atividades com eficiência, sem prejuízo da sua saúde e uma baixa incidência de enfermidades músculo-esqueléticas (23).

          De acordo com Antunes et al (24), o estresse emocional pode conduzir a um estado de tensão muscular, prejudicando a irrigação do disco intervertebral e podendo representar uma determinante de dor. Da mesma forma, a dor crônica está intimamente associada à depressão, ansiedade e preocupações excessivas com doenças (25).

          Os dados encontrados nesse estudo referente à depressão não tiveram a mesma magnitude, mas 40% dos entrevistados realizaram tratamento especializado para depressão. A associação entre dor na coluna e ansiedade parece ter sido encontrada, pois 8 indivíduos (53%) da amostra consideram-se ansiosos.

A tabela 1 exibe a distribuição dos indivíduos conforme seu estado de ansiedade.

Tabela I Distribuição da amostra quanto à ansiedade

Considera-se ansioso (a)

Freqüência

Porcentagem

Sim

8

53%

Não

6

40%

Às vezes

1

7%

Total

15

100%

 

          Porém, a associação entre dor na coluna e preocupação excessiva com doenças não foi demonstrada nesse estudo, já que apenas 3 entrevistados (20%) relataram ter preocupação excessiva com doenças, não estando de acordo Mcabee (25).

          Quando perguntado aos indivíduos a respeito de sua opinião sobre o estado geral de sua saúde, a maior freqüência, 7 sujeitos (47%), afirmaram que consideram sua saúde em estado regular. Segundo Jersild (26) este dado pode ser uma indicação de nível de autoconceito baixo.

          Os trabalhos de Segovia et al (27) mostraram que a percepção do nível de saúde está associada à adoção de comportamentos de risco, e as evidências indicam que a prevalência de comportamentos de risco é maior entre sujeitos com percepção negativa de saúde (aqueles que consideram sua saúde atual como regular ou ruim).

          Em relação à intensidade da dor, conferiram dor de intensidade moderada 13 indivíduos (87%), seguida de 2 indivíduos (13%) que conferiram ter dor severa. Quanto aos segmentos dolorosos da coluna, 80% dos entrevistados referiram ter dores lombares, estando de acordo com os estudos de Deyo & Philips (2), segundo esses autores em alguma fase da vida de 70 a 85% de todas as pessoas do mundo sofreram um episódio de dor lombar.

          Segundo Teixeira (28), cerca de dez milhões de brasileiros ficam incapacitados por causa desta morbidade, a lombalgia é a causa limitante mais comum entre pessoas na faixa dos quarenta anos e considerada a segunda causa de absenteísmo no mundo.

          Quanto à localização da dor, 8 indivíduos (53%) relataram que sua dor irradia para os membros inferiores, esse valor está abaixo das estatísticas da Organização Mundial de Saúde (8) as quais indicam que 70% da população mundial sofre de dor ciática ou lombociatalgia.

          Quando perguntado se a dor nas costas restringia a vida social do entrevistado, 9 (60%) afirmaram deixar de realizar atividades fora de sua casa, ou mesmo sair de sua residência devido a dor na coluna.

A tabela 2 apresenta a distribuição da amostra segundo a influência da dor na coluna sobre a vida íntima do indivíduo.

Tabela II Distribuição da amostra segundo a influência da dor na vida íntima

Influência da dor na vida íntima

Freqüência

Porcentagem

Não tem vida íntima com parceiro

6

40%

Sim

7

47%

Não

2

13%

Total

15

100%

 

          À abordagem feita por Selye (29) sobre "eustress" que seria o stress saudável ou agradável decorrente, por exemplo, de um beijo apaixonado. Como referido na tabela 2, a maior freqüência de respondentes revelou que a dor influencia negativamente a vida íntima com seu parceiro, também é alta a freqüência dos que não possuem vida íntima. Essa situação contribui para o aparecimento do "distress" que seria o estress desagradável ou patogênico. Segundo Andrade Filho (30), a libido diminuída é uma característica da dor crônica.

          Um caráter observado na amostra foi o número acentuado de sujeitos com dificuldade para dormir devido à dor na coluna, 12 indivíduos (80%), afirmaram ter dificuldade para dormir devido à dor na coluna, 10 (67%) relataram dormir menos de 8 horas diárias. Este tipo de dor contínua e por longo período de tempo afeta muitos aspectos da vida, podendo levar a distúrbios de sono, entre outras perturbações (31).

A tabela a seguir, apresenta a distribuição da amostra segundo nível de cansaço atual.

Tabela III Distribuição da amostra segundo nível de cansaço atual

Cansaço

Freqüência

Porcentagem

Não há

5

33%

Pouco cansado

4

27%

Muito cansado

6

40%

Total

15

100%

          Possivelmente devido ao menor número de horas de sono e a carga horária de trabalho excessivo, a maior freqüência da amostra, 6 indivíduos (40%), conferiu sentir-se muito cansado ultimamente. Segundo Andrade Filho (30), a dor crônica caracteriza-se, dentre outros sinais, pela necessidade de um período maior de repouso.

