sexta-feira, 29 de junho de 2012

Artigo - Corrida: saiba quais são as regiões do corpo mais lesionadas



A corrida ganha cada vez mais adeptos e, com o aumento da sua popularidade, crescem também as incidências de lesões musculoesqueléticas. Os joelhos, pés, pernas, tornozelo e coluna são as áreas do corpo mais afetadas, de acordo com pesquisa realizada por professores e alunos do Programa de Mestrado em Fisioterapia da Universidade Cidade de São Paulo – UNICID, que teve como intuito descrever hábitos, características de treinamento, histórico de lesões e suas possíveis associações entre 200 corredores recreacionais.

Dentre os principais resultados, a pesquisa ainda revela que quem corre há mais tempo tem menos lesões musculoesqueléticas. “Verificamos que os entrevistados que praticam corrida entre 5 e 15 anos apresentaram uma taxa menor de lesões. Esse resultado pode estar relacionado com pessoas que, com a experiência, se adaptaram ao esporte e agora entendem melhor o seu corpo e, com isso, criaram um fator de proteção”, explica Alexandre Dias Lopes, professor do Programa de Mestrado em Fisioterapia da UNICID.

Desses avaliados, 55% relataram alguma lesão musculoesquelética ocorrida nos últimos 12 meses. Os problemas mais descritos foram tendinopatias e lesões musculares. O levantamento foi realizado com pessoas que correm por lazer há pelo menos seis meses. A maioria era homem (73%), com idade média de 43 anos e volume de treino de 35 km semanais. “Esses dados indicam um alerta aos participantes do esporte. É importante que eles procurem o acompanhamento de um especialista da área da saúde para saber as consequências e soluções para os sintomas”, afirma Luiz C. Hespanhol Junior, aluno envolvido no desenvolvimento da pesquisa.

De acordo com Hespanhol Junior, o projeto terá continuidade: “Faremos novas análises para que os resultados sirvam como base de implementação de estratégias de prevenção para profissionais de saúde e permitam ações efetivas para reduzir as lesões musculoesqueléticas” enfatiza.


Esta iniciativa do Programa de Mestrado em Fisioterapia da UNICID conta com a participação dos professores Alexandre Dias Lopes e Leonardo Oliveira Pena Costa e dos alunos Luiz C. Hespanhol Junior e Aline C. A. Carvalho, integrantes do grupo de estudos em Lesões da Corrida SPRunIG (São Paulo Running Injury Group). A empresa CORPORE também contribuiu com o recrutamento dos participantes.




Fonte: Aviv Comunicação

quinta-feira, 28 de junho de 2012

FisioImagens #27


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Physical therapy class room.






















Imagens, fotos de fisioterapia, com pacientes em tratamento. Seja infantil, adulto ou idoso, em algum momento, a pessoa pode precisar do tratamento de fisioterapia.

Conhecendo melhor a corrente russa



Um dos recursos mais utilizados em clínicas de estéticas e de fisioterapia é o principio da corrente russa. Independente do fabricante e ou tipo de aparelho, usa-se um conceito criado para astronautas na década de 80 para ajudar na tonificação muscular através de impulsos elétricos. E em nada tem a ver com aparelhos vendidos em Polishop ou similares. Além da frequencia ser totalmente inadequada, o tipo de equipamento também é.

A Corrente Russa é uma forma de eletroterapia (terapia com impulsos elétricos), associada a movimentos musculares, desenvolvida pelo russo Yakov Kots nos anos 80. A corrente elétrica utilizada é assimétrica, de baixa freqüência, baixa voltagem e pequena intensidade. O estímulo elétrico da Corrente Russa é aplicado por 10 segundos, seguido por intervalo de 50 segundos, com um tempo de tratamento recomendado de 10 minutos por sessão de estimulação elétrica.

Vantagens da Corrente Russa

O argumento de Yakov Kots para o uso de estimulação elétrica em conjunto com exercícios voluntários é que os programas comuns de atividade física constroem volume e força muscular ou resistência física, porém ignoram o papel da habilidade e coordenação motora na performance atlética. Já a estimulação elétrica recrutaria fibras de contração rápida, unidades motoras rapidamente fatigáveis associadas a movimentos rápidos, coordenação motora precisa e graciosidade do movimento, e também as fibras de contração lenta de maior capacidade para gerar energia aerobicamente.

Ao contrário da ginástica passiva, na Corrente Russa existe a participação direta da pessoa. Desta forma, com a combinação de exercícios e estimulação elétrica da Corrente Russa, poderia-se obter mais vantagens. Embora seja comprovado que a Corrente Russa estimula fibras de rápida contração, é questionado até que ponto isso ajudaria na precisão do controle motor e graciosidade do movimento.

Aplicações da Corrente Russa

As aplicações de corrente russa visam enrijecer e tonificar a musculatura. O objetivo da Corrente Russa é elevar a capacidade muscular, porém muitas vezes é esquecido que ela deve ser usada em conjunto com exercício físico e não como uma alternativa a ele. A estimulação elétrica é usada extensivamente na fisioterapia, porém na Corrente Russa defende-se sua aplicação para elevar a força muscular. Atualmente muitos centros de estética utilizam a Corrente Russa. Como aplicações atuais da corrente russa pode-se citar: combate à flacidez muscular, recuperação de força muscular, reabilitação de atletas, melhoria do fluxo sanguíneo e do sistema circulatório.

Contra-indicações da corrente russa

* Portadores de marca-passo.
* Doenças cardiovasculares.
* Problemas de pressão.
* Problemas renais crônicos.
* Epilepsia.
* Patologia pulmonares.

Tempo de duração do tratamento com Corrente Russa

As aplicações de Corrente Russa têm duração de 10 a 20 minutos. O número de sessões por semana é variável e a quantidade total de sessões também. Geralmente o tratamento com corrente russa é feito duas ou três vezes por semana iniciando-se com um total de 10 a 20 sessões.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Tratamento de fisioterapia para Derrame Pleural

Depois de avaliação do paciente, traçamos objectivos mediante a situação clínica apresentada. Apesar disso, existem alguns objectivos comuns a quase todos os pacientes, e estes passam por:

  • aliviar a dor;
  • aumentar a amplitude respiratória;
  • readquirir a coordenação respiratória diafragmo-toracica;
  • restabelecer uma postura correcta;
  • reeducação ao esforço.

- A diminuição da dor é conseguida através da nossa própria mobilização na grelha costal;

- reeducação respiratória: numa primeira fase mais aguda devem prevalecer respirações diafragmáticas (evitando a formação de aderências), trabalhar os decúbitos em que o movimento entre os folhetos da pleura seja menor (posições antálgicas) bem como os exercícios activos que causem pouca expansibilidade do tórax mas que levem a um deslizamento dos folhetos parietais (como rodar o tórax). A reeducação deve visar, à medida que o derrame vai diminuindo, a capacidade de expansibilidade do tórax lesado (homo ou bilateral). Podem ser utilizadas técnicas como: contracções repetidas, estiramento inicial, respiração contra-resistência (progressiva), efectuar apneia em inspiração (realizar o EDIC – para o efeito pneumático actuar sobre possíveis aderências) e associar movimentos à respiração – todos visam (re) ensinar a dinâmica respiratória.

- podemos efectuar diversos exercícios, não tornando o tratamento muito monótono. Podemos fazer uma massagem nos tecidos moles afectados e associar estiramentos dos músculos respiratórios e posturais afectados e depois pedir exercícios que provoquem movimento entre a expansibilidade e encurtamento do tórax lesado evitando a dor – numa fase aguda começar com movimentos de pequena amplitude com a flexão e extensão da coluna cervical, rotações e inclinações laterais do tronco; numa fase mais avançada utilizar movimentos mais extremos associados sempre a uma respiração correcta recorrendo a movimentos de flexão e extensão associada a inspiração e expiração respectivamente. Podemos pedir para executar exercícios de auto-correcção nas várias posições, como o sentar e o deitar. Nos exercícios realizados activamente pelo paciente devemos ser imaginativos para assim podermos cativar a motivação e participação do paciente no tratamento.

- o uso de ortóteses é bastante indicado. Como exemplo, a espirometria incitativa com recurso a inspirações lentas e prolongados para promover o efeito pneumático.
- reeducação ao esforço: deve ser feito gradualmente e, se possível, de acordo com a ocupação/profissão do paciente. O tapete rolante ou o cicloergometro podem ser indicados.

