Bursite, um problema de mecânica






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A palavra que dá nome ao desconforto da Bursite vem de bursa, que em latim significa bolsa, e ite, designação de origem grega para inflamações. Ou seja, trata-se de uma inflamação na bursa - uma cavidade em forma de bolsa que contém um líquido viscoso (sinovial) e cuja função é amenizar o atrito entre as estruturas que formam uma articulação (ossos, músculos e tendões) cada vez que realizamos um movimento. É comum o problema ocorrer na região do ombro (como no caso de Lula), mas também nos cotovelos, joelhos, tornozelos e quadril.

O que acontece é que, apesar de contar com esse verdadeiro sistema amortecedor nas articulações, se o indivíduo forçar demasiadamente uma região do corpo com movimentos repetitivos, a bursa pode inflamar. Daí, para se defender, o organismo logo providencia um aumento do volume do líquido contido na bursa, na tentativa de diminuir o atrito. Porém, em vez de ajudar, esse acúmulo acaba por comprimir as terminações nervosas espalhadas pela articulação afetada. Depois de um tempo, ao menor movimento executado, o indivíduo sente uma fisgada dolorosa no local.

A dor incomoda tanto que compromete até mesmo as atividades mais simples do dia-a-dia, como levantar o braço para pentear os cabelos. Em geral, os sintomas da bursite são dor, edema, inflamação local, tudo isso causando restrição de movimentos. Porém a sensação de incômodo varia de acordo com a localização da área afetada. Se acomete a parte superior do ombro, por exemplo, provoca dores quando a pessoa estende o braço lateralmente ou quando o traz para frente com a palma da mão virada para baixo. Entretanto, se a inflamação estiver localizada na parte posterior do ombro, a dor se manifesta quando você 'torce' o braço, seja para frente ou para trás.

As possíveis causas

Não são apenas os movimentos repetitivos ou desajeitados que podem provocar bursite. Existem outras causas que também contribuem para o desenvolvimento do quadro inflamatório: traumatismos, infecções, lesões originadas por esforço, uso excessivo das articulações (como fazem esportistas de várias modalidades), artrites ou ainda um distúrbio metabólico como a hiperuricemia, que provoca o depósito de cristais de ácido úrico na articulação afetada. Porém, um dos fatores mais freqüentemente apontados como desencadeante da bursite é a síndrome do impacto - doença que afeta de 2% a 18% da população adulta, provoca dores quando se levanta o braço e é causada pelo desgaste do manguito rotador, um conjunto de três tendões existentes na articulação do ombro.

Na verdade, o desgaste se dá por um problema mecânico. Durante a elevação do braço pode haver uma constante compressão do manguito rotador e um atrito dele com o acrômio, um dos ossos da região. Como a lesão é gradativa e cumulativa - imagine uma corda roçando vezes seguidas na quina de um barco -, após algum tempo pode acontecer o rompimento do conjunto de tendões. Essa lesão aparece, em geral, a partir dos 40 anos, principalmente em indivíduos que realizam movimentos repetitivos com o braço acima do ombro, como professores, dentistas, jogadores de vôlei e de tênis, donas de casas e carregadores

Diagnóstico deve ser cuidadoso

Como, afinal, distinguir a dor da bursite daquela originada por um estiramento de músculo ou de um tendão? Neste caso, a principal diferença é que o estiramento provoca dores quando o músculo (ou o tendão) lesado é acionado para fazer algum tipo de movimento. Já a inflamação da bursa dá sinal em feitas manobras como levantar o ombro, 'jogá-lo' para trás e abrir os braços. Mesmo se os membros superiores estão relaxados ao lado do corpo, muitas vezes quando há um movimento de oscilação ainda que leve, a dor causada pela bursite pode aparecer. Outra diferença: na doença que ataca o presidente Lula a fisgada sempre ocorre no mesmo lugar toda vez que a bolsa (bursa) é contraída em uma posição que a irrite, ao contrário de outras inflamações ortopédicas.

"Como os sintomas de bursite podem ser confundidos com outros problemas que atingem as articulações, o diagnóstico é feito clinicamente. O médico deve investigar primeiro a história do paciente e ouvir atentamente suas queixas. Depois, com algumas manobras específicas, o especialista pode avaliar melhor a localização da inflamação da bursa e se ela já se apresenta em estado crônico ou agudo. Também é durante o exame clínico que o médico pode perceber se o paciente sofre de uma bursite aguda gerada por uma outra causa, como infecção ou excesso de ácido úrico. Nesse caso, a articulação se apresenta dolorosa, avermelhada e quente na apalpação.

Dependendo da necessidade, o ortopedista pode pedir exames complementares como radiografia, ultra-som ou até ressonância magnética. Este último é importante para auxiliar o especialista no diagnóstico diferencial, principalmente quando há suspeita de lesões no manguito rotador.

Em um primeiro momento, os cuidados para tratar um quadro de bursite consistem em aliviar o mais rápido possível a dor do indivíduo por meio da administração de analgésicos e antiinflamatórios não hormonais. Apenas em casos críticos, com episódios de dores intensas, os médicos recomendam o uso de corticóides.

Porém, os tratamentos modernos vão muito além da prescrição de medicamentos, infiltrações locais de cortisona e imobilização do ombro ou de outro local afetado. Hoje, são indispensáveis as sessões de fisioterapia, que têm como objetivo a restauração da função articular e o fortalecimento dos músculos para recuperar a capacidade de movimentação do ombro, cotovelos, joelhos, tornozelos, quadril ou de qualquer outra área atingida

Além disso, se houver outra causa para o desencadeamento do problema, como a existência de gota ou artrite reumatóide, também será preciso tratá-la para que não haja risco de uma recidiva da bursite..



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