          Quanto ao uso de medicamentos 14 (93%) entrevistados revelaram fazer uso de analgésicos, mas apenas 3 (20%) relataram alívio completo da dor pelo uso dessa medicação. Knoplich (10), afirma que os medicamentos convencionais têm-se revelado pouco eficaz no controle da dor na coluna. Essas informações sugerem adoção de novas estratégias de tratamento e a abordagem do problema por uma visão holística.

A tabela a seguir, apresenta a distribuição dos indivíduos na presença de dor ao permanecer na postura em pé por tempo prolongado.

Tabela IV Distribuição da amostra referente à dor na postura em pé por tempo prolongado

Dor na postura em pé

Freqüência

Porcentagem

Sim

12

80%

Não

3

20%

Total

15

100%

          Como foi constatado nesse estudo a maior freqüência, 12 indivíduos (80%), refere dor ao permanecer na postura em pé por tempo prolongado. Segundo Alexandre (13) a postura em pé adotada por tempo prolongado induz a fadiga, especialmente com curvatura do tronco pode ser considerado fator de sobrecarga física.

A tabela abaixo se refere à distribuição da amostra na presença de dor ao permanecer na posição sentado por tempo prolongado.

Tabela V Distribuição referente à dor na posição sentado por tempo prolongado

Dor na posição sentada

Freqüência

Porcentagem

Sim

11

73%

Não

4

27%

Total

15

100%

          Em síntese, o problema de dores nas costas está relacionado aos trabalhos estáticos, que pode ser mais responsável pelo aparecimento da fadiga do que os movimentos realizados no trabalho (13). A dor também está presente na posição sentada por tempo prolongado, observando que 11 indivíduos (73%) sentem dor ao permanecer nessa posição.

          Quanto à realização de movimentos bruscos, Cato (32) afirma que a não adoção de princípios básicos da mecânica corporal na execução de tarefas simples como arrumação de cama, limpeza pode levar à fadiga e estiramento da musculatura da coluna causando dores. Os dados obtidos concordam com os de Cato, pois a maior freqüência, 14 indivíduos (93%), afirmou ter dores na coluna ao realizar movimentos bruscos e 8 indivíduos (53%) relataram ter dor durante atividades no lar, como lavar louça e passar roupa. A manifestação de dor durante a realização destas tarefas pode estar associada ao somatório de todos os eventos indesejáveis durante o dia útil dessa população, já que a maioria tem carga horária acentuada de trabalho fora do ambiente domiciliar.

          No índice de massa corporal encontrou-se uma média de 27,47 Kg/m² e desvio padrão de 4,56. Os dados revelaram que a amostra é classificada como obesa 6 indivíduos (40%), seguido por estado de sobrepeso, 5 indivíduos (33%). Embora para medida de um indivíduo o índice de massa corporal possa expressar maior concentração de massa muscular e não de excesso de gordura, em estudos populacionais geralmente uma alta prevalência de sobrepeso significa obesidade, pois a massa corporal magra é pouco variável (33). Desta forma, se feita a soma dos indivíduos obesos com os indivíduos com sobrepeso, totalizará 11 indivíduos que podem ser considerados obesos, representando 73% da amostra.

          A prevalência de dor na coluna aumenta linearmente com o aumento do índice de massa corporal, o que está de acordo com alguns estudos. A "carga extra" que a estrutura ósteo-mio-articular é obrigada a sustentar pode alterar o equilíbrio biomecânico do corpo, justificando o risco aumentado de dor nas costas em pessoas com sobrepeso e obesidade (34).

          A relação cintura-quadril apresentou média de 0,88cm, com valor mínimo de 0,76cm e máximo de 1,04cm em toda a amostra. Se relacionarmos os dados conforme o gênero, veremos que 9 (60 %) mulheres, apresentaram um risco aumentado para desenvolver doenças crônico-degenerativas, enquanto que nos homens apenas 1 (7%) apresentou risco aumentado para saúde (11).

          Através da aplicação do questionário internacional de atividade física foi constatado que 11 indivíduos (73%) da amostra se enquadram na recomendação geral de que todo indivíduo deve realizar pelo menos 30 minutos de atividade física, na maior parte dos dias, se possível todos, de intensidade no mínimo moderada, de forma contínua ou acumulada (34). O resultados está muito acima do esperado para essa média de idade, que seria de apenas 25% segundo Blair et al (36).

          A prática de atividade física de intensidade vigorosa apresentou uma freqüência menor, 6 indivíduos (40%) acumulam 60 minutos semanais de atividade vigorosa. Esse resultado está acima do encontrado por Blair et al (36), pois segundo esse autor apenas 15% das pessoas na faixa dos 40 a 60 anos realizam 60 minutos acumulados durante a semana de atividade física vigorosa.

