Marcha no Pé Reumatológico: Ajustes Fisioterapêuticos para Reduzir Dor e Progressão Deformante

 


A marcha no paciente com pé reumatológico é diretamente influenciada pela atividade inflamatória, pelas alterações estruturais progressivas e pela dor persistente. Diferente de quadros traumáticos, o comprometimento reumatológico do pé exige do fisioterapeuta um olhar clínico refinado para ajustar a marcha sem acelerar deformidades articulares e sem aumentar a sobrecarga inflamatória.

Entender como a doença interfere na mecânica da marcha é essencial para preservar função e autonomia.

O que caracteriza o pé reumatológico durante a marcha?

Em doenças reumatológicas, especialmente na artrite reumatoide, o pé apresenta:

  • Inflamação crônica das articulações do médio e antepé

  • Dor plantar e dorsal durante o apoio

  • Instabilidade do retropé

  • Alterações progressivas do arco plantar

  • Redução da propulsão no antepé

Esses fatores levam o paciente a adotar padrões compensatórios de marcha, que aumentam o risco de deformidades e sobrecarga em outras articulações.

Avaliação fisioterapêutica da marcha

A análise da marcha deve considerar:

  • Fases da marcha mais dolorosas (apoio inicial, médio apoio ou propulsão)

  • Distribuição de carga no antepé e retropé

  • Estratégias compensatórias no tornozelo, joelho e quadril

  • Capacidade de adaptação do pé às superfícies

Avaliar apenas força ou amplitude não é suficiente. O fisioterapeuta precisa entender como o pé responde à carga repetitiva da marcha.

Ajustes fisioterapêuticos essenciais

Na prática clínica, alguns princípios são fundamentais:

1️⃣ Modulação de carga na marcha

  • Redução de impactos repetitivos

  • Ajustes no volume de treino de marcha

  • Respeito ao limiar inflamatório do paciente

2️⃣ Otimização do apoio plantar

  • Estratégias para melhorar distribuição de carga

  • Estímulo ao apoio funcional sem forçar correções agressivas

  • Trabalho de estabilidade do tornozelo e retropé

3️⃣ Preservação da função sem acelerar deformidades

  • Evitar exercícios que aumentem torque excessivo no antepé

  • Priorizar controle e eficiência, não intensidade

O erro comum na reabilitação do pé reumatológico

Um dos erros mais frequentes é tentar normalizar a marcha a qualquer custo, ignorando:

  • Dor inflamatória

  • Limitação estrutural progressiva

  • Capacidade real de adaptação articular

Esse tipo de abordagem pode acelerar deformidades e aumentar a incapacidade funcional.

O papel estratégico do fisioterapeuta

Na reumatologia, o fisioterapeuta não atua apenas para aliviar sintomas imediatos, mas para:

  • Reduzir a progressão deformante

  • Manter independência funcional

  • Ajustar a marcha de forma sustentável

  • Proteger articulações ao longo do tempo

Isso exige conhecimento específico sobre pé e tornozelo em doenças reumatológicas.


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