Como avaliar os desvios posturais







A coluna vertebral é a região corporal mais tratada da Fisioterapia. Para recuperá-la e livrar pacientes de incômodos, vários métodos foram estudados, criados e são desenvolvidos diariamente.  E uma das coisas mais importantes é a avaliação que será feita para que o tratamento seja bem efetuado.

Mas como devemos fazer essa avaliação? A avaliação da Coluna Vertebral pode ser feita por exames como raio-x e ressonância magnética, mas passa pelo exame subjetivo. E para fazer esse exame, deve-se ter alguns cuidados:

Deve ser realizado em local que possua fundo liso e branco;
O testador deve se colocar a distância de 3-5 metros do testado, para que se tenha uma visão global do aluno;
O testado deve se posicionar afastado da parede na sua posição natural de repouso;
O testado deve estar próximo da nudez;
Verifica-se partindo da parte inferior para a superior (pés, joelhos, pelve, coluna, ombros e cabeça);
Utilização do fio de prumo e lápis dermográfico , tornam a análise mais eficiente.

Como Avaliar os Desvios Posturais

Visão Anterior: De frente para o avaliador, observamos se as duas linhas dos ombros estão paralelas entre si e o solo. Se não ocorrer, indica uma possível escoliose no testado. Em caso de desvio de quadril o testado deve ser encaminhado a um ortopedista para exames.

Visão Anterior com Flexão de Tronco(teste de ADAM): Observamos se o testado tem escoliose, se as vértebras já fizeram rotação, que se caracteriza por uma gibosidade no local da curvatura escoliótica.

Verificamos se o testado tem o pé abduto ou aduto, se os joelhos estão varo ou valgo, a linha do quadril, a linha dos ombros, se tem Hipercifose Torácica ou Cervical.

Visão Lateral : De perfil para o avaliador, lado direito e esquerdo, verificamos se o testado possui: Geno Recurvato, Geno Flexo, Hiperlordose Lombar, Costa Plana.

Visão Posterior: De costas para o avaliador, observamos as linhas dos ombros e do quadril para confirmar as observações feitas na visão anterior. Marcaremos todos os processos espinhosos, para verificar possível desvio de linha espondílea ou escoliose. Confirmaremos também os joelhos, tendões de aquiles (pé valgo ou varo) . No pé varo, o tendão de aquiles projeta-se para a parte externa do corpo, fazendo com que o calcâneo se projete para dentro e o pé valgo é a projeção do calcâneo para fora do corpo, fazendo com que o tendão se projete para a parte interna do corpo.

Os desvios que são avaliados:

HIPERLORDOSE CERVICAL: Acentuação da concavidade da coluna cervical, colocando o ponto trago para traz da linha de gravidade. É causada , geralmente pela hipertrofia da musculatura posterior do pescoço.
Como corrigir: É necessário um trabalho de força na musculatura anterior do pescoço (esternocleidooccipitomastóideo, escalenos e pré-vertebrais) e um trabalho de alongamento da musculatura posterior.

Exercicios: Procurar encostar a coluna cervical na parede, contraindo a musculatura anterior do pescoço sem desencostar a cabeçada parede; flexão de pescoço em decúbito dorsal, com a cabeça pendente; flexão de pescoço com auxílio do puxador.






HIPERCIFOSE: Acentuação da convexidade da coluna torácica, colocando o ponto acromial à frente da linha de gravidade. Pode ser do tipo flexível (quando a correção pode ser obtida através de contração muscular voluntária - causada por maus hábitos posturais) ou rígida (é quando a correção já não pode ser obtida com uma simples contração muscular ou manual, devido a frequência de uma atitude cifótica - A musculatura anterior do tórax está muito hipertrofiada e a posterior está muito alongada).

Como corrigir:

Alongar: reto abdominais, paravertebrais (longuíssimo, ílio, costal e multifídio);
Fortalecer: Paravertebrais (ex: exercício bom dia)

Com Escápula Alada ou Abduzida: alongar deltóide anterior peitoral> e <, córaco braquial, porção longa do bíceps braquial. Fortalecer porção transversa de trapézio e Rombóides maior e menor.

Obs: tendência a lesão do manguito rotator devido a má vascularização do supraespinhoso.

Fonte Atualização 2004: Apostila de curso do Prof. Sandro da Matta

Flexível: trabalhar a musculatura posterior do tórax (trapézio III, rombóides, dorsal maior e redondo maior e conscientização do aluno para que sempre corrija sua atitude cifótica errada. Exercícios corretivos: remada curvada, crucifíxo inverso,abrir cabos no puxador duplo no plano horizontal.

Rígida: hipertrofiar a musculatura posterior do tórax, alongar a musculatura anterior do tórax e um desbloqueio torácico, causado pelo abaixamento das costelas.
Exercícios Corretivos: os mesmos da cifose flexível, suspensão alongada com apoio dorsal - indivíduo em suspensão alongada, coloca-se um apoio na curvatura da cifose e deslocamento dos ombros - indivíduo em pé, segura uma corda esticada nas mãos. Deve passá-la por cima da cabeça, levando-a até os glúteos, sempre esticada.

HIPERLORDOSE LOMBAR: é caracterizada pela acentuação da concavidade lombar, colocando o ponto trocantérico para traz da linha de gravidade. Causada pela hipertrofia da musculatura lombar (dorsal, ilíaco dorsal, ilíaco lombar, ilio-psoas, semi-espinhal, interespinhal, rotatores, epiespinhais, intertransversais), ou por enfermidades.

Alongar: Tensor da Fáscia Lata, Sartório, adutores, ílio-psoas e pára-vertebrais;
Fortalecer: Ísquio tibiais, Abdominais oblíquos, Reto Abdominal e Glúteo Máximo.

Fonte Atualização 2004: Apostila de curso do Prof. Sandro da Matta

Exercícios sugestão : Abdominal remador, encolhimento de pernas fletidas na prancha inclinada, encostar a coluna lombar na parede fazendo movimento de retroversão do quadril, contraindo o abdômen, flexão de tronco com os joelhos fletidos e pés fixos, elevação da cintura escapular do solo, em decúbito dorsal, pernas flexionadas e pés fixos.

COSTA PLANA: é a inexistência ou inversão de qualquer das curvaturas da coluna vertebral. Geralmente apresenta-se na coluna lombar e causada pela hipertrofia da musculatura abdominal e pela hipotonia da musculatura lombar.

Como corrigir: Trabalhar a musculatura da coluna lombar (dorsal largo, ilíaco lombar, ilíaco dorsal, iliopsoas, semi-espinhais, rotatores, espinhais, intertransversais ) .

Corretivos: Mata borrão (decúbito ventral, segurar os pés e fazer o balanço do corpo), ponte (decúbito dorsal, procurar ficar apoiado nas mãos e nos pés arqueando o corpo o máximo que puder, extensão da coluna (deitado em decúbito ventral, mãos na nuca, fazer a extensão da coluna e voltar a posição inicial), bom dia, levantamento terra.

ESCOLIOSES: São deformações da coluna vertebral, fazendo com que a linha espondílea não fique reta. Segundo Kapandji, 1990, há uma inclinação com uma rotação vertebral. Ex: se for escoliose direita o c volta-se para a esquerda e o alongamento (membros) volta-se para a direita.

Classificação de Lange apud silva filho (2000):
Congênita
Do bebê
Idiopática: infantil (0-3-4 anos); Juvenil (5-11 anos); adolescente(12 até o fim do crescimento ósseo)
paralítica
Estática
Cicatricial
Pós-traumática
Metabólica
Histérica

Tipos(VILADOT, COHI & CLAVELL,1989):
Cérvico-dorsal (aparece uma curva na região cervical e outra na torácica)
Dorsal (aparece apenas na região torácica)
Dorso-Lombar (aparece uma curva na região torácica e outra na lombar) Ex: escoliose dorsal direita e lombar esquerda.

Terminologia (VILADOT, COHI & CLAVELL,1989):
Escoliose não estruturada: curva flexível que desaparece durante os movimentos de inclinação lateral do tronco, não sendo acompanhada de rotação dos corpos vertebrais.
Escoliose Estruturadas: apresenta rotação vertebral, gibosidade e/ou proeminência da crista ilíaca no teste de Adam, que não desaparece com inclinação lateral.

Quanto a Curvatura: Primária (estruturada - nasce com ela) e Secundária(transitória - pode sumir)

TRATAMENTO:
Leve 10°-20°- com exercícios
Moderada 20°- 40°- ou 50°- Exercícios e órteses (colete)
Grave >40° ou 50°- Cirurgia

   Podem ser causadas por diferença de tamanho entre os membros inferiores, por atitudes erradas de estudo e também, pela hipertrofia de uma das musculaturas laterais da coluna.

Corretivos: Exercícios unilaterais, suspensão alongada no espaldar com elevação de ombro que estiver mais baixo ou com a elevação do quadril que estiver mais baixo (no caso de escolioses torácicas e lombares direita ou esquerda); e exercícios unilaterais. Podem ser feitas em 4 apoios, levanto a mão para o lado da escoliose na frente; e se for lombar levar a perna para o lado da escoliose cruzando a perna estendida por cima da outra. Pode-se fazer de pé segurando no espaldar ou parede cruzando a perna por traz com inclinação, levando o pé para o lado da escoliose.

Ex: escoliose torácica esquerda, leva mão direita a frente para o lado esquerdo. Escoliose lombar direita, cruza a perna esquerda por traz da outra para o lado direito em 4 apoios.

Podem ser causadas pela compensação da escoliose simples, geralmente localizada no desvio lateral inferior, ou por encurtamento de algum membro inferior.

Corretivos: Devemos atuar primeiro no desvio primário, geralmente localizado na região lombar, para depois atuarmos nos desvios compensatórios. Os exercícios devem ser: suspensão alongada e alogamentos sem suspensão

É isso! Com cuidado e atenção, podemos avaliar bem os desvios posturais e tratar o paciente da melhor forma possível!

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