Artigo: Teste de caminhada de seis minutos na doença pulmonar obstrutiva crônica com diferentes graus de obstrução

INTRODUÇÃO

O indivíduo com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) pode apresentar redução importante do desempenho físico devido a vários fatores como hiperinsuflação dinâmica e aumento do metabolismo muscular glicolítico, acompanhado de descondicionamento físico progressivo associado à inatividade(1), desencadeando limitações físicas e sociais que acarretam deterioração da qualidade de vida desses indivíduos(2).

A diminuição da tolerância ao exercício físico nos indivíduos com DPOC ocorre como resultado da limitação ventilatória, descondicionamento e anormalidades nos músculos envolvidos para a realização da marcha(3). Esses indivíduos normalmente apresentam disfunção muscular esquelética(4), baixa capacidade oxidativa, capacidade glicolítica normal ou aumentada e metabolismo anaeróbio alático diminuído(5), reforçando o predomínio do sistema anaeróbio lático(6), contribuindo para a limitação da capacidade funcional e qualidade de vida.

Os indivíduos com DPOC apresentam diminuição da força muscular, principalmente dos membros inferiores (MMII), estando a dos membros superiores (MMSS) relativamente preservada(7). Isso ocorre, pois as atividades relacionadas ao desenvolvimento da marcha são comumente evitadas por esses indivíduos em virtude da sensação de dispnéia, havendo predomínio das atividades de vida diária (AVD) com os MMSS. Além disso, grande número de músculos da cintura escapular atua na elevação dos braços, participando concomitantemente da respiração acessória quando os músculos respiratórios primários não são suficientemente capazes de manter demanda ventilatória adequada(8).

Em decorrência dessas alterações, a avaliação da capacidade física ou da capacidade de exercício em indivíduos com DPOC tornou-se alvo de muitos estudos. Para a avaliação da capacidade física, utilizam-se freqüentemente testes físicos funcionais, como o teste de caminhada de seis minutos (TC6), o qual é aplicado com o intuito de complementar a avaliação dinâmica de indivíduos com DPOC(9), monitorar a efetividade do tratamento e estabelecer o prognóstico desses indivíduos(10).

O teste de caminhada é uma adaptação do teste introduzido por Cooper(11), com a finalidade de determinar a relação entre a aptidão física e o consumo máximo de oxigênio. Esse teste é baseado em uma atividade rotineira de fácil aceitação pelos pacientes. Inicialmente foi preconizado para indivíduos saudáveis, mas atualmente tem sido utilizado em portadores de patologias. É um método reprodutível, confiável e caracteriza-se como o principal teste de avaliação da capacidade de exercício por sua simplicidade e facilidade de realização e interpretação.

Além disso, o TC6 é utilizado para avaliar o esforço submáximo(12-13), indicando a capacidade de realização de AVD, podendo ser executado por idosos e em condições graves como a DPOC(8).

Em 2002, a American Thoracic Society (ATS)(14) propôs uma padronização para a realização do TC6 com o objetivo de minimizar a variabilidade dos resultados dos inúmeros trabalhos científicos que são publicados atualmente. Além disso, Enright e Sherrill(15) propuseram uma equação de referência para prever a distância percorrida, considerando variáveis como idade, peso e altura. Entretanto, há escassez de trabalhos que verifiquem quanto o grau de obstrução compromete o desempenho físico dos indivíduos com DPOC.

Assim, os objetivos deste estudo foram:

– verificar quanto o grau de obstrução compromete o desempenho físico avaliado pelo TC6;

– comparar a distância percorrida e prevista no TC6 pela equação proposta por Enright e Sherrill(15) para indivíduos saudáveis e com DPOC apresentando obstrução leve, moderada e grave na mesma faixa etária;

– comparar a distância percorrida entre os quatro diferentes grupos avaliados.

 

MÉTODOS

Neste estudo foram avaliados 90 indivíduos do sexo masculino com base na função ventilatória, distribuídos em quatro grupos de forma intencional, sendo 19 saudáveis (grupo 1 — G1, idade média de 67 ± 6,6 anos), 24 indivíduos com DPOC apresentando grau de obstrução leve (grupo 2 — G2, idade média de 69 ± 11,3 anos), 26 com DPOC moderada (grupo 3 — G3, idade média de 71 ± 9,1 anos) e 21 com DPOC grave (grupo 4 — G4, idade média de 70 ± 9,4 anos).

Os indivíduos com diagnóstico clínico de DPOC eram encaminhados pelo pneumologista responsável ao serviço de fisioterapia respiratória ambulatorial da instituição, sendo realizada a avaliação.

Como critérios de inclusão consideraram-se aptos a participar deste estudo os indivíduos saudáveis apresentando função ventilatória dentro dos valores previstos e indivíduos com DPOC apresentando índice de Tiffeneau (volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1)/CVF) abaixo de 70% do previsto, sendo classificados em grau de obstrução leve (80% < VEF1 > 60% do previsto), moderado (59% < VEF1 > 41% do previsto) e grave (VEF1 < 40% do previsto)(16) constatado por meio do espirômetro Master Scope® (Jaeger Leibnizstrasse 7, 97204, Hoechberg, Alemanha). Os indivíduos com DPOC deveriam apresentar quadro clínico estável e ausência de períodos de agudização pelo menos por dois meses.

Foram excluídos os indivíduos tabagistas, com doença pulmonar exacerbada, os com patologias cardiovasculares, sistêmicas, neuromusculares ou ortopédicas que os impossibilitassem de realizar o teste devido à limitação ao exercício; dispnéia e saturação periférica de oxigênio (SpO2) < 80%, além daqueles que não concluíram o teste.

Os indivíduos assinaram um termo de consentimento mediante orientações sobre o protocolo proposto, em atendimento à Resolução 196/96 do CNS, sendo este estudo aprovado pelo Comitê de Ética da instituição.

O TC6 foi realizado em um corredor plano com 30 metros de comprimento e 1,5 metros de largura. Os participantes eram instruídos a caminhar o mais rápido possível durante seis minutos, sendo incentivados com frases padronizadas a cada minuto(14). Foram mensuradas as variáveis SpO2 e freqüência cardíaca (FC) através do oxímetro de pulso portátil (Nonin®, 8500A — Fernbrook Lane North Playmouth, MN) e sensação de dispnéia pela escala de Borg CR10 com o objetivo de monitorização do indivíduo, registrando-se a distância percorrida ao final do teste. Caso fosse necessário, os indivíduos poderiam descansar, porém o cronômetro permanecia ligado e os mesmos eram instruídos a continuar o teste assim que possível até o término do sexto minuto.

Cada participante realizou dois testes em dias alternados, sendo que o primeiro teve o propósito de adaptação ao procedimento, eliminando-se o efeito do aprendizado, e o segundo teve como objetivo mensurar a distância percorrida durante o teste.

Para o cálculo da distância prevista utilizou-se a fórmula [(7,57 x alturacm) – (5,02 x idade) – (1,76 x pesokg) – 309m](15), tendo conhecimento quanto ao peso, altura e idade dos grupos avaliados.

Análise estatística

Neste estudo os dados apresentaram distribuição homogênea após a aplicação do teste de Shapiro Wilk's, sendo utilizada a análise estatística paramétrica. Os dados foram expressos em média e desvio-padrão, utilizando-se o teste t de Student para comparar a distância percorrida e prevista para cada um dos grupos. O teste ANOVA, aplicando o teste post-hoc de Newman-Keuls, para comparar a distância percorrida entre os diferentes grupos, com nível de significância de p < 0,05.

 

RESULTADOS

A tabela 1 demonstra as características antropométricas e espirométricas dos quatro grupos avaliados, sendo semelhantes quanto às variáveis antropométricas, entretanto, diferentes quanto à função pulmonar, a qual caracterizou a divisão dos grupos.

 

 

Com relação ao TC6, realizaram-se dois testes em dias alternados, não havendo diferença significativa (p > 0,05) entre eles quanto à distância percorrida.

Com relação à análise intragrupo, constatou-se diferença significativa ao comparar a distância percorrida e a distância prevista para o G3 (387 ± 71m vs 456 ± 56m) (p < 0,05) e G4 (318 ± 97m vs 477 ± 52m) (p < 0,01), sendo a distância percorrida significativamente menor que os valores previstos para ambos os grupos citados. O G1 e o G2 apresentaram valores de distância percorrida e prevista semelhantes, conforme ilustrado na figura 1.

