Fisioterapia na Labirintite






Tonturas ou vertigem têm se constituído em queixas freqüentes em consultórios e clínicas de fisioterapia. Tais sintomas muitas vezes limitam a capacidade de trabalho e interferem no dia-a-dia de boa parcela da população. Costumeiramente chamada de Labirintite, a Vertigem Postural Paroxística Benigna (VPPB) é caracterizada por episódios, que se repetem muitas vezes, de tonturas rotatórias, com diminuição do equilíbrio, percebido quando são realizados determinados movimentos da cabeça: Deitar, levantar da cama, virar de lado quando deitado, movimentar a cabeça para olhar para cima ou para os lados são movimentos que desencadeiam episódios súbitos de tontura vertiginosa, algumas vezes severa, de curta duração.

O equilíbrio é a habilidade do sistema nervoso em detectar tanto antecipada como momentaneamente a instabilidade, essa habilidade gera respostas coordenadas que trazem de volta para a base de suporte o "centro de massa corporal", evitando a queda. As queixas mais freqüentes relacionadas ao equilíbrio corporal são tontura e vertigem. A vertigem é a tontura de caráter rotatório, isto é, a pessoa tem a sensação que seu corpo ou os objetos ao seu redor estão girando. A tontura é a sensação de alteração do equilíbrio corporal, mas os objetos ao seu redor não giram.

A fisiopatologia da VPPB é explicada pela presença de cristais de carbonato de cálcio, que seriam fragmentos degenerados de otocônias do utrículo, deslocados para a região dos canais semicirculares, quase sempre no canal semicircular posterior. Duas teorias são aqui levantadas. Na primeira teoria, chamada de Cupulolitíase, os fragmentos ficariam aderidos à cúpula do canal semicircular posterior. Essa teoria foi descrita e evidenciada por Schuknecht, que, em 1962, encontrou esses cristais depositados na superfície da cúpula do canal semicircular posterior em dois pacientes com quadro clínico de VPPB. A segunda teoria, chamada de Canalitíase ou Ductolitíase, sugere que os fragmentos degenerados não ficariam aderidos à cúpula, mas, sim, flutuando na endolinfa do canal semicircular posterior. Em ambas as teorias, o movimento desencadeante da cabeça do paciente promoveria a movimentação dos fragmentos, que, por sua vez, acarretaria uma estimulação inapropriada da cúpula do canal semicircular posterior e excitação do nervo ampular posterior, com os sintomas de vertigem.

Exercícios vestibulares, como os de Cawthorne e Cooksey, poderiam implementar subsídios para que novos rearranjos das informações sensoriais periféricas aconteçam, permitindo-se que novos padrões de estimulação vestibular necessário em novas experiências, passem a ser realizado de forma automática. Este treino do equilíbrio, baseado na teoria da neuroplasticidade, seria capaz de promover melhoras nas reações de equilíbrio com conseqüente diminuição na possibilidade de quedas. Estes exercícios caracterizam-se por um programa de reabilitação vestibular e envolvem movimentos de cabeça, pescoço e olhos; exercícios de controle postural em várias posições (sentado, em apoio bipodal e unipodal, andando); uso de superfície de suporte macia para diminuição do input proprioceptivo; exercícios com olhos fechados para abolição da visão.

O tratamento por fisioterapia visa proporcionar redução das sensações de tontura que tanto incomodam. Após uma avaliação é traçado um programa de tratamento que consiste da realização de exercícios terapêuticos e manobras de reposicionamento. Esta forma de tratamento vem, cada vez mais, ganhando espaço em relação às demais. Isso se deve à sua praticidade, facilidade na realização, associada a altos índices de sucesso. O programa básico tem duração de sete semanas com dois atendimentos semanais, onde também são instruídos exercícios que os pacientes devem realizar em casa. Recomenda-se ao paciente que durante 48 horas evite deitar com a cabeça baixa, na mesma altura do corpo, e que procure repousar meio sentado. Ele deve evitar também movimentos bruscos com a cabeça, para frente e para trás. Tanto os exercícios quanto as manobras são realizados por fisioterapeuta especialmente treinado. Estes programas também beneficiam idosos. Alterações do sistema labiríntico causadas pelo envelhecimento resultam em alterações no equilíbrio e aumento na possibilidade de queda. A aplicação dos exercícios especiais gera aprendizado motor e contribuem para a melhora do equilíbrio e a conseqüente diminuição na possibilidade de queda em idosos, reduzindo os riscos de fraturas e complicações.

Fonte: Revista da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia

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