          O nível de atividade física não apresentou associação com dor na coluna vertebral, discordando de alguns estudos que associam indivíduos mais ativos no lazer a índices reduzidos de morbidade (37). No entanto, o instrumento utilizado nesta pesquisa (questionário internacional de atividade física, versão 6, formato longo) mede as esferas da atividade física individual habitual (trabalho, transporte, casa, lazer e tempo sentado). Supõe-se que as atividades de lazer sejam fatores de proteção enquanto as atividades ocupacionais, fatores de risco para as dores nas costas, o que pode ter anulado a associação no presente estudo.

          A utilização destes dados de forma isolada permite avaliar o caráter multifatorial como causa das algias de coluna vertebral, entre os fatores podem ser apontados: sexo feminino, idade avançada, escolaridade baixa, ansiedade, nível de autoconceito baixo, índice de massa corporal elevado, relação cintura-quadril elevada, jornada de trabalho acentuada e adoção de posturas estáticas por tempo prolongado.

CONCLUSÃO

          Foi possível observar na população em estudo a existência de riscos associados, tanto dentro da mesma variável como em seu conjunto, observando-se em um mesmo sujeito a existência de um somatório de eventos indesejáveis atuando no seu desequilíbrio físico-mental.

          Um dado preocupante reflete o alto índice de mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos com manifestações de problema na coluna. Cabe ainda ressaltar que o aumento da idade é fator de risco para dor na coluna vertebral, devendo assim, haver uma redução gradual da exposição a cargas ergonômicas e adequá-las a capacidade e peculiaridade física.

          Houve incidência maior em pessoas com baixo nível de escolaridade, mesmo assim, tornou-se difícil estabelecer uma correlação direta de dor na coluna com as variáveis em estudo. O efeito da baixa escolaridade sobre a dor na coluna é mediado pela maior exposição a cargas ergonômicas, tanto no domicílio quanto no trabalho.

          O estresse emocional pode conduzir a um estado de tensão muscular, prejudicando a irrigação do disco intervertebral e podendo representar uma determinante de dor. Desta forma, a dor pode estar intimamente associada à ansiedade.

          A percepção negativa do estado de saúde sugere a adoção de um maior número de comportamentos de risco. Devido a grande procura por medicamentos analgésicos e a pouca eficácia dessa terapêutica, fica evidente a adoção de novas estratégias de tratamento e a abordagem do problema por uma visão holística.

          A jornada de trabalho acentuada, assim como a permanência em posturas estáticas por tempo prolongado se mostraram como fatores de risco. As empresas buscam grande produtividade a menor custo, o que acaba impondo a exclusão de intervalos apropriados para descanso e ambientes ergonomicamente inadequados. Por não proporcionar as condições ideais para o indivíduo realizar suas atividades com eficiência, esses fatores conferem fadiga e aumento da incidência de enfermidades músculo-esqueléticas.

          A lombalgia e a lombociatalgia foram as causas limitantes mais comuns encontradas neste estudo. Este tipo de dor contínua e por longo período de tempo afeta muitos aspectos da vida, podendo levar a distúrbios de sono, cansaço, diminuição da libido, entre outros fatores que evidenciam um período maior de repouso.

          A prevalência de dor na coluna aumenta conforme o aumento do índice de massa corporal. A "carga extra" que a estrutura ósteo-mio-articular é obrigada a sustentar pode alterar o equilíbrio biomecânico do corpo, justificando o risco aumentado de dor nas costas em pessoas com sobrepeso e obesas. A maior parcela das mulheres apresentou valor elevado na relação cintura-quadril, expondo-se a um risco aumentado para desenvolver doenças crônico-degenerativas.

          Verificamos que os fatores de risco que afetam a pessoa com dor na coluna indicam diversidades e complexidades que se colocam como verdadeiro desafio profissional, necessitando de novos estudos, entre eles, os que envolvem a saúde em idade precoce, para que de forma antecipada internalizem-se hábitos de cuidados à saúde.

          Faz-se necessário que o contexto social do indivíduo e suas reais necessidades sejam consideradas, já que muitas vezes sua história de vida não é investigada por estudos de ações contínuas que visam o bem-estar do indivíduo.

          Portanto, é necessário que o futuro profissional desenvolva uma atitude voltada a noção de inter-relação, ou seja, que supere uma visão de prevenção e reabilitação como opostas. Da mesma forma, a ligação da doença com pressuposto social permite incorporar aspectos não biológicos no processo saúde/doença.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

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10-KNOPLICH, J. Viva bem com a coluna que você tem . São Paulo: Ibrasa, 1987.

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37-FREIRE, M. O efeito do condicionamento físico pela caminhada, na dor lombar crônica . São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, 2000.


Autor: Cleon Foletto Ferreira - cleonferreira@hotmail.com

Cleon Foletto Ferreira(1), Luís Henrique Telles da Rosa (2)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Fisiolinks 84

http://i1236.photobucket.com/albums/ff443/chakalat/fisiolinks.gif

A fisioterapia pode ser  administrada em consultórios, clínicas, centros de reabilitação, asilos, escolas, domicílios, clubes, academias, residências, hospitais, empresas, unidades básicas ou especializadas de saúde, pesquisas, entre outros, tanto por serviços públicos como privados.

