Saiba tudo sobre a Síndrome do Encarceramento






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Síndrome do encarceramento é uma rara condição, onde os movimentos do corpo inteiro são paralisados com exceção dos olhos, mas as faculdades mentais se mantêm perfeitas.

As lesões causadas podem atingir estruturas distintas do tronco encefálico resultando em uma sintomatologia parcialmente diferente dentro de um padrão característico da síndrome. Por isso ela pode ser classificada em:

  • Clássica, caracterizada por quadriplegia e anartria, com preservação da consciência e dos movimentos das pálpebras e verticais dos olhos.
  • Incompleta, caracterizada por quadriplegia e anartria, com preservação da consciência e dos movimentos verticais dos olhos, assim como a clássica. Além disso, apresenta outros movimentos voluntários, além do movimento vertical dos olhos e do movimento de piscar.
  • Total, caracterizada por imobilidade total e incapacidade de se comunicar, com total nível de consciência.

É causada por danos em porções especificas do cérebro.

  • Trauma cerebral
  • Doenças do sistema circulatório
  • Overdose de medicamentos
  • Danos no sistema nervoso
  • Derrame cerebral, normalmente da artéria basilar

Os principais sintomas da Síndrome do Encarceramento são:

  • Quadriplegia:

Se caracteriza pela incapacidade de movimentação, que afeta os membros e o tronco. É causada por uma interrupção das vias motoras descendentes no tronco encefálico, uma vez que essas vias passam na porção mais ventral da ponte.

  • Anartria:

É a incapacidade de articular palavras, que ocorre nessa síndrome devido à paralisia bilateral do nervo facial, glossofaríngeo e laríngeo (ramo do nervo vago).

A lesão no nervo facial dificulta a fala uma vez que não vai haver a inervação dos músculos mímicos e mastigadores. A lesão desse nervo é responsável também pela perda ou limitação da expressão facial.

A lesão do nervo glossofaríngeo impede a inervação dos músculos constritores da faringe e o músculo estilofaríngeo, e, além de dificultar a articulação de palavras, dificulta a deglutição, caracterizando a disfagia da patologia.

A lesão do nervo laríngeo, ramo do nervo vago, prejudica a inervação dos músculos faríngeos e dos músculos das pregas vocais, levando à anartria e à disfagia.

  • Descerebração:

Ocorre em grande parte dos pacientes que apresentam a síndrome.

É caracterizada por uma extensão rígida dos membros superiores e inferiores. É causada por lesão nas fibras dos tratos rubro espinal e cortico-espinal ao nível da ponte.

  • Preservação da consciência:

A preservação da consciência é a principal característica dessa síndrome, podendo ela ficar intacta ou pouco alterada. Ela ocorre devido a ao fato de que o Sistema Reticular Ativador Ascendente (S.A.R.A) fica poupado, uma vez que a formação reticular está situada na parte dorsal do tronco encefálico.

Além disso, o metabolismo cortical continua funcional, permitindo ao paciente pensar, raciocinar, aprender e memorizar.

  • Manutenção da sensibilidade da dor

A via de sensibilidade à dor visceral e somática ascende no sistema antero-lateral da medula espinhal. Após a formação do lemnico espinhal, a via passa a ascender na região posterior do tronco encefálico. Dessa forma, essas sensibilidades são preservadas na síndrome em questão.

  • Movimento vertical dos olhos:

O centro do olhar vertical se localiza na junção do mesencéfalo com o diencéfalo, no núcleo intersticial dorsal do fascículo longitudinal medial. Esses núcleos recebem aferências do córtex e do colículo superior e enviam eferências para os núcleos motores que inervam os músculos do movimento vertical (reto superior e reto inferior), por via do nervo oculomotor. Dessa forma o centro do olhar vertical está afastado da lesão na parte ventral da ponte, característica da síndrome, e por isso esses movimentos estão preservados.

  • Movimento horizontal dos olhos comprometidos:

O centro da visão horizontal localiza-se na formação reticular paramediana pontina. Essa região recebe projeções corticais, que podem ser comprometidas nessa síndrome. Além disso, pode ocorrer lesão na formação reticular paramediana pontina. Dessa forma, o movimento horizontal dos olhos será afetado. Apesar de atingir uma parte mais ventral da formação reticular na ponte não ocorre o comprometimento do Sistema Ativador Reticular Ascendente.

O diagnóstico dessa síndrome pode ser feito através do eletroencefalograma (EEG), que é uma importante ferramenta para monitorar o nível de consciência dos pacientes. O traçado eletroencefalográfico costuma mostrar na síndrome, duran­te a maior parte do tempo, um ritmo alfa ou teta reativo aos estí­mulos de alerta. Isso demonstra a ativação do córtex cerebral e a manutenção da função do mesmo. Além disso, técnicas como ressonância magnética também são utilizadas. O movimento vertical dos olhos e movimento de piscar dos olhos, com ausência de movimentação voluntária do paciente também podem sugerir à doença.

As principais causas de morte na síndrome do encarceramento são as complicações pulmonares, que podem ocorrer devido à aspiração da saliva pelo paciente (resultante da disfagia e do comprometimento do reflexo da tosse). Complicações como a pneumonia e atelectasia (colapso de um segmento, lobo ou todo o pulmão) são as mais comuns. Além disso, a falta de movimentação do corpo do paciente pode predispor à embolia pulmonar.

O tratamento para essa patologia é multidisciplinar, baseado principalmente em fisioterapia, incluindo exercícios de respiração profunda, frequentes mudanças de posição, e aspiração da saliva do paciente por meio de aparelhos, de forma a prevenir as complicações pulmonares. Através de um tratamento adequado é possível obter uma reabilitação parcial de alguns movimentos voluntários, o que permite maior interação do paciente com o meio, garantindo a ele uma melhor qualidade de vida.

Além dos tratamentos, foram criados alguns métodos que facilitam a comunicação do paciente, como o "AEIOU alphabet board", que consiste em um quadro com cores e letras, juntamente com o espaço entre as palavras e o final da frase, que funciona do seguinte modo: o assistente chama as cores e os paciente sinaliza a cor desejada por um movimento do olho para cima. O assistente, em seguida, chama as letras nessa linha. As letras escolhidas são escritas de modo a formular uma frase, pergunta ou declaração. Existe também um método computadorizado chamado "Dasher". Nesse método, o paciente consegue escrever no computador apenas realizando movimentos com os olho, devido à presença de um sensor.

O estudo da síndrome do encarceramento é importante, uma vez que facilita o conhecimento dos aspectos fisiopatológicos e a identificação dos sinais e sintomas específicos dessa síndrome, evitando, assim, que ela seja confundida com outros tipos de condições em que há comprometimento da comunicação e movimentação do paciente, como ocorre no coma. Além disso, com a identificação dessa síndrome se torna possível buscar tratamentos e formas de comunicação melhores para o indivíduo, favorecendo a interação do mesmo com o meio em que ele vive, melhorando, assim, a qualidade de vida do paciente.

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