Distúrbio do equilíbrio em idoso






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    Segundo levantamento de dados do IBGE (2007), a população brasileira é constituída por 10,2% de indivíduos acima de 60 anos de idade. Nas próximas décadas, o número de idosos na população tende a crescer no mundo todo.

    De acordo com Weineck (1991), o equilíbrio, por exemplo, depende da integração de uma série de sistemas do corpo, que sofrem alterações com o avanço da idade, resultando em implicações diretas nas várias formas de locomoção e no controle postural dessa população. A literatura apresenta que reduções na performance das capacidades do idoso representa um processo natural do envelhecimento, devido às alterações serem muitas vezes atribuídas ao processo patológico (PAES, 2005).

    Matsudo, Matsudo e Barros Neto (2000), dizem que, as quedas são as conseqüências mais perigosas do equilíbrio e da dificuldade de locomoção.

    Uns dos principais problemas clínicos do idoso são referentes à alta incidência de quedas que eles sofrem. A "queda" é explicada por Padoin, Gonçalves, Comaru e Silva (2010, pág. 159) como:

    "Quedas podem ser definidas como o deslocamento não-intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade."

    De acordo com Maciel e Guerra (2005), o controle do equilíbrio requer a manutenção do centro de gravidade sobre a base de sustentação durante situações estáticas e dinâmicas. Este processo ocorre de forma eficaz pela ação, principalmente pelos sistemas visual, vestibular e somato-sensorial. Esses sistemas são alterados com o envelhecimento, e várias etapas do controle postural podem ser anuladas, diminuindo a capacidade compensatória do sistema, levando a um aumento de instabilidade.

    Estudos apresentam que há um acréscimo na quantidade de pessoas acima de 60 anos de idade, com isso, devemos aumentar a atenção para assuntos que afetam diretamente esta população. Sendo assim, devem-se dar ênfase a estudos e pesquisas direcionadas aos assuntos mais importantes ligados a saúde e qualidade de vida dos idosos. Por este motivo, este estudo será direcionado a esta população e um dos principais problemas que eles enfrentam, que é a falta de equilíbrio e em conseqüência as quedas que ocorrem, causando fraturas que afetam a sua vida diária.

    Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi realizar uma discussão relacionada aos distúrbios do equilíbrio em idosos, com o intuito de detectar as causas e conseqüências do desequilíbrio motor para esta população.

Materiais e métodos

    O presente estudo trata de uma revisão bibliográfica, para a realização do estudo foram utilizados como base de pesquisas, artigos publicados em revistas nacionais e internacionais. A procura foi elaborada através de diversos sites, com base nos seguintes descritores: idoso, equilíbrio, desequilíbrio, atividade física e como complemento utilizou também livros que abordam esta temática.

O equilíbrio e o idoso

    Equilíbrio é a capacidade de controlar a estabilidade. Existe o equilíbrio estático e o dinâmico, o estático é quando um corpo fica totalmente imóvel; o dinâmico são corpos que estão em movimento, com todas as forças atuantes resultando em forças inércias iguais e dirigidas em sentidos opostos. Então o estático não há sequer uma força agindo no corpo, e no dinâmico, forças iguais agem uma contra a outra resultando em um estado de equilíbrio (HALL, 2005).

    Abreu e Caldas (2008), complementam que, para um indivíduo manter sua postura tem um conjunto de processos, pelo qual o sistema nervoso central comanda, os músculos são necessários para regular a relação entre o centro de massa corporal e a base de sustentação.

    Para Wieczorek (1997), equilíbrio é um termo ambíguo que descreve a habilidade de mover ou manter o corpo numa postura da forma em que haja distribuição de peso, de modo que não ocorra uma queda.

    Segundo Cruz, Barreto, Fronza, Jung, Krewer, Rocha e Silveira (2010), para o corpo manter o equilíbrio ele depende do sistema nervoso central e envolve tônus muscular afetivo, percepção visual e espacial, que se adapte rapidamente a flexibilidade articular, alterações e força muscular além do corpo depender dos sistemas perceptivos: o visual, o proprioceptivo e o vestibular.

    A autora Paes (2005), explica cada um deles, sendo o visual importante em transmitir a posição do corpo no espaço, no planejamento da locomoção e até mesmo fornecendo a referência de objetos posicionados verticalmente ou horizontalmente. Apesar de a visão ser importante para o equilíbrio, qualquer ser humano é capaz de manter equilíbrio no escuro ou com os olhos vendados. Já o vestibular é sensível a dois tipos de informações: as alterações rápidas na direção do movimento da cabeça e a posição da cabeça no espaço. Esse sistema também é uma fonte muito importante para o controle postural. E o sistema somatosensorial, (ou proprioceptivo) é um conjunto de sensores que detectam a velocidade e posição de todos os segmentos corporais.

    Wiczorek (2003), acrescenta ainda que o sistema responsável por produzir as atividades neurais necessárias para ativar os músculos antigravitacionais e o tônus muscular é o sistema neuromuscular, o qual contribui para o controle do equilíbrio, através da coordenação das forças efetivas da posição do corpo no espaço. Essas atividades neurais podem produzir reflexos e movimentos voluntários.

    Para um indivíduo conseguir andar, que é um movimento comumente executado pelos seres humanos, é necessário o controle do sistema nervoso que regula a relação espaço temporal entre a posição e o movimento mantendo o equilíbrio corporal (CRUZ, BARRETO, FRONZA, JUNG, KREWER, ROCHA e SILVEIRA, 2010).

    O organismo humano passa por um processo natural do envelhecimento, favorecendo o aparecimento de doenças e diminuindo a vitalidade, sendo mais prevalentes as doenças ósseas, diabetes, cardio vasculares e as alterações sensoriais. O desequilíbrio é um dos principais fatores que limitam hoje a vida do idoso. Não pode ser atribuída uma causa especifica em 80% dos casos, mas sim um comprometimento do sistema de equilíbrio corporal (RUWER, ROSSI e SIMON, 2005).

    Agora que sabemos quais os fatores determinantes pelo equilíbrio, podemos entender porque o idoso perde esse equilibro. Pois quando envelhecemos o nosso sistema é alterado, ocorre um decréscimo na velocidade de condução das informações, bem como no processamento de respostas (CRUZ, OLIVEIRA e MELO, 2009). Pessoas acima de 60 anos apresentam uma instabilidade postural que aumenta o risco de quedas, que ficarão marcadas para toda a vida do idoso afirmam (PADOIN, GOLÇALVES, COMARU e SILVA, 2010).

    Para Pedrinelli, Garces-Leme e Nobre (2009), o envelhecimento está ligeiramente ligado à perda da massa muscular e inicia aos 30 anos, porém fica mais acentuada aos 50 anos, mesmo em atletas. Já entre 65 e 84 anos ocorre uma diminuição da força isométrica muscular e uma perda maior da potência muscular, devido à diminuição das fibras tipo II (fibras de contração rápida). Os tendões também sofrem alterações, nos idosos, eles se tornam mais rígidos, assim ocorre um maior risco de ruptura.

    Os autores Gomes, Cintra, Diogo, Néri, Guariento e Sousa (2009), avaliaram 72 pessoas, acima de 60 anos de idade, com o intuito de verificarem as quedas sofridas por eles relacionando a algumas variáveis e chegando a conclusão que os idosos que já haviam sofrido quedas apresentavam pior nível de desempenho físico, menos força muscular, além de outros fatores relacionados. Verificou-se também que os idosos que sofreram queda em um ano, sofreram novamente no ano seguinte. As quedas causam não só problemas físicos, mas também psicológicos sociais entre outros.

    Em estudo realizado por Siqueira, Facchini, Piccini, Tomasi, Thumé, Silveira, Vieira e Hallal (2007), com uma amostra de 4.003 idosos com mais de 65 anos, mostrou que a prevalência de quedas entre idosos foi de, 34,4% e destes 12,1% tiveram fratura como conseqüência. As principais conseqüências associadas a este estudo foram idade avançada, com auto percepção de saúde ruim, sedentarismo, e maior número de medicamentos referidos para o uso contínuo.

    Com isso, verifica-se que o idoso sofre com a perda do processo de equilíbrio, já que seu corpo responde lentamente e já não há uma força muscular para controlar os movimentos, ele quando se encontra em uma situação que deve realizar um movimento repentino, com reflexos rápidos, o seu corpo não atende a todos os comandos a tempo de evitar uma queda, por isso os relatos de quedas em idosos são tão freqüentes (CRUZ, OLIVEIRA e MELO, 2010).

    Assim também afirma a autora Paes (2005), que junto ao processo de envelhecimento há mudanças substanciais no sistema nervoso, de processar informações e ativar os músculos. Por haver essas mudanças o idoso não capta, não processa e não transmite as informações tão rapidamente como os jovens, resultando em movimentos mais lentos e em tempos de reação aumentados.

    Com o processo de reação mais lento e a redução na força muscular o idoso tem uma predisposição a quedas, então deve ser indicado a eles exercícios físicos de fortalecimento (PADOIN, GONÇALVES, COMARU e SILVA, 2010).

    Padoin, Gonçalves, Comaru e Silva (2010), publicaram uma pesquisa comparativa feita com grupos de idosos acima de 60 anos de idade praticantes ou não praticantes de exercícios físicos regulares e mostraram diferenças, estatisticamente significativas entre esses dois grupos, os não praticantes apresentaram uma menor mobilidade funcional, maiores déficits no equilíbrio alterações na marcha, ressaltando que práticas de exercícios resultam em um envelhecimento mais saudável, pois aprimoram a força muscular, a flexibilidade, a capacidade aeróbica e o equilíbrio, significando que a prática de atividade física só tem a melhorar a qualidade de vida da população geriátrica. Autores descrevem o que o exercício físico proporciona para o idoso:

    "Efeitos do exercício físico, como maior longevidade, prevenção do declínio cognitivo, manutenção da capacidade funcional, redução de quedas e incidência de fraturas e melhora da autoestima. Exercícios físicos de qualquer tipo aumentam o contato social, reduzem depressão e melhoram o humor, mas esses resultados estão especialmente ligados ao treino de força muscular com intensidade leve a moderada". (PADOIN, GONÇALVES, COMARU e SILVA, 2010, pág. 163)

    Cheik, Reis, Heredia, Ventura, Tufik, Antunes e Mello (2003), explicam que se o idoso praticar exercício físico regular não irá inibir totalmente as mudanças em seu organismo, mas vai retardar o processo de declínio dessas funções que são observadas com o envelhecimento. O exercício promove melhoria na força muscular, na capacidade respiratória, no tempo de reação, na reserva cardíaca, na cognição, na memória recente e nas habilidades sociais. Mas é importante que os exercícios físicos sejam executados de forma preventiva, ou seja, antes da doença apresentar suas manifestações clinicas.

    Já o estudo de Predinelli, Garcez-Leme e Nobre (2009), contrapõe, dizendo que o treinamento físico tem influências positivas em relação à massa e a força muscular, porém a potência muscular no idoso é muito mais importante que a força muscular, pois com uma melhor potência muscular tem-se uma melhor qualidade de vida e independência. Estudos indicam que os exercícios de fortalecimento para o idoso devem ser de alta intensidade. Um fortalecimento de baixa intensidade aumenta a força muscular, porém não auxilia diretamente na melhora na saúde do idoso. Exercícios mais funcionais auxiliam na melhora no equilíbrio corporal do idoso.

    Segundo Siqueira, Facchini, Piccini, Tomasi, Thumé, Silveira, Vieira e Hallal (2007), pesquisas indicam que a prática de exercício físico na adolescência e idade adulta diminui doenças crônicas, osteoporose e ocorrência de quedas.

Considerações finais

    De acordo com resultados que apresentamos, podemos considerar que os dados nos transmitem uma ascensão populacional de pessoas acima de 60 anos de idade, isso acarreta grande preocupação de como promover uma melhora nas suas qualidades de vida.

    Apesar de terem diversos problemas de saúde, um dos mais preocupantes é a perda gradativa do controle postural, o equilíbrio, que ocorre por mudanças significativas no corpo do idoso, como a perda da massa muscular, da força muscular, do aumento no tempo de reação, além das modificações que ocorrem nos sistemas perceptivos: o visual, o proprioceptivo e o vestibular e no sistema neuromuscular.

    Portanto, quando há o envelhecimento ocorre alterações no corpo podendo causar distúrbios no equilíbrio do idoso, sendo a principal conseqüência dessas mudanças às quedas e o medo de cair. Quando um idoso sofre uma queda pode causar fraturas, que para sua idade necessitará de um tempo maior para uma recuperação, perdendo assim a sua liberdade de locomoção e podendo afetar o seu psicológico.

    A melhor maneira de prevenir uma grande perda da massa muscular e de força muscular é a prática de exercícios físicos regulares. Assim como foram apresentados os exercícios de força conciliados aos exercícios aeróbicos, tornam-se mais eficazes de controlar essa perda e prevenir maiores prejuízos para a mobilidade e controle postural.

Referências

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CHEIK, N.C.; REIS, I. T.; HEREDIA, R. A. G.; VENTURA, M.L.; TUFIK, S.; ANTUNES, H. K. M.; MELLO, M. T. Efeitos do exercício físico e da atividade física na depressão e ansiedade em indivíduos idosos. R. bras. Ci. e Mov. 2003; 11(3): 45-52.

CRUZ, A; OLIVEIRA, E.M; MELO, S.I.M. Análise biomecânica do equilíbrio do idoso. Acta Ortop Bras. 2010.

CRUZ, I.B.M.; BARRETO, D.C.M; FRONZA, A.B.F.; JUNG, I.E.C.; KREWER,CC.; ROCHA, A.I.U.M.; SILVEIRA, A.F. Equilíbrio dinâmico, estilo de vida e estados emocionais em adultos jovens. Revista Bras. Otorrinolaringol. 2010.

GOMES, A.O.G.; CINTRA, F.A.; DIOGO, M.J.D.; NÉRI, A.L.; GUARIENTO, M.E.; SOUSA, M.L.R. Comparações entre idosos que sofreram quedas segundo desempenho físico e número de ocorrências. Revista Bras. de Fisioterapia 2009.

HALL J.S. Biomecânica Básica. 4º edição. Editora Guanabara Koogan, 2005.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2007. População Segundo os Grupos de Idade. Disponível em: URL: http://www.ibge.gov.br/home/estatística/população/censo2000/default_tabulacao .shtm. Acesso em 03 out. 2010.

MACIEL, A.C.C.; GUERRA, R.O. Prevalência e fatores associados ao déficit de equilíbrio em idosos. R. bras. Ci e Mov. 2005; 13(1): 37-44.

MATSUDO, S. M.; MATSUDO, V. K. R.; BARROS NETO, T. L. Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas na aptidão física. Revista Brasileira de Ciência e Movimento. V. 8, n. 4, p. 21-32, 2000.

PADOIN, P.G; GONÇALVES, M.P; COMARU T; SILVA,A,M,V; Análise comparativa entre idosos praticantes de exercício físico e sedentários quanto ao risco de quedas. O mundo da saúde, São Paulo, 2010;34(2); 158-164.

PAES, M.R.S. Efeito de um programa de atividade física no equilíbrio estático e dinâmico em idosos. Porto, 2005

PEDRINELLI,A; GARCEZ-LEME, L.E; NEBRE, R.S.A. O efeito da atividade física no aparelho locomotor do idoso.. Rev Bras Ortop. 2009;44(2):96-101

RUWER S.L; ROSSI, A.G; SIMON, L.F. Equilíbrio no idoso. Rev. Bras. Otorrinolaringol. 2005;

SIQUEIRA, F.V; FACCHINI, L.A; PCCINI, R.X; TOMASI, E; THUMÉ,E; SILVEIRA, D.S; VIEIRA, V; HALLAL, P.C. Prevalência de quedas em idosos e fatores associados. Revista Saúde Pública 2007;41(5):749-56.

WEINECK, J. Biologia do Esporte. São Paulo: Manole, 1991.

WIECZOREK, S.A. Equilíbrio em adulto e idosos: relação entre tempo e acurácia durante movimentos voluntários na postura em pé. SP 2003.

Autores:

Karla Gnoato*

Karen Juliane de Godoy*

Lissandro Moisés Dorst**

kagnoato@hotmail.com


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