quinta-feira, 31 de maio de 2012

FisioImagens #26

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Esse FisioImagens é especial. Tem apenas imagens do atendimento da Fisioterapia nos Esportes.

Vamos das Imagens:






















quarta-feira, 30 de maio de 2012

Estudo dos sintomas osteomusculares em fisioterapeutas. Estudo de caso

    Atualmente questões relacionadas ao processo saúde doença dos trabalhadores têm sido amplamente discutidas por diversos setores da sociedade. As mudanças no processo e organização do trabalho, o mercado altamente competitivo e a busca por maior produtividade têm levado trabalhadores a vivenciarem, cada vez mais, situações de adoecimento no trabalho, modificando substancialmente o perfil do trabalhador e seus determinantes de morbidade (VIANA e cols., 2003).

    Segundo Coury e cols., (1999) distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (D.O.R.T) são nomes de caráter genérico que procuram caracterizar um conjunto de disfunções e de lesões que possuem fatores comuns em suas origens. Desse modo, têm sido extensamente discutidos os fatores que podem participar da promoção e do agravamento dessas disfunções e lesões. Persiste a controvérsia sobre esses fatores, os quais têm sido agrupados em quatro grandes grupos: fatores individuais que incluem a idade, gênero, hereditariedade, disfunções da tireóide, dos rins, alcoolismo, gravidez, fatores hormonais, disfunções ginecológicas, doenças crônicas como artrite, diabetes e práticas de esportes; fatores psicossociais, incluindo satisfação no trabalho, relação com chefia, relacionamento com colegas de trabalho, personalidade, clima da empresa, autonomia, expectativas individuais, dentre outros; fatores físicos e biomecânicos, incluindo postura, uso de força, repetição de ferramentas e equipamentos, layout do ambiente etc; e fatores organizacionais envolvendo pausa, ritmo, sazonalidade da produção, dentre outros.


    Como relatado por Rodrigo e cols., (2003), as posturas extremas somadas ao trabalho pesado e ao manuseio de peso representam situações de sobrecarga músculo-esquelético e têm sido associadas às lesões sobretudo na coluna vertebral.

    Dentre os profissionais da área da saúde que apresentam sintomas osteomusculares estão os fisioterapeutas, cuja atividade implica em exigências dos sistemas musculoesqueléticos, como os movimentos repetitivos, manutenção de posturas estáticas, levantamento de peso por tempo prolongado, e movimentos e posturas inadequados para a coluna vertebral.

    Segundo Peres (2002) citam como atividades relacionadas aos comprometimentos da coluna lombar em fisioterapeutas atos mobilizar, curvar-se, segurar, transportar, empurrar e puxar os pacientes. Assim, o fato dos fisioterapeutas trabalharem em centros de reabilitação com pacientes altamente dependentes e de sobrecarga física, induz uma efetiva participação dessa classe profissional em um grupo de alto risco de comprometimento músculo-esquelético desde o início da sua carreira profissional.

    Apesar de a fisioterapia ser uma profissão cujo objetivo maior é promover a saúde do indivíduo, na grande maioria dos ambientes de trabalho, as condições ergonômicas são precárias o que proporciona execução de tarefas de trabalho que induzem danos a sua própria condição física no atendimento dos seus pacientes (PERES, 2002).

    O objetivo desse estudo foi verificar a presença de sintomas osteomusculares nos fisioterapeutas de um Núcleo de Reabilitação do Sistema Único de Saúde, e assim, propor alternativas para ajudar na melhoria das condições profissionais e conseqüentemente contribuir para uma melhora da qualidade de vida no trabalho.

Materiais e métodos

    O objetivo primário desse trabalho foi verificar a presença de sintomas musculoesqueléticos em fisioterapeutas de uma clínica do Sistema Único de Saúde. O Objetivo secundário consistiu em identificar possíveis fatores de risco através de uma avaliação ergonômica e correlacionar com a potencial ocorrência dos sintomas nestes profissionais.

    A amostra do estudo consistiu de quatro fisioterapeutas (n=4) que trabalhavam em um Núcleo de Reabilitação em Fisioterapia na cidade de Diamantina (MG). Foi entregue um consentimento livre e esclarecido, e após a coleta dos mesmos deu-se início o registro dos dados. A coleta de dados constou de uma entrevista semi-estrutura, que questionava aspectos como idade, gênero, prática de atividade física regular, carteira assinada tempo de trabalho, carga horária, férias, lazer, área de atuação dentro da fisioterapia, e os principais eventos posturais dentro da rotina de trabalho; e aplicação do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), validado para a língua portuguesa por Pinheiro e cols., (2002). É um questionário que avalia problemas como dor, desconforto ou dormência nos últimos 12 meses, algum problema nos últimos 7 dias e se durante os últimos 12 meses o indivíduo teve que evitar suas atividades normais por causa de problemas osteomusculares, sendo que para cada quesito o fisioterapeuta deveria assinalar a região corporal envolvida,

    Os dados coletados foram registrados em porcentagem e analisados através de gráficos.

Resultados

    Da amostra prevista, quatro fisioterapeutas (100%) foram incluídas no estudo. Todos os participantes eram do sexo feminino (100%), sendo a média de idade de 31 anos (DP=9,29). O índice de massa corporal (IMC) teve média de 23,14 Kg/m2 (DP=3,72), sendo que 25% estavam na categoria de maior risco à saúde (> 25 Kg/m2). Dentre os indivíduos 100% relataram praticar alguma atividade de lazer, sendo que 100% relataram não praticar atividade física regular.

    O tempo de trabalho na profissão variou de 1 a 21 anos. Em relação às áreas de atuação dentro da fisioterapia encontrou-se: ortopedia (100%), neurologia (75%) e outras (25%). A carga horária total teve média de 11,5 horas diárias, variando de 10 a 13 horas, sendo que a carga horária real no núcleo é de 5 horas e a prescrita de 4 horas. No que se refere ao vínculo empregatício 100% era informal.

    Encontrou-se também que tais profissionais não realizavam pausa regular, e que 25% delas faziam uso de medicamentos analgésicos. 25 % já haviam se afastado do trabalho (INSS) por problemas osteomusculares, sendo que 100% das fisioterapeutas relataram que os sintomas vêm se exacerbando com a prática clínica, contudo, 100% informaram não realizar auto-prevenção quanto às lesões. Foram citados também outros distúrbios decorridos por causa do trabalho, são eles: fadiga física, nervosismo, varizes, irritabilidade, ansiedade e perda de interesse pelo trabalho.

    De acordo com a ocorrência de eventos posturais durante a rotina de trabalho (Tabela 1) 100% dos fisioterapeutas relataram: flexão parcial ou total de troco em pé, rotação do tronco em pé, postura dinâmica por tempo prolongado em pé, transferência de pacientes (leito, maca, cadeira de rodas, etc), utilização de técnicas manuais, sustentação de peso na postura em pé, deambulação assistida ao paciente e atividades com elevação dos membros superiores.

Tabela 1. Freqüência de eventos realizados durante a rotina de trabalho pelos fisioterapeutas (n=4)

    Os resultados do QNSO se encontram nos gráficos abaixo. As principais áreas de ocorrência foram: pescoço, ombros, coluna dorsal e lombar, e quadril. Sendo que cotovelos, antebraços, punhos, mãos, dedos, joelhos, tornozelos e pés não foram citados como regiões de distúrbios pelos fisioterapeutas.

    O Gráfico 1 mostra a porcentagem dos sintomas osteomusculares nos fisioterapeutas (n=4) em diferentes partes do corpo nos últimos 12 meses. Observou-se que 100% dos indivíduos citaram sintomas osteomusculares nas regiões de pescoço, coluna dorsal e lombar nos últimos 12 meses, diferente das outras partes do corpo que não atingiram 100% dos valores.

    No gráfico 2 pode-se perceber a presença de sintomas osteomusculares em relação aos últimos 7 dias. Pôde-se notar que a presença desses sintomas não chegou a 100% em nenhuma parte do corpo. Observou-se ainda que esses valores diminuíram em relação aos últimos 12 meses, sendo que os valores que permaneceram maiores em relação às outras partes corporais foram na coluna dorsal (50%) e lombar (50%).

    No gráfico 3 observa-se a porcentagem de abandono das atividades diárias dos fisioterapeutas (n=4) decorrentes de sintomas osteomusculares em diferentes partes do corpo nos últimos 12 meses. Notou-se que as regiões corporais que levaram ao abandono foram pescoço (50%), ombros (50%), e coluna lombar (25%).

