Fisioterapeuta em uma equipe de primeiros socorros







 "Em 1859, Jean Henry Dumant, suíço, com a função de administrador da Sociedade Anônima Moinhos de Mons-Dyemile, foi a Paris com propósito de conseguir de Napoleão III, autorização para instalar uma companhia, o moinho, na Argélia, que pertencia ao domínio francês. Dumant, atrás das linhas francesas, teve a oportunidade de observar, em Castiglione, a chegada dos feridos de guerra e constatou que a assistência dos serviços médicos, dada aos guerreiros tinha caído em colapso, em ambos os exércitos. O número de feridos, que chegavam à unidade aumentava cada vez mais, transformando-a em postos de atendimentos. Dumant observou que o tétano, a gangrena, as infecções e mutilações não tardaram a enegrece mais ainda o quadro dantesco da cidade. Reuniu as mulheres da comunidade e mais de 300 soldados, organizando um "Corpo de Assistência aos Feridos". A assistência aos feridos, era aplicada indistintamente a amigos ou inimigos" (NOVAES & NOVAES, 1994).

    Ao regressar a Genebra preconizou a criação de organizações em todos os países, com o objetivo de socorrer os feridos sem distinção de nacionalidade. Com o apoio de quatro personagens importantes, um general, um jurista e dois médicos, criaram o Comitê Internacional dos Cinco. Através de seu empenho, conseguiu a adesão de vários países e em 1863, realizou-se a Conferência de Genebra, onde se criou um organismo: A Sociedade Internacional Humanitária em Defesa do Ferido de Guerra, posteriormente denominada Cruz Vermelha (NOVAES & NOVAES, 1994).

    Em 1870, ao findar a guerra franco-prussiana, Dumant ressurge vigoroso e entusiasta à frente, em socorro aos feridos de guerra clamando por humanidade. Por esta época incentivou a comunidade a que se ensinassem os primeiros socorros a serem aplicados não só no período de guerra mais aos períodos oriundos de calamidades, catástrofes e fome, surgindo desta forma os Primeiros Socorros (NOVAES & NOVAES, 1994).

    Denominam-se primeiros socorros o tratamento aplicado de imediato ao acidentado ou portador de mal súbito, ou seja, são cuidados imediatos prestados a uma pessoa, fora do ambiente hospitalar, cujo estado físico, psíquico e ou emocional coloquem em perigo sua vida, com o objetivo de manter suas funções vitais e evitar o agravamento de suas condições, até que receba assistência medica especializada (NOVAES & NOVAES, 1994).

    Atividade de socorrista é regulamentada pelo Ministério da Saúde, segundo a portaria n° 824 de 24 de junho de 1999. O socorrista possui um treinamento mais amplo e detalhado que uma pessoa prestadora de socorro. Um bom socorrista deve ter espírito de liderança, bom senso, compreensão, tolerância e paciência; ser um líder, na concepção da palavra; saber planejar e executar suas ações; saber promover e improvisar com segurança; ter iniciativa e atitudes firmes e ter, acima de tudo o espírito de solidariedade humana, ou "Amor ao próximo" (NOVAES & NOVAES, 1994).

    Toda pessoa que estiver realizando o atendimento de primeiros socorros deve, antes de tudo, atentar para a sua própria segurança. O impulso de ajudar a outras pessoas não justifica a tomada de atitudes inconseqüentes, que acabem transformando-o em mais uma vítima. A seriedade e o respeito são premissas básicas para um bom atendimento de primeiros socorros. Para tanto, evite que a vítima seja exposta desnecessariamente e mantenha o devido sigilo sobre as informações pessoais que ela lhe revele durante o atendimento (SILVEIRA & MOULIN, 2003).