Esses são alguns lugares que o fisioterapeuta pode atuar. Mas vamos aos Fisiolinks da semana:

Adesivo que ajuda recuperar musculatura

A utilização de eletroterapia e cinesioterapia na Luxação do ombro

Artirite reumatóide pode aumentar o risco de derrame

Reabilitação neurofuncional

Fisioterapia domiciliar aplicada ao idoso

Ventilação com pressão positiva e função renal

Será que a ginástica passiva funciona?

Fisioterapia no Futebol

Considerações a propósito do código de ética do Fisioterapeuta

Saiba tudo sobre lateralidade

Mitos e lendas da fisioterapia: andar na areia quem tem pé chato

Quiropraxia é do Fisioterapeuta

Como faz o teste de lasegue?

Importância do pré natal para a saude

Morte súbita aos atletas


Divirtam-se. clique e leia tudo Próxima semana os voltaremos! \o/

quinta-feira, 19 de abril de 2012

FisioImagens #23

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http://e.imguol.com/esporte/2011/09/28/27092011-vista-da-sala-de-fisioterapia-do-centro-do-goleiro-marcos-do-palmeiras-1317181723713_1920x1080.jpg

http://fotos.infoisinfo.com.br/physio_corpus_clinica_de_fisioterapia/3429097_378322

http://2.bp.blogspot.com/_uNk97dbB450/S_LcQSbAntI/AAAAAAAAAmA/mpIt5aRw_LU/s1600/Parte+dos+aparelhos+a+serem+utilizados+na+fisioterapia.jpg

http://www.unochapeco.edu.br/static/data/portal/galerias/imagens/original/1/575.JPG

http://fisioterapia.mauriciodenassau.edu.br/files/2009/04/dsc00404.jpg

http://www.ufjf.br/secom/files/2011/02/fisioterapia-1.jpg

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http://4.bp.blogspot.com/_kwZelmZNmmA/TKe5KC1e-dI/AAAAAAAACEE/OpwjGejl5uE/s1600/100_1911.JPG

http://www.cronos.med.br/siteflex/files/sala%20de%20fisioterapia_w-20110809-230528.jpg

Mais uma seção do FisioImagens, com lindas imagens de tratamentos e espaços de Fisioterapia espalhadas pelo Brasil?

Quer entrar nesse quadro?

Envie suas imagens para facafisioterapia@gmail.com

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dezenas de artigos sobre BOBATH!

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O Conceito Bobath, é um tipo especializado de Fisioterapia, constituído principalmente pelo trabalho do Neuropediatra Dr Karel Bobath e de Sua Esposa a Fisioterapeuta Berta Bobath, através de 25 anos de pesquisa. Na atualidade o tratamento por eles desenvolvido é bem conhecido e aceito em vários países (Bobath, 1990).

O princípio do Conceito Bobath é a inibição dos padrões reflexos anormais e a facilitação dos movimentos normais.

No Método Bobath, o paciente aprende a sensação do movimento, e não o movimento em si. O objetivo é facilitar o movimento motor e inibir movimentos e posturas anormais.

Os Cds Universitarios preparam um CD com CONTEÚDO exclusivo sobre esse método tão importante e difundido dentro da Fisioterapia.


O que é cervicalgia?

         A cervicalgia é uma dor referida na região da coluna perto da cabeça, normalmente é insidiosa e dificilmente aparece de forma súbita. Pode estar geralmente relacionada com movimentos bruscos do pescoço, permanência por um longo período em uma mesma posição, trauma ou esforço. As dores cervicais podem também estarem relacionadas com alterações em ATM (articulação temporo mandibular) 

SINTOMAS

       Um paciente com cervicalgia adquire um mecanismo de defesa apresentando diminuição de mobilidade, dor à palpação dos musculos cervicais, podendo irradiar para os membros superiores (braços)
As dores podem ser de intensidade leve, até grave, havendo também sintomas de cansaço na região posterior do pescoço. Nos braços apresentará além da dor alterações desensibilidade, fraqueza muscular e formigamento. Afraqueza muscular são apresentadas em casos mais graves, o adormecimento de dos braços pode ser contínua ou desencadade por algum fator

 

                                                                                              

    O paciente oide vir a apresentar cefaléias frequentimente mais pulsáteis e com intensidade variável. As cefaléias podem evoluir para quadros de enxaquecas apresentando transtornos visuais, fotosensibilidade (sensibilidade a luz), digestivos e psiquicos. Com mais predominância deste quadro em mulheres.

CAUSAS

  1. Origem traumática
  2. Origem ligamentares
  3. Origem a distância :  problemas relacionados com a ATM, relacionados com a região pélvica, mais precisamente, o sacro.
  4. Disfunções vicerais
  5. Origem infecciosa
  6. Origem tumoral
  7. Origem dentária: más-oclusões, infecções dentárias e gengivais, podendo causar alterações no aparelho mastigatório , podendo gerar consequências na região alta da cervical, sendo possivel através de todo esse desiquilíbrio o corpo sofrer altrerações descendentes com quadros de lombociatalgia.  