Discussão

    Os resultados obtidos nesta pesquisa revelaram alta incidência de distúrbios posturais nos fisioterapeutas. Observou-se que a carga horária de trabalho diária teve significativa representação pela jornada de trabalho que variou de 10 a 13 horas. Como relataram D'Ávila e cols., (2005) fisioterapeutas que trabalham mais de 8 horas diárias em contato direto com o paciente apresentam maior probabilidade de desenvolver desordens musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho (DMRT). Segundo Peres (2002) isso refletiria como uma sobrecarga física e expõe o profissional a riscos de saúde, pois muitas vezes o paciente depende única e exclusivamente da presença e atenção direta desse profissional.

    Dentre os movimentos realizados durante a rotina de trabalho dos fisioterapeutas, os mais freqüentes foram: flexão parcial ou total do tronco em pé; rotação do tronco em pé; postura dinâmica por tempo prolongado em pé; transferência de pacientes (leito, maca, cadeira de rodas, etc.); utilização de técnicas manuais; sustentação de peso na postura em pé e deambulação assistida ao paciente. Trabalhar em uma mesma posição durante muito tempo; trabalhar em posições curvadas e levantar ou transferir pacientes são fatores de risco comumente relacionados à dor lombar entre os fisioterapeutas (D'Ávila e cols., 2005). Segundo Peres (2002) distúrbios nos membros superiores estariam relacionados aos esforços no manuseio de pacientes pesados e dependentes físicos, e, além disso, a fisioterapia utiliza-se de recursos terapêuticos como a eletroterapia, cinesioterapia, mecanoterapia, hidroterapia, termoterapia, e principalmente recursos terapêuticos manuais com movimentos repetitivos dos membros superiores (Peres, 2002). Salienta-se que tais técnicas fisioterapêuticas em si não representariam riscos à saúde do fisioterapeuta, mas sim quando associadas às más posturas poderiam representar fatores de risco relevantes.

    Os resultados obtidos no QNSO relataram uma alta incidência de sintomas osteomusculares nos fisioterapeutas do estudo. A porcentagem desses sintomas nesses profissionais em diferentes partes do corpo nos últimos 12 meses demonstrou a presença de distúrbios na coluna vertebral cervical (75%), dorsal (75%) e lombar (75%), já em relação ao relato desses sintomas nos últimos 7 dias, as regiões mais citadas foram a coluna lombar (50%) e dorsal (50%). Estes achados são reforçados por Peres (2002) de que há um consenso na literatura onde um número cada vez maior de fisioterapeutas vêm sendo acometidos por dores nas costas. Porém, a dor na região da coluna vertebral varia de localização conforme o tipo de atividade desenvolvida, sendo as lesões na coluna vertebral associadas às dores nas costas, tanto em região cervical, lombar como dorsal.

    A porcentagem de abandono das atividades diárias dos fisioterapeutas decorrente de sintomas osteomusculares nos últimos 12 meses esteve relacionada às dores nos ombros (50%), pescoço (50%) e lombar (25%). Sugerimos duas hipóteses para tentar elucidar o fato de que o abandono das atividades diárias se deu pela dor no ombro e pescoço, e não pelas dores nas costas, que foram citadas anteriormente como sintomas prevalentes nos últimos 12 meses e 7 dias. Primeiro, os fisioterapeutas estariam trabalhando mesmo com as dores nas costas e segundo que a intensidade da dor no pescoço e ombros poderia ser superiores às dores nas costas, levando assim ao abandono das atividades.

    Segundo D'Ávila e cols. (2005), a prática de atividade física regular mostrou estar relacionada à diminuição dos casos de DMRT, afirmando que alguns autores sugerem que exercícios físicos ajustam o nível de condicionamento e força muscular às demandas das atividades ocupacionais dos fisioterapeutas. A partir dessa premissa, poder-se-ia influir que o aparecimento dos distúrbios osteomusculares em nosso estudo poderia estar correlacionado à inatividade física, que correspondeu a 100%.

Conclusão

    As atividades nessa clínica são de alto risco para o surgimento de distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Desse modo, algumas recomendações relativas aos fatores de risco para os fisioterapeutas como praticar atividade física regularmente, evitar jornadas de trabalho prolongado, prever pausas durante os atendimentos, dar orientações posturais, realizar alongamentos durantes as pausas e promover a melhor adequação da organização da forma de trabalho poderiam minimizar e/ou prevenir novos sintomas osteomusculares nos fisioterapeutas.

Referências bibliográficas

  • Coury, H. J. G e cols. Indivíduos portadores de L.E.R acometidos há 5 anos ou mais: um estudo da evolução da lesão. Rev Bras Fisiot, v. 3, n. 2, 1999.

  • D'Ávila, S e cols. Prevalência de desordens musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho em fisioterapeutas da rede hospital SUS-BH, Rev Bras Fisiot, v. 9, n. 2, 2005.

  • Rodrigues, F. L e cols. Comparação entre o duplo flexímetro e o eletrogoniômetro durante o movimento de flexão anterior da coluna lombar. Rev Bras Fisiot, v. 7, n. 3, 2003.

  • Viana, S. O e cols. Caracterização e análise da satisfação da clientela atendida pela fisioterapia do serviço de atenção à saúde do trabalhador/UFMG. . Rev Bras Fisiot, v. 7, n. 3, 2003.

  • Peres, C. P. A. Estudo das sobrecargas posturais em fisioterapeutas: uma abordagem biomecânica ocupacional. Programa de Pós Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina. Santa Catarina, 2002.

  • Pinheiro, F. A e cols. Validação do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares como medida de morbidade. Rev Saúde Pública, v. 36, n. 3, 2002.



*Acadêmicos de Fisioterapia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, UFVJM

**Professor assistente do Departamento de Fisioterapia da UFVJM

(Brasil)

Hércules Ribeiro Leite*

Ana Paula Nogueira Nunes*

José Márcio Mucida Couto*

Débora Alves de Ávila Bueno*

Marcus Alcântara**

herculesfisio@hotmail.com

Fortalecimento da Musculatura Respiratória através da Corrente Russa em paciente com DPOC


A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é descrita pelos processos patológicos do transporte mucociliar prejudicado, com estreitamento do lúmem brônquico e destruição do parênquima pulmonar.Tais alterações farão com que haja colabamento das vias aéreas periféricas durante a expiração, prendendo e retendo volume inspiratório, aumentando assim a CRF.1

É atualmente a quarta ou quinta principal causa de morte no mundo, entre aqueles com mais ou menos idade de 45 anos.2

A prevalência da DPOC no Brasil aponta em 5% da população geral e 15% dos tabagistas (aproximadamente 7.500.000 doentes); sendo também apontada como a terceira causa de internação e a primeira como causa de óbitos dentre as doenças respiratórias.3

Em pacientes DPOC o condicionamento físico vem sendo parte obrigatória em seu tratamento. Apresentam intolerância ao exercício de intensidade variável relacionada à disfunção muscular esquelética. Neste sentido a EENM (Eletroestimulação Neuromuscular) tem sido estudada como uma nova forma de tratamento em programas de reabilitação pulmonar. Os benefícios deste tipo de terapia podem ser evidentes em pacientes com dispnéia importante, incapazes de submeter em mesmo a atividades extremamente leves, podendo assim aliviar os efeitos da disfunção muscular.4

Pacientes com DPOC apresentam a função pulmonar alterada, disfunção da musculatura esquelética periférica e respiratória representando um fator adicional na dispnéia.5 Esses fatores acarretam intolerância ao exercício, progressiva limitação das AVDs, isolamento social, ansiedade, depressão dentre outros fatores. É significante o planejamento do tratamento de minimizar ou corrigir as disfunções causadas por limitações progressiva. 6

A eletroestimulação é muito utilizada na fisioterapia, e a corrente russa se mostra eficaz para o ganho crescente de força muscular.Isto se deve ao fato de que a estimulação elétrica neuromuscular poderia produzir ganhos de força de 30 a 40% maiores do que aqueles produzidos pela contração voluntária máxima do músculo, tanto em sujeitos sadios quanto naqueles que sofrem vários tipos de distúrbio onde estejam presentes fraqueza e atrofia muscular.7

As medidas de PImáx e PEmáx são utilizadas para mensurar a força muscular respiratória, através da manuvacuometria8 .Estes valores auxiliam na avaliação da capacidade de o indivíduo respirar espontaneamente, no treinamento da musculatura respiratória, e portanto na reabilitação da função ventilatória, sendo esta uma medida quantitativa, não invasiva e simples de ser realizada.9,10 O valor normal da força muscular inspiratória em um adulto jovem está compreendida na faixa de -90 a -120 cmH2O, enquanto a força muscular expiratória está compreendida na faixa de +100 a +150 cmH2O.11

Em ambos os sexos, a partir dos 20 anos de idade ocorre um decréscimo anual de 0,5 cmH2O. Os conceitos de fraqueza, fadiga e falência muscular respiratória podem ser correlacionados e diagnosticados com a mensuração criteriosa e sistemática das pressões inspiratórias e expiratórias máximas desde que esses valores sejam observados continuamente na clínica do paciente.11

O presente estudo tem por objetivo relatar a eficácia da Corrente Russa (Corrente de kotz) no fortalecimento da musculatura respiratória em paciente pneumopata crônico

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi avaliado a força muscular respiratória de um paciente do sexo masculino, 66 anos, 1,66 m de altura, 65 kg, IMC = 23.5,com diagnóstico de DPOC leve ( grau I),comprovado através de espirometria, ex-tabagista, taquipnéico, sem antecedentes familiares de doença pulmonar e/ou cardíaca, não apresentando doenças associadas. Foi encaminhado ao Setor de Fisioterapia Respiratória do Núcleo de Estudos e Atendimento Fisioterápico (NEAF) do Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP).

