Fisioterapia na Incotinencia Urinária







A incontinência urinária atinge, segundo estatísticas médicas, cerca de 50% das mulheres adultas com mais de 65 anos e representa um grave problema social. Em muitos casos, a pessoa se isola do convívio e das atividades cotidianas. A incontinência urinária é multifatorial, sua origem pode ser desde o desequilíbrio hormonal, flacidez (constitucional ou não) da musculatura vaginal, obesidade ou ainda traumatismos vaginais provocados por partos com fetos grandes ou longos períodos de expulsão. Até pouco tempo, a cirurgia era o tratamento mais usado para a incontinência urinária, mas agora já existem novas opções de tratamento, como a fisioterapia.
 
A fisioterapia reúne técnicas de eletroestimulação, exercícios perineais, cones vaginais e biofeedback, entre outras. Podem ser indicadas no tratamento de diferentes tipos de incontinência urinária, incontinência fecal, dor pélvica crônica e em algumas disfunções sexuais. "Estes métodos podem ser utilizados de forma preventiva ou curativa. Preventivamente, são indicadas nos casos assintomáticos, mas de alto risco, como nas pacientes grávidas e que desejam partos normais, ou mulheres esportistas que praticam atividades com impacto e também quando há patologia pulmonar crônica (tosse), obstipação crônica e em pacientes que realizam trabalhos pesados ou na menopausa", afirma Ivani Kehdi, ginecologista obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz. Para mulheres que ainda não apresentam incontinência urinária mas que já têm algum grau de fraqueza do assoalho pélvico, como por exemplo, sensação de peso ou bexiga caída (casos discretos), também são indicados os tratamentos preventivos.
 
A doença afeta muito mais as mulheres do que os homens e aumenta a incidência conforme o passar dos anos. "É necessário que se faça um diagnóstico muito cuidadoso para se detectar o tipo de incontinência urinária, pois só assim é possível evitar terapêuticas incorretas ou desnecessárias que podem piorar o quadro da paciente e comprometer o tratamento adequado", explica Raquel Martins Arruda, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz.
 
Tipos de tratamento:
à Eletroestimulação - Método fisoterapêutico que consiste na aplicação de estímulos elétricos na musculatura do assoalho pélvico, e pode ser indicado em diferentes tipos de incontinência urinária, de acordo com a freqüência do estímulo elétrico empregado. Consiste na utilização de corrente elétrica em diferentes freqüências, por meio de eletrodos que podem ser anais, vaginais, de superfície ou internos. Este método, inclusive, pode ser utilizado em casa, pois já existem aparelhos portáteis de eletroestimulação que podem ser manuseados com tranqüilidade pelo paciente.
 
à Cones vaginais - Representam uma forma simples e prática de fortalecer a musculatura do assoalho pélvico. À paciente é solicitado que retenha cones vaginais com mesmo formato, mas pesos crescentes, que variam de 20g a 70g ou de 20g a 100g. A técnica consiste em manter o cone mais pesado na vagina por um período de tempo variável.
 
No cone passivo não existe contração voluntária da paciente. É a sensação de saída do cone da vagina que desencadeia uma contração reflexa dos músculos perineais. No cone ativo, a paciente contrai voluntariamente sua musculatura perineal para evitar que o cone saia da vagina.
 
à Exercícios perineais - Consistem na realização de contrações lentas e rápidas da musculatura do assoalho pélvico. São indicados no tratamento da incontinência urinária de esforço, e, mais recentemente, nos casos de bexiga hiperativa. É importante que a paciente aprenda a contrair os músculos corretos, evitando-se assim a contração dos músculos abdominais, glúteos e dos músculos da coxa.
 
à Biofeedback  - Técnica que visa a melhorar os sintomas urinários por meio da conscientização da paciente a respeito de sua musculatura perineal. O biofeedback permite que a paciente tenha um sinal sonoro ou visual como resposta às suas contrações musculares. Desta maneira, a paciente consegue distinguir quais os grupos musculares estão sendo trabalhados, contribuindo para tornar os exercícios mais efetivos. As técnicas de biofeedback são particularmente indicadas para as mulheres que não conseguem contrair corretamente a musculatura perine, que correspondem a cerca de 30% das pacientes com incontinência urinária.
 
à Injeções de colágeno - As injeções de colágeno têm melhores resultados nos casos de incontinência urinária de esforço por defeito esfincteriano sem hipermobilidade do colo vesical. São, em geral, utilizadas em pacientes que não querem ou não têm condições clínicas de se submeterem ao tratamento cirúrgico. As aplicações podem ser feitas em ambulatório, com anestesia local e sempre sob controle cistoscópico (exame endoscópico que verifica a quantidade e o local exato das aplicações de colágeno).
 
à Tratamentos cirúrgicos - A opção mais recente no tratamento cirúrgico da incontinência urinária é o TVT (Tension Free Vaginal Tape). Trata-se de uma técnica minimamente invasiva que pode ser realizada com anestesia local e em regime de hospital-dia, com alta após um período de seis a 12 horas do ato cirúrgico.
 
A cirurgia é feita por meio da colocação de tela de prolene (em formato de fita), debaixo da uretra. Esta fita funciona como um suporte para a uretra. Toda vez que há algum aumento de pressão abdominal (tosse, por exemplo), a uretra é empurrada em direção à fita, ocorrendo oclusão da luz uretral e assim evita a perda involuntária de urina. Na maioria dos casos a paciente não precisa permanecer com sonda vesical no pós-operatório, o que significa bastante conforto e diminui a possibilidade de infecção urinária. "Esta técnica já vem sendo bastante difundida nos EUA e Europa, e mais recentemente também no Brasil. Alguns cuidados pós-operatórios são importantes, como não deixar a bexiga muito cheia e evitar a obstipação intestinal", explica Raquel, ressaltando que apenas as pacientes com doenças clínicas graves são contra-indicadas para os tratamentos cirúrgicos convencionais.


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