                                                                             

TRATAMENTO

      Após uma avaliação minuciosa é elaborado o quadro lesional determinando o início da lesão. Através da determinação do quadro lesional é formulado o tratamento que pode incluir liberações fasciais, mobilizações, alongamentos, manipulações (Thrust), stretching, mobilização neural.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Tratamento de Micricorrente em úlcera

Quando falamos em eletroterapia, várias são as possibilidades que nos vem à mente devido a alta gama de estudos desenvolvidos nas diversas categorias utilizadas nesta modalidade terapêutica. Isto é uma vantagem para o paciente e uma ferramenta a mais para o terapeuta. Por outro lado, quando procuramos estudos realizados com o que, nos Estados Unidos, é chamado de "wave of the future", nos deparamos com uma lacuna muito importante a ser preenchida. A microcorrente é um adjuvante extremamente eficaz em diversas patologias, com superior vantagens quando pensamos em terapia minimamente invasiva, pois ela é sensorialmente menos invasiva que as correntes terapêuticas.A microcorrente é uma corrente polarizada que utiliza baixíssima amperagem, sendo mesmo sub-sensorial, que possui diversas respostas fisiológicas que gerarão adaptações benéficas aos tecidos lesados. Ela pode ser oferecida em aparelhos especializados ou através de um novíssimo adesivo (MCT Patch®) que provê uma carga de 41 microamperes com uma capacidade de tratamento de até 500 hs(2,4,5).

Em 1985, Becker já falava sobre a "corrente de lesão" derivada da incapacidade da condução da corrente biológica em tecidos lesados. Esta corrente ocorre em picos (trilhões) e nano (bilhões) da amplitude de amperes. Existe um montante considerável de literatura científica sugerindo que a cicatrização, crescimento e regeneração em todos os organismos vivos são mediados por um fluxo endógeno de corrente elétrica. Em tecidos lesados, entretanto, uma "interrupção elétrica" toma lugar, ocorrendo um aumento na resistência ao fluxo elétrico (bioimpedância elétrica), o que impede a resolução de problemas crônicos e da dor. Para solucionar este dilema, foi desenvolvido o MCT Patch® que oferta microcorrentes exógenas (milionésimo de um ampere) para o local lesado para normalizar o fluxo de corrente endógena. A bioimpedância dos tecidos lesados é então reduzida, restabelecendo a bioeletricidade para reestabilizar a homeostase local(2,4,5).

A terapia com estimulação por microcorrente pode, então, ser vista como uma catalisadora nos processos iniciais e de sustentação em numerosas reações químicas e elétricas que ocorrem no processo cicatricial. A microcorrente acelera em até 500% a produção do Trifosfato de adenosina (ATP), sendo essa molécula a grande responsável pela síntese protéica e regeneração tecidual devido a sua participação em todos os processos energéticos da célula. Enquanto o TENS (estimulação elétrica nervosa transcutânea) é usado no controle da dor, a microcorrente, devido a sua proximidade com a corrente biológica, realiza um trabalho a nível celular. Em teoria, o tecido saudável é o resultado do fluxo direto de correntes elétricas pelo nosso corpo. O balanço elétrico é alterado quando o corpo é lesado em um determinado local, fazendo com que a corrente elétrica mude seu curso. O uso de Micro-correntes sobre a lesão tem o objetivo de normalizar esse fluxo, objetivando o reparo do tecido. Dados demonstram que o ATP nas células ajuda a promover a síntese protéica e cicatrização. A necessidade de ATP durante o trauma nos tecidos resulta num decréscimo da produção de sódio e um aumento no lixo metabólico (H+), que é sentido como dor. O uso de Micro-corrente na área lesada ajuda na normalização da corrente elétrica biológica, aumentando a produção de ATP, resultando numa maior cicatrização e recuperação bem como minimizando a percepção de dor(2,4,5).

Resumão sobre TENS


Definida como estimulação elétrica transcutânea, é um recurso da eletroterapia utilizado pela fisioterapia para alívio da dor em processos agudos ou crônicos. Entretanto, devemos considerar que a dor é a conseqüência de um processo inflamatório, portanto a terapia com o tens deve ser associado a outros recursos anti-inflamatórios,ou ainda desajustes articulares, onde a mobilização articular (cinésioterapia) é imprescindível.

O aparelho

O aparelho é composto por uma fonte de voltagem, eletrodos e cabos interconectores.


Energia

O tens é uma corrente despolarizada. Os geradores da Tens recebem e modificam correntes alternadas para criação de sua energia primária e produção de formas típicas de ondas da Tens.

Eletrodos

Existem dois tipos de eletrodos no mercado:

1) Os siliconizado carbonados que tem uma duração média de seis meses e podem ser limpos com álcool a 70%
2) E os descartáveis, que devem ser utilizados e descartados, uma vez que não podem ser limpos.