Previamente à avaliação e tratamento, o paciente foi informado sobre os detalhes da pesquisa, ausência de riscos e possíveis benefícios, e após os esclarecimentos, assinou o termo de conscentimento de acordo com a resolução 196/96 do CNS/MS autorizando sua participação no presente estudo. O paciente foi orientado a suspender a reabilitação pulmonar convencional durante o período do tratamento que realizou-se entre os meses de maio e agosto de 2005.

Após a avaliação o paciente foi submetido a mensuração da força muscular respiratória através das medidas da Pressão Inspiratória Máxima (Pimáx) e Pressão Expiratória Máxima (Pemáx) utilizando o manuvacuômetro da marca GERAR.Utilizou-se um dispositivo de plástico rígido, que serviu de adaptador de bocais, no qual havia um pequeno orifício de 2 mm de diâmetro como válvula de alívio de pressão da cavidade oral, gerada exclusivamente por contração da musculatura da parede bucal.Um circuito flexível serviu de intermediário entre o manuvacuômetro e o dispositivo de plástico rígido e um clipe nasal foi uitlizado para evitar escape de ar durante a realização das medidas de Pimáx e Pemáx. Foram mensuradas ao início do tratamento, após a 10 ª, 20ª e 30ª sessão. Foi realizada com o paciente na posição sentada (90º), na qual foram coletadas 5 amostras da Pimax verificadas a partir do VRE e 5 amostras da Pemax verificadas a partir da CPT com uma pausa de 5 minutos entre elas onde foi considerada a maior medida.

O tratamento consistiu em 30 sessões de eletroestimulação com Corrente Russa (ENDOPHASYS – R) , constituída por 4 canais com 2 eletrodos cada, que foram posicionados sobre os pontos motores dos músculos transverso do abdomem e reto abdominal, com a utilização de gel hidrossolúvel (para uma melhor condutibilidade elétrica) e fixadas com fita adesiva, como descrito por Agne, Gaetan e Machado.12

Fig 1 a)- Posicionamento dos eletrodos Fig.1 b)- Posicionamento dos eletrodo

sobre os pontos motores em vista anterior sobre os pontos motores em vista lateral

As sessões foram realizadas com o paciente em decúbito dorsal (DD), iniciadas com verificação da FC e FR no membro superior esquerdo, e após o término de cada sessão de eletroestimulação eram verificadas novamente, não havendo alterações relevantes no decorrer do tratamento.

Os parâmetros utilizados foram 2500 Hz, com frequência de 50 Hz e ciclo ativo de 50 % com 15 minutos de eletroestimulação.

Tabela I – Valores dos ciclos on e off correspondentes ao nº de sessões.

Nº de Sessões

Ciclo on

Ciclo off

1º - 10º

9 "

27 "

11º - 20º

9 "

18 "

21º - 30º

9 "

9 "

Como mostrado na tabela acima (Tabela I),nas primeiras 10 sessões foi realizada uma preparação da musculatura do paciente para o treino de resistência, a partir da 11ª a 20ª sessão, foi realizada a transição do trabalho de força para resistência, da 20ª a 30ª , trabalho de força e resistência.

Ao término do tratamento, realizado semanalmente em um período de dez semanas, o paciente foi reavaliado.

Os dados foram analisados quantitativamente, demonstrando os resultados do caso relatado.

RESULTADOS

A análise dos resultados demonstra que houve incremento da PImáx variando de -45cmH2O para -60 cmH2O, o que corresponde a um aumento de 33% da força muscular inspiratória. Em relação a PEmáx, demonstra que houve um incremento da força muscular expiratória de 39% com uma PEmáx variando de 90 cmH2O para 125 cm H2O. (Grafico 1)

39%

Gráfico 1 – Valores da PImáx e PEmáx .

A manuvacuometria foi aplicada no início do tratamento tendo como resultado o valor de – 45 cmH2O para a PImáx e 90 cmH2O para a PEmáx; após a 10º sessão houve um aumento de PImáx para – 55cmH2O, porém não houve alteração de PEmáx; após a 20º sessão, não houve alteração da PImáx, porém houve incremento da PEmáx para 105 cmH2O; ao término do tratamento obteve-se como resultados um incremento de ambas, a PImáx para – 60 cmH2O e PEmáx para 125 cmH2O. A evolução da PImáx (Gráfico 2) e da PEmáx (Gráfico 3) podem ser visualizadas no gráficos a seguir.

Gráfico 2 – Evolução de PImáx

Gráfico 3 – Evolução de PEmáx

DISCUSSÃO

Pacientes DPOC possuem maior susceptibilidade à fadiga muscular, pois a musculatura abdominal se encontra debilitada. Sabendo-se que sua expiração é ativa e os músculos abdominais participam da mesma, essa musculatura foi escolhida para o fortalecimento com o intuito de melhorar a força e resistência da parede abdominal.11

Os músculos respiratórios são músculos esqueléticos, e como tal são morfo e funcionalmente semelhantes a outros músculos esqueléticos do corpo, portanto podem sofrer alterações e deficiências semelhantes. O enfraquecimento pode ocorrer devido a má nutrição, fadiga de treinamento ou mediante certas patologias, como no paciente DPOC onde a função desses músculos é afetada em decorrência do aumento do trabalho respiratório e da redução da capacidade em suportar a carga ventilatória aumentada.13

Pacientes com DPOC apresentam a função pulmonar alterada, disfunção da musculatura esquelética periférica e dispnéia. Esses fatores acarretam intolerância ao exercício, progressiva limitação das AVDs, isolamento social, ansiedade, depressão dentre outros fatores. É significante o planejamento do tratamento de minimizar ou corrigir as disfunções causadas por limitações progressiva.6

O treinamento muscular respiratório em indivíduos sedentários, atletas e pneumopatas tem sido objeto de interesse de vários pesquisadores preocupados com diversas alterações ocorridas no organismo desses pacientes, sobretudo com o enfraquecimento da força muscular respiratória. 14

A EENM é normalmente utilizada na reabilitação de pacientes com doenças neuromusculares e ortopédicas e, mais recentemente, tem sido utilizada na disfunção muscular esquelética. 4

De acordo com os nossos resultados, houve um incremento na força muscular respiratória através da EE com corrente de média freqüência, tanto na musculatura inspiratória com aumento de 33 % de PImáx, como na musculatura expiratória com aumento de 39 % de Pemáx.

A opção pela escolha da corrente de média freqüência foi baseada em pesquisa realizada com 17 voluntários do sexo feminino com média de idade de 21,5 anos, divididos em 3 grupos distintos, onde o grupo 1 foi estimulado com corrente de baixa freqüência (65 Hz), grupo 2, corrente de média frequência (2000 Hz modulada em 50 Hz) e um grupo 3, como controle.Todos os grupos foram tratados com 10 sessões com duração de 20 minutos cada, 3 vezes por semana. Em seus resultados foi comprovado que o protocolo de estimulação com a corrente de média freqüência, foi mais eficiente no aumento de força muscular. 15

Em relação a fadiga e a agradabilidade, a corrente de média freqüência é a mais adequada para ser utilizada, pois além de não promover fadiga muscular, é mais agradável quando comparada a corrente de baixa frequência. Ainda, em relação ao tempo de aplicação, se ultrapassassem o tempo de 20 minutos, a desagradabilidade e a fadiga ocorreriam tanto em média como em baixa freqüência, portanto em nosso estudo foi preconizado o tempo de aplicação de 15 minutos. 16

Nosso estudo utilizou somente a EE para o aumento da força muscular,pois pôde-se observar em estudos que tanto a EE quanto o tratamento convencional promoveram melhora significativa da performance dos atletas avaliados, porém a EE mostrou-se superior ao tratamento convencional.17 Achados semelhantes foram observados em outros estudos, nos quais a EE é capaz de produzir resultados mais eficazes que apenas exercícios isolados. 18, 19 Contudo, outros resultados demonstraram em que grupos estimulados associados ou não ao exercício, não há diferença significativa entre eles.E ainda reforçam essa idéia, ressaltando que a contração muscular por corrente elétrica não substitui satisfatoriamente a atividade voluntária. 20, 21

Realizaram um estudo com 3 pacientes DPOC na faixa etária de 21 a 70 anos onde estes eram submetidos a EE diafragmática transcutânea durante 45 dias de tratamento, sendo realizado 3 vezes por semana durante 30 minutos. Em seus resultados, os pacientes apresentaram uma evolução quanto a sua capacidade expiratória máxima, bem como alterações significativas em sua qualidade de vida. 22 Contudo, em outra pesquisa encontraram como resultados um aumento significativo nos valores da PImáx, no entanto não houve significância nos valores da PEmáx . 23

Enquanto que em nosso estudo foram encontrados um incremento tanto de Pimax como de Pemax.