    O consentimento para o atendimento de primeiros socorros pode ser formal, quando a vítima verbaliza ou sinaliza que concorda com o atendimento, após o prestador de socorro ter se identificado como tal e ter informado à vítima de que possui treinamento em primeiros socorros, ou implícito, quando a vítima esteja inconsciente, confusa ou gravemente ferida a ponto de não poder verbalizar ou sinalizar consentindo com o atendimento. Neste caso, a legislação infere que a vítima daria o consentimento, caso tivesse condições de expressar o seu desejo de receber o atendimento de primeiros socorros. O consentimento implícito pode ser adotado também no caso de acidentes envolvendo menores desacompanhados dos pais ou responsáveis legais. Do mesmo modo, a legislação infere que o consentimento seria dado pelos pais ou responsáveis, caso estivessem presentes no local (SILVEIRA & MOULIN, 2003).

    O prestador de socorro deve ter em mente que a vítima possui o direito de recusa do atendimento. No caso de adultos, esse direito existe quando eles estiverem conscientes e com clareza de pensamento. Isto pode ocorrer por diversos motivos, tais como crenças religiosas ou falta de confiança no prestador de socorro que for realizar o atendimento. Nestes casos, a vítima não pode ser forçada a receber os primeiros socorros, devendo assim certificar-se de que o socorro especializado foi solicitado e continuar monitorando a vítima, enquanto tenta ganhar a sua confiança através do diálogo (SILVEIRA & MOULIN, 2003).

    Caso a vítima esteja impedida de falar em decorrência do acidente, como um trauma na boca por exemplo, mas demonstre através de sinais que não aceita o atendimento, fazendo uma negativa com a cabeça ou empurrando a mão do prestador de socorro, deve-se proceder da seguinte maneira: não discutir com a vítima; não questione suas razões, principalmente se elas forem baseadas em crenças religiosas; não tocar na vítima, isto poderá ser considerado como violação dos seus direitos; converse com a vítima, informe a ela que você possui treinamento em primeiros socorros, que irá respeitar o direito dela de recusar o atendimento, mas que está pronto para auxiliá-la no que for necessário; arrolar testemunhas de que o atendimento foi recusado por parte da vítima. No caso de crianças, a recusa do atendimento pode ser feita pelo pai, pela mãe ou pelo responsável legal. Se a criança é retirada do local do acidente antes da chegada do socorro especializado, o prestador de socorro deverá, se possível, arrolar testemunhas que comprovem o fato (SILVEIRA & MOULIN, 2003).

    Deixar de prestar socorro significa não dar nenhuma assistência à vítima. A pessoa que chama por socorro especializado, por exemplo, já está prestando e providenciando socorro. Qualquer pessoa que deixe de prestar ou providenciar socorro à vítima, podendo fazê-lo, estará cometendo o crime de omissão de socorro, mesmo que não seja a causadora do evento, a omissão de socorro e a falta de atendimento de primeiros socorros eficiente são os principais motivos de mortes e danos irreversíveis nas vítimas de acidentes de trânsito (SILVEIRA & MOULIN, 2003).

    O serviço de atendimento pré-hospitalar envolve todas as ações que ocorrem antes da chegada do paciente ao ambiente hospitalar, e pode influir positivamente nas taxas de morbidade e mortalidade por trauma. A assistência qualificada na cena do acidente, o transporte e a chegada precoce ao hospital são fundamentais para que a vítima chegue ao hospital com vida. O atendimento pré-hospitalar é realizado através de duas modalidades: o suporte básico à vida, que se caracteriza por não realizar manobras invasivas e o suporte avançado à vida, que possibilita procedimentos invasivos de suporte ventilatório e circulatório (ANTUNES & DIAS, 2006).

    O atendimento pré-hospitalar consiste em três etapas: 

  1. atendimento na cena do acidente; 

  2. transporte rápido e com segurança até o hospital;

  3. Chegada ao hospital

Quer anunciar neste blog?
Mande uma mensagem no Whatsapp clicando aqui

Quer sugerir uma pauta?
Mande uma mensagem no Whatsapp clicando aqui ou um email clicando aqui


Você não pode perder

Cursos de FISIOTERAPIA para mudar sua carreira:

Tecnologia do Blogger.