Sabendo mais sobre os vários tipos de Hérnias







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Na maioria das vezes, a visão que as pessoas tem de uma Hérnia é que ela se adquire através da má postura, com o tempo. Porém, basta um esforço violento e brusco para desencadear uma hérnia. E não há parte do corpo que fique a salvo.

Imagine um pneu de uma bicicleta. Por algum motivo o pneu rasga-se e a câmara-de-ar salta para fora. Como resolver o problema? Voltar a colocar a câmara-de-ar no devido lugar e fechar o buraco com um remendo. Agora, imagine esta situação, mas dentro do corpo, em qualquer parte do corpo.

Uma hérnia consiste numa protrusão de um órgão ou de um tecido através de um orifício anormal. De grosso modo, as "paredes" que ajudam a conter os órgãos e os tecidos no nosso corpo podem perder a firmeza necessária para mantê-los no devido lugar. Na parede abdominal, o entrecruzamento de bainhas musculares e de fáscias em várias direções criam pontos de fraqueza que podem abrir uma porta para a saída de um tecido ou órgão.

Mais frequente nos homens do que nas mulheres, o envelhecimento com o consequente enfraquecimento dos tecidos não serve, por si só, de explicação para o aparecimento das hérnias. Podem surgir em qualquer altura da vida, até mesmo um bebé pode nascer com uma hérnia, e neste caso estamos perante um defeito congênito, desenca­deado por uma anomalia na formação ou desenvolvimento do organismo.

Etiopatogenicamente, as hérnias podem classificar-se em dois tipos: as congênitas e as adquiridas. No primeiro caso, João Hagatong dá um exemplo bastante comum, a hérnia inguinal do recém-nascido e da criança do sexo masculino.

Durante o desenvolvimento intra-uteri­no do bebé, o testículo desce da cavidade intra-abdominal para o escroto através de um trajecto que encerra até ao final do primeiro ano de vida. Por vezes, acontece que o trajeto pode persistir aberto, favorecendo a formação ou a passagem de um conteúdo através do mesmo», diz o médico.

No topo da incidência encontram-se as hérnias adquiridas do adulto e aqui as da parede abdominal são as que assumem maior importância.

Algumas zonas têm maiores probabilidades de desenvolvimento de hérnias – a região da virilha (região inguinal e femoral), a umbilical, a epigástrica ou da linha branca – já que coincidem com zonas onde a parede do abdômen apresenta pontos mais fracos que favorecem a protrusão. As hérnias adquiridas estão associadas a vários fatores etiológicos, entre os quais os que promovem o aumento da pressão intra-abdominal.

Assim, o tabagismo e a bronquite crônica, pela força da tosse, a asma, pelo esforço da inspiração, ou a obesidade e até a própria gravidez e o trabalho de parto são alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento de hérnias da parede abdominal.


Podem, ainda, coexistir outros fatores de origem bioquímica e metabólica, relacionados com distúrbios do metabolismo do colageno, menos conhecidos e estudados, e que podem também estar implicados. As hérnias podem aparecer de uma forma súbita, após um esforço violento, mas também podem desenvolver-se lentamente ao longo de vários anos», refere o nosso entrevistado.

Todavia, uma coisa é certa, a existência de uma hérnia não deixa ninguém indife­rente aos sinais e sintomas: um «caroço» ou um «alto» na parede abdominal e sensações dolorosas incómodas ou mesmo dores associadas a determinados movimentos. No caso de a dor ser súbita, aguda e persistente, o clínico avisa que o doente poderá estar a desenvolver um quadro de encarceramento ou estrangulamento da hérnia, o que é uma urgência cirúrgica.

Independentemente da sua origem e localização, a solução para tratar uma hérnia passa sempre pela cirur­gia.

Estamos perante um defeito anatômico e, por isso, todas as ou­tras formas de tratamento, como a limitação da atividade e o uso de cintas ou fundas, podem aliviar temporariamente as queixas, mas não curam. No campo da cirurgia, existem várias técnicas para a reparação das hérnias e que, convencionalmente, se podem agrupar em dois grupos: as técnicas de herniorrafia – nas quais se sutura o defeito herniário; e as técnicas de hernioplastia – em que se corrige o defeito com a aposição de uma prótese (rede de um material semelhante às linhas de sutura).


Qualquer que seja o tipo de cirurgia efetuada, o sucesso depende do seguimento de princípios fundamentais: uma reparação anatômica do defeito e uma ausência de tensão nos tecidos. Como cada caso é um caso, também aqui, a escolha do tratamento a efetuar depende do tipo de hérnia, da sua localização e estado evolutivo, assim como da expe­riência do cirurgião com um determinado tipo de técnica.


Hérnias umbilical, discal ou inguinal. Independentemente da zona atingida ou do grau de incidência de cada uma, conhe­ça as suas características...


Hérnia epigástrica – surge na linha média do abdómen e resulta de pontos de fraqueza na bainha dos músculos rectos abdominais (músculos localizados na parte anterior e central do abdómen).


Hérnia umbilical ou paraumbilical – comum na infância, localiza-se na cicatriz umbilical, sendo geralmente desencadeada pela passagem de uma ansa intestinal através de um orifício na parede muscular subjacente à cicatriz umbilical, podendo desaparecer de forma espontânea.


Hérnia de Spiegel – apesar de rara, esta lesão ocorre na margem lateral do músculo recto do abdómen.


Hérnia inguinal – mais de 80% dos casos verifica-se nos homens. Surge na região das virilhas (zona de junção entre a coxa e parte inferior do abdómen). Pode estender-se até ao escroto e originar uma hérnia inguinoes­crotal.


Hérnia discal (lombar ou cervical) – ocorre em consequência de um esforço violento e desadequado. O disco vertebral, que amortece o movimento das vértebras, é deslocado para o exterior.

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