Fisioterapia em traumas da pelve






 A pelve é uma verdadeira estrutura em anel, composta de duas metades ou osso inominado, ligados anteriormente pela sínfise púbica, que é uma articulação cartilaginosa e semimóvel, e por trás através das articulações sacroilíacas, que são do tipo sinovial, pouco móveis e planas. Entre estas duas metades situa-se o osso sacro, tendo na sua extremidade o cóccix.

A reabilitação físico-funcional dos traumas de pelve é um desafio para o fisioterapeuta especialista em traumato-ortopedia funcional pela complexidade das estruturas envolvidas e pelo tipo de trauma ocorrido. É uma corrida entre consolidação da fratura e seqüelas negativas decorrentes do tempo de consolidação, hipotrofia muscular, encurtamento muscular, rigidez articular, Trombose Venosa Profunda e comprometimentos adversos.

O aspecto mais importante da reabilitação será: não causar mais danos ao paciente, mas sim promover sua reabilitação com segurança, sempre em parceria com a equipe multidisciplinar. A literatura é bastante limitada quanto a esse assunto, o que exigirá do fisioterapeuta bom senso e estudo diferenciado de cada caso.

O conhecimento sobre a consolidação da fratura é um fator importante e determinará a progressão entre as fases de reabilitação das fraturas em geral. Este conhecimento baseia-se na combinação de sintomas do paciente, achados físicos e radiográficos, dor ou ausência dela, amplitude de movimento, palpação. Outro fator importante é o tipo de fixação feita para a fratura. Pensando nesses aspectos consideraremos o processo em três períodos:

Durante as fases de reabilitação, a qual dividirá em três períodos:

1. Período de imobilização total: Não é permitido nenhum movimento de mobilização da bacia, nem do quadril, especialmente sentar. O paciente fica em decúbito dorsal restrito ao leito. É permitida a cinesioterapia para as demais áreas. Fisioterapia Respiratória preventiva ou para tratamento fisioterapêutico de disfunção pulmonar especifica gerada pelo trauma ou doença pulmonar prévia, como a DPOC. Cinesioterapia ativos livres sem carga para articulações dos membros superiores, associados ou não a padrão ventilatório expansivo e/ou desinsuflativos conforme o caso em questão, também deve ser realizado ativo sem carga para joelhos, tornozelos e dedos, caso não haja contra-indicação. Crioterapia para analgesia e controle de processo inflamatório durante as primeiras horas até no máximo 72 horas. O gelo pode ser usado intermitentemente com o objetivo de analgesia local de hora em hora por 15 a 20 minutos.

2. Período de Imobilização Relativa:
O paciente pode mudar de decúbito, a mobilização do quadril é permitida e sendo permitida a sedestação. Cinesioterapia ativa sem carga global. Treino de mudança de decúbito e verticalização sem apoio. Os exercícios isométricos podem ser usados precocemente para quadríceps, isquiotibiais, glúteos, adutores e abutores, mesmo os que se inserem próximos ao local lesado.

3. Período de Verticalização Controlada (aproximadamente após dois meses):
Controle de edema com bandagens, massagem centrípeta e declive de membros inferiores. Cinesioterapia global isométrica e isotônica, especialmente para abdômen tronco e membros inferiores. Treino de sedestação para bipedestação, com distribuição de carga para o lado menos acometido. Reeducação da postura da pelve e coluna vertebral. Reeducação progressiva do apoio e treino de marcha



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