Sindrome da perna inquieta







A síndrome das pernas inquietas (RLS - RESTLESS LEGS SYNDROME ou SPI) foi descrita pela primeira vez pelo neurologista sueco Karl-Axel Ekbom em 1947. Caracteriza-se por alterações da sensibilidade e desconforto nos membros inferiores, mas que podem acometer também os braços, e melhoram quando a pessoa se movimenta. Embora os sintomas apareçam quase sempre à noite, nos casos avançados, podem manifestar-se também durante o dia.

Por essa característica de aparecer a noite, pode ser considerada a principal causa de privação do sono em 2% a 5% da população. Muitos pacientes gastam suas noites andando pela casa ou se exercitando vigorosamente para aliviar a necessidade incontrolável de movimentar as pernas comprometendo a qualidade de vida dos portadores e de seus parceiros. Primeiro, porque a agitação motora e os movimentos involuntários das pernas interferem no sono de ambos. Depois, porque muitos pacientes não conseguem assistir a uma simples sessão de cinema, ir ao teatro, ou permanecer sentados por mais tempo durante uma reunião social ou de negócios, nem dentro de um automóvel ou de um avião. 

É preciso não confundir esse distúrbio com certos movimentos rítmicos e repetitivos que aparecem quando a pessoa está distraída ou muito tensa. Há quem balance as pernas enquanto lê, escreve ou vê televisão, mas isso nada tem a ver com a síndrome das pernas inquietas. São cacoetes que desaparecem assim que a pessoa se dá conta do que está fazendo.

As pessoas que apresentam esta síndrome relatam uma sensação desagradável nas pernas, como formigamentos, câimbras, repuxões e pontadas, no final da tarde e início da noite, que só apresenta algum alívio se permanecerem em movimento. A conseqüência é uma dificuldade de relaxar e pegar no sono, o que vai ocorrer apenas de madrugada.

Embora a maioria das pessoas que procuram atendimento médico com estas queixas são de idade mais avançada, estudos mostram que algumas destas pessoas apresentam história de desconforto e dor nas pernas desde a infância.

Esta Síndrome crônica pode ocorrer esporadicamente ou ser hereditária. Ela pode ser um distúrbio do Sistema Nervoso Central ou, algumas vezes, devido a um tipo de disfunção dos nervos periféricos, chamada Neuropatia. Ocasionalmente pode estar associada a alcoolismo crônico, anemia por deficiência de ferro, gravidez ou diabetes. Alguns cientistas sugerem que esta Síndrome pode refletir um leve defeito na forma que o sono é organizado pelo cérebro.

A sonolência excessiva pode ser causada não só por uma noite mal dormida, mas também por problemas como depressão (tristeza profunda, desânimo, nervosismo) ou problemas de respiração durante o sono. A sonolência diurna pode prejudicar a atenção, a concentração, o humor e até os relacionamentos familiares.

Movimentos periódicos durante o sono são movimentos rítmicos, repetidos e estereotipados de pernas, ocasionados por contrações musculares tipo extensão do dedão do pé, dorso flexão do tornozelo ou graus variáveis de flexão e extensão do joelho ou do quadril. A contração muscular recorre a intervalos regulares de 10 a 120 segundos.

Aproximadamente metade dos casos é de origem familiar. As manifestações clínicas subjetivas, ou seja, inerentes ao indivíduo, podem retardar o início do sono, interrompê-lo, ou então, abreviar a sua duração.

A incidência destes movimentos periódicos aumenta com a idade e com a presença de doença metabólica ou neurológica. Podem causar insônia ou sonolência excessiva durante o dia ou podem passar assintomáticos para o paciente. Com freqüência os movimentos acompanham a síndrome de apnéia do sono e podem ser o primeiro sinal que conduz o paciente ou seu cônjuge a solicitar intervenção médica.

A síndrome das pernas inquietas geralmente acomete adultos em uma etapa mais avançada da vida. Os sintomas consistem em sensações desagradáveis nas pernas, sobretudo região da panturrilha (batata da perna) e um impulso a mover estes membros, levando a movimentos descontrolados, marcar passo ou esfregar as pernas para aliviar temporariamente o desconforto.

O diagnóstico da síndrome é, atualmente, baseado na história fornecida pelo paciente. Nenhum exame complementar ou teste de laboratório é necessário ou útil para fornecer um diagnóstico mais acurado. Resumidamente, os critérios analisados pelo médico para o fornecer o diagnóstico são: 
. o desejo de mover os membros, associado geralmente a parestesias (sensação de dormência e formigamento das pernas);
. falta de coordenação motora (de movimentos);
. sintomas exacerbados exclusivamente em períodos de descanso; 
. e a piora dos sintomas durante o fim da tarde ou à noite.

Determinados movimentos incômodos e periódicos dos membros (pernas), ocorrem durante o sono na maioria dos pacientes portadores desta condição. Esses movimentos também podem ser encontrados em praticamente todos os outros distúrbios do sono (por exemplo, apnéia do sono, em que o paciente é surpreendido por uma súbita sensação de falta de ar ou a narcolepsia - doença caracterizada pela sonolência diurna excessiva) e em até cerca de 40% das pessoas idosas sadias e assintomáticas. Na maioria destes casos, o número de movimentos por noite é menor que na síndrome das pernas inquietas.

O tratamento da síndrome das pernas inquietas apresenta diversas controvérsias devido ao desconhecimento de sua causa. Os medicamentos usados são a carbamazepina, também útil em outros distúrbios neurológicos como a epilepsia e a carbidopa-levodopa, um medicamento utilizado no tratamento da doença de Parkinson.

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