O tamanho do eletrodo deve ser compatível com a área a ser tratada. Assim, áreas maiores devem receber eletrodos maiores, áreas menores, eletrodos menores. Para facilitar a passagem da Tens a área a ser tratada de vê estar limpa (sem pêlos, e oleosidade).Os eletrodos devem ser fixados de forma a ficarem bem aderidos a pele.

Posicionamento dos eletrodos:

Existem várias maneiras de se posicionar os eletrodos. O posicionamento é fundamental para a obtenção do êxito no tratamento.

Dentre as maneiras mais utilizadas podemos citar:

1)-Unilateral: Consiste na colocação de um eletrodo em um dos ladosde uma articulação.
2)-Bilateral: Consiste na colocação de dois eletrodos de um mesmo canal em um único lado das costa, do abdome, do braço, etc.
3)-Cruzada: Consiste na utilização de 2 canais, dispondo os eletrodos de modo cruzado, obtendo uma elevada densidade de corrente na região da dor.
4)- Proximal: Consiste na colocação dos eletrodos na parte superior da lesão. Esta forma de aplicação é bastante eficaz no tratamento de lesões medulares e nervos periféricos.
5)- Distal: Consiste na colocação de pelo menos um eletrodo na região da dor para garantir que seja percebida a parestesia em toda área afetada pela dor.

Indicações

Dores crônicas em geral; dores pós- operatória; dores lombares(ciatalgia), cervicais; bursites;
As principais aplicações da TENS são nos tratamentos de:

Contra-indicações

A tens não deve ser aplicada sobre:
As regiões das carótidas;
portadores de marcapasso;
na região abdominal de mulheres grávidas;
pálpebras;
dores não diagnosticadas;

A utilização da TENS em crianças, epiléticos e idosos deve ser acompanhada por um Fisioterapeuta.

Existem 4 formas de utilização da Tens:

TENS CONVENCIONAL
É obtido através do ajuste de:
- Largura do pulso (Width) entre 50 e 80 segundos;
-Freqüência de repetição do pulso (Rate) dentro da faixa que vai de 50 e 100 Hz;
- Intensidade de corrente suficiente para gerar uma sensação agradável, sem contração muscular.
- O tempo de aplicação pode variar de 5 minutos a 1 hora, sendo considerado suficiente o tempo de 20 minutos.

TENS COM PULSOS MODULADOS
É obtido através do ajuste de:
- Largura do pulso (Width) entre 100 e 180 segundos;
- Modulação dos pulsos (V. BURST) em 0,5Hz;
- Freqüência de repetição do pulso (Rate) em 70 a 100 Hz;
- Intensidade de corrente dentro do limite considerado tolerável, gerando contrações musculares na freqüência da corrente de modulação.
- A aplicação deve ser de no minimo 20 minutos, podendo chegar a 1hora.

TENS PARA ACUPUNTURA
É obtido através do ajuste de:
-Largura do pulso (Width) entre 150 e 300 segundos;
- Freqüência de repetição do pulso (Rate) em 14 Hz;
- Intensidade de corrente dentro do limite considerado tolerável, gerando contrações musculares intensa.
- A aplicação deve ser de no mínimo 30 minutos e no máximo 1 hora.

TENS BREVE E INTENSA
É obtido através do ajuste de:
- Largura do pulso (Width) entre 150 e 300 segundos;
-Freqüência de repetição do pulso (Rate) entre 100 e 150Hz;
- Intensidade de corrente dentro do limite considerado tolerável; gerando, dependendo da região de aplicação, contrações musculares intensas.
- O tempo de analgesia é em torno de 15 minutos e o tempo de aplicação de 20 minutos.

"O tens não é um tratamento curativo, é um paliativo para a dor".

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Sedentarismo aumenta risco de quedas em idosas


A falta de atividade física afeta diretamente as reações metabólicas, neuromotoras e funcionais de mulheres idosas. É o que afirma um estudo feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em parceria com o Celafiscs (Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul). 

Para chegar aos resultados, os pesquisadores acompanharam cerca de 300 mulheres em duas faixas de idade: entre 50 e 60 anos e acima de 70 anos, todas em fase sedentária. Ao serem submetidas a um teste de equilíbrio, as participantes mais novas conseguiram manter-se equilibradas por aproximadamente 24 segundos. Já as mulheres com mais de 70 anos mantiveram o equilíbrio por apenas 13,40 segundos, o que aponta uma queda de 78,8% na capacidade de equilíbrio. 

Segundo a pesquisa, o sedentarismo na terceira idade também compromete a agilidade e o reflexo das idosas. Ao serem expostas a exercícios de locomoção e sequencias repetitivas, as participantes com 50 e 59 anos apresentaram melhores resultados do que as participantes acima dos 70 anos, apresentando um grau de dificuldade 24% maior para agilidade e uma queda de 11,46% nos reflexos. 

Outro fator importante foi a perda de massa muscular por falta de exercício. O índice de massa corpórea (IMC) caiu em 5,47% de uma faixa etária para outra. Em exercício para medir a força exercida pelos membros superiores, a perda foi de 7,4%. O teste de impulsão para constatar força de membros inferiores mostrou que a perda foi de 28,43%. 

