Parada cardiorrespiratória. E agora?






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Parada cardio-respiratória é a cessação das funções cardíaca e respiratória. Na prática, o termo é também aplicado para a disfunção cardio-respiratória grave e aguda.

Disfuncão grave do sistema cardíaco ou respiratório resultará na falência de ambos os sistemas, se não for rapidamente corrigida.

CAUSAS TÓXICAS

Numerosos agentes tóxicos podem resultar em parada cardio-respiratória. Esta complicação é mais provável de ocorrer em intoxicações de indivíduos com doença cardio-respiratória prévia. São
exemplos importantes, classificados de acordo com o mecanismo:

Depressão respiratória central
Barbitúricos
Benzodiazepínicos e outros agentes sedativo-hipnóticos
Etanol
Opióides
Fenotiazínicos
Propoxifeno
Antidepressivos tricíclicos
Paralisia de músculos respiratórios
Botulismo
Certas intoxicações por peixes e mariscos (tetrodotoxina, saxitoxina)
Inibidores de colinesterase (organofosforados/carbamatos e agentes neurotóxicos)
Bloqueadores neuromusculares curare-like
Picada de cobra
Estricnina
Tétano

Edema pulmonar não-cardiogênico ou pneumonite
Cloro e outros gases e vapores irritantes
Inibidores de colinesterase (organofosforados/carbamatos e
agentes neurotóxicos)
Paraquat
Fosgênio
Derivados de petróleo ou aspiração pulmonar de conteúdo gástrico
Salicilatos

Diminuição da contratilidade cardíaca
Barbitúricos
Bloqueadores beta-adrenérgicos
Bloqueadores de canal de cálcio

Ergotaminicos
Antiarrítmicos tipo Ia ou Ic
Antidepressivos tricíclicos

Hipotensão devido perda de volume
Cogumelos contendo amanitina
Arsênico
Colchicina
Sulfato de cobre
Ferro

Bradicardia ou bloqueio AV
Bloqueadores beta-adrenérgicos
Antagonistas de cálcio
Inibidores de colinesterase (organofosforados/carbamatos e
agentes neurotóxicos)
Digitálicos e outros glicosídeos cardíacos
Antidepressivos tricíclicos

Taquicardia ventricular ou fibrilação
Anfetaminas e estimulantes relacionados
Antihistamínicos (terfenadina e astemizole)
Derivados de petróleo aromáticos e halogenados
Cafeína
Hidrato de cloral
Cloroquina e hidroxocloroquina
Cocaína
Digitálicos e outros glicosídeos cardíacos
Fluoreto
Fenotiazínicos (especiamente tioridazina)
Quinidina e outros agentes antiarrítmicos tipo Ia
Teofilina

Hipoxia celular
Monóxido carbono
Cianeto
Sulfeto de hidrogênio

CAUSAS NÃO TÓXICAS

Anafilaxia
Arritmias cardíacas
Tamponamento cardíaco
Distúrbios eletrolíticos
Hipotermia
Hipovolemia
Infarto do miocárdio
Embolia pulmonar
Sepsis

MANIFESTAÇÕES CLINICAS

O paciente em parada cárdio-pulmonar é usualmente arresponsivo, com respiração ausente ou agÔnica, pulsos ausentes ou pouco detectáveis. O monitor cardíaco pode mostrar qualquer ritmo, mas a maioria exibe assistolia, fibrilação ventricular, ou bradicardia extrema.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

Hipotermia
Síncope vasovagal

INVESTIGAÇÕES RELEVANTES

O tratamento é prioritário à investigação na abordagem inicial da parada cardiorespiratória.

O monitor cardíaco é essencial para determinar a atividade elétrica do coração; iniciar monitorização cardíaca imediatamente e observar continuamente.

As seguintes investigações podem ser úteis durante a ressuscitação:
Gasometria arterial
Raio X
ECG
Eletrólitos séricos incluindo cálcio e magnésio
Ecocardiografia

TRATAMENTO

O paciente deve ser tratado imediatamente. As prioridades no tratamento são as seguintes:

a) Estabelecer uma via aérea segura, inicialmente pelo posicionamento e aspiração, seguidas de medidas definitivas como a intubação endotraqueal.
b) Respiração assistida com ambu deve ser seguida de ventilação mecânica. Administrar oxigênio suplementar.
c) Obter um acesso venoso através do meio mais rápido possível  e iniciar monitorização cardíaca contínua. Auxiliar a circulação com massagem cardíaca externa até que o débito cardíaco
espontâneo se restabeleça. A cardioversão nas arritmias ventriculares tóxicas raramente têm sucesso e não deve preceder à correção da hipoxia, massagem cardíaca externa e a administração
de antídotos específicos. Marca-passo cardíaco externo ou transvenoso pode ser útil nas bradicardias graves.
d) Drogas: Atropina e Adrenalina devem ser administradas de acordo com as normas padronizadas de ressuscitação cardio-pulmonar.

Quando o agente tóxico é conhecido ou suspeito, os antídotos específicos abaixo estão indicados:

Bloqueadores Beta-adrenérgicos Glucagon Bloquedores de canal de cálcio Cálcio, Glucagon
Glicosídeos digitálicos Fragmentos Fab-digoxina Hidrato de cloral Beta-bloqueadores
Cafeína, Teofilina Beta-bloqueadores Acido hidrofluorídrico Cálcio Compostos organofosforados Atropina, oximas Antidepressivos tricíclicos Bicarbonato de Sódio
Antiarrítmicos tipo 1a/1c Bicarbonato de Sódio

EVOLUÇÃO CLINICA E MONITORIZAÇÃO

Nem todos os pacientes que desenvolvem parada cardio-respiratória irão sobreviver à ressuscitação. Entretanto, o prognóstico nas paradas cardio-respiratórias de origem tóxica, especialmente em indivíduos jovens anteriormente saudáveis, é geralmente mais favorável do que nas paradas por outras causas. Uma boa evolução é possível mesmo após uma ressuscitação muito prolongada. A evolução clínica depende do agente desencadeante. Monitorização intensiva e suporte cardio-respiratório são necessários até a resolução da toxicidade.

COMPLICAÇÕES TARDIAS

Lesão cerebral por hipoxia
Infarto do miocárdio

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