Aerosolterapia no Manejo da Crise de Asma







Asma e a aerosolterapia

A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas de grande calibre em resposta a algum patógeno como poeira, pêlo de animais, odores fortes... Durante uma crise de asma a via aérea encontra-se com resistência a passagem do fluxo aéreo e daí então o sinal clinico de falta de ar. Isto acontece devido a combinação de três situações: edema da mucosa brônquica, excessiva produção de muco e vasoconstricção da musculatura lisa brônquica. O uso da aerosolterapia com beta -2 agonistas, anticolinérgicos, metil-xantina e até corticosteróides tende a ser uma medida de alívio no tratamento e também, preventiva de crises. Em crises onde a aerosolterapia não tem resposta rápida ou a doença já encontra-se crônica, o uso de drogas anti - inflamatórias por via oral ou venosa, como corticosteróides, também são inclusas ao tratamento. ( 1 -2 ).

Via inalatória

A via inalatória para administração de drogas é a preferida para tratamento das doenças do trato respiratório e a sua eficácia estar atrelada ao seu correto manuseio e da quantidade de droga depositada nos pulmões. Uma boa distribuição de drogas nos pulmões requer partículas com diâmetro aerodinâmico entre 1 e 5mm. ( 3 - 4). Através da inalação, as drogas chegam diretamente no local de ação, com rápida atuação e evitando os efeitos colaterais. Três sistemas diferentes de inalação podem ser usados para produção de aerossol : nebulizadores, inaladores pressurizados e inaladores de pó seco.

Nebulizadores

Os nebulizadores - jato e ultrassônico- tem sua vantagem no manejo das crises devido não haver necessidade de coordenação para seu uso e isso se faz importante se o paciente é uma criança ou se estar em crise aguda. O tamanho das partículas liberadas pelo nebulizador é algo importante no local e eficiência de atuação pulmonar onde, partículas maiores que 5mm de diâmetro se depositam nas vias aéreas superiores e partículas com diâmetro inferior a 1mm chegam aos alvéolos e são expiradas ( 5).

O nebulizador a jato, comumente encontrado na prática clínica, é assim denominado por usar um fluxo de alta velocidade de ar ligado a uma câmara. A droga é depositada na câmara e pelo sistema , transformada em aerossol. As partículas liberadas tem diâmetro entre 2 - 10 mm. O fluxo de ar recomendado deve ser em torno de 6l/min e o volume de solução colocada deve ser de 3-5ml. Durante a nebulização estima-se que apenas 12% da solução chega aos pulmões e o restante é perdido durante a expiração. (6)

O nebulizador ultrassônico tem como característica o uso de um cristal piezoelétrico oscilante. As vibrações são transmitidas para superfície da solução, formando ondas sonoras. A partir daí há uma dissociação de partículas, formando o aerossol. A desvantagem destes nebulizadores é que eles produzem partículas grandes, com mau perfil de deposição pulmonar e ainda, não se pode usar drogas em suspensão .

Inaladores pressurizados - "bombinhas"

Os inaladores pressurizados são dispositivos portáteis comumente usados para administração de várias drogas na crise de asma. O uso destes dispositivos faz com que parte da droga liberada para o paciente seja depositada na orofaringe. Nestes pressurizadores, a droga é suspendida ou dissolvida em mistura de freons e surfactante estocada num recipiente metálico. Com o acionamento do dispositivo, a liberação das pressões causa uma rápida vaporização do freon e a ejeção, em forma de aerossol, da droga + freon + surfactante. Estes dispositivos causam danos a camada de ozônio e assim, os mesmos tendem a ser substituídos no mercado pelos inaladores de pó seco.

Inaladores de pó seco

Os inaladores de pó seco é um sistema aerossol com a droga gerado pela própria inalação do paciente. A quantidade de partículas inaladas vai depender do fluxo gerado pelo paciente. Geralmente o fluxo suficiente para a partícula depositar gira em torno de 60-120l/min.

Manejo e atuação da fisioterapia junto a aerosolterapia

A escolha do sistema de aerosolterapia vai depender da faixa etária do paciente e do seu grau de cooperação. A orientação durante a aerosolterapia vem por otimizar o seu efeito. Isto pode ser feito através do manejo correto do padrão ventilatório durante a aerosolterapia e da utilização de artifícios como peça bocal e espaçadores.

A forma de aerosolterapia por nebulizadores quer seja a jato ou ultrassônico estão indicados para crianças ou pacientes em crise, onde a coordenação para efetuar o manejo do inalador pressurizado encontra-se prejudicado. Contudo, se a escolha for a nebulização, é prudente que a opção seja pela a jato devido ao tamanho das partículas. Na nebulização ultrassônica a partícula é mal depositada. O padrão respiratório orientado para otimizar o efeito da droga é inspiração pela boca com uma expiação mais prolongada. Se possível, dependendo da coordenação do paciente, as peças bocais devem substituir as máscaras para haver uma menor perda da droga inalada.

Enquanto os inaladores de pó seco não são nossa realidade, a aerosolterapia por inaladores pressurizados é a escolha correta. Assim que possível, ele deve ser adotado por ser prático, realizado em qualquer lugar e de boa atuação farmacológica. O seu uso deve ser feito com os espaçadores ou aerocâmeras acopladas entre a boca do paciente e o dispositivo. O paciente vai fazer uma inspiração profunda após Ter sido liberado o puff do dispositivo.(7)

Os espaçadores tem a função de diminuir a velocidade do aerossol e o tamanho das partículas e assim contribuir para menor impactação de partículas na cavidade oral. Além disso, o espaçador aumenta a dose respirável de partículas para a árvore brônquica ( partículas menores que 5mm ) , chegando a alcançar 21% da droga total aplicada. Porém, a lavagem da cavidade oral deve ser efetuada após a inalação para evitar candidíase.( 7 ).

Bibliografia

1 - Haahtela, T. Airway remodeling takes place in asthma: what are the clinical implications ? Clin Exp Allergy 27: 351-3; 1997.

2 - Barnes, P. J., Perdesen S., Busse W.. Efficacy and safety of inhaled corticosteroids : new develoments. Am J Respir Care Med 157: s1-53; 1998.

3 - Lippmann, m., Yeutes D.M., Albert, R.E.. Deposition, retetion and clearance of inhaled particles. Br j Intern Med 37; 337-62, 1980.

4 - Swartengren, M., et al.. Mouth and throat deposition of 3,6mm radiolabelled particles in asthmatics. J aerosol med 4: 313-321, 1991.

5 - Swift, D.. Generation and respiratory deposition of therapeutic aerosols. Am ver Respir dis 122; 71-7,1980.

6 - Smith, E., et al.. Comparison of twenty three nebulizer/compressor combinations for domiciliary use. Eur respir j 8 ; 1214-21, 1995.

7 - Berg, E.. In vitro properties of pressuriezed metered dose inhalers with and withouth spacer devices. J Aerosol Med 8 (suppl 3) : 3 - 11, 1995.
Autor: Patrícia Vieira Fernandes - Fisioterapeuta do Hospital Barra D Or, Hospital Estadual Santa Maria, Especialista em Terapia Intensiva pela UNESA e SOBRAFIR, Coordenadora Científica do InterFISIO e dos Cursos Fisioterapia InterFISIO/Berkeley, Vice-presidente SOBRAFIR-RJ.

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