Paralisia cerebral em crianças







Paralisia Cerebral (PC) é uma condição clínica muito abrangente que compreende uma série heterogênea de fatores etiológicos ocorridos nos períodos pré-natal, perinatal ou pós-natal e, descreve distúrbios dos mecanismos posturais e ação motora, podendo também causar distúrbios associados mentais, sensoriais e de comunicação, secundários a uma neuropatologia não progressiva do encéfalo imaturo (Umphred, 1994, Lianza, 2001, Kottke, 1994).

Nem sempre estaremos frente a uma paralisia, pois não é o que se observa na seqüela da maioria dos pacientes que, mais comumente apresentam uma paresia. E, pode ocorrer da lesão nem sempre ser de origem cerebral, podendo também acometer cerebelo ou outras estruturas encefálicas.

Referente à bibliografia utilizada, podemos classificar os tipos de Paralisia Cerebral através de suas características categóricas e variantes clínicas:

- Na hemiparesia (hemiplegia) espástica, a lesão origina-se do sistema corticoespinhal e de um dos hemisférios cerebrais, tipicamente afeta mais o braço e a mão do que a perna. Todas as crianças com PC hemiplégica deambulam, embora mais tarde que o habitual e na ponta dos dedos do pé afetado. 

- Na diplegia ou diparesia espástica ou doença de Little, a espasticidade predomina nas pernas e afeta com menor gravidade as mãos e a face, ocorre atraso no controle da cabeça e tronco, os reflexos tendinosos estão hiperativos, o espasmo dos adutores é responsável pelas pernas "em tesoura" e a espasticidade pode impedir a deambulação sem auxílio do cuidador ou suporte externo

- A quadriplegia espástica é a variante mais grave da PC e, está associada freqüentemente à deficiência mental. A grave espasticidade das extremidades pode associar-se a hipotonia axial e cervical. As crianças quadriparéticas raramente conseguem andar e muitas delas ficam totalmente dependentes, as manifestações clínicas vão se agravando à medida que a criança cresce, pois não cumprem as etapas do desenvolvimento neuropsicomotor: não sustentam a cabeça, não sentam, não engatinham e não ficam em pé nos períodos esperados, possuem dificuldades de deglutição e sialorréia por incapacidade de fechar a boca, a emissão de som vocal é pobre e durante o choro assume posição de hiperextensão de tronco e membros. 

- As crianças com PC hipotônica são flácidas, mas apresentam reflexos tendinosos hiperativos, o que as distingue das crianças com doenças do neurônio motor inferior ou musculares primárias. O lactente muitas vezes assume uma posição típica mantendo os membros em abdução, flexão e rotação externa, a cabeça costuma cair para trás quando levanta-se a criança e quando esta é mantida na posição sentada ou em pé, no decúbito ventral pode faltar o desvio lateral da cabeça e a incapacidade de produzir força muscular para sucção e deglutição também podem estar presentes.

- Em crianças com PC discinética, lesões dos gânglios da base levam a movimentos involuntários anormais, incluindo atetose, coreoatetose ou distonia. 

- A PC atáxica é a forma mais rara, a ataxia do tronco e da marcha é mais notável que a das extremidades, o quadro clínico predominante é de incoordenação geral e distúrbios do equilíbrio estático e dinâmico. A marcha é disbásica, ou seja, mal coordenada, com base de sustentação larga e com uso das mãos para apoio, a fala é escandida e disártrica e estão presentes tremores de ação e dismetrias. 

- E, o termo PC mista denota a combinação de PC discinética e espástica ou de ataxia e atetose, uma categoria para as crianças que não preenchem critérios estritos de uma das formas principais. (Rowland, 1995, Lianza, 2001 e Shepherd, 1996).

A identificação das várias características de Paralisia Cerebral, quando diagnosticadas corretamente, fornecem ao terapeuta importantes informações para que se possa estabelecer prioridades de tratamento, ou seja, o diagnóstico da Paralisia Cerebral é essencialmente clínico, baseado nos dados expostos até o momento. Exames complementares são realizados com rotina quando o paciente é inicialmente atendido, visando a descoberta do fator etiológico, sendo que, no exame anatomopatológico destacam-se as más formações do SNC e as seqüelas da anóxia.

Alguns dos ajustes físicos anormais observados em portadores de Paralisia Cerebral podem estar relacionados à postura e aos movimentos corporais, mediante a um obstáculo ou tão somente à força que a gravidade exerce sobre o corpo. Esta anormalidade será ainda maior quando forem necessários o controle motor e o uso do esquema corporal e das reações proprioceptivas e de equilíbrio para o cumprimento de determinadas tarefas, sejam elas quais forem. Esta condição pode dar a impressão de que o quadro clínico do paciente está se agravando, o que não é verdade, pois, em comparação a todas as bibliografias consultadas, não há evidências para sugerir que a lesão em si piore ou, altere-se, e, segundo Umphred (1994, p.238) "... a vontade da criança a direciona para usar todo o potencial de movimento que ela possui para explorar seu ambiente e tornar-se informada sobre seu próprio corpo". Sendo este um dos momentos oportunos para a atuação fisioterapêutica.

A condição imediata ao diagnóstico, feito o mais cedo possível nos primeiros meses de vida do bebê, com detecção de alterações no desenvolvimento sensório-motor, seguido de um conjunto de técnicas de intervenção terapêutica, leva a um tratamento ideal.

A importância de estabelecer o tratamento precoce está em aproveitar as fases do desenvolvimento motor relacionadas às etapas de maturação do sistema nervoso e, relatado por Lianza (2001, p. 285) "com estimulação e aproveitamento da inervação recíproca, utilizando o potencial de plasticidade neuroaxonal da arquitetura cerebral".

Dessa forma, torna-se essencial, estimular a independência de cada paciente, focalizando habilidades e conquistas ajustadas às suas capacidades. Talvez este seja o nosso maior desafio: a inserção do paciente na sociedade.


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