CONCLUSÃO

Nestas condições experimentais aplicadas a um portador de DPOC, o protocolo de EENM proposto mostrou-se eficaz no incremento da PImáx e PEmáx. Embora tenha havido resultados satisfatórios neste estudo, outros mais necessitam ser desenvolvidos.

Uma importante questão permanece, isto é, como prolongar e conservar esta melhora na qualidade de vida desses pacientes. Portanto, abrem-se novas perspectivas em relação às estratégias para o recondicionamento muscular em pacientes com DPOC.

REFERÊNCIAS

1 IRWIN, Scot; TECKLIN, Jan Stephen. Fisioterapia Cardiopulmonar. 2ed . São Paulo: Manole,1994.

2 GOLD (Global Iniciative for Chronic Obstructive Lung Dicease). Publication number 2701. Abr. 2001.

3 BLANCARD, S.T. Pneumologia.1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

4 DOURADO, V.Z.; GODOY, I. .Recondicionamento muscular na DPOC : principais intervenções e novas tendências. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. v.10, n.4, p.331 -334, jul./ago. , 2004.

5 PÊGAS, J. et al. Manutenção dos Benefícios de um programa de Reabilitação Pulmonar em Pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos , p.63 , set.2004.

6 ZANCHET, R. C.; VIEGAS, C. A. A.; LIMA, T.: Efficacy of pulmonary rehabilitation: exercise capacity, respiratory muscle strenght and quality of life in patients with chronic obtructive pulmonary disease. Disponível em: http://www.journaldepneumologia.com.br/english/artigo­_detalhes.aps/id=108 Acesso em: 16 ago.2005.

7 VENERANDA, F. C. S.; SILVA, J. M; SILVESTRE, L. Q.; PEDREIRO, M. C. .Comparação entre a Eletroestimulação de Média Frequência (Corrente Russa) e Baixa Frequência no ganho de Força (Trofismo) Muscular. 2004.70 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Centro Universitário do Norte Paulista, São José do Rio Preto,2004.

8 ROQUEJANI, A. et al. O efeito do decúbito na medida da Pressão Inspiratória Máxima (PImáx) e da Pressão Expiratória Máxima (Pemáx ). Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, p. 115, set. 2004.

9 HERBST-RODRIGUES, K. et al .Comparação da PEmáx e PImáx na Capacidade Residual Funcional e Volume Residual em Adultos Normais. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, p. 125, set. 2004.

10 JOUKHADAR, E. et al. Avaliação da Força dos Músculos Inspiratórios e Expiratórios em indivíduos hemiparéticos Adultos Idosos e saudáveis .Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, p. 119, set. 2004.

11 AZEREDO, Carlos Alberto Caetano. Fisioterapia Respiratória Moderna. 4 ed .Manole, 2002

12 AGNE, J.E. ; GAETAN, C.B.; MACHADO, C.M. Eletrotermoterapia prática. São Paulo: Pancast, 2004.

13 SIMPSON,L.. Effect of Increased Abdominal Muscle Strength on Forced Vital Capacity and Forced Expiratory Volume.v.63, n. 3, Mar. 1983.

14 SAMPAIO, L.M.M. et al. Força muscular respiratória em pacientes asmáticos submetidos ao treinamento muscular respiratório e treinamento físico. Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo, v.9, n.2, p.43-48, jul./dez. 2002.

15 SOARES, A. V.; PAGLIOSA, F.; OLIVEIRA, G.O.. Estudo comparativo entre a estimulação elétrica neuromuscular de baixa e média freqüência para o incremento da força de preensão em indivíduos sadios não-treinados. Fisioterapia Brasil, v.3, n.6, p. 345-350, nov./dez. 2002.

16 PIRES, R. F.; GROSSO, D. B.. Correlação entre a fadiga subjetiva e objetiva na eletroestimulação neuromuscular. Fisioterapia Brasil, v. 3, n. 4, p. 216-222, jul./ago.2002.

17 EVANGELISTA, A. R. et al. Estudo Comparativo do uso da eletroestimulação na mulher associada com atividade física visando a melhora da performance muscular e redução do perímetro abdominal. Fisioterapia Brasil, v. 4 , n. 1 ,p. 49-59, jan./ fev. 2003.

18 ANDREWS, R. H. G. L . ; WILK, K. E. Reabilitação física das lesões.2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

19 GUIRRO, R.; NUNES, C. V.; DAVINI, R..Comparação dos efeitos de dois protocolos de estimulação elétrica neuromuscular sobre a força muscular isométrica do quadríceps. Revista de Fisioterapia da Universidade de São Paulo, v. 7, n ½. P. 10-15, jan./ dez., 2000.

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23 FORTI, E. M. P. et al. Eletroestimulação diafragmática transcutânea em indivíduos saudáveis. Fisioterapia Brasil, v.6, n.4, jul./ago.2005.


Autores:

Danathielle Atique Rei de Oliveira 1

Juliana Pinheiro Storti 1

Messias Moysés da Silva 1

Vanderley Brandão 1

René Mariano Raduam 2

Rui Vicente Lucato Junior 3

Késia Ferrari de Souza 4

1 Graduados em Fisioterapia no Centro Universitário do Norte Paulista

2 Docente especialista em Ortopedia e Traumatologia

3 Docente responsável pela disciplina de Metodologia Científica do Curso de Fisioterapia no Centro Universitário do Norte Paulista

4 Docente especialista em Cardiologia e Pneumologia

Artigo: Proposta de tratamento fisioterapêutico nas contusões musculares


1. INTRODUÇÃO


Contusão muscular é uma lesão traumática direta que corresponde a 60-70% das lesões esportivas devido ao contato físico havendo atrito e lesão dos tecidos subjacentes bem como rompimento de capilares, levando ao aparecimento de hematoma, equimose, evoluindo para um processo inflamatório agudo. Os esportes onde estão relatados maiores números de jogadores lesionados são o futebol, o basquete e o rugby, sendo que o futebol é o esporte com mais acometimento devido à quantidade de pessoas que o praticam (EITNET, 1989; EARL, 2002; MILNE, 2002).

Após a lesão são comuns os sinais e sintomas de dor localizada na realização de movimentos ativos e passivos ou até mesmo sem movimentação, formação de edema, equimose e hematoma devido a resultados de sangramento e limitação de movimento. Com isso, de acordo com a perda da função após a lesão, as contusões podem ser classificadas em leves, moderadas e graves/severas (EARL, 2002).

Durante o exame físico devem ser observados a presença de outras patologias associadas, alterações de volume, hiperemia, equimose e hematoma. Deve-se ter cuidado com o paciente devido à dor e a limitação de movimentação ativa e passiva, edema e aumento de temperatura local. Para fechar o diagnóstico, podem ser solicitados exames complementares se houver dificuldade durante a avaliação. Geralmente, a depender do grau da lesão o retorno às atividades varia de 13 a 21 dias sendo a patologia tratada corretamente (C.A.R., 2003).

O tratamento clínico para contusões é bastante simples, os medicamentos mais utilizados são os esteróides anabolizantes e os antiinflamatórios não esteróides. Ambos aliviam o quadro álgico e a redução da inflamação. Porém, eles podem causar inibição do processo de cicatrização e suprir o estímulo para remodelação celular num longo período de tempo retardando o retorno do atleta ao esporte (LARSON, 2002; HARMON, 2003).

Bom base em pesquisas científicas atuais, foi elaborado um protocolo de tratamento fisioterapêutico de acordo com as fases e com o grau de acometimento muscular. Para isso, foram estudados meios foto-termoterapêuticos e cinesioterápicos sendo adequados a todas as etapas do tratamento desde um atendimento imediato, pois vê-se a necessidade de intervenção fisioterapêutica desde os estágios iniciais para uma resolução mais rápida da patologia.

Como principais recursos fisioterapêuticos, são destacados a crioterapia associada à elevação e compressão, o laser, o ultra-som, os movimentos passivos, isométricos, ativos e intra-articulares, alongamentos, exercícios de cadeia cinética fechada e aberta, além dos exercícios resistidos.