 

 

Ao realizar-se a análise intergrupos quanto à distância percorrida, verificou-se diferença significativa, sendo que o G1 (506 ± 56m) e o G2 (452 ± 60m) apresentaram valores de distância percorrida significativamente maiores (p < 0,01) que G3 (387 ± 71m) e G4 (318 ± 97m), assim como o G3 mostrou-se significativamente maior (p < 0,05) que o G4 (figura 2).

 

 

DISCUSSÃO

O teste de caminhada é um importante teste de avaliação da capacidade física de indivíduos com limitação funcional, nos quais a avaliação será útil para quantificar a gravidade dessa limitação e os resultados do tratamento.

Os indivíduos com DPOC apresentam redução da tolerância ao exercício(17) associada à sensação de dispnéia e fadiga, sabendo-se que esses indivíduos sofrem redução da capacidade funcional ao exercício com a progressão da doença(18). Esses sintomas aparecem inicialmente aos esforços moderados e, à medida que a doença progride, ocorre piora em intensidade, chegando aos mínimos esforços como ao realizarem uma AVD(1). Em vista disso, tem-se utilizado o TC6 como um dos testes funcionais na avaliação e reavaliação da tolerância ao esforço físico em indivíduos com DPOC.

Neste estudo, o TC6 foi aplicado em indivíduos saudáveis e com DPOC de diferentes graus de obstrução com o propósito de identificar as alterações funcionais causadas pela obstrução, avaliado pelo desempenho durante o teste.

O TC6 avalia a capacidade funcional ou a habilidade de realizar AVD, tendo a aferição se mostrado importante na avaliação dinâmica e no manejo clínico de indivíduos com doenças cardiopulmonares crônicas graves(19).

A ATS(14) sugeriu a realização de um TC6 como treino para obter melhora da coordenação motora e redução da ansiedade em testes subseqüentes. Dessa forma, esse procedimento pode conferir maior confiabilidade nos resultados dos testes, tendo em vista a diminuição da influência dos fatores neuromusculares e psicológicos inerentes aos indivíduos com DPOC. No estudo de Rodrigues et al.(20) observou-se diferença importante entre o primeiro e o segundo TC6, diferentemente do resultado encontrado neste estudo, não havendo diferença entre os testes.

Acredita-se que a realização de mais de um TC6 deve ser considerada durante o processo de avaliação funcional do pneumopata crônico, podendo fornecer maior qualidade e segurança na aferição da capacidade física, bem como na avaliação dos resultados terapêuticos de indivíduos com DPOC(20).

De acordo com a ATS(14), o terapeuta não deve caminhar junto ao indivíduo; entretanto, neste estudo optou-se pelo terapeuta caminhar discretamente atrás de cada indivíduo para maior segurança na execução do teste. Alguns fatores podem influenciar o desempenho de cada indivíduo durante a realização do mesmo; em um estudo conduzido por Hamilton et al.(21) verificou-se que 70% dos indivíduos com DPOC têm redução da musculatura do quadríceps quando comparados com os saudáveis na mesma faixa etária.

Além disso, a terapia com corticosteróide pode ocasionar miopatia, afetando a musculatura respiratória e esquelética(22), podendo isso ser um dos fatores que explicam os resultados obtidos neste estudo quanto aos grupos 3 e 4. Esses grupos apresentaram distância percorrida durante o TC6 reduzida quando comparados com os grupos 1 e 2, mostrando quanto o grau de obstrução interfere durante a realização de um teste, mesmo que considerado submáximo, havendo tendência a melhores resultados nos indivíduos considerados saudáveis ou que apresentam menor limitação ao fluxo aéreo.

Com relação à distância percorrida durante o TC6, no estudo de Troosters et al.(23) observou-se média de distância percorrida para idosos saudáveis de 631 ± 93 metros, sendo que neste estudo os indivíduos saudáveis percorreram em torno de 506 ± 56 metros. Entretanto, no estudo de Carter et al.(24), os indivíduos saudáveis avaliados percorreram uma distância de 416 ± 7 metros, sendo a média da distância semelhante ao resultado observado neste estudo para o grupo de indivíduos com DPOC apresentando obstrução leve (452 ± 60m), demonstrando novamente que, quanto menor o grau de obstrução, melhores os resultados obtidos.

Ao analisar indivíduos com DPOC apresentando obstrução moderada a grave, como no estudo de Redelmeier et al.(25), em que foram avaliados 112 indivíduos com esse grau de obstrução, observaram-se valores médios de distância percorrida em torno de 371 metros, com distâncias variando entre 119 e 705 metros, sendo a média desses valores semelhante aos valores obtidos neste estudo, isto é, o grupo com obstrução moderada percorreu em torno de 387 ± 71 metros e o com obstrução grave, em torno de 318 ± 97 metros.

O menor desempenho verificado nos grupos com moderada a grave obstrução retrata-se pela limitação ventilatória, descondicionamento e anormalidades nos músculos envolvidos para a realização da marcha.

Com relação à distância percorrida e prevista, no estudo de Moreira et al.(13) verificou-se não haver diferença ao comparar a distância percorrida pelos indivíduos com DPOC e a distância prevista encontrada pela fórmula proposta por Enright e Sherrill(15). Entretanto, neste estudo observou-se diferença entre as distâncias percorrida e prevista tanto para os indivíduos com DPOC apresentando grau de obstrução moderado como grave, não havendo diferença apenas para os indivíduos com DPOC leve e os saudáveis.

Ao tratar-se da distância prevista, no estudo de Soares et al.(26), cujo objetivo foi avaliar a aplicabilidade dessa equação de referência para a população brasileira saudável, constatou-se que tal fórmula deve ser utilizada com cuidado, uma vez que houve boa correlação apenas para o sexo masculino, sendo que neste estudo avaliaram-se apenas indivíduos do sexo masculino.

Portanto, o TC6 tem surgido como complemento na avaliação da capacidade física, na monitorização da efetividade do tratamento e como uma forma de estabelecer o prognóstico dos indivíduos com DPOC, podendo ser inseridos em um programa de reabilitação(19), além de subsidiar programas de treinamento físico.

A limitação deste estudo foi a dificuldade em recrutar indivíduos para a avaliação, tornando a amostra heterogênea quanto ao número de indivíduos compondo cada grupo.

De acordo com os resultados obtidos neste estudo, conclui-se que os indivíduos saudáveis e com DPOC apresentando grau de obstrução leve obtiveram desempenho semelhante durante o teste, além de mostrarem valores de distância percorrida similares aos valores de referência calculados pela fórmula descrita por Enright e Sherrill(15). Quanto maior a limitação ao fluxo aéreo, menor é o desempenho do indivíduo durante a realização de um esforço físico, conforme observado ao comparar as distâncias percorrida e prevista para cada um dos grupos avaliados.

Dessa forma, o TC6 permite uma avaliação da capacidade funcional dos indivíduos saudáveis e com DPOC, possibilitando estimar quanto o grau de obstrução ao fluxo aéreo compromete o desempenho físico de um indivíduo, além de simular AVD realizada rotineiramente pelos indivíduos.

Os indivíduos com DPOC apresentam alteração da função pulmonar, dispnéia e disfunção dos músculos esqueléticos periféricos. Esses fatores levam à intolerância ao exercício e à piora progressiva do condicionamento físico, chegando a limitar as AVD, podendo causar isolamento social, ansiedade, depressão e dependência. Além disso, esses indivíduos freqüentemente apresentam alterações no peso e na composição corporal, fatores que também podem contribuir para a sua limitação física. A incapacidade física, perda de produtividade e piora da qualidade de vida agravam-se substancialmente com a progressão da DPOC.

Assim, o treinamento aeróbio torna-se importante, pois aumenta a concentração de enzimas oxidativas mitocondriais, a capilarização dos músculos treinados, o limiar anaeróbio, o consumo máximo de oxigênio e reduz o tempo de recuperação da creatina fosfato. Com isso, torna-se importante a inclusão dos indivíduos com DPOC em programas de treinamento físico, independente do estágio da doença, por resultar em melhora do desempenho em questionários de qualidade de vida, melhora da tolerância ao exercício, bem como aumento da distância percorrida no TC6.

