Reabilitação de trabalhadores com LER depende do ambiente profissional e de acompanhamento.







   

Um bom ambiente de trabalho é uma das chaves para que pessoas vítimas de Lesões por Esforço Repetitivo (LER) consigam reabilitar-se com sucesso. Em pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, cerca de 30% dos trabalhadores em processo de reabilitação mencionaram que as relações interpessoais com os colegas foram muito importantes na volta às atividades.

O estudo, realizado com um grupo de bancários, pode ser aplicado em outras áreas. "É possível generalizar as conclusões na medida em que a maioria das categorias trabalha com gestão de pessoal", explica Márcia Elena Rodrigues Gravina, especialista em saúde do trabalhador e que pesquisou o tema da reabilitação em sua tese de doutorado, defendida no dia 23 de setembro.

Segundo ela, muitos dos fatores que dificultam a plena reabilitação do trabalhador não são exclusivos da categoria dos bancários, e incluem muitos dificultadores de ordem psicológica e física. "A organização do trabalho é um problema na maioria dos lugares, pois está focada na produção e no lucro, não no bem-estar dos trabalhadores".

Além disso, Márcia afirma que "existe uma questão que vai além da materialidade do trabalho no caso das LER. Os fatores físicos estão interligados com os psicológicos". Já se sabe que um estresse acentuado pode enfraquecer o organismo, deixando o sistema imunológico mais vulnerável e até interferindo na produção de algumas substâncias essenciais para a manutenção do metabolismo.

Dificultadores

Em sua pesquisa, Márcia separou os dificultadores e facilitadores para a reabilitação dos trabalhadores em três grupos principais: o da organização do trabalho, o de fatores psicossociais (como o sentimento de utilidade no retorno e uma compreensão por parte dos colegas) e o preparo das instituições incumbidas de promover a reinserção do trabalhador. Este último, no entanto, foi apontado apenas entre os dificultadores. Uma das conclusões do estudo é de que "as instituições que lidam com a reabilitação (INSS, empresa e assistência médica) não têm colaborado para o sucesso do processo de retorno ao trabalho".

A sobrecarga a que os médicos do INSS são submetidos os impede de fazer um diagnóstico mais preciso e um acompanhamento mais individualizado. E isso causa impactos diretos na reabilitação. Os pacientes recebem alta com especificações muito genéricas, como "não levantar o braço direito acima de 90º ou não carregar peso", enquanto são necessárias restrições mais específicas, que preservem o trabalhador. Márcia diz que uma boa avaliação da condição do trabalhador e de suas capacidades faz com que "a reabilitação aconteça de forma muito mais adequada".

Foram elaboradas também uma série de recomendações para que o retorno ao trabalho obtenha sucesso, todas no sentido de cobrir os dificultadores encontrados. O ideal seria que as lesões não ocorressem, principalmente por meio da prevenção. Mas, segundo a pesquisadora, os adoecidos ainda sofrem discriminação por conta da doença, e isso faz com que muitos só procurem ajuda tardiamente, quando a LER já se tornou crônica. "Por ser uma doença que não aparece, o paciente é desacreditado. Pensam que ele não quer trabalhar".

Fonte: Agência USP


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