O interesse de desenvolver esta temática coexistiu com o desejo de criar um protocolo fisioterapêutico que possibilitasse ao paciente uma melhor reabilitação quando comparados aos fármacos utilizados na cura da patologia em questão. Além de promover, em um tempo menor possível, a sua volta para as atividades laborais e de vida diária.

Este trabalho tem como principal objetivo mostrar a importância do tratamento fisioterapêutico na contusão muscular estando a mesma na fase aguda, subaguda e crônica. Com isso, este estudo científico foi elaborado com intuito de realizar uma conduta fisioterapêutica que ajudasse na melhora do quadro da contusão de maneira mais rápida e objetiva utilizando bibliografia especializada de várias partes do mundo.

Dentro deste panorama apresentado, foram analisadas a inter-relação existente entre as técnicas fisioterapêuticas e a evolução do quadro da contusão muscular em todas as fases de acometimento, assim como, a aplicação dos fármacos habitualmente utilizados para o tratamento do mesmo e suas contra-indicações. Toda essa discussão se fará a seguir.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 Conceito

Contusão muscular é uma lesão resultante de um trauma direto e compressivo sem que exista ferimento na pele, enquanto que os tecidos subjacentes sofrem um atrito subcutâneo com lesão deles e de vasos sanguíneos sendo que os mais freqüentemente lesados são vasos superficiais no tecido celular subcutâneo que levam a formação de equimoses e, por fim, quando a contusão rompe vasos de maior calibre ocorre à formação de hematomas (EITNET, 1989; LIANZA, 1995; KISNER, 1998; MILNE, 2002).

2.2 Incidência

Internacionalmente, as contusões compreendem aproximadamente 65% de todas as lesões esportivas. Em adição, a maioria das contusões não é relatada e nem devidamente tratadas (EARL, 2002). A musculatura mais envolvida é a do quadríceps seguida pela do gastrocnêmio devido a colisões diretas entre jogadores de equipes opostas (ROBERTS, 1998). Os esportes onde estão relatados maiores números de jogadores lesionados são o futebol, o basquete e o rugby sendo que o futebol é o esporte com o maior número de machucados devido à quantidade de pessoas que o praticam e não pelo próprio esporte (EITNER, 1989).

2.3 Fisiopatologia

O músculo esquelético constitui o maior tecido de massa no corpo, compreendendo cerca de 45% do peso total do corpo. Os músculos que são monoarticulares são localizados perto dos ossos e freqüentemente responsáveis pelo sustento corporal sendo os mais susceptíveis a contusões. Por outro lado, os músculos biarticulares, como o reto femoral, são mais superficiais e mais susceptíveis à tensão muscular (EARL, 2002).

Contusões são causadas por traumas durante o contado esportivo sem corte externo do músculo resultando em tecidos e células danificadas e sangramento profundo dentro ou entre os músculos. O resultado é a formação de tecido necrótico e hemorragia levando a inflamação. Pouco se sabe sobre a função e a importância do processo inflamatório no tratamento. Esse quadro pode resultar em dois tipos de lesões. O primeiro é o hematoma intermuscular com hemorragia na fáscia que é o mais propenso a causar equimose distal. O segundo é o hematoma intramuscular, uma lesão que se resolve mais lentamente e está associada com miosite ossificante e contratura (EARL, 2002; LARSON 2002).

O edema é causado por sangue que escapou dos capilares para o tecido intersticial. Dentro de poucas horas após a lesão, a presença de tecido necrótico e hematoma iniciam uma reação inflamatória. Desde o início do processo inflamatório a ação de macrófagos com fagocitose subseqüente de debridação necrótica e estimulação da produção de capilares são vitais no processo de regeneração muscular. Contudo, a inflamação invariavelmente causa edema que leva a uma anóxia e posteriormente à morte celular (EARL, 2002).

Embora a maioria dos estudos realizados até hoje demonstre que a extensão da resposta inflamatória é normalmente considerada excessiva para a regeneração muscular. Outros trabalhos colocam em julgamento está teoria através da observação de uma piora no quadro dos pacientes que utilizavam medicamentos antiinflamatórios (Op. Cit.).

2.4 Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas comuns de uma contusão são: dor localizada na realização de movimentos ativos e passivos ou até mesmo com o local sem movimento, ou seja, estático; formação de edema, equimose e hematoma devido a resultados de sangramento dentro ou entre os músculos e, por fim, limitação de movimento derivado de um aumento da sensibilidade muscular causada pela lesão, espasmo muscular, e pelo hematoma (LIANZA, 1995; ANDERSON; STRICKLAND, 2002; LARSON, 2002).

2.5 Classificação

De acordo com a perda de função após a lesão, as contusões podem ser classificadas em leves, moderadas e graves ou severas. Nas contusões leves ocorrem pouco edema e dor, com mobilidade articular quase normal apresentando alguma rigidez, mas não existe alteração na marcha. Nas contusões moderadas surgem edema moderado e dor difusa, a mobilidade articular é de 75%, a marcha é antálgica e o músculo, em geral, está em espasmo. Dando seqüência, nas contusões graves ou severas ocorre a instalação de edema rapidamente e pode ser extremo em decorrência da hemorragia, além disso, o quadro doloroso e espasmo muscular são mais intensos que os graus anteriores, a mobilidade articular é reduzida a 50% e a marcha é claudicante (MENEZES, 1983).

2.6 Exame físico

Freqüentemente, o exame físico é o meio mais importante de avaliação do paciente e também serve para descartar outras patologias. A área inspecionada não se deve limitar apenas a lesão e sim a zonas adjacentes para identificar outras possíveis lesões associadas. À inspeção, podem ser observados alterações de volume, hiperemia, equimoses e hematomas. À palpação, deve-se ter cuidado com o paciente devido à dor e a limitação de movimento ativo e passivo, edema e aumento de temperatura local. A marcha estará comprometida a depender do grau da contusão (EARL, 2002 C.A.R., 2003).

2.7 Diagnóstico

Se na história inicial e no exame físico trouxerem dúvidas deve ser solicitada uma radiografia da área traumatizada para ajudar a descartar uma fratura ou ossificações (LARSON, 2002). A ressonância magnética é usada como uma modalidade de escolha para a visualização de tecidos moles com o objetivo a estabelecer qual o grau da lesão e a localização do hematoma (ANDERSON; STRICKLAND, 2002). A ultra-sonografia é usada para estabelecer a localização da lesão e seu grau de comprometimento além de calcificações formadas pela evolução de deslocamentos de grandes e pequenos hematomas (LIANZA, 1995).

Uma contusão não ou tratada indevidamente pode levar a uma ossificação heterópica, a radiografia vai nos revelar lesões benignas como osteocondroma, osteomielite, miosite ossificante progressiva e lesões malignas como osteosarcoma, condrosarcoma, sinóvia da célula sarcoma. Sintomas diferenciais como febre, sensações de frio e suor noturno podem ajudar no diagnóstico diferencial (LARSON, 2002).

2.8 Prognóstico

O prognóstico de contusões musculares, para a maioria dos músculos, é excelente. Uma pesquisa feita em cima de dados sobre uma contusão de coxa relatou que a média do período de tempo em que o atleta ficava inabilitado eram 13 dias numa contusão leve, 19 dias para uma contusão moderada e 21 dias para uma contusão severa.

2.9 Tratamento clínico

O médico deverá realizar uma conduta com o objetivo de aliviar a dor ao máximo possível. Deve distinguir intensidade da dor podendo esta ser difícil, pois ela tente a ser subjetiva, portanto o tratamento e a terapia podem ser individualizados. Os medicamentos mais utilizados para o alívio do quadro álgico e redução da inflamação são:

- Esteróides anabolizantes: recentemente, o tratamento com corticóides ou única dose de anabólicos esteróides têm sido efetivo para a cura de contusão muscular, devido aos efeitos de inibidor da inflamação, principalmente quando associados ao gelo e antiinflamatórios; quando injetados no local da lesão promovem o alívio da dor, levando assim o atleta a retornar a jogar. Entretanto, eles não devem ser utilizados freqüentemente, pois eles são catabólicos e inibem o processo de cicatrização, além do que, o efeito de inibição da inflamação pode ser escasso no local do tecido muscular e, talvez, nos atletas que estão em fase aguda podem causar uma atrofia na área lesada; porém a função dos esteróides não está totalmente clara e requer futuras pesquisas (EARL, 2002; LARSON, 2002; HARMON, 2003);

- Antiinflamatórios não esteróides: são utilizados por suprirem a reação inflamatória inicial, pois inibem a produção de mediadores de prostaglandinas da dor, permitindo melhorar a performance num período precoce, entretanto pode suprir o estímulo para remodelação celular num longo período de tempo. São mais efetivos se usados por duas a seis semanas, dando alívio de dor e da inflamação, além de reduzir o edema, permitindo o rápido retorno ao movimento (EARL, 2002; LARSON, 2002).

