quinta-feira, 17 de maio de 2007

Reabitação muscular para o tenis






Introdução

No Brasil, nos últimos anos, o número de praticantes de tênis de campo tem crescido tanto no âmbito recreacional como no competitivo. Podemos especular que tal fenômeno se deva ao nosso ídolo Gustavo Kuerten que tem apresentado grandes resultados e levado o nome do país ao estrelato no tênis mundial. Somando-se a isto, uma grande quantidade de patrocinadores novos tem surgido e assim aumentado o numerário de competições no país. Entre as mais visadas são os torneios Challenger e Futures que englobam a participação de tenistas infantis e juvenis.

O tênis de competição com sua característica de busca incessante pela performance tem levado os jogadores a estarem sujeitos aos mais variados casos de lesões músculo-esqueléticas. O surgimento dessas lesões pode ser atribuído a uma série de fatores, entre eles: biomecânica do gesto desportivo incorreto, uso excessivo de movimentos repetitivos, o uso de equipamento esportivo não-apropriado para a modalidade e/ou atleta, tipo de piso da quadra, entre muitos.

Nestes casos, a comissão técnica constituída por profissionais das diferentes especialidades tem buscado investigar as possíveis causas do surgimento das lesões e a forma em que as mesmas podem ser prevenidas. Com isso, a lesão na modalidade tem diminuído, porém, não deixam de acometer um ou outro atleta que devido a algum fator desapercebido torna-se incapacitado a exercer sua atividade esportiva.

O preparador físico é um dos membros da comissão técnica que tem como tarefa após um processo de reabilitação cuidar do retorno do atleta a sua prática esportiva. Para tanto, necessita criar um intercâmbio interdisciplinar entre o médico e o fisioterapeuta desportivo objetivando realizar a sua função de forma eficaz.

Portanto, este estudo tem como objetivo verificar e predizer o papel do preparador físico no retorno à prática competitiva após um processo de reabilitação músculo-esqueléticas nos jogadores de tênis de campo.


Conduta Geral do Preparador Físico no Tênis

A função do preparador físico em uma equipe de alto rendimento voltada para o tênis de campo é de planejar e programar a temporada do treinamento em conjunto com os membros da comissão técnica. Na elaboração da periodização das valências físicas exigidas na modalidade, deve-se levar em conta os princípios biológicos que regem a prescrição do treinamento desportivo(Weineck, 1999). O conhecimento das características biomecânicas e solicitações metabólicas exigidas durante uma partida é a base para o estabelecimento do programa de treinamento físico específico.

O tênis de campo solicita uma demanda energética mista(Groppel & Roetert, 1992), pois, exige do atleta tanto em termos do componente anaeróbio quanto do fornecimento aeróbio de energia. A solicitação anaeróbia é derivada dos fosfatos de alta energia decorrentes da ressíntese da enzima adenosina trifosfato(ATP-CP), presente nos movimentos de curta duração e alta intensidade que ocorrem na partida. A exigência aeróbia está relacionada ao tempo de duração do jogo que pode perdurar de trinta minutos a quatro horas ou mais de tempo total. Segundo Fox et alii (1991), a distribuição do sistema energético no tênis é na proporção de 70% ATP-CP, 20% anaeróbio lático e 10% aeróbio.

Em relação aos componentes da força, os movimentos de troca de bola no fundo da quadra são efetuados em média de 1100 batidas durante uma partida(Skorodumova, 1998). Esse número de movimentos repetitivos de adução e abdução implicaria na manutenção de um limiar da força para suportar tal esforço. Tais movimentos ocasionam um desbalanço na relação dos rotatores internos-externos tornando-se um possível elemento potencializador de lesões(Chandler et alii, 1992).

Também, o membro dominante desenvolve-se em maior escala se comparado ao membro contralateral. Este fato é derivado exclusivamente da unilateralidade excessiva das cargas de competição. Portanto, a identificação, monitoramento, correção e a avaliação das implicações posturais decorrentes do desbalanço é prática rotineira do preparador físico e se faz necessário como estratégia preventiva.

A seleção dos meios e métodos a serem empregados para potencializar as diferente valências física que se manifestam no tênis fica a cargo da análise e experiência do profissional da preparação física quanto a melhor escola de treinamento a seguir. Entre várias, destaca-se a metodologia da escola cubana, alemã e russa de treinamento desportivo(De La Rosa, 2001 ; Weineck, 1999 ; Verkhoshansky, 2001).


Conduta Específica do Preparador Físico no Tênis

A conduta específica do preparador físico refere-se a sua integração e colaboração para com os demais especialistas da comissão técnica. Uma equipe interdisciplinar esportiva pode se compor de um número ilimitado de profissionais, entre os principais componentes podemos citar: o médico desportivo, fisioterapeuta, fisiologista, psicólogo, biomecânico, massagista e estatístico. O quesito relevante a ser citado é que o fator que determina uma boa comissão técnica não é a quantidade de profissionais aglomerados, e sim, a qualidade dos mesmos em interpretar e correlacionar-se na solução dos diferentes problemas.

