Efeitos do uso de órtese na mobilidade funcional de crianças com Paralisia Cerebral




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A paralisia cerebral (PC) é uma condição que, freqüentemente, interfere na aquisição de habilidades motoras na infância, as quais são essenciais para o desempenho de  atividades e tarefas da rotina diária. A locomoção é uma das atividades motoras que, geralmente, apresenta-se alterada em crianças com PC, quando comparadas com crianças normais.

Ao se considerar as capacidades motoras dessas crianças, as demandas da tarefa e as características do ambiente, observa-se que, muitas vezes, o padrão de locomoção apresentado por elas representa a melhor solução possível. Entretanto, algumas dessas soluções funcionais podem colocá-las em situação de risco para futuras alterações estruturais, como o aparecimento de encurtamentos, deformidades e prejuízo futuro na dinâmica da marcha. Nesse contexto, as órteses de posicionamento são, freqüentemente, utilizadas para auxiliar no tratamento de crianças portadoras de paralisia cerebral. O suporte mecânico oferecido pelas órteses suropodálicas, por exemplo, visa minimizar ou corrigir o padrão eqüino de marcha assumido por algumas destas
crianças, proporcionando benefícios como a melhora da qualidade de deambulação e a prevenção de deformidades
de tornozelo e pé.

Diversos autores documentaram os efeitos das órteses suropodálicas no padrão de locomoção de crianças com PC. De forma geral, foi observada diminuição da flexão plantar excessiva do tornozelo6, aumento do tamanho da passada e maior estabilidade na fase de apoio8. Grande parte dos estudos informa sobre o impacto do uso dessas órteses nos componentes de desempenho neuromotor da criança. Poucos estudos descrevem o impacto das órteses suropodálicas durante a execução de atividades funcionais em contexto relevante da criança. Entretanto, informações funcionais representam as principais queixas e expectativas da criança e de seus familiares. Dessa forma, evidências centradas em componentes de desempenho, que não consideram diretamente a tarefa e o ambiente onde esses componentes se manifestam, fornecem um perfil incompleto da funcionalidade do indivíduo.

A Classificação Internacional de Funcionalidade,

Incapacidade e Saúde (CIF) foi publicada pela Organização Mundial de Saúde com o propósito de uniformizar a conceituação e terminologia dos processos de funcionalidade e incapacidade, bem como servir de parâmetro para organização de evidências. Segundo essa classificação, uma condição de saúde como a PC pode resultar em alterações da funcionalidade de uma criança que se manifestam em domínios de complexidades distintas. O domínio mais interno é denominado Estrutura e Função do Corpo e compreende  os órgãos e sistemas, bem como a função dessas estruturas. No caso da PC, as estruturas e funções  neuromusculoesqueléticas apresentam-se comprometidas. Um outro domínio de funcionalidade definido pela CIF é denominado Atividade e Participação, que inclui o desempenho de atividades da rotina diária em contexto relevante, mas também o acesso e a participação ativa da criança na sociedade. Nesse outro domínio, uma criança com PC pode apresentar limitações para desempenhar atividades típicas da infância como andar, subir e descer escadas, vestir-se e despir-se, além de encontrar barreiras que podem restringi-la de freqüentar escola com outras crianças. Juntos, esses domínios incluem parâmetros internos e externos que influenciam os desfechos de funcionalidade e de incapacidade da criança.

Ao se utilizar a CIF12 para organizar as evidências disponíveis na literatura, observa-se que grande parte dos estudos que investigaram o efeito de órteses em crianças portadoras de PC14 informa sobre o impacto desse dispositivo em variáveis que refletem o domínio de estrutura e função do corpo12. Informações sobre o impacto desse suporte no desempenho de atividades e tarefas típicas da rotina diária dessa clientela não têm sido disponibilizadas com a mesma freqüência. Entretanto, tais informações são relevantes para profissionais que trabalham com esse grupo, podendo orientar procedimentos de avaliação e de intervenção, uma vez que a indicação para o uso de órteses visa a prevenção de deformidades e a facilitação de atividades motoras.

O objetivo deste estudo foi comparar a marcha e o desempenho motor grosso de crianças portadoras de PC em duas situações: sem órtese e com órtese. A avaliação da marcha teve como referência o padrão de marcha normal, e o desempenho motor das crianças foi avaliado em relação à capacidade das mesmas de realizar atividades da função motora grossa, tais como correr, pular e realizar transferências de posturas. Além disso, foram documentadas as percepções dos pais ou cuidadores sobre os efeitos do uso de órteses na rotina diária das crianças.

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