2.10 Tratamento fisioterapêutico

Numa fase inicial (aguda) em que há hematoma, inflamação, necrose com miofibrilas danificadas e fagócitos, o objetivo do tratamento é minimizar a inflamação e controlar o quadro álgico, através da remoção do hematoma (EITNET, 1989; LARSON, 2002). Deve-se iniciar imediatamente, com a seguinte conduta:

- Repouso: para aliviar a dor musculoesquelética e promover a cicatrização é necessário repouso da parte afetada pelo processo inflamatório nas primeiras 24 horas. A área deverá ser repousada de atividades esportivas adicionais até que ela tenha sido recuperada, porém a imobilização completa poderá levar a aderências de fibrilas em desenvolvimento no tecido vizinho, enfraquecimento do tecido conectivo e alterações da cartilagem articular (LIANZA, 1995; KISNER, 1998; MILNE, 2002);

- Elevação: o membro lesado deve ser elevado fazendo com que ocorra uma redução na pressão hidrostática capilar e também uma redução na pressão de filtração capilar, favorecendo ainda o aumento do retorno venoso e linfático, estimulando a absorção do edema. A elevação pode tanto auxiliar na prevenção do aparecimento de edemas quanto na sua reabsorção (RODRIGUES, 1995; EITNET, 1989; MILNE, 2002; PRAY, 2002);

- Compressão: o efeito mecânico e fisiológico da compressão faz com que ocorra um aumento na pressão extravascular permitindo ou auxiliando na reabsorção do edema. A compressão não deve exceder 80% da força tênsil da bandagem quando esta for elástica. Deve-se considerar que a bandagem deve ser semi-rígida e não elástica, pois esta acompanha a distensão provocada pelo aumento do edema (RODRIGUES, 1995; MILNE, 2002; PRAY, 2002);

- Crioterapia: o uso do gelo para o tratamento das lesões agudas em atletas é preconizado pela maioria dos autores. Quando usado adequadamente diminui a quantidade de tecido lesado com a redução da hipóxia secundária; o edema é reduzido, pois com a crioterapia torna o ritmo das reações químicas mais lenta e inibe a liberação de histamina que é um vasodilatador aumentando o fluxo sanguíneo local; o espasmo muscular, a dor e o tempo de incapacidade também são minimizados devidos seu efeito na redução do metabolismo celular e na diminuição da condução nervosa pelos nervos periféricos (EITNER, 1989; KITCHEN, 1998; RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; ANDREWS, 2000; KNIGHT, 2001; LOW, 2001; STARKEY, 2001).

- Laser: quando usado com 3J de intensidade torna-se favorável devido ao efeito antiinflamatório que possui, já que o laser inibe a produção de prostaglandinas (que é um mecanismo similar à inibição produzida por outros antiinflamatórios). Com isto, decresce a potencialização de bradicinina e, por conseqüência, o limiar de excitabilidade dos receptores dolorosos tem sua manutenção favorecida. Há estimulação também da microcirculação, reduzindo assim o edema e o quadro álgico. Outro efeito que o laser apresenta é o da cicatrização, pois ele promove o aumento da produção de ATP, aumentando a velocidade mitótica das células, o que proporciona também melhor trofismo dos tecidos (KITCHEN, 1998; RODRIGUES, GUIMARÃES, 1998);

- Ultra-som: de forma atérmica ou pulsada a 20%, é indicada devido ao aumento da velocidade de cicatrização na fase inflamatória, já que ele aumenta a liberação de mastócitos, macrófagos e neutrófilos, influenciando nas suas atividades e levando a aceleração de reparo das lesões. Há também aumento da permeabilidade vascular aumentando a reabsorção do edema. Estudos demonstraram que a motilidade dos fibroblastos e a velocidade da angiogênese eram aumentadas quando expostas ao ultra-som, aumentando a quantidade de colágeno e sua deposição num padrão tridimensional, assemelhando-se à pele não lesada, favorecendo extensibilidade dos tecidos, que pode ser empregado de forma vantajosa incorporando-se exercícios de amplitude de movimento depois da sua aplicação. Quanto à freqüência, deve-se usar 1MHz (se a lesão for profunda, pois há maior absorção nesta freqüência) e 3MHz se a lesão for superficial. Sua intensidade para lesões agudas e para aumentar a velocidade de cicatrização deve ser igual ou inferior a 0,5W/cm2. A forma contínua neste caso é contra-indicada, pois nesta forma o ultra-som encontra-se na forma térmica, o que pode apresentar um efeito não desejável já que ocorre o aumento do metabolismo que é desfavorável na presente fase (KITCHEN, 1998; STARKEY, 2001);

- Movimentos passivos: devem ser iniciados no tratamento na fase aguda quando tolerado. Eles diminuem as complicações da imobilização, mantêm a integridade e mobilidade funcional e auxiliam no processo de cicatrização. Estes movimentos devem ser específicos para a estrutura envolvida evitando aderência anormais das fibrilas em desenvolvimento aos tecidos vizinhos e evitando futuro rompimento da cicatriz. A intensidade deverá ser leve devido a algia intensa do paciente e para não lesar novamente o tecido (KISNER, 1998);

- Exercícios isométricos: indicado para melhora a força muscular. Deve ser sabido que o seu efeito é mínimo com relação à resistência e à fadiga;

- Movimentos intra-articular passivos grau I e II: para manter as articulações com mobilização normal enquanto o músculo começa a cicatrizar e para alívio da dor (KISNER, 1998).

Na segunda fase do tratamento muscular, conhecida como fase de recuperação ou regeneração ou ainda subaguda o principal característica é a proliferação de células satélites e fibroblastos, seguidos da ação de síntese de proteínas. O principal objetivo desta fase é restauração da mobilidade ativa do músculo (EARL, 2002; LARSON 2002). A conduta consiste em:

- Compressão, elevação e gelo: com o mesmo objetivo anterior (EITNER, 1989; KITCHEN, 1998; RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; ANDREWS, 2000; KNIGHT, 2001; LOW, 2001; STARKEY, 2001; PRAY, 2002);

- Alongamentos leves de contração-relaxamento: essa técnica baseia-se no fato de que após uma contração pré-alongamento do músculo retraído o mesmo irá relaxar como resultado da inibição autogênica e assim será alongado mais facilmente. Os órgãos tendinosos de Golgi podem disparar e inibir a tensão ao músculo permitindo que ele seja alongado com maior facilidade sempre respeitando o limite do paciente (KISNER, 1998);

- Exercícios ativos: a fase subaguda é um período transitório durante o qual os exercícios ativos dentro da ADM livre de dor no tecido lesado podem ser iniciados e progredidos com cuidado, mantendo-os dentro de uma dose e freqüência, os sintomas de dor e edema diminuem a realização desses tipos de exercícios. Eles são utilizados para desenvolver controle dos movimentos além de manter a elasticidade e contratilidade fisiológica dos músculos promovendo a integridade óssea e articular (MILNE, 2002);

- Exercícios de cadeia cinética fechada: utilizados para impor carga inicial à região de modo controlado e para estimular a co-contração estabilizadora nos músculos, além de desenvolver a percepção e controle motor quando o paciente faz transferência de peso lateral ou ântero-posteriormente. Na medida que o paciente evolui pode-se diminuir a quantidade de proteção ou suporte e acrescentar resistência;

- Manter movimentos intra-articulares grau II: com o mesmo objetivo da primeira fase (KISNER, 1998);

- Ultra-som: de forma atérmica ou pulsada só que a 50% com o objetivo de relaxamento para otimizar amplitude de movimento (RODRIGUES; GUIMARÃES, 1998; KITCHEN, 1998; STARKEY, 2001).

Entrando na terceira fase do tratamento muscular sabe-se que a maturação ou remodelação é caracterizada por uma gradual recuperação das propriedades funcionais do músculo incluindo a recuperação de força tensionada do componente tecidual conectivo. O objetivo desta fase é continuar com a mobilização ativa que está restaurando a função total do músculo e da articulação. Exercícios progressivos com resistência são encorajados ao paciente (MILNE, 2002). A conduta se basearia em:

- Alongamento: dando flexibilidade ao músculo trabalhado e também fazendo parte de um aquecimento muscular

- Exercícios de cadeia aberta concêntrica e excêntrica: para ganho de força muscular;

- Exercícios resistidos: para aumentar força muscular, resistência à fadiga e para otimizar a potência muscular (KISNER, 1998);

- Propriocepção: deve ser iniciada depois de recuperada a amplitude de movimento articular, força, resistência, a flexibilidade muscular e após a redução do quadro álgico com o objetivo de promover segurança adequada ao músculo para que o atleta volte a desempenhar sua atividade esportiva (CORRIGAN, 1992).