De acordo com os pesquisadores, os resultados mostram que o envelhecimento causa um grande impacto em mulheres que não são fisicamente ativas. Sendo assim, é importante que tanto homens quanto mulheres acima dos 50 anos iniciem um programa de exercícios. 

Sete exercícios mais indicados para quem passou dos 60 anos

"Quem chega à terceira idade, independentemente de sua condição física, deve buscar exercícios que melhorem a parte aeróbica, a flexibilidade, o fortalecimento dos grandes complexos musculares e o equilíbrio do corpo", diz a educadora física Francini Vilela, coordenadora do Centro de Estudos do Envelhecimento, da Unifesp. Para aqueles que tiveram uma rotina sedentária durante a vida e querem começar a fazer exercícios quando idosos, o aconselhado é não acelerar muito. "Quem chega à terceira idade deve buscar exercícios que melhorem a parte aeróbica, a flexibilidade, o fortalecimento dos grandes complexos musculares e o equilíbrio" 

Natação

Nadar faz bem para esse grupo de pessoas porque queima calorias, trabalha intensamente a parte aeróbica e fortalece os músculos, além de proteger as articulações, ajudando a tratar doenças como artrite e osteoartrite. "A natação, e também a hidroginástica, são exercícios muito bons para trabalhar a circulação sanguínea e a respiração", diz o fisiologista do esporte Paulo Correia, da Unifesp. 

Corrida

Correr traz muitos benefícios para o equilíbrio e para a respiração. Correr no mínimo 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, melhora os níveis de batimentos cardíacos e intensifica a respiração. De acordo com Paulo Correia, é importante fazer trabalhos para aumentar a flexibilidade antes da corrida. Se as articulações, principalmente as da cintura, dos ombros, joelhos e a do dedão do pé não estiverem preparadas para uma atividade física que envolve impacto podem acontecer lesões ou torções no local. 

Bicicleta

A bicicleta continua sendo um bom método de exercício para quem já tem mais idade. Ela trabalha a parte aeróbica, o equilíbrio e o fortalecimento dos músculos dos quadris, das coxas e da panturrilha. "Esses músculos são importantes para a manutenção de uma rotina saudável do idoso", diz o fisiologista. 

Musculação na academia

Busque exercícios que fortaleçam as pernas e os músculos da cintura. Porém, o mais importante é dar mais enfoque à repetição do que ao peso, já que uma carga maior pode causar dores nos músculos e prejudicar as articulações. De acordo com Francini, além do fortalecimento dos principais grupos musculares, exercícios feitos na academia favorecem a respiração e a circulação sanguínea. 

Ioga e pilates

Os benefícios dessas duas modalidades na terceira idade vão desde o alívio das dores provenientes da idade até o aumento da autoestima. Essas duas atividade têm efeitos bastante benéficos especificamente para os idosos, aliviando dores comuns com a chegada da idade, melhorando a percepção dos movimentos, fortalecendo a musculatura, dando maior equilíbrio, aumentando a flexibilidade e diminuindo o estresse.  

Caminhada

Ela é considerada o exercício mais prático de inserir na rotina e o mais eficiente para as pessoas que chegaram à terceira idade sedentárias e que não estão acostumadas com exercícios. "Caminhar durante uma hora todos os dias da semana diminui as chances de morte por doenças cardiovasculares em 30%", diz Francini.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Especialista esclarece mitos comuns entre a fisioterapia e a dor


Os mitos que envolvem as dores não são poucos. Será que as mulheres lidam melhor com as dores do que os homens? Quem tem dor, vai ter que conviver com ela para sempre? Quem sente dor não pode se exercitar? Foi para esclarecer essas e outras dúvidas que o fisioterapeuta Artur Padão esclarece uma lista com os 12 mitos mais comuns que afligem pacientes em todo o mundo. Ele atua no Centro Multidisciplinar da Dor, uma das clínicas especializadas no tratamento multidisciplinar da dor mais respeitadas do País, localizada em Botafogo, no Rio de Janeiro.

A dor significa apenas que existe uma lesão no corpo
A dor aguda chama nossa atenção para alguma lesão em nosso corpo. Já no caso da dor crônica, o sistema nervoso entra em curto circuito e mantém a dor persistente. 

Ignorar a dor vai fazer a dor ir embora
Ignorar a dor significa mudar o foco para outra coisa. Se voltar o foco para a dor, a dor volta, principalmente nos casos crônicos. O fisioterapeuta pode durante um tratamento, aumentar o foco na função e minimizar o foco na dor. 

As mulheres lidam melhor com a dor do que os homens
Apesar das pesquisas sempre mostrarem diferenças entre as mulheres e os homens, relacionando a intensidade e a tolerância a dor, a maneira como cada pessoa lida com a dor é totalmente individual. 

Conviver com a dor é para sempre
Algumas pessoas provavelmente vão sentir dor para o resto da vida. Isso depende de vários fatores, principalmente do impacto que a dor teve. A dor quando se torna crônica, acaba se misturando e se confundindo a incapacidade e ao sofrimento. Existe controle e existe tratamento. 