Nossa abordagem ficará restrita a três importantes contextos de relação, a saber: técnico-preparador físico, médico-preparador físico e fisioterapeuta-preparador físico.


A) Relação técnico-preparador físico

O técnico de tênis normalmente é considerado pelos demais membros da equipe como um coordenador das ações principais a serem tomadas para o desenvolvimento das habilidades motoras do atleta.

O preparador físico inserido neste contexto deve aproximar-se das ações desenvolvidas pelo técnico e auxiliá-lo nos casos em que a evolução técnica do atleta fica dependente da condição física. Deve discutir e analisar com o técnico o aparato motor e criar condições de treino físico que propiciem uma evolução na característica técnica dos tenistas.

B) Relação médico-preparador físico

O médico é um membro de fundamental importância para com o bom andamento das condições de saúde dos atletas. Participa efetivamente contribuindo para com a prevenção, diagnóstico e prescrição do tratamento a ser executado para as mais diversas lesões apresentadas.

O preparador físico deve se dirigir constantemente ao médico desportivo para buscar informações inerentes as causas das lesões apresentadas pelos atletas e traçar estratégias de prevenção. A elaboração de fichas individuais com o tipo e quantidade de lesões sofridas pelos atletas durante a temporada transforma-se em um instrumento de trabalho para controle preventivo durante a confecção dos programas de condicionamento físico.

C) Relação fisioterapeuta-preparador físico

O fisioterapeuta, assim como o médico desportivo, direciona seu foco de atenção as condições de saúde dos tenistas. A responsabilidade do fisioterapeuta na maioria das vezes fica a cargo de coordenar o andamento do processo de reabilitação dos atletas.

O fisioterapeuta transmite ao preparador físico os dados em relação ao comportamento do atleta durante as fases da reabilitação. Após a liberação médica contribui com o preparador físico para elucidação de situações típicas pós-reabilitação, tais como: manifestações de algia, re-assimilação motora das ações, prevenção de desequilíbrios musculares acentuados e melhoria na amplitude de movimento(ADM).

Com base nos contextos de relação, podemos resumir a integração médico, fisioterapeuta e preparador físico em um plano de ação para o surgimento de um tenista lesionado. O quadro 01 apresenta a inter-relação dos profissionais e suas respectivas funções durante esse complexo processo.

Quadro 01- Plano de Ação para Jogador de Tênis Lesionado






Lesões no tênis

Segundo Cotorro (1996) o tênis é um esporte que exige grandes solicitações do aparelho locomotor, principalmente no aspecto ósteo-ligamentar. O autor reporta que se compararmos a longevidade de um tenista de vinte anos atrás com os atuais, poderá se verificar que o tempo de carreira esportiva tem diminuído.

As lesões que se manifestam no tênis são muito variadas em termos de localização predominante nas estruturas anatômicas, porém, a maioria são derivadas de microtraumatismos repetitivos de competição e treino (Cotorro, 1996 ; Silva, 2000).

Na visão de Parkkari et alii (2000), o tipo, a freqüência, intensidade e a duração do treinamento é a maior causa da etiologia de lesões por overuse nos desportos.

Nos membros superiores (MMSS) a maioria das lesões são decorrentes de uso excessivo (lesões por overuse). Também, outras causas são atribuídas a essas lesões: técnica inadequada de treinamento, tipo de empunhadura na raquete, tensão utilizada nas cordas da raquete, desequilíbrio muscular e elevada força de preensão manual ao empunhar a raquete.

Lesões nos MMSS dos tenistas encontradas na literatura:

Epicondilite lateral do cotovelo (Gerbenich & Priest, 1985);

Alterações posturais no MMSS dominante(Priest & Nagel, 1976);

Luxação do extensor ulnar do carpo (Rayan, 1983);

Instabilidade do ombro (Garth et alii, 1987);

Fratura de estresse no segundo metacarpiano (Muraki, 1988);

Tendinite nos flexores e extensores do carpo (Osterman et alii, 1988);

Lesões no manguito rotator (Priest & Nagel, 1976 ; Bigliani et alii, 1992);

Fratura de estresse na ulna (Fragniére et alii, 2001).

Nos membros inferiores (MMII) temos encontrado alguns fatores de predisposição: uso de calçados novos para jogar ou modelo inadequado, movimentos bruscos realizados com os pés de paradas, saídas rápidas e constantes mudanças de direção, tipo de superfície da quadra e desequilíbrio muscular agonista/antagonista.

Lesões nos MMII dos tenistas encontrados na literatura:

Patologias patelofemurais (Renström, 1995);

Lesão longitudinal do tendão do músculo fibular curto (Larsen, 1987);

Lesão parcial do tendão do flexor longo do hálux (Trepman et alii, 1995);

Ruptura no tendão do quadríceps (Lowry et alii, 2001).

Em um estudo brasileiro realizado por Silva (2000) foram investigados a incidência de lesões ortopédicas em 160 tenistas competitivos do Estado de São Paulo. Na tese, foi feito um mapeamento das principais causas das lesões e suas inter-relações com outras variáveis(material esportivo utilizado, número de anos de prática e disputa de torneios, tensão das cordas da raquete, local das lesões, tempo de afastamento, entre outars).

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