3. METODOLOGIA

Este estudo foi de caráter retrospectivo e de revisão bibliográfica durante o período de Julho de 2003 a Agosto de 2004, nesse ínterim foram catalogados livros, artigos científicos da área em questão coletados no acervo da Biblioteca Jacinto Uchoa, Universidade Tiradentes – UNIT e aquisição por compra. O conteúdo teórico foi complementado por pesquisas em páginas de Internet que tratam do assunto, ligados a sociedades científicas, universidades e institutos de pesquisa priorizando-se artigos científicos internacionais e atualizados.

Foi elaborado um protocolo de tratamento fisioterapêutico de acordo com as fases e com o grau de acometimento muscular. Para isso, foram estudados meios foto-termoterapêuticos e cinesioterápicos sendo adequados a todas as etapas do tratamento desde um atendimento imediato, pois se vê a necessidade de intervenção fisioterapêutica desde os estágios iniciais para uma resolução mais rápida da patologia.

Como principais recursos fisioterapêuticos, são destacados a crioterapia associada à elevação e compressão, o laser, o ultra-som, os movimentos passivos, isométricos, ativos e intra-articulares, alongamentos, exercícios de cadeia cinética fechada e aberta, além dos exercícios resistidos.

4. DISCUSSÃO

Foi encontrado que as contusões compreendem cerca de 60-70% de todas as lesões desportivas. A musculatura mais envolvida foi a do quadríceps seguida do gastrocnêmio devido a colisões diretas entre jogadores que realizam esportes de contato. Dentre os esportes onde estão relatados os maiores números de jogadores lesionados são, em primeiro lugar, o futebol, seguido do basquete e do rugby.

O tratamento clínico mais utilizado para o tratamento das contusões consistiu na utilização de esteróides anabolizantes e antiinflamatórios não esteróides que possuem como objetivos efeitos inibidores da inflamação e controle do quadro álgico, mas não devem ser usados, pois os mesmos inibem a cicatrização e a remodelação celular podendo retardar a volta do atleta as suas atividades normais.

Estudos recentes vêm demonstrando que os recursos fisioterapêuticos além de controlar o quadro álgico e a inflamação permite uma melhor recuperação dos atletas em um período de tempo menor do que o realizado pelos fármacos. Por isso sendo indicados em todos os graus de acometimento.

5. CONCLUSÃO E SUGESTÕES

A prática de esportes muitas vezes leva o atleta a situações de alto estresse físico que podem favorecer o aparecimento de diversas lesões, dentre elas, a contusão muscular. Neste trabalho foi constatado que dependendo do esporte, o atleta tende a desenvolver este tipo de lesão e caso não seja tratada adequadamente pode levá-lo à ausência de torneios importantes.

Com isso, os recursos fisioterápicos se mostraram como um método eficiente para o tratamento das contusões musculares em desportistas quando comparados aos fármacos utilizados usualmente e ao tempo de retorno dos atletas à suas atividades evitando uma evolução mais severa do quadro e conseqüentemente perda do rendimento físico.

Este trabalho contribui para aumentar as informações sobre o tema abordado e diante do exposto, sugere-se a continuidade da pesquisa a partir da execução do protocolo proposto para confirmação de sua eficácia.

Faz-se necessário um estudo com grupo controle de pacientes, devidamente subdivididos, de forma aleatória, randomizada e duplo-cego para que sejam testadas a eficiência dos fármacos e dos recursos terapêuticos visando à melhora do paciente de maneira eficaz e em menor tempo, além de trazer satisfação e bem-estar ao atleta sem grandes perdas do seu condicionamento físico.

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Autores: Paulo Autran Leite Lima, Roxane Ferraz Soares Mariano e Walderi Monteiro da Silva Júnior

quinta-feira, 24 de maio de 2012

FisioImagem #25

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Imagens de estudios de pilates, clínicas de fisioterapia, pacientes em tratamentos e muito mais. Fotos que sõ a Fisioterapia pode trazer para você!






























Técnica de Alexander

O australiano Frederick Matthias Alexander era um ator bem- -sucedido no fi nal do século XIX. Conhecido por seu exímio talento como declamador das obras de Shakespeare, Alexander viu sua carreira ruir quando uma rouquidão crônica praticamente lhe roubou toda a voz. Desacreditado por seus médicos — que não conseguiam descobrir o porquê de o problema se manifestar quase sempre durante suas declamações —, ele passou a observar minuciosamente seu corpo. Por fi m, concluiu que sua postura e seus pensamentos estavam infl uenciando negativamente o desempenho de sua voz e seu processo de respiração. Nascia, assim, a Técnica de Alexander, abordagem que visa reconhecer, entender e impedir a repetição de atitudes que afetam a coordenação neuromuscular. "Trata-se de um processo educacional no qual aprendemos a evitar aqueles hábitos que, sem nos darmos conta, criam tensões, enrijecimentos e dores. Eles afetam não só os movimentos, mas também o modo de pensar, sentir e agir", resume Ana Thomas, professora e membro da Associação Brasileira da Técnica Alexander (ABTA).

Um dos carros-chefes da Técnica de Alexander é o procedimento batizado de Controle Primário. Ele busca harmonizar a relação da cabeça com o pescoço e as costas, provocando menos tensão na musculatura. Seus benefícios, entretanto, são extensos e vão muito além do aprimoramento do aporte vocal.

Um estudo feito em parceria pelas universidades inglesas de Southampton e Bristol, por exemplo, elegeu a Técnica de Alexander como a melhor alternativa para reduzir dores nas costas. A pesquisa dividiu 579 voluntários que sofriam com o problema em quatro grupos, de acordo com o tipo de tratamento: atendimento normal, massagem, massagem com aulas de Técnica de Alexander e apenas aulas específi cas de Técnica de Alexander.

A surpresa foi que os pacientes submetidos à prática australiana apresentaram uma média de 3 dias de dores, contra 21 dias das demais abordagens. "São infi nitas as possibilidades de alcance da técnica, sendo o controle da tendinite e da bronquite asmática algumas dessas possibilidades. Entretanto, esses benefícios são simplesmente efeitos de um trabalho sobre nossos próprios hábitos. É como um novo 'uso de si mesmo'", esclarece Ana, fazendo uso e destacando a frase que dá nome a um dos livros de Alexander publicados no Brasil.

Outro importante diferencial da técnica é uma avaliação personalizada do aluno. São justamente as necessidades vivenciadas em seu dia a dia que pautarão as atividades desenvolvidas em cada sessão. "Trazemos o cotidiano para a aula. Por ser um trabalho voltado para a vida real e prática, trabalhamos as necessidades de um músico com seu instrumento, de alguém que trabalha muitas horas digitando diante do computador, do esportista, do ator, da dona de casa, entre outros exemplos", completa a terapeuta.

 

A rigidez muscular e a má postura prejudicam o funcionamento geral do corpo, provocando desde dor nas costas a perda de produtividade profissional. A Técnica de Alexander promove a harmonia dos movimentos para melhorar a qualidade de vida



Como funcionam as sessões?

As aulas de Técnica de Alexander geralmente são individuais e duram aproximadamente 45 minutos. Elas envolvem uma avaliação musculoesquelética do aluno quando parado e em movimento. Presta-se, ainda, uma atenção especial na liberação indesejada da cabeça, no pescoço e na tensão muscular ao longo da coluna vertebral. Para completar, a abordagem não visa movimentos mecânicos e repetitivos: o professor guia o aluno com toques sutis e orientações verbais para que ele vivencie uma nova experiência de se mover, respirar, ouvir e sentir. "O corpo não é sustentado por uma postura, mas por um conjunto de estruturas corporais e mentais. Com a T.A., o que chamamos de postura é efeito de um corpo harmonioso, coordenado e ativo. Brinco que ela condena à liberdade", decreta a professora Ana Thomas.