Pessoas com dor só podem ser tratadas com indicação médica
A fisioterapia está, cada vez mais, ganhando espaço e mostrando que é uma opção segura e eficaz para o controle da dor. Pacientes devem procurar diretamente um fisioterapeuta, porém é muito importante que sempre exista uma integração com outros profissionais como médicos e psicólogos. É importante lembrar que a melhor opção de tratamento para a dor crônica é o tratamento interdisciplinar.

Devo ficar em repouso se estiver com dor 
O repouso pode ser um amigo mas, também, um grande inimigo. Mesmo nos casos de dor aguda, o repouso deve ser mínimo para se proteger e cuidar da região machucada. Rapidamente devemos voltar as nossas atividades diárias. A dor crônica, muitas vezes, é tratada como dor aguda, o que acaba mantendo os pacientes em repouso. Quando isso acontece, pode ser gerado o encurtamento dos músculos, o endurecimento das articulações, a redução do condicionamento e o aumento da ansiedade com a piora da dor.

A fisioterapia trata a dor com TENS, ultra som, gelo e ondas curtas
Essas modalidades, consideradas passivas, podem ajudar a aliviar a dor, porém apenas num curto espaço de tempo. Muitos pacientes acabam cronificando a dor mantendo este tipo de tratamento por meses e até mesmo anos. A fisioterapia é a modalidade de tratamento que possui o maior número de técnicas para o controle da dor, isso sem falar dos diversos tipos de exercícios, técnicas cognitivo comportamentais e a educação em dor. O tratamento da dor crônica deve ser ativo, interdisciplinar e a longo prazo. 

Se eu me exercitar, a dor e os meus problemas vão piorar
O exercício na dor aguda na maioria das vezes é contra-indicado, pois pode piorar a lesão e a aumentar a dor. Entretanto, nos casos de dor crônica, o exercício ajuda, na maioria das vezes, a controlar a dor e a aumentar a força, a flexibilidade e o condicionamento físico. O fisioterapeuta precisa saber o melhor momento para indicar exercícios para o paciente, respeitando limites e capacidades. 

Ter dor há muito tempo é normal e todo mundo tem
Sentir dor o tempo todo não é normal e é um fato que precisa ser avaliado. A dor aguda protege, mas a dor crônica castiga e leva a limitações das atividades diárias. 

A dor está na cabeça da pessoa
A dor está na cabeça sim. Percebemos que dói lá dentro da cabeça, no cérebro. Mas, quando a dor é persistente, podemos realmente mudar nosso humor e sermos mais negativos. A dor pode enlouquecer uma pessoa, a ponto de  torná-la diferente. Algumas, em casos mais extremos, chegam a pensar em suicídio. 

Quanto mais velho eu fico mais dor eu tenho que sentir
Nem todo mundo que envelhece sente dor. Mas, quanto mais velhos ficamos, mais nossos músculos e articulações apresentam problemas, além de outras doenças, que também causam dor, serem mais frequentes. 

O fisioterapeuta vai curar a minha dor
Não existe cura para a dor. Precisamos da dor para proteger o corpo, mas não precisamos sentir dor o tempo todo. A cura chama a atenção para a solução do problema. Porém, a dor pode ter significados e necessidades diferentes para as pessoas, tornando-a algo incurável.

Encurtamento dos músculos posteriores



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Encurtamento dos músculos posteriores

A ação dos músculos espinhais posteriores empurra e comprime a coluna lombar para trás, levando a pelve à anteversão, com tendência à horizontalização do sacro. A fim de realizar um exame detalhado, é conveniente suprimir a lordose lombar, colocando a tensão nos músculos posteriores.

Para verificação do encurtamento dos músculos posteriores devemos:

1) Colocar o indivíduo inclinado para frente, com os pés juntos, suprimindo a lordose lombar, uma vez que a região lombar se coloca em cifose. É importante que os joelhos estejam bem estendidos.

2) Enquanto o indivíduo fica inclinado à frente, pode-se observar o encurtamento dos músculos posteriores dos músculos inferiores (músculos curtos do pé, posteriores do joelho, isquiotibiais e glúteos) e também a liberdade deixados por esses músculos no quadril durante a flexão anterior. Esses encurtamentos se observam em uma abertura do ângulo tibiotarsico.

3) Mas essa posição não permite, em alguns casos, definir o encurtamento dos músculos da cadeia posterior no seu conjunto. Para isso, é necessário solicitar ao indivíduo inclinado para frente que realinhe as regiões lombar, escapular e cervical.

Os indivíduos com músculos posteriores pouco encurtados, ao ficar nessa posição, apresentarão o ângulo coxofemural fechado, ou seja, de aproximadamente 90 graus, ficando a coluna quase na horizontal.

Ao contrário, um indivíduo com os músculos posteriores muito encurtados mostrará dificuldade em manter uma angulação próxima aos 90 graus, e seus músculos serão mais curtos no tronco com tendência à verticalização.

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