Ombro na Doença Reumatológica: Como Identificar Instabilidade Inflamatória e Evitar Condutas Agressivas
O ombro acometido por doenças reumatológicas exige do fisioterapeuta um raciocínio clínico diferente daquele utilizado em quadros traumáticos ou degenerativos isolados. Dor persistente, perda funcional progressiva e respostas inconsistentes ao exercício costumam estar relacionadas não apenas à mecânica articular, mas à atividade inflamatória sistêmica, que altera a estabilidade, a tolerância à carga e a capacidade de adaptação dos tecidos.
Identificar instabilidade inflamatória é essencial para evitar condutas agressivas que aceleram dor, inflamação e perda funcional.
O que é instabilidade inflamatória do ombro?
Na reumatologia, a instabilidade não se resume à frouxidão ligamentar clássica. Ela envolve:
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Inflamação crônica da cápsula e da sinóvia
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Alteração da qualidade dos tecidos periarticulares
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Comprometimento do controle neuromuscular
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Dor como fator inibitório de estabilização ativa
O resultado é um ombro que não tolera cargas tradicionais, mesmo quando exames de imagem não mostram grandes lesões estruturais.
Sinais clínicos que o fisioterapeuta deve reconhecer
Alguns achados são fundamentais na avaliação:
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Dor difusa, mal localizada e desproporcional ao movimento
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Rigidez associada a períodos inflamatórios
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Piora funcional após sessões mais intensas
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Sensação de insegurança articular relatada pelo paciente
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Resposta inflamatória tardia após exercícios resistidos
Esses sinais indicam que o problema não é apenas “fraqueza” ou “encurtamento”, mas um ombro sob influência ativa da doença reumatológica.
Por que condutas agressivas são um erro comum?
Protocolos baseados em:
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Ganho rápido de amplitude
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Alongamentos intensos
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Exercícios resistidos precoces
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Sobrecarga excêntrica mal dosada
podem agravar a inflamação, aumentar a dor e gerar perda de confiança do paciente no movimento.
Na fisioterapia reumatológica, mais carga nem sempre significa mais ganho funcional.
Ajustes essenciais na conduta fisioterapêutica
O fisioterapeuta deve priorizar:
1️⃣ Leitura do estado inflamatório
A progressão depende da resposta do ombro, não do protocolo.
2️⃣ Estabilidade ativa de baixa agressividade
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Ênfase em controle motor
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Ativação progressiva do manguito rotador
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Exercícios em amplitudes seguras
3️⃣ Progressão criteriosa de carga
A carga deve respeitar:
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Dor durante e após o exercício
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Resposta nas 24–48 horas seguintes
Capacidade funcional real do paciente
O papel do fisioterapeuta na preservação articular
Em doenças reumatológicas, o fisioterapeuta atua para:
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Preservar função a longo prazo
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Reduzir crises inflamatórias induzidas por sobrecarga
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Manter independência funcional
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Evitar agravamento estrutural secundário
Isso exige conhecimento específico do ombro reumatológico, e não apenas domínio de exercícios tradicionais.
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