Flexibilidade nos idosos






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O envelhecimento, processo natural da vida, não é simplesmente o "passar do tempo", mas sim as manifestações apresentadas dos processos biológicos que ocorrem ao longo da vida.

Quanto mais velha a pessoa, menor sua flexibilidade, sendo a flexibilidade natural maior que a observada posteriormente. Os tendões e as fáscias musculares são particularmente susceptíveis de espessarem-se (aumentar de espessura) devido à idade e a falta de exercício (Dantas, 1999).

Pode-se ressaltar que o momento da vida em que o ser humano é potencialmente mais flexível é justamente na hora de seu nascimento, quando até mesmo as articulações da calota craniana mobilizam-se para permitir a passagem pelo canal vaginal.

Progressivamente com o passar do tempo, esta possibilidade de adquirir flexibilidade irá diminuindo, na razão inversa do treinamento específico realizado. Assim quanto mais cedo se iniciar o treinamento da flexibilidade, maiores serão as possibilidades de se atingir grandes arcos de mobilidade articular. Por exemplo, uma pessoa que inicie seu treinamento de flexibilidade aos 40 anos atingirá níveis de proficiência nesta qualidade física bastante inferiores aos que poderia obter se começasse o treino aos 20 anos.

A flexibilidade está intimamente relacionada com a mobilidade articular e a elasticidade muscular, e, portanto, com a autonomia do idoso e sua qualidade de vida, pois a sua estimulação é fundamental para a saúde do ser humano de uma forma geral, principalmente sobre o aspecto da motricidade humana.

Conforme Hollman & Hettinger em Dantas, 1999, flexibilidade é a "qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão".

Para Achour Junior 1999, o objetivo não é atingir os componentes plásticos para aumentar a flexibilidade, mas sim os elementos elásticos, o que demonstra plena coerência com os apontamentos de Dantas 1999, que diz que a perda desta qualidade física durante o processo de envelhecimento, deve-se mais à diminuição da elasticidade muscular do que à mobilidade articular.

O tecido conjuntivo torna-se mais rígido e as articulações menos móveis. Há a formação de ligações cruzadas entre fibrilas de colágeno adjacente, reduzindo a elasticidade e favorecendo a lesão mecânica do tecido afetado. Os vasos sangüíneos tornam-se, progressivamente afetados pela aterosclerose e arteriosclerose, diminuindo desta maneira, o suprimento de oxigênio a todos os órgãos do corpo. A massa óssea diminui aproximadamente em 10% do pico de massa óssea até os 65 anos, e cerca de 20% em torno dos 80 anos (Robergs & Roberts,2002, Achour Júnior, 1999, Nieman, 1999), descrições corroboradas por Dantas et al. 2002.

Com o processo de envelhecimento, a redução da flexibilidade vai aumentando progressivamente, e isto é inevitável. Ao alcance de todos está o treinamento físico, com o objetivo de atenuar esta perda de forma acentuada, pois os indivíduos que realizaram atividades físicas adequadas quando jovens ou ainda praticam exercícios com regularidade, conseguem retardar este acontecimento (ACSM, 2003).

Pesquisas realizadas por Baptista (2004); Alves et al. (2004a); Pernambuco (2004) e Vale (2004), corroboram a importância do treinamento de flexibilidade e das práticas alternativas, como o yoga e shiatsu, na promoção da flexibilidade e autonomia funcional em mulheres senescentes.

Prevenir a redução da autonomia funcional é um dos objetivos comum dos profissionais que atuam nesta área, pois tornar o idoso mais independente nas suas tarefas diárias é a meta de fundamental relevância para a sociedade, que pode ter como influência, o treinamento da flexibilidade.

Frontera (2002), caracteriza a importância e os benefícios do treinamento de flexibilidade em idosos. Sendo assim, concluímos que o sedentarismo é um fator nefasto na vida humana. Já, os indivíduos praticantes, assiduamente, do exercício físico e da caminhada, apresentaram índices também acima da média de referência, adquirindo então, benefícios promotores da flexibilidade, que refletiram em sua motricidade, fatos que também podem ser verificados nos estudos de Bendall et al. (1989).

Referências:

1. Achour Júnior, A – Bases para exercícios de alongamento relacionado com a saúde e o desempenho atlético. 2ª edição. Londrina: Phorte editora, 1999.

2. Alves, A e col. – A Ginástica Adaptada na Terceira Idade. In: 19º CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA-FIEP, Foz do Iguaçu, 2004a. Fiep Boulletin. V. 74. p. 156.

3. Baptista, MR – A Prática do Yoga sobre a Autonomia Funcional e Qualidade de Vida em Mulheres Senescentes. 2004,325. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) – Universidade castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro

3. Dantas, EHM – Flexibilidade: alongamento e flexionamento. 4ª edição. Rio de Janeiro: Shape, 1999

4. Frontera, WR; Bigard, X – The benefits of strength training in the elderly. Science and Sports, v. 17, i 3, p. 109-116, May, 2002.

5. Nieman, DC – Exercício e saúde. 1ª edição. São Paulo: Manole, 1999

6. Pernambuco, CS – Comparação de um Programa de Shiatsuterapia e de um Programa de Flexionamento Dinâmico na Flexibilidade, Autonomia e Qualidade de Vida do idoso. 2004, 177f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) Universidade castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro.

7.Robergs, RA & Roberts, SO – Princípios fundamentais de fisiologia do exercício para a aptidão, desempenho e saúde. 1ª edição. São Paulo: Phorte editora, 2002.

8. Vale, RGS – Efeitos do Treinamento de Força e de Flexibilidade sobre a Autonomia e Qualidade de Vida de Mulheres Senescentes. Dissertação (Mestrado em Ciência da Motricidade Humana) – Universidade Castelo Branco – UCB – Rio de Janeiro.

9. Silva, CAF e col. -A comparação da flexibilidade entre mulheres senescentes sedentárias e praticantes de diversas atividades físicas. [on line]

AUTORA: Sandra Chiavegato Perossi

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