5 RAZÕES PARA CONHECER O MÉTODO
1.
Um dos focos da abordagem é a tensão muscular, que interfere negativamente nos reflexos, na coordenação motora, e pode acarretar em perda de produtividade no ambiente profissional.
2. As aulas estimulam o alinhamento correto da coluna, dos ombros e também da cabeça. O objetivo buscado é evitar ou diminuir as dores nas costas, nos ombros, assim como torcicolos.
3. A T.A. melhora a qualidade da expressão vocal. "Para nos expressarmos por meio da fala e do canto, usamos inúmeros movimentos corpóreos. Quanto mais organizado e livre eles estiverem, tanto melhor serão suas respostas", explica Ana.
4. A técnica proporciona a consciência de que cada pessoa é responsável pelas condições de funcionamento de seu corpo, sendo igualmente apta a corrigir hábitos prejudiciais à saúde.
5. A T.A. também melhora a respiração de forma significante.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Doenças mais comuns do Sistema Nervoso

Acidente Vascular Cerebral (AVC)

É um distúrbio grave do sistema nervoso. Pode ser causado tanto pela obstrução de uma artéria, que leva à isquemia de uma área do cérebro, como por uma ruptura arterial seguida de derrame. Os neurónios alimentados pela artéria atingida ficam sem oxigenação e morrem, estabelecendo-se uma lesão neurológica irreversível. A percentagem de óbitos entre as pessoas atingidas por AVC é de 20 a 30% e, dos sobreviventes, muitos passam a apresentar problemas motores e de fala.
Algum dos factores que favorecem o AVC são a hipertensão arterial, a elevada taxa de colesterol no sangue, a obesidade, o diabetes melito, o uso de pílulas anticoncepcionais e o hábito de fumar.

Ataques Epilépticos

Epilepsia não é uma doença mas sim um sintoma que pode ocorrer em diferentes formas clínicas. As epilepsias aparecem, na maioria dos casos, antes dos 18 anos de idade e podem ter várias causas, tais como anomalias congénitas, doenças degenerativas do sistema nervoso, infecções, lesões decorrentes de traumatismo craniano, tumores cerebrais, etc.

Cefaleias

As Cefaleias são dores de cabeça que se podem propagar pela face, atingindo os dentes e o pescoço. A sua origem está associada a diversos factores como tensão emocional, distúrbios visuais e hormonais, hipertensão arterial, infecções, sinusites, etc.
A enxaqueca é um tipo de doença que ataca periodicamente a pessoa e se caracteriza por uma dor latejante, que geralmente afecta metade da cabeça. As enxaquecas são frequentemente acompanhadas de foto fobia (aversão a luz), distúrbios visuais, náuseas, vómitos, dificuldades em se concentrar, etc. As crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por diversos factores, tais como tensão emocional, tensão pré-menstrual, fadiga, actividade física excessiva, jejum, etc.

Doenças degenerativas do sistema nervoso

Existem vários factores que podem causar morte celular e degeneração. Esses factores podem ser mutações genéticas, infecções virais, drogas psicotrópicas, intoxicação por metais, poluição, etc. As doenças nervosas degenerativas mais conhecidas são a esclerose múltipla, a doença de Parkinson, a doença de Huntington e a doença de Alzheimer.

Esclerose Múltipla

Manifesta-se por volta dos 25 a 30 anos de idade e é mais frequente nas mulheres. Os primeiros sintomas são alterações da sensibilidade e fraqueza muscular. Pode ocorrer perda da capacidade de andar, distúrbios emocionais, incontinência urinária, quedas de pressão, sudorese intensa, etc. Quando o nervo óptico é atingido, pode ocorrer diplopia (visão dupla ). 

Doença de Parkinson

Manifesta-se geralmente a partir dos 60 anos de idade e é causada por alterações nos neurónios que constituem a "substância negra" e o corpo estriado, dois importantes centros motores do cérebro. A pessoa afectada passa a apresentar movimentos lentos, rigidez corporal, tremor incontrolável, além de acentuada redução na quantidade de dopamina, substância neurotransmissora fabricada pelos neurónios do corpo.

Doença de Huntington

Começa a manifestar-se por volta dos 40 anos de idade. A pessoa perde progressivamente a coordenação dos movimentos voluntários, a capacidade intelectual e a memória. Esta doença é causada pela morte dos neurónios do corpo estriado. Pode ser hereditária, causada por uma mutação genética.

Doença de Alzheimer

 Esta doença manifesta-se por volta dos cinquenta anos e caracteriza-se por uma deterioração intelectual profunda, desorientando a pessoa que perde, progressivamente a memória, as capacidades de aprender e de falar.

Esta doença é considerada a primeira causa de demência senil. A expectativa média de vida de quem sofre desta moléstia é entre cinco e dez anos, embora actualmente muitos pacientes sobrevivam por 15 anos ou mais.

Através do Alzheiner, ocorrem alterações em diversos grupos de neurónios do cortex-cerebral e é uma doença hereditária.
Não existe uma prevenção possível para esta doença. Só um tratamento médico-psicológico intensivo do paciente, que visa mantê-lo o maior tempo possível em seu tempo normal de vida. Com a ajuda da família e a organização de uma assistência médico-social diversificada é possível retardar a evolução da doença.

Em 1993, a Food and Drug Administration autorizou a comercialização nos Estados Unidos, do primeiro remédio contra a doença - THA (tetrahidro-amino-acrime) ou tacrine.

Doenças infecciosas do sistema nervoso

Vírus, bactérias, protozoários e vermes podem parasitar o sistema nervoso, causando doenças de gravidade que depende do tipo de agente infeccioso, do seu estado físico e da idade da pessoa afectada.

Existem diversos tipos de vírus podem atingir as meninges (membranas que envolvem o sistema nervoso central), causando as meningites virais. Se o encéfalo for afectado, fala-se de encefalites. Se a medula espinal for afectada, fala-se de poliomielite. Infecções bacterianas também podem causar meningites.

O protozoário Plasmodium falciparum causa a malária cerebral, que se desenvolve em cerca de 2 a 10% dos pacientes. Destes, cerca de 25% morrem em consequência da infecção. O verme platelminto Taenia solium (a solitária do porco) pode, em certos casos, atingir o cérebro, causando cisticercose cerebral. A pessoa adquire a doença através da ingestão de alimentos contaminados com ovos de tênia. Os sintomas são semelhantes aos das epilepsias.

Conceitos em eletroterapia

    Matéria
        É tudo aquilo que tem massa e ocupa lugar no espaço.

    Estados Físicos da Matéria
        Líquido
        Gasoso
        Sólido

    Energia

        Propriedade de um sistema que lhe permite realizar trabalho. A energia pode ter várias formas (calorífica, cinética, elétrica, eletromagnética, mecânica, potencial, química, radiante), transformáveis umas nas outras, e cada uma capaz de provocar fenômenos bem determinados e característicos nos sistemas físicos. Em todas as transformações de energia há completa conservação dela, a energia não pode ser criada, mas apenas transformada (primeiro princípio da termodinâmica).


      B = bateria
      I = interruptor
      L = lâmpada

    Átomo
        Sistema energeticamente estável, formado por um núcleo positivo que contém nêutrons e prótons, e cercado de elétrons; a menor quantidade de uma substância elementar que tem as propriedades químicas de um elemento. Todas as substâncias são formadas por átomos, que se podem agrupar formando moléculas ou íons.

      Elétron = partícula negativa que gira na eletrosfera
      Próton = partícula positiva
      Nêutron = partícula neutra

    Íon
        É uma estrutura carregada eletricamente como resultado de um átomo que perdeu ou ganhou elétrons.
        Se o átomo ganhou elétrons, torna-se uma partícula negativa denominada íon negativo ou ânion.
        Se o átomo perdeu elétrons, torna-se uma partícula posítiva denominada íon positivo ou cátion.
        Exemplos: Mg++ (cátion magnésio), Cl- (ânion cloro), Na+ (cátion sódio)

    Molécula
        É um conjunto de átomos unidos por ligações químicas.

    Molécula de Água (H20)
    Molécula de Cloreto de Sódio (sal de cozinha) (NaCl)
        H = hidrogênio
        Na = sódio
        O = oxigênio
        Cl = cloro

    Corrente Elétrica
        É um fluxo de elétrons que se forma entre dois pontos de um condutor quando entre eles existe uma diferença de potencial.
        A corrente elétrica circula do ponto de potencial mais alto (mais elétrons) até o de menor potencial (menos elétrons).

    Condutor
        O condutor pode ser metálico quando as cargas livres que se deslocam são elétrons ou pode ser eletrolítico quando as cargas livres são íons. O corpo humano é um condutor eletrolítico.

    Tensão
        Tensão de uma corrente elétrica é a diferença de potencial existente entrte os extremos de um condutor.
        A unidade de tensão é o Volt (V).

    Intensidade
        É o número de elétrons que circula por um condutor em uma unidade de tempo.
        É medida em Ampère, sendo que na Estética é utilizado o mA, a milésima parte desta unidade. (1 A = 1000 mA)

    Resistência
        A resistência elétrica de um corpo é entendida como a menor ou maior dificuldade que as cargas elétricas encontram em atravessar um condutor.

    Fatores que interferem na resistência
    Fator Tamanho/Tipo Resistência
    comprimento maior (>) maior (>)
    calibre maior (>) menor (<)
    temperatura maior (>) maior (>)
    tipo de matéria metais (cobre, ouro)
    plásticos, cristais
    pele hidratada
    menor (<)
    maior (>)
    menor (<)

Fonte: www.ck.com.br

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