Manifestações neurológicas do COVID-19







Pesquisadores do Hospital de Huazhong University of Science and Technology, em Wuhan, China, liberaram, recentemente, um estudo onde eles analisaram as manifestações neurológicas do COVID-19 em pacientes hospitalizados.
Os dados de duzentos e quatorze pacientes hospitalizados, com diagnóstico confirmado laboratorialmente de síndrome respiratória aguda grave por infecção por coronavírus 2 (SARS-CoV-2), foram coletados, retrospectivamente, de 16 de janeiro de 2020 a 19 de fevereiro de 2020.
Os sintomas neurológicos foram enquadrados em três categorias: sintomas ou doenças do sistema nervoso central (SNC) (dor de cabeça, tontura, prejuízo da consciência, ataxia, doença cerebrovascular aguda e epilepsia), sintomas do sistema nervoso periférico (SNP) (hipogeusia, hiposmia, hipopsia e neuralgia) e sintomas musculares esqueléticos. Os dados de todos os sintomas neurológicos foram verificados por dois neurologistas treinados.
Os resultados mostraram que dos 214 pacientes estudados, 88 (41,1%) eram graves e 126 (58,9%) eram não graves. Comparado com pacientes não graves, os pacientes graves eram mais velhos (58,7 ± 15,0 anos vs 48,9 ± 14,7 anos). Os sintomas mais comuns no início da doença foram febre (132 [61,7%]), tosse seca (107 [50,0%]) e anorexia (68 [31,8%]). Setenta e oito (36,4%) pacientes apresentaram sintomas neurológicos: SNC (53 [24,8%]), SNP (19 [8,9%]) e sistema músculo-esqueléticos (23 [10,7%]). Nos pacientes com sintomas do SNC, as queixas mais comuns foram tontura (36 [16,8%]) e cefaleia (28 [13,1%]). Nos pacientes com sintomas da SNP as queixas mais comuns foram hipogeusia (12 [5,6%]) e hiposmia ( 11 [5,1%]). Sintomas neurológicos foram significativamente mais comuns nos casos graves em comparação com casos não graves (40 [45,5%] vs. 38 [30,2%], P <0,05). Eles incluíram doença cerebrovascular aguda (5 [5,7%] (4 pacientes com AVC isquêmico e 1 com hemorragia cerebral que morreram posteriormente por insuficiência respiratória) vs. 1 [0,8%] (1 paciente com AVC isquêmico), P <0,05), comprometimento da consciência (13 [14,8%] vs. 3 [2,4%], P <0,001) e lesão muscular (17 [19,3%] vs. 6 [4,8%], P <0,001).
Os sintomas do SNC foram a principal forma de lesão neurológica nos pacientes com COVID-19 neste estudo. Os autores sugerem que o mecanismo patológico seja a invasão do SARS-CoV-2 no SNC, semelhante ao que acontece com os vírus SARS e MERS, o SARS-COV-2 entraria no SNC por via hematogênica ou neuronal retrógrada. Essa última pode ser explicada pelo fato de alguns pacientes neste estudo terem hiposmia. Também descobriram que a contagem de linfócitos era menor nos pacientes com sintomas do SNC, o que poderia servir de marcador de comprometimento neurológico. Esse fenômeno pode ser indicativo de imunossupressão em pacientes com COVID-19 com sintomas no SNC, especialmente no subgrupo grave. Além disso, os pacientes graves tinham níveis mais altos de dímero-D do que os pacientes não graves. Esta pode ser a razão pela qual esse grupo tem maior probabilidade de desenvolver doença cerebrovascular.
Sintomas musculares também foram comuns no estudo. Os autores especularam que o sintoma foi devido a lesão direta da musculatura esquelética, como confirmado pelos níveis elevados de CPK, pacientes com sintomas musculares apresentavam níveis mais altos de CPK e DHL do que aqueles sem sintomas musculares. Além disso, os níveis de CPK e DHL nos pacientes graves eram muito maiores do que os de pacientes não graves. No entanto, o SARS-CoV, não foi detectado no músculo esquelético pelo exame post mortem. Portanto, estudos adicionais são necessários para demonstrar se o SARS-CoV-2 infecta as células musculares esqueléticas. Uma outra razão, pode ser que a presença de citocinas pró-inflamatórias significativamente elevadas no soro causaria danos aos músculos.


Por Marcelo Ciciarelli, editor-médico do ABNews e membro da ABN
Fonte: Neurological Manifestations of Hospitalized Patients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective case series study. Mao L. e cols. Preprint article.

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