 

REFERÊNCIAS

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Autores:

Diego Marmorato MarinoI; Kamilla Tays MarraraII; Valéria Amorim Pires Di LorenzoIII; Maurício JamamiIII

IEspecialista em Fisiologia do Exercício pela Universidade Federal de São Carlos – UFSCar
IIMestranda do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar
IIIProfessor Doutor do Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar

Tratamento do cotovelo rígido com artroplastia de interposição associada ao fixador externo articulado

As sequelas de fraturas graves do cotovelo, as artrites reumáticas e infecciosas contribuem para graus variáveis de rigidez dessa articulação(1-3). Segundo Morrey et al(4), a maioria das atividades realizadas com os membros superiores depende de um arco de movimento do cotovelo de 100º (arco funcional de Morrey), variando entre 30 e 130º, e de 100º de pronossupinação. A perda desses graus de movimento gera déficits funcionais, impedindo atividades simples da vida diária, como levar a mão à boca e higiene pessoal, entre outras, além de dor progressiva e incapacitante(5,6).

As primeiras técnicas de artroplastias, tanto de ressecção como de interposição no cotovelo, desenvolveram-se no período entre 1885 e 1947(7,8). Após 1947, as artroplastias de substituição com próteses do tipo parcial ou total (restringidas ou dobradiça), fixadas através de cimentação de polimetilmetacrilato(7), foram e continuam sendo uma das principais formas de tratamento de todas as afecções que levam a grande destruição da superfície articular do cotovelo, sejam elas traumáticas ou não(7,8). Embora a artroplastia total ou parcial do cotovelo seja bem difundida e utilizada, não deve ser a opção em pacientes jovens e/ou ativos(2,9-10), nos quais a utilização do membro superior é constante e requer força, pois provoca elevado índice de solturas dos componentes(2,9-10); para esses casos a artrodese seria uma alternativa, mas os pacientes nem sempre a aceitam bem devido à grande limitação do movimento resultante(8,10).

Nos últimos anos, a artroplastia por interposição no cotovelo tem sido resgatada como forma de tratamento da rigidez articular em que a indicação de outras cirurgias, como a artroplastia por substituição ou a artrodese, não consegue suprir todas as necessidades do paciente(6-10).

A interposição com tecidos biológicos como fascia lata e tecido adiposo, para o revestimento de extremidades ósseas, foi introduzida por Murphy em 1902, apud Wright e Sisk(7). Em 1918, Baier, apud Wright e Steward(8), utilizou como tecido de interposição silicone, borracha e membrana à base de cromo, obtendo resultados satisfatórios. No entanto, a fascia lata permanece como o tecido mais comumente utilizado nas artroplastias de interposição, devido à facilidade em ser retirada e por causar menor dano ao sítio doador(1,3,7-8).

A determinação do centro de rotação do capitulo umeral por Steindler(9,11), foi fundamental para o tratamento atual da rigidez de cotovelo. O centro de rotação é o local exato, no plano tridimensional, onde ocorre a flexoextensão do cotovelo, sem que haja alteração do eixo central do braço em relação ao antebraço(9,11-13).

Com as informações em relação ao centro de rotação, Volkov e Oganesian(6) foram os primeiros autores que associaram o uso do fixador externo em conjunto com interposição da fascia lata, utilizando com sucesso essa técnica em 28 casos de rigidez de cotovelo.

Este trabalho tem como objetivo apresentar os resultados da técnica de artroplastia de interposição do cotovelo com fascia lata associada ao uso do fixador externo articulado no tratamento do cotovelo rígido.

 

CASUÍSTICA E MÉTODOS

No período entre outubro de 2001 e julho de 2006, foram operados e acompanhados pelo Grupo de Ombro e Cotovelo do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo – Pavilhão Fernandinho Simonsen –cinco pacientes com cotovelo rígido, nos quais foi utilizada a técnica de artroplastia de interposição com fascia lata associada ao uso do fixador externo articulado no cotovelo.

Utilizamos como critérios de inclusão pacientes que tinham arco de movimento do cotovelo afetado menor que o funcional(4) associado a destruição da superfície articular comprovada por exames de imagem, aliados à contra-indicação de prótese total de cotovelo. Foram excluídos todos os pacientes que não se enquadraram nos critérios estabelecidos acima.

A idade dos pacientes variou entre 21 e 55 anos, com média de 38 anos. Houve prevalência do sexo masculino (quatro casos) e, em todos os casos, o membro dominante foi o operado (Tabela 1).

 

 

O tempo médio de evolução dos sintomas, após o inicio do agente causador, foi de seis anos (Tabela 1).

A etiologia das lesões está descrita na Tabela 1.

Em quatro pacientes houve tentativa cirúrgica prévia para ganho da mobilidade articular, sem sucesso. No caso 3 foi realizada a ressecção da cabeça do rádio e, no caso 4, uma artroplastia umeroulnar, isto é, um orifício na fossa olecraniana do distal do úmero(5) (Tabela 1).

A transposição do nervo ulnar foi realizada em três casos (Tabela 1).

O fixador externo dinâmico permaneceu, em média, por 60 dias, sendo retirado após esse período (Tabela 1).

A reconstrução ligamentar do cotovelo foi necessária em um caso em que foi utilizado, como enxerto, o tendão flexor do joelho (grácil) para reparação medial e lateral do cotovelo (Tabela 1).

O arco de movimento do cotovelo no período pré-operatório variou de 20º a 30º; em dois casos existia contratura fixa em 30º e 65º respectivamente (Tabela 2).

 

 

DESCRIÇÃO DA TÉCNICA OPERATÓRIA

Os pacientes foram operados em decúbito dorsal por uma via de acesso posterior; isolou-se e anteriorizou-se o nervo ulnar, quando este estava em sua localização habitual. Realizou-se capsulectomia anterior e posterior e, então, a luxação do cotovelo. Caso não fosse possível, devido a anquilose ou fibrose muito intensa, realizou-se osteotomia onde deveria ser a interlinha articular. Todo o tecido cicatricial e restos de cartilagem articular foram ressecados com regularização de forma uniforme do terço distal do úmero, tentando simular o contorno do osso normal (Figura 1).

 

 

A retirada do enxerto do fascia lata (15x5cm) foi feita por uma incisão lateral na coxa de aproximadamente 20cm e o fechamento da área doadora foi realizada com a ajuda de uma malha de Marlex®. Dobrou-se o enxerto em três, ficando com formato aproximado de um quadrado com 5cm de largura, sendo colocado cobrindo toda a porção distal do úmero e fixado através de pontos transósseos com fio inabsorvível. Após reduzir a articulação, encontrou-se o centro de rotação do cotovelo, que fica no ponto médio entre a tróclea e o capítulo onde normalmente passa o prolongamento da cortical anterior do distal do úmero, e instalou-se o fixador externo articulado em sua porção lateral (Figura 2)(14) .

 

 

Em todos os casos conseguimos, no intraoperatório, mobilidade mínima de 100o(4), tanto de flexoextensão quanto de pronossupinação do cotovelo (Tabela 2).

Os pacientes foram avaliados pelos critérios da AMA modificados por Bruce et al(15) quanto à amplitude de movimento no período pós-operatório, às atividades da vida diária e à condição profissional, além da dor e da anatomia em relação a possíveis deformidades residuais e, por último, foi realizada análise das radiografias.

 

RESULTADOS

Os pacientes tiveram seguimento médio de 54 meses, variando entre 24 e 84 meses. Todos obtiveram no período pós-operatório melhora do índice de Bruce et al(15) (Tabela 2).

Obtivemos dois resultados excelentes (Casos 3 e 4) (Figura 3), um bom (Caso 1), um regular (Caso 2) e um resultado ruim (Caso 5) (Tabela 2).

 

 

Houve ganho médio de amplitude articular do cotovelo de 39º de flexão e 22º de extensão (Tabela 2).

O tempo de seguimento variou entre dois e sete anos, com média de 4,5 anos.

Não tivemos complicações tanto na área doadora (fascia lata) quanto no cotovelo.

 

DISCUSSÃO

A artroplastia de interposição de cotovelo surgiu como uma alternativa para o tratamento de casos graves de limitação dos movimentos do cotovelo, principalmente em pacientes jovens, nos quais a indicação de artroplastia total deveria ser adiada o máximo de tempo possível(2,9,10,16-18).

Outra alternativa para os jovens seria a artrodese do cotovelo; entretanto, esta acarreta limitação completa e definitiva da função, sobrecarregando as articulações adjacentes; além do mais, a artrodese pode ser realizada na falha de qualquer outro tratamento, mesmo da interposição; deve-se reservá-la como última alternativa ou ainda nos pacientes que necessitam de força no trabalho diário(19).

As causas traumáticas são responsáveis pelas sequelas de rigidez no cotovelo em todos os casos nos trabalhos de Pignatti et al(1), Volkov e Oganesian(6), Cobb e Morrey(19) e Nolla et al(10), e na maioria dos de Cheng e Morrey(3), enquanto a artrite reumatoide foi a principal causa no trabalho de Ljung et al(2). Em nossa casuística, tivemos dois pacientes com rigidez decorrente de trauma; um evoluiu para artrite infecciosa (Caso 2), um paciente com anquilose por artrite tuberculosa (Caso 4) e dois com artrites inflamatórias (AR, ARJ), evidenciando proporções semelhantes entre as causas traumáticas, inflamatórias e infecciosas de cotovelo rígido. Qualquer análise estatística seria impossível com cinco casos.

Os pacientes que têm como etiologia da rigidez uma doença inflamatória e/ou infecciosa, em geral, são submetidos a diversos procedimentos cirúrgicos prévios(2); o insucesso desses procedimentos antecede a artroplastia de interposição. Podemos observar exatamente esse fato quando avaliamos nossos pacientes, com exceção do caso 1, que foi pós-traumático; os outros foram submetidos a várias intervenções cirúrgicas, como ressecção da cabeça do rádio (Casos 4 e 5), artroplastia umeroulnar (Caso 5) e liberação artroscópica (Casos 4 e 5), na tentativa de ganhar movimento articular.

A idade média do paciente para a realização do procedimento cirúrgico varia conforme o mecanismo de lesão. Assim como na literatura(1,3,8,10-20), nos casos traumáticos normalmente a média é entre a segunda e quarta décadas de vida, e, nas inflamatórias, a partir da sexta década(2-5). Nossa experiência concorda com os padrões descritos acima, com a exceção do caso 5 (21 anos de idade), em que a paciente apresentava artrite reumatoide juvenil (ARJ) e foi submetida a outros três procedimentos prévios (liberação artroscópica do cotovelo, nova liberação com ressecção da cabeça do rádio e uma última tentativa com uma artroplastia umeroulnar), sem sucesso (Tabela 1).

Em relação à técnica cirúrgica, devemos citar que realizamos uma modificação no que foi descrito inicialmente por Froimson(14). Realizamos a cobertura com fascia lata apenas da superfície do úmero, deixando a superfície da ulna descoberta, por acreditarmos que recobrir apenas um dos lados com um enxerto espesso (a fascia lata é dobrada em três partes) é suficiente para manter o espaço articular e facilitar a reabilitação pós- operatória depois da retirada do fixador, facilitando o procedimento cirúrgico (Figura 2).

Observa-se que o ganho de amplitude de movimento articular verificado no intraoperatório é mantido com auxilio do fixador externo dinâmico, assim como descrito por Cobb e Morrey(19), Pignatti et al(1), Cheng e Morrey(3) e Nolla et al(10) (Figura 3). No entanto, esses autores utilizam analgesia pós-operatória, com cateter para bloqueio de plexo braquial por 24 a 48 horas, e fisioterapia com um dispositivo de movimentação contínua passiva (CPM) por mais sete a 10 dias. No nosso serviço, o controle de analgesia é realizado por via endovenosa no período pós-operatório imediato; uma equipe de fisioterapia especializada para acompanhar esses pacientes realiza exercícios pelo menos três vezes ao dia para tentar manter a amplitude de movimento do cotovelo obtida no intraoperatório. O paciente permanece, em média, sete dias hospitalizado.

A motivação do paciente tem sido um fator determinante para o ganho de mobilidade(1,6,9,19-21); em geral, esses pacientes têm restrição total ou quase total da mobilidade articular e já no pós-operatório imediato se consegue um arco de movimento funcional; isso, com certeza, é um grande estímulo para os pacientes continuarem executando os exercícios orientados na fisioterapia. Um dos momentos críticos, na evolução pós-operatória e da motivação do paciente, é o da retirada do fixador externo. Ao retirar o aparelho, observa-se grau variável de instabilidade e perda de força muscular, acompanhada de dor. O fixador externo é quem fornece estabilidade e suporte mecânico para o movimento e a continuidade dos exercícios é fundamental para o sucesso do tratamento(10). Por um período de aproximadamente seis meses a dor diminui de forma progressiva e há ganho gradativo de estabilidade e movimento (Figura 4).

 

 

Retiramos o fixador externo, em média, com 60 dias de pós-operatório por acreditamos que nesse período as partes moles já têm um grau de cicatrização capaz de dar estabilidade suficiente para que o paciente inicie seu programa de reabilitação. Cobb e Morrey(19) , Morrey(9) e Nolla et al(10) o fazem por volta dos 40 dias, assim como Pignatti et al(1), aos 50 dias.

Complicações como lesão do nervo ulnar (neurites e neuropraxia) são descritas(3,9); entretanto, não tivemos esse tipo de complicação. Fazemos uma cuidadosa dissecção do nervo como um dos primeiros passos da cirurgia e ao final realizamos a transposição anterior do mesmo, quando ele está em sua localização habitual. Muitas vezes, esses pacientes já tiveram o nervo anteriorizado em um procedimento prévio, como nos Casos 1, 2 e 4.

Outra complicação citada(2,9-10) como infecção não ocorreu em nossa casuística. Quanto à instabilidade residual em varo e valgo, citada por Nolla et al(10) como um limitante importante das atividades dos pacientes, ela esteve presente, em menor ou maior grau, em todos os casos, com exceção do caso 5, onde houve perda gradativa de movimento e hoje o cotovelo permanece praticamente anquilosado. Os pacientes foram treinados com terapia ocupacional a adaptar-se a esse tipo de instabilidade, modificando o modo de usar o membro superior em certas posições.

Os resultados da cirurgia foram avaliados de acordo com os critérios da AMA modificados por Bruce et al(15), diferentemente dos trabalhos de Cheng e Morrey(3), Pignatti et al(1) e Nolla et al(10), que utilizam os de MEPS (Mayo Elbow Performance Score). Acreditamos que o primeiro método avalie melhor a função do membro superior.

Em todos os casos, com exceção do 5, verificamos aumento do índice de Bruce pré (43,5) em relação ao pós-operatório (88,2), demonstrando a eficiência do método para os casos de rigidez do cotovelo.

No Caso 5, a paciente tem artrite reumatoide juvenil (ARJ) e apresentou perda progressiva do arco de movimento do cotovelo após a retirada do fixador externo, retornando a graus de amplitude articular semelhantes aos encontrados no período pré-operatório. Acreditamos que esse insucesso pode ter sido causado pela falta de controle da doença de base (ARJ), que continuou em atividade, constatada por exames de sangue realizados recentemente. A paciente é acompanhada regularmente pela reumatologia do hospital, mas a doença parece ser de difícil controle.

Outro fator que colaborou para o insucesso do tratamento foi o fato de utilizarmos um único tamanho de fixador externo; pareceu-nos que, ao final da cirurgia, ele ficou muito grande para essa paciente: os pinos não ficaram na posição ideal, isto é, não conseguimos fazer o fulcro de movimento de flexoextensão do fixador no centro de rotação do cotovelo(11). No período pós-operatório imediato, ainda com a paciente sob efeito anestésico, já não havia movimento completo da articulação, diferentemente de todos os outros casos.

 

CONCLUSÃO

O tratamento do cotovelo rígido pela técnica da artroplastia de interposição com fascia lata, associado ao uso de fixador externo dinâmico, mostrou-se, no presente estudo, uma alternativa viável no aumento da mobilidade articular em quatro de cinco pacientes assim tratados.

 

REFERÊNCIAS

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Correspondência:
Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Departamento de Ortopedia e Traumatologia, "Pavilhão Fernandinho Simonsen"
Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 112 – Vila Buarque
CEP 01220-020. São Paulo – SP
Fone/Fax (0xx11) 3222-6866
Email: amiyazaki@uol.com.br

Fisioterapia na ELA

O papel da fisioterapia na esclerose lateral amiotrófica começa antes de ter ocorrido qualquer perda significativa da força ou função, e continua durante toda a vida da pessoa com esclerose lateral amiotrófica.

A fisioterapia envolve as seguintes tarefas:

  1. Manter a flexibilidade articular normal da pessoa ou a amplitude de movimento.
  2. Manter a força muscular tanto quanto possível
  3. Manter a função tanto quanto possível
  4. Diminuir a dor

O terapeuta atinge esses objetivos, avaliando o indivíduo regularmente e, com base nesses achados, instruindo o paciente e/ou quem assiste ao paciente a realizar exercícios apropriados, procurar equipamentos de adaptação e avaliar as necessidades das atividades de vida diária.

Nessa questão, existem dois problemas mais comuns na ELA. Ambos envolvem a perda da amplitude de movimento articular normal. Esses dois problemas são a capsulite adesiva da articulação do ombro e as contraturas de flexão do pescoço.

Capsulite adesiva da articulação do ombro

A capsulite significa que o tecido conjuntivo que circunda as articulações se inflama. A causa habitualmente é a fraqueza muscular que resulta na perda de movimento de uma articulação. Quando uma articulação do corpo não se movimenta dentro da amplitude normal durante um período apreciável, esse tecido conjuntivo torna-se menos elástico e maleável. Ele pode endurecer-se rapidamente (algumas vezes, dentro de dias), torna-se fibrótico e restringe o movimento. Se a articulação se movimentar forçadamente dentro do intervalo normal (além do ponto que limita agora o movimento), o paciente apresentará uma dor aguda imediata e o corpo produzirá uma resposta de inflamação.

Inicia-se agora um ciclo vicioso. O paciente não deseja movimentar a articulação, porque isso causa dor, mas a imobilidade aumentada produz mais restrição e mais dor. Como a articulação do ombro é a articulação envolvida mais comumente, isso causa problemas reais com as atividades do dia a dia. A tentativa de levantar o braço ativamente ou passivamente (quando o paciente levanta o braço ou quando quem assiste ao paciente levanta o seu braço) para banhar-se ou a tentativa de vestir ou tirar uma camisa ou uma jaqueta pode causar uma dor insuportável. Finalmente, sentar-se ereto, sem apoiar o braço, pode ser intolerável.

Para tentar evitar isso, é necessário começar a ser ativo diariamente, com exercícios de movimento ativo assistido ou passivo (o membro é movimentado por uma outra pessoa) dentro da amplitude de movimento, antes que o paciente perca qualquer mobilidade. Diante dos primeiros sinais de fraqueza da musculatura do ombro, o paciente e o cuidador devem ser instruídos a realizar exercícios de flexibilidade (intervalo de movimento).

O paciente deve completar esses exercícios independentemente durante o maior tempo possível, deitando-se de costas e usando uma bengala para permitir que o braço oposto forneça a força. Finalmente, se o paciente não puder mais levantar o braço, a pessoa que cuida deste paciente ainda deve movimentar suavemente a articulação do ombro dentro do intervalo disponível. É importante que o paciente e a família sejam orientados por um terapeuta a realizar os exercícios, de acordo com o método correto, porque pode ocorrer uma lesão real, se os exercícios forem feitos incorretamente. Em alguns casos, os familiares podem receber instruções sobre a mobilização suave da articulação. Essa é uma técnica de exercício que requer algum treinamento, mas, se realizada corretamente, pode auxiliar a prevenir a capsulite adesiva.

Se, a despeito de todos os esforços, houver suspeita de capsulite adesiva, deve-se iniciar a fisioterapia intensa imediatamente. A combinação de calor profundo ou gelo, antiinflamatórios e analgésicos e técnicas de mobilização suave ainda podem restabelecer a flexibilidade normal e eliminar a dor.

Contratura de flexão do pescoço

Uma outra complicação comum da esclerose lateral amiotrófica é a contratura de flexão do pescoço. Como os músculos extensores do pescoço (os músculos na região posterior do pescoço que movimentam a cabeça para cima) freqüentemente enfraquecem antes do grupo de músculos oponentes, flexores do pescoço, os músculos extensores se estiram quando a cabeça do paciente começa a cair. Assim, os músculos flexores (na parte anterior do pescoço), em contraposição, tornam-se encurtados porque o paciente tem uma dificuldade crescente de manter a posição ereta.

Um colar cervical pode auxiliar a dar apoio para o paciente, mas algumas vezes eles não são bem tolerados. Podem ser necessárias paciência e perseverança para auxiliar o paciente a encontrar um colar cervical suficientemente resistente para dar apoio e, ao mesmo tempo, leve e delicado para ser confortável.

Entretanto, o erro que se comete freqüentemente é que, quando o paciente aceitou a realidade de que é necessário um colar cervical, os músculos flexores do pescoço estão tão encurtados que o colar não pode ser tolerado. É importante que o paciente e/ou o responsável por cuidar do paciente inicie exercícios de amplitude de movimento ativos, ativos assistidos ou passivos, antes que qualquer restrição do movimento do pescoço se torne evidente.

O paciente e o responsável por cuidar dele devem receber instruções sobre os exercícios de amplitude de movimentos suaves do pescoço que podem ser realizados com o paciente sentado e deitado. Eles devem ser realizados pelo menos uma vez por dia, mantendo assim a flexibilidade dos músculos do pescoço normais.

Em conclusão, o paciente com esclerose lateral amiotrófica se beneficia da intervenção de fisioterapia em todos os estágios da doença. Entretanto, é imperativo que cada paciente seja avaliado por um fisioterapeuta regularmente e que o tratamento apropriado seja iniciado antes que surjam complicações sérias.

Fisioterapia na esclerose lateral amiotrófica
(Wendy King, PT )

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dança é efetiva na reabilitação de cardiopatas, diz pesquisador


O reconhecimento do exercício físico como recurso terapêutico de primeira linha para os portadores de doenças cardiovasculares, pulmonares e metabólicas, como a obesidade e o diabete melito, é algo consensual, tendo sido consistentemente demonstrado em estudos científicos de qualidade.Neste contexto, a dança poderá ser uma opção promissora para substituir o exercício físico convencional.Esta é constatação principal de dois estudos realizados pelo Dr. Tales de Carvalho, cardiologista especializado em Medicina do Esporte de SC (Santa Catarina).

Entretanto, apesar da importância dos Programas de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica (RCPM) com ênfase no exercício estar reconhecida na literatura, sendo fortemente recomendada pelas sociedades médicas, as condições oferecidas pelos programas convencionais nem sempre são atraentes para proporcionar uma boa aderência ao tratamento.

Nos programas convencionais a aderência costuma ficar abaixo de 50% no primeiro ano e de 30% no segundo ano.Neste contexto, a prática sistemática da dança de salão, considerada uma atividade lúdica e prazerosa, facilmente incorporada à vida social, poderia contribuir para o bom condicionamento físico e melhor controle do estresse, que são elementos essenciais no estilo saudável de vida.

Particularmente, poderia se constituir em uma forma eficaz de aumentar a aderência aos programas formais de incremento da atividade física.Entretanto, embora se constitua em estratégia promissora, a dança tem sido muito pouco explorada no âmbito da RCPM.

Em Florianópolis-SC, tanto na Clínica de Prevenção e Reabilitação Cardiosport (clínica privada), quanto no Núcleo de Cardiologia e Medicina do Exercício da Universidade do Estado de SC, onde são atendidos também pacientes do sistema público de saúde, embora habitualmente os pacientes sejam submetidos a programas convencionais de exercício, em algumas circunstâncias a escolha tem sido a dança de salão. No protocolo utilizado em nossos programas de reabilitação têm sido adotados ritmos variados, como forró, bolero, samba, merengue, valsa, rock and roll e salsa, em abordagem eclética, que atende a todos os gostos. Os ritmos podem ser combinados ou isolados, dependendo do objetivo de cada aula, evitando-se interrupções para o aprendizado técnico, prevalecendo o propósito de manter os pacientes o maior tempo possível na zona alvo do treinamento (ZA).

A frequência cardíaca (FC) durante as sessões de dança de salão costuma ser verificada após os pacientes dançarem uma música completa, sendo em geral verificada a FC em pelo menos três momentos por sessão. Os resultados preliminares dos nossos estudos ainda em desenvolvimento têm se mostrado promissores.

No recente congresso mundial de cardiologia, realizado em Beijing-China, o nosso grupo de pesquisa apresentou 2 estudos científicos sobre a dança de salão na RCPM. Em um deles, na comparação com o programa convencional a dança de salão se mostrou mais efetiva em situar os pacientes na zona alvo do treinamento (ZA), correspondendo à faixa entre 70 e 80% da FC pico de teste ergométrico (teste de esforço), realizado na vigência de medicação de uso corrente.Por meio da dança a ZA foi atingida em 77,5% das sessões e por meio do treinamento convencional em apenas 55%.

A dança proporcionou também de forma significativa que mais indivíduos atingissem a ZA, pois 88.5% deles a atingiram por meio da dança e apenas 62.5% pelo exercício convencional. No grupo da dança, 17,5 % dos indivíduos ficou aquém e apenas 5% além da ZA, enquanto no exercício convencional, respectivamente, 4% e 14%.

Autor: Dr.Tales de Carvalho - Cardiologista especializado em Medicina do Exercício.

Fonte:Revista do DERC.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Fisiolinks 87

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Fisioterapia é o conjunto de técnicas usadas no tratamento e na prevenção de doenças e lesões. O fisioterapeuta previne, diagnostica e trata disfunções do organismo humano causadas por acidentes, má-formação genética ou vício de postura. Para isso, usa métodos como massagem e ginástica, com a finalidade de restaurar e desenvolver a capacidade física e funcional do paciente. Também faz tratamentos à base de água, calor, frio e aparelhos especiais. Além de ajudar na recuperação de pacientes acidentados e portadores de distúrbios neurológicos, cardíacos ou respiratórios, trabalha com idosos, gestantes, crianças e portadores de deficiência física ou mental. Pode atuar em clubes esportivos, hospitais, centros de reabilitação e em clínicas de fisioterapia e ortopedia. Em empresas, trabalha com a prevenção de acidentes de trabalho e com a correção postural dos funcionários. Em escolas, corrige e orienta a postura de crianças, jovens e adultos.

Vamos ao Fisiolinks da semana?

Eletroterapia em tratamento para dores na coluna

O porque da avaliação postural?

Aceleração do fluxo respiratório

Cadeias musculares e seus estudiosos

Principios da reabilitação esportiva

Revisão: músculos do pescoço

Fisioterapia para problemas respiratórios e cardíacos

Estratégias preventivas na Fisioterapia do Trabalho

Benefícios da Reabilitação cardíaca no meio aquático

Psicomotricidade na infância 

Fisioterapia ginecológica

Fisioterapia aplicada ao idoso

Importância do lúdico no desenvolvmento da criança


Próxima semana tem mais \o/

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Artigo: Lesão do músculo obturador externo em atletas de futebol profissional

 

INTRODUÇÃO

O futebol é o esporte mais praticado no mundo, com aproximadamente 200.000 profissionais e 240 milhões de praticantes(1). Este esporte caracteriza-se por uma alta exigência física com variações do metabolismo aeróbio e anaeróbio, determinado por movimentos de alta intensidade com mudanças de direção, frenagens, acelerações, giros e piques, o que torna o esporte uma grande fonte de incidência de lesões(2).

Diversos estudos têm analisado os diferentes tipos de lesões que acometem o jogador de futebol, tanto o atleta profissional quanto o amador ou atuando em diferentes níveis de competitividade. Estes estudos encontraram diferenças nos resultados devido às características das populações, nomenclaturas e a metodologia das pesquisas. No entanto, em todos os estudos as lesões musculares (LM) apareceram com uma grande incidência(3-9).

As LM são os traumas mais comuns que ocorrem nos esportes com uma incidência que varia de 10% a 55% de todos os tipos de lesões, sendo que 90% delas compreendem os estiramentos e as contusões(10,11). As LM podem ser geradas por um mecanismo traumático - contusões, estiramentos ou lacerações, ou atraumático - dor muscular tardia e cãibras(10-13). Geralmente, os estiramentos musculares envolvem músculos superficiais e biarticulados como o reto femoral, semitendinoso, bíceps femoral e gastrocnêmios(10,11,14).

Dentre os inúmeros estudos citados, nenhum cita a lesão do músculo obturador externo. Na medida em que este é um músculo pequeno e monoarticular, sua incidência provavelmente é baixa e pouco documentada na literatura. Desta maneira, o presente estudo tem como objetivo apresentar quatro casos de estiramentos do Obe em uma equipe profissional de futebol no ano de 2006.

 

METODOLOGIA

Este é um estudo retrospectivo, descritivo, não randomizado, com amostra não probabilística intencional. O mesmo foi realizado no setor de Fisioterapia do Departamento Médico Profissional do Clube Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e aceito pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Centro Brasileiro de Estudos Sistêmicos.

Os dados foram coletados a partir de um programa de armazenamento denominado Sistema de Preparação Desportiva (SPD). Este programa foi criado e desenvolvido pelo setor de informática do clube e armazena dados referentes ao nome, diagnóstico, mecanismo de trauma, história clínica, tempo de afastamento e evolução.

Os critérios de inclusão foram os atletas com diagnóstico de imagem para estiramento do Obe e que constavam no programa SPD da categoria profissional no ano de 2006. O critério de exclusão foi não apresentar estiramento do Obe. Aos atletas participantes do estudo foi entregue um termo de consentimento livre informado.

Como rotina do departamento de fisioterapia, na época da lesão, os indivíduos foram submetidos a uma avaliação médica, seguida de uma avaliação fisioterapêutica, em que foram registrados dados como história da lesão, queixa principal, classificação da dor, inspeção, palpação e realização de testes para região do quadril. Durante os testes foi verificada a amplitude de movimento (ADM) passiva, o movimento ativo livre e ativo resistido do quadril. Os testes foram realizados em decúbito dorsal, ventral e sentado, com os membros inferiores pendentes.

Após avaliação médica e fisioterapêutica, foi requisitado um exame de RNM, realizado no Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre entre o período de 12 a 24 horas da lesão, no qual todos os atletas apresentaram imagem compatível com ruptura parcial do músculo Obe, com hematoma ao longo do músculo (figura 1). Com o diagnóstico confirmado, os indivíduos foram encaminhados ao setor de fisioterapia, onde foram submetidos ao tratamento fisioterapêutico. O protocolo de tratamento foi dividido em três fases, nas quais todos os sujeitos foram submetidos às mesmas condutas fisioterapêuticas, conforme descrito na tabela 1.

 

 

 

 

RESULTADOS

No ano de 2006 foram registradas quatro lesões por estiramento do músculo Obe, de um total de 28 lesões por estiramento muscular. Estes casos ocorreram em três atletas, sendo que um deles apresentou a lesão bilateralmente.

Todos os atletas referiram dor difusa na região adutora para o quadril acometido, sendo que em nenhum dos casos foi identificado um ponto doloroso palpável. Aos testes de função para articulação do quadril, todos os indivíduos relataram dor moderada durante os movimentos resistidos de rotação lateral e rotação medial do quadril (tabela 2). O mecanismo de trauma predominante foi o movimento de rotação lateral do tronco sobre o fêmur em cadeia cinética fechada (gesto que promoveu uma rotação medial excêntrica de quadril), sendo que em um dos casos não foi possível precisar o movimento que causou a lesão.

 

 

Os atletas permaneceram afastados das competições enquanto estavam em tratamento fisioterapêutico, sendo que o tempo de afastamento foi diferente entre os casos (figura 2). Mesmos assim, cada atleta cumpriu todas as fases do protocolo de tratamento e, após, foi liberado ao treinamento com o grupo, sem queixas e nos mesmos níveis funcionais de pré-lesão.

 

 

DISCUSSÃO

As lesões de estiramento muscular aparecem em muitos estudos relacionados à incidência das lesões no futebol. Chomiak et al.(9) encontraram uma incidência de 15 (15%) estiramentos musculares em 97 lesões severas documentadas, ao analisarem 398 atletas de futebol da República Tcheca, em um período de um ano. Peterson et al.(8) analisaram 264 jogadores de diferentes idades e níveis de jogo durante um ano e encontraram 183 estiramentos musculares em 558 lesões documentadas. Junge et al.(4) analisaram a incidência de lesões durante os torneios da FIFA e Jogos Olímpicos de 1998-2001 e encontraram 901 lesões, das quais 10% foram estiramentos. Em outro estudo durante a Copa do Mundo de 2002 o mesmo autor registrou 25 (15%) estiramentos de um total de 171 lesões documentadas. Em todos estes estudos a preocupação dos autores foi documentar os tipos de lesão relacionados ao futebol, sem verificar o grupamento muscular acometido com precisão.

Dois estudos apontaram as lesões por estiramento musculares em seus respectivos músculos envolvidos. Volpi et al.(7) em estudo retrospectivo de cinco anos na liga principal italiana, encontraram 30% (103) de LM e, destas, 17% (58) foram estiramentos. Neste mesmo trabalho os autores apontaram uma incidência de 32% (33 casos) no quadríceps, 28,1% (29 casos) nos isquiotibiais, 19,4% (20 casos) nos adutores, 12,6% (13 casos) nos gastrocnêmios e 2,9% (três casos) abdominais. Uma incidência de 4,9% foi atribuída aos músculos sartório, glúteo e iliopsoas. Em outro trabalho, utilizando a RNM para avaliar as LM, Dias et al.(11) encontraram 36 estiramentos musculares (83,7%) de um total de 43 exames revistos, sendo que 33% foram estiramentos de grau II. Todas as lesões por estiramento foram divididas de acordo com o grupo muscular acometido, em que o músculo gastrocnêmio medial apresentou cinco lesões, seguido do músculo reto femoral com quatro lesões, adutor longo com duas e músculo sóleo com uma lesão. No entanto, estes estudos não encontraram nenhuma lesão do músculo Obe e parece não haver relato desta lesão em atletas de futebol.

Tendo em vista a grande incidência de lesões por estiramento demonstradas no futebol, existe a necessidade de uma melhor investigação no que se refere ao grupo muscular lesado, para identificar uma possível lesão no músculo Obe, já que ela pode ser confundida com uma lesão de adutores da coxa. Esta afirmação é corroborada pelos nossos achados, porque em todos os relatos havia uma queixa de dor na região adutora, sendo difundida para o quadril. Isto pode ser devido à inervação comum dos músculos adutores da coxa e o Obe. Os músculos adutor magno, curto e longo da coxa, assim como o músculo Obe, são inervados pelo nervo obturatório, oriundo do plexo lombo-sacro(15).

Considerando que as lesões por estiramento apresentam um ponto doloroso e palpável(10-12,16) e que a região adutora era o local referido pelo atleta, nenhum de nossos casos apresentou este ponto na região adutora. Este dado clínico não poderia ser evidenciado, já que a lesão não era em um músculo adutor e sim no músculo Obe, um músculo profundo da pelve e quadril(17,18).

Todos os casos apresentaram dor na região do quadril durante os movimentos passivos, ativos e resistidos de rotação lateral e medial. As alterações no comprimento do músculo, estirando o sítio da lesão, eram provocadas pelas as ações do Obe durante os testes. No caso 3 o atleta referia dor principalmente quando retirava o pé do solo e realizava as rotações do quadril em posição neutra. Segundo Smith et al.(18), o Obe, em conjunto com outros músculos rotadores, realiza movimentos de rotação lateral do quadril principalmente na posição neutra. Os mesmos autores também relatam que, quando o quadril está em flexão de 90º, ele passa a ter um componente de abdução maior que o de rotação lateral. No entanto, Kapandji(17) afirma que o Obe é um rotador lateral principalmente com o quadril flexionado. Esta afirmação vem ao encontro dos achados em nossos testes de rotações em decúbito dorsal com quadril a 90º, em que foi relatado dor. Este autor também concede uma participação na flexão e adução do quadril ao Obe. Esta afirmação também corrobora os relatos de dor durante os testes resistidos para adução do quadril.

As lesões por estiramento acontecem principalmente em mecanismos excêntricos que ocorrem durante os movimentos de alta velocidade e ou intensidade, gerados durante o gesto esportivo(2,10,12,14,16). Em dois casos o mecanismo excêntrico foi gerado através de um movimento de rotação do tronco sobre o quadril envolvido, quando o membro inferior estava preso ao gramado. Isto fez com que o músculo Obe fosse submetido a uma ação muscular de grande energia sendo incapaz de conter o movimento. Isto pode ser entendido devido à sua capacidade limitada de gerar torque, já que a sua linha de força passa próximo do centro de rotação da articulação e ao contrair-se gera apenas compressão articular(18). Segundo Kapandji(17), sua linha de ação é semelhante à direção do colo femoral, tornando-o com características de um músculo coaptador da cabeça femoral no acetábulo. Cohen e Abdalla(12) relatam que os músculos monoarticulados e profundos são responsáveis pela postura e tonicidade.

A respeito do arco de movimento principalmente na posição neutra do quadril, parece haver uma pequena amplitude para dissipar a energia do movimento excêntrico, já que as suas rotações apresentam uma amplitude de zero a 40 graus de rotação interna e de zero a 60 graus de rotação lateral, quando comparadas a outros movimentos do quadril. Hughes et al.(15) relatam que, com a mudança no posicionamento do quadril de neutro para flexionado, o arco de movimento alcançado para as rotações medial e lateral do quadril pode alcançar de zero a 70 e de zero a 90 graus, respectivamente.

Diferentes autores têm relatado que as lesões por estiramento muscular ocorrem principalmente em músculos biarticulados(7,12-14) e em movimentos realizados em cadeia cinética aberta(14); em contrapartida, em nossos achados, o mecanismo de lesão predominante foi em cadeia cinética fechada e o músculo envolvido foi um músculo monoarticular.

Segundo Cross et al.(19) e Dias et al.(11), a presença de coleção líquida, caracterizando o hematoma, sugere uma ruptura muscular e apresenta um sinal hiperintenso nas imagens T1 e T2. Todos os casos deste estudo foram submetidos ao exame de RNM, para confirmação da lesão. O exame de RNM foi fundamental para determinar o diagnóstico de estiramento muscular do Obe, visto que o exame clínico não foi conclusivo. Os laudos associados à nossa interpretação da imagem classificaram as lesões como sendo uma ruptura parcial do músculo Obe.

Yoon et al.(3) pesquisaram as incidências de lesões em torneios asiáticos e verificaram que 45,3% das lesões de estiramento afastaram os atletas por mais de quatro dias de treinos e jogos. Lopes et al.(13), em estudo clínico das LM, relatam que o tempo mínimo necessário para obter a cura clínica e a reabilitação funcional oscila entre duas a três semanas. Os mesmos autores relatam que a presença de equimose, 24h após a lesão, determina uma lesão grave, tendo um prognóstico de seis a oito semanas. Cross et al.(19) avaliaram o prognóstico de LM do quadríceps com RNM e observaram que as lesões do tendão central levaram em média um tempo de reabilitação de 27 dias. Verral et al.(20), em estudo comparativo entre os achados clínicos e RNM para o prognóstico das lesões de estiramento dos isquiotibiais, encontraram que os atletas ficaram afastados durante 27 dias em média. Em nosso estudo, os atletas permaneceram afastados por no máximo 21 dias das competições. Parece ter havido uma redução no tempo de recuperação dos atletas conforme os profissionais do setor de fisioterapia se familiarizavam com a lesão. Do primeiro para o último caso houve uma redução de oito dias de afastamento. Como condição para alta, consideramos que todos os atletas realizassem testes funcionais que simulavam as situações de jogo, sem queixas durante e após os mesmos.

 

CONCLUSÃO

Diversos estudos têm investigado a incidência de lesões no futebol e parece não haver nenhum relato de lesão por estiramento do músculo Obe. A lesão do Obe pode ser confundida com uma lesão dos músculos adutores do quadril, devido à localização da dor relatada pelo indivíduo. A avaliação clínica deve basear-se no relato do atleta para o entendimento do mecanismo de trauma. A realização dos testes funcionais para os rotadores do quadril é essencial para evidenciar uma possível dor difusa, descartando uma lesão do grupamento adutor do quadril, já que a localização do músculo Obe impede um exame palpatório preciso. É fundamental a utilização de um exame de RNM para localizar, classificar e avaliar a extensão da lesão, assim garantindo um diagnóstico preciso e permitindo uma abordagem terapêutica segura, com prognóstico favorável para evolução da lesão.

 

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IDepartamento Médico Profissional - Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense - Porto Alegre - RS, Brasil
IILaboratório de Pesquisa do Exercício - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Porto Alegre - RS
IIIEscola Superior de Educação e Saúde - Curso de Fisioterapia - Faculdade da Serra Gaúcha - Caxias do Sul - RS, Brasil
IVSchool of Physiotherapy - University of Otago - Otago, New Zealand


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