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Abordagens sobre o Alongamento








O alongamento é um termo geral usado para descrever qualquer manobra fisioterapêutica elaborada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles e subsequentemente melhorar a ADM por meio o alongamento (aumento do comprimento) de estruturas que tiveram encurtamento adaptativo e tornaram-se hipomóveis com o tempo (Beaulieu J, 1981; Hertling e Kessler, 1996; Tomberlin e Saunderes, 1994; Wilkinson A, 1992; Zachazewski J, 1989).

O alongamento é uma manobra terapêutica utilizada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles por promover aumento do comprimento das estruturas que tiveram encurtamento adaptativo (Kisner C e Colby L, 2005) podendo ser definido também como técnica utilizada para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade articular, isto é, aumentar a amplitude de movimento (ADM). Suas modalidades são: alongamento estático, alongamento balístico e alongamento por facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) (Halbertsma J et al., 1999; Knudson D, 2008).

Em termo de alongamento, a tensão do músculo está ligada ao aumento do comprimento muscular. Por consequência disto, o músculo será tensionado e as outras estruturas musculares em volta ele sofrerão alterações.

Genari (2008) descreveu os objetivos do alongamento: restaurar a amplitude de movimento normal na articulação envolvida e a mobilidade das partes moles adjacentes a esta articulação; prevenir o encurtamento ou tensionamento irreversíveis de grupos musculares; facilitar o relaxamento muscular; aumentar a amplitude de movimento de uma área particular do corpo ou corporal de forma geral antes de iniciar os exercícios de fortalecimento; reduzir o risco de lesões músculo-tendinosas.

Postula-se que o alongamento proporcione um efeito protetor no tecido músculo-esquelético quando realizado antes e/ou após exercícios inclusive prevenindo o aparecimento de dores musculares, no entanto, existe divergência na literatura quanto ao efeito protetor ou não do alongamento. (Andersen JC, 2005; Hebert RD, Gabriel M, 2002; Macauley D, Best TM, 2002).

Os efeitos do alongamento podem ser divididos em agudos e crônicos. Os agudos ou imediatos são resultado da flexibilização do componente elástico da unidade musculotendínea. Já os efeitos crônicos resultam em remodelamento adaptativo da estrutura muscular, explicado pelo acréscimo do número de sarcômeros em série, o que implica em aumento do comprimento muscular (Hall C e Brod L, 2007; Herbert R, 1998). Estes efeitos podem permanecer por determinado período após a interrupção dos exercícios (Hall C e Brod L, 2007). Para que ocorram aumentos de comprimento mais permanentes (plásticos), a força de alongamento precisa ser mantida por um tempo mais longo (Kisner C e Colby L, 2005).

A literatura cientifica aponta certos "possíveis mecanismos" responsáveis pela redução na forca avaliada como (i) a inibição dos estímulos excitatórios de motoneuronios alfa, via estimulação das terminações nervosas III, IV e órgão tendinoso de Golgi, (ii) aumento do atraso eletromecânico devido a maior complacência da unidade musculo-tendínea, (iii) alteração na relação comprimento–tensão da unidade musculo-tendinea, e (iv) isquemia local devido ao menor fluxo sanguíneo e acumulo de metabolitos.( Behm DG, Chaouachi A, 2011; Marchetti PH, et al, 2014; Marchetti PH, Arruda CC, et al, 2010)

Segundo Achour Júnior (2006), podem ser diferenciadas as seguintes técnicas de alongamento ("stretching"):
Alongamento dinâmico;
Alongamento estático;
Alongamento balístico;

Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

Durante a execução do método dinâmico, há um maior risco de lesões devido a facilidade de ultrapassarmos nossos limites sem que tenhamos controle da situação, pois a mesma ocorre através de movimentos rápidos e vigorosos. Aconselha-se a utilização do método balístico em atletas cujo esporte envolva movimentos dinâmicos em seu desempenho. Em programas de fitness, o seu uso deve ser limitado a praticantes com uma experiência e vivencia corporal adequadas (HERNANDES JUNIOR, 2002).

O alongamento estático é eficaz em aumentar a amplitude e movimento (ADM). A maior mudança na ADM com um trecho estático ocorre entre 15 e 30 segundos (McHugh M et al.,1992; Bandy WD et al., 1994).  A maioria dos autores sugerem que 10 a 30 segundos é suficiente para aumentar a flexibilidade (WD et al., 1994; Cipriani D, 2003). Além disso, nenhum aumento no alongamento muscular ocorre após 2 a 4 repetições (Taylor D et al., 1990).

Dentre os métodos de alongamento existentes, o mais antigo e questionado é o alongamento balístico. Esta técnica consiste em movimentos repetidos gerados pela musculatura agonista que ocasionam tensões agressivas e de curta duração na musculatura antagonista. Este estímulo repetitivo e curto faz com que os fusos neuromusculares estejam sempre ativos, produzindo uma resistência muscular contínua ao alongamento, e não permite que os órgãos tendinosos de Golgi produzam o relaxamento muscular (Prentice, 2002; Coelho, 2008). Além disso, por ser pouco controlado há um grande potencial em provocar lesões musculares. Por estes motivos o alongamento balístico é considerado o mais desvantajoso para o desenvolvimento da flexibilidade, o que justifica a sua pouca utilização no meio esportivo.

Apesar de o método FNP ser o mais eficaz, o alongamento estático é o mais utilizado, pois é o método mais seguro, simples e com menor risco de lesão (Sady S et al., 1982). No método estático, o membro é mantido em posição estacionária em seu maior comprimento possível por um período de 15 a 60 segundos (Hall M et al. 2001).

 Alter (1999) cita cinco tipos: alongamento estático, balístico ou dinâmico, passivo, ativo e facilitação neuromuscular proprioceptiva. Porém, na opinião de Bagrichevsky (2008), as principais técnicas de alongamento da literatura são: o alongamento ativo, estabelecido pela atividade muscular do próprio indivíduo envolvido na ação, sem ajuda externa; no alongamento passivo, o alongamento é promovido por ações externas, sem que ocorra contribuição ou contração ativa do sujeito e a facilitação neuromuscular proprioceptiva consiste de um processo seqüencial, iniciado por um alongamento passivo estático, seguido de uma contração isométrica, aplicando depois outro alongamento assistido de maior amplitude que o primeiro.

Kisner C e Colby L (2005) esclarecem algumas indicações de alongamento: Quando a ADM está limitada porque os tecidos mples perderam sua extensibilidade como resultado de aderências, contraturas e foemção e tecido cicatricial, causando limitações ou incapacidades funcionais; Quando a restrição da mobilidade pode levar a deformidades estruturais que poderiam ser evitadas; Qunado há fraqueza muscular e encurtamento do tecido opositor; Com parte de um programa de preparo físico total elaborado para prevenir lesões musculoesqueléticas; Antes e depois do exercício vigoroso para minimizar potencialmente a dor muscular pós-exercício.

O autor a cima ainda descreve algumas contra-indicações para o alongamento: Quando um bloqueio ósseo limita a mobilidade articular; Após uma fratura recente depois e a consolidação óssea estar completa;  Sempre que houver eviências de um processo inflamatório ou infeccioso agudo ( calor e edema) ou quando a regeneração dos tecidos moles puder ser perturbada nos tecidos retraídos e na região ao redor; Diante de dor aguda, cortante com o movimento articular ou o alongamento muscular; Quando se observa um hematoma ou outra indicação de traumas aos tecidos; Quando já existe hipermobilidade; Quando as contraturas ou tecidos moles encurtados estão provendo aumento da estabilidade articular no lugar da estabilidade estrutural normal ou do controle neuromuscular; Quando as contraturas ou tecidos moles encurtados são a base de habilidades funcionais melhoradas, particulrmente em pacientes com paralisia ou fraqueza muscular grave.

Tobias e Sullivan (1998), como uma atividade que beneficia o indivíduo como um todo, pois não apenas tonifica os músculos, como também, torna a coluna ereta, melhorando a postura, aumenta a flexibilidade, beneficiando as emoções, acalmando os nervos, restabelecendo a energia vital e estabelecendo bases para a saúde física total.

Referências Bibliográficas:

Kinser AM, Ramsey MW, O'Bryant HS, Ayres CA, Sands WA, Stone MH. Vibration and stretching effects on flexibility and explosive strength in young gymnasts. Med Sci Sports Exerc 2008: 40: 133–140
Kisner, C., Colby, L.A., 2007. Therapeutic Exercise. Foundations and Techniques, fifth ed. Davis Company, Philadelphia.
ALTER, Michael J. Alongamento para os esportes. São Paulo: Manole, 1999.
Achour Jr A. Exercícios de Alongamento: Anatomia e Fisiologia. 2ª Ed. São Paulo: Manole, 2006
Benefield LE. Implementing evidence-based practice in home care. Home Healthc Nurse 2003 Dec; 21(12):804-11.
DANTAS, Estélio H. M. Flexibilidade: alongamento e flexionamento. Rio de Janeiro